Inimigos Íntimos
28 Massagem provocante
Pov Miyako
— KYAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH…
Gritei extravasando minha raiva, Wormmon e Hawkmon me olhavam com gotinhas na cabeça, enquanto Kaiser, deu de ombros, pegando o prato com o sanduíche e o levando até a boca, mastigando numa calma extremamente irritante. É a treva! Como se já não bastasse limpar toda a sujeira que fez durante a minha ausência, fazer um lanche para comer, ainda tenho que ficar aqui em sua companhia para responder às suas fãs, aff, tem como ficar pior?!
— Ah, mais uma coisinha, aquela pilha ali do canto. — Me indica com a ponta do dedo, ao mesmo tempo que tomava um pouco de suco. — São as especiais, pode fazer por último e quero que leia para mim em voz alta. — Alargou um sorriso sacana.
A vontade que eu tinha de mandar esse cretino para o inferno era grande, cheguei a abrir a boca para fazer isso, na hora olhei para Hawkmon e me lembrei que não podia ser impulsiva. E o que me resta fazer? Sentar e ler o que as garotas do Japão inteiro acham dele. Ai Kami, porque tudo o que é bom dura pouco?! No dicionário do Kaiser, algo especial é igual a bomba, ler cartinhas de fãs era tudo o que eu menos desejava para acabar a minha segunda feira.
Suspirei olhando para aquele monte de coisas, fui abrindo algumas cartas, me deparando com montagens de fotos, corações e vários “eu te amo” ou “você é o ar que respiro”; parte de mim sentiu pena dessas garotas, eu era como elas delas a certo tempo, alimentava uma falsa ilusão sobre o ídolo, fazia as mesmas montagens, desperdiçava tempo escrevendo fanfictions, para no final descobrir que ele é esse demônio que só faz mal a todos em sua volta. Ah, se soubessem quem realmente é Ichijouji Ken, certamente não lhe mandariam mais nada.
Em pensar que um dia fui uma delas… Ah, se arrependimento matasse…
Quando finalizei a primeira leva de cartinhas, Kaiser pediu para abrir os presentes. Tinha de tudo um pouco, fui mostrando a ele e nem parecia dar bola, estava mais preocupado em comer o seu lanche do que qualquer outra coisa. Sabe a pena que antes sentia? Ela simplesmente foi dando lugar a nojo, uma coisa é mandar doces ou ursos de pelúcia, cartas quilométricas com declarações de amor, mas mandar lingeries de todos os tipos e cores, é o cúmulo da decadência!
E quem disse que isso acabou? Depois dos presentes, tive que ler as cartinhas especiais, ah, eu só posso ter atirado pedra na cruz, não é possível! Essas fãs são mais sem noção do que eu imaginava, pior do que mandar lingeries, é nudes e contos eróticos, nos quais elas realizavam todas as suas fantasias pervertidas.
Vergonha alheia demais, tinha umas cartas que não davam coragem de ler, Kaiser percebia e aí sim me obrigava a ler com um tom de voz mais meigo, só para tirar sarro às minhas custas. Senti as minhas bochechas esquentarem, Hawkmon e Wormmon me olhavam com expressões de dúvidas, nem ousaram perguntar, ainda bem, porque aquilo era constrangedor demais.
Para minha alegria, os contos eróticos acabaram, já estava comemorando, pois não precisaria mais ter que ler aquelas coisas. Tomei um copo d'água e segui com a leitura, era um pedido de casamento, tive que rir, coitada, mais uma iludida achando que ele é o mister perfeição, Pff, sabe de nada.
Minha alegria acabou a partir do momento em que veio as cartas de fãs que pareciam revoltadas com o nosso namoro, mais especificamente, falando mal de mim, umas diziam que eu “era uma tábua de passar roupas sem nenhum atrativo”, “deveria voltar para o zoológico, na jaula das antas”, e o pior de todos, “oportunista sem conteúdo algum, que só queria se aproveitar da fama dele para ser alguém na vida.”.
Kyaaaah! Quem essas idiotas pensam que são?! Eu senti o meu sangue todo se concentrar nas bochechas, trinquei os dentes e simplesmente rasguei, com fúria, cada uma daquelas cartas. Que ódio! Como eu queria saber quem era cada uma delas, não daria resposta por papel, seria pessoalmente, arrastando a cara no asfalto. Podem me chamar de tábua ou me mandar para o zoológico, agora dizer que sou oportunista, aí eu não aceito, quem é isso são essas fãs, que ficam mandando essas coisas para o meu namorado.
