Iniciativa Vingadores
9 E quem disse que não gosto de me queimar?
Notas iniciais
Espero que minha rapidez as alegrem rsrsrs
Estava mais inspirada desta vez, mas vai saber, né? ^^
Queria agradecer a Bárbara Herdy, a Déborah Poynter Rogers e a Juniffer_angel, que me ajudaram bastante a ter mais ideias de como prosseguir com a história, e a vocês também, leitoras, por sempre me incentivarem a escrever, mesmo quando minha criatividade está a -0 hehe
Obrigada a todas e todos, de coração ♥
Se, por acaso, me esqueci de agradecer alguém, me perdoem, sou péssima com nomes hehe
Bem, aí vai mais um capítulo lol
Boa leitura!
– Fico feliz que tenha vindo, Logan.
O homem sorriu de lado; aquele tipo de sorriso que ele dava quando não queria, de fato, fazer o gesto. Ele soltou uma risada baixa, enquanto sentava-se ao lado da maca.
– Para vê-lo desse jeito, preferia ter ficado na Mansão. – Logan cruzou os braços na altura dos peitos, erguendo a sobrancelha, sabendo que o mais velho veria sua expressão, de uma forma ou de outra – Sabe-se lá o que aqueles Vingadores estão fazendo na minha ausência…
Wolverine sabia que o ancião lhe sorria, por mais que sua face não o conseguisse demonstrar. Ele não queria realmente admitir, mas todos os nervos de seu corpo odiavam aquilo que via, naquele momento… Ver Charles Xavier ali, com seu corpo em coma naquele quarto de hospital vagabundo, era algo que o homem nunca imaginara ter que enfrentar em sua vida…
Mas que, agora, estava ali, à sua frente.
– Você fala como se a mansão fosse sua. – ele aumentou levemente o sorriso ao ouvir a voz brincalhona do Professor – Eu ainda estou muito bem vivo, obrigado.
– Quase. – sua expressão voltou a se tornar soturna e, de certa forma, atormentada – Se isso o que você chama é realmente vida.
Ele escutou a expiração paciente do ancião em sua mente, e sentiu como se sua mão estivesse se apoiando em seu ombro, em sinal de compreensão.
– Acredite, eu queria estar tão ativo quanto você, nesse momento. – ele dizia, suas palavras parecendo acalentar as preocupações de Logan, como sempre haviam feito – Conseguiria evitar muita coisa que está a acontecer…
Os braços de Wolverine se desentrelaçaram, enquanto os seus olhos se arregalaram brevemente.
– Como disse, Professor? – ele disse, sua voz nunca deixando a seriedade, o tom de voz enegrecido. Imagens se formaram em sua mente, e seus pensamentos retornaram à Fênix.
– Primeiro a cadeira de rodas, agora o corpo inteiro… — Charles riu levemente, ignorando a pergunta feita pelo seu antigo aluno – Quem diria que, um dia, eu estaria nessa situação?
– Professor, você está me enrolando. – levantando-se do acento, ele apoiou ambas as mãos ao redor do corpo de seu mestre, tentando encarar seus olhos mesmo que estes estivessem, fisicamente, fechados – O que está a acontecer?
Outro suspiro, cansado, pôde ser ouvido antes que a pergunta fosse, devidamente, respondida.
– Ao ter meu corpo paralizado, meus poderes se intensificaram a ponto de eu não precisar mais do Cérebro, Logan. – os olhos do homem voltaram a se arregalar – Consigo estar em muitos lugares ao mesmo tempo, sem mais ter consequências físicas, ou aquelas dores que tanto me afligiam. Porém, com tanto poder, veio uma responsabilidade ainda maior… — a voz de Charles tornou-se mais urgente, como se receasse algo, ou a alguém – Não posso lhe revelar muito, pois ainda há inimigos ao nosso redor. Mas isso eu lhe digo, meu caro… — houve uma pausa dramática antes que ele finalizasse, sombrio – Erik ainda vive.
Faltou pouco para que o queixo de Wolverine não caisse com a revelação, deveras, preocupante. Depois de tudo o que os mutantes haviam passado: tentando proteger as pessoas comuns, evitando mortes, feridos… Até matando Jean…
Seria possível que Magneto tivesse, realmente, sobrevivido?
