Inn

13 Alex


Notas iniciais
Bom gente, agora sou uma universitária que não vai ter tempo para muita coisa. Vou escrever sempre que puder, mas eu vou ser bem irregular, com certeza. ^^
vou colocar em que pé anda as histórias não concluídas lá no meu perfil certo? Mas não vou deixar de escrever!

Alex

- Então, vamos nos entender aqui. O que o você, Abel, tem contra o Alex. E você Alex, o que tem contra o senhor Abel?!

Estávamos na sala do conselheiro estudantil que era o psicólogo nas horas vagas. Como prometido, o diretor tinha mandado a gente trabalhar nas nossas diferenças.

- Eu não tenho nada contra o Alex. Estou sendo injustiçado aqui. – Abel disse com uma falsa cara triste.

- E você?!

- Eu também não tenho nada contra ele. – comentei despreocupado. O conselheiro apenas suspirou e limpou os óculos redondos.

- Bom, estou tentando ajudar vocês, mas vocês não querem ser ajudados. Vamos fazer o seguinte, essa sessão não está dando em nada. Quero que vocês pensem em algo que descreve o outro. Amanhã iremos discutir isso.

A gente só levantou e começou a sair. Nem me dei ao trabalho de falar com meu novo amigo de terapia, apenas segui pelo corredor.

- O que você prefere Alex?! – eu olhei para ele.

- Hum?!

- Puto ou vadia para lhe descrever?!

— Acho que devia tentar... “Minha fixação” ou “estou apaixonado por você”.

- Acha mesmo que eu me rebaixaria ao ponto de me apaixonar por um cara?! E logo você?! – falou me olhando com desdém.

- Eu acho que é a única explicação para você estar sempre no meu pé. Olha desista Abel, eu nunca olharia para você. Mas se você quiser muito muito mesmo, e implorar um pouquinho,eu posso pensar em alguma coisa para te agradar.

- Como eu disse, é um puto!

- Enrustido. — ele veio para cima de mim me empurrando contra a parede. – Nossa como você é forte. – falei cínico.

- Está todo convencido porque aquele homem disse para eu não me aproximar de você... acha mesmo que ele me assusta?!

- Eu não preciso do Luther para brigar por mim. Mas acho que você devia dar mais ouvidos ao que ele diz.

- Eu o odeio simplesmente porque é uma bicha sem o menor pudor! Faz qualquer coisa por dinheiro, certo?! Se eu quisesse foder você era só pagar.

- Sou exigente... não é qualquer um que pode ter um pedacinho de mim e com certeza você não é um dos felizardos.

- Pois eu aposto...

- O que está acontecendo aqui?! – nosso terapeuta saiu da sala e nos viu.

- Ah, não se preocupe. – comecei. – Ele só estava me dizendo o quanto gosta de mim. Sabia que ele me ama? – o terapeuta me olhou confuso.

- Seu filho da puta!!! – Abel comentou ameaçando me dar um soco.

- Sr. Abel!!! – nosso terapeuta falou nos interrompendo e arrastando meu colega para dentro da sala. – Vamos conversar! Achar um modo de acalmá-lo...

- Eu sei como me acalmar!!! Esmurrando esse idiota e dando um belo chute na bunda!!!

- Você está muito tenso, Abel. Tem que trabalhar isso, cara. – ele me olhou com ódio.

Apenas ri quando a fera foi trancafiada dentro da sala. Às vezes eu me sinto mal quando me dizem esse tipo de coisa, mas o Abel não tem moral nem para me deixar chateado. Estava pensando em conseguir um emprego.

O intervalo começou e o corredor se encheu de alunos. Eu estou realmente tentado a aceitar a proposta do Max e me tornar um modelo, quem sabe com o assedio o Luther passe a me dar mais atenção, quem sabe um pouco de ciúmes?!

Eu não canso de sonhar, incrível.

Aí eu vi uma cena raríssima nesse colégio. Lá fora, na grama embaixo de uma árvore, até meio escondidos, estava o Téo conversando com alguém, um rapaz, não conseguia ver direito. Como estou sem nada para fazer, eu fui até lá. Mas claro que devagar, porque não queria atrapalhar nada.

