Inn
16 Leo.
Notas iniciais
Léo.
- Então, você tem que se portar com classe. Ouvir todas as exigências do senhor e obedecer suas ordens. – senhora caminhava com classe a minha frente e terminava a última etapa do meu treinamento de uma semana.
- Depende.
- Não depende. Fará tudo o que ele mandar.
- Hm.
- E comporte-se, rapaz, os Valentim não toleram indisciplina.
- Sim, senhora. Está muito bonita hoje, Ellie.
- Ah, obrigada. Mas comporte-se rapaz.
- Sim, senhora.
Ela deu duas batidas na porta e a voz masculina disse que podíamos entrar. Eu não vou pular no pescoço dele, eu sou empregado agora e vou respeitar meu chefe, até certo ponto. Nós dois entramos na sala e Ace estava sentado na cadeira de couro, com uma mão na têmpora. Parecia preocupado, ia ficar com rugas, com certeza, iriam estragar um rosto tão... apresentável.
- Ace. Aqui está o senhor Morgan, treinado, o rapaz aprende rápido.
- Hum. E ele entendeu que vai me obedecer?!
- Sim, entendeu.
- Pode falar comigo, eu estou bem aqui. – comentei atraindo a atenção dos dois e recebendo um olhar de desaprovação de Ellie. Ah, qual é, não sou escravo dele, sou um ser humano!
- Estou vendo. Mas entendo que fez o que pode Ellie, não esperava que conseguisse discipliná-lo.
- Vá para a sua posição. – Ellie sussurrou para para mim, apenas revirei os olhos e me dirigi para perto da janela, perto da parede, pelo menos poderia ficar olhando o jardim.Vi Ace me seguir com os olhos discretamente, deve estar imaginando um jeito de me torturar.
— Hm, Senhor, sabe que ela está voltando hoje.
Ace suspirou pesado.
- Sim, eu sei.
- O que dirá a ela sobre o garoto. Sinto tanta falta dele. – ele quem?! O que?!
- Vou dizer a verdade. E ela como mãe terá que cuidar dos problemas dela.
- Tem visto?! Como ele está?! Costumava se alimentar mal.
- Ele está bem, de vez em quando o levo para a escola. Só me preocupo com suas companhias.
- Oh meu deus.
- Não sei se deixo a mãe dele lidar com isso.
- É melhor o senhor cuidar dele de longe. Como sempre fez. Com licença. – a senhora saiu da sala nos deixando sozinhos. Ah, eu adoro mistérios.
- Como foi seu treinamento?! – Ace perguntou para a única alma viva e silenciosa da sala. Eu. E sim, eu aprendi a fazer silêncio, foi uma tecla que Ellie bateu forte. – Pelo menos aprendeu a fazer silêncio.
- Foi muito proveitoso. – mas estou pensando em desistir disso, eu gosto de falar sabe.
- Venha aqui. – me aproximei como me ensinaram. Pela direita, um pouco mais atrás. – Na minha frente.
- Não foi assim que me treinaram.
- Mas é assim que eu quero. Obedeça.
- Peça por favor.
- O que?!
- Alguém tem que lhe ensinar educação. Como vai conseguir uma noiva para ajudar com seu reinado. – palavras de madame Ellie. Como se esse cara tivesse uma noiva... eu perguntei e ela não me disse. Quem iria querê-lo, certo?! Tá, ele pode ser muito bonito e charmoso e rico, mas é um idiota. Ninguém quer um idiota! E nunca sorri! Qual é, não ensinaram a ele como se faz, é algo tão bom, faz bem para o corpo e para a alma.
- Ponha-se na minha frente agora.
- Por favor?! Não faça isso por mim, mas pelas damas que você poderá conquistar com um sorriso, um obrigada e um por favor.
- Por favor arraste seu maldito corpo para a minha frente. Agora.
- Hm. Não foi como eu imaginei, mas tudo bem. – eu caminhei para a frente dele como um verdadeiro cavalheiro. Eu estava gostando desse papel.
Ele me olhou de cima a baixo e sorriu, deu uma bela risada. E não é que o sorriso do filho da mãe é lindo.É realmente, o que estraga o Ace é essa personalidade de merda, porque se eu não o conhecesse com certeza seria o meu tipo em uma boate ou em algo assim.
- Qual a graça?! – perguntei tentando não olhar demais nos olhos dele. Também são bonitos, mas são intimidadores.
- Você.
- Fui contratado para ser seu palhaço pessoal?
- Não é só... essa novidade. – ele disse olhando para mim por inteiro. – Eu achei que isso... – ele apontou para o seu redor. – Não fosse combinar com você. Mas lhe caiu muito bem.
- Hm. — eu tentei de todas as formas encontrar algo que me atacasse naquelas palavras, mas não achei. – Obrigado?!
Ele olhou uns papeis em cima da mesa.
- Sabe, parece cansado. – eu falei, parecia mesmo.
