Inn

22 Luther


Notas iniciais
Primeiro cap das férias!!

São quase dez da noite e eu acabei de chegar a frente da pensão onde o Alex mora, olhei direto para o quarto dele e vi as cortinas serem fechadas. Tentando se esconder, gatinho?

Que porra aconteceu com ele?

Isso estava me tirando do sério. Primeiro, ele parecia todo animado com aquela festa, o Max disse que ele iria ficar super feliz se eu fosse aquele a convidá-lo, eu o fiz. O garoto não se deu ao trabalho de aparecer, disse que achou a roupa perfeita e tudo mais. Ele não apareceu.

Isso não era do Alex, eu sabia que não, e quando ele não atendeu as minhas ligações eu realmente comecei a ficar furioso. Ele devia ter se atrasado, para variar. E então, o loiro gostoso atendeu o celular e disse... disse que ele podia ter sido abusado.

A primeira coisa que eu pensei foi a historia do pagamento do colégio. Quem tinha feito algo assim devia ter sido essa maldita pessoa que me tira da porra do sério! Eu preciso descobrir quem foi, quem é que vem sondando o Alex! Se é perigoso... merda! Eu tinha medo que algo assim acontecesse.

Mas antes desse pensamento, eu tenho que admitir, acho que eu nunca senti o que eu senti quando ouvi aquilo. Foi a sensação mais alienante que eu já experimentei. Tenho experimentado muita coisa depois do Alex. Não fisicamente, mas no campo sentimental, me ajudou muito no meu trabalho.

Eu sei que larguei aquele telefone lá mesmo, eu queria saber direito que história era aquela e entrei no carro, meu irmão estava junto, aparentemente. Me mandando ir devagar, praticamente gritando comigo. EU NÃO IA DEVAGAR, PORRA!

Quando eu cheguei a pensão e ele estava lá dormindo, parecia tudo certo. Aí eu pensei, afinal se isso tiver acontecido mesmo, o que eu ia fazer? E por que eu teria que fazer alguma coisa?

Porque esse pirralho tinha conseguido me conquistar de um jeito que eu ainda não entendia muito bem. Ele forçou seu caminho a mim, mesmo eu tendo deixado claro que era apenas por uma noite.

Mas quando ele me viu noite passada, ele tinha horror estampado em seu rosto. E pela primeira vez ele não me queria perto dele. Eu sabia que esse dia ia chegar, mas eu não ia permitir que fosse nessas circunstâncias ridículas!

Um cara mais novo, tudo bem. Alguém mais interessante, tudo bem. Alguém com quem ele tivesse coisas em comum... mas não por esse tipo de situação.

Aquelas pessoas todas não iam ajudar também. Coloquei todo mundo pra fora. Até o dono que não gosta de mim, e que eu também não simpatizo nem um pouco.

Quando tudo se acalmou eu sentei naquela cadeira e olhei para ele. Vi seus olhos marejados e ele estava se segurando para não chorar. Eu suspirei, moleque complicado. Mas falei na voz mais branda que consegui.

– Alex, o que aconteceu? — ele não me respondeu, apenas cobriu ainda mais o rosto – Fale comigo. – eu estava um puto preocupado agora e ele continuava se afastando e evitando que eu o tocasse. – Tudo bem. Eu tenho a noite toda. – eu me encostei na cadeira e relaxei.

– Eu não quero falar com você. – ele disse forçando a voz pela garganta obstruída pelo choro contido.

– E porque não?

– Vá embora, Luther.

– Eu até posso ir. Mas você vai me prometer que vai me contar o que aconteceu amanhã. – de qualquer forma, ele estava cansado. E já estava seguro. Maldito impulso de ir para aquele lugar nessas horas da noite!

– Não...

– Alex, eu já faço uma boa ideia do que aconteceu. Ou você me conta ou eu vou descobrir sozinho. – eu ia, com certeza.

Ele começou a soluçar e chorar. Ótimo. Eu levo muito jeito para essas coisas. Sentei na beira de sua cama e fiz ele erguer o rosto, mas ele não me encarava, de jeito nenhum. Eu acariciei as bochechas vermelhas com a ponta dos meus dedos... que droga, o que fizeram a ele?! Nunca o vi assim tão destruído.