-... e você está convidado. Peço para alguém te pegar. – minha nossa, era aquele modelo famoso, aquele?! Aquele?!

- Oi. – eu falei ganhando a atenção dos dois.

- Ah, Alex. – Téo falou colocando um sorriso no rosto. – Ele mora comigo na pensão.

- E ai?! – o cara me disse simpático.

- Esse é Seth. – Téo comentou.

- Eu sei, você é bem famoso, a cidade está cheia com suas fotos. – comentei e ele sorriu convencido.

- Só você não me conhecia, Téo. – ele falou ao garoto que só revirou os olhos.

- Acho que não sabem que você está por aqui. — falei de novo avaliando o local, acho que seria um caos se descobrissem.

- Não, não sabem. E seria bom o segredo. – Seth falou para mim.

Ele parece um cara normal. Tirando as roupas caras de marca e esse cabelo estranho, ele parece um meio punk, mas um pouco mais discreto. O que mais me impressiona é o Téo conhecer um cara assim, ele vive trancado no quarto.

- Não se preocupe.

- Então, você vai. – ele disse de novo ao Téo.

- Eu... não sei por que você me quer lá. Quer dizer, não vai me ajudar em nada e... – Téo começou a falar com a grama.

- Claro que vai, você vai conversar com pessoas, socializar, ir a uma festa. Embora seja só um desfile. Eu iria adorar que você fosse. Para torcer por mim, me dá uma força.

- Acho que você não precisa disso.

- Mas eu gostaria que você fosse. Como amigo. E meu agente está querendo te conhecer.

- Por que?!

- Porque tenho passado muito tempo com você... ele quer te julgar, para ver se você não fará nada para me prejudicar.

- Ele acha que eu sou mau?! – o rapaz riu com o adjetivo.

- Tipo isso.

Sei não, to sentindo um clima e eu acho que estou atrapalhando, vou perguntar o que eu quero saber e me mandar.

- Seth, eu estava pensando em me tornar um modelo. – ele me olhou simpático e começou a levantar.

- Levante. – eu obedeci. – Recebeu convite?!

- Sim. – disse, ele dava a volta em torno de mim para me avaliar.

- Bom, já era hora. Você precisa melhorar sua postura. – ele colocou o dedo no meio das minhas costas. – Isso deve ser um mal dos rapazes dessa pensão.

- Minha postura não é ruim. – Téo falou se defendendo.

-Mas pode ser melhor. Você tem uma boa presença e é bonito. – disse olhando bem nos meus olhos, fiquei até sem jeito, ele é meio sexy, sabe.

- Ele tem namorado. – Téo comentou e eu vi Seth sorrir de canto.

- Não estou dando em cima do seu amigo. – Seth se defendeu.

- E eu não tenho namorado. – me defendi também, ainda estou tentando com ele. Téo me olhou confuso.

- Mas você disse que...

- É complicado Téo.

- Pense bem, é uma escolha complicada. – Seth falou e eu voltei a lhe dar atenção.

- Por que?! – sem querer menosprezar a profissão, mas...

- Você não vai ter tempo para muita coisa. Se quiser fazer faculdade desista, você tem cheiro de sucesso, e sucessos não tem descanso.

- Bem, então acho que não é uma decisão assim tão difícil.

- O problema é que é um mundo um pouco instável. Você pode ficar na carreira por anos, ou por semanas. Basta que você desagrade alguém importante do mundo da moda e sua carreira brilhante se esvai do dia para a noite. E você acaba ficando velho para começar de novo, cansado.

- Hum... – é, eu tenho que pensar.

- Por que não vai ao meu desfile também?! Convidei o Téo e ele ainda está na dúvida, pelo menos se ele tiver alguém conhecido para ir acho que o convenceria mais rápido.

- Ta bem. Quando?!

- No fim de semana.

- Eu topo. – nós dois olhamos para o garoto ainda sentado no chão.

- Tudo bem, eu vou. – Téo falou sentindo a pressão.

- Mando alguém pegar vocês e eu tenho que ir agora. – Seth falou se despedindo.

Depois ele se ajoelhou perto do Téo e parecia lhe dar instruções porque o garoto só concordava. Depois lhe deu um beijo no rosto e saiu. Talvez eu tenha realmente interrompido alguma coisa.

