Inn
27 Léo.
Notas iniciais
Eu caminhei pelos corredores aproveitando os poucos raios de sol que entravam pelas enormes janelas da mansão, era um dia nublado, então aquele sentimento de letargia ainda me dominava.
Entrei na cozinha onde os três principais cozinheiros da casa já estavam preparando a comida e colocando-as nas bandejas de prata. Eles olharam rapidamente para mim e depois voltaram para as frigideiras fumacentas, tabuas com legumes e chaleiras barulhentas.
– Bom dia, Léo. – um dos cozinheiros disse, o mais velho e o mais experiente. Vladmir o nome dele, era quem mandava na cozinha. – Não costuma aparecer tão cedo por aqui.
– Ace quer o seu café na cama hoje. Foi dormir muito tarde de novo ontem...
– Primeiro, não se fala da vida dos senhores na cozinha. – Madame Ellie surgiu de uma das portas, impecável como sempre, mas com um sorriso mais maternal, ela estava fazendo o possível para me tornar o ajudante perfeito. — Segundo, é Sr. Valentim, não Ace. Você não é íntimo e nem da família.
Madame Ellie colocou a comida na bandeja e a entregou para mim. Eu percorri os corredores, subi dois lances de escadas grandes e andei por mais um corredor até chegar ao quarto de portas duplas, o legal desse lugar é que você fica em forma mesmo se não quiser e levando em conta que o Ace adora me fazer andar por aí o dia todo... já perdi dois quilos.
Eu entrei no quarto ainda escuro, frio e bem silencioso. Apoiei a bandeja em um dos criados mudos e fui abrir as enormes cortinas.
O sol entrou preguiçoso, mas o suficiente para iluminar o quarto. Ace se mexeu na cama, ele provavelmente acordara, para Ace não existia mais dez minutos até levantar, ele era muito disciplinado, menos quando se tratava do trabalho. Ele não sabia quando parar.
– Bom dia. – eu disse observando enquanto ele passava as mãos pelo rosto.
Ele continua com olheiras, parece que eles tem revisto o pessoal que trabalha na empresa, alguns precisavam ser demitidos e eles precisavam recontratar, fora que eles ganharam mais alguns contratos e o pai de Ace estava de férias em tempo integral agora, só observando.
Ele está drasticamente cansado.
– Onde está meu celular? – ele me perguntou enquanto se sentava, o peito nu aparecendo enquanto os cobertores deslizavam por sua pele. Acontece que faz tempo que eu não tenho sexo e o Ace não é exatamente algo a se ignorar.
– Está onde você deixou ontem a noite... – madrugada, na verdade. – Desligado. E ele vai permanecer assim até você comer, ainda está longe de oito horas, seu expediente ainda não começou. — eu coloquei a pequena mesa sobre a cama e em seguida pus a bandeja em cima. – Temos um forte café preto, um copo de suco de laranja, torradas e mini sanduiches recheados, um prato de frutas e bolo de baunilha.
Ace começou a se alimentar e só fiquei ao lado da cama observando, eu cheguei atrasado hoje, então não tive tempo de comer, eu estou com fooome. Sabe, tirando o fato dele ser arrogante, um pouco prepotente, muito cheio de si e me dar nos nervos as vezes, ele é muito solitário e precisa de alguém para cuidar dele, ele sempre esquece que é uma pessoa e precisa descansar e se divertir, ele sempre é cuidadoso, mas quando se trata do trabalho ele extrapola e esquece de si, fora que ele ainda tem que ir para a universidade, ultimamente ele tem estado esgotado, além de tudo ele tem uma tia que enche o saco de qualquer um, fora que agora o Téo voltou a morar aqui e ele também se sente responsável por ele.
A prioridade da cabeça da família é cuidar dos seus entes queridos e do legado de seus antepassados, era isso que o pai de Ace sempre dizia para ele. Eu nunca conheci o cara. Tô começando a achar que ele não existe.
Ele cuida de todo mundo e quem cuida dele? Eu tenho que cuidar dele.
Decidi que caminhar pelo quarto e ajeitar qualquer coisa era uma opção melhor.
– Você tomou café da manhã? – ele me perguntou enquanto bebia a xícara de café.
– Ainda não, mas eu reforço na hora do lanche.
– Venha aqui, eu nunca como isso tudo. – ele disse ainda com a voz arrastada de sono, eu fui e sentei na pontinha da cama e peguei um pão com um patê de frango delicioso, o Andrei cozinha bem, mas Vladmir não fica para trás também. Ele é um chef, afinal. – Que horas você foi para casa ontem?
– Na mesma hora que você foi dormir. Clark me levou.
– Eram umas três ou quatro da manhã.
– É... mas Clark é pago pelo turno da noite, então...
– Não estou falando sobre o motorista. Seu expediente acaba as sete da noite. Vou pagá-lo pelas horas extras.
– Eu fico porque você pode precisar de mim. – ele me olhou sério. Eu não queria que soasse estranho. – Hmm, mas claro que receber seria legal, é só que, como seu assistente, eu acho que deveria ir só quando o trabalho está concluído.
Ele não falou mais nada e eu coloquei todo o resto do pão na boca, assim eu não ia cair nessa de falar besteira de novo. Ace retirou a mesinha e a bandeja de suas pernas e começou a se levantar. Ok, agora eu vou até o seu divino closet e escolho o terno do dia, os sapatos, as meias, a gravata e o cinto. A cueca eu não preciso porque ele sai do banheiro com ela.
Engoli e me pus de pé. Hora de trabalhar. Senti a mão macia na minha nuca e no momento seguinte minha cabeça estava sendo puxada na direção do Ace, os lábios macios se encontrando com os meus, podia sentir o leve gosto amargo do café.
