POV Miyako

Lá estava eu toda produzida, maquiada e perfumada, meu celular repousava sobre a penteadeira enquanto Mimi falava sem parar e me mandava ficar quieta dando os últimos retoques. Acabei usando lentes de contato para que ela pudesse fazer a maquiagem, mas a todo momento minha atenção estava no aparelho, não vou negar que estava com medo que Kaiser ligasse ou mandasse alguma mensagem, que de alguma forma ele soubesse o que vou fazer sem a sua permissão e que venha a castigar meu Hawkmon.

Enfim, era torcer para que isso não acontecesse, não havia como fugir daquela situação. Assim que terminou Mimi bateu palmas duas vezes e deu alguns pulinhos.

— Amiga, você está maravilhosa! — Me puxou fazendo com que eu me levantasse e me guiou até o espelho de corpo inteiro da sapateira.

Meu Kami! Realmente abri a boca com o resultado, o vestido era estilo princesinha com um decote bem feito e de alcinha, o corpete era bem justo realçando os seios e a cintura, adornado com bordados de flores roxas e folhas verdes sobre o tecido preto, a saia também era de tecido preto recoberta por um fino tule em um lilás brilhante, os sapatos eram lilases com um laço branco e duas correias finas bem antes das panturrilhas, meus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto e cheios de cachos feitos com Baby liss e mantidos com laquê e a maquiagem estava perfeita, leve nos olhos e mais acentuada nos lábios e bochechas.

— Ah, Mimi eu não sei se isso é uma boa ideia, tantas coisas aconteceram. — Choraminguei ao me lembrar que certamente toda a turma vai estar lá.

— Claro que é boa ideia. Muitas coisas precisam ser esclarecidas entre nós, o grupo todo, mas hoje não vamos pensar nisso, vamos nos desligar dos problemas e prestigiar a conquista do nosso amigo. A festa vai ser em uma boate Gaijin, podemos dançar a noite toda.

Normalmente a Mimi-chan tem um poder imenso de convencer as pessoas então eu não tive muito como argumentar, fiquei olhando tudo se passando quase no mudo, ela conversando com a minha familia, com os meus irmãos e em seguida me puxando para sair, coloquei meu celular na pequena bolsa de mão e segui com ela.

Uma limusine luxuosa já estava a nossa espera, em outra ocasião eu estaria berrando animada, mas não estou, afinal vou estar entre meus amigos depois de tudo, nem sei se eles ainda me consideram amigos, estou morrendo de medo e vergonha, também estou apreensiva sobre a reação de Kaiser, mas torcendo para que ele não descubra.

Mimi-chan abre a porta do veiculo e me empurra para entrar, assim que nos acomodamos ela me oferece algo para beber.

— Mimi-chan? Isso é…

— Refrigerante amiga, relaxa!

— Ah bom… — Pego a taça e bebo um pouco, precisava relaxar.

Ela coloca uma musica agitada para reproduzir e ordena que o motorista siga a diante, para minha surpresa ele passa na casa da Sora-san, que veste um vestido azul com um tule branco revestindo-o, nem descemos, pois ela já estava a espera e apenas cumprimenta nos abraçando e se acomoda, fico mais sem graça querendo um buraco para me enfiar, mas ela age naturalmente, a proxima a ser buscada foi a Hikari-chan, ela vestia um tubinho branco com detalhes azuis estilo chines, ela também entra e cumprimenta com um abraço se sentando em seguida.

— Será que posso ir com vocês? — Taichi segura a porta perguntando para Mimi-chan.

— Nem pensar, baby, aqui só as garotas. — Mimi-chan responde prontamente mostrando a língua, Taichi-kun contorce o rosto em uma expressão engraçada.

— Poxa vida, tanto espaço cheio de gatinhas e eu tenho que ir de buzão?

— Não adianta elogiar, aqui só cabe gatas, o rato vai pelo esgoto. — A sincera debocha fechando a porta. — Mete o pé, James!

— Meu nome é Kentaro. — O motorista resmunga.

— Não seja estraga prazer, James é nome de motoristas de filmes, então eu to pagando e essa noite você é James! Vamos rodar!

— Xiii agora virou Autobots. — Sora-san é quem puxa a brincadeira e todas rimos deixando Mimi-chan sem graça.

O motorista segue deixando Taichi-kun para trás, antes de irmos para a festa, Mimi-chan tinha um passeio programado pela cidade, passa por um colégio só para garotos, cujo o horário de aula é diferenciado e abrindo as janelas, mexe com os rapazes jogando calcinhas pra eles e filmando a cara que fizeram.

Não vou negar que eu ri muito, Mimi-chan é totalmente pirada, ela explicou que as calcinhas foram compradas para essa zoação, que nunca usou nenhuma, mas queria ver o que aconteceria, resultado foi um bando de tarados voando em cima como se atacassem um monte de dinheiro, alguns ficaram bem tímidos e quase desmaiaram.