- Téo, ele é seu namorado?! – perguntei ao garoto que observava o amigo. Mas ele apenas me olhou assustado e negando muito.

- Não, não, não é, não! Ele é só um amigo que está me ajudando com umas coisas. Só.

- Tá bem. – eu falei percebendo que a minha pergunta o incomodou um pouco. – Então, no fim de semana?!

- É. – ele disse levantando e me sorrindo sem graça. – Então, vou indo.

- Ok.

Depois da aula dei uma passadinha no meu lugar preferido. Luther estava ao celular e Max também. Então apenas sentei no sofá e tentei entender os por menores do assunto que circulava por ali.

- Não, é para cinquenta pessoas. – Luther falou e me encarou no sofá. Comecei a tirar aquele fardamento que me incomodava. – Sim, mas ele disse errado. Não, eu quero para cinquenta pessoas. Esqueça, vou contratar outro Buffet. Não?! Ah, então, obrigado. – ele tem um certo poder de persuasão. Acabou desligando e eu dei atenção à Max.

- ... muito obrigado, estaremos esperando o senhor. – Max desligou e me sorriu. – Oi, Alex.

- Oi. – respondi. – O que está havendo?!

Luther se aproximou de mim e me beijou, com aquele sorriso satisfeito.

- Vamos dar uma festa. – ele disse bem próximo a mim.

- Festa?!

- É para promover o trabalho do Luther. Muita gente importante vem para um congresso aqui na cidade, vamos aproveitar. – Max disse tentando não olhar muito para a gente.

- E você está convidado. – Luther me disse eu fiquei... desde quando participo das coisas dele?!

- Eu?!

- É você?! – ele me encarava bem perto de mim, falava baixinho. Deve ser uma pegadinha.

- Mas você nunca me.... – ele levantou revirando os olhos.

- Eu tive vontade. – falou indo em direção ao quarto. — Mas se não quiser, não precisa vir.

- Ah. – eu ainda estou achando tudo meio estranho.

- Ele queria te agradar. – Max sussurrou para mim.

E eu comecei a ir em direção ao quarto. Festas são algo especial, certo?! Tipo, não é como a boate e tudo mais, é uma festa com gente importante, ou seja, ele vai me apresentar para um monte de gente certo?! Do tipo, eu vou estar ao lado dele, então, talvez, ele finalmente esteja pensando em ficar só comigo?!

Ele estava deitado na cama e me encarou sério.

— Então, você vem?! – disse me estendendo a mão.

- Para a cama ou para a festa?! – eu estava tão feliz, tão feliz, mas eu estava me controlando porque não queria assustá-lo.

- Os dois.

Eu pulei no colchão macio depois de tirar os tênis.

- Vou indo. – a gente escutou Max dizer e a porta da frente fechar em seguida.

Me aninhei bem perto dele e fiquei sentindo ele fazer um carinho leve na minha cabeça. Esses dias Luther estava me dando muita patada, é bom mesmo ele melhorar.

- Além da festa, alguma novidade?! – perguntei baixinho praticamente ronronando com aquele carinho.

- Não.

- Hoje tive a minha primeira sessão de terapia de casal com o Abel. – ele riu. – Mas, estávamos errados, ele disse que não tem nada contra mim!

- Fomos injustos.

- Com certeza. Embora ele tenha saído dos eixos de novo depois da terapia. – eu vi o Luther franzir a testa. – Mas não aconteceu nada.

- Não sei, Alex. Acho que você devia evitar esse moleque, o máximo que você puder.

- Ele é inofensivo. Sem chance de ganhar de mim.

- Ainda acho que devia.

- Relaxa. E de qualquer forma eu tenho você, certo?!

- Hum. – como se eu fosse meter o Luther nas minhas confusões.

- Amanhã temos outra sessão de terapia.

- Tente ser amiguinho dele. Mantenha seu inimigo perto.

- Amigo eu acho difícil. – um silêncio se formou depois disso e a gente só escutava o som do ponteiro do relógio do Luther.

- Alex.

- Hum.

- Ninguém se aproximou de você esses dias?!

- Como assim?!

- Não sei...

- Não se preocupe, só tenho olhos para você.

