Iniciativa Vingadores
7 Começando com o Pé Esquerdo?
Notas iniciais
Muitos não apareceram tanto quanto eu gostaria, mas a devida atenção será dada nos capítulos seguintes. Espero que me compreendam :)
Ah, uma de minhas leitoras divas, a autora de "My Hero. My Light." (sim, você mesma, Déborah Poynter Rogers aushausuas), me mostrou um texto muito legal que ela leu, e achei interessante mostrar para vocês também!
O dono do texto se chama Claudiomir José Canan, esse é o perfil dele http://fanfic.potterish.com/userinfo.php?ident=40045
E esse é o texto que gostaria que lessem http://fanfic.potterish.com/visucap.php?identCap=13211&identFic=35499&tCh=13
Não estou dando indiretas para ninguém, don't you worry auhsuasuahsuas
Bem, mais ou menos.
Rsrsrs
Boa leitura!
Ela não sabia por onde estava andando. Seus olhos se encontravam cegos enquanto seus pés seguiam seu caminho; tortuosos corredores, com paredes tão próximas de si que o ar de seus pulmões se esvaiam a cada passo que ela dava em direção ao seu destino.
Alguém a seguia. A garota conseguia senti-lo; a respiração em sua nuca, o calor do corpo maciço em sua pele... Por mais que a distância ainda fosse grande, ela sentia como se ele estivesse bem atrás de si; e, estranhamente, sentiu-se aliviada por encontrar-se no breu. Seria mais fácil despistar a quem quer que fosse, e pelo tempo que fosse necessário.
Seus pés, então, aceleraram o ritmo. Talvez temendo a aproximação perigosa do desconhecido, ou não querendo lhe mostrar aonde estava indo; os motivos não importavam. Quando percebeu, seu corpo movia-se em tal velocidade que ela duvidava que alguém conseguisse segui-la, ou encontra-la; principalmente pela escuridão. E por isso, pela primeira vez em sua vida, ela sentiu-se segura nas sombras.
Suas pernas somente pararam quando uma grande porta apareceu à sua frente. Ela não conseguia, realmente, enxerga-la; as janelas fechadas e a falta de luz eram o suficiente para que ela só a percebesse pelo tato. A garota esticou as mãos; a madeira refinada parecia acariciar sua pele, a tintura relevada em certos lugares; marcada, manchada.
Meros instantes se passaram até que suas ágeis mãos encontraram a maçaneta, claramente trancada por uma chave que já não se encontrava mais ali. Não era necessário, mas, mesmo assim, seus olhos se fecharam; o esforço da concentração franzindo o seu cenho enquanto, com os seus poderes, ela tentava destrancar a entrada. Não demorou muito para se suceder no feito; e assim que ela ouviu o clic da maçaneta, ela empurrou a porta.
A garota expirou, claramente aliviada, quando achou o interruptor e as luzes se acenderam, causando-lhe dor nos olhos, de início. À medida em que sua visão acostumava-se à luz, cada vez mais uma sensação de carinho apossava-se de seu peito; memórias de dias felizes, tranquilos, escapavam de seu interior em forma de lágrimas, que trilhavam, tortuosas, pelas maçãs de seu rosto.
A sala de Charles Xavier havia sido o seu lar pelo pouco tempo em que ali estivera; o suficiente para que ocupasse um grande espaço em seu coração. Aquela sala lhe trouxera conforto quando precisara; as palavras calorosas do ancião sempre sabendo o que fazer para acalmar os seus nervos. Ela deixou um soluço escapar de sua garganta enquanto imaginava o seu Professor ali, sentado à sua frente, sorrindo-lhe como se fosse um ente muito querido. Se ele estivesse ali, agora, certamente saberia o que dizer para aquietar os espíritos ruins que perturbavam sua alma...
– Sabia que não conseguiria despistá-lo por muito tempo. – ela disse ao escutar os sons refinados de passos adentrando aquela sala, uma vez tão aconchegante. Ele havia sido cuidadoso, ela sabia disso; mas, obviamente, não havia sido o suficiente.
A garota virou-se, tentando não demonstrar sua surpresa ao encontrar Barton a mirá-la com os olhos, sua cabeça levemente entortada para a esquerda enquanto observava suas mínimas reações. As orbes azuis da menina inspecionavam a postura do Arqueiro, tentando, talvez, decifrá-lo e desvendar suas reais intenções... Mas nada aconteceu.
Não era a toa que o chamavam de Agente.
– Estava tentando ler minha mente? – suas bochechas, já levemente rosadas, avermelharam-se perceptivelmente diante às palavras do novo professor, revelando-lhe que estivera certo em suas suposições – Certamente não é uma das atitudes mais espertas de sua parte... Jane Doe.