Não acabou por aí, passamos no shopping e tiramos várias fotos em locais diferentes, embora Sora-san tivesse seus problemas recentes e Hikari-chan, meu Kami, como o caso dela foi sério, mesmo assim todas estavam se dando a chance de se divertir um pouco, indo pelas idéias loucas da Mimi-chan.

— Agora podemos ir para a festa, as formalidades e discursos chatos, já devem ter acabado e vamos chegar na melhor parte, os mais velhos já devem ter ido embora e a diversão vai começar! — Mimi-chan fala animada. — James, toca pra festa! — Dando ênfase no nome para provocar o motorista.

Pelo caminho nos aglomeramos todas, rindo das filmagens e das fotos que tiramos e eu até consegui relaxar, por um momento as coisas pareciam ser como antes, que nada tinha mudado, não tivemos esse distanciamento , me dei conta de que eu sentia tanta falta delas, das besteiras que fazemos juntas, desses momentos “garotas”, embora estivesse feliz, me veio uma vontade de chorar, pois eu já não sou mais livre para estar com elas quando eu quiser e o preço que isso pode me custar é muito grande.

Saio dos meus pensamento quando chegamos ao local, por fora é uma fachada elegante, na entrada havia uma bela fonte luminosa, descemos da limusine e seguimos pelas escadarias e meu coração acelera, logo estarei de cara com resto da turma e provavelmente com Koushiro-kun, não saberei como agir depois de tudo.

Como se tivesse lido meus pensamentos, Mimi-chan enlaça nossos braços, não sei o porque mais aquilo me deu um ânimo a mais, uma coragem, ainda era difícil de respirar, mas juntei forças e seguimos a diante.

Quando as portas se abriram e adentramos o local, um arrepio estranho percorreu por todo meu corpo, era como se algo soprasse em meu ouvido para que desse meia volta e eu travei no mesmo local, de onde estávamos só dava para ver a pista e as mesas nas laterais, haviam muitas pessoas, jovens, animadas, a música era alegre, mas…

Ah, que se dane, não posso viver para sempre na coleira que Kaiser me colocou. Me enchi de coragem e desci as escadas, um pouco desorientada com tantas pessoas em um lugar só, luzes coloridas, música, perfumes variados, não demoramos a chegar na mesa onde os rapazes já estavam, Yamato girou os olhos ao me ver, mas continuou na dele, Iori-kun fez uma expressão surpresa, como se aquilo fosse um milagre, Takeru-kun abriu um sorriso largo e se levantou puxando uma cadeira para que eu me sentasse ao seu lado, mal eu sentei e Daisuke já veio com a pérola.

— Ue? Cadê o namorado? Pensei que vocês não se desgrudassem mais. — Fez um tom brincalhão.

— É como você vê… — Levantei minha bolsa de mão. — Não está na minha bolsa.— Respondi a altura e de certa forma foi até bom para quebrar o climão estranho.

— É bom te ver, magrela! — Ele respondeu me dando um soquinho no ombro.

— É bom te ver também.

As meninas também cumprimentaram e se sentaram, Joe não estava na mesa, mas Takeru-kun informou que breve ele chegaria com o irmão, então a pessoa a qual eu temia encontrar cara a cara chegou junto com os irmãos Kido, nos levantamos para cumprimentá-los e eu realmente estava com tanta vergonha que nem sei se parabenizei o Shin-kun corretamente.

Todos nos sentamos e as conversas giravam em torno de assuntos os quais eu não estava por dentro, a impressão que eu tinha era que havia estado longe daquele grupo há anos e agora já não me cabia mais alí. Tentei me distrair olhando para a pista ou trajes das pessoas desconhecidas, aquilo estava sendo extremamente desconfortável. Mimi-chan iniciava assuntos corriqueiros na expectativa de me inserir, mas era nítido que todos estavam pisando em ovos para não mencionar o meu namoro.

Outra coisa que me deixou inquieta era sentir o olhar de Koushiro-kun sobre mim, sei que ele jamais faria isso de propósito, sua boa educação nunca permitiria, era algo natural, inevitável, creio eu, entendo muito bem, o fiz passar por tantos sofrimentos e se bem o conheço sei que ele ainda busca respostas, as quais eu não posso dar.

Mimi-chan me arrastou para a pista e dançamos algumas músicas, na mesa eu não consegui comer nem beber nada, meu estômago estava dando nós, me sentia uma traidora alí no meio, queria me despedir e ir embora, mas acho que seria bem pior.

Em um certo momento Jun Motomiya, irmã de Daisuke veio até a mesa, ela tinha a pintura de uma clave de solo colorida, fluorescente, em uma das bochechas e usava um traje chamativo, expondo a barriga.

— Jun, o que está fazendo aqui? — Daisuke se exaltou ao ver a ruiva. — E essa roupa? Você está se prostituindo? — Lançou outra pérola e recebeu um, estalado tapa, da mais velha.