- Eu sei. – convencido. – Mas não se trata disso. – ah.

- É sobre o pagamento do colégio?! – isso está na cabeça dele desde sempre. Rolei para cima dele e encarei aqueles olhos de mel meio cansados. – Eu acho que você não devia se preocupar com isso. Essa pessoa lhe poupou uma fortuna. Quem sabe não foi só um mal entendido e a gente deu sorte.

Ele ergueu um pouco o tronco e me encarou.

- Se for isso mesmo, não tenho que me preocupar. Mas se não for. Se isso prejudicar a sua vida ou a minha. Esse monte de dinheiro não aparece do nada Alex. Quero que, se alguém aparecer, você me avise. – ele me disse muito sério.

- Nossa. Não deve ter sido nada sério. Relaxa. – eu disse, mas sem acreditar muito nas minhas palavras.

- Falo sério Alex. – ele disse agora sentando e eu fiz o mesmo no mesmo canto que eu estava. Nossos corpos ficaram muito próximos um do outro.

- Ta bem. – eu disse e comecei a pensar, se for algo sério, o que eu devo fazer, quer dizer, quem mais ia pagar o meu colégio?! O que eu mais preciso é dinheiro, eu sei disso, mas ninguém sabe da minha vida. Alguém anda me investigando?! Mas eu não valho nada! O que alguém teria a ganhar com isso?!

- Ei. – ele disse me dando um beijo na testa. – Essas são as minhas preocupações. Só quero que você preste mais atenção à sua volta. Não esquente a cabeça.

- Tá. – tá, mas, sinceramente... – Por que alguém faria isso?! Quer dizer, o que tem a ganhar?! Não sou rico, não trabalho... não faz sentido. Por que eu?! — ele ficou me encarando um tempo, acho que avaliando meu rosto, não sei o que se passa na cabeça dele as vezes.

- Não faço ideia. – me beijou calmo e profundamente, era bom, era gostoso, era excitante. Eu gosto dele, do cheiro dele, do toque dele.

- O que devo usar nessa festa. Não posso fazer feio.

- Acho que vamos ter que comprar alguma coisa. – não. Não quero o dinheiro dele. Não para essa festa que pode ser o começo de algo mais sério. Quero começar a cuidar de mim. Quero apenas o Luther, não o dinheiro dele.

- Eu tenho dinheiro. Pode deixar que eu compro.

- Tem?!

- Tenho. Andei economizando. – tenho que arrumar um emprego.

- Tem certeza?!

- Aham, e... bom, Max me convidou para ser modelo, eu estou pensando em...

- Só depois que terminar o colégio.

- Eu sei, assim que eu acabar eu...

- E depois que terminar a faculdade.

- Aí eu não vou poder mais ser modelo.

- Ótimo.

- Seria uma forma de ter um dinheiro!

- Eu não te dou o dinheiro que você precisa?!

- Sim, mas...

- Você está precisando de alguma coisa?! Me peça.

- Não! Não estou. Eu só quero começar a ganhar meu próprio dinheiro.

- Por que?!

- Porque, porque eu não acho justo você pagar tudo. – porque eu me sinto como... – E além disso, você não tem obrigação...

- Faço porque tenho vontade e você concordou em aceitar.

- Eu sei, mas...

- Sem mas, Alex. Você não sabe fazer nada.

- Ah, com certeza eu sei! Posso muito bem pegar um emprego de garçom e...

- Nessa baixa estação?! Fora que a festa é daqui a alguns dias, não ia dar tempo de receber esse salário. – ele se esticou e pegou a carteira. – De quanto precisa?!

- Tem outros modos!

- Aham, vendendo o corpo.

- É BASICAMENTE O QUE FAÇO COM VOCÊ! — ele me olhou confuso.

Ah, droga, acabei levantando e indo até a sala. Não gosto quando meto os pés pelas mãos, raramente ele nota que algo me incomoda, mas acho que é porque não precisa notar, geralmente eu já dou uma bela pista como essa de que algo não está legal.

Cheguei na sala e comecei a pegar minhas coisas, não gosto de falar de mim. Principalmente das besteiras que me rondam a mente. Coloquei meu casaco e já percebi que ele estava encostado na moldura da porta me encarando de longe.

