Iniciativa Vingadores

8 Desavenças a parte...


Notas iniciais
Hey Recrutas! Sentiram minha falta? XD

Devo confessar que estava COMPLETAMENTE sem inspiração, e que esse capítulo saiu com muito sangue e suor... Não literalmente, claro. Bem, mais ou menos.

Então peço desculpas adiantadas, pois eu SEI que esse não foi um dos meus melhores capítulos :S

Mas enfim.

Boa leitura lol

Bjxxx

PS: MUITO OBRIGADA A TODAS QUE RECOMENDARAM A MINHA FIC! Mesmo, fizeram o meu dia, meu mês, meu ano e minha eternidade também *-*

PS2: a música que a Josi tá cantarolando é "Wherever You Will Go", do The Calling.

Era como se fosse a primeira vez.

A força, as possibilidades... Tudo novo, fresco. A bola de metal girava no ar à sua frente; desdobrando-se, se transformando em líquido, sólido, e em líquido outra vez. Um sorriso pôde ser visto se alastrando em seu rosto, um brilho ansioso, diferente, ocupando o seu olhar, suas feições envelhecidas.

O soro não havia funcionado, no final. Vários mutantes tiveram os seus poderes de volta, aos poucos; alguns em pequenas proporções, outros com drásticas consequências. Os cientistas não conseguiram explicar este estranho fenômeno; a substância havia sido criada para ser eterna, invencível. Eles pagaram o erro com a própria vida.

Então, o Projeto Vermelho foi criado. O governo não seria tolo o bastante para levar aquele erro ao público; pelo menos, não outra vez. Se o incidente de Fênix voltasse a se repetir, a sua liderança seria motivo de questionamento; grandes revoltas os tirariam do poder, e o caos estaria, oficialmente, de volta às ruas.

O jeito seria agir com cautela. Casa por casa, grupos de elite apareciam sem serem notados, tirando as vidas daqueles que eles consideravam sem cura, sem salvação; perigos para a sociedade. Se a ciência não ajudaria o mundo a manter a ordem... Então, a solução seria mantê-la a força.

E até que funcionou muito bem... Por um tempo. Uma única missão mal sucedida foi o necessário para fechar o Projeto; o risco do problema vir à tona se tornou grandioso demais, perigoso demais... E tudo isso por um único motivo...

Um motivo que eles já conheciam muito bem.

Mas o erro foi puramente deles...

Por o procurarem apenas quando seus poderes já haviam retornado...

Completamente.

– Parece renovado, Erik. – uma voz desconhecida surgiu inesperadamente no canto da nova sala; divertida, mas, ainda assim, sombria – Até diria que a falta de poderes fez bem a você.

Magneto diminuiu levemente seu sorriso, virando-se para o convidado indesejado. Ele odiava ser surpreendido... Aquele deveria ser o seu trabalho.

– Digamos que consegui tirar umas curtas e merecidas férias. – ele dizia enquanto o estranho cruzava as pernas, esticando-se em sua poltrona, levando o copo de whisky de encontro aos lábios – Não voltará a acontecer assim tão cedo.

– Devo descordar, meu caro. – a única coisa que o ancião conseguia enxergar nas sombras era o seu maligno sorriso – Não sabe que Charles ainda está vivo?

Erik espremeu os olhos.

– Em coma. – ele respondeu curtamente, sentindo um certo aperto em seu peito – Ou tem conhecimento de algo que eu não saiba?

O homem deixou-se levar por uma divertida gargalhada, enquanto erguia-se de seu lugar. O – aparentemente – mais velho pôde, então, vê-lo com mais precisão: os cabelos morenos e escorridos, os olhos maldosos... O sorriso sardônico.

– Tenho conhecimento de assuntos que nunca, ao menos, cruzaram sua mente, Erik. – o estranho se aproximou, deixando o copo desaparecer em forma de fumaça – Sobre transformações, poder... – o riso alastrou-se outra vez pela sala – Dominação.

– Quem é você? – Magneto fez com que sua voz ressoasse com impaciência. Ele era um homem de meios, planos; mas aquele desconhecido conseguia deixa-lo razoavelmente fora dos eixos.

