Inimigos Íntimos
29 Tinha que acontecer
POV Narrador
Não havia a mínima possibilidade de Inoue conseguir sentir sono naquela noite, os momentos que passara com Kaiser ficam martelando em sua mente martirizado seus princípios e aquecendo seu corpo, um dilema que se repetia várias vezes a levando a loucura, a pior parte era ter que admitir para si mesma que as reações que seu corpo apresenta em relação ao seu algoz, jamais havia sentido nem um terço com seu ex namorado.
Porque estavam tão próximos? Porque ela se sentiu bem quando ambos viram as filmagens de Hino e riram juntos? Onde estava todo ódio e nojo, a repulsa que sentia por ele? Porque aquela noite no jantar ela ficou a espera daquele maldito beijo e ainda sonhou com o mesmo? Será que os fatos dos quais ela não conseguia se lembrar tinham explicações para isso?
O fato é que ela não se sentia mais tão mal perto dele e se sentir assim a fazia se enxergar como uma traidora. Como pode se acostumar, fazer parte da rotina dele e achar normal? Era pelo bem estar de Hawkmon, afinal, mas ela sabia que não era só por isso, algo forte estava crescendo entre eles, intenso, elétrico e afinal o que teria acontecido naquele momento se Wormmon não tivesse interrompido?
A forma como ele a atirou sobre aquela cama, a ousadia com que tocou seu corpo e deslizou a mão pela sua barriga, ela poderia dizer que sentiu raiva e nojo, mas não, na verdade queria muito mais daquele toque… Tão quente e firme, embora houvesse certa delicadeza? Era como se ele soubesse o quanto ela estava gostando… E Kami, ela estava gostando e muito, sinceramente não queria ir embora, não queria que parasse, queria sentir-se tocada, explorada, ter os seios apertados com vontade.
Miyako nem se deu conta de que já se sentia tão quente com aqueles pensamentos e suas mãos tomaram vida própria seguindo para os próprios seios os massageando, enquanto seus pensamentos estavam em Kaiser e era como se ele estivesse ali, ela já não se controlava mais e as ondas de calor lhe subiam pelas pernas se concentrando na região pélvica.
A mente de Inoue estava parada, entregue às sensações e o corpo exigia ser tocado de formas que ela nunca antes fizera, mas era como se fosse explodir, era tão instintivos, sua imaginação trabalhava em tantas visualizações de beijos, torcidos, voluptuosos, era como se aquilo fosse uma lembrança reprimida e que já o tivesse beijado várias vezes.
Ela nem se deu conta de quanto já chamava por ele, as mãos estimulando os seios e as pernas esfregando-se uma contra a outra como se o ato fosse capaz de acalmar o calor e pulsação que sentia em seu âmago. Uma de suas mãos lentamente desliza até a barra de seu vestido o erguendo e traçando o caminho de sua intimidade, seus dedos deslizam sobre o tecido de sua calcinha sentindo quão encharcada está, a fazendo gemer o nome do inimigo, ao sentir esse contato, deslizando seguidas vezes se dando prazer com o ato.
Quando deslizar os dedos sobre o tecido molhado já não era o suficiente, a garota arredou a peça para o lado e começou a se tocar diretamente, estimulando os lábios íntimos, pressionando seu clitoris que vibrando com o mínimo de pressão, se contorcendo na cama enquanto sua outra mão apertava um dos seios e sua boca gemia o mais contida que conseguia.
Enquanto isso o gênio insano, ainda se divertia rindo sozinho ao se lembrar de todas as sensações e reações que causou na inimiga, ela visivelmente estava entregue aos seus toques e se não fosse por Wormmon ter atrapalhado talvez a essa hora poderia tê-la ali em sua cama e tocar seu corpo inteiro. Ele até pensou em castigar o Digimon intrometido, mas ainda estava sob os efeitos daquela massagem e deu preguiça.
Se espreguiçou sobre a cama e rolou esticando-se como um gato, deveria estar desenvolvendo seu Anel Negro, mas estava ali perdendo seu tempo pensando em coisas pervertidas. Decidiu se levantar e tomar um pouco de suco, a bandeja que Inoue havia levado estava sobre o criado mudo e ainda tinham poucas pedras de gelo no jarro o que indicava que o líquido ainda estava gelado.
Levantou-se estalando o pescoço e alcançou o jarro e um copo, servindo-se. Enquanto saboreava o líquido amarelo com sabor cítrico, sentiu-se tentado a saber como sua escrava tinha chegado em casa depois daquela “experiência”. Um sorriso sacana rasgou em seus lábios, deixou o copo por alguns minutos e ligou seu notebook, puxou conexão com as câmeras colocadas no quarto da garota e enquanto as mesmas ligavam, tornou a saborear seu suco.
Kaiser arregalou seus olhos índigos ao se deparar com a cena inusitada. Parecia uma cena de hentai, mas com a pessoa que ele conhecia muito bem, ela estava especialmente linda, a face enrubescida, a boca semiaberta, os olhos fechados e apertados, os cabelos lilases espalhados em torno de si emoldurando o rosto redondo, as mãos… Kami! Aquilo o fez engasgar-se e cuspir o suco que estava bebendo… Como poderia ser tão sexy? Com uma das mãos ela estimulava seu seio, apertando, massageando o mamilo enquanto a outra deslizava pelos lábios íntimos, rosados, jorrando fluidos, enquanto ela se contorcia ao de dar prazer.