– Bom dia. – ele me disse caminhando para o banheiro enquanto esticava o corpo.
Tem isso também. Ultimamente eu tenho ganhando pelo menos três beijos desses por dia, no começo eu realmente gritava “assédio”, mas agora eu já espero ansioso por eles. O Ace é o único que começa com eles, eu não me sinto confortável para fazer isso.
Quer dizer, eu nunca me dei bem com gente como ele e agora simplesmente parece que isso não é tão importante assim. Mas é, droga! Entrei no closet e peguei um dos ternos que eu acho que fica muito bem nele, todos ficam, mas eu gosto desse, um sapato italiano.
Téo estava morando na casa agora e eu só tenho a dizer que é um inferno morar no mesmo teto que a mãe dele, entendi porque ele precisava de espaço. Quer dizer, eu passo pouco tempo aqui, mas pelo tempo que eu fiquei é Téo pra cá, Téo pra lá... e ela é uma desocupada.
Hoje é feriado na escola do Téo, significa um dia cheio para o loirinho. Eu desci as escadas e decidi esperar o Ace lá em baixo. Quando não é minha surpresa e Téo aparece do meu lado, na ponta dos pés, com um pão na boca e um sanduiche na mão.
Eu ia falar com ele, mas ele sinalizou para eu ficar calado. Ok.
– Téo?! – a voz feminina veio da cozinha. – Onde está, querido?
Eu assisti os olhos dele rolarem 360 graus. Ele abriu a porta e me acenou um tchau com as mãos. Eu não consegui deixar de sorrir.
– O Seth vem te pegar?
Ele concordou e fechou a porta.
Um segundo depois e a mulher de cabelo curto apareceu na sala, ao me ver, o seu olhar se encheu da típica arrogância que eu já me acostumei. Ela não gosta de mim, aparentemente os meus modos não se encaixam aqui.
– Viu meu filho? – ela me perguntou com aquele tom superior.
– Não. O filho é seu.
Ace apareceu na sala e olhou para a tia.
– Bom dia. – ele disse olhando o relógio e se dirigindo para a porta apressadamente, provavelmente por dois motivos, porque ele queria chegar o mais rápido possível na empresa, segundo porque ele não queria ser alugado pela tia.
– Seria melhor se eu soubesse onde está o meu filho. – ela disse com o tom amargo.
– Deve estar se aprontando para ir para o colégio. – Ace falou como se não fosse nada demais.
– Hoje é feriado. – eu comentei só para deixar ele ciente.
– Hm, ele deve ter saído para comprar as revistas que ele gosta. – Ace disse abrindo a porta, eu estava logo atrás dele.
– Esse não é o problema, o problema é com quem ele saiu. Não acredito que vou ter que avisar para o porteiro e os seguranças não deixarem ele sair sem a minha permissão.
– Você não vai fazer isso. Esse foi um dos motivos que fizeram o Téo querer sair de casa em primeiro lugar e em segundo, ele está reportando suas saídas para mim.
– Então ele disse que ia sair hoje.
– Sim, ele avisou. Agora, pare de relaxar e volte ao trabalho, os papéis da empresa estão se acumulando na sua mesa. – Ace disse e se pôs para fora.
Entramos no carro e Ace suspirou passando a mão no rosto. Ele me olhou, eu estava sentado no banco a sua frente, depois sua expressão era mais de desconfiança
– Téo te disse para onde ia?
– Não.
– Bom, nem a mim. – ele disse com os olhos de ouro fitando as ruas da cidade. – Acho que eu combinei com ele que ele me diria aonde ia, quando ia e eu daria minha permissão.
– Acho que foi mais você quando e como ele ia sair.
– É a mesma coisa.
– Qual é, Ace. O Téo só tem dezessete, até um dia desses ele vivia trancado dentro de um quarto, agora ele está se divertindo um pouco, fazendo amigos. Ele pulou a parte de rebeldia da adolescência pelo visto, então agora ele está aproveitando um pouco disso.
– Eu tinha um acordo com ele. Téo devia respeitá-lo, ele cumpre a parte dele e eu a minha. Se ele foge do acordo comigo eu fujo do acordo com ele. James!
– Senhor? – o motorista falou do banco da frente.
– Quero que ligue para o chefe da segurança e peça para encontra o Téo. Diga para ficar de olho nele.
– Pelo amor de deus, Ace. Você não cansa de brincar de gato e rato? Não vai acontecer nada com ele! – eu falei com um pouco de raiva. Ele exagera nessa história.
– Você não sabe nada. Concentre-se no seu trabalho e só.
Ok, eu evitei falar com ele todo o resto da manhã, só me dirigia a ele com o essencial e somente. Acho que isso o estressou um pouco, mas eu não me importo. Ele foi para a faculdade e eu voltei para a mansão para gerenciar quaisquer problemas e esperá-lo com tudo pronto para quando ele chegasse.
A tarde eu estava meio sem nada para fazer, então decidi organizar o escritório, no meu caminho eu vi aquela porta misteriosa. Eu queria muito saber o que tinha atrás dela, até agora ninguém me disse nada, nem o Ace, nem a Ellie e eu estava cada dia mais curioso.
Foi quando eu vi algo pendurado na maçaneta da porta. Era uma chave com um chaveiro, a chave da porta estava lá, como se me implorasse para entrar e ver o que tinha dentro. Eu olhei para um lado e olhei para o outro, o corredor estava mais do que silencioso.
Eu me aproximei, encostei minha orelha na porta e não escutei barulho nenhum vindo da parte de dentro. Bom, coloquei minha mão na maçaneta e ia girar, mas... eu parei, Ace disse que eu não deveria, foi uma ordem do meu patrão! Mas ele estava sendo um idiota hoje... isso não anula a ordem.