Deve ser a idade, ele pensou, breve.

– O que daria para os seus mutantes dominarem o mundo? – o outro ignorou o questionamento, circulando ao redor de seu corpo, as palavras soando como o chocalho de uma cascavel – Matarem todos os humanos comuns; deixando-o, enfim, como o líder oficial?

O ancião retesou o corpo, prestes a usar seus poderes em quaisquer circunstâncias. Ele sentia suas habilidades pulsando por suas veias; a potência das mesmas sendo elevadas para um nível que ele nunca pensara ser possível atingir, pelo menos em um futuro próximo. Ele poderia até pensar que eram as suas forças continuando a retornar, deixando-o mais forte, protegido; porém, bem no fundo de seu ego, ele sabia que não era o verdadeiro responsável pelo que acontecia ali, dentro de si mesmo...

Era tudo obra daquele que o encarava, neste exato momento.

– O que ganha com isso? – ele questionou, sentindo se familiarizar mais com o homem. Um sorriso torto ocupou o canto de sua boca, enquanto a cabeça do outro aproximava-se, sussurrando de encontro ao seu ouvido esquerdo:

– As almas dos falecidos.

Isso o fizera rir, pela primeira vez em muito tempo. O estranho afastou-se, erguendo a sobrancelha direita, esperando pela resposta alheia.

– Como se eu já não tivesse visto de tudo... – o velho abriu ainda mais o seu pequeno sorriso – Agora me vem um mutante que necessita de almas...

Não um mutante, caro Magneto... – ele arregalou minimamente os olhos enquanto falava, como se a ideia lhe enojasse – Um Deus.

O sorriso de Erik desfaleceu em seu rosto. Ele nunca pensaria naquele tipo de possibilidade; seres de outros planetas, homens com poderes sobre humanos, sem pertencerem a sua espécie... Mas após ouvir histórias semelhantes sendo contadas entre os mutantes, ele não ousaria duvidar de suas palavras.

– Você pode consegui-las em outros mundos, dimensões... – ele disse, sendo sua vez de erguer a sobrancelha grisalha – Por que aqui?

O deus voltou a sorrir, largamente.

– Digamos que o seu planeta tem algo em específico que me é de muito interesse... – ele disse, fazendo surgir um charuto entre seus dedos, e o levando, também, até sua boca – E que se encontra entre seus futuros inimigos.

– Os Vingadores. – o ancião disse, tendo essa certeza pelas informações dadas por seus infiltrados do governo; sentindo-se levemente aliviado por Charles estar inativo, pelo menos por enquanto – Não deverão nos trazer problemas.

– A não ser que eles consigam descobrir sobre seu retorno e acionem os mutantes restantes. – o outro completou, acabando com o fumo e jogando a bituca no chão – Você deve chegar até eles antes disso.

– Estou recebendo ordens, agora? – Magneto ergueu ambas as sobrancelhas, descrente do que ouvia.

– Se quiser a liderança prometida... – o outro esticou a mão em sua direção – Terá que saber ceder, primeiro.

Erik não confiava naquele homem. Todas as células de seu corpo gritavam, rebelando-se contra seu raciocínio lógico, sua sede de poder. Simplesmente havia algo naquele desconhecido; algo que ele não sabia identificar, mas que o deixava suspeito, com os pelos de sua nuca eriçados.

Mas o desejo era mais forte; a ideia de força ilimitada, de dominação completa e sem limites... Era demais para se recusar.

Quando as mãos se encontraram, em concordância, uma fina conexão de energia pôde ser sentida, pelos dois. Enquanto o deus nada parecia demonstrar, o velho entortou a boca com o simples incômodo. Eles se separaram rapidamente, com Erik massageando o lugar machucado.

– Vou garantir que os mutantes fiquem do nosso lado. – Magneto continuou, soltando-se do embrace e tentando ignorar a irritante dor – Mas quanto aos heróis saberem de minha volta...

– Disso cuido eu. – o homem disse enquanto se afastava, soando grave, sério – Dê conta da sua parte que vem mais por aí, Sr. Lehnsherr... Este é somente o pico do iceberg.