– E ele não está sozinho. – a voz do ancião em sua mente o acordou de seus devaneios aflitos – Desta vez, o mal que virá será muito maior, Logan… — a voz do mais velho parecia ter sido interrompida não por própria escolha, mas sim, por preocupações mais urgentes – Precisa partir, meu caro. Parece que não estamos sozinhos. – o homem parecia prestes a protestar, mas Charles logo continuou a dizer – Ficarei bem, não se preocupe. Vá, e prometa-me que protegerá Alice, à todo custo. Ela é uma das chaves para os planos de Erik, e ela não pode estar ao seu alcance. Pois você sabe muito bem o que houve da última vez…
Wolverine engoliu em seco, sentindo um fio de suor escorrer por sua nuca, em direção a espinha dorsal. Quem poderia ter se juntado a Magneto? E como ele poderia, de fato, se utilizar de Alice?
Ele sabia muito bem das habilidades que a garota dos cabelos vermelhos possuia, e o quão poderosa e, ao mesmo tempo, perigosa ela poderia ser… Mas ela sabia muito bem o que havia acontecido com Jean; será que ela poderia, realmente, chegar a cometer o mesmo erro?
– Prometa-me, Logan. – a voz, outra vez, o acordou de seu raciocínio perturbado – Prometa-me que não deixará Alice acabar como Jean.
Foi sua vez de suspirar, fechando os olhos brevemente e apoiando a mão sobre as têmporas franzidas. Não fora há muito tempo que fizera o mesmo por Rogue, protegendo-a de tudo e de todos – até de si mesma – antes dela se reder à cura mutante, e, depois, nunca mais ouvindo falar de seu paradeiro… Será que ele poderia se permitir a passar pelo mesmo, outra vez?
Parecia que ele não tinha muita escolha.
– Prometo. – ele respondeu, rendendo-se. Ele sabia que, ao ouvir aquelas palavras, Charles deveria estar sorrindo, em seus pensamentos; mas não era a hora de se renderem a sentimentalismos.
– Agora vá. – o sorriso em sua voz parecia alastrar-se ainda mais enquanto dizia – Nos veremos em breve.
Assim que Wolverine se afastou do Professor, um enfermeiro passou por sua pessoa, com o semblante sério, compenetrado, e os passos duros, decididos. Logan continuou a se afastar, à mando de Charles; mas aquela ação nunca lhe pareceu tão difícil quanto naquele momento.
Ele ficará bem, ele pensou, tentando se tranquilizar. Afinal, era de Charles Xavier que ele estava falando.
O homem somente parou de andar quando chegou até a moto de Ciclope, a qual havia tomado como sua quando o mesmo morreu, nas mãos de Fênix. Ele subiu na mesma, não se importando de colocar o capacete enquanto ligava a máquina, deixando um rosnado sair, cortante, de sua garganta. Se Magneto estava por ali, vivo e mais poderoso do que nunca, ele deveria, de alguma forma, tentar impedí-lo; ou, pelo menos, deixá-lo em desvantagem. Ele sabia que não tinha muitas chances contra o mutante em si, devido ao adamantium espalhado por cada pedaço de seu corpo… Mas se havia algo que ele poderia fazer, era lutar; sem se importar com as consequências, os riscos ou o perigo que esse futuro lhe reservava.
Mas ele o faria, de qualquer maneira…
Antes que a situação piorasse.
– Você não tem que fazer isso, Jonas. – Charles dizia para o enfermeiro que se aproximava. As mãos do mesmo estremeciam, enquanto portava duas seringas, respectivamente. Os cabelos do jovem eram negros como a noite, e seus olhos, castanhos como a terra molhada. Os dentes mordiam levemente o lábio inferior, e seu rosto, já pálido, embranqueceu-se ainda mais ao escutar a voz do ancião em seus pensamentos.
– Parece que não tenho muita escolha, não é mesmo? – o mais novo riu nervosamente, sua voz saindo rachada, temerosa. Ele se aproximou rapidamente do velho, e escutou o suspiro derrotado do mesmo, praticamente ressonando em seus ouvidos.