Aquela visão foi perturbadora demais, Kaiser deixou seu copo de suco sobre a bandeja, enquanto olhava praticamente com a boca aberta, não conseguia acreditar, talvez tivesse dormido e esse fosse um sonho? De qualquer forma seu corpo reagiu de imediato ao espetáculo proporcionado pela inimiga, mas a cereja do bolo foi ouvir seu nome sendo chamado em gemidos pela garota.
— Ora, ora, ora… Mas o que temos aqui? — Sentou-se incrédulo, quase perdendo a capacidade de respirar. Seu membro pulsou tão forte que ele o segurou de imediato o apertando com força. — Não me faz invadir esse seu quarto, Inoue. — A voz saiu alterada, esganiçada enquanto apertava com mais força, seu pênis.
Kaiser nem se deu conta do quanto já estava ofegante, seus olhos acompanhando cada movimento da garota, aumentou o áudio só para se certificar de que ela chamava mesmo por ele, teve certeza de que aquela massagem tinha mexido com ela tanto quanto mexeu com ele e com muito mais intensidade do que imaginava. Só segurar sua virilidade já não era o bastante, não conseguiu resistir as cenas vistas e libertou seu órgão que chegava a doer de excitação.
A medida que acompanhava os movimentos de Miyako, com seus olhos, suas mãos estimulavam seu membro, o quarto parecia em chamas, ele se imaginou com ela, ambos se tocando mutuamente e trocavam beijos molhados, mesmo a distância era como se houvesse uma conexão, já não dava mais para aguentar, os tremores vieram com violência e ele não conseguia tirar os olhos da garota, que estava linda alcançando seu ápice.
Ela chamou por ele ao se contorcer mais intensamente e ele chamou por ela, ambos encontrando a libertação de seus orgasmos furiosos. Miyako relaxou em sua cama, a respiração ofegante e uma mão contra o peito, um certo receio de ter sido ouvida e a vergonha pelo que acabara de fazer, estava suada, desgrenhada, cercada por um emaranhado de lençóis bagunçados.
O gênio jogou suas costas contra a cama, ainda segurando seu membro que pulsava entre espasmos pós orgasmo, seus cabelos também estavam suados, atrapalhados, grudados na pele, as mãos e boa parte da barriga se sujaram com a intensidade do “jato”.
— Garota, você quer me matar? — Ele sussurrou buscando o ar com dificuldade, aquilo tinha sido incrível, poderia repetir aquele vídeo várias vezes e vê-la se tocando daquela maneira para ele. Ah se ele soubesse, orgulhosa do jeito que é. — Quando eu te pegar, Inoue, vou acabar com você… — Ficou por mais algum tempo se recuperando de toda aquela euforia, quando se levantou para seguir para um banho, viu que a garota também já estava fora de sua cama e com uma toalha em mãos.
Ele sorriu se recompondo, levantando-se para seguir para seu banho enquanto pensava em várias coisas e em nada ao mesmo tempo. Aquilo era possível? Não, talvez, tudo relacionado aquela garota era sem explicação, ele tinha tanto o que fazer, mas nem conseguia, hoje não, até os loucos, tiranos sem coração, merecem uma boa noite de sono.
POV Kaiser
Acordo cedo e sigo para o mundo real, hoje eu pretendia mandar que um Bakemon ocupasse meu lugar, mas jamais poderia deixar de encarar Inoue, ainda mais depois de tudo o que eu vi ontem e o que aconteceu durante a massagem, tenho certeza que vou me divertir muito com suas expressões.
Mesmo estando atrasado em minhas pesquisas eu ainda estou em vantagem, digamos que o jogo esteja equilibrado, pois causar problemas atingindo os pontos fracos dos “Digibobocas” no mundo real foi uma jogada e tanto, mas creio que eles já estejam se reerguendo e logo darão um jeito, pelo que entendi de algumas conversas que hackeei da tal Tachikawa, o ponto de encontro agora vai ser na casa dela, a garota mora aqui no Japão sob guarda de empregados de sua família, então praticamente faz o que quer, não gosto dela, me causa uma sensação ruim como se representasse uma ameaça mais séria do que aparenta.
Deixando esses pensamentos de lado, acabo me arrumando colocando aquele uniforme ridículo e quando saio do quarto encontro a minha… Aquela mulher. Ela me oferece um sorriso e me convida para o café, para estar em casa a essa hora deve ter tirado uns dias de folga. Eu não ia aceitar, mas o cheiro acabou me seduzindo, acordei faminto e ainda não tinha comido nada, então acabei me sentando naquela mesa para tomar o café.
