Iniciativa Vingadores
2 Por que demorou tanto?
Notas iniciais
Ah, e antes que eu me esqueça: dêem uma passada nas notas finais, porque tenho uma pergunta muito importante para fazer!
Mas antes disso: aproveitem XD
PS: para quem não conhece a música que estava tocando na sala - o que dúvido, mas é só para informar haha -, é "Humilde Residência", do Michel Teló.
A caixa empoeirada e desgastada se encontrava em cima da mesa, bagunçando todos os papéis, todos os projetos ativos ou em processo de preparação. Mas Fury não se importava. Ele encarou a caixa por certo tempo, preparando-se — talvez psicologicamente — para o que quer que estivesse ali dentro. Remexer em seu conteúdo seria remexer no passado, consequentemente; e nem todos estariam prontos para as suas consequências.
Nick Fury expirou profundamente, erguendo-se de sua cadeira e, finalmente, abrindo a tampa do antigo objeto de papelão. Ali, estampado em cores grafadas e vermelhas, estava escrito de modo que todos pudessem ver: "CONFIDENCIAL".
Ele abriu a primeira ficha. E, outra vez, ele não pôde deixar de sorrir; um sorriso estranho, sardônico, chegando a ser até de deboche.
– Senhor...? — Maria Hill bateu na porta e, visto que seu senhor começara a abrir as fichas, ela não se conteve em entrar, parando à cinco passos de sua pessoa — Está é a primeira que eu tenho que buscar?
O homem, com o seu único olho ativo, a encarou profundamente, o que a fez encolher-se um pouco e engolir em seco. Aquilo soara uma afronta para seus ouvidos; mas ele nunca admitiria tal fato.
– Não, Agente Hill. — observando o papel em mãos, ele finalizou, soando compenetrado, pensativo — Esta é uma visita que eu mesmo tenho que fazer.
(...)
A Bolsa de Valores de New York, conhecida também como NYSE, estava uma loucura, como sempre. Os funcionários corriam para lá e para cá; as ações nas telas corporativas não paravam de crescer e cair; todos ali estavam, evidentemente, movidos a muito fumo e cafeína. E alguns ainda diziam que a Wall Street era um paraíso.
Com tanto movimento e tanta coisa a se fazer, ninguém deu realmente muita atenção ao homem negro e careca, com um suspeito tapa olho no rosto, andando confiantemente pelo corredor principal do salão com mais dois homens de uniforme, um do lado esquerdo e outro do lado direito de seu chefe. Quando sua presença foi finalmente notada, já era tarde demais.
– Ela não gosta de ser interrompida pela manhã! — alguém ainda gritou à plenos pulmões, tanto pelo barulho ensurdecedor que a sala continha quanto pelo medo evidente em sua voz.
Mas isso já não importou mais quando os três abriram a porta principal.
"Na minha humilde residência!"
Nenhum dos dois agentes esperava o que encontraram naquele escritório. Não se parecia com nenhuma das salas de reuniões que eles costumavam ver; nesta, havia uma melodia estranha tocando no rádio, enquanto o ambiente estava cercado de fumaça com um odor suspeito e provavelmente ilegal. No canto da sala, um violão estava encostado, com vários papéis espalhados pelo chão, e um skate escorregava pelo espaço exatamente no mesmo momento em que eles passaram pela porta. No centro, ainda por cima, era possível enxergar — apesar da "neblina" — uma garota dançando; e até que muito bem. Ela não devia ter mais de 19 anos, com dreads coloridos balançando no ritmo da música, seus All Stars parecendo dançar em seus pés de tão largos, suas pantalonas de moletom pendendo na cintura e uma regata curta e desgastada do 30 Seconds Of Mars demarcando fortemente seus seios deveras convidativos.
– Então é isso o que faz uma das maiores banqueiras do país enquanto todos estão trabalhando? — Nick Fury se fez ouvir, não parecendo tão surpreso com a situação quanto os outros dois. Estes se encararam, confusos, antes de voltarem a olhar fixamente para a mulher à sua frente.
Esta sorriu de lado, não parando de dançar nem por um segundo sequer até que chegasse no rádio para desligar o som. Ela encarou seus "convidados"; seus olhos cinzas cristalinos voando por seus rostos, seus piercings remexendo-se juntamente com suas expressões faciais. Ela tinha uma aparência única; estranha e loucamente bela.
– Chegou cedo, Agente Fury. — a garota disse enquanto colocava a mão esquerda na cintura, como se reprovasse o horário — Por que demorou tanto?
Para os dois agentes, aquela frase não fazia sentido algum. Mas Nick sabia muito bem que jogo ela estava fazendo.
– Aparentemente não tão cedo assim, não é mesmo? — ele deu um sorriso torto antes de dar mais um passo em sua direção — Ariella Ellard, prazer em, finalmente, conhecê-la.