Mas uma olhadinha não mata ninguém. E mais, ninguém precisava saber.
Eu girei a maçaneta e entrei.
Nada demais a primeira vista, era só uma sala grande bem iluminada, com um piano no canto, uma estante com vídeos e DVDs, alguns troféus e quadros na parede. Eu olhei de perto as fotos. Tinha uma criança nelas, a mesma criança, na grande maioria delas.
E parecia o Téo. Um Téo bem pequeno e bem jovem. Em uma ele estava sentado ao piano como se a coisa fosse bem maior do que ele, na outra ele recebia um troféu ao lado de um homem e depois algumas com uns homens perto do piano, tutores talvez.
Eu caminhei até a prateleira com uns troféus, tinham uns doze ou quinze, uns maiores outros menores e algumas placas. Primeiro lugar do recital de piano Junior, primeiro lugar do festival municipal de música erudita... e muito mais nesse rumo. Isso é meio que um santuário? O Téo tocava piano quando criança? Agora eu quero sair perguntando isso pra todo mundo!
Por que esse quarto está fechado? Por que eu nunca ouvi falar que o Téo tocava um instrumento... oh, meu deus! Ele tem um irmão gêmeo, só pode ser isso! Quer dizer, o irmão gêmeo morreu e aquela maluca da mãe dele colocou todas as expectativas no pobre Téo que queria apenas ser um jovem desenhista daqueles quadrinhos que ele lê, mas como o irmão teria uma carreira promissora e era basicamente a estrela da família, era melhor o Téo assumir o lugar do irmão! Pobre Téo!
E agora ele está de volta perto da louca da mãe dele, eu posso ajudar, claro que posso! Por isso que ele queria fugir daqui. Oh. Meu. Deus! E se ele quiser fugir agora só que para mais longe com aquele amigo punk dele? Aquele rapaz realmente parece que toparia levar o Téo para onde ele quisesse! E se eles já fugiram e foi tudo minha culpa hoje de manhã?
Por que eu não podia saber que o irmão do Téo tocava piano? Por que a sala ta tão limpa e o que tem nesses vídeos? Se eu levar um para casa e assistir será que eles vão perceber? Por que o Ace não podia me dizer? Isso não parece com um segredo secreto.
E se eles foram os responsáveis por matar o irmão do Téo? Ace era responsável por algo? Eu preciso falar com alguém, mas eu não deveria estar aqui em primeiro lugar! Burro, burro, burro! Eu não aprendo nunca?
Eu olhei para aquelas fitas e peguei uma, talvez eu pudesse achar minhas próprias respostas e depois eu ia colocá-la de volta no lugar. Acho que Andrei tinha um vídeo cassete na pensão ainda. Coloquei no bolso do meu paletó, ocupando o lugar de Crime e Castigo que estava lá, e saí da sala com cuidado para não encontrar ninguém no corredor.
Eu me sentia um espião. Um detetive investigativo. Agora eu tinha que disfarçar, eu não estou roubando! Só investigando, se eu trabalho para essa família tenho que saber em que estou me metendo. Eu desci as escadas, Ace está perto de chegar em casa e eu fui esperá-lo a porta.
Mas antes, fui acalmar meus nervos no jardim, respirei o vento frio, acho que vinha chuva por ai, caminhei pelo caminho de pedra até um dos balanços e me sentei um pouco, o galho da árvore rangeu um pouco, mas ficou estável. Tá, o que eu tenho: uma sala que era proibida, um garoto parecido com o Téo, mas que não é ele, com certeza, uma mãe louca e um primo misterioso e sexy.
– Ainda por aqui, Léo? – a voz masculina me invadiu e eu observei o homem musculoso se aproximar de mim.
– Davis! Como vai? – Davis era o jardineiro, contratado no mesmo dia que eu. Ele era um daqueles caras lindos que levava as mulheres ricas a ficarem tentadas a trair o marido. Davis era loiro, alto, com um cavanhaque impecável e um sorriso simpático. Agora ele estava meio sujo de terra negra e o suor fazia seu corpo brilhar.
– Muito bem, estou indo para casa agora. As roseiras me deram trabalho hoje, mas ficarão lindas daqui há algumas semanas. Seu horário não acabou?
– Ainda tenho uma hora.
– Tempo suficiente para eu tomar um banho e ficar pronto para um café. – ele disse com aquele tom de convite. Na verdade, ele já tinha me convidado três vezes e eu até aceitei na segunda, mas tive que cancelar.
– Eu acho que o Ace vai precisar de mim hoje.
– Eu acho que ele abusa demais da sua boa vontade.
– Não, ele tenta se livrar de mim, mas não consegue. O café fica para a próxima.
Ele só piscou para mim e foi embora, ele é um cara legal, mas no momento eu estava meio enrolado, eu acho. Quer dizer, eu não sei em que pé eu estou com o Ace. Eu não sei o que esses beijos querem dizer, mais uma coisa que eu tinha que perguntar.
– Minha mãe amava esse balanço. – a voz do Ace veio da porta e ele se aproximou de mim, quanto tempo eu fiquei aqui? Ele sentou em um dos bancos de ferro alguns passos de mim.
– Quando chegou?
– Faz uns quinze minutos e não sei porque eu ainda me admiro, você não estava no seu posto.
– Eu ainda estou aqui, não estou? – ah, que mala. – Posso fazer alguma coisa por você, sua alteza?
Ele só olhou para mim, foi só um olhar, mas meu corpo todo se arrepiou, Ace não era muito de rir, mas o rosto sério realmente ficava bem nele com aqueles olhos de mel que me fitavam com certa intensidade. Eu não pensei muito eu só levantei, me sentindo meio estranho e meio tímido. Ele estava meio jogado no banco, os braços sobre o encosto, mas assistiu cada passo meu.
