Iniciativa Vingadores

4 Os olhos dele são castanhos.


Notas iniciais
Não sei se ficou bom, mas espero que gostem :)
Bjxxx e espero reviews, hein? XD

“- Você acha que gosto disso? – as mãos do mais novo transformavam-se em punhos enquanto o mais velho continuava o seu discurso – VOCÊ ACHA QUE GOSTO DE PUNIR O MEU PRÓPRIO FILHO?

O salão estava lotado. O conselho havia se reunido para um dos julgamentos mais difíceis que ocorreram em Asgard desde sua existência; os anciãos, sentados em semi circulo diante do condenado, o fitavam sem nenhum pingo de compaixão; ou surpresa. Em algum momento, todos sabiam que aquilo aconteceria, mais cedo o mais tarde:

O Deus da Trapaça não permaneceria sem passar pelas grades.

Loki sorriu torto, como se aquele momento não estivesse quebrando o seu coração de gelo, ou como se suas emoções e sentimentos não estivessem em frangalhos. Acumulando a coragem que ainda tinha, ele sussurrou:

– Esquece-se que nunca fui seu filho, Odin.

Todos suspiraram, em surpresa. Ninguém poderia chamar o Pai de Todos apenas de Odin sem um complemento real. Nem mesmo os seus próprios filhos.

O rei de Asgard ergueu-se de seu trono; um ato que ele não costumava realizar em muitos julgamentos. Pegando o seu martelo de juiz, ele se aproximou do palanque à sua frente, seu único olho reluzindo de raiva e, talvez, até tristeza.

– Você não será condenado a passar a vida atrás das grades, filho de Laufey. – as últimas palavras cortaram o coração do pai – Pois ainda vejo salvação em sua alma. Mas será condenado a conviver com aqueles que mais odeia; aprendendo a respeitá-los por quem são, não por sua força. E seus poderes lhe serão retirados até que aprenda o verdadeiro valor da amizade... E do amor.

A sensação que o mais novo sentiu depois daquelas palavras foi a dor. E depois, com um último grito sofredor, a ardência.”

Loki acordou com os olhos arregalados, um tipo de exasperação alastrando-se por seu interior. Seu corpo semi nu encontrava-se completamente encharcado de suor; e o Deus fez uma careta ao se dar conta deste fato. Se ainda estivesse com os seus poderes, ele nunca precisaria sentir aquele líquido pegajoso grudando em sua pele de alabastro, levando-o para a condição de semi humano. A base da cadeia alimentar, digamos assim.

Ele ergueu-se de sua cama, dirigindo-se para o espelho de corpo inteiro. Suspirou enquanto mirava seu reflexo; aparentemente, seu físico continuava o mesmo, com os músculos levemente ressaltados, o cabelo recém cortado cobrindo só o necessário de sua cabeça, seus olhos verdes e brilhantes o fitando de volta...

Mas ele sabia que, por dentro, ele não era aquele que aparentava ser. Em comparação com o que era antes, Loki Laufeyson sentia-se muito mais fraco; sem seus poderes, ele não passava de um midgarniano comum; um nada. E o Deus nunca se acostumaria com tal fato.

Bateram em sua porta, interrompendo seus pensamentos. Ele não ousou abri-la; sabia muito bem que tratava-se de seu irmão.

– Vamos, Loki! Está na hora de conhecermos os novatos! – a voz do loiro parecia entusiástica, ansiosa. O moreno somente fechou os olhos, tentando controlar os nervos.

Realmente, aquele seria um longo dia...

(...)

Estava tudo pronto.

Alice amarrou sua pequena mala de pano no banco de trás de sua Ducati 1098 vermelha, uma moto poderosíssima, eleita a melhor do mundo em 2010. Como ela a havia conseguido? Bem, a S.H.I.E.L.D não costumava negar seus pedidos com tanta frequência.