- Um pouco.
- Devia parar um pouco e descansar.
- Não estou com tempo para isso. – ouvimos um carro chegando em frente a casa. – E aqui vem mais um grande problema. Claro, para que eu resolva. – ele levantou da cadeira e foi até a janela. Eu de metido fui também.
Uma mulher desceu do carro, tinha o cabelo curto e era séria. Estava com uma roupa sóbria e tinha o mesmo ar do Ace.
- Quem é ela?!
- Minha tia. – Ace disse com uma cara desgostosa.
- Certo. Há algo que eu deva saber sobre ela, sei lá.
- Ela é minha tia, tem um filho. Seu nome é Téo.
- Conheço um Téo, mora comigo na pensão.
- É o mesmo.
- O que?! AH, então você é o primo arrogante que não dá nem bom dia para a gente. Está explicado. Pobre Téo...
- E esse é mais um dos motivos para eu tê-lo contratado. Preciso de alguém que fique de olho nele.
- Eu não vou bisbilhotar a vida do Téo.
- Vai. Deixe-me colocar isso de um modo que você não proteste. Você vai cuidar apenas para que ele não se meta em confusão. Entende.
- Hum. Acho que isso não vai acontecer, Téo mal sai de casa e tem poucos amigos...
- Esses poucos amigos é o que me preocupa. E vai reportar todos os passos dele. Converse com ele e descubra se está metido em confusão.
- Não vou deixar controlar a vida dele.
- Não vou me meter, só quero saber se ele está bem.
- Pois ele está!
- Vai fazer o que eu mandei, entendeu?! Ele está sujeito a certos riscos por fazer parte do nosso tipo de família. Só quero assegurar sua segurança.
- Muito bem. Só pela segurança dele. Mas vou contar só o que achar necessário. – Ace revirou os olhos e pediu por paciência.
- E você não vai abrir a boca sobre isso ou sobre o Téo com ninguém, principalmente com a mãe dele, entendeu?!
- Simmm, senhor.
- Ótimo, comporte-se. Aí vem o maior dos meus problemas. — bateram na porta. – Entre.
A mulher entrou, me encarou e me avaliou ainda com mais desdém do que Ace. Ah, familiasinha infeliz! Era uma mulher bonita, mas logo se via que os homens fugiam, tinha um ar controlador e enfadonho.
- Ace.
- Marisa. – Ace disse a mulher sentou-se na cadeira a frente da mesa.
- Sinceramente, Ace, você precisa treinar novamente esses seus criados. Estão cada vez menos desinteressados e obedientes. E olhe que passei apenas quatro meses fora.
- Vou lembrar.
- Como estão os negócios?!
- Muito bem. Meu pai planeja se aposentar no ano que vem.
- E você vai assumir. – ela disse sorrindo.
- Parece que sim.
- Que bom. – Ace não respondeu, eu acho que ele não estava muito contente com a ideia. Mas por que?! Ele seria finalmente o deus poderoso dos negócios. – E o dono da concorrência já apareceu?!
- Não. Mas não me preocupa.
- Sei. E onde está meu filho. Achei que eu ia ser recebida com um forte abraço.
- Ele ainda não voltou. – a mulher endureceu. Ah, nossa, de que circo Téo fazia parte?
- Isso já está levando tempo demais.
- Ele está bem.
- Onde ele está?! Isso é ridículo, Ace! Mande-o voltar para casa já! Quer dizer que o dinheiro que eu mandava para ele estava sendo usado para custear essa rebeldia ridícula?! Mande-o voltar agora!
- Ele vai voltar quando quiser.
- Não, não vai. Resolva essa situação o quanto antes! Ele tem uma carreira para cuidar! Isso é ridículo. Você é o chefe da família agora.
- Ainda é meu pai.
- Ora, deixe de hipocrisia, aquele velho não faz mais nada. – minha nossa! Ela fala assim do próprio pai. – Resolva e traga o meu filho de volta, essa loucura só aconteceu porque você o apoiou!
- Ele vai continuar longe de você o tempo o que ele desejar.
- Claro, jogue a culpa em mim.
- E de quem você acha que é a culpa?!
- Do espirituoso do pai dele, só passou genes inúteis para o meu menino.
- Não lembro de você tendo dos dons do Téo.
- Algo de bom tinha que ver daquele traste. – ela me olhou na parede. – E você quem é?!
- Eu... sou Leo. O novo secretário do...
- O que aconteceu com o outro?! Era bem mais... não sei. Agradável. – o que?!
- Ah, Leo causa essa impressão nas pessoas. – o que?!
- Bom, traga-me um copo de água. – ela disse sem me olhar. Eu fiquei imóvel. – Não ouviu.
- Desculpe, eu sou secretário do Ace, não seu... da senhora.
- Ele tem razão. – Ace disse ficando do meu lado. Novidade.
Ela olhou para Ace indignada.