O QUE? EU DISSE MEU NAMORADO?! SÓ POSSO ESTAR FICANDO LOUCA!
Ai que ódio! Sabe o que é pior? Quanto mais furiosa eu fico, mais cartas vou rasgando sem ler, nem quero saber o que elas diziam, foi a gota d’água ser chamada de oportunista. E o dito cujo? o amado ídolo delas? Tá ali na cadeira dele, bem esparramado, rindo feito uma hiena (depois eu que sou a gralha) com uma das mãos na barriga e a outra nos olhos limpando as lágrimas que caiam.
— Isso foi tão divertido quanto ler as suas fanfictions, Miyako-chan. O melhor de tudo foi ver a sua cara de indignada. — Continuou rindo às minhas custas, já eu, toquei todos aqueles papéis para cima, dando um grito, extravasando toda a raiva que sentia. — Acho que você está histérica demais para o meu gosto, será que está com ciumes? Talvez mereça uma punição…
Ciúmes? Quer saber? Chega! Eu é que não vou ficar mais me sujeitando a essa situação. Me levantei, num tiro estava em sua frente, o encarando com fúria, já ele ainda continuava com uma expressão divertida no rosto.
— Faça o que achar melhor. — Dei as costas, chamando Hawkmon para me acompanhar a qualquer lugar, bem longe dali.
Ao bater a porta da sala de controles, só escutei uma gargalhada estridente dele. Praguejei Kaiser por ter me mandado fazer isso, não sei o que é pior, responder as fãs ou ler as fanfictions sobre ele que um dia escrevi; entre essas duas coisas, prefiro limpar mil vezes toda a sujeira de sua base ou fazer algo para comer, é menos ruim do que toda essa vergonha alheia.
Caminhei sem destino pelos corredores, entrei na primeira porta, me deparando com o seu quarto; olhei para porta do banheiro, sabe o que ia cair bem nesse momento? Um bom banho e seria de banheira, acho que só assim conseguiria ir um pouco mais relaxada para casa.
A pergunta que não quer calar, o que vou vestir? Deve ter algo nas suas gavetas que me sirva. A primeira que abri, deparei com algumas coisas minhas, roupas e lingeries as mais velhinhas, que uso mais para andar em casa; cremes, produtos de higiene, escova de cabelo… No minimo ele deve ter trazido quando passei alguns dias aqui por conta do desmaio. O agradeci internamente, por isso.
Peguei um vestido simples na cor rosa e mais os produtos, convidei Hawkmon para me acompanhar, fazia tanto tempo que não tínhamos momentos como esse, tinha que aproveitar ao máximo a sua companhia. Enquanto me despia a torneira ia enchendo, joguei alguns sais de banho e só entrei quando a água estava pela borda e cheia de espuma.
Enfim tinha um momento de relaxamento onde poderia conversar com meu parceiro, fiquei impressionada com as coisas que ele me contou, muita coisa aconteceu e não me lembrava de metade delas. Um sentimento de felicidade tomou conta do meu peito, ao saber que Kaiser não havia mais lhe dado punições, até deu um lugar melhor para ficar, por conta do meu bom comportamento nos últimos tempos.
Tem algo que não estava fechando nessa história toda, o que aconteceu com Kaiser? Desde que acordei até o presente momento, ele vem agindo de maneira muito estranha comigo. Tudo bem, o deboche e o sarcasmo ainda continua, só que tem algo diferente nele, não é em sua aparência física, e sim dentro de si, na forma de me tratar; o desafiei antes e o que fez foi rir, se fosse algum tempo atrás, já teria gritado comigo e dado alguma punição.
Posso estar ficando maluca, mas será que ele… Estaria gostando de mim?! Não, é absurdo demais pensar nisso, Kaiser faz do tipo que gosta de si mesmo e fazer mal ao mundo. Aí é que tá, ele não tem feito nada de ruim, pelo o que Hawkmon me disse, nos últimos tempos as coisas tem andado tranquilas no Mundo Digital, devido a passar mais tempo no mundo real comigo… Ah, droga, como eu queria me lembrar de alguma coisa...