— Não seja burro, eu sou a DJ, seu pastel! — A garota esbravejou, enquanto o outro esfregava o local da pancada.

— Desde quando você sabe fazer isso? Nossos pais sabem disso?

— Desde muito tempo e nossos pais não sabem e nem vão saber, estou juntando uma grana para sair de casa e ser independente.

— Deixem os casos de família para depois, senta com a gente Jun-san. — Mimi-chan é quem convida e Yamato se encolhe por não ter boas lembranças da moça.

— Eu adoraria, mas minha pausa está quase no fim, vocês conhecem quem alugou a boate? — Ela coloca as mãos nos quadris.

— Ah, foi para comemorar a formatura do novo médico do Japão, meu cunhado, Shin-kun! — Mimi-chan aponta dos dois indicadores para o cunhado.

— Hmm! Parabéns Shin-kun, vai ser o que ginecologista? — Jun pergunta sem rodeios e todos ficamos chocados, Shin-kun cora na hora e se engasga causando graça na ruiva.

— Clínico geral, Motomiya-san. — O coitado se explica ainda corado, quase a beira de um desmaio.

— Ah, que pena, perdeu uma cliente. — Cantarola zombeteira e dessa vez todas coramos por vergonha alheia.

— Diz que eu estou tendo um pesadelo. Chibimon me acorda, pula na minha cabeça. — Daisuke dramatiza jogando a cabeça contra a mesa.

— É bem real amigo! — Takeru-kun pentelha o ruivo, pousando uma mão em seu ombro.

— Bem, minha pausa já acabou, vou voltar ao trabalho. — Anuncia Jun acenando com a mão.

— Nunca deveria ter saído de lá. — Resmunga Daisuke arrancando risinhos de todos.

— Hey, Motomiya-san? — Shin-kun chama e todos paralisamos surpresos, Jun para onde está e olha por cima do ombro. — DJ pode dançar? — Todos abrimos a boca em um “O”, com a investida dele.

— No final da festa, sim. Isso é um convite? — Ela pergunta risonha e Daisuke se afunda na cadeira, escorregando o corpo.

— Bom, err… Se você quiser, e… — O mais velho dos irmãos Kido se atrapalha.

— Ta valendo, doutor. Senta e espera que eu volto pra te conceder a sua dança.— Jun manda um beijo no ar e volta rebolativa para assumir seu posto.

— Acho que aquela consulta ginecológica vai ser a primeira da carreira do Shin-kun, mesmo ele sendo Clinico. — Taichi solta e leva um chute de Hikari.

— Oniisan! — A castanha repreende, mas ninguém resiste e começa a rir, menos Daisuke.

Aquela cena serviu para tirar um pouco do peso que estava sobre os meus ombros, consegui rir por algum tempo e até trocar alguns cochichos com as garotas, mas ainda estava desconfortável com o olhar de Koushiro-kun que estava alheio a todos os acontecimentos.

Uma musica animada se inicia e Daisuke sai com Sora-san para a pista, Hikari-chan sai com Iori-kun, meu coração apertou com a possibilidade de ficar sozinha na mesa com meu ex namorado, mas felizmente Takeru-kun me chamou para dançar. Estava sendo divertido, dançamos umas duas músicas, só focados em acertar o passo, como somos vizinhos e já jogamos muito Just Dance, posso dizer que nós dois, modestamente falando, arrasamos.

A Jun-san é ótima DJ, em que outra festa ia rolar um mix com Vocaloid, Takeru-kun e eu trocamos um sorriso cúmplice, algumas pessoas pararam para ver nossa coreografia, outras até filmaram, espero que não postem nas redes sociais. Ah, dane-se eu só estava dançando com meu amigo e vizinho como nos velhos tempos, aquilo estava me fazendo muito bem, creio que há tempos não me sentia assim tão feliz, tanto que sorri involuntariamente durante toda coreografia.

Quando chegamos ao fim, fomos aplaudido e demos um toque típico de quando dançavamos so shopping, a música mudou para uma mais calma e não saímos da pista, continuamos dançando, na boa eu nem queria mesmo voltar pra mesa, estava mais segura alí.

Estava me distraindo bastante, curtindo a noite até dançando One Way Or Another, do One Direction, eu estava bem mais tranquila, começando a crer que nem foi má ideia, mas o destino não pode me deixar quieta e no meio da dança Mimi-chan nos para e pede troca de par, já saindo arrastando Takeru-kun, só que quem estava com ela era exatamente quem eu evitei encarar a noite toda. Pra ele ficou evidente que aquilo foi surpresa também, pois congelamos sem saber como reagir

Para piorar começou a tocar a nossa música Time After Time, da Ashley Tisdale, eu não tinha ideia de como reagir, tampouco ele, mas se aproximou e fez menção de colocar as mãos em minha cintura e eu não consegui negar, embora devesse. Quando senti seu toque foi algo tão estranho, desconfortável, como se eu estivesse cometendo um crime, fazendo algo muito errado.