A ex-comandante amarrou os cabelos em um rabo bem preso no topo da cabeça, deixando alguns fios de sua franja vagarem livremente pelo rosto. Antes de colocar o capacete, no entanto, ela olhou para trás. Suspirou profundamente, fechando os olhos nem que fossem por apenas alguns segundos. Ela nunca havia tido um lar. Sempre acontecia algo que a fazia se locomover para outro lugar; outro ambiente que ela esperava, um dia, chamar de casa. Waterloo estava cansada de novos planos; estava cansada de não saber aonde estaria no outro dia, como e porque. Mas ela não tinha escolha... Era isso o que havia sido destinada a fazer.

Subindo em sua máquina, ela colocou os fones de seu I-pod nos ouvidos, colocando na primeira música de sua tracklist. Ela sorriu de lado, minimamente realizada.

Só podia ser Foster The People.

(...)

– Você promete ligar quando chegar lá? – Orlando sorriu para a noiva enquanto sua irmã, nos fundos, fazia uma careta de desprezo.

– Prometo, querida. – eles se selaram rapidamente, aquela sensação de estar completo preenchendo ambos os corações –Prometo voltar o mais rápido possível.

– Improvável. – Wilhemina sussurrou mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa; estando surpresa quando, ao se afastarem do carro da nora, seu irmão lhe fez uma carranca – O que foi? Não disse nada. – ela balançou os ombros, pegando sua mala e entrando no aeroporto.

– Vocês podiam tentar se dar bem, né? – ela continuou andando, tentando ignorar as palavras “sábias” do gêmeo – Eu vou me casar com ela, Willy. Isto está fora de discussão.

– Eu não pedi para discutir. Você já está fazendo isso sozinho. – antes que o moreno pudesse ter a chance de responde-la, um homem uniformizado se aproximou, os óculos escuros lhes dando a incerteza de seus sentimentos ou intenções.

– Irmãos Hansen? – ambos assentiram com as cabeças, sem ter o que dizer – Venham comigo. O jato está esperando vocês.

– Jato? – ambos exclamaram ao mesmo tempo, arregalando os olhos. O suposto segurança não respondeu, seguindo o seu caminho.

(...)

– Vivi, eu ainda não sei se essa é uma boa ideia... – Sabine falava no celular, mordendo o lábio inferior com o extremo nervosismo crescendo em seu peito.

Chuchu, vai dar tudo certo. Não foi o que você sempre quis? Salvar o mundo? – a designer revirou os olhos com o olhar simplista da amiga – Então! Essa é a sua grande chance!

– Eu me contentava muito bem somente com o Brasil, obrigada. – antes que o segurança que se aproximava dissesse alguma coisa, ela já fez um sinal com as mãos, mostrando saber que se tratava da S.H.I.E.L.D. Seguindo o homem, continuou a conversar – Como vai ficar a minha empresa? E o meu pai?

Você sabe muito bem que não precisa se preocupar, que seu pai pode muito bem voltar a cuidar dos negócios e que vai te apoiar em quaisquer decisão que tome. Além de que usar os seus dons...

– Criados pela minha empresa. – ela complementou, sentindo-se envergonhada por não ter adquirido seus poderes da forma mais “convencional”.

... para o bem maior sempre foi o seu maior sonho. – a outra completou, ignorando suas palavras. Azevedo suspirou, fechando os olhos por alguns instantes. Sua velha amiga sempre sabia o que dizer.

– Você não existe mesmo. – ela sorriu, deixando uma lágrima descer por sua bochecha – Vou sentir sua falta.

Eu não vou. Sei muito bem que vai estar aí treinando para salvar a minha pele. – ambas riram, e a outra continuou dizendo – Au revoir, chérie.

– Au revoir. – ela desligou o telefone, balançando a cabeça. Ela nunca acharia no mundo alguém tão louca quanto a sua amiga.

(...)

Kalista nunca viveu no luxo, mas aquilo também já era demais. As cadeiras do jato eram duras; os cintos machucavam o pescoço; e a quantidade de ar que aquele lugar possuía estava próximo a zero.

O que mais lhe faltava?

Como se respondendo a sua pergunta, a grande porta da máquina abriu-se levemente, deixando entrar outra garota em seu interior. Ótimo. Mais gente para “roubar” o seu ar.

A morena sentou do lado oposto ao seu banco, fazendo ambas se encararem longamente durante o processo. Elas não sabiam se podiam se confiar; e essa indecisão estava estampada em suas ações.

