Inn

19 Cody


Notas iniciais
huahuahuahuahuha
gente, meus hiatos tão piorando drasticamente. Mas as ferias tao chegando.

Cody

Depois daquelas confusões a noite na pensão, eu entrei no meu quarto e voltei as minhas leituras.

O que foi estranho, eu não estava conseguindo me concentrar. Isso não é normal. Geralmente eu consigo ficar estudando até mais tarde, consigo ficar muito bem descansado com quatro horas diárias de sono.

Então eu levantei e deitei na cama fitando o teto. Desde que eu comecei a trabalhar na loja eu tenho estado mais cansado, acho que estou dormindo umas cinco ou seis horas diárias. São duas horas a menos para mim.

Pergunto-me o que o Zack vai mandar eu fazer amanhã. Varrer a frente da loja? Receber estoque novo. Eu não me importo de fazer o trabalho, estou sendo pago para fazer, mas as vezes eu acho que o Zack poderia me ajudar. Ele está sendo pago também.

Era algo que tinha ocupado muito minha mente esses dias: meu trabalho.

Eu ouvi a porta da frente abrir e fechar com um estrondo e alguém subir as escadas correndo. Eu saí para ver o que era, hoje parecia realmente ser um dia bem atípico.

Encontrei o Téo chorando no início da escada e entrando no quarto. Ah, bem. Acho que o correto seria eu perguntar como ele está. Então... eu bati na porta dele e olhei lá para baixo, Léo estava conversando com um desconhecido e Eros observava os dois.

Como ele não respondeu eu entrei. O Téo estava em cima da cama soluçando e com o rosto escondido entre as pernas.

- Você está bem? – eu perguntei, era óbvio que ele não estava, mas eu não sabia como começar essas coisas. Talvez exista um livro sobre isso. Ele não me respondeu.

Eu sentei lá do lado dele na cama. Observei seu quarto e tinha muita informação ali, na minha opinião, muitos pôsteres diferentes e muitas revistas, roupas penduradas, eu poderia dizer que era uma bagunça mental, como ele conseguia se concentrar em um lugar assim?!

- O que você quer Cody? – ele disse baixo.

- Hmm, que você me diga se está bem. Então, eu sugiro que você me conte o que aconteceu, provavelmente vai se sentir melhor. – li algo sobre isso uma vez.

- Você é estranho.

- Hm. – eu já sei.

- Eu não estou bem... acho que decepcionei a pessoa que eu gosto.

- Como assim?

- Eu... saí com um amigo meu hoje. Na verdade era para o Alex ter aparecido, mas ele não foi e nem me disse nada...

- Acho que ele também não está bem. Teve uma confusão hoje aqui também que teve a ver com ele, acho que o namorado dele até apareceu.

- Sério? E o que houve? – engraçado ele já parecia melhor, bastava diferenciar o foco da conversa. Interessante.

- Eu não sei bem, acho que Eros e Leo sabem mais. Parece que o machucaram.

- Uma briga de escola, elas são comuns com o Alex.

- Eu não sei bem o que aconteceu, não entendi.

- Tudo bem...

- Então, você acha que decepcionou alguém.

- Eu não sei o que eu fiz de errado. Eu saí com Seth depois do desfile... a gente ia para uma boate, mas o Seth não quis me levar então a gente foi para um local menos cheio, um barzinho. Logo dois amigos dele apareceram e uma garota também. Eu não fiz nada errado, a gente subiu no palco e começamos a cantar e... eu acho que estava meio bêbado, mas... eu não sei, os amigos do Seth começaram a brigar, ele foi ajudar, de repente estava todo mundo brigando e o Ace apareceu e eu jurei que ele e o Seth iam brigar, meu primo não é de perder a calma. Ele tinha ido me buscar e... pela primeira vez ele brigou comigo. – ele começou a chorar de novo. – Falou que eu não era como as pessoas normais, que aquilo podia me prejudicar que as minhas companhias estavam erradas, que as minhas ações poderiam colocar tanto em risco a minha segurança como fazer mal a empresa... eu não queria causar problemas. E acho que agora ele está decepcionado comigo e ele é ultima pessoa no mundo que eu quero decepcionar.