Eu parei na sua frente e cruzei os braços. Meus olhos se encontraram com os dele de novo e dessa vez sua sobrancelhas ergueram como se esperassem alguma coisa. Eu vou mesmo fazer isso? Eu só suspirei e caminhei até ele, apoiei minha mãos no banco até que meu rosto estava praticamente na altura do dele, senti minhas bochechas ficarem vermelhas.
Lentamente eu coloquei meus lábios nos dele, tudo estava silencioso, só nós estávamos fora, já estava escuro e apenas o vento frio da chuva estava se arrastando sobre o nosso corpo quente, sua língua invadiu a minha boca e eu acompanhei os movimentos, lentamente e eroticamente, de repente parecia tempo demais e minhas costas começaram a doer, mas estava bom, o problema é que agora eu queria sentir as mãos dele sobre mim, e foi isso que aconteceu, ele seguiu por dentro do meu paletó e por cima da minha blusa branca, era como se mão quente estivesse em contado direto com a minha pele. Imagina se realmente estivesse, eu me peguei gemendo curto e rápido.
De repente ele parou e um sorriso travesso estava sobre os seus lábios. Os olhos intensos me fitando.
– O que? – eu disse erguendo meu corpo e tentando esconder o rubor que eu sabia que estava lá nas minhas bochechas.
– Nada. – ele disse com aquele tom de vitória. – É a primeira vez que você me beija. Por vontade própria.
– Você não gostou? – eu disse tentando me manter calmo, e mostrando que aquilo realmente não era grande coisa. Só dei de ombros enquanto olhava a minha volta, sem realmente prestar atenção em nada.
– Longe disso. Eu realmente espero que isso se torne um hábito seu. O que é isso no seu casaco?
Meu coração acelerou. Ah, Léo, vamos lá.
– Meu livro.
– Que livro?
– Crime e Castigo.
Ace apenas concordou e olhou para dentro de casa, eu olhei ao redor, eu não gosto de mentir para ele. Talvez eu devesse perguntar, quer dizer, eu sempre posso alegar que o quarto estava aberto e...
– Igual a esse? – ele disse e eu vi meu livro sobre o banco. Ops, eu tinha deixado ele ai?
– Que engraçado, um livro igual ao meu! — foi muito rápido, a mão do Ace invadiu meu paletó e arrancou a fita de lá, ele olhou e olhou depois me encarou. Um olhar de chefe ao empregado. – É... uma fita de quando eu era criança. – ele virou o cassete para mim e tinha escrito “recital numero 3”. Eu só podia fazer uma coisa, tagarelar. – A porta estava aberta com a chave de fora e eu estava curioso e eu entrei, mas ai tinha muita coisa que não fazia sentido, como o irmão gêmeo do Téo e ninguém nunca me disse nada! Eu fiquei pensando! Como ele morreu afinal? Vocês querem que o Téo siga os passos do irmão dele? Pelo menos não era uma sala que vocês usavam para torturar, ou uma sala de S&M, ou qualquer coisa bizarra! Por que eu não podia entrar? Eu não queria invadir, mas a minha curiosidade...
– Chega. – ele disse com aquele tom. Ele estava bravo comigo e eu não consegui falar mais nada.
Ace levantou e caminhou de volta para casa, eu segui logo atrás dele.
Claro que estava, eu estava roubando algo da casa dele, algo pessoal e algo de uma sala que eu estava proibido de invadir. Minha barriga embrulhou. Por que eu sou assim tão impulsivo. Eu olhei por cima dos cílios para onde ele estava indo, eu ia segui-lo.
– Desculpe, eu realmente não sei o que estava pensando. – eu disse.
– Você nunca sabe.
– Não precisa me ofender.
– Você está errado, não tente dar um de engraçadinho agora. Você estava roubando algo meu, Léo. Por muito menos eu deixaria de confiar em você.
Eu não ia roubar, eu só ia pegar emprestado. Eu estava me sentindo a pior pessoa do mundo, se fosse o contrario eu também não ia gostar, eu realmente fui longe demais. – Desculpe.
Ace subiu as escadas e seguiu para o quarto proibido, ele entrou e eu fiquei parado na porta, a fita estava de volta a estante junto com as outras.
– Por que está parado aí? Você já entrou aqui mesmo. Entre e feche a porta. – ele falou num tom áspero e eu estava me sentindo a pior pessoa do mundo. Eu só obedeci.
Ele sentou em um sofá de madeira clara com um assento bem confortável em vermelho e ficou admirando a sala. Eu fiquei de pé e esperei ele falar.
– Eu devia demiti-lo, Léo. – eu o olhei meio surpreso, mas no fundo eu já esperava por isso. – Como vou saber se você não roubou mais nada?
– Eu só ia pegar emprestado. – falei debilmente. – E eu não sou ladrão.
– Não é o que parece. Depois de falar tanto sobre trabalhar de forma honesta e conseguir seu próprio dinheiro, eu encontro você levando coisas da minha casa. E mentindo para mim.
– Já pedi desculpas, não vai acontecer de novo.
– Realmente não vai se eu for demiti-lo.
– Eu nunca roubei nada de ninguém, Ace. Eu só peguei essa fita porque eu queria respostas, era um mistério que estava na minha cabeça e como você não ia me dizer eu tinha que descobrir, eu só ia ver a fita essa noite e descobrir algo sobre o irmão do Téo! Eu ia trazê-la de volta!
– Passou pela sua cabeça que talvez isso seja assunto familiar e não lhe diz respeito?