E não é que ela decidiu puxar assunto como se fossemos uma família normal, a sorte é que meu humor não está dos piores e apenas ignoro ou tento, enquanto ela diz coisas idiotas sobre eu parecer estar diferente, mais leve, um monte de baboseiras sem sentido algum e escapei quando ela começou a perguntar sobre a Miyako, olhei para o relógio e dei um jeito de sair à francesa.
É incrível como as pessoas não enjoam de olhar para minha cara, só não pergunto se estão querendo um abraço, porque do jeito que está o mundo eu não duvido que queiram mesmo. Depois de enfrentar o trajeto xexelento, fedido de idiotas, chego ao meu destino, a imbecil da Hino está encostada ao muro, parece que seu grupinho de seguidoras a abandonou de vez depois do último espetáculo, bem feito é isso o que acontece com quem mexe com as minhas coisas.
E por falar nisso, Inoue surge do outro lado da calçada, cabelos ao vento e rosto tão corado que posso ver de longe, quando ela se aproxima mais, parece a beira de um desmaio, a provoco acariciando sua bochecha com as pontas dos dedos e guardando alguns fios lilases para trás de sua orelha e ela se encolhe.
Não consegue olhar para mim, nem falar direito e eu estudo suas expressões e me lembro de ontem a noite, meu Kami! O vento da manhã está gelado, parecendo cortar a pele. Agarro sua mão e a puxo para o muro onde sempre nos encostamos, a puxo sem aviso e a envolvo nos braços a fim de protegê-la do frio.
É inevitável não notar as reações dos alunos a nossa volta, um bando de imbecis que se chocam por tão pouco, e ela se encolhe envergonhada, preocupada com o julgamento deles, afunda a cabeça no meu peito, mas não tenta sair do abraço. Olho de canto para os Digiescolhidos e eles parecem comentar algo sobre nós. Isso mesmo seus patetas e no fim eu ficarei com tudo o que vocês lutaram tanto para defender.
Permanecemos assim até que o sinal toque e quando acontece, espero que grande parte dos alunos entrem para depois me mover a puxando para dentro. Não posso negar que ela fica graciosa assim envergonhada, acuada como se soubesse que eu sei, como se estivesse vivendo um intenso conflito interno sobre seus sentimentos e talvez eu possa piorar um pouco mais as coisas.
Aproveito o quão distraída ela parece e me ofereço para lhe calçar os sapatos, o que a faz saltar atordoada, me olhando com os olhos arregalados.
— Ken-kun? O que está fazendo? Estão todos olhando? — Pergunta entre sussurros, olhando para os lados.
— Ora, eu estou sendo um bom namorado, não? — Sorrio debochado e ela estreita os olhos. — Vamos Cinderela, me dê a patinha.
— Eu devia era te dar um chute… — Torce o nariz em uma expressão mista em zanga e constrangimento.
— Olha o respeito! Anda logo me dá esse pé aqui! — Ela tira o pé de um dos sapatos e olha envergonhada para os lados, deixando que eu a calce. Obviamente não perco a chance de dar uma apalpada sugestiva, porém, discreta e a vejo engolir certa quantidade de saliva. Ah, Inoue como você me diverte!
Nos dias que se seguem fui pego de surpresa por algo bem inesperado, acordei com uma dor de dente tão horrível que era difícil até para pisar no chão, mandei que Bakemon fosse no meu lugar. Ser um humano fraco é ruim por isso, se tem uma coisa que eu odeio mais do que aqueles Digimbecis é ter que ir ao dentista, capricho nos cuidados com a higiene bucal, mas parece que mesmo assim estou sem sorte.
Desde terça meu dente estava doendo, mas preferi tomar alguns analgesicos, só que o efeito dessas porcarias é curto, resultado é que a dor parece voltar dez vezes maior e eu não consigo me concentrar em nada, nada mesmo, odeio ficar impotente diante disso.
— Já terminei tudo. Vai querer comer o que? — Sou tirado dos meus pensamento pela voz irritante de Inoue.
— Nada, pegue suas coisas, desinfeta daqui. — Falo sem deixar de apoiar o lado direito da bochecha com uma das mãos, eu tenho certeza que está inchado e tudo que eu menos preciso é que ela venha me encher a paciência.
— Credo, que mau humor, parece que tá de TPM. — Resmunga seguindo em direção ao seu dispositivo digital e seu D-Terminal.
— É que o Ken-chan está morrendo de dor de dente desde ontem, por isso nem tem ido ao colégio. — Desgraçado! Wormmon conta tudo e Inoue abandona suas coisas sobre a mesa e coloca as mãos na cintura.
— Mentira? É sério mesmo? Não posso acreditar que o fodástico, o Coração Gelado, Caveira Vermelha, Darth Vader do Mundo Digital, pika das galaxias, vossa malvadeza real, tem medinho de ir ao dentista. — Se atreve a olhar para minha cara e começar a rir.
— Porque você não vai se ferrar! Eu não estou com medo, só sem tempo.
— Aham! Sem tempo. Poderia ter pensado em uma desculpa melhor. O que foi?! Julga humilhante alguém tão brilhante e superior ter que deitar na cadeirinha e abrir a boquinha pra outra pessoa cuidar? — Anda até mim parando em minha frente. — Você já tomou tudo isso de remédios? Ainda por cima de barriga vazia? Está querendo se matar? — Aponta para as cartelas vazias que deixei sobre uma das mesas, nem notei que tinha tomado tantos.