– Parece que não. – Charles respondeu, fazendo com que ele franzisse o cenho, claramente confuso. Antes que o enfermeiro pudesse dizer mais alguma coisa, um clique em seu cérebro foi acionado; fazendo com que seu corpo caísse, inerte, no chão.
Morto.
(…)
– Você está brincando com o fogo, Kali.
A loira sorriu torto, voltando a esticar a bandeja para que o jantar lhe fosse devidamente servido. Era, deveras, cedo para que o grupo voltasse a comer; mas a próxima aula tomaria grande parte da noite, e, se quisessem permanecer bem nutridos e fortes para o treinamento, era necessário que se alimentassem devidamente em cada intervalo de aula. Ou, pelo menos, fora o que o Capitão Steve Rogers havia lhes dito, mais cedo.
– E quem disse que não gosto de me queimar? – ela respondeu, seguindo em frente com a fila – Aliás, não vejo você com muito entusiasmo de entrosação quando se trata da Grey, Charlie. As duas, afinal, estão visando um prêmio que nenhuma pode ter?
A morena revirou os olhos, seguindo logo atrás da nova amiga. Ela observara Kalista com certa admiração e, sem realmente querer admitir, receio ao vê-la desafiar a mutante dos cabelos cor de fogo, e outros, na aula do Gavião Arqueiro. A loira havia tomado certo gosto pelas armas de fogo, e nunca se cansava de demonstrar tal adoração com suas demonstrações em classe.
– É difícil acreditar que eu não precise gostar de todo mundo? – Charlotte respondeu, sentindo certo arrepio na espinha ao, acidentalmente, desviar o olhar para Rogers, que conversava animado com Thor e Bruce em uma mesa próxima aonde agora se encontrava. A semi deusa, ao perceber tal ação, desatou a rir do descuido da colega.
– Sim, um motivo com nome, sobrenome e um propósito maior do que ele mesmo. – ela completou a frase em um tom de escárnio palpável, fazendo a outra espremer os olhos em sua direção – Vamos lá, amiga. Admita que ele é simplesmente um pau mandado da S.H.I.E.L.D! Gostoso, mas, mesmo assim… — ela deixou a frase morrer, mordendo o lábio inferior como se para provar o seu ponto.
– A S.H.I.E.L.D. é tudo o que ele conhece. Você sabe a história dele. – Charlie respondeu, sentindo um aperto no peito, sem realmente querer defender a honra do soldado – Além disso, nós mesmas, logo logo, estaremos na mesma situação. Simples marionetes para o governo usar e abusar, como bem entender. Não foi para isso que entramos, afinal? – a morena ergueu a sobrancelha, esperando por uma resposta coerente.
– Eu vim por uma promessa que ainda não me foi cumprida. – Kali disse entre dentes, deixando sua raiva transparecer em seu rosto. A outra arregalou minimamente os olhos, surpresa por sua reação – Senão, eu nem estaria aqui.
– Você sabe que, quando se trata da S.H.I.E.L.D, nunca se tem escapatória. – ela disse enquanto as duas saiam da fila, indo em busca dos talheres – Eles te perseguiriam até o fim do mundo, enquanto não concordasse em vir para cá. Você só não os fez perder mais tempo. – balançando os ombros, Charlie esticou os braços, pegando para si e para a amiga os utensilios que precisariam para se alimentar.
– Parece que, afinal, eles vão perder, pois não pretendo ficar aqui por muito mais tempo. – ela analisou o ambiente a sua volta, pousando os seus olhos na figura de Naja, que almoçava tranquilamente em uma das mesas mais afastadas do refeitório – Só precisamos de mais ajuda.
– “Precisamos”? – a garota disse enquanto seguia Kalista – Não é possível você achar que qualquer plano de fuga daria certo. – a loira revirava os olhos enquanto a outra continuava a dizer – A S.H.I.E.L.D é uma agência secreta do governo! Eles sabem aonde seu sutiã está quando você não consegue encontrá-lo! – a morena pegou a loira pelo braço, obrigando a encará-la nos olhos – Afinal, para o quê você quer voltar?
Arrancando o braço de sua posse, Kali respondeu, venenosa:
– Para qualquer lugar onde eu possa realmente achar o que eu procuro.