– Essa era uma sala trancada com muito mistério, se tivesse algo errado aqui eu queria saber, afinal eu trabalho para vocês e se tiver alguma coisa meu nome vai para o ralo!
– E por que você pensou que tinha alguma coisa errada? Eu já lhe dei motivos para pensar nisso?
– Não.
– O único que me deu motivos para pensar mal de alguém foi você. Nunca me obedece quando deve, não presta atenção as normas, mente, me responde e ainda me rouba. Você está jogando seu nome no ralo.
– Não estava roubando!
– Era o que parecia.
– Eu já me desculpei, o que mais você quer que eu faça? – meu coração estava pulando no peito. Ok. Eu estava totalmente errado aqui, mas eu realmente não fiz por mal. Eu não queria perder meu emprego, não desse jeito, o dinheiro era bom, estava ajudando meus avós, eu gostava de beijar meu chefe e não queria deixar esse lugar com essa má impressão de mim. – Eu não sabia que essas minhas falhas realmente te incomodavam, você nunca reclamou a sério. Eu prometo melhorar e prometo obedecer as suas ordens com mais afinco. Realmente, desculpe, eu não queria causar problemas levando essa fita e realmente não era assunto meu. Eu só... eu não fiz por mal.
Tudo bem, eu estava me sentindo péssimo e não sabia como consertar isso.
– Que história é essa de irmão gêmeo do Téo? – ele me perguntou ainda com a mesma expressão chateada.
– Ele não tem?
– Não.
– Mas... – eu disse olhando ao redor, mas eu ainda estava maio intimidado. – Esse é o Téo?
– É. Téo costumava ser um daqueles gênios ao piano. Ele tinha ganhado muitos prêmios até completar dez anos, ele estava aprendendo a compor na época, era comum vê-lo cantarolando pelos corredores. Até que Marisa começou a pressioná-lo demais e em um fatídico dia ela marcou um recital para o Téo, todos queriam ver um gênio de onze anos tocar o piano, foi no teatro municipal devia ter mais de oitocentos lugares e os ingressos esgotaram. Eu estava lá, nos bastidores, o Téo é como meu irmão mais novo e eu me preocupava e me preocupo muito com ele, eu olhei para o Téo, ele era magrelinho em um terno sob medida. Mas eu notei que ele estava mais pálido que o normal. Eu perguntei se ele estava bem e ele não me respondeu, ele estava nervoso. Eu lhe disse que se ele não quisesse ir não tinha problema, e ele só recuou com os olhos apavorados. Ele não queria estar ali, era um publico enorme e ele não estava confortável. Eu disse que ia buscar um copo de água para ele e que nós íamos falar com Marisa para cancelar o show. – o Ace parou um instante. – Quando eu voltei o Téo estava de frente para o palco, duro feito pedra. Eu ia até lá, mas Marisa disse que ele estava bem e eu esperei. Quando ele virou uma bola no chão eu invadi, conversei com ele e ninguém nunca agarrou meu pescoço com tanta força quanto aquele menino. Eu me desculpei com o publico e deixei o resto com a Marisa, eu levei o Téo para casa. Claro que ele virou noticia, especularam sobre a família e alguns até colocaram em duvida a veracidade do talento dele. O fato é que Téo não saiu do quarto por uma semana depois do ocorrido, só eu conseguia entrar e a mínima menção dessa sala de musica fazia ele chorar. Psicólogos trabalharam com ele durante uns cinco anos. Ele não se dava bem com pessoas, sempre se escondendo ou evitando o contato, ele foi melhorando, mas a menção dessa sala e da palavra piano foram proibidas nessa casa. Até Marisa começar com essas ideias de novo. Foi quando Téo pediu para morar sozinho por um tempo, ele alegava que estava bem, mas... ele costumava entrar em pânico em locais muito cheios. Mas eu dei um voto de confiança, eu estaria sempre lá para ele, então não tinha problema. Até esse amigo dele aparecer, ele não sabe da história do Téo e eu duvido que meu primo tenha dito a ele. Téo não fala sobre isso, ele ainda é vulnerável e sensível e eu só quero ele seguro.
– Eu não sabia.
– É claro que não, isso é um assunto de família. A repercussão do recital fracassado do Téo trouxe péssima imagem para a empresa. Isso deixou o meu pai possesso, ele deve que consertar as coisas e sem depoimentos do Téo, que não estava em condições, isso tornou tudo muito mais difícil. A empresa perdeu muitos clientes, ninguém queria ser associado a uma empresa de uma família que maltrata crianças. Infelizmente ou felizmente, os donos da nossa concorrente faleceram alguns anos depois e eles perderam credibilidade e isso ajudou a nos reerguer. Só fatos miseráveis. Quando Marisa começou a falar sobre a possibilidade do Téo voltar a praticar... meu pai a enviou para uma viagem.
– E o pai do Téo?
– Ele era um músico independente. Marisa se apaixonou e não aceitou muito bem esses sentimentos, ela casou com ele determinada a troná-lo um homem rico, ou digno de merecê-la. Com o tempo ele não aguentou a pressão, ela começou a odiá-lo por não obedecê-la, eles se separaram em menos de dois anos. Ele pegou algum dinheiro da separação e sumiu. Téo tinha um ano. Nunca mais ouvimos falar dele.
– E o Téo nunca procurou pelo pai?
– Ele teve uma fase, mas já passou. Você tem mais alguma dúvida? Quer me acusar de mais alguma coisa? Ou...
– Já me desculpei, Ace. – eu disse meio envergonhado e chateado, já disse que não fiz por mal, não vou fazer de novo. – Eu entendi porque você se preocupa tanto com o Téo. Mas as coisas já estão diferentes, talvez essa mudança seja boa para ele...
– Não quero falar sobre isso agora.