— Isso não é da sua conta, se já terminou suas obrigações de escrava, pegue suas coisas e de o fora daqui.
— Quer saber, tem razão, quem sabe você não morre eu venho aqui e salvo Hawkmon, destruímos suas torres e vivemos felizes para sempre. No final o grande imperador morreu de uma mera dor de dente, por ser pirracento e preferir ficar sem comer se intopindo de analgesicos.
— Cala sua boca, precisa muito mais do que uma besteira dessas pra me derrubar. — Seguro seu braço fino e a encaro, ela arregalou os olhos e em seguida faz uma expressão estranha, começando a rir.
— Dá uma olhadinha no espelho. — Ela fala em meio às gargalhadas, a solto voltando a segurar o local. — Sua bochecha está enorme. — Continuou com a crise e minha dor era tanta que eu não sabia nem como castigá-la. — Amanhã você tem que ir ao dentista. — O riso parou e o tom de voz mudou para algo mais sério. — Ah, quanto tempo você não come?
— Desde ontem, sei lá! — Respondo tentando me lembrar.
— Precisa comer alguma coisa nem que seja uma sopa bem rala.
— Eu detesto sopa.
— Você detesta tudo, mas se não comer vai acabar passando mal, se tomar mais remédios com a barriga vazia vai ter problemas bem mais complicados do que uma simples dor de dente. Agora estou falando sério. — Ela cruza os braços andando de um lado para o outro e para me encarando. — Vou fazer a sopa e você vai tomar, depois vai marcar dentista para amanhã bem cedo.
Arqueio as sobrancelhas sem dar a resposta e Inoue recolhe a cartela de analgesico e guarda consigo. Não vou mentir, ela tem razão, sei bem que tomar remédios de barriga vazia faz mal, então fico calado e espero pela tal sopa, ela segue para a cozinha acompanhada por Wormmon.
Momentos depois a sopa já está servida, olho para aquilo e não sinto vontade alguma de comer, mas sei da necessidade então suspiro e tento engolir aos poucos, a impressão é que a cada minuto que passa a dor fica pior.
Enquanto isso Miyako está sentada em uma das cadeiras digitando alguma coisa no meu teclado, sem permissão inclusive.
— Tá marcado. — Ela gira a cadeira ficando de frente pra mim.
— Tá marcado o que? — Termino de engolir a droga da sopa.
— Seu dentista, oras, o que mais seria? É a duas quadras da sua casa, não tem desculpas.
— Como conseguiu marcar, quer dizer, precisa de…
— Número do plano de saúde do seu papi? Eu sei, encontrei aqui nos arquivos, não sou gênio, mas tenho as minhas qualificações nessa área. Não tem desculpas, amanhã você vai dar um jeito nessa cara horrível, tá parecendo um esquilo! Que treva!
Não respondo nada, apenas reviro os olhos, olha como a pessoa já está se sentindo em casa. Ela devolve a cartela de anelgesicos e eu tomo um comprimido acompanhando com um pouco de água, em seguida Miyako pega a bandeja e volta para a cozinha e quando retorna alcança seus pertences e abre o portal para sua casa.
Ela se vai e Bakemon se faz presente, mas não estou com ânimo para pegar o relatório do dia com ele, não deve ser nada demais mesmo. Sigo para o meu quarto do mundo real e de lá vou para um banho, tenho sorte em não encontrar ninguém em casa para me perguntar sobre meu rosto e a dor de dente.
(...)
No dia seguinte, acordo com o despertador, me lembrando que tenho que ir ao maldito consultório do tal dentista, meu celular vibra com uma mensagem e fico me perguntando quem poderia ser a uma hora dessas da manhã, pego o aparelho e esfrego os olhos, não acreditando nas palavras que estou lendo.
“Bom dia! Se sente melhor? Enfim, não demore muito, estou te esperando aqui fora.
Inoue Miyako!”
Só podia ser piada, ela não estava falando sério, mas antes mesmo que eu responda ouço a campainha tocar. Isso só pode ser vingança pelo jantar? Não posso acreditar que ela teve a coragem de fazer isso!
Sigo para o banheiro e escovo os dentes, faço tudo que era necessário e me esgueirei pelo corredor, estou incrédulo com a possibilidade de, essa não! Eu vou matar essa garota! Ela não tem amor à vida?
Me deparo com a cena dela já sentada no sofá da sala, sendo paparicada pela minha mãe que a cobre de perguntas, ela não está vestida de uniforme, usa um vestido com um casaco por cima e meia calça grossa devido ao frio.
— Ah, bom dia, Ken-kun! — Olha diretamente para onde eu a observava, revelando meu esconderijo. — Ainda está de pijama, vamos nos atrasar. — Aponta para o relógio.
— Bom dia querido, porque escondeu de nós que estava sentindo dor? — A outra pergunta como se se importasse e eu dou as costas para as duas e sigo para o meu quarto.