– Charlie. – a estranha disse, sem demonstrar quaisquer emoções.

– Kalista. – a loira respondeu, sorrindo torto – Pensei que tinha sido a única convidada para esse projeto.

– Parece que não somos tão diferentes assim. – a outra cruzou os braços de encontro ao peito, sentindo-se mais à vontade em sua presença – E aí? Quem foi que te buscou?

– O magnata metido a sedutor. – as duas riram levemente, nenhuma querendo dar o braço a torcer – Você?

– O soldadinho de chumbo. – elas riram outra vez, mas com mais vontade – Tadinho, ficou todo envergonhado na minha presença e eu nem dei em cima dele direito.

– Parece que não vai ser difícil descobrir como a hierarquia da S.H.I.E.L.D funciona. – Kali sorriu largamente, referindo-se aos seus futuros “professores”.

– Outra vez, aparentemente, não somos tão diferentes assim. – Charlotte respondeu, também, alastrando um grande sorriso.

(...)

– Você quer ajuda, senhorita? – o jovem aproximou-se da aparente dama, mas esta deu um passo rápido para trás, demonstrando ser nada frágil ou desprotegida.

– Quem você pensa que é? – Naja vociferou, praticamente cuspindo aquelas palavras. Ela nunca deixava ninguém se aproximar daquela maneira. Nunca.

– Desculpe-me se a ofendi. – ele sorriu de lado, surpreso com o modo arisco da garota.

– Vê se cuida das próprias coisas, moleque. – ela disse, pegando suas malas – E da própria língua também. Talvez lhe seja útil algum dia.

– Moleque? Tenho certeza de que, no mínimo, tenho a mesma idade que você. – ele tentou dar um passo em sua direção, porém, ela espremeu os olhos, ameaçando-o – Qual é o seu nome?

– Não te interessa, garoto. – ela empinou o queixo, desafiando-o – Quem você pensa que é? – ela repetiu a pergunta – Um monarca francês?

“Quase isso.” Ele pensou, e estava prestes a responder, quando um segurança chegou até onde eles estavam, no aeroporto.

– Naja Rowan e Sir Jon Targaryen?

– O que é? – eles responderam ao mesmo tempo, em um tom nada amigável. O homem ergueu a sobrancelha, levemente assustado.

– O jato os espera.

Eles somente se entre olharam.

(...)

“Eu não devia estar aqui.” Lily pensava, roendo as unhas de tanto nervosismo “Por que eu concordei com essa loucura?”

– Com licença? – ela deu um pulo, virando-se para trás com os olhos arregalados – Você tá bem?

Chris sorriu de lado, tentando ser galanteador. Aquela era uma bela garota: cabelos negros descendo pelos ombros, cintura fina, olhos grandes e brilhantes... Ele esperou por um flerte de sua parte; um mexer de cabelos sedutor, uma balançada de quadris sensual...

Tudo, menos o que veio.

– É claro que não! – o outro arregalou os olhos com a exclamação da estranha – Eles querem que eu salve o mundo! O MUNDO! Você acha que eu tenho capacidade de fazer isso? Porque eu não acho! Tipo, eu nunca servi nem para amarrar meus sapatos direito, como posso salvar uma vida? Isso não tá certo, tem gente muito mais capacitada do que eu e...

“Que ótimo, arranjei uma louca.” Ele pensou enquanto a outra continuava seu discurso, estando a beira das lágrimas, tremendo como se estivesse dentro de um frízer. O que ele faria agora?

– Christopher Ferraz Judd e Lylian Grey Shaw? – um homem uniformizado perguntou e Judd olhou para a garota ao lado, franzindo o cenho.

– Acho que sim. – ele respondeu, a morena não parando de falar nem por um segundo sequer.

– Venham comigo, por favor. – o estranho se virou, deixando nas mãos do garoto a função de arrastar a “louca” até o seu destino.

(...)

– Não sei porque concordamos com essa loucura. – o loiro continuava resmungando enquanto tirava as malas do táxi – Você sabe muito bem o que aconteceu lá em casa! A conversa que eu tive com o agente! – ele encarou a namorada firmemente antes de completar – Podemos acabar em sérios problemas.