Ele só levantou e caminhou até mim e parou a centímetros de mim, cruzou os braços e ficou me encarando, eu fiquei parado e só abaixei a cabeça, é agora, vou perder o meu emprego. Por justa causa, claro. Mas eu queria que ele me desse um voto de confiança, só mais uma vez.
E então eu senti sua mão no meu queixo forçando o meu rosto a olhar para o dele. Seus olhos me devoravam intensamente e ele pareci pensar em outra coisa enquanto olhava para o meu rosto, eu queria saber o que se passa na cabeça dele.
– Agora você sabe demais. Vai ter que ficar trabalhando para mim e sob a minha supervisão. Não vai poder abrir a boca sobre isso com ninguém e nunca mais vai me desobedecer. Minhas ordens são ordens.
– Essa é a minha única opção?
– A outra seria eliminação de informação. Eu teria que matar você. – acho que meus olhos cresceram umas três vezes. – Estou brincando, Léo.
– Eu sei. – eu disse assistindo um meio sorriso se formar nos lábios dele.
Lábios esses que vieram se juntar aos meus, mas dessa vez sem cerimônia sua língua invadiu minha boca e um zumbido começou no meu ouvido, as únicas coisas em que eu consegui me concentrar foram nos lábios ágeis e na chuva que batia no vidro da janela.
Suas mãos empurraram meu casaco para baixo e eu não protestei, o tecido pesado caiu quase inaudível no chão. Ele puxou minha camisa de dentro da calça e desabotoou habilmente os botões da minha blusa, eu nunca conseguiria ter essa agilidade.
O ar frio bateu sobre a minha pele quente eriçando meus mamilos e forçando meu corpo a esquentar a inda mais. Suas mãos percorreram a minha pele exposta, deslizando pela minha barriga e espalmando em minhas costas. Ele me puxou para perto dele, meu corpo agora estava colado com o dele, nenhum centímetro nos separava, suas mãos apertando cada pedaço de carne ao alcance. Foi um sentimento de possessão que me bateu duro e me fez inalar o ar mais forte.
Não era justo, porque ele ainda estava vestido? Eu esqueci a minha linha de pensamento, quando a boca dele desceu pelo meu queixo mordendo de leve e parou no meu pescoço saboreando a carne, a única coisa que eu conseguia fazer era levar minha cabeça para o outro lado dando quanto espaço ele precisasse, estava muito bom. Ah, sim, eu conseguia me concentrar em outra coisa, minha ereção estava discretamente se movendo contra a dele.
Minhas mãos voaram sobre o cabelo curto, não era muito fácil os dedos se entrelaçarem nos fios curtos, mas eram macios ao toque. Eu tinha consciência que a minha respiração estava alta e meu peito subia e descia com uma certa velocidade diferente.
Depois de brincar com o meu pescoço ele desceu mais um polvo, pela minha clavícula, chupando de leve o meu peito e finalmente abocanhando o meu mamilo. Dessa vez um gemido saiu forte da minha garganta.
– Eu quero ouvir de novo. – ele sussurrou deixando o hálito quente bater na pele sensível e molhada. E então sua língua veio acariciar a carne sensível e sugá-la em sua boca, meus dedos apertaram ainda mais em seu cabelo e dessa vez eu realmente não me contive, deixei cada gemido que se formou no meu peito deixar meus lábios.
Suas mão desceram rapidamente até a minha calça e desfizeram meu sinto e desabotoaram a primeira peça de roupa que me cobria, eu não estava pensando muito bem, o zumbido só aumentava e meu rosto estava quente, meus lábios meio secos e meu pênis doía por um contato... por que ele ainda estava vestido?
Senti minha calça cair e era isso, só o que me separava de estar totalmente nu para ele era a minha Box branca, porque os meus sapatos já estavam fora dos meus pés. Eu só conseguia sentir meu mamilo ficar cada vez mais sensível.
E então ele começou a massagear meu pênis por cima do tecido. Ah, não, isso não era suficiente eu queria sentir a mão dele me tocando de verdade, só com essa pequena massagem eu já estava começando a molhar minha cueca, o que era ridículo, cadê a minha resistência?
E então sua mão forçou o tecido o tecido para baixo e agora era pele contra pele, ele acariciou meu pênis e a única coisa que eu conseguia fazer era me empurrar ainda mais na mão dele. Eu inalei audivelmente, o cheiro do perfume caro e masculino encheu meus pulmões e foi como se um raio percorresse o meu cérebro derretido.
Eu puxei sua cabeça de novo para a altura da minha e tomei seus lábios,eu senti sua boca se desenhar em um sorriso, e essa foi a minha vez, ele já estava sem a parte de cima do paletó o que o só me ajudou, eu não era tão rápido quanto ele era em desabotoar botões, mas eu estava chegando lá enquanto a língua dele lutava loucamente para dominar a minha. Eu afrouxei sua gravata e enrolei na minha mão para mantê-lo perto de mim.
Não perdi mais tempo, com o cinto eu fui mais rápido e com a calça também, não me preocupei em me livrar dela toda, ela ficou presa até a metade das coxas bem torneadas e sua ereção já estava despontando de sua roupa íntima. A visão e o fato da minha boca seca só me fez lamber os lábios.
Um som gutural deixou a garganta de Ace e eu o fitei observando os olhos de ouro escurecidos pela luxúria.
– De joelhos, Léo. – ele me comandou com uma voz sedutora, ele não precisava mandar duas vezes, em dois segundos sua ereção já estava na altura dos meus lábios e minhas mãos se puseram em sua cintura, deslizando lentamente pela pele firme até que eu senti o cós de sua Box e minhas mãos se puseram pra dentro sentindo os glúteos tensos. Depois disso eu me livrei do tecido, assistindo seu pênis pular solto em meu rosto.