— Ser mal educado não vai fazer a dor passar. — Miyako debocha fazendo a outra rir.
Era só o que me faltava, visto minhas roupas incrédulo com essa situação, o que mais falta acontecer, fora a dor horrorosa, tomo apenas um copo de leite enquanto as duas gralhas estão tagarelando na sala, por mais rápido que eu tenha sido não consegui evitar que o pior acontecesse, assim que chego na sala as duas estão olhando fotos de quando eu era bebê, sinto uma vontade imensa de poder ter o meu chicote em mãos e acabar com essa palhaçada.
— Vamos logo. — Chego interrompendo o momento besteirol e Miyako me olha com um olhar debochado.
— Sra. Ichijouji, será que eu posso ficar com essa? — Ela ergue uma foto em que eu estou dormindo no berço abraçado com algumas pelúcias.
— Claro querida, vamos marcar um jantar qualquer dia desses o que acha? — Minha mãe sugere e eu rangi os dentes.
— Depois falamos disso, meu dente está doendo. — Corto de pronto e as duas se despedem como se fossem grandes amigas.
Puxo Inoue pela mão e seguimos para o elevador, noto que ela tem um sorriso de canto, o qual me deixou com o pé bem atrás, bem, ao meu ver, isso foi uma vingança pelo o que fiz em sua casa, nunca a subestimei mesmo, mesmo assim me surpreende.
— Sabe Miyako… — Começo e ela olha em minha direção. — Você diz que sou um monstro, dissimulado, vingativo, mas veja você, não é tão diferente de mim.
— A gente aprende com a convivência. — Devolve com um sorriso atrevido.
Confirmo com a cabeça a observando passar o brilho labial no espelho do elevador. Ponto pra você Miyako, sabe jogar muito bem e se aproveitar das fraquezas do inimigo, se não fosse tanto idealismo em defender aquelas criaturas idiotas você seria uma concorrente para mim, me daria algumas dores de cabeça, parece só uma garota boba, mas é bem ardilosa, ainda bem que tenho o controle de todos os seus movimentos, até da sua respiração.
A porta do elevador se abre e nós saimos de mãos enlaçadas, ela para um táxi e eu reviro os olhos pois não estava com tanto dinheiro.
— Não podemos ir de táxi, não trouxe dinheiro para isso. — Sussurro em seu ouvido e ela dá um risinho debochado.
— Me comprou um celular novo, brincos e não tem dinheiro? — Eu aposto que ela já tinha essa dúvida a tempos e agora aproveitou a oportunidade.
— Não comprei nenhuma daquelas coisas, apenas deixei que usassem meu nome como marketing.
— Pois eu trabalhava na loja dos meus pais, durante esse tempo eu juntei algum dinheiro, não vai acabar assim, então pode ficar de boa “alteza” é por conta. — Ela joga meu orgulho na lama e dança em cima, sinto vontade de quebrar seu pescoço.
Me concentro na minha dor enquanto ela passa o endereço ao taxista, como era há duas quadras da minha casa, o trajeto durou mais ou menos uns cinco minutos; chegamos, ela pagou a corrida e desembarcamos em frente a uma construção simples. Eu realmente odeio dentistas com todas as minhas forças, só a recepção já me deixa err… Intimidado, a dor é tanta que mal consigo falar, tanto que é Miyako quem conversa com a recepcionista, ao mesmo tempo que os pacientes estão alvoroçados por estarem na mesma sala de espera de “Ichijouji Ken”.
Não acredito que com essa dor veio gente me pedir autógrafo, apenas revirei os olhos, mas por dentro mandava ir tomar naquele lugar.
— Ae, deixem ele em paz, não estão vendo que ele está morrendo de dor. — Miyako é quem se irrita com o alvoroço.
— Se ele é tão inteligente deveria saber que é bom ir ao dentista antes que comece a sentir dor. — Uma garota alfinetou.
— E se você for inteligente é bom calar a sua boca e sentar essa bunda no lugar, ou não vai ter dentes para serem tratados. — Miyako dá a resposta em alto e bom tom e todos murcham voltando para suas cadeiras.
Mesmo com tanta dor eu consegui achar aquilo engraçado, era aquela mesma selvagem que eu vi durante anos no campo de batalha falando e agindo sem pensar nas consequências, essas pessoas tem razão ela é mesmo assustadora às vezes, pena estar do lado errado.
Esperamos mais um pouco e finalmente chega a minha vez e o meu dentista é um senhor calvo, forte e alto com cara de psicopata e eu sinto como se não fosse sair vivo daquela sala, olho para Miyako e ela tem um sorrisinho sacana no rosto e me empurra em direção a sala, dando um tchauzinho com a mão. É nítido o quanto ela está se deliciando com isso, como eu disse, não somos tão diferentes afinal.
(...)
Terminada a sessão tortura, com certeza eu continuo não gostando de dentistas, mas enfim, retorno a recepção e encontro Miyako mexendo em seu celular rindo de alguma coisa, ela fecha o aparelho assim que me vê.
— Ah, sobreviveu, imperador? — Pergunta debochada e eu apenas reviro os olhos não queria conversar com a boca toda anestesiada. — Então vamos, vou te deixar em casa. — Me oferece o braço.