O ancião sabia que ele estava partindo, e que logo o deixaria em paz outra vez... Mas ele não pôde deixar de indagar mais do que devia.

– Posso, ao menos, saber com quem acabei de negociar? – ele entortou o sorriso mais uma vez. Em resposta, o outro retornou a expressão: mas com um toque mais diabólico em seu rosto.

Hades. – ele disse, enfim – O Senhor dos Mortos.

E, com isso, ele sumiu.

(...)

A Sala de Perigo era um grande nada, com arcos de metal cobrindo o espaço, o eco tomando conta de seus ouvidos e as luzes fluorecentes parecendo cegá-los enquanto, pouco a pouco, seus olhos se acostumavam àquele ambiente.

Momentos antes, o Gavião Arqueiro interrompera o almoço de todos, anunciando que sua primeira aula não seria na Sala 1, como havia sido mencionado anteriormente no calendário; mas, sim, aonde os alunos se encontravam, naquele momento. Os recrutas olhavam ao redor: alguns de cenhos franzidos, outros com expressões entusiasmadas, curiosas. O que será que aquela sala tinha de tão especial para os antigos moradores mutantes?

Alice havia se recusado a conversar sobre o assunto, e os novatos tinham certo medo de perguntar a Logan. Ary até tentou voltar no passado, para a época dos X-Men, para ver se resolvia este grande mistério; mas foi impedida, certamente por Charles Xavier, que havia presentido sua presença e criou um poderoso campo de força para que ela não pudesse ultrapassar o território da Mansão. Realmente, ele fora um homem muito poderoso em seus tempos de glória.

– Tem certeza de que estamos no lugar certo? – Willy questionou, dando voltas ao redor do próprio corpo, e somente parou quando ficou tonta demais para continuar – Não vejo nada que grite “Perigo” nesse lugar.

– Deve ter algo por trás disso tudo. – Orlie respondeu a irmã, sentindo-se tão confuso quanto ela – Os mutantes não duraram tanto tempo por terem salas inúteis. Não há muitos lugares de treinamento na Mansão… Esse deve ser um dos mais importantes.

Alice permanecia calada em seu canto, ainda com os acontecimentos atuais circulando em sua mente. A conversa com Clint, o sacrifício de Isa… O que mais aquele dia lhe traria?

– Mas os mutantes foram extintos por algum motivo, não? – Kalista dizia enquanto fitava o teto atentamente, como se esperasse algo acontecer –Isso quer dizer que eles não eram tão invencíveis assim. — ela voltou o olhar para todos, rindo levemente enquanto continuava a dizer – O dono desse lugar, por exemplo. Onde está agora? Ouvi dizer que ele está no leito do hospital, esperando pela morte…

Essa foi a gota d’água. Em questão de instantes, Waterloo estava em cima de Kali; pressionando seu pescoço fortemente contra o chão, predendo suas mãos com unhas afiadas, deixando linhas finas de sangue escorrerem pelos seus braços.

– Não ouse falar de Charles. – os olhos da garota escureciam enquanto falava, com os dentes cerrados – Você não tem um pingo de honra para citá-lo.

– Alice, solte-a! – Isabella exclamou, esperando que a garota a escutasse… Mas nada aconteceu.

– Senão o que? – Winter gargalhou profundamente, não parecendo se incomodar com a dor que sentia em seu corpo – Vai me matar? Você é boa demais para isso… — ela completou em um tom de insulto, fazendo com que a garota dos cabelos cor de fogo lhe desse um meio sorriso.

– Você não sabe do que sou capaz… — os olhos da loira se acinzentaram, deixando outra gargalhada se espalhar pelo ambiente.

– Talvez você que esteja me subestimando…

– Parem! – Andros chegou por trás de ambas, arrancando a garota de cima da outra, enquanto Christopher aproximava-se de Kalista e a ajudava a se erguer – Você está perdendo o controle, Alice…

– Me… Solte! – com a última palavra, ela empurrou o loiro, jogando-o de encontro a parede do outro lado da sala. O som de suas costas encontrando-se com o metal foi o bastante para que Josi ficasse assustada, correndo de encontro ao namorado.