Minha língua percorreu da base a carne rígida a cabeça esponjosa, eu coloquei todo aquele pedaço de carne pulsante dentro da minha cavidade úmida e suguei com as bochechas, massageando o quanto podia com meus lábios.
Senti seus dedos se fecharem firmes sobre os meus fios ruivos e forçarem a minha cabeça para mais perto, tomei isso como algo bom. O gosto agridoce de seu pré sêmen finalmente apareceu na minha língua o que só fez o meu próprio pênis pulsar, eu tinha que fazer um bom trabalho aqui, eu duvido que tenha qualquer tipo de lubrificante aqui.
E eu realmente quero sentir ele dentro de mim.
Eu comecei a sentir seu pênis pulsar entre meus lábios enquanto eu engolia uma e outra vez a extensão quente e dura, até que eu senti sua mão puxar minha cabeça para longe do falo ereto. Um linha de saliva se formou da minha boca até o meu novo objeto de desejo.
Olhei para cima e encontrei Ace ofegante e me encarando.
– Suba no sofá, Léo. — não mesmo, era uma posição muito constrangedora. Eu me pus de e ele me guiou ao sofá.
– Não. – eu empurrei seu peito, o olhar sério em seu rosto só me fez ter vontade de rir. Então o riquinho não gostava de ser desobedecido durante o sexo? Ace só se aproximou mais de mim, minha pele roçando com a dele.
– Não é um pedido. – ele disse segurando firme o meu queixo, entre o polegar e o indicador. – É uma ordem, meu bem. – Ace estava diferente, sério e muito dominante, seu tom não deixava brechas para argumentação. Eu encontrei a minha voz de algum modo, enquanto seu corpo empurrava o meu discretamente para o sofá.
– Vai ser sempre assim? Eu vou ter que fazer o que você mandar? – minha voz saiu mais comportada do que eu esperava.
– Se você for um bom garoto eu prometo que vai valer a pena. – eu senti o assento bater nas minhas pernas. Ele me beijou rápido mais profundamente, bem... minhas pernas ficaram um pouco bambas.
E quando eu percebi eu estava de costas no sofá, em meus joelhos e me apoiando no acento, talvez a minha falta de atenção fosse por causa da boca dele na minha nuca, ele abaixou a minha blusa só até os meus ombros, era bom, e as mãos dele estavam passeando pelo interior das minhas coxas, preguiçosamente, até que eu senti um dedo molhado forçar a minha entrada por trás eu repirei fundo, mas meu corpo todo tremeu. Isso era tão bom, eu precisava disso. E ele pôs outro dedo.
– Levante sua bunda. – minhas bochechas foram para vermelho vivo. Ok, ele era bem mais desinibido no sexo do que na vida normal.
– E se eu disser não? – não seria eu se não o contestasse.
Ele tirou os dois dedos da minha bunda e eu senti prontamente o vazio. Mas isso é muita crueldade. E então eu ouvi o estalo da palma de sua mão na minha bunda. Eu gritei baixo e rápido.
Ok, eu não estava esperando por isso, depois ele acariciou levemente o local que começava a arder? Ele me bateu? Não deu tempo de eu contestar. Ele me deu mais um tapa, só que dessa vez meu pênis assentiu. Céus, estava se formando uma pequena poça de pré sêmen no sofá.
– Ace, você... ahhnn. – ele bateu de novo e me acariciou novamente, meu corpo tremia, eu nunca pensei que eu ia gostar de algum sexo assim.
– Eu vou punir você. – ele sussurrou no meu ouvido. – Mas parece que você gosta... – eu senti a mão dele acariciar novamente um dos meus globos, minhas costas arquearam esperando mais uma punição, mas ela não veio, ao contrário, os dois dedos voltaram a me preencher e tesourar dentro de mim, isso era bom também. Mas eu queria ele dentro de mim me preenchendo e matando a minha fome.
Eu atirei minha mão para trás e segurei a gravata que ainda estava sobre o seu pescoço eu o puxei para perto de mim, até que seu corpo estava praticamente deitado em cima do meu, suas mãos estavam agora em cada um dos meus globos e seu penis duro estava deslizando em minha fenda... ah, eu queria isso.
– Me fode. – eu sussurrei quando o rosto dele estava ao lado o meu, seus lábios encontraram os meus rapidamente e eu deixei sua gravata solta, no segundo seguinte eu estava sentindo a cabeça do seu pau forçar a minha entrada e vencer a resistência do meu anel de músculos.
Ardeu e doeu pela pobre lubrificação, mas ainda assim era bom, eu não costumava ter um sexo cru assim, mas eu não achava menos prazeroso. Ele ia devagar e constante, isso me ajudava a suportar a dor.
– Esta bem apertando, Léo. – ele disse tentando manter a respiração constante, mas sem sucesso. – Mantendo o celibato?
– Espero que não mais... hmm. – eu disse quando a queimação piorou um pouco.
– Relaxe. – ele sussurrou. Eu estava tentando fazer o melhor que eu podia. Sua mão voou novamente na minha bunda e uma corrente de prazer me percorreu. – Muito bem.
Isso era bom. E finalmente ele estava dentro de mim, completamente, era um bom tamanho para eu tomar assim, no duro. Mas quando eu senti uma de suas mãos se fecharem sobre o meu pênis eu sabia que estava perdido, eu não ia durar muito.
Ele começou a me masturbar lentamente usando meu próprio liquido para diminuir a fricção, isso estava bom e eu comecei a gemer baixo, meus olhos fecharam e eu agarrei firme o assento. Não demorou muito e eu estava rebolando contra o seu pênis enterrado profundamente em mim.