Meus pensamentos foram interrompidos por batidas na porta, falando no diabo...
— Miyako-chan… — Cantarola debochado do outro lado, me dá uma coisa quando ele me chama desse jeito. Acabou a paz.
— O que é? — Berrei puxando a tampinha do ralo, vendo toda aquela espuma descer.
— Olha como fala comigo, me deve mais respeito, sabia!
— Babaca. — Falei baixinho, revirando os olhos, ao mesmo tempo em que me enrolava em uma toalha, para logo após prender os cabelos. — Me dá mais cinco minutos.
— Cinco minutos? Precisa de tudo isso?! Dois minutos é o suficiente.
— Que? Quem se veste nesse pouco tempo?!
— Qualquer ser humano normal se veste em dois minutos, anda logo, seu tempo está correndo. Tô com fome, aquele seu lanche meia boca não tapou nem o buraco do meu dente. — Não creio, é sério isso?
O melhor que tenho a fazer é me arrumar, vai que passe esses dois minutos e mete o pé na porta, e bem, me vê novamente sem roupa. Que vergonha, nunca me esqueci daquele dia, é uma das lembranças mais desagradáveis de minha vida, queria poder esquecer para sempre.
Nem deu tempo de passar creme no corpo, só tive tempo de me secar e colocar o vestido, nisso, a porta abre num solavanco e surge Kaiser, com as suas roupas.
— Te falei que dois minutos era mais do que o suficiente. — Passou por mim e ligou o chuveiro. — Vaza fora daqui, você já teve o seu momento, agora é o meu. E não demora com o meu lanche. — E foi me empurrando para fora, bateu a porta na minha cara, sem ao menos dar tempo de recolher as minhas coisas.
— Grosso. — Bufei, pondo a língua para fora.
Creio que preparando esse último lanche, eu esteja liberada para ir embora. Me animei ao pensar nessa possibilidade, finalmente me veria livre dele. Fomos pra cozinha, Digitamamon havia tirado uma forma de cupcakes do forno, estavam cheirosos e bem deliciosos, roubamos alguns para comer. Fiz um caprichado sanduíche e outro suco, não sou ruim, coloquei uns bolinhos em sua bandeja.
Durante o caminho de volta, nos deparamos com um Guardromon, seguindo as ordens de Kaiser, para levar Hawkmon a sua cela. Dei um forte abraço nele, lhe desejei boa noite e o vi partir pela escuridão; me sinto aliviada em saber que ele se encontra em um lugar aparentemente seguro, fiquei curiosa em saber que local é esse, que tipo de coisas teriam lá?! Será que era pequeno?!
Estava tão perdida em pensamentos, que nem dei conta de que já havia entrado no quarto, só despertei com Kaiser em minha frente, secando os seus cabelos com uma toalha azul, usando apenas uma calça leve de pijama e pés no chão. Meus olhos se perderam nas poucas gotas d’água no seu tronco, segui uma delas com o olhar, começou do pescoço, deslizou pelo peito e terminou no abdômen, se perdendo no início do cós da calça.
Cada movimento que fazia com aquela toalha eu acompanhava, ele estava com os olhos fechados, fazia tão lentamente as coisas, parecendo estar despreocupado. Arfei, respirando ofegante, sentindo todo o calor do meu corpo se concentrar em minhas bochechas. Balancei a cabeça, acordando do transe, e desviei meu olhar para o criado mudo, local no qual colocaria o seu lanche.
Apertei forte a madeira da bandeja, ah não, de novo estava tendo aquelas reações em meu corpo, e dessa vez elas estavam ainda mais intensas. Minha mente está gritando alerta, preciso ir embora e isso vai ser agora.
— Seu lanche está aqui. Creio que não tenha mais nada a fazer, quero o meu Digivice, gostaria de ir embora. — Falei sem olhar em sua cara, não conseguia, isso tudo era constrangedor demais.
Escutei alguns passos, eles pararam bem atrás de mim, senti meus cabelos serem colocados para o lado e sua respiração quente em minha nuca, fazendo com que todos os pelos do meu corpo se arrepiarem.
— Mas você vai assim? Não está se esquecendo de nada? — Sussurrou, com a voz arrastada em meu ouvido.