– Eu quero ajudar você, Alex. – vamos lá, não vai doer deixar ele saber. — Eu estou preocupado. – consegui que ele olhasse para mim, eu não costumo dizer esse tipo de coisa para ele.

– Você vai me odiar... me deixar e ter nojo de mim. – eu fiquei confuso quando ele disse isso. Ele era a vitima, o imbecil que ia pagar.

– De onde tirou isso? Não vai acontecer. Prometo.

– Você não sabe como é.

– Quero que me diga.

Ele só se fechou de novo e afastou o rosto da minha mão. Não vou conseguir nada hoje, só cansá-lo.

– Muito bem. – eu disse levantando. – Amanhã nós vamos conversar, tudo bem? E você vai me prometer falar do assunto. Pode ser aqui ou na minha casa. Eu venho buscá-lo.

– Eu posso ir sozinho.

Eu vou vir buscá-lo. Ele não vai aparecer.

– Tudo bem.

Eu toquei os fios negros e ele se afastou com a maior expressão de dor disfarçada. Que merda aconteceu? O que fizeram com ele? O mais importante, quem fez... porque seu descubro. O desgraçado vai se arrepender.

Ele precisa de um médico.

– Você que ir ao hospital? Eu levo você.

– Não, eu só quero dormir, Luther. E eu não quero conversar com você...

– Hoje.

– Não quero conversar HOJE com você... por favor.

Graças a esse desgraçado eu não posso nem tocá-lo. Eu respirei fundo algumas vezes, perder a cabeça aqui e agora não faria bem a ninguém.

– Tudo bem.

Quando eu abri a porta parecia um bando de velhas escutando atrás dela. Mas acho que não deu para ouvir nada. Peguei meu irmão e fui embora.

Agora eu estou aqui. Alex não apareceu na minha casa, como eu já suspeitava, então eu vim atrás dele. Agora eu vou com menos psicologia, acabei com praticamente todo o álcool que eu tinha com essa ansiedade.

Desci do carro e entrei no local. Um dos donos me viu e veio falar comigo, mas eu não parei de avançar.

– Ele não disse nada o dia todo. – o homem de óculos me informou. Diga-me algo que eu não sei. — Só que não queria que você soubesse e...

– Ele prometeu conversar sobre isso hoje. Vou arrastá-lo daqui mesmo que seja a força.

– Acho que não posso permitir isso...

Eu bati na porta levemente.

– Alex? – obvio que ele não me respondeu. – Alex, abra, por favor, eu sei que está aí. – ele continuou na mesma. Tudo bem. – Alex, se você não abrir eu vou colocar essa porta abaixo e você sabe que eu realmente faria.

Ele abriu uma pequena abertura na porta e um dos orbes cinza me fitou com um pouco de raiva.

– Ainda não quero conversar, Luther. Pare de ser tão insistente.

– Agora você sabe o que eu passo com você entrando e saindo da minha casa quando bem entende.

Eu esperei ele abrir, mas nada aconteceu, então eu só empurrei a porta. Eu vou só forçar minha entrada, assim como ele fez comigo.

– Eu não acho que seja assim que... – o ruivo la fora começou a falar. Aconteceu que Alex é tão teimoso quanto eu, então algumas coisas não podem ser feitas na delicadeza.

Alex andou alguns passos para trás e tratou de esconder os pulsos avermelhados nos bolsos da bermuda, mas eu já os tinha visto. Os joelhos também não estavam bem, estavam de uma cor de vinho estranha.

Apenas me vi suspirando.

Sentei em sua cama e estendi minhas mãos esperando que ele me desse as dele, mas estava bem relutante.

– Alex. Eu já sei o que você está tentando esconder. – eu falei normalmente. Ele parecia meio perdido e sem saber o que fazer. Mas acabou cedendo e me estendendo as mãos. – O que aconteceu não foi culpa sua, eu não vou ter nojo de você, eu não vou condenar você. Nós dois sabemos que eu sou a ultima pessoa que pode julgar alguém. Eu quero saber o que aconteceu de verdade, e eu gostaria que você me contasse. Deveríamos prestar queixa contra esse filho da mãe.