Em silêncio, as duas voltaram a andar, sentando-se, ao mesmo tempo, em frente à morena, anteriormente, isolada. Esta espremeu os olhos para as duas, sem nenhum pudor; desejando poder desaparecer por alguns instantes, apenas, ou simplesmente espantá-las com a força da mente.
Eram nesses momentos que ela desejava ser uma mutante.
– Perderam alguma coisa? – ela respondeu, sorrindo em falso enquanto levava mais uma colherada de arroz em direção à boca. Kalista sorriu maldosamente em troca, enquanto Charlotte bufava, cruzando os braços de encontro ao peito.
– Sim. – Naja ergueu a sobrancelha, esperando pelo resto da frase – Nossa liberdade.
– E o que eu tenho a ver com a liberdade de vocês? – ela respondeu, fazendo com que sua voz soasse com o máximo de sarcasmo possível. Kali apoiou os cotovelos na mesa, e, em seguida, o queixo nas mãos.
– Engraçado, porque, pelo menos para mim, parece que você perdeu a mesma coisa. – o sorriso da outra desapareceu de sua face – E nós temos um plano para recuperarmos o que perdemos.
Charlie estava prestes a complementá-la, mas algo na expressão de Kalista a fez permanecer quieta em seu lugar.
– Por que eu deveria confiar em vocês? – Naja riu, soando divertida com a situação – E para quê precisam de mim? Afinal, a grande Kalista não consegue fazer as coisas sozinha? Pensei que era mais auto suficiente, semi deusa. – as últimas palavras soaram como ofensa para os ouvidos da grega, mas esta se controlou para permanecer tranquila, serena. Seu descontrole era tudo o que a outra queria.
– Não sou egoísta, como muitos podem pensar. Veja isso como um presente; um ato de boa fé, como preferir. – outro sorriso venenoso espalhou-se por seu rosto – E não digo que deveria confiar em nós… Mas está é, provavelmente, a sua única chance.
Naja ponderou suas palavras, e não gostou nada de concordar com elas. Apesar de estar vivendo à espreita, fugindo de tudo e de todos antes da chegada da S.H.I.E.L.D, ela gostara da liberdade que tivera; e tê-la arrancada de suas mãos, outra vez, fazia-a se sentir presa, encurralada. Como se estivesse a mercê dos pais, outra vez.
Um calafrio percorreu seu corpo ao ter esse pensamento.
– O que eu preciso fazer?
(…)
– Não gosto do jeito com que estão conversando. – Sabine disse, olhando de soslaio para onde Kalista, Charlotte e Naja estavam, murmurando entre si em tom de conspiração – Não consigo confiar em nenhuma delas.
– Bem, contanto que não atrapalhem nossas vidas… — a garota voltou a olhar para Willy, que lhe sorria, travessa – Já está de bom tamanho.
Sem conseguir impedir a si mesma, ela, também, sorriu. Era difícil resistir ao charme que Wilhemina parecia carregar para todo lugar em que pisava; seu jeito tranquilo e positivo, seus gestos, às vezes, atrapalhados, cômicos, não conseguiam deixar de fazer os outros rirem: tanto dela, quanto com ela. E a garota parecia muito feliz com tal efeito que produzia.
– Tem lugar para mais dois? – Sabine bufou, desconsolada, quando a voz de Christopher se fez ressoar em seus ouvidos, com um grande sorriso bobalhão em seu rosto. Na aula de Clint Barton, o garoto já havia sido insuportável; lhe jogando indiretas – que mais pareciam diretas, para ser bem sincera -, piscadas de olho e sorrisos que ele pensava serem os mais irresistíveis possíveis. Ela só conseguia sentir seu estômago embrulhando, com tais ações.
– Apenas para um. – ela respondeu, com um sorriso sardônico enquando Orlando sentava-se ao lado da irmã, fazendo o seu ponto.
– Acho que ela tá te expulsando, mermão. – ele disse, abrindo ainda mais a expressão enquanto se sentava ao lado da morena. O rosto dela se avermelhou, fazendo de sua expressão, completamente enfurecida.