Nunca me senti tão mal em toda minha vida, não consegui encará-lo, não queria que me tocasse, mas porque? Nada do que eu fiz foi intencional, isso é culpa? Não, não é só isso, porque me sinto como se isso estivesse errado, esse momento, esse toque? Meu Kami! Como posso me sentir assim? Estou agindo como se eu pertencesse a Kaiser, como se o tivesse traindo? Que absurdo é esse? O que se passa com a minha mente, com meu corpo?

A música continua a tocar e Koushiro-kun me puxa pela cintura e cola nossos corpos, consigo sentir seus batimentos e meu peito aperta meu estômago se revira, sinto um pânico crescendo dentro de mim. Aquele dia depois do jantar quando Ken me imprensou contra parede ou aquele dia da massagem, eu não senti nada disso, na verdade eu estava rendida, queria mais daquele contado, mas isso está tudo errado, está ao contrário? Como posso inverter meus sentimentos assim? Porque? O que está acontecendo comigo?

Minha cabeça gira e eu não posso aguentar mais, seu perfume, seu toque, seus batimentos, sua respiração… Paro, retiro bruscamente, suas mãos da minha cintura e finalmente o fito nos olhos, ele está confuso e triste, me sinto péssima por ser a causadora disso.

— Desculpe, eu não posso… Não posso!

Saio empurrando todos que estão em minha frente, ouço algumas reclamações, mas nem processo direito. Porque eu fiz isso? Porque está acontecendo? Eu só consigo chorar e tentar subir as escadas que levam para fora, saindo deixando trilhas de olhares confusos, a minha vida está de cabeça para baixo e eu só quero correr e não ter que parar nunca.

Quando saio fora da boate e vou descer as escadas uma chuva está começando a cair, de forma que os degraus estão escorregadios e na tentativa de me equilibrar eu acabo quebrando o salto e machucando o pé, indo parar no chão, sendo prontamente amparada por dois seguranças do local, tenho a breve percepção de ouvir eles me perguntando se estou bem, mas não consigo responder só choro.

— Miyako-san? — Ouço a voz de Koushiro-kun. Ah, que treva!

— Estou bem, posso ir embora sozinha. — Declaro entre lágrimas, desejando que ele suma e me deixe em paz. Sei que não tem culpa, a única culpada sou eu, a doente nessa história toda, eu estou com nojo de mim, decepcionada com o que sou. — Me deixa em paz, por favor.

— Hey, podem me ajudar a levar ela até o carro? — Ele me ignora e pede ajuda, já me erguendo no colo e mesmo tão desorientada eu noto algumas pessoas na porta do local tirando fotos com o celular. Merda!

— Olha, dá pra chamar a Mimi-chan, minha bolsa está lá dentro e ela pode me levar.

— Já dei o numero da mesa, o segurança vai trazer, não se preocupe estou com carro do meu pai, tenho um kit de primeiros socorros lá, podemos fazer um curativo no seu pé.

— Que treva! — Resmungo emburrada, no colo dele sendo levada para o seu carro e gente fotografando, que beleza, eu sabia que isso ia acabar mal, mas não pensei que fosse ser tanto, mas também sou uma burra mesmo, pensar que o Kaiser não ia ficarem sabendo, agora que sou sua “suposta namorada” todo mundo sabe quem sou. Ai Kami, como vou sair dessa?

Eu queria gritar, espernear, chamar a Mimi-chan para me levar para casa, mas fiquei paralisada, atônita, vendo as pessoas cochichando e fotografando, quando me dei conta já estava sentada no banco do carona do carro do Sr.Izumi e Koushiro-kun pegava uma maletinha e começava a limpar o ferimento no meu pé, ele limpou carinhosamente e fez o curativo, o sapato estava quebrado, eu estava em pânico.

— Pronto Miyako-san, não demorou tanto, foi algo bem superficial. Agora poso te levar para casa.

— Obrigada, mas eu vim com a Mimi-chan e devo voltar com ela. — Anuncio emburrada, as coisas já estão ruins e eu não quero que piorem.

— Você vai querer tirar sua amiga da festa sabendo o quanto ela adora tudo isso? Não se preocupe, eu te levo. — Ele insiste não me dando opção.

Me ajeitei no banco do carro coloquei o cinto, se tivesse sorte chegamos em casa logo, mas sorte é o que eu menos estava tendo aquela noite e a chuva se tornou mais intensa o obrigando a parar e encostar o carro em um local seguro, definitivamente aquilo era a treva! Apertei minha bolsa o mais forte que pude e fixei meu olhar na janela vendo a chuva cair agressivamente.

— Não precisa ter medo de mim, Miyako-san. — Koushiro-kun inicia o assunto, como eu temia. — Ou você está com medo do que pode acontecer por estar aqui comigo.