Os olhos dele se encheram de lágrimas de novo.

– Eu não posso... eu tenho parte da culpa.

– Já disse que isso é um absurdo e que você não teve culpa.

– Eu tive.

Ele estava desconfortável aqui, muitas pessoas para ouvir o que ele tinha a dizer, eu acho.

– Então vamos conversar na minha casa, ok?

–x-

Demorou muito para Alex me acompanhar, exigiu cada pedaço da minha paciência, ele concordou em ir comigo e conversar sobre o assunto quando ele se sentisse pronto. Melhor do que nada. Eu vou arrancar dele devagarzinho. A cada momento que passava eu percebia que realmente não fora uma bobagem e ficar no escuro sobre o que estava acontecendo com ele me deixava louco.

Ele sentou no sofá e se deitou encolhido. Eu nunca vi o Alex tão quieto e tão calado.

– Então... você chegou a comprar a roupa que você estava tão animado? – perguntei enquanto fui pegar um pouco de água. Ele só negou com a cabeça. – Como você chegou em casa?

– O Léo foi me buscar. – o Léo... quem é Léo?

– E porque você não me ligou?

– Porque eu não quis! – ele me disse grosso, na defensiva. — E além disso você estava na sua festa.

– E isso aconteceu dez da noite?

– Não tão tarde.

– Depois das aulas.

Ele começou a ficar visivelmente desconfortável.

– Por que você quer tanto saber? Não te importa que isso seja um assunto que eu quero enterrar e pronto? – ele virou no sofá e me deu as costas.

Que coisa difícil.

– Quero saber porque me preocupo com você. – quero saber com o que estou lidando, quero saber até onde o machucaram e quero saber quem foi o responsável. Principalmente. – Vamos fazer o seguinte. Eu prometo que se você me contar o que aconteceu direitinho eu escuto tudo o que você tiver para dizer, não vou discutir o assunto e ele vai morrer e ser enterrado depois disso. Você sabe que eu tenho a capacidade de fazer isso.

Acho que depois disso veio um silêncio de ponderação.

– E muito bem...

– Então, combinado.

Ele continuou sem virar para mim.

– Eu... quero que você prometa que não vai ficar com raiva de mim nem me chutar para fora daqui.

– Não tem motivo para eu ficar com raiva de você e muito menos te chutar nesse estado para fora da minha casa. Eu prometo que isso não vai acontecer.

Ele se mexeu de novo e eu esperei que ele começasse a falar.

– Eu... estava no... era fim da aula e eu ia sair para comprar minha roupa. A roupa perfeita que eu tinha te falado não ia rolar porque eu não tinha dinheiro. Então eu ia procurar outra... então o Abel e uns amigos não me deixaram sair e pronto. Foi isso.

– Aquele moleque daquele dia?

– Isso.

– Nós estamos indo agora mesmo a polícia.

– Não posso. – ele comentou com a voz mais baixa.

– Claro que pode. – eu disse – E nós vamos, eu repito essa história quando chegarmos lá, embora eles precisem de mais um pouco. – ele não precisa ficar revivendo isso mil vezes.

– Eu já disse que não posso.

Eu comecei a sentir o clima, tinha mais alguma coisa ali, eu caminhei lentamente para detrás do sofá e me apoiei no encosto, fiquei olhando para ele que evitava me encarar.

– Por que? – ele estava com o nariz vermelho e faltava muito pouco para começar a chorar. Não sei lidar com choro de ninguém. – O que você não está me contando?

– Ele meio que me deu dinheiro pra isso.

Eu simplesmente... não soube o que dizer!

– O que?

– Não! Espera, deixa eu explicar, por favor! – Alex disse levantando de supetão do sofá, se apoiando nos joelhos já machucados, ele parecia realmente desesperado com aqueles olhos cheios de lágrimas. — Ele... eu queria ter alguma coisa para usar contra ele quando ele me zoasse na escola, ele queria que eu fizesse um boquete nele e ainda me daria o dinheiro... eu não vi problema, já que na verdade eu ia zoar ele depois e o dinheiro eu ia usar para comprar a roupa e...