– Qual é o seu problema? – ela disse, se erguendo; tentando não aumentar o volume de sua voz – Por que não me deixa em paz, de uma vez? Eu tenho que ser explícita ao dizer que eu o quero, pelo menos, há cinco metros de minha pessoa? – ela esbravejava, tentando ver no rosto do outro algum mínimo sinal de compreensão.
– Não precisa dizer mais nada. – ela estava prestes a expirar, aliviada, quando ele completou, soando extremamente inconveniente – Pode deixar que estarei grudado a você 24h por dia. Afinal, suas indiretas não poderiam ser mais explícitas do que isso. – ele piscou em sua direção, e esse simples ato a fez ter vontade de cair em cima dele e matá-lo de uma vez por todas.
– Então deixe-me ser mais direta. – ela tentou sorrir, mas uma expressão sarcástica tomou o seu lugar – Aproxime-se de mim outra vez e verá que minhas botas podem funcionar e muito bem chutando em certos lugares. – ela fechou a expressão outra vez, afastando-se do lugar com passos duros e decididos, a fim de se ver livre daquela situação o mais rápido possível.
– Chris, você não percebeu que ela não quer nada com você? – Orlie disse, sorrindo torto na direção do mais novo amigo. O outro, geralmente, era muito sensível em relação as mulheres; ou, pelo menos, ele o dizia ser.
– Claro que percebi, meu caro. – Judd respondeu, sorrindo-lhe de maneira galanteadora – Mas eu sigo no lema de que, de tanto cansá-las, as mulheres se dão por vencidas e, finalmente, se rendem aos seus caprichos. – ele piscou na direção dos dois e completou, risonho – Agora, se me dão licença, vou me garantir mais uma noite de muito prazer…
Willa desatou a rir enquanto o outro se afastava, entrelaçando o seu braço ao do irmão e apoiando a cabeça no ombro do mesmo.
– Ah, o amor… — ela conseguiu dizer, mas sem parar de rir. Orlando apenas lhe devolveu o sorriso.
(…)
On the Lake Geneva shoreline…”
O som estava demasiadamente alto para um lugar tão pequeno quanto a Sala 3. Os recrutas entraram no espaço, recusando-se a tamparem os ouvidos devido a música ensurdecedora do Deep Purple; apesar de estarem, evidentemente, incomodados com tal barulho.
“To make records with a mobile
We didn't have much time”
Tony Stark estava ali, sentado na cadeira de professor com as pernas na mesa, de olhos fechados enquanto movia os lábios de acordo com a letra da canção. Ao mesmo tempo, ele balançava os dedos indicadores, como se estivesse a reger o grupo que tocava; estando, completamente, em outro lugar, pelo menos em pensamentos.
“Frank Zappa and the Mothers
Were at the best place around…”
– Sr. Stark? – Jon gritou em meio ao som de guitarras e baterias, mas as suas palavras se perderam em seu meio. Ele olhou para os colegas, erguendo as mãos em sinal de confusão e não sabendo, ao certo, o que fazer.
“But some stupid with a flare gun
Burned the place to the ground”
Ninguém queria chegar até o professor, e, sequer, tocá-lo; temendo que o mesmo se enfurecesse, ou até mesmo os ignorasse. Bianca observava a cena, de certa maneira, perdida. Não era desta forma que ela lembrava-se de Tony; em suas memórias, o excêntrico bilionário sempre lhe parecia gentil, carinhoso… Um verdadeiro cavalheiro.
Mas parecia que, na verdade, sua mente havia apenas brincado com suas lembranças reais.
“Smoke on the water, fire in the sky”
Ary bufou, revirando os olhos para as atitudes nulas ali presentes. Ela rapidamente procurou com os olhos o grande aparelho de som, que produzia aquela canção ensurdecedora; e não tardou a encontrá-lo, estrategicamente escondido no canto daquela pequena sala.
“Smoke on the water…”
Com passos rápidos demais para suas pernas esguias, Ariella andou brevemente até a máquina, procurando com os dedos o botão para desligá-lo e o fazendo imediatamente ao encontrá-lo. Tony arregalou os olhos, claramente surpreso, após a música cessar de maneira tão abrupta. Ele ergueu-se da cadeira, espremendo levemente os olhos ao encontrar Ary ali, ao lado do aparelho de som, a sorrir-lhe de maneira tão inocente.