- O que é agora?! – me perguntou baixo e arrastado.

- Nada.

- O que quis dizer?!

- Nada! Foi algo que falei sem pensar.

- Alex...

- Só não quero que você passe a vida inteira me bancando.

- É só até se formar, depois você se vira.

- Depois você vai sair da minha vida.

- É. – ele disse e voltou ao quarto. Eu não entendo o Luther, quanto mais convivo com ele é pior.

- E por que faz isso Luther?!

- Isso o que?! – disse vindo na minha direção só com uma calça de algodão folgada.

Luther tem o corpo ideal, cuida muito bem dele, e ele sabe que consegue me seduzir e desviar meu foco assim! Só pode ser isso!

Me aproximei dele e senti ele me envolver com os braços, minhas mãos seguiram para seu rosto, sentiam a pele macia.

- Por que você quer me bancar?!

- Porque eu quero. – eu me aprofundava bem em seus olhos. Tentava, quase implorava, para que dissesse que fazia aquilo porque me amava. Mas, claro, ele não iria dizer.

- Tá bem então. – eu lhe dei um beijo rápido e decidi ir para casa. Eu tenho tempo, deixa ele se preparar para me dizer isso. E essa festa me animou muito. – Até amanhã.

- Mas Max foi embora justamente para que tivéssemos um pouco de privacidade.

- Hmm, não. Já está tarde. E eu não posso dormir aqui. Ou posso?!

- Você quer carona?! – eu apenas ri um pouco.

- Vou indo.

Antes que eu chegasse a porta, ele puxou de leve os meus fios negros e tomou-me a boca em um beijo bem gostoso, excitante, acho que ele não me deixaria sair sem tentar ficar com um pedacinho de mim, mal sabe ele que pode me ter todo, todos os dias. Se ele deixasse de ser tão teimoso e quisesse um relacionamento sério.

- Va com cuidado.

E eu segui meu caminho. Ao chegar lá embaixo não pude deixar de suspirar pesado.

As vezes eu tenho medo que isso nunca mude.

E as vezes eu tenho medo de não aguentar... ou melhor, de não querer ficar perseguindo ele a minha vida inteira. Sem um retorno. Sem que ele demonstre os sentimentos por mim. E isso dói tanto.

Eu me sentia ser observado pelo Luther da janela dele. Mas, eu tenho tanta certeza de que ele me ama.

-x

- Bom, pelo menos hoje vocês conversaram alguma coisa. – nosso terapeuta falou. Estávamos sentados um de frente para o outro, sempre com nosso terapeuta sentado entre nós dois. Pronto a separar uma briga. Mas eu pensava longe. Onde diabos eu ia conseguir o dinheiro para uma festa no fim de semana?! – O senhor Abel progrediu muito, o mesmo não posso dizer de você, Alex.

- Sinto muito. – falei até sem pensar. Acho que já era o quarto dia de terapia. Essa festa era para ser importante para mim. Talvez o Luther finalmente admita algum relacionamento comigo.

- Bom, acho que é seguro deixar que vocês conversem sozinhos. Já volto.

Eu nem vi quando o psicólogo saiu.

Tentei várias coisas que me trouxessem dinheiro rápido, mas não era bom em nada e meus exames finais estão chegando. Não posso repetir de ano. Suspirei e encarei de verdade, pela primeira vez hoje, Abel, que me encarava sério.

- Não sabe onde consigo dinheiro até sábado?! Um bom dinheiro?! – perguntei já que agora éramos amigos, pelo menos dentro da sala do psicólogo.

- Não.

Claro que não, era um inútil, talvez se eu pedir um adiantamento... mas isso requer confiança. Ouvi o Abel dar um tapa na mesa e embaixo da mão dele tinha umas cinco notas de cem pratas. Eu olhei para ele de novo.

- Muito bem. Se você me chupar, eu te dou quinhentas pratas.

Sabe aquele silencio mórbido. Só a brisa entrava pela janela aberta da sala. O que deu na cabeça dele.

- Não entendi.

- Foi o que você escutou.

- Achei que me odiasse por eu ser...

- Não interessa. Não sou da sua laia, mas confesso que tenho uma certa curiosidade.

