Iniciativa Vingadores
1 Projeto Aprovado
Notas iniciais
Finalmente estava ali. O papel em suas mãos parecia leve, delicado; mas o peso de suas palavras ainda retorciam seu cérebro de uma maneira febril, quase saborosa.
Aprovado. Isso era o que o papel dizia. O projeto fora aprovado.
O homem sorriu levemente. Ele não era daqueles que sorria, ou dizia palavras de encorajamento. Ele era daqueles que acenava a cabeça quando aprovava algo, ou dizia ordens de maneira centrada, fria. Mas, neste momento, um sorriso alastrou-se por seu rosto. Nick Fury esperou por este dia desde a tenra idade: trabalhar com pessoas de talento, com tanto potencial, fora algo que sempre quis fazer.
Um revolucionário. Este era um de seus sonhos mais antigos; mas que já estava perto de se concretizar.
– Agente Hill. — ele chamou, sua maneira autoritária voltando para a voz enquanto apertava o botão de chamada. Maria Hill não tardou a aparecer, postrando-se de frente a ele, ereta, obediente.
– Sim, senhor. — ela dizia de forma imparciável, cega. Ela confiava em seu mentor; talvez, até demais. Quaisquer missão que ele lhe entregasse, ela o executaria sem nem questionar.
– O projeto começou. — Maria arregalou os olhos minimamente, mas não pronunciou nenhum som. Aquele era um dia especial para seu chefe; e ela sabia disso — Pode colocá-lo em ação.
– Sim, senhor. — ela disse mais uma vez, e saiu sem olhar para trás. Ela havia participado de muitas missões; quase morrido em todas elas, mas saíra inteira, às vezes por um fio. No entanto, ela sabia que essa missão era diferente das outras. Era algo que o mundo precisava; algo que poderia mudar o rumo de inúmeras pessoas, remanejar o destino de todos. Destino. Uma crença em que ela nunca acreditara.
Porém, a partir daquele momento, seria bom ela começar a acreditar. Pois aquela era uma missão que ela não poderia falhar.
(...)
– Babás! — Tony Stark bradava pela sala de reunião, sem se importar com os olhares contraditórios que lhe lançavam — É isso o que nós viramos! Que decadência, viu? Que grandes heróis nós somos!
Pepper se encontrava no canto da sala, com o telegrama da S.H.I.E.L.D em mãos, olhando para os próprios pés. Desde que terminara com Tony, ela não conseguia mais olhar para seu rosto.
– Desta vez, tenho que concordar com Stark. — Clint dizia enquanto polia sua flecha, sem olhar para os heróis que o rodeavam — Apesar de ser mais um "empregado" da S.H.I.E.L.D, a ideia de ter que ensinar um bando de crianças a serem adultos e protegerem o planeta de aliens e outras ameaças não me parece uma das melhores de Fury...
– E a ideia de ter só meia dúzia de heróis contra milhões de soldados intergalácticos parece melhor para você? — Steve disse de maneira quase autoritária, deixando ambos atentos — Tony, você quase foi morto da outra vez. Nós todos quase fomos mortos da outra vez. Talvez nós realmente precisemos de ajuda.
– Não sei quanto a vocês, mas não sei como eu poderia vir a ser útil. Afinal, nem eu mesmo sei me controlar direito. — Dr. Banner tinha a voz levemente extremecida; só de pensar em tentar controlar jovens inexperientes o deixava razoavelmente nervoso.
– Você é um dos maiores gênios da atualidade, Dr. Banner. Como isso não é útil? — Natasha ergueu-se de seu lugar, andando pela sala — É fato de que lutaremos — e não duvido de que logo — contra novos inimigos; e é fato de que estaremos, mais uma vez, em minoria. Nós aprendemos como trabalhar em equipe na marra e quase destruímos o planeta por causa disso; querem que isso ocorra outra vez? E o projeto continuará com ou sem nossa ajuda; se não formos nós, quem?
Todos caíram em silêncio. As palavras de Natasha Romanoff pesavam em suas cabeças, talvez levando-os a considerar — ou até a aceitar — melhor a proposta. Thor continuava quieto no canto da sala, balançando o seu martelo em uma mão, e segurando as correntes do prisioneiro em outra.
– E quanto a ele? — Stark apontou com escárnio para o homem ao lado do Deus do Trovão — Como poderemos ter certeza de que ele não ensinará os diabinhos a nos odiar ou a lançar um de seus voodoos malignos contra a gente?
O Deus da Trapaça sorriu, traiçoeiro. Ele estava prestes a responder o bilionário de maneira felina e quase fatal, mas seu meio irmão tomou a dianteira, erguendo-se de seu lugar.
– Seus poderes lhe foram tirados em Asgard. — sua voz tomava conta do prédio inteiro, silenciando a todos — Tudo o que lhe resta é a sabedoria e conhecimento sobre magia e artes diversas. Ele é útil para Midgard; e isso o meu pai pôde enxergar dentro de si. Então se Odin, o pai de todos, diz que Loki, meu irmão, aprenderá como respeitar o povo da Terra convivendo com o mesmo, é porque ele tem razão. Fui claro?
– Cristalino, Barbie. — Thor semicerrou os olhos enquanto o Homem de Ferro sorria de lado, sentando-se desleixadamente em seu lugar.
– Está decidido então. — Maria Hill se pronunciou pela primeira vez, deixando a todos surpresos por sua presença repentina — A missão começará em uma semana, senhores. Vocês serão levados para o novo centro de treinamento da S.H.I.E.L.D; um de nossos jatos virá buscá-los. — ela olhou detalhadamente para cada um antes de finalizar — Boa sorte a todos.
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