Então Ace começou a se movimentar, entrando e saindo lentamente, mas não demorou muito e ele pegou um ritmo mais forte e mais bruto, esquecendo a minha ereção pulsante e necessitada, logo eu conseguia escutar o som das nossas peles se chocando e minha própria mão tomou o lugar na de Ace no meu pênis dolorido.
Ele me bateu de novo e dessa vez eu gemi alto e mordi o sofá. Porra se isso não era uma sensação boa, eu me sentia preenchido, minha mão em uma massagem preguiçosa e aquele relâmpago de excitação me percorrendo a partir do mal trato do Ace na minha bunda.
Eu estava perto, muito perto, mas quando Ace puxou para trás completamente e saiu de mim. Só não esperava que ele entrasse forte em mim de novo. Eu não aguentei eu gozei e gozei muito, Ace gemeu sua aprovação, provavelmente porque eu apertei meu músculos sobre seu pênis, segundos depois eu estava sentindo o liquido quente ir fundo em mim.
Depois que a sensação do orgasmo passou, eu voltei a ouvir a chuva batendo no vidro e minhas pernas começaram a perder a força. Ace saiu de mim e eu senti prontamente um vazio no meu corpo. Ele caminhou e caiu no sofá me puxando para cima dele, eu cai entre suas pernas e descancei sobre seu peito, minha cabeça em seu pescoço.
Eu estava lutando para recuperar o ar e provavelmente ele também. Eu acho que esse sofá vai ficar manchado. Um calafrio me percorreu e ele prontamente colocou minha blusa no lugar e sés braços me envolveram, casualmente, acariciando de leve a minha coxa. Isso era legal. Depois disso, o silêncio.
Eu gostava de sexo mais bruto? Ok, parece que sim. Todos sempre foram muito gentis comigo, mas isso aqui hoje, com certeza foi uma surpresa maravilhosa e deliciosa. Eu conseguia sentir o coração do Ace pulando acelerado em seu peito e se acalmando lentamente.
– Eu acho que você podia passar a dormir aqui. – ele me disse casualmente, como se não fosse nada demais.
– O que? – eu perguntei meio perdido, ele queria que eu viesse morar aqui ou só passar as noites? Eu não quero morar aqui, quer dizer, eu ficaria com ele o dia todo, mas ainda teria a sensação de ter um trabalho 24h, não sei, é estranho.
– Você pode se mudar para cá se quiser.
– Obrigado pela oferta, mas eu já tenho uma casa.
– Pense pelo lado bom, você não pagaria mais aluguel, eu teria acesso a você quando eu quisesse.. – ele sussurrou mordendo de leve o meu pescoço e eriçando a minha pele. – Não precisaria pagar transporte e convenhamos, morar numa pensão não é exatamente um lar.
Espere. Eu me afastei.
– E como você sabe disso?
– É meio óbvio. Pense bem, Léo. É muito melhor morar aqui, você teria um excelente quarto e eu ia cuidar para que não lhe faltasse nada. Ficaria muito mais confortável e muito mais seguro que naquele lugar.
– Eles são como uma família para mim! Pra mim o Cody é como o Téo é para você, o Alex é como o meu irmão problemático que precisa de muito conselho, o idiota do Eros é o idiota de sempre, eu não sentiria falta dele É o irmão idiota que sempre é o mais bonito, que sempre consegue os melhores caras e que sempre me irrita.
– O loiro? Ele realmente é bonito.
– Não está ajudando. Cala a boca! – ele sorriu. — O Andrei é como um bom pai pra mim e o Edgar é aquele que nos mantém na linha, sempre com uma preocupação disfarçada. E todos nós nos preocupamos uns com os outros. E já está na hora de eu voltar para casa.
Eu levantei e vesti minha cueca e minha calça, abotoei rapidamente a minha camisa e peguei meu fraque no chão. Minha bunda ainda estava sensível.
Pode ter sido um sexo incrível, mas eu não vou deixar ele falar mal da minha casa e da minha família. Eu saí do quarto em direção a porta da frente, meu expediente já estava acabando e estava chovendo muito lá fora, eu quero dormir na minha cama, na minha casa, sozinho! Ele acha que se resolve tudo com esse dinheiro dele?
– Eu não quis ofender, Léo. – ele disse arrastado atrás de mim. Mas era sem arrependimento, ele não estava se desculpando a sério. Era só para me agradar.
– Não ofendeu. É só que já acabou meu expediente. – eu respondi.
– Aham. – ele disse sarcástico.
– Como se seu pai e sua tia fossem me aceitar. – eu falei sem pensar e Ace segurou meu braço.
Nossos olhos se encontraram de novo.
– Só eu não sou o suficiente?
Eu fiquei em silêncio alguns segundos enquanto ele esperava uma resposta. Só suspirei.
– Eu estou livre nas segundas, quartas e sextas... talvez eu possa passar a noite. – ok, eu não tinha nada para fazer nos outros dias, mas eu não sou tão fácil assim.
– Mas os fins de semana são os mais divertidos.
– Vou ver o que posso fazer por você.
Nós só trocamos olhares, sem mais beijos, sem mais toques. Foi algo muito mais íntimo do que isso. Oh, céus, eu tenho que ter cuidado onde estou me afundando.
– Até amanhã. – ele me disse segurando a porta.
– Até.
Eu virei e saí em direção ao carro parado a alguns metros dali, era como pisar em nuvens, agora todo o choque estava chegando a mim. Eu entrei e sentei no banco.
– E aí, Léo? – Clark falou do banco da frente. – Casa?
– Uhum.
Eu olhei para a mansão se distanciando. Quem diria que o melhor sexo da minha vida seria com o cara que eu mais odeio.
Correção. Provavelmente... o que eu mais odiava.
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