– Qual é o seu problema? – a morena questionou, um rosnado escapando de sua garganta enquanto apoiava a cabeça do garoto em seu colo – Você podia tê-lo matado!

– Se ele se mete em questões que não são de seu interesse… — ela riu levemente, mas algo em seu tom dizia que não era ela quem falava naquele momento – O problema não é meu.

– Alice. – Lylian parou à sua frente, prendendo os olhos da garota nos seus – Leve o Andros para a enfermaria… Vê se esfria a cabeça.

– E se eu não quiser? – ela cruzou os braços com um sorriso torto na face. Kalista tentava controlar o riso que queria sair de sua garganta… Ela simplesmente estava amando aquela cena.

– Clint chegará aqui e as consequências serão piores. – ela explicou, tentando soar calma, confiante; mas era difícil, quando se tratava de uma mutante tão poderosa e aparentemente descontrolada – Você deve isso a Andros… E vai se arrepender se algo acontecer com ele.

Waterloo quis quebrar o contato visual, porém, de alguma forma, ela não conseguiu. Shaw falava com uma certeza tão impressionante; com uma tranquilidade que nem ela mesma conseguira demonstrar, tantas vezes em sua vida… Que ela não se viu com outra saída, a não ser se acalmar.

E quando a coloração de seus olhos voltara ao normal, seu rosto se avermelhou. Ela olhou a cena ao seu redor: todos a fitavam, alguns assustados, outros com certa… Pena. Josi não conseguia esconder a raiva de sua face, e Kali havia arranjado algum jeito de dissipar a diversão de suas feições.

A jovem se afastou do grupo com passos decididos, tentando não sucumbir ao desespero que agora sentia crescer dentro de si. Ao se aproximar do loiro desmaiado, Josi arqueou os dentes e rosnou, tentando protegê-lo do que pensou ser outro ataque à sua pessoa.

– Não vou machucá-lo. – ela prometeu, e algo em sua voz fez com que a morena baixasse a guarda, pelo menos por alguns instantes – Me desculpe. – ela disse, sentindo seus olhos aguarem-se. Ela esperava que ninguém, além de Josi, a visse daquela maneira… E a garota se sentiu aliviada quando a outra não disse nada a respeito.

As duas o ergueram, e Jon fez menção de ajudá-las, mas foi logo dispensado por seus olhares. Elas o carregaram porta afora, deixando aquele silêncio incômodo para trás… Enquanto Lily pôde, finalmente, tirar a tensão dos ombros e expirar de maneira profunda e aliviada.

– Tá tudo bem. – a morena nem percebeu quando a garota dos dreads coloridos se aproximou, com um sorriso gentil em seu rosto – Se isso te ajuda, eu sabia que ela não ia machucar você.

Lily riu com vontade após a revelação da amiga.

– Essa informação teria sido muito útil alguns momentos atrás. – ela confessou enquanto mostrava sua mão, que ainda estremecia levemente pelo medo anterior. Ambas riram juntas, encarando-se como se já se conhecessem há muito tempo…

(…)

Alice já havia voltado para a aula- não sem antes pedir desculpas mais algumas vezes — e a enfermeira, após uma boa verificada nos ferimentos feitos, dissera que nada de grave havia acontecido ao garoto, e logo saira da sala para que o acamado pudesse descansar…

Mas Josi continuava ali. Ela estava sentada ao lado do travesseiro, apoiando a cabeça de Andros em sua perna, com um sorriso deveras calmo e preocupado a ocupar o seu rosto, enquanto seus dedos acariciavam seus cabelos loiros e sedosos e uma leve melodia ressoava de sua garganta. A face desacordada do amado a lembrava de momentos felizes, anteriores a estes que eles agora passavam: o garotinho assustado do orfanato, escondido atrás do muro todas as manhãs, apenas para vê-la ir para a escola; a época da decisão da mãe, que adotara o menino para fazer companhia para sua filha; as brincadeiras e diversões, que apenas os dois conheciam, se tornando, a cada dia, em algo que eles nunca imaginaram sentir um pelo outro…

– So lately, been wondering, who will be there to take my place… When I'm gone, you'll need love, to light the shadows on your face…

– Sempre gostei dessa música. – o sorriso da garota abriu-se ainda mais ao ouvir a voz grogue de seu amado, sentindo lágrimas acumularem-se no canto de seus olhos.