Ela riu levemente, andando até a janela, ficando de costas para suas visitas. Olhando a vista, ela começou a conversar:
– Devo dizer o mesmo? — ela expirou profundamente antes de continuar — Faz bem em escolher suas palavras, Agente Fury. Tudo o que dizemos pode se voltar contra nós, um dia.
– Uma ameaça ou um conselho? — ele ergueu a sombrancelha, mesmo que a outra não pudesse vê-lo. Ela gargalhou em alto e bom tom.
– Essa é uma das poucas perguntas que não saberia responder. — ela virou-se para ele outra vez — Só um pensamento de alguém que já viu muito nessa vida, eu acho. Muitas pessoas pisam em falso e se arrependem por isso depois.
– E em qual passo estamos, Srta. Ellard? — Nick andou mais um pouco, fazendo-a rir bem baixinho.
– Agente Fury, não é uma aritmética tão simples. Para cada passo que damos, há mil e uma possibilidades. Ou até mais. Eu só consigo vê-las, mas não as escolhas que você, eventualmente, fará. O futuro é maleável, incerto; a única coisa definitiva em nossas vidas, realmente, é o nosso passado.
– E é aí que você entra? — ele cruzou os braços. Os poderes da garota sempre conseguiam surpreendê-lo; desde que os números da bolsa de valores mundial começou a mudar, há poucos anos atrás, eles tiveram curiosidade acerca de suas habilidades.
– Às vezes. — ela riu mais uma vez — Mas aí seria suspeito. Se quiser que eu mude seu passado, Agente, teria que causar imensas mudanças no presente. O futuro seria uma bagunça; mais probabilidades para mim enxergar e eu já tenho muita dor de cabeça do jeito que está, obrigada.
– Mas não é isso o que te impede, não é mesmo? – Fury ergueu a sombrancelha mais uma vez. Anos antes da mudança nos valores da bolsa, uma onda de enxaquecas avalassou milhares, causando uma super lotação nas farmácias e nos centros hospitalares. Demorou certo tempo até que descobrissem a autora daquele “crime”.
Ariella gargalhou com vontade.
– Aquela foi uma época engraçada. – ela disse depois do ataque de risos, sabendo muito bem do que ele se tratava – Eu ainda estava descobrindo os meus poderes. Tinha apenas seis anos, dá um tempo! – ela pegou o seu isqueiro em forma de caveira, que estava em cima da mesa, e começou a brincar com ele – Mas meu sucesso na bolsa não depende de meus passeios no passado. Geralmente não mudo muita coisa quando tô por lá. – ela o olhou profundamente antes de sorrir torto – Digamos que muitas pessoas influentes se interessaram pelos meus palpites. Alguns disseram que era sorte; outros até que eu era uma bruxa. – ela inspirou devagar – Não posso dizer que estão errados a meu respeito.
Um silêncio devastador inundou aquela sala. Fury, geralmente sendo um homem prático e bem convincente, não sabia direito o que dizer em seguida. Afinal, quando se conversa com alguém que enxerga o futuro e pode ver o passado, é difícil saber quais serão as consequências de suas palavras.
Mas, para a sua sorte, ele não precisou se decidir.
– Nós dois sabemos o que você veio fazer aqui. – Ariella sussurrou em um tom que ele pudesse escutá-la – Então por que não começa a falar?
Um suspiro saiu de seus lábios antes que ele a respondesse.
– Quais são as probabilidades? – ela o encarou de volta, surpresa. A garota não esperava por essa pergunta tão cedo; e muito menos que ele chegasse a fazê-la.
– Estão divididas. – ela voltou a andar pela sala – 50% me diz que vou viver bem e em paz se eu não for com você, até que alguém seja louco o suficiente para nos atacar. Já a outra metade…
– Diz que não chegaremos muito longe sem você. – ele disse, adivinhando o que ela diria em seguida – E eu concordo completamente com esta metade.
Ela abriu um largo sorriso.
– Desde quando lê mentes, Agente? – ele sorriu em troca.
– Desde que aceitei esse emprego, Srta. Ellard. – ela aproximou-se de sua pessoa devagar, ainda um pouco desconfiada.
– Ary, Agente. – ele franziu o cenho, não entendendo suas palavras – Não gosto quando me chamam pelo sobrenome. E os motivos eu não lhe direi. – ela complementou antes que ele perguntasse – Agora pode me entregar o envelope com as informações de que preciso. Sei que está louco para fazê-lo.
Ele riu levemente antes de lhe dar o que ela pediu.
– Você é cheia de surpresas, não é mesmo? – ele virou-se para, finalmente, ir embora; mas antes que ele se fosse completamente, ela respondeu:
– Você não faz ideia.
Notas finais
Bem, a pergunta é a seguinte: querem que eu mostre quando os Agentes da S.H.I.E.L.D foram buscá-los ou a partir do momento em que eles chegam no centro de treinamento?
Bem, é isso! Bjxxx para todos lol
Fale com o autor