A morena revirou os olhos, pegando as próprias malas e as colocando de pé. Eles haviam discutido desde que saíram de casa; será que ele nunca calava a boca?

– Amor, eu te amo, mas eu não aguento mais ouvir a sua voz. – o namorado a seguia para dentro do aeroporto enquanto ambos continuavam a discutir – Já não tínhamos combinado que salvar o mundo é o que devemos fazer? Poxa, nós temos talentos incríveis; para quê desperdiça-los?

Andros concordava com tudo o que ela dizia. Era verdade que seus poderes eram, no mínimo, motivos para se orgulharem; verdade que eles eram, provavelmente, os únicos que podiam ajudar a S.H.I.E.L.D a salvarem aqueles que a agência não conseguiria salvar. Mas como ele poderia lhe explicar o seu medo, a sua fraqueza?

Como ele poderia lhe explicar o que havia de errado em toda aquela situação?

– Andros Cortes e Josi Black. – a garota disse para um segurança ali perto, sabendo, por suas vestimentas, que ele era um dos soldados da S.H.I.E.L.D.

– Venham comigo. – o homem disse, fazendo-os o seguirem em um silêncio absoluto.

(...)

A garota colocou sua moto no jato que lhe havia sido instruído. Ela correra boa parte do país francês; mas sabia que, para ultrapassar o oceano, ela teria que acatar ao transporte da S.H.I.E.L.D.

Quando subiu, apenas uma garota estava em seu interior. A estranha sorriu; e ela não pôde deixar de sorrir de volta. Ela lhe trazia uma paz que há muito tempo não sentia.

– Olá. – a loirinha disse em voz pequena – Sou Isabella.

– Oi. – a mulher dos cabelos cor de fogo disse, aumentando seu sorriso – Sou Alice.

– Tipo “Alice no País das Maravilhas”? – a outra acenou com a cabeça, em concordância – Sempre gostei desse livro. – ela completou, mexendo em seus cachos.

– Eu também. – as duas sorriram outra vez, sentando-se em lados opostos.

– Eu quase não vim. – ela disse depois de certo tempo de silêncio — Meu pai não queria deixar. – Bella sussurrava, soando ligeiramente preocupada. Ela não queria revelar suas aflições, mas ela não pôde se conter: precisava desabafar com alguém – Ele teme pela minha segurança.

– Pode dizer ao seu pai que não precisa se preocupar. – Alice colocou a mão esquerda em seu ombro, fazendo seus olhos azuis quase transbordarem de lágrimas – Nós vamos nos proteger, simultaneamente. Certo?

Não precisaram de respostas. Elas somente sorriram, mais uma vez.

(...)

Avenida Graymalkin Lane, n° 1407 — Salem Center, Condado de Westchester — New York. Mais conhecida como Mansão X. Após a morte de Charles Xavier e o grande incidente de Jean Grey, a mansão ficou nas mãos do governo americano; e, consequentemente, nas mãos da S.H.I.E.L.D. Ela não havia perdido sua imponência: sempre mantendo seu ar sóbrio e seguro, longe das vistas dos humanos comuns. Um santuário, praticamente.

Um dos jatos recomendados da agência secreta pousou nos campos verdes do jardim. Um homem, que se encontrava em uma cadeira de balanço do lado de fora do edifício, suspirou quando viu o pouso da máquina, e ergueu-se de seu lugar. Uma regata branca marcava os seus músculos bem definidos e seus dedos, rapidamente, ajeitaram um pouco de seus cabelos negros levemente desgrenhados. Quando a porta do pequeno avião se abriu, ele colocou um charuto grosso em sua boca.

– Há quanto tempo, Logan. – Nick Fury disse sem nenhum pingo de emoção, ou surpresa. Os dois homens apertaram as mãos enquanto os outros Vingadores desciam do veículo.

– O que o peludão tá fazendo aqui? – Stark colocou os óculos escuros, olhando ao seu redor. Logan expirou bem fundo para que não fizesse nenhuma besteira.