– Eu perguntei se você tinha o dinheiro e você disse...

– Eu não queria depender do seu dinheiro pra tudo!

– Aí você preferiu se por a venda? – eu pensei bem pra não chamá-lo de coisa pior. Aí as lágrimas começaram a descer, mas ele parecia não notar.

– Eu não pensei que fosse tão grave! Nem que ia acontecer tudo isso... eu neguei quando ele quis pagar antes do... deles passarem dos limites. É sério, eu não pensei que seria algo sério, era só um dinheiro fácil, de alguém que tinha demais, e por algo que eu já fiz várias vezes sem significado, então...

– Essa foi a pior burrice que eu já ouvi.

– Desculpe. – ele disse com a voz falhando. E eu só penteei meus cabelos com os dedos.

– Eu nunca reclamei de te dar o que você precisava, Alex.

– Eu sei! É só... que de certa forma... eu queria ficar um pouco independente de você, eu sei que foi da forma errada e eu realmente não imaginei essas consequências. Eu queria ter a certeza que você ficava comigo não por você se sentir responsável por mim, mas porque você realmente gostava de mim...

– Alex, você sabe que...

– E agora você me odeia, me acha um vadio qualquer de esquina e vai se livrar de mim, porque ninguém quer problemas, nem alguém sujo e...

Ow, ow, ow

– Não, Alex. Eu não odeio você, ok? – eu disse tentando ganhar um pouco de controle sobre a situação, ele começou a soluçar de tanto chorar e atropelar as palavras. — Só achei ridículo e sem necessidade o que você fez. E não ouse fazer esse tipo de burrice de novo!

– Não vou. – ele falou baixo limpando as bochechas encharcadas.

– Tudo bem. – eu falei calmo, e ajudei ele a secar o rosto, definitivamente não gosto de vê-lo chorando e nesse desespero. Ele já passou por muito. — Agora, é melhor você deitar um pouco. – me pus ereto e esperei ele me seguir.

Ele ficou me olhando como se eu tivesse dito algo de outro mundo.

– Eu não vou precisar voltar pra pensão? – perguntou realmente confuso.

– Não, pode dormir.

Ele seguiu para o quarto, ia tomar um banho e depois deitar. E agora, o que eu faço. Eu ainda não acredito nessa história toda. Mas mesmo assim, a única coisa que ainda me vem a cabeça...

Acho que vou ter uma conversa com esse Abel amanhã

–x-

Pelo que eu entendi, o tal Abel também faz aula de reforço, ou seja, ele tem aula até a noite em dia de semana. Agora eu estava parado em frente a sala do Alex, ele não quis vir hoje, também não forcei, nem eu o queria aqui hoje.

Modestia a parte eu estava realmente com um visual acadêmico. Blusa de mangas branca, com a minha caneta no bolso da blusa e um jeans frouxo, parecia uma professor realmente, se não fosse pelo cabelo longo.

O moleque estava lá quando o sinal tocou, bem pretensioso, mas vamos ver quanto tempo isso dura.

Assim que ele me viu, o desgraçado parou de sorrir. Eu apenas apresentei meu melhor sorriso e fiz o gesto com o dedo para que ele viesse falar comigo, pela cara de culpado dos amigos dele, aqueles dois fizeram parte do evento.

Todos saíram da sala e só ficaram os três lá. Não entendi porque estavam se borrando de medo, mais os outros dois, o querido Abel fingia compostura.

Então eu entrei na sala.

– Saiba que se você fizer alguma coisa pra mim o meu pai...

– Eu não vim brigar, garoto, tenha calma. – falei com a voz mais calma e brincalhona que consegui, minha simpatia é a responsável pelas minhas conquistas. – Mas eu gostaria de falar só com ele, rapazes. Podem me dar licença?

– Eles vão ficar comigo! – Abel respondeu todo posudo, mas os dois passaram por mim e se retiraram da sala. São muito espertos. – Traidores. Já disse que se fizer alguma coisa comigo o meu pai...