— Não estou com medo, só não queria estar aqui.

— Não queria? Assim do nada? O que eu fiz pra você, o que o pessoal fez? Você perde seu parceiro e do nada se torna outra pessoa, agindo de forma que vai contra tudo o que você é.

— Sem o Hawkmon não tem o que me liga a esse grupo. Simples assim. — Minto na tentativa de que ele me deixe em paz.

— Não vai me enganar com isso. Nada está batendo desde a chegada de Ichijouji Ken, o sequestro de Hawkmon, que inclusive nunca mais tivemos noticias, não sabemos o que Kaiser fez com ele afinal, mas e você, sabe? Não é estranho que tudo isso esteja conectado, precisaria de uma grande mente para invadir redes, expor segredos e ainda me jogar a culpa, quem me odiaria tanto e porque?

— Eu não sei te responder nada disso. — Olho para os meus pés.

— Não sabe ou não pode? — E sua mão busca a minha e eu fico sem chão. — Aquele dia no colegio eu bati no seu namorado, o acusei e você correu pra mim, me estendeu a mão, disse que acreditava em mim, aquilo foi importante demais Miyako, foi algo em que me agarrei nos momentos difíceis.

— Koushiro-kun, aquele dia eu… — Eu não tinha como explicar minha atitude, foi impulsiva vendo tanta injustiça. — Só não acreditei que fosse você.

— Porque você sabe a verdade e não pode dizer? — Ele segurou meu rosto, me forçando a encará-lo. — Sabe que Ichijouji Ken e Kaiser, são a mesma pessoa, que decidiu nos destruir no mundo real, nos abatendo para que nos tornemos fracos e impossibilitados de agir no Mundo Digital. — Droga, entrei em desespero, tentei virar o rosto, mas ele me impediu. — É isso, eu sabia, sempre soube desde o primeiro dia quando ele me olhou nos olhos e me humilhou diante do colégio inteiro e seguiu de mãos dadas contigo como se levasse um troféu.

— Me desculpe. — Foi a única coisa que consegui sussurrar de volta.

— Não se desculpe, você é a vítima… — Com a outra mão correu nos dedos pelas minhas bochechas. — O que esse louco tem feito com você, Miyako-san? Ele está te ameaçando? Está usando Hawkmon para te obrigar a obedece-lo? Eu vou encontrar uma forma de libertar vocês, o que Ichijouji Ken está fazendo contigo é um crime e ele vai ter que pagar por isso.

Essas palavras me abalaram e me assustaram demais. Sim, com toda certeza era um crime, mas eu conhecia a mãe dele, na verdade eu não sei se estaria disposta a denunciá-lo perante a lei do nosso mundo quando tudo isso acabar, porque uma hora vai ter fim, não é? Eu vou ter Hawkmon de volta e minha vida vai seguir normalmente.

— Eu sinto tanto sua falta, Miya, todos nós sentimos. — E ele começou a falar sobre várias coisas que compartilhamos, nossas musicas, jogos, filmes, as pesquisas e eu?

Minha cabeça estava a mil, tantas coisas se passavam ao mesmo tempo, eu não conseguia processar, era estranho me lembrar de tudo aquilo dava um gosto de nostalgia, me fazia querer chorar, mas era como se eu tivesse seguido adiante e as coisas não fossem mais como antes. Kami, eu mudei nesse período e se Kaiser estiver certo e eu for mais parecida com ele do que imagino.

Me perco pensando, questionando minhas atitudes, minha mentalidade e comportamento antes e depois de tudo isso e… Eu debochei e humilhei a Hino diante da escola inteira, ri do pânico que Bakemon fez com ela, eu me aproveitei da fraqueza de Kaiser e me diverti às suas custas, mostrando a ele que não sou tão boba quanto pensa, agora quando penso nos planos para o futuro que eu fazia com Koushiro-kun, eu repudio a ideia. O fato é que toda essa experiência com Kaiser me transformou em uma outra pessoa e eu estou assustada.

— Nós vamos libertar vocês das garras desse doente e tudo voltará a ser como antes. — Desperto dos meus questionamentos, com a fala de Koushiro-kun. me dou conta de que nossa proximidade é mínima e um desespero toma meu peito.

Ah Kami, eu queria ser salva de alguma forma desse momento, ele queda a cabeça contra meu pescoço e inala meu perfume e eu arregalo os olhos apavorada e tento me afastar, esse contato me causa um profundo incômodo, um nervo, tanto que me encolho mais contra o banco.

— Sinto muito a sua falta, Miyako-san.— Fala contra o meu pescoço e eu sinto ganas de lhe acertar uma bolsada na cabeça.

— Koushiro-kun, não é uma boa ideia. — Reclamo me contorcendo, tento me esquivar do toque, mas sem magoá-lo.