- Por que?

- Porque eu gosto dele.

- E como você sabe disso?

- Ah, você sabe... a gente sente aquele frio na barriga, quer estar sempre perto dela, quer conversar, partilhar sorrir... sente aquela atração sentimental e carnal... se é que me entende.

Eu não sei se entendo. Mas acho que... ah, bem, isso é novidade para mim.

- Tem certeza que os sintomas são esses?

- Sintomas? Bem... deve ser mais forte em alguns do que em outros.

- Então eu acho que gosto de alguém também.

- Sério?! Quem?!

- Meu chefe. – bem, eu sinto isso perto do Zack, e pareço ter um interesse recente nele que não tinha antes. Eu sinto falta dele, gosto de ficar olhando para ele... acho que eu preciso me informar melhor sobre isso.

- Seu chefe? Aquele que eu vi na loja com você?! – Téo pareceu bem confuso e preocupado. — Sério?! Cody... eu acho que ele é problema.

- Como assim?!

- Ele... bem, parece aqueles valentões que adoram atormentar CDFs que nem você.

- É, ele gosta.

- Então... eu estou confuso.

- É que, no início ele era assim, mas depois ele tem me ajudado mais do que atormentado. Eu costumava ser chateado todos os dias no metrô por uns homens... agora o Zack sempre fica perto de mim e eles não me incomodam mais... me dá uma sensação boa de proteção. Ele me ajuda a sair do metrô também e diz quais áreas da faculdade eu preciso evitar para não perder meu dinheiro nem ficar preso em armários, fora que se eu me perder ele vai me encontrar, como já aconteceu... e quando eu olho para ele, não sei... é diferente.

- Ah. Então acho que você deve gostar dele, mas ainda acho perigoso pra você. Sabe, aquela área da cidade não é conhecida por ter pessoas boas... Minha nossa, Leo nunca vai aceitar isso!

- Por que?

- Por que você é como o bichinho de pelúcia dele.

- Eu sou?!

- E o Edgar vai pirar!

- Só por que eu gosto dele?

- Hmm, não, mas se vocês vierem a ter alguma coisa... acha que ele gosta de você de volta?

- Eu não sei. Vou perguntar.

- Assim, na lata?

- Por que não?!

- É... por que não, acho que para algumas pessoas é mais fácil que outras. – ele começou a fitar o nada e pareceu perder-se em seus pensamentos, talvez seja hora de ir. — Boa sorte, então.

- Hmm, você se sente melhor?!

- Acho que sim. Obrigado. – ele me disse sorrindo. – Acho que vou precisar me mudar... – ele disse triste de novo.

- Por que?

- Minha mãe voltou e parece que eu estou trazendo problemas... Ace quer me levar de volta.

- Para onde?

- Para minha casa.

- É em outra cidade?

- Aqui mesmo. – ah...

- Então por que você não mora em casa?

- É complicado... você não conhece a minha mãe.

- Não conheço. – ele riu um pouco.

- Quis dizer que ela é uma pessoa dificil.

- Ah. Mas você quer ir?

- Ainda não.

- Então fique.

- Não é tão simples... valeu, Cody. É fácil conversar com você.

Tudo bem. Eu levantei e saí do quarto, segui pelo corredor até o meu quarto, era ao lado do dele. Todos já haviam ido dormir e eu deitei também. Será que eu tenho algum livro que fale sobre amor ou algo assim?!

-x-

Dia seguinte, na faculdade. Sentei no meu local estratégico de sempre, meu projeto começa a ser feito mês que vem e eu tenho que estar a frente dessas pesquisas. Não importa como eu vou fazer isso. Mas... desde ontem a noite que o assunto “amor” não sai da minha cabeça. E eu não vi o Zack hoje para confirmar minha hipótese.

- Bom dia. – Collin me disse sorrindo e sentando as minhas costas. Ele é alto, se sentasse a minha frente tapava a minha visão.

- Bom dia. – virei para conversar com ele. – Collin, o que você sabe sobre amor?

Ele me olhou como se eu fosse estranho.