Quando saímos fora do prédio uma chuva de paparazzis começa a tirar fotos, alguns repórteres tentam entrevistá-la, claro porque eu não tinha condições de falar, ela age como se já soubesse? Espera ae? Ela não faria isso… Nos esquivamos dos abutres e seguimos para minha casa, dessa vez não voltamos de taxi, pois o local ficava a duas quadras do meu prédio e uma já tínhamos percorrido fugindo daqueles babacas.
Eu tenho quase certeza que Inoue teve algo a ver com isso, como a mesma disse, eu estava parecendo um esquilo com aquela bochecha inchada e eu sinto que isso fez parte do seu pacote de quebra da minha honra, embora não posso provar e ela também sabe bem disso.
Entramos no meu prédio e subimos pelo elevador, seguindo para o apartamento, giro a chave na fechadura abrindo a porta, tirando os sapatos, ela entra em seguida, tira os sapato rapidamente e se joga ofegante, no sofá.
— Isso que eu chamo de uma manhã animada! — Cantarola se esticando.
Reviro os olhos com essa declaração, minha honra foi para o ralo essa manhã, não tenho a menor condição de conversar e sei que se eu tentar falar algo ela vai rir de como a minha voz vai soar.
POV Miyako
Acordei empolgada para esse dia, não é sempre que teria uma oportunidade como essa, joguei a vergonha fora, me vesti e fui até a casa do Ken, ou Kaiser, dá na mesma, eu vi o endereço ontem quando marquei a consulta. Eu dormi tão empolgada com a ideia de vê-lo morrendo de medo e sem querer admitir.
Bem, lá fui eu ser uma boa namorada, louca para ver sua cara com todas as surpresas que tinha para ele, antes de sair eu usei o celular da minha irmã e com um perfil falso postei notícias em grupos que idolatram o ídolo, sobre ele ir ao dentista, ter medo, ser levado pela namorada. Vamos arrastar a honra do gênio na lama só um pouquinho.
Ainda com o veneno que destilei, deixei de presente hora e local onde seria a consulta, entreguei o celular para Momoe-nee e sai, como minha mãe ficou caída de amores pelo Ken, ela não se importou do meu motivo por não ir a aula, ainda ligou para escola avisando.
Durante o percurso, fui completamente eufórica ouvindo Look What You Made Me Do, da Taylor Swift, nos meus fones de ouvido, só imaginando a cena. Ah, querido imperador, hoje a rainha sou eu! Seu dia vai ser inesquecível!
Desembarco do metrô e sigo para seu endereço, na portaria o porteiro queria interfonar e avisar, mas eu o convenci de que ia fazer surpresa e ele achou romântico e me liberou, subi pelo elevador, dando uns últimos ajustes na aparência, estava um dia muito frio, mas valeria ter acordado cedo.
Desço do elevador e sigo para o número que tenho memorizado, fico imaginando se ele quem vai abrir e qual vai ser sua cara. Respiro fundo e me encho de coragem, é hora de devolver o teatro que ele fez com a minha família. Toco a campainha e sem demora sou atendida.
Meu Kami! Era a mãe dele, que vergonha, minha coragem sumiu na hora e o sangue se concentrou todo em minha face, não consegui dizer nem um bom dia, já ela? Ela me olhou encantada, óbvio que me conhecia por fotos, juntou as mãos em frente ao peito e abriu um sorriso caloroso.
— Miyako-chan, não é? — Quase desmaiei quando ela usou o “chan”, não consegui responder apenas assenti com a cabeça. — Venha querida, entre!
Ok, minha calma tinha ido embora, ela se apresentou e eu entrei tirando os sapatos, parece que o “imperador” ainda estava dormindo, ela estava tão animada, feliz, falando mil coisas ao mesmo tempo, mas o engraçado é que eu fui relaxando e me sentindo mais à vontade.
Quando me dei conta já estávamos tomando chá e ela me contando que trabalha em um restaurante próximo, assim como várias coisas do cotidiano da família, disse que eu estava fazendo muito bem ao seu filho que vinha notando o quanto ele parece mais leve e até feliz.
Pobre coitada, se ela soubesse o quão louco seu filho é. Durante nossa conversa observo a simplicidade da casa, por ser uma pessoa tão soberba e por alguns detalhes exagerados de sua base, pensei que Ichijouji morasse em uma mansão, mas seu apartamento é tão simples quanto o meu.
Sinto seu perfume pelo ambiente e olho em direção ao corredor que dá acesso aos quartos, o surpreendo ouvindo nossa conversa atrás da parede, igual criança vestindo um pijama azul. Aquela cena foi hilária, óbvio que eu o pentelhei, sua mãe o cumprimentou, mas ele nos ignorou com todo seu mau humor habitual e foi se vestir, com certeza.
Fiquei conversando mais com a Sra Ichijouji, muito simpática por sinal, cabelos a altura do ombro, castanhos da cor de seus olhos, aparenta ter uns 37 anos, parece se preocupar muito com o filho, o que me faz pensar, o que o fez ficar assim.