– Não vim te machucar. Na verdade. – me aproximei do rapaz a minha frente, ele tremia visivelmente. – Alex disse que você parece apreciar os mesmos prazeres que nós.

– Você veio se vingar? Vai repetir a mesma coisa que eu fiz? Você vai ser preso e... – eu comecei a andar para frente dele e ele começou a recuar até dar de costas com a mesa, mas ele não tirou os olhos de mim em nenhum momento. – ... eu vou cuidar para você apodreça naquele lugar.

– Eu nunca forcei ninguém a ficar comigo, eles sempre vieram por conta própria. – eu dei uma boa olhada no corpo dele, nunca me interessei menos por alguém. Eu estava com mais vontade de arrancar as entranhas dele, mas não seria tão eficaz. – Me deixe te mostrar porque eu sou famoso.

Abri o botão e o zíper da calça dele, bem rapidinho.

– O que você está fazendo? Você disse que não ia...

– Quero que você diga quem é melhor, o Alex ou eu, ok?

Eu coloquei seu membro adormecido para fora da calça, e logo comecei uma massagem com o meu punho de cima para baixo, acariciando a cabeça e os testículos quando tinha a chance, não demorou muito para os enormes olhos assustados ficarem mais escuros e o corpo começar a esquentar junto com a mudança da respiração.

– Você gosta de um homem tocando você, não gosta? – eu perguntei baixo e sensual.

– Não... – então eu parei, ele me olhou rapidamente. – Um pouco.

– Um pouco não é suficiente.

– Gosto de vez em quando... – ele falou arrastado.

– Aham, estamos melhorando com a sinceridade. – eu aumentei o ritmo dos meus movimentos, ele jogou a cabeça para trás e provou que tinha uma boca bem suja. Alguns segundos depois ele sujou minha mão, a qual limpei em sua roupa prontamente.

– Não da pra dizer quem foi melhor... Alex usou a boca. – ele disse isso com um maldito sorriso no rosto. Esse filho da puta.

Mantenha a calma, Luther.

– Sei.

O girei de costas pra mim e empurrei seu tronco em direção a mesa com toda a força que eu tinha. O corpo fez um barulho forte e ele deu um grito de dor. Coloquei os dois braços dele acima da cabeça e os segurei lá.

– O-o que vai fazer? Doeu seu idiota!

– Era a intenção. – abri meu zíper e desejei boa noite ao meu amiguinho. Desci a calça até ver a bunda empinada pra mim.

– V-você disse que não ia...

– E não vou. Já passei da época de comer tudo o que se mexia. Agora eu sou um pouco mais seletivo.

Apenas peguei um bom ângulo daquela cena, como ele ainda estava vermelho e ofegante do orgasmo passado, aquela cena ficou perfeita. Agora sim, eu tenho o que precisava. Vamos para a outra parte. Eu pressionei a cabeça dele contra a mesa como se eu quisesse esmagar aquele pedaço de matéria prima desperdiçado em um ser tão patético.

– Você disse que não ia me machucar! – ele disse choramingando.

– Cale a boca. Você tem sorte de eu não ter empurrado essa sua cabeça no chão até a merda que você chama de cérebro sair por cada buraco. – ele não disse nada. – Agora me conte direitinho a sobre esse brilhante estupro. Seja detalhista, rápido, breve, não tenho a noite toda. Comece.

– Ele já não te contou?

– Se tivesse contado eu não estaria perdendo meu tempo com você. Cospe isso logo!

– Ele pediu por isso! Pediu, ele queria dinheiro, eu tinha o dinheiro e a vontade! Então apenas peguei o que ele oferecia.

– Ele negou.

– Charme de puta. – eu puxei sei braço ate o ponto que eu sabia que doía, ele choramingou alto.

– Faça silêncio. Quantos mais estavam com você? – eu não tive coragem de perguntar ao Alex.

– Q-quatro. Dois alunos mais velhos e...e...

Quatro. Quatro? Eu devia jogar esse demônio por essa janela!

– Aqueles dois estavam com você?