— Você deve estar com medo daquele psicótico, não é? — Ele arrasta o rosto pelo meu pescoço e beija minha bochecha carinhosamente e eu me sinto enjoada. — Você está segura, ele não é onipresente. Eu prometo que vou te libertar dele.

Dito isso ele sela nossos lábios em um contato que me deixa aturdida a principio, mas quando sua língua pede passagem na minha boca foi a sensação mais horrível que eu poderia sentir, como se estivesse sendo violada, óbvio que nunca, Koushiro-kun era um príncipe, porque me senti assim eu não consigo entender, mas não pude me conter e o empurrei com todas as minhas forças.

— PARE! NUNCA MAIS FAÇA ISSO!

Ficou um clima estranho, ele me olhava tentando decifrar minha atitude enquanto eu também tentava decifrar o que aconteceu. Entrei em um profundo desespero, mas não podia sair naquela chuva ainda com o pé machucado. Abri minha bolsa e peguei meu celular começando a ver as fofocas que já circulavam pela internet, fotos e vídeos sobre mim, dançando com Koushiro-kun e depois ele me carregando no colo. Ah Kami! Minha vida acabou, estou profundamente ferrada, Hawkmon então, porque aconteceu isso, as coisas estavam indo bem, eu acho, mas agora.

Iniciei uma profunda crise de choro que deixou meu ex namorado sem saber como agir e não tinha nada que ele pudesse fazer, não tinha como sair com o carro naquele momento, não tinha como conversar comigo e eu entendo seu espanto.

Quando, finalmente podemos sair do lugar, já passava de quatro horas da manhã, eu já tinha ligado para os meus pais informando a situação e quando cheguei em casa minha mãe me recebeu preocupada, mas eu nem dei explicações e fui direto para o meu quarto, me jogando na cama, chorei mais algum tempo confusa com tudo o que houve, com o que estava acontecendo com meu corpo e minha mente, em seguida tentei contato com Kaiser, talvez ele me enviasse coordenadas e brigasse comigo agora mesmo ou me deixasse explicar, tentei por e-mail, por celular, mas ele me ignorou completamente, me deixando mais agoniada.


POV Kaiser

Após aquela quinta que fomos ao dentista, decidi mandar Bakemon para o colégio no meu lugar e me focar, incessantemente, nos meus estudos, cada momento que tinha eu vinha conseguindo um pequeno êxito e agora só precisava ficar quieto no meu canto, nada de pensar em Inoue, nem em outra coisa, meu foco estava em aprimorar meu Anel.

Acabei entendendo que precisava ampliar aquele formato então decidi fazer uma espiral e, criativamente, chamei de Espiral Negra, fiz alguns testes de energia e constatei que a espiral era equivalente ao poder de quatro Anéis Negros combinados, com essa dosagem extrema os Kanzetais se tornariam meus escravos facilmente.

Me estiquei em minha cadeira e me espreguicei, minha cabeça latejava e meus olhos doíam já embaçados, devido a tanto esforço, quando pedi algo para comer Wormmon veio dando uma de preocupado.

— Ken-chan, você está mexendo com isso desde quinta a noite mal parou para comer e tomar banho, nem dormiu, se continuar assim vai ficar doente. — Cantarolou com aquela voz fina e irritante de Teletubbies.

— Ah, para de me encher, mande a Inoue me trazer algo para comer. Vou tomar um banho. — Olho mais uma vez para minha obra de arte e desligo a tela, orgulhoso, me levantando.

— A Miyako-san não está aqui, hoje é sábado e você disse que queria ela bem longe para não te atrapalhar. — Informa normalmente.

Ah, é verdade, ainda estou confuso precisando de descanso, mas agora eu quero vê-la, talvez lhe peça uma massagem ou sei lá.

— Vou tomar um banho, peça ao Monitarmon para abrir comunicação com ela e ordene que ela venha imediatamente. — Passo as ordens e sigo para um banho.

Enquanto estou no banho penso na cara que Miyako vai fazer quando vir minha nova criação, vai ver que estou a um passo da vitória e de expulsar seus coleguinhas idiotas de uma vez por todas daqui. O que ela dirá? Sorrio com a expectativa.

Saio do banho, me seco e visto algo confortável, melhor receber a massagem antes de dar a notícia porque depois ela deve ficar bem irritada, com certeza vai ser uma noite muito divertida. Me sento na cama enquanto seco meus cabelos com a toalha e ouço a porta se abrir, giro meu tronco na expectativa de vê-la, mas me deparo com Wormmon.

— Ken-chan, a Miyako-san não pode atender agora e eu acho que você não vai gostar de saber, mas a moça da Sinceridade está no quarto dela e parece que está arrumando ela para sair.

— O QUE? — Me levanto jogando a toalha longe e minha fome passa na hora. — Aquela piranha americanizada, não vai se atrever a mexer com as minhas coisas. — Quase atropelo Wormmon e disparo para minha sala de controle, ligo todas as câmeras do quarto de Inoue, não posso acreditar no que estou vendo.