— Me esquecendo do que?! — Questionei de volta, não me recordando do que seria. Essa proximidade toda está mexendo com os meus neurônios, ele está brincando com a minha mente.
— Acho que aquela pancada te deixou com amnésia, não tem problema, vou refrescar a sua memória.. — Ele me girou bruscamente, pegou as minhas duas mãos e colocou em seu corpo. — E agora, tá se lembrando? — E fitou o fundo dos meus olhos, como se estivesse dizendo essa tal coisa que esquecia.
Ai, meu Kami! Que está acontecendo aqui? Que calor todo é esse que o seu corpo emanava?! São tantos questionamentos, sinto que a minha mente vai colapsar a qualquer momento...
— Inoue, acorda. — Kaiser estalou os dedos na minha cara.
— Que?
— Só estou querendo uma massagem, o que você pensou que fosse? — Ele soltou o meu corpo e se afastou um pouco, colocando a mãos em seu queixo. Deveria estar corada como um tomate, só desejando um buraco para me esconder. — Ohhh, já estava pensando besteira? Mas que mente mais poluída essa sua!
— Eu não estava pensando em nada, e não vou fazer massagem coisa alguma! Quero meu D3, preciso ir embora! Tenho que estudar! — Que absurdo, não faria massagem coisa alguma nele.
— Não, só devolvo o seu D3 depois da massagem. Quanto mais você se enrolar, mais vai demorar para ir embora. — Senta-se relaxado na cama, com os braços apoiados para trás.
É a treva! Como se não bastasse ter que responder aquelas fãs abusadas, tinha que fazer uma massagem nele para conseguir a minha liberdade. Inspirei e suspirei diversas vezes para tentar me acalmar, enquanto isso, ele se deitava de bruços na cama, murmurando alguma coisa de ter deslocado algum nervo em suas costas, pois estavam doendo demais.
Pedi para que se levantasse, pois precisaria que se deitasse no chão para poder fazer a massagem, deu uma resmungada, mas acabou atendendo o meu pedido, esticando um lençol e logo em seguida deitando-se de costas. O porquê disso? Bem, os movimentos para o relaxamento não terão eficiência devido ao colchão absorver toda a pressão, ou seja, meu trabalho todo seria em vão.
Olhei no criado mudo e vi que tinha um óleo para massagem, daqueles que Momoe normalmente usa nos seus procedimentos, com propriedades relaxantes, que penetram no sistema nervoso. Abri a tampa, estava prestes a derrubar um pouco em suas costas, porém, ergueu um pouco a sua cabeça, entendi que era para parar.
— É serviço completo, dos pés até as costas. Trate de caprichar! — Ordenou e virou o rosto para o outro lado, colocando os seus cabelos juntos para tapar, deixando livre para iniciar.
— Já que é assim, pode se virar, vou começar pelos pés. — Anunciei, me ajoelhando e ficando próxima aos seus pés, ele se virou deitando com as costas para baixo.
Deslizei o óleo sobre os pés, bem devagar, esse processo inicial é muito importante, já ajuda no relaxamento nos primeiros contatos; comecei pelas pontas dos seus dedos e seguir até o calcanhar, colocando um pouco de pressão nos movimentos. Repeti algumas vezes essas ações, para logo em seguida trocar o local do pé, sentindo o quanto era macio, não tinha nenhum calo na sola. A massagem é um processo bem demorado, que Kami ouça as minhas orações e esse mala pegue no sono, assim pego meu Digivice e caio fora.
Uma coisa era mais do que certa, nem ferrando que ia fazer massagem no corpo inteiro, se nos pés levei mais que meia hora, no restante levaria no mínimo mais uma hora e meia. Meu tempo tava correndo, quanto mais demorasse para acabar, mais demoraria para chegar em casa.
Decidi pular para as costas, que parecia o lugar que mais precisava ser massageado. Pedi para que ele se virasse de barriga para baixo e prontamente atendeu o meu pedido, de joelhos fui me arrastando para trocar de posição, ficando de frente contra o topo de sua cabeça. Só nesta primeira olhada percebi algumas coisas: nódulos de tensão bastante evidentes e levaria um tempo até conseguir relaxar um pouco deles; seus ombros eram um pouco mais largos que os quadris, resultando em costas largas; não tinha arranhões, cravos, espinhas e muito menos pelos.