– Eu sei. – ela disse, rindo levemente, acariciando seu rosto enquanto os olhos que ela tanto amava se abriam devagar – Você a colocou no nosso primeiro encontro.

– Verdade. – ele abriu um sorriso pequeno, não sem uma certa dificuldade – Quando te chamei para dançar, me sentia tão nervoso que pensei que você teria nojo de tocar em mim, já que estava tão suado…

Ela riu, mais abertamente dessa vez. Ela adorava aquele Andros: sempre tão alegre, tão calmo e de bem com a vida… E ele reservava aquele pedaço somente para ela.

– Eu estava louca para que você me convidasse. – ela confessou, mesmo sabendo que ele, provavelmente, sabia também – Foi quando você disse que me amava. – seu rosto abandonou um pouco do brilho que havia obtido, para dar lugar à tristeza e ao medo que sentira momentos antes, naquela Sala de Perigo…

– Ei… — ele apoiou a mão direita no rosto da amada, secando algumas lágrimas teimosas que escorriam pelas bochechas – Eu estou aqui. – ele disse, e ela deixou escapar um soluço de sua garganta – Eu sempre estarei aqui…

Suas bocas se juntaram, a tensão que ocorria entre eles há alguns dias se dissipando apenas por aquele momento caloroso, único. Os braços do garoto envolveram a namorada, puxando-a para um embrace mais íntimo; e não precisou fazer mais nada para que aquele beijo se aprofundasse, fazendo-a com que deitasse ao seu lado, entrelaçando suas pernas, escorrendo as mãos pelo seu corpo…

Nada mais foi dito; e nada precisava ser. Ambos conseguiam se entender apenas pelo olhar; pela menção de suas bocas, a expressão de seus rostos. Os dois se amavam… E isso já bastava.

(…)

– Cadê Josi e Andros?

Os recrutas não responderam, de imediato. O Arqueiro encarava a todos; seu olhar sempre atento, sempre pronto para quaisquer sinais de perigo… Ou menções de problemas.

– Andros não estava se sentindo bem. – Sabine disse, olhando para todos afim de que a apoiassem em sua descrição dos acontecimentos – Josi está com ele na enfermaria.

Kali fez um gesto com a boca, mas todos a fuzilaram com o olhar, e ela permaneceu em silêncio. Alice encolheu-se em seu lugar, porém, continuou a morder o lábio inferior firmemente.

– Pois bem. – Clint disse, enfim. Ele sabia que seus alunos escondiam algo; mas se a situação já estava sobre controle, então era melhor deixar as coisas como estavam.

Ele retirou um controle remoto de seu bolso esquerdo, apertando um de seus botões. Antes que seus estudantes tivessem a chance de questioná-lo, o cenário ao seu redor mudou rapidamente. Se eles, antes, estavam na Sala de Perigo, agora se encontravam em um cenário completamente diferente: um campo desdobrava-se aos seus olhos; grandes árvores à distância formavam-se, e a grama aos seus pés parecia acariciá-los apenas por sua aparência. Alguns materiais estavam dispostos mais a frente: miras de tiro ao alvo, bonecos de areia e outros que eles nem ao menos sabiam identificar. Alguns ficaram boquiabertos; outros somente… Surpresos.

– “Armas: a Extensão do Corpo”. – Barton disse, chamando a atenção de volta para si – Alguém tem ideia do que isso significa?

– Quando não se pode usar os poderes, temos que substituí-los por algo que nos ajudem a atingir os objetivos desejados. – Bianca dizia com extrema ansiedade em sua voz. Ela havia tido aquela aula há anos atrás; não queria decepcionar o seu professor ao não responder aquela pergunta – A arma tem que ser compatível com aquele que a usa. Ambos tem que ser um só, na hora da batalha; e se a pessoa não sabe usar o próprio instrumento… — ela deixou a frase morrer, sabendo que deixara bem claro o ponto em que ela queria chegar.