- Hmm, é um sentimento forte de afeto que você sente por outra pessoa. Pode estar ou não relacionado com paixão. E a paixão por sua vez pode vir sem amor. – bem mais didático que o Téo.

- Ok. Então. Eu posso estar apaixonado sem estar amando.

- Isso. Geralmente o amor vem depois da paixão.

- Você já se apaixonou?

- Todo mundo já se apaixonou, Cody. Por que?

- Como se sentiu? – ele sorriu para mim.

- Você está apaixonado?

- Acho que sim. – ele me olhou espantado.

- Sério?

- Sério. – ele me estudou ainda um pouco mais.

- O que foi?

- Bem... você não parece estar apaixonado. Você parece o mesmo de sempre.

- Isso é novo para mim.

- Geralmente as pessoas ficam um pouco mais abaladas que você.

- Geralmente eu sou diferente das pessoas. – já notei, ele me sorriu e ficou me observando. – O que foi?

- Quem é o alvo do seu afeto? É alguma garota da sala?

- O Zack. – ele meio que pulou da cadeira.

- Quem?

- O Zack... o meu chefe na livraria, você sabe, ele participa das atividades esportivas da escola e...

- Eu sei quem é o Zack! – ele disse alto e meio raivoso na minha opinião. – Aquele que maltrata você, que abusa da sua inocência... o que ele fez para você achar que está apaixonado por ele?

- Não sei... eu acho que só aconteceu. Como eu sei se estou mesmo com esse sentimento ou não?

- Eu tenho certeza que você não está! É suicídio, Cody! Fique longe dele.

- Mas...

- Você está enganado.

- E se não estiver. Eu acho que estou gostando dele.

- O professor chegou, depois nós conversamos sobre isso.

Eu sentei-me direito na cadeira. É realmente tão ruim assim gostar do Zack? Eu não sei por que. O fato é que eu fiquei pensando sobre isso durante toda a aula e ainda não achei uma resposta.

Assim que a aula acabou, Collin me seguiu para o refeitório com um pouco de raiva, mas eu não deixei isso me abalar, apenas precisava encontrar alguém para me ajudar com isso.

- Vocês não tem nada a ver um com o outro, Cody. – ele murmurou ao meu lado. – Eu não entendo como você pode pensar que gosta dele.

Ignorei.

Sabe, ele ficou lá falando como era ruim eu gostar do Zack e enumerou vários itens interessantes, eu fiquei impressionado com a quantidade, mas eu estava mais interessado nos casais a minha volta. Nunca percebi que eles estavam ali, nem como agiam.

Eu observei uns olhares amorosos que eles davam um para o outro, como dividiam a comida, como nem olhavam um para o outro enquanto usavam o celular. Como eles falavam sobre os sentimentos... esse ultimo chamou mais a minha atenção.

- Sabe... a primeira vez em que te vi foi... mágico! – mágico, certo. O rapaz disse a garota que o olhava estranho, meio em transe, eu não sei bem. Não lembro de ter mágica na primeira vez que vi o Zack, foi mais como medo e frustração de acontecer tudo aquilo de novo comigo. – Eu achei que você era como a estrela que faltava no meu céu. — talvez eu não esteja apaixonado pelo Zack mesmo. Hm, vou procurar outro casal.

- Ele é um delinquente, Cody, está me ouvindo? – Collin disse comendo seu sanduiche.

- Sim. – bem, parcialmente, mas ainda estava ouvindo.

Olhei para o casal nas costas do Collin e eu tentei escutar apesar do meu colega falando a minha frente. O casal parecia estar tendo um momento intimo.

- Sabe que toda vez que eu te beijo eu tenho a confirmação de que estou cada vez mais apaixonado por você? – o rapaz disse a outra moça que o beijou novamente, ok, não quero ficar invadindo o espaço deles.

Até agora eu não sei se estou realmente apaixonado ou não. Talvez eu descubra se estou mesmo hoje a tarde quando for trabalhar.

Estranho... eu me sinto ansioso.