– Estou pronta para aprender, professor. – ela frizou a última palavra, afim de que seu superior se lembrasse de suas atuais funções – Se você não se importar, é claro.
Ele sorriu com todo o escárnio que conseguiu acumular, aproximando-se da pupila de maneira instantânea às suas provocações.
– Eu me importo. – ele respondeu, clicando no mesmo botão que ela havia apertado, momentos antes – Muito obrigado por perguntar.
Escancarando a boca levemente, ela voltou a clicar no botão, pausando a música outra vez. Fechando o sorriso, ele fez o mesmo; e ela voltou a repetir a ação. Os dois permaneceram a se provocar, cada um apertando o botão na sua vez, até que o mesmo se desencaixou do lugar, caindo nas mãos do Homem de Ferro.
– Parabéns. – ele resmungou, quase em um muxoxo desapontado – Você me deve um aparelho novo.
– E você nos deve quinze minutos de aula. – Alice respondeu às suas costas, fazendo-o se virar para a turma e, pela primeira vez, percebendo que o grupo o observava atentamente – Está nos fazendo perder tempo.
– E, vocês, estão me fazendo perder o meu. Que vale muito mais. – ele voltou a sorrir de maneira sarcástica, e a garota revirou os olhos. Que crianção, ela pensou, enquanto bufava de desgosto.
– Querendo ou não, estamos presos uns aos outros. – Kalista disse, apoiando a mão na cintura e empinando levemente a cintura – Que tal se não desperdissassemos nossas próprias vidas com tais tolices?
– Eu já estou desperdiçando… Estando aqui, conversando com vocês. – ele riu, balançando a cabeça levemente em sinal de descrença – Por acaso vocês sabem o que significa intervalo? Recreio? Ou tenho que ser explícito, e dizer que estou aqui contra a minha vontade e não quero dar essa maldita aula? – ele voltou a se sentar, apoiando, outra vez, as pernas sob a mesa.
– Não viemos aqui para não fazer nada. – Bianca não conseguia acreditar no que estava ouvindo – Precisamos pelo menos aprender alguma coisa!
– Você quer aprender alguma coisa? – ele perguntou, prendendo seu olhar no da garota, fazendo-a engolir momentaneamente em seco – Vou ensinar alguma coisa. – ele disse, erguendo-se de supetão e se dirigindo enfurecidamente até a lousa. Com o giz, ele rapidamente enxeu o quadro negro; o som do material contra o outro preenchendo o silêncio incômodo que se formou ali, naquele momento. Após enxer o espaço com equações científicas aparentemente impossíveis, ele pousou o giz na mesa, limpando as mãos uma na outra e dizendo, com um sorriso maldoso a se espalhar no rosto – Eu sou um gênio. Um p*ta de um gênio que conseguiu criar energia renovável para a minha torre em New York, que poderia muito bem servir para uma cidade inteira. – ele encarava a todos enquanto falava, de maneira quase zombeteira – É por isso que sou tão bom no que faço. Por isso que consegui criar minha armadura, a energia e, ainda por cima, salvar a p*rra do mundo inteiro. – ele riu levemente antes de continuar – Não é algo que se ensina. Não se ensina a ser tão inteligente a ponto de achar que as pessoas ao seu redor são meros macacos falantes. – ele apontou para a lousa e alastrou o sorriso – Quando conseguirem decifrar essa equação, me procurem. Enquanto isso, não tenho nada a ensinar para vocês.
A quietude do ambiente incomodou a todos, até que Lylian se afastou do grupo. No começo, ela se aproximou, timidamente, do quadro negro; mas, ao pegar o giz, suas mãos imediatamente começaram a trabalhar.
Stark a observava, abestalhado, enquanto era a sua vez de cobrir o espaço com seus rascunhos, os seus olhos vasculhando por qualquer erro, algum mísero engano, afim de provar o seu ponto.
Ele não encontrou nenhum.
Assim que ela, também, pousou o material sob a mesa, ela lhe sorriu torto, seus olhos procurando algo nos seus, além da óbvia surpresa e amedrontamento.