Minha única saída é enviar uma mensagem no celular de Inoue, mas quando ela se levanta para ir até ao espelho que da para ver o corpo inteiro, a puta de cabelos rosados pega o celular e deleta minha mensagem, dando um sorriso de canto. Ah, mas ela não sabe com quem está lidando!

Não parece ter algo que eu possa fazer para impedir que ela saia com essa cadela, ando de um lado para o outro, tento pensar em algo, mas nada me vem a cabeça. Uma coisa eu devo admitir, Miyako ficou linda naquele vestido, embora eu prefira seus cabelos soltos e naturais. Me deixa ainda mais irritado imaginar para onde e com quem, elas estão indo.

Aproveito o momento em que elas saem do quarto para conversar com as irmãs de Miyako e abro um portal enviando Bakemon para que fique de olho nela e me transmita tudo com sua câmera, que acoplei no Anel Negro. Assim que chega no local ele se torna invisível e pronto para cumprir seu papel.

— Ken-chan, você precisa comer alguma coisa, mandei o Guardromon trazer. — Ouço Wormmon choramingar, mas estou focado nas imagens da câmera de Bakemon.

Guardromon entra e coloca uma bandeja sobre a mesa, contendo dois sanduíches naturais, barras de cereal e suco natural, como em modo automático prestando a atenção em toda aquela palhaçada.

A limousine em que se encontram passa para buscar as outras piranhas escolhidas, primeiro a Mary Sue da luz, depois aquela ruiva esquisita. Bem que eu não tive um bom pressentimento sobre essa Tachikawa, as coisas que ela fez, jogar calcinhas para estudantes e rir de suas reações, entre outras coisas, essa garota é podre.

Finalmente elas chegam na tal festa, a princípio Izumi não estava entre os amigos, ouvi quando o ruivo pela-saco perguntou por mim, ah seu imbecil, em breve vamos nos encontrar, no dia da sua derrota!

Não demorou muito para o imbecil do Izumi se fazer presente e ficar babando feito um retardado, na minha namorada, só olha e baba mesmo porque essa você perdeu para sempre seu nerd babaca.

A festa vai passando com vários assuntos e acontecimentos sem importância, mesmo assim não queria que Miyako estivesse entre eles, ela não faz mais parte disso, é minha e é aqui comigo que deveria estar, por vários momentos penso em me arrumar e ir buscá-la, trazê-la para cá, mas isso me causaria muitos problemas, explicações para dar e dores de cabeça.

Os digimbecis começam a ir para a pista de dança e não demora a fada loira chamar Inoue para dançar, ela abre um sorriso e aceita. Os dois acabam chamando a atenção com as coreografias que fazem, eu vi nos arquivos de Miyako que ela costumava fazer parte de competições de jogos de dança e isso explica a desenvoltura.

Até ai tudo bem, mas o que veio em seguida já me fez arremessar a bandeja em um dos monitores o estilhaçando totalmente. A vadia da sinceridade teve o desplante de tirar Izumi para dançar só para fazer troca de pares com a Miyako, meu sangue ferveu na hora em que vi aquele bastardo colocar as mão na cintura dela, me levantei furioso me controlando para não ir lá, para não ordenar que Bakemon o matasse alí mesmo.

— Calma, Ken-chan, não vá fazer nada que venha se arrepender, lembre-se do que houve da última vez que você ficou com ciumes da Miyako-chan, assim. — Wormmon se intromete quando eu estava prestes a dar uma ordem para Bakemon.

— O que você disse? — Me viro e o encaro incrédulo com sua petulância.

— Estou falando sobre a dimensão sombria, ela ter se perdido por lá e depois voltado daquela forma deplorável e…

— Estou me referindo a essa palhaçada de dizer que eu estou com ciumes? Eu não tenho ciumes daquela gralha maldita!

— Ah, não? Eu só pensei, o Hawkmon também achou que estava rolando um climinha entre vocês.

— Rolando um clima? Era só o que faltava, ter um monte de dados inúteis como vocês, se metendo a entender alguma coisa. Cale a boca antes que eu te bata!

Quando me viro para a tela vejo Inoue empurrando o ex namorado e saindo correndo de lá, ela parecia confusa, mas ao menos não deixou aquele absurdo continuar. Isso mesmo garota saia daí o mais rápido possível e pegue um taxi para casa, talvez eu nem te castigue.

Para meu profundo desespero Miyako acabou escorregando, quebrando o salto e machucando o pé, mas pareceu ser algo simples, obvio que veio o verme ruivo dar uma de príncipe encantado, teve a ousadia de pegá-la no colo e informar que a levaria para casa, para mim era nítido seu desespero para ficar sozinho com ela.