-x-

E lá estava eu, finalmente, em frente a livraria no centro da cidade. Zack atendia uma cliente que saiu satisfeita com um daqueles livros de banca. Entrei e observei o Zack fechar a caixa registradora.

Ele me olhou sério com os olhos escuros e eu senti faltar o ar por um instante. Isso... não é normal.

- Iai, Cody? – ele disse sorrindo para mim e me jogando o avental de tecido que usávamos na livraria. – Está atrasado.

- Desculpe... reunião do projeto. Eu posso ficar depois da hora para compensar.

- Não precisa... pode ficar mais tempo na sexta. Planejo sair.

- Sem problemas. – eu disse.

- Pode começar limpando as prateleiras. – ele disse apoiando os pés no balcão e colocando as mãos atrás da nuca.

Eu comecei o meu serviço e me peguei roubando olhares para ele várias e várias vezes. Enquanto ele fazia bolas de chiclete, enquanto brincava com a bolinha de tênis, enquanto tirava um cochilo.

Eu peguei um livro de poemas cujo título era: Poemas de Amor e Suas Canções... estava velho, não consegui ler o nome do autor. Eu comecei a ler para ver se achava alguma pista para descobrir se o que sinto é mesmo uma paixão ou qualquer coisa assim.

Senti na escadinha e me concentrei até ver dois tênis mal tratados aparecerem na minha frente. Era o Zack. Ele abaixou na minha frente ficando na minha altura com aquele jeito despojado dele.

- O que está lendo? – ele perguntou e pegou para ver. – Poemas de amor? – eu fiquei lá olhando para ele, com meu coração acelerando.

- É...

- Está apaixonado, Cody? – ele me perguntou, acho que zombando da minha cara.

- Acho que sim. Estava procurando algo que me explicasse se é isso mesmo que eu estou sentindo.

Ele deixou um risinho rápido sair.

- Cody, isso não é algo que se leia em livros. É algo que se sente e somente. – ele disse afagando meu cabelo. – Então, quem é? Me diga e eu direi se é bom o suficiente para você.

- Eu não tenho certeza que se é isso realmente o que eu sinto. – diante de todas as informações que eu coletei hoje, a que ainda pode me ajudar é...

- Só não me diga que é aquele líderzinho do conselho estudantil, aquele Collin não serve para nada, Cody, ele não vai conseguir cuidar de você...

Eu me aproximei devar dele, mas ele não se moveu. Eu nunca beijei ninguém antes, mas não deve ser tão difícil. Me aproximei até sentir os lábios dele nos meus, foi assim que o rapaz disse a moça “toda vez que eu te beijo eu tenho a confirmação de que estou cada vez mais apaixonado por você.”

Era macio e quente. Minhas mãos começaram a suar e o meu sangue subiu para o rosto e meu coração enfrentava uma bela taquicardia. Eu me afastei dele. Ele ficou lá parado, em choque, mas eu não consegui mais olhar para ele.

- Hm... a pessoa que eu gosto é você. – eu disse olhando para os meus pés enquanto eu esperava ele se mexer.

- Ehh... – ele disse depois de alguns minutos,em um tom baixo, acho que ele ainda estava voltando do choque. Não sei por que ele estava tão chocado. Beijar não era algo comum hoje em dia?! – Eu não sou bom para você, Cody.

Notas finais
O que vcs acham da nova paixão do Cody?

Alex: eu torço por ele! Nada pode impedir o amor verdaeiro, mesmo que o cara do outro lado seja meio marginal... ou alguns aninhos mais velho.
Eros: eu acho que esse pivetinho nao aguenta o tranco de um cara daqueles, grande e badboy...Quer dizer, o corpo do Cody vai sofrer muito pra acomodar o...
Léo: CALA A BOCA EROS! Não! Não... Cody, meu bem... você deve estar sofrendo de algum tipo de sindrome de estocolmo. Zack! Zack, venha aqui que eu quero conversar com você, rapaz!
Téo: eu acho que tudo bem... se ele nao se machucar.
Edgar:... é ainda pior que o moleque Alex.
Andrei: agora, vamos com calma, ok?! ^^
Zack:... eu não faço a mínima ideia do que...