- Ah, Léo, vá pegar essa água. – ele disse cansado.
- Em um minuto. – saí da sala.
- Sinceramente, encontre criados mais educados!
Eu fui até a cozinha, me prepararam uma badeja chique para levar um copo de água, claro que o copo era de cristal. Assim que eu voltei e cheguei na porta, ela abriu abruptamente e quase que aquela megera se joga em cima de mim.
- Eu tenho o direito de saber onde meu filho está, Ace!
- Ele quer ficar longe de você, Marisa. Não adiantaria se eu te contasse.
A mulher saiu pisando duro em direção aos quartos.
- Seu pai vai saber disso, Ace, ah se vai! – saiu gritando para as paredes enquanto Ace ficou segurando as suas têmporas.
- Água?! Bem geladinha. – eu disse e coloquei a bandeja em cima da mesa.
- Preciso de algo como whisky ou rum.
- Qual o problema com o Téo?!
- Nenhum. É uma longa história e você não precisa saber.
- Me ajudaria no serviço.
- Ele não pode saber que trabalha para mim. Ouviu?!
- Sim.
- É acho que posso descansar um pouco agora. Eu mereço. Siga-me.
Eu vou ficar fora do quarto dele. Vou. Chegamos a frente da imensa porta dos aposentos reais, ele ficou me olhando e eu abri a porta. Sua alteza entrou e se dirigiu a cama muito bem arrumada, eu fechei as cortinas e me dirigi a porta.
- Onde vai?! – ele me perguntou quando eu cheguei a porta.
- Embora. Deixar luto tranquilo para o sono da realeza.
- Hum. Dispa-me.
- O que?!
- Desculpe. Palavra difícil para você. Eu quis dizer...
- Eu sei o que quer dizer! Só não acho necessário um homem como você não saber tirar a roupa!
- Eu sei, mas eu quero que você faça. Eu o pago para me ajudar.
- Mas isso é ridículo...
- Ah, me poupe, vai reclamar de tudo que eu mandar você fazer?! Não o obriguei a pegar o emprego, você aceitou. Agora faça a sua parte, não vou pagá-lo para ficar de enfeite na minha sala.
Eu me aproximei com a cara mais amarrada que consegui. Retirei a primeira blusa, depois passei para os botões e retirei o tecido... bem, ele é musculoso. Mas ainda é um idiota.
- Pronto.
- E a calça?! – ele estava visivelmente tirando com a minha cara!
Para a minha sorte, sua calça ficava na altura das minhas mãos, retirei o cinto e desabotoei o botão, sem encarar o rosto que me avaliava o tempo inteiro. A calça caiu no chão e... nossa, com certeza tem algo interessante nessa cueca. Mas ainda é um homem odiável.
Ele deitou-se na cama e eu arrumei suas roupas em cima do criado mudo.
- Mais alguma coisa?! – perguntei educadamente.
- Sim... vamos continuar de onde paramos naquela noite.
Eu senti todo o meu sangue ferver.
- QUEM VOCÊ PENSA QUE É?! EU DEVIA TE ESFOLAR VIVO! IDIOTA. – eu acabei pegando a roupa e jogando toda em cima dele. Uh!!! Machucou tanto. Mas o canalha só fazia rir de mim.
Eu me virei e saí do quarto.
- Boa tarde.
- BOA TARDE SENHOR! DURMA BEM! – falei como me foi ensinado, talvez com uns tons acima do recomendado.
- Léo!
- Senhor?! – abri, mas eu nem entrei no aposento.
- Procure Kevin e traga-o aqui.
- Achei que ia dormir.
- Você não quer deitar comigo, quer?!
- CLARO QUE NÃO!
- Então vá buscá-lo.
Fechei a porta. Qualquer um serve para ele, esse riquinho mimado que sempre teve tudo na vida. Idiota. Idiota. E ainda me falta com respeito. Como se eu fosse um qualquer que ia pular na cama com qualquer gostoso só porque ele é um pouquinho persuasivo.
Não, não, eu não sou um qualquer. Não, não... ele é um idiota. Eu não gosto de idiotas ricos. Mesmo que eles sejam lindos de morrer.
Não vou pensar naquilo que eu vi quando tirei a blusa, muito menos depois que eu tirei a calça. Tá quente ou sou só eu?! Eu vou me concentrar no meu serviço futuro, como sou curioso, vou tentar descobrir sobre o Téo por ai, não vou deixar aquele homem abominável manipulá-lo. Nunca.
Vi Kevin lá fora ajudando o jardineiro com a cara de pivete enjoado, nariz empinado, muito pior que o principezinho em seus aposentos. Os dois combinam, deve ser muito ego para um cômodo só... só vou fazer o que ele mandou e pronto...
Hunf, não. Ele precisa é dormir e não deitar e rolar com um moleque engomadinho qualquer. Vou para a cozinha.
Notas finais
Todos: FELIZ NATAL!!!!
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