- Não, obrigado. – tudo que não quero é confirmar o que ele diz. Que eu faço esse tipo de coisa por dinheiro. Levantei e comecei a sair.

- Ora, Alex. Você precisa do dinheiro, eu tenho. E eu preciso dos seus serviços...

- Não faço esse tipo de coisa.

- E isso não ia sair daqui. Eu não quero ser conhecido como um bicha na escola. Eu não contaria a ninguém. Nem você.

Eu realmente ponderei. Ah, qual é?! Eu ia perder a chance de conseguir algo para esfregar na cara dele depois quando ele viesse me encher por ser gay?! Era uma oportunidade perfeita. E ainda ia ganhar um bom dinheiro! Fora que... aceitando ou não esse dinheiro, ele vai continuar me chamando de vadio.

E eu não ia perder a chance de fazer ele se derreter por minha causa. Ele ia começar a pensar duas vezes antes de falar mal de mim.

- Certo.

Ele sorriu. E depois caminhou até a porta e a trancou. Ficou lá de pé me encarando e eu fui até lá. Ah, já fiz isso milhões de vezes e até com gente que eu conhecia menos que o Abel. Não é nada demais, realmente.

Me pus de joelhos na frente dele e comecei a abrir sua calça e afastar o cinto.

- Não acho que vai conseguir me excitar, eu não me interesso por caras... – ele começou a falar e logo eu consegui retirar seu membro adormecido do meio daqueles tecidos. Vamos logo com isso. – É só curiosidade, como vocês conseguem ficar duros por outros caras?! Não faz sent...

Foi só colocar aquilo na boca para ele parar aquela matraca que tentava justificar que ele gostava da fruta. Não demorou muito para que o pequeno Abel ficasse duro na minha boca. Arrisquei olhar para cima e ele estava se apoiando na porta de olhos fechamos apenas sentindo os meus toques. Apressei o ritmo até começar a ouvir ele gemer para mim. Eu o sentia pulsar na minha boca e na minha mão que também me ajudava a brincar com o seu falo.

Até que ele gemeu alto e eu senti aquele liquido viscoso invadir minha boca. Fui até a janela e cuspi aquilo fora, engolir era demais. O encarei de longe, ele ainda estava meio ofegante e de olhos fechados.

- E o que achou?! – perguntei com um leve sorriso. Ele abriu devagar os olhos e me encarou.

- Nada... demais. – claro que não. Peguei meu dinheiro. De certa forma, não era diferente do meu relacionamento com o Luther. Esse pensamento me desanimou tanto.

- Bom fazer negócios com você. – eu falei indo em direção a porta e me despedindo do colega que agora se recompunha.

- Alex. – ele me disse antes de sair. – Se você comentar alguma coisa sobre isso por ai. Eu te mato.

Apenas lhe mostrei um sorrisinho e saí. Ah, bem, foi só uma vez. Consegui um bom dinheiro. E agora eu vou investir nessa noite. Anda, Luther, não me decepcione.

Notas finais
A Meiji pergunta aos personagens: "Gostaria de saber qual a coisa mais importante na vida de cada um no momento..." excelente pergunta ^^ .
Cody: o meu projeto. Estou aqui por ele.
Alex: a maldita festa, na qual espero ser anunciado como namorado oficial. u.u
Eros: acho que a minha pessoa. Não, espera, são três coisas que não posso revelar ainda.
Léo: ah, meus avós, claro! Meus pobres avós que precisam de dinheiro para...
Eros: a gente sabe.
Téo: bem... acho que, fazer meu primo me notar.
Seth: e...
Téo: ...Se apaixonar por mim.
Seth: muito bem.
Zack: sei lá. Meus campeonatos de judô?!
Luther: uma coisa preciosa que eu tenho. Mas que não percebe que tem tamanho valor para mim.
Lars: todos sabem que eh o ALex.
Luther: me referia a você, irmãozinho.
Lars: sei... para mim, acho que ainda é o Léo. Mas...é o Léo, isso.
Ace: minha empresa.
Seth: no momento... me parece que é o Téo.
~> vamos fazê-los responder a mesma pergunta de novo daqui uns caps hohoho, mais perguntas?!