– Ele foi um dos únicos mutantes que sobraram depois do incidente da Fênix. – o outro expirou mais uma vez enquanto o caolho continuava o seu discurso – Ele sabe como a Mansão funciona e vai ajudar no que for necessário. – os dois se encararam brevemente – Há alguns favores que ele deve ao país que não podem ser ignorados.

Logan revirou os olhos.

– Cadê o resto? – ele soprou o fumo no rosto do suposto comandante, e este franziu o nariz.

– Bem atrás de você.

Wolverine virou-se para trás, arregalando os olhos. Cinco jatos desciam nos jardins da Mansão X; um jardineiro teria bastante trabalho nesse lugar depois, disso qualquer um poderia ter certeza. As máquinas pousaram em perfeita sincronia, uma ao lado da outra; e quando seus motores foram devidamente desligados, suas portas se abriram.

Quatorze recrutas saíram de seus interiores, carregando suas malas e outros pertences que pudessem estar em mãos. Empregados da casa, contratados pela S.H.I.E.L.D para manter tudo organizado e limpo, foram ao seu encontro; enquanto isso, os Vingadores observaram suas interações: dois supostos casais discutiam entre si, enquanto alguns pareciam atentos, desconfiados; outros, mais tímidos, ou apenas curiosos. Eles observaram uma garota com uma moto vermelha brigando com alguns empregados, exclamando que “não largaria o seu bebê de jeito nenhum!”

Fury expirou de olhos fechados, aproximando-se do grupo quase disperso. Todos paralisaram em seus lugares; pelo detalhamento da ficha, aquele só poderia ser o organizador da Iniciativa Vingadores.

– Sejam bem vindos a Mansão X. – alguns murmúrios de choque ou incompreensão correram soltos até que ele tossiu algumas vezes, chamando a atenção de volta para si – Sou Nick Fury, o espião chefe da Iniciativa. Espero que todos se adaptem bem e aprendam o máximo possível nessas paredes. As regras e as aulas serão dadas amanhã, mas um aviso prévio: a saída não autorizada é PROIBIDA. – em resposta ao silêncio, ele continuou – A sessão feminina é na Ala Oeste, e a masculina na Ala Leste. Poderão arrumar seus pertences com calma até o horário do jantar: o refeitório fica no centro da mansão. – ele virou-se de costas e concluiu – Boa sorte a todos.

(...)

Bianca foi a primeira a entrar no quarto. Ou assim ela pensou até então; ali, em uma das camas, já se encontrava uma garota com os seus pertences devidamente arrumados nas gavetas e armários, os seus dreads coloridos caindo sobre o rosto enquanto seu corpo, revestido com roupas largas e puramente brancas, contorcia-se em uma posição de yoga pouco conhecida: a Meia postura do senhor.

– Olá. – a loira franziu o cenho, soltando um riso pouco nervoso.

– Olá. – a outra respondeu da forma mais calma possível. Antes que ela dissesse mais alguma coisa, o resto das garotas entraram; olhando para a estranha da mesma forma que Bia havia encarado.

– De qual planeta você veio? – Kalista ria languidamente enquanto andava até o espelho.

– Do mesmo que você. – Ariella mudou para a posição Adho Mukha enquanto respondia – Só o vemos de maneiras diferentes.

– Louca. – a mulher disse, revirando os olhos.

– Vamos gente, temos que nos dar bem! Afinal, somos do mesmo time, não? – Wilhemina disse, sorrindo de nervoso, querendo acalmar as emoções à flor da pele. — Todas tivemos uma viagem estressante, descobrimos coisas sobre nós mesmas... Não vamos começar com o pé esquerdo.

– O que sugere? – Josi perguntou sem encará-la, em um tom quase desinteressado.

– Vamos conversar sobre coisas normais... – ela sentou-se em uma das camas, a escolhendo para o seu próprio uso.

– Como se fôssemos normais, né? – Naja sussurrou mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa; mas seu comentário teve a capacidade de deixa-las todas pensativas e, de certa forma, desanimadas.

– O que acharam dos garotos? – Charlie foi a primeira a quebrar o gelo, sorrindo perversamente.