– Sim! Você devia ir atrás deles não só de mim!

– Tenho a impressão que essa ideia de merda veio de você. – eu respirei fundo, uma, duas e três vezes. Entrancei meus dedos no cabelo lambido e o puxei, seu pescoço ergueu e ele choramingou de novo. – Se você encostar, olhar atravessado, dirigir a palavra, sentar perto do Alex de novo, você pode ter certeza que eu vou parar na prisão por espancar adolescentes. Mas estarei feliz, vou assegurar que chegue ao hospital em coma, tudo bem?

– Uhum.

– Você entendeu?

– Entendi.

– Agora você tem três segundos para sair daqui. Só enquanto eu coloco meu pênis no lugar. Se você não sair, se gritar ou qualquer coisa assim, eu quebro esse pescocinho aqui mesmo. – eu o soltei e ele correu para a porta, segurando as calças. Idiota. Nunca quebrei pescoço de ninguém, mas não deve ser difícil. – E eu ficaria de boca fechada, eu gravei tudo o que você falou hoje aqui.

Ele só me olhou aterrorizado da porta. Ridículo. Tirei a minha caneta de dentro do bolso da blusa. Nunca achei que esse negócio de caneta espiã que o Max me deu pudesse servir pra alguma coisa.

Saí da sala e segui pelo corredor. Deve ser aqui em algum lugar.

Era a sala de informática, tinha algumas copiadoras. Era tudo o que eu precisava.

Tive que subornar o zelador para que ele pudesse me deixar usar a sala por meia hora. Acabei deixando uma surpresa pro dia seguinte. Entrei no carro e avistei os dois seguidores do moleque com quem acabara de ter um diálogo. Deviam estar esperando os pais. A rua estava sem movimento e era recuada para evitar os congestionamentos escolares, já era meio tarde.

Eles demoraram um pouco, mas me viram dentro do carro. Logo eles se apressaram para atravessar a rua. Idiotas.

Engatei a macha do carro e acelerei, os dois estavam no meio da faixa e quando viram o carro indo em direção a eles, os imbecis se jogaram no chão. Claro que eu freei, eu não sou assassino, sou muita coisa, menos assassino, ainda. Freei em cima da faixa onde os dois me encaravam assustados, tremiam visivelmente. Os rostos iluminados pelos faróis estavam vibrados no parabrisa.

Dei uma ré e já estava pronto para seguir meu caminho, mas resolvi parar ao lado deles para deixar claro o meu recado. Abaixei o vidro escuro, eu esperava que isso ficasse meio teatral.

– Quando quiserem encostar no Alex de novo, lembrem-se se mim. Da próxima vez eu posso esquecer de frear.

A minha sorte é que eu tenho um ar meio de louco, então a galera leva a sério o que eu digo. Eles ficaram imóveis e eu assumi que eles entenderam o recado. Bom.

–x-

Quando eu cheguei em casa, senti um leve cheiro de deliciosas panquecas queimadas e alguém praguejando na minha cozinha. Alex estava abanando a fumaça escura da frigideira com a mão.

– Ah, oi. – ele disse ficando meio sem jeito. – Eu tentei fazer panquecas. – ele apontou para um prato com seis panquecas, quatro delas queimadas. – Mas as ultimas queimaram. Não sei por que!

– Deve ser culpa do fogão, pra mim ele só existe como ornamentação. – falei olhando a bagunça na minha pia. É por isso que só como fora ou peço comida chinesa. Acho que a minha pia nunca ficou suja desde que eu me mudei seis anos atrás.

– Ah... ele parece de verdade pra mim. — apenas ignorei e me joguei no sofá. – Max ligou, disse que vem amanhã.

– Aham.

Ele se aproximou de mim, meio tímido, ele queria perguntar alguma coisa, eu sei, acontece quando os olhos dele vagueiam pelo ambiente.

– Então... onde você estava?

– Fui resolver um assunto.

– Entendi. Com alguém?

– Não. Por incrível que pareça. – eu disse sem muito interesse. – Você vai pra aula amanhã?

– Vou... eu ainda preciso passar de ano.