Ela traz um álbum de fotos da infância… Cara essa foi épica, eu vi um álbum de fotos da infância do todo metido a fodão Digimon Kaiser, o pior é que ele era um bebê lindo demais com bochechas grandes e rosadas, parecia bebê de revistas, cada foto mais fofa que a outra, mas tinha uma que ganhou de todas, ele estava dormindo no berço, abraçando uma pelúcia… Ah, eu tive que encarnar a namorada babona e pedi a foto, a Sra Ichijouji, como boa sogra, me presenteou, a cara dele vendo a cena foi a melhor, foi chegando bem na hora e já me puxando para ir embora, quase não nos dando tempo para despedidas.
Ela quer marcar um jantar? Ótimo, marque virei com o maior prazer, estou mesmo precisando aumentar meu círculo de amizades, se ficarmos amigas, quem sabe se sem querer eu não acabe contando algum segredinho sério?
Acho que alguém ficou com medo, mas esse dia está sendo perfeito, no elevador nós trocamos algumas provocações, típicas de todos os dias e ele me compara consigo. É meu caro, apanhar tem que servir para alguma coisa, eu não sou de ficarem no chão por muito tempo.
Saimos do elevador e seguimos para fora do prédio, paro um táxi e ele dá um chilique contido, sobre não está com dinheiro e me conta qual a fonte de todas as coisas caras que me fez aceitar, já eu dou um tapa de luvas e digo que como trabalhei muito na loja dos meus pais, tenho dinheiro guardado, creio que ele quis sumir na hora. Bingo!
Seguimos para a consulta e meu Kami! Parecia uma atração de circo, o cara sentindo dor e um bando de loucas querendo autógrafo e dando piti, tratei de colocar todo mundo em seu devido lugar, falta de bom senso!
A hora dele entrar chegou, quase senti pena, parecia estar indo para o abate, fiquei lá mexendo nas redes sociais e lendo as fofocas, já tinha fotos nossas saindo do táxi e entrando no consultório, que povo rapido! As manchetes, tags e comentários me mataram de rir, como zombaram que o gênio tinha medo de ir ao dentista, eu só queria ver a cara dele quando lesse aquilo.
Tempos depois ele saiu da sala, o rosto ainda estava inchado e uma cara de quem tinha sofrido altas torturas, saímos do local e nos deparamos com um mundo de repórteres e paparazzis querendo fotos e entrevistas, a única ideia foi correr.
Quando chegamos em seu prédio, até pensei em ir para casa, mas ainda queria ver algumas coisas, tipo a cara dele com as fofocas da internet então acabei subindo e me jogando no sofá. Era estranho, mas eu me senti muito à vontade naquela casa e ele me olhava de forma curiosa, sem poder falar.
Descansei um pouco e não resisti, peguei o celular e o chamei, ele veio com somente uma sobrancelha arqueada e se sentou ao meu lado, entreguei o aparelho em sua mão e fui estudando suas expressões enquanto lia. Kami, eu chorei de tanto rir, sério acho que tive crises de tosse, cheguei a lacrimejar e ele revirando os olhos tentando pagar de assustador.
Quando se irritou bastante ele andou para onde eu julguei ser seu quarto, óbvio que eu fui atrás dando mais uma olhada na casa. Seu quarto era tão simples quanto o resto do local, tinha uma beliche? Será que é para quando vier visitas? Bom, eu já estava lá mesmo então fui mexer um pouquinho, o que? Eu estava curiosa.
— Decepcionada? — Ele finalmente falou, a voz saiu engraçada e me fez rir.
— Todo mundo espera que o “ídolo” seja um milionário. Não é mesmo?
Me senti péssima com essa pergunta, não vou negar que em todas as minhas Fanfic eu o descrevia sendo rico, sim.
— É que parece estranho imaginar fama sem dinheiro, mas as pessoas não fazem por mal.
— Uhum, mas haveria príncipe encantado sem um castelo para oferecer?
Ok, nessa ele me pegou, isso faz sim todo sentido, nenhuma garota idealiza um cara que não possa dar um futuro confortável a ele, isso porque a nossa cultura ensina assim, pela sua atitude em relação a isso devo acreditar que já foi hostilizado, perseguido de alguma forma pelas condições financeiras medianas dos seus pais e isso é mesmo muito chato.
— De quem é a outra cama? — Pergunto mudando de assunto e ele parece não gostar;
— Não pertence a ninguém, porque? Vai ficar pra dormir também? — Cruza os braços desaforado.
— Claro que não. Está insinuando que já era para eu ter ido embora?
— Na verdade você nem deveria ter vindo.
— Você já foi na minha casa também.
— Você me convidou. — Rebate incisivo.
Fico sem resposta tentando me lembrar dessa tal tarde que fomos para minha casa ver filme, mas nada me vem em mente.
— Já passou da hora do almoço, vou fazer uma sopa pra gente, depois eu vou embora. — Mostro língua e vou para a cozinha, em seguida me lembro que não sei onde fica nada e volto para recrutá-lo. — Não seria muito se você pudesse me dar uma força? Não sei onde fica nada aqui.