– Nos vemos na próxima aula, professor.
Todos estavam com os olhos arregalados e as bocas levemente escancaradas quando a garota se virou para ir embora. Rindo, Ary logo foi atrás da mesma; sendo seguida pelos outros alunos, um por um. Apenas Bianca permaneceu ali.
Ela fitava Stark, e este a fitava de volta, sem saber ao certo o que fazer. A garota tinha o rosto razoavelmente avermelhado; seus olhos meio aguados, e sua expressão machucada, ferida. Bia se aproximou um passo, estando há um palmo de distância de seu professor, e sua voz saiu estremecida quando voltou a falar.
– Não sabia que era de ferro também, Sr. Stark.
Ele sorriu de lado, sem realmente querer faze-lo, e soltou um breve riso de escárnio em sua direção. Ele se afastou, aproximando-se da caixa de som para que pudesse colocar o botão solto em seu devido lugar.
– Acabou de me conhecer, então. – ele disse, sem desviar o olhar do que estava fazendo – Sempre fui assim.
– Este não foi o homem que conheci quando garotinha. – ela disse, erguendo o queixo para se mostrar mais forte, mais valente, mesmo que ele não estivesse a encará-la.
– Não. – ele riu outra vez, mas este gesto ressoou com mais sofrimento que o anterior – Este foi o homem que matou os seus pais.
Bianca tentou não ser atingida pelas palavras que vieram, mas já era tarde demais. Uma grande cicatriz, que carregava inutilmente dentro seu peito, voltou a se abrir; com mais força, com uma dor que ela esperava nunca mais sentir. Bia inspirou profundamente, tentando controlar as lágrimas que, certamente, viriam. Mas que teriam que ser deixadas para mais tarde.
– Você não matou os meus pais.
Ele se ergueu outra vez, encarando seu rosto, procurando algo em sua expressão que lhe diria que estava mentindo. Mas, outra vez, não encontrou o que procurava.
– Claro que sim. – ele disse, soando incrédulo, como se o que ela dizia fosse o maior absurdo que já ouvira. De repente, se tornou importante para ele mostrar-lhe o quão enganada estava; abrir os seus olhos para a verdade, afim de que o odiasse e, assim, ele finalmente pagasse pelos seus pecados – Foi em meu laboratório o acidente. Com os meus cientistas, os meus funcionários. Se eles não trabalhassem lá, isso nunca…
Um tapa em seu rosto foi o necessário para que o excêntrico bilionário, finalmente, parasse de falar. O gesto foi rápido, imprevisível; deixando o Homem de Ferro completamente sem palavras para responder àquela ação.
Afinal, quem, algum dia, iria sequer estapear o rosto do tão famoso Tony Stark?
Muitos queriam, de fato. Mas nenhum o faria.
– Quando irá parar de agir que nem criança? – Bia continuou, sem se afetar pelo que acabara de fazer – Pare de viver no passado e siga em frente. Não importa o que aconteceu, mas você pode mudar o que irá acontecer. – sua voz soava mais tranquila a cada palavra que pronunciava, assim como sua expressão facial – Se conseguir nos ensinar, poderemos salvar vidas, e você finalmente encontrará um pouco de paz. Não é isso o que você quer? Se ver livre da S.H.I.E.L.D? – ela colocou as mãos em volta do reator ark, que pareceu brilhar ainda mais com tal gesto – Eu nunca o culpei pelo que aconteceu, Tony. E nunca vou culpar. – ela se obrigou a sorrir torto ao finalizar, dizendo – A não ser que aja desse jeito idiota, de novo.
Parecia que um grande peso havia sido retirado de sua conciência e, consequentemente, de seu corpo. Quando percebeu, Tony ria com gosto; deixando uma Bia totalmente sem graça e confusa ao, de repente, ser abraçada pelo tão famoso Homem de Ferro, que não queria deixá-la ver as lágrimas que agora se acumulavam em seus olhos.
– Obrigado. – ele disse, deixando-a a arregalar os olhos, ao mesmo tempo em que mantinha seu corpo petrificado. Aos poucos, ela foi relaxando e, sorrindo, ela devolveu o gesto.
Sem repudiá-lo.
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