– Alex, se mais alguma coisa acontecer eu quero que você me diga. – tentei falar isso da maneira menos tensa que eu consegui. Não sei se funcionou, mas ele concordou com a cabeça.

– Vai querer panqueca? Duas ficaram boas.

Não deu tempo de responder ele correu e me trouxe uma, eu coloquei o primeiro pedaço da massa na boca. Bom, o recheiro era frango, que estava muito salgado, e o a massa estava sem sal, então compensou, fora o leve cheirinho de queimado.

Por que eu estou me prestando a isso.

– E então? – ele me perguntou mastigando a panqueca dele.

– Precisa melhorar.

– É, a massa ficou sem sal e o recheio é contra indicado para hipertensos. Acho que coloquei o sal no canto errado, eu ia usando açúcar sabia?! Alias você não tem comida aqui! Só bebida e alguns salgados, coisas assim...

– Como se você não soubesse. Anda aqui há um ano.

– Pois é, e só consegui dormir aqui noite passada.

É eu sei. Eu não devia ter deixado isso acontecer, mas eu não queria deixar ele sozinho ontem. Ah, foda-se, se começar a incomodar eu chuto ele pra fora.

– Amanhã eu vou acertar, peguei receitas da internet. – ele disse levantando do sofá e voltando para a cozinha.

O único problema é que quando eu chuto ele volta de novo.

– Parabéns, você inaugurou a minha cozinha. Agora faça o mesmo com a limpeza da mesma.

– Eu sei... eu sei...

–x-

– VOCÊ FEZ O QUE? – Max começou a suar, a tremer e a procurar um canto para sentar.

Eram onze da manhã, Alex passou a noite tendo espasmos na cama, pelo menos fazer carinho no gatinho parecia acalmá-lo. Então, eu passei a noite sem dormir, mas com a estranha sensação de dever cumprido.

Ah, sim, Max veio me ver e perguntar sobre os quadros da minha exposição que se aproximava. Como meu agente ele precisava saber do que tinha acontecido noite passada.

– Eh, usei aquela caneta espiã que você me deu.

– Acho que se um dia um te der uma borracha você arranja um jeito de se encrencar com ela.

– Posso asfixiar uma pessoa com uma borracha.

– Luther! Pelo amor de Deus.

– Depois eu fui aa sala de informática, peguei alguns quadros do vídeo e fiz varias fotocópias. Espalhei elas pelos corredores do colégio e postei na área de trabalho da sala de informática um trecho do vídeo onde ele diz que gosta de ser tocado por um homem. Mas não se preocupe, eu fiz algo light para os olhos de um público pudico escolar.

– Você é louco, Luther! Você pode ser preso e...

– Também tenho uma declaração de que ele obrigou o Alex a transar com ele. Não dou ponto sem nó, meu amigo.

– Luther...

– Eu tinha que ensinar aquele moleque que com certas pessoas não se mexe. Ah, quase atropelei os amigos dele também.

– Minha nossa...

– Mas eles estão bem, sem arranhões. Você sabe que eu sou inofensivo.

– Contanto que não me traga problemas. O que o Alex achou disso?

– Ele não sabe, nem precisa saber.

– Luther, você não é uma boa influência para ele. Já disse mil vezes.

– Sei disso. Por isso continuo com o que te falei desde o começo. Ele é livre, não vou prendê-lo a laços de relacionamento sociais. Quando ele quiser me deixar é só fazer...

– E vai acontecer, mais cedo ou mais tarde, ou você acha que ele vai esperar a vida toda você dizer que o ama?

– Isso não vai acontecer. – eu sou livre, sou do mundo e não vou me prender a ninguém.

– Pois então pare de enrola-lo de uma vez. Diga que não quer mais nada com ele, para que ele possa de verdade ser livre.

Que assunto filho da puta!

– Olha, Max, eu deixei bem claro para ele quando a gente embarcou nessa. Só uma noite. Ele continuou a vir me ver, já disse mais de mil vezes que nós nunca vamos ter um relacionamento sério e ele continua aqui mesmo assim! Ele é lindo, tem um astral incrível, ou pelo menos tinha, e eu gosto da presença dele, isso não me incomoda e eu gosto das coisas como estão!