Ele dá de ombros e me segue, depois deixo que passe na frente para pegar tudo o que vou precisar. Enquanto isso pego meu celular e coloco uma música animada, gosto de ouvir música enquanto cozinho. O engraçado é que ele acabou ficando e me ajudando a cortar os legumes e a carne e aquele momento pareceu tão familiar, como se já tivesse acontecido muitas vezes.
Enquanto a comida está no fogo, eu lavo as vasilhas que sujamos e ele vai arrumando a mesa e isso é muito bizarro, muito estranho, como se fossemos um casal de verdade e começa a tocar Everything Has Changed, da Taylor Swift com Ed Sheeran, e sei lá porque aquilo pareceu tão a cara do momento.
Eu só queria entender como de repente as coisas ficaram assim, eu estava com Kaiser em sua casa no mundo real, estávamos na cozinha fazendo almoço e ainda não são 18 horas, mas eu sei que quando for eu certamente vou estar pensando nele, afinal tem sido assim… É tem sido assim. Fico pensando, tentando entender que tipo de pessoa eu sou, masoquista talvez? Como eu posso estar aqui?
— O almoço está na mesa, vai ficar aí viajando?
— Ah? Não, estou faminta.
Nos sentamos a mesa e isso também é estranhamente familiar, não estou falando de sentar em um refeitório cheio e comer um obento juntos todos os dias, estou falando de nos sentarmos em uma mesa, em uma casa e almoçarmos juntos. O que é isso? Será que estou ficando louca?
Prefiro deixar pra lá e me focar na comida, esse dia agitado me deixou com muita fome e a refeição ficou muito boa. Comemos em silêncio e depois que terminamos eu deixo a cozinha limpa enquanto ele está sentado no sofá da sala com as pernas esticadas mexendo no celular.
— Assim você parece uma pessoa normal. — Provoco andando pela sala e ele só resmunga. — Você tinha um irmão? — Paro em frente a um espécie de altar com a foto de um garoto de cabelos índigos e bagunçados e óculos de armação quadrada.
— Olha Inoue. — Ele me pega pela cintura e me entrega a minha bolsa. — Já está na hora de você ir pra casa.
— Nossa! Foi só uma pergunta boba, não precisa me expulsar.
— Afinal de contas o que você está fazendo aqui?
— Sendo uma boa namorada. — Devolvo com a mesma frase que ele me falou na escola e ele pisca algumas vezes.
— Caia fora, estou com sono, por hoje chega! — Fala ríspido só me esperando calçar os sapatos e me jogando para fora, fechando a porta em seguida.
— Grosso! — Resmundo ofendida e sigo para o elevador.
Foi um longo dia! Porque será que o assunto do irmão falecido mexeu tanto com ele, já estava tranquilo e deu um piti quando eu perguntei.
(...)
Após aquele dia, a semana passou mais rápido do que imaginei e o final de semana chegou, antes disso, na sexta Kaiser mandou Bakemon em seu lugar e este me falou que eu estava dispensada, graças a Kami, teria uns dias longe dele! Aproveitei para colocar minha depilação em dia, relaxar um pouco e aproveitar minha casa.
No sábado acordei cedo para fazer minhas obrigações e ficar livre de uma vez, descansei o dia inteiro, assim foi, o tempo estava frio e eu fiquei assistindo filmes com Mantarou-nii, tudo foi perfeito, exceto por ele soltar pum e me prender embaixo do cobertor, isso não foi legal, mas eu sobrevivi.
No final da tarde estava com cheiro de pum e chips de queijo que minha mãe fala que cheira a chulé, estava cansada de ver filmes e decidi ir para um banho, por lá fiquei um bom tempo pensando em todos os acontecimentos da semana.
— Miyako-chan? — Ouço Momoe me chamando. Será que demorei tanto?
— Já estou saindo. — Grito para que ela possa ouvir lá fora.
— Se apresse, você tem visitas! — Informa e o meu coração salta. Não acredito que ele veio se vingar da minha vingança, apareceu de surpresa, era de se esperar.
Me apresso, me seco, me visto rapidamente e penteio os cabelos, quando chego na sala me deparo com Mimi-chan toda produzida, em um vestido de festa, maquiada e penteada, exalando seu perfume super caro, ela me abraça forte quase não me deixando respirar.
— Amiga, hoje a noite você é minha, nem seu namorado vai impedir.
— Como assim, Mimi-chan? — Pergunto atordoada.
— Hoje é a festa de formatura do meu cunhado, concluiu a faculdade de medicina e a família está comemorando.
— Shin-kun? Passou, que bom, eu sabia… Só que eu… — Fico feliz por Shin-kun, mas sei que não posso ir de forma alguma.
— Você nada, não tem desculpas, eu trouxe o vestido, o sapato e maquiagem, vou te produzir e você essa noite será nossa!
Penso em dizer que não, isso pode me gerar problemas, mas como posso negar? Ah, dane-se preciso respirar fora da bolha de Kaiser um pouco, além disso não tem como ele ficar sabendo, não é? O que de tão ruim pode acontecer?
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