– Só quatro novatos vieram... Você quer dizer os professores? – Isabella perguntou, arregalando os olhos minimamente pela ideia de achar um professor atraente.

– Quem mais? – percebendo o olhar de Josi sobre si, complementou – Sem ofensas, amiga.

– Não dei uma boa olhada, mas o Capitão parece... Apetitoso. – Lily disse com um olhar sonhador.

– O Arqueiro não é de se jogar fora... – Kalista dizia enquanto passava um batom bem vermelho em sua boca – Nem mesmo o Stark.

Na menção desse nome, Bianca não pôde deixar de ficar vermelha como pimentão. Vê-lo, depois de tanto tempo sem suas visitas semanais na base, era desconcertante; trazia todos aqueles sentimentos de volta, e ela nem mesmo conseguia nomeá-los de maneira apropriada. A presença dele ali era, no mínimo, confusa.

O que não passou despercebido por Kalista.

– O-ou, conheço essa expressão, querida. – ela virou-se de frente a garota, dizendo – Tome cuidado, fofura. Ele não presta.

– Mas, eu... – antes que Bia completasse sua frase, a loira a interrompeu outra vez.

– Conheço esse tipo de homem, meu bem. Ele vai te prometer o mundo, e, depois,... – ela sorriu malignamente, completando – Vai arrancá-lo de você.

“You better take it from me

That boy is like a disease

You run and you try

And you're trying to hide

And you're wondering why

You can't get free”

Kali foi se aproximando da cama, sorrindo de lado, enquanto a outra a encarava com os olhos arregalados, claramente confusa com a situação.

“He's like a curse, he's like a drug

You get addicted to his love

You wanna get out

But he's holding ya down

'Cause you can't live without

One more touch...”

A loira sentou-se ao seu lado, colocando o braço ao redor de seus ombros.

“He's a, a good-time cowboy casanova

Leaning up against the record machine

He looks like a cool drink of water

But he's candy-coated misery

He's the devil in disguise,

A snake with blue eyes

And he only comes out at night

Gives you feelings

That you don't wanna fight

You better run for your life”

Ela levantou-se outra vez, andando pelo quarto enquanto as outras acentiam com a cabeça, concordando com suas palavras.

(Oh, oh...)

Kalista fitou Charlie, e ambas voltaram a observar Bianca, revirando os olhos em sincronia.

“I see that look on your face

You ain't hearing what I say

So I say it again

'Cause I been where ya been

And I know how it ends

You can't get away, aay...”

Ela foi voltando para o espelho, pegando o pó e o aplicando em seu rosto.

“Don't even look in his eyes,

He'll tell you nothing but lies

And you wanna believe

But you want me to see

That if you listen to me

And take my advice”

Ela deixou suas maquiagens em cima da mesa, virando-se para todas e apoiando-se na mesma.

“He's a, a good-time cowboy casanova

Leaning up against the record machine

He looks like a cool drink of water

But he's candy-coated misery

He's the devil in disguise,

A snake with blue eyes

And he only comes out at night

Gives you feelings

That you don't wanna fight

You better run for your life...”

Ela voltou a andar na direção de Bia, mas sua expressão, desta vez, encontrava-se mais séria, centrada.

Como se realmente quisesse o bem da garota.

“Run, run away

Don't let him mess with your mind

He'll tell you anything you wanna hear

He'll break your heart

It's just a matter of time

But just remember”

Parando em frente a cama, ela voltou a sorrir largamente, jogando-se na mesma logo depois.

“He's a, a good-time cowboy casanova

Leaning up against the record machine

He looks like a cool drink of water

But he's candy-coated misery

He's the devil in disguise,

A snake with blue eyes

And he only comes out at night

Gives you feelings

That you don't wanna fight

You better run for your life...”

Ela se ergueu, voltando a andar pela sala, para, então, parar novamente no espelho.

“Oh, you better run for your life,

Oh, you better run for your life...”

O silêncio reinou no ambiente enquanto Kalista se maquiava, deixando todas desconexas e confusas. Bianca, até então olhando fixamente para o nada, suspirou pesadamente.

– Os olhos dele são castanhos. – ela disse, enfim.

Notas finais
Sugestões? Críticas?