E minha intuição estava certa, eu já tinha roído todas as unhas e quebrado doa parte das coisas que estavam sobre a minha mesa, ela estava lá sozinha com aquele imbecil e pior, a câmera que Bakemon estava usando começou a dar interferências devido a tempestade. Izumi deu uma de médico e fez o curativo no pé de Miyako que parecia estar bem desconfortável ali.

Seguiram rumo a casa de Inoue, mas com a intensidade da chuva tiveram que parar no meio do caminho, procurando um local para estacionar. Ela estava nervosa e encolhida contra o banco. Eu sabia que aquilo não ia acabar bem, tentava pensar em uma forma de parar com aquilo, mas a chuva, a distância e o problema da falha de sinal, estavam me deixando louco, sem capacidade para pensar em algo.

Izumi começa a puxar assunto, falar que sabe que Miyako está sendo chantageada e que tem conhecimento sobre minha verdadeira identidade, prometendo arrumar uma forma de libertá-la. Nunca, seu fracassado, perdedor, não vai tirá-la de mim, nunca!

Ele a abraça e afunda o rosto contra o pescoço dela, para mim já chega, me levanto e alcanço o comunicador, vou acabar com essa palhaçada agora e ordenar que Bakemon desmaie esse imbecil.

— Bakemon… — Chamo, mas só ouço ruídos. — Droga, Bakemon!

— Ken-chan, o sinal está com interferências.

— Ordene aos monitamons que estabeleçam contato agora! — Dou o comando e Wormmon sai para a sala de monitoramento.

A conexão começa a falhar, a tela parecendo chuviscar. Me desespero andando de um lado para o outro, com ambas as mãos nos cabelos, eu não posso permitir que esse imbecil a toque dessa forma e Bakemon não me ouve.

— BAKEMON! BAKEMON! — Grito tão alto que ecoa por toda a base.

Entro em choque com a visão seguinte, Izumi a beija e meu mundo simplesmente para, a comunicação se perde de vez junto com a imagem e a tela se torna escura, fico olhando para o monitor, sem capacidade de raciocinar, quando volto ao normal arremesso um dos teclados sobre a tela, mas não é o suficiente e começo a quebrar tudo o que vejo pela frente. Como eu não pude impedir? Porque ela não evitou? Claro que não, ela o ama… Ama aquele imbecil, tem esperanças de ser salva por ele.

As palavras daquele Digimon inútil vem em minha memória. “Sabe que quando ela voltar ao normal, voltará a te odiar e desprezar? Antes eu te odiava, mas agora eu sinto pena, porque a Miyako-chan nunca vai te amar.”

— EU NÃO ME IMPORTO! NÃO ME IMPORTO… NÃO ME IMPORTO!

Tudo o que aconteceu entre nós aqueles trinta dias foi uma alucinação da mente dela, mas o que ela sente por Izumi é real e eles estão juntos agora e eu aqui impotente, colocado de lado, isso eu não posso aceitar, não posso permitir, mas não há nada que eu possa fazer.

Descarrego toda minha ira, quebrando tudo o que posso e não posso evitar que as cenas dos momentos que passamos juntos invadam minha memória, a impressão que eu tenho é que convivemos por anos e que antes dela não existia nada, as cenas se misturam, momentos no colegio, momentos aqui na base, todas as suas expressões, brava, ofendida, envergonhada, serena enquanto dorme, triste, desesperada, preocupada… Como podemos passar por tantas coisas em tão pouco tempo?

— EU NÃO ME IMPORTO!

“Sabe que quando ela voltar ao normal, voltará a te odiar e desprezar? Antes eu te odiava, mas agora eu sinto pena, porque a Miyako-chan nunca vai te amar.” Essas malditas palavras ecoam em minha mente, um misto de sentimentos e pensamentos se misturam e são informações demais, não consigo lidar com tudo isso.

Já não tenho forças para quebrar mais nada, meu peito dói e aperta como se eu não pudesse mais respirar, meus olhos ardem e as lágrimas caem sem permissão, ando em meio aos destroços das coisas destruídas, seco os olhos e ligo os monitores. Não dá mais para dizer que não me importo, eu me importo. Toda essa dor que conheci por culpa dela, vou dar tudo em dobro.

Duas telas são ligadas, uma delas apresenta a imagem da minha nova criação a Espiral Negra, na outra a imagem do momento em que aquele bastardo a beijou. Traidora desgraçada, não vou deixar que as coisas fiquem assim, vou testar meu brinquedinho novo em um dos seus velhos amigos. Digito uma busca pela localização dos parceiros dos veteranos e na tela aparece o dinossauro amarelo, Agumon.

Você pode me destruir por dentro sua vaca traidora, mas se prepare para as surpresas que vou preparar para nosso próximo encontro, eu sei que muitos esperam que eu ataque o Tentomon, mas eu não gosto de ser tão previsível assim, de qualquer forma, no final todos estarão sob o meu controle e você, Inoue, vai estar aqui comigo por bem ou por mal, porque você é minha e não tem como mudar isso.