Coloquei um pouco de óleo em suas costas e espalmei as mãos, só nesse primeiro contato senti os meus dedos formigarem, sua pele era suave, quente e macia. Deslizei suavemente, pela sua coluna vertebral, desde o começo da espinha até o cós da calça, quase parando em seu… Meu Kami amado, o cara pode ser uma peste, mas tem uma bundinha redondinha que dá vontade de apertar.
Mas o que eu estou pensando?! Para de viajar na maionese e foca na massagem!
A maior parte da tensão dele tá toda concentrada nos ombros, isso tudo é reflexo da má postura na cadeira, o que é bastante comum para quem sentra de qualquer jeito. Quer tanto fazer o mal, que não percebe o quão mal faz a si; pensando nisso acabei pressionando com um pouco de força seu trapézio e recebi um grunhido, seguido de algumas reclamações, que estava sendo muito bruta com ele e precisava ser mais delicada.
Idiota, ele ainda não tinha visto o que era força bruta e mostraria isso com o maior prazer! Coloquei um pouco mais de oléo em minha mão e voltei a focar no trapézio, espalhando por toda sua extensão, já fazendo a manobra de amassamento, imaginando como se estivesse sovando um pão caseiro. Suas costas estavam ficando vermelhas e quentes, sentia que relaxava de toda a tensão, enquanto eu, começava a sentir os primeiros reflexos de cansaço por conta dos movimentos, no final quem precisaria de uma massagem seria eu.
Pedi para que deitasse com o rosto reto e fez isso prontamente, afastei os cabelos, deixando seu pescoço com livre acesso. Dessa vez me movimentei com os polegares, deslizando de baixo para cima, da base do seu crânio até o fim de sua cervical, senti um nódulo bem saliente, diferente dos outros, creio que seja alguma inflamação. Girei meus dedos ali, no sentido horário e anti-horário, recebendo um gemido arrastado como resposta.
Oi? Ele gemeu? Sério isso?
— Hmmmmmm, Miyako-chan, faz isso de novo… — Ele pediu com a voz rouca e bem baixa, parecendo ser… Sexy?!
Engoli um pouco de saliva e repeti o movimento, novamente gemeu e pediu para que descesse um pouco mais as minhas mãos, pois tinha um ponto no qual doía demais. Não me impressionei com o lugar da dor, pois ali tinha um nódulo bem tenso, mas sim com a voz arrastada demais… Podia ser coisa da minha cabeça, mas aquilo era erótico demais…
— Mais para direita… Mais para cima… Hmmmm… Isso… Assim... Ah, bem aí… Aaaaaahhh… — Cada comando que ele dava, era seguido de um gemido arrastado e lascivo.
A temperatura subiu de uma maneira tão rápida, parecia que estava uns mil graus nesse quarto. Pela intensidade os movimentos das minhas mãos, suas costas estavam vermelhas e com uma fina camada de suor, fazendo com que o cheiro do gel, juntamente com o perfume que usa, se unissem em um só, ficando ainda mais marcante. O ar se encontrava abafado, quanto mais inspirava e respirava, mais entorpecida ficava com o aroma; e não só isso, além de estar arrepiada da cabeça aos pés, sentia meu corpo inteiro molhado e fervendo, num calor que percorria por toda minha pele e morria em meu baixo ventre, numa concentração insuportável.
Bem que tudo isso poderia ser apenas um devaneio de minha mente, uma doce ilusão, é muito mais real do que imagino; desde a hora em que acordei ao seu lado, o meu corpo vem agindo de forma estranha, como se tivesse um imã, que quisesse a todo o custo me atrair e deixar ainda mais próxima dele.
Me encontrava em um grande conflito interno, de um lado tinha a mente que gritava comigo, dizia o quão errado era sentir essas sensações, me ordenava a parar com aquilo antes que algo acontecesse, pegasse o meu terminal e ir para casa. De outro eram os meus dedos, os quais simplesmente não me obedeciam, iam cada vez mais fundo naquela massagem, tocando em todos os pontos, tentando desfazer os nódulos de suas costas, o fazendo gemer e relaxar em minhas mãos.
As coisas estavam saindo do controle, sentia todas as minhas terminações nervosas formigarem, ansiar por algo a mais, exatamente como na nossa despedida no sábado. Tanto que comecei a ficar trêmula, com extrema dificuldades para respirar, parei o que estava fazendo na mesma hora e coloquei uma mão sobre o peito, notando o quanto estava gelada.