– Sei... há quanto tempo você não diz que isso nunca será uma relação séria? Acho que há meses. Ele tem esperanças e você vai continuar a alimentá-las. Ele é um bom garoto, o mundo está cheiro de homens pra você brincar e se divertir pro resto da vida.

– Chega desse assunto.

– Só não quero ver o quão destruído ele vai ficar quando finalmente a ficha cair que isso nunca vai dar certo.

– Chega, eu disse.

– Tudo bem.

Um momento de silêncio se instalou entre nós. A gente sempre tem essa discussão e é sempre essa mesma briga, sempre o mesmo assunto. E como sempre eu sou o primeiro a ‘fazer as pazes’.

– Obrigado pela a dica de deixá-lo dormir aqui. Ele pareceu bem mais animado ontem.

– Era um passo óbvio. Faz um ano que vocês estão juntos, ele nunca dormiu aqui e eu já vi vários outros com menos importância saírem daqui de manhã.

– Já vai começar?!

– Não... acho que você tem medo de relacionamento.

Eu preferi não responder a isso.

Eu só não sei lidar com essas coisas.

Eu ouvi os passos apressados chegarem na porta do meu apartamento. A porta abriu com toda a energia que eu já conhecia.

– Vocês não vão acreditar no que aconteceu. – Alex disse rindo e deixando os sapatos na porta e a mochila também... essa mochila está bem grande na minha opinião.

– O que? – Max disse sorrindo duro.

– Tinha fotos do Abel em um momento intimo com um homem espalhadas por toda a escola hoje de manhã! E um vídeo! – Alex contou muito animado para o Max e veio na minha direção, sem nem olhar, como se já soubesse o caminho, eu continuei sentado no sofá e ele se enfiou no meio das minhas pernas.

Igual a um gato.

– Nossa. – Max disse deixando Alex tagarelar.

– Ele passou a manhã inteira negando, dizendo que eram montagens, mas o John disse que não eram, ele entende dessas coisas de computador e edição... a escola toda estava falando sobre ele! Quero ver o pai dele resolver agora. Ele mereceu.

Finalmente respirou e se encostou no meu peito, ele começou a ficar sério de novo.

– Quem fez isso? Eu acho que o rapaz merecia ser punido também e...

– Ninguém sabe. – ele voltou a falar. – Só sei que não tinha punição pior, ele sempre prezava muito pela própria imagem de menino rico e superior. Fora que ele vivia me tratando mal por eu nam... ficar com o Luther.

– E eles vieram te encher? – eu perguntei só pra saber mesmo.

– Não. O Abel não teve tempo e os outros dois fingiram que eu não existia.

– Que bom.

– É... talvez as coisas melhorem agora.

– Vão melhorar, você vai terminar o ensino médio e vai decidir se quer ir para uma faculdade ou ser um modelo da minha agência, ganhar roupas, fama e dinheiro. A proposta ainda está de pé. – Max não perde a chance! Ele precisa fazer uma faculdade, todo mundo sabe que essa vida de modelo é passageira.

– Vou pensar bem, prometo. – ele respondeu sorrindo.

– Já descobriu quem pagou a escola do Alex? – eu perguntei ao Max, pedi a ajuda dele, ele é bem relacionado.

– Ainda não, mas eu encontrei uma pista. Estamos mais perto de descobrir do que antes.

– Que tipo de pista.

– Parece que essa pessoa mora na cidade. Estou chegando lá.

Alex levantou do sofá e abriu a mochila, tinha roupas ali. Muitas roupas, cuecas limpas, meias... minha nossa. Ele tirou uma roupa limpa e uma toalha.

– Eu vou tomar banho. – ele anunciou e foi para o banheiro.

Eu fiquei ali olhando para aquela sacola enorme de roupas e sentindo um frio subir pela espinha, só o risinho do Max me distraiu.

– Acho que alguém veio para ficar dessa vez. – ele me disse. Claro! Ele estava adorando a situação.

O que foi que eu fiz?