– Muito bom, Bianca. – Clint não sorriu, mas a pupila soube identificar seu contentamento pelo brilho de seus olhos. Ela sorriu abertamente, e Alice sentiu algo pesar, dentro de seu peito.

– Nessa aula, vou ajudá-los a descobrir qual é a arma certa para cada um de vocês, e os ajudarei a usá-las da maneira mais eficiente possível. – o professor dizia enquanto encarava profundamente os olhos de todos ali presentes – Uma arma não é simplesmente um objeto a ser usado. Para cada personalidade aqui, existe um certo tipo de instrumento; elas são temperamentais, por mais estranho que isso possa soar. Nem todos se dão bem com todas as armas, assim como elas não são feitas para todos os combatentes. Bianca. – a garota sobressaltou-se ao ser chamada, não esperando ser notada, novamente, tão cedo – Pode nos fazer uma demonstração?

Ela sabia que aquilo não fora uma pergunta, mas, mesmo assim, ela acentiu com a cabeça. Ela se separou do grupo, pegando o arco e flecha que se encontrava nas mãos do Gavião, enquanto este a encarava com um olhar que dizia “Como nós treinamos”.

Ela se posicionou à quilômetros do alvo, e inspirou profundamente o ar, enchendo seus pulmões enquanto encaixava os objetos entre seus dedos. Ela esticou o arco; com ambos os olhos abertos, pés afastados, joelhos flexionados levemente e mãos rente ao corpo. Ela expirou com a boca entre aberta, e livrou-se dos pensamentos que a perseguiam há dias… Apenas para aquele momento.

Ela soltou a corda, e a flecha seguiu em frente; parecendo cortar o ar, girando ao redor de si mesma. Charlie sentiu seus olhos brilharem com tal ação. Era algo tão lindo, tão belo e perfeito…

Ela sentia que a sua arma estava bem ali, à sua frente.

– Vejam como esta, não é, a arma de Bianca. – a garota voltou a juntar-se ao grupo enquanto murmúrios surpresos tomavam conta do mesmo – Ela tem técnica, e teve aulas o suficiente para que fosse excelente nessa arte… Mas observem como ela não acertou o centro do alvo. – Clint os fez notar, e suas palavras não se desviavam da verdade. A flecha havia acertado, sim, o alvo; mas apenas no círculo ao redor do centro.

E, estranhamente, ela não parecia abalada com tal fato. Clint já lhe havia falado sobre o assunto, e eles ainda estavam à procura incansável por seu instrumento. Às vezes, a garota sentia como se suas esperanças estivessem morrendo, aos poucos… Mas ela sabia que, no final, aquela espera valeria a pena.

– Quero que todos peguem uma arma e a tentem usar nos materiais dispostos. – Barton mencionou com a cabeça uma caixa à distância, deixando-os terem a certeza de que os instrumentos se encontravam ali dentro – Quem estiver com armas de fogo, esperem pelas minhas instruções. – diante do silêncio, ele finalizou – Podem começar.

Os recrutas se dissiparam, e Alice viu sua abertura para aproximar-se de Lylian. A morena retesou levemente o corpo, mas não se afastou da garota.

– Obrigada. – ela disse com um pequeno sorriso no rosto. Lily sabia que aquilo havia sido extremamente difícil para a outra; e não pôde deixar de lhe devolver um grande sorriso em troca.

– Ninguém queria a Mansão pegando fogo, não é mesmo? – ela disse, rindo com vontade enquanto a outra tentava segui-la no gesto, abrindo um pouco mais sua expressão.

– O que estão fazendo? – Ary aproximou-se, soando alerta e preocupada, mas as duas sabiam que aquilo não passava de uma mera encenação de sua parte – Acho que nosso professor está de TPM hoje. Estão afim de levar flechadas na bunda de vocês?

E, rindo como nunca o fizeram antes, as três voltaram para a aula, sentindo que, aquele momento, poderia ser definido como o começo de uma bela amizade…

Notas finais
Sugestões? Críticas? Ameaças de morte?