Kami, o que está acontecendo aqui, frio, calor? Eu preciso ir para casa. Assim que notou que os movimentos pararam, Kaiser olhou em minha direção com ar confuso.
— O que foi? Não se sente bem? — Ele se levantou parando de frente para mim, fiquei sem reação, não queria olhar para seu rosto, mas também não queria olhar para o seu corpo, assim tão perto, tão quente. — Você está tremendo? — Segurou em meus braços e esse toque me deixou zonza, o que fez com que ele me segurasse firme, apertando nossos corpos. — Ficou sem comer, novamente? — Soou rouco próximo ao meu ouvido.
— Eu… Eu… Comi, preciso ir para casa, estou com dor de barriga. — Foi a única coisa que consegui pensar no meu momento de desespero. Que vergonha!
— Dor de barriga? — Perguntou com um tom incrédulo e no momento seguinte eu já senti minhas costas atritando-se contra o colchão, abri a boca chocada, pronta para protestar, seja lá sobre o que ele pretendia fazer comigo. — Onde dói? — Ele se inclinou sobre mim, estendendo sua palma contra minha barriga. — Posso devolver a massagem… An? Onde dói? — Eu estava com a boca aberta, chocada, estarrecida, sem a mínima capacidade de falar, o calor de sua mão aquecia por cima do tecido do vestido, se alastrando pela minha pele. — O que foi? Dói tanto que você nem consegue falar, é? Pobrezinha… — Debochado, desgraçado! Eu não conseguia reagir, chutar, arranhar, xingar, deveria cuspir na cara cínica dele, mas só consegui virar o rosto para o lado contrário sem saber para onde olhar, era como se ele soubesse sobre tudo que eu estava sentindo.
— Eu quero ir pra casa. — Sussurrei sem nem saber mais ao certo o que estava falando.
— Não quer nada. — A mão deslizou em círculos pela minha barriga.
Kami, ele tinha razão, eu não queria ir embora, estava tão excitada que meus mamilos doíam, não queria ter que admitir isso para mim mesma, que treva! Os tendões das minhas coxas repuxavam e meu baixo ventre e toda região pélvica queimava, minha vulva se contraia a essa altura minha calcinha estava completamente encharcada. Eu não merecia estar passando por isso, senti vergonha de mim, vontade de chorar.
— Olha pra mim, Miyako! — Ordenou em tom baixo, mas de forma tão autoritária que obedeci de imediato, espera “Miyako” porque? — Responde olhando nos meus olhos. Você quer ir embora? — A mão que estava em minha barriga deslizou para meu seio e as pontas dos dedos passaram sobre a saliência do mamilo que se impunha ao tecido do vestido, me fazendo morder o lábio inferior para reprimir um gemido. — Responda!
— Ken-chan! — A porta é abruptamente aberta e Wormmon adentra o local, fazendo barulho com suas patinhas. Com o susto Kaiser se levanta e eu aproveito para encolher as pernas e rolar para a beira da cama, em seguida pulo no chão e corro para o criado mudo pego meu Terminal e o Digivice e corro para fora do quarto, passando por Wormmon. — Mas o que? Miyako-san?
Não perco tempo em tentar responder, saio pela porta do quarto e ainda posso ouvir Kaiser.
— Puta que pariu! Não sabe bater antes de entrar, desgraça, por isso que eu te bato! — Não soou zangado, na verdade pareceu divertido, dando uma gargalhada vigorosa em seguida.
Apertei minhas coisas contra o peito e corri pelos corredores mal iluminados, quando entrei na sala de controles, segui para a tela que estava acesa, procurei minhas coordenadas e abri o portal; em questão de segundos me encontrava em meu quarto, sentia as minhas pernas tão bambas, que acabei me atirando na cama, nem vi o Bakemon ir embora.
Kami, que clima é esse? O que está acontecendo entre nós? O que aconteceu que eu não me lembro? Porque parecemos tão...Íntimos? Não, não, não pode ser, que tipo de pessoa sem amor proprio eu sou? Sentir todas essas coisas por uma pessoa que só faz atrocidades é vergonhoso demais, eu realmente não sei o que fazer, como agir, eu estou enlouquecendo com tudo isso.
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