A garota dos cabelos cor de fogo sorriu largamente, uma risada divertida ressoando por suas cordas vocais. O observador só pôde franzir o cenho, em resposta.
– Você sequer sabe o significado desse nome, Agente? – antes que ele lhe respondesse, ela continuou, andando pela sala sem realmente enxerga-lo – Sem família. Sem passado, nem futuro; sem existência alguma. Apenas um nome do governo, assim como John Doe; dados para pessoas de linhagem desconhecida, sem documentos. Sem nada.
– Sei muito bem o que significa. – Clint bradou com os dentes cerrados, tentando controlar os nervos – Só queria que você se lembrasse.
– Do que? – ela pareceu vê-lo, outra vez; seus olhos aguando-se levemente pelas lembranças que lhe vinham naquele momento – De que não tenho uma casa para chamar de minha? Que não tenho pais, ou parentes, para chamar de meus? – ela aproximou-se mais alguns passos – Que eu não tenho nada?
Clint Barton deu um passo em sua direção, pousando as mãos em seus ombros, fazendo-a lhe olhar nos olhos.
– Ao contrário, Alice. – o som de seu “novo nome” fez com que um pouco da tensão de seus ombros lhe abandonasse, pelo menos por um pouco espaço de tempo – Queria que lembrasse de quem você é agora. Do quanto conquistou; do quanto evoluiu, tanto física quanto psicologicamente. Você fez amigos; você fez uma família entre os mutantes. Não importa quem você foi, no passado, ou aonde esteve, e com quem... O que importa, agora, é aonde você chegou com esse caminho.
Ela expirou profundamente, afastando-se do Agente para dar-lhe as costas, direcionando-se para a grande janela do escritório.
– Está dizendo tudo isso pelo que houve lá fora? – não era realmente uma pergunta se ela já sabia a resposta. Ela mesmo estivera com medo; Alice sentira os seus olhos escurecendo-se na demonstração, mas não pudera fazer muito para impedir a si mesma. De alguma forma, a voz do Arqueiro fora a única que a fizera parar; e isso nunca ocorrera antes – Teme que eu acabe por não ser útil para a S.H.I.E.L.D? – ela terminara em um tom de escárnio enquanto sorria torto; esperando, com certa braveza, que o professor lhe respondesse à altura de suas provocações.
Um pequeno silêncio ocupou o ambiente antes que Barton tivesse a coragem necessária para formular uma resposta decente.
– Você poderia ter machucado alguém, Alice. – o corpo da garota retesou levemente – Eu sei muito bem como funciona.
E ele realmente não estava mentindo. Havia sido apenas o primeiro ano do Agente quando ele fora acionado para a missão no Texas; todos ao seu redor estavam ansiosos, e ele se lembrava dos sorrisos entusiasmados enquanto os colegas supunham o que encontrariam no local do chamado. Aliens? Fenômenos supernaturais?
Todas as suposições combinadas não poderiam adivinhar o que encontraram ali naquele dia. Prédios haviam sido destruídos; milhares de corpos jaziam quebradiços pelas ruas, os olhos arregalados de medo, sangue escorrendo por suas peles pálidas. Alguns ainda portavam sorrisos em seus rostos, dormindo tranquilamente... Para sempre.
E ali, bem no centro da cidade, com o caos ao seu redor... Apenas uma garotinha. Clint nunca esqueceria a expressão cortante de sua face: medo, ansiedade, nervosismo... Mas principalmente, tristeza. Os olhos azuis, os mesmos que o Agente via agora, o fitaram apenas por breves instantes antes que Nick Fury a pegasse no colo, seu rosto já possuindo o tão conhecido tapa-olho negro, até mesmo naquela época.
– Levem-na. – ele se lembrava de seu superior dizendo, enquanto colocava um dos cachos ruivos atrás da orelha da menina – E tenham certeza de que tudo seja esquecido.
– E o que pretende que eu faça, Agente? – Barton acordou de seus devaneios com a voz sôfrega e temerosa da garota – Sabe tanto quanto eu que nem sempre consigo controlar os meus poderes. Um dos motivos para que eu tenha...
– O campo de força, sim, eu sei. – ele completou com a voz fraca, seus pensamentos ainda tomados pelas memórias do passado – Mas creio que teremos que encontrar uma maneira para você se sentir segura aqui, outra vez.
– Como? – seu lábio inferior tremeluzia levemente, o que não passou despercebido pelo Arqueiro. Ele sabia o quanto aquele lugar era doloroso para ela... Mas eles tinham que tentar.
– Você não está pronta para treinar os seus poderes com os outros alunos; disso podemos ter certeza absoluta, pelo que vimos hoje na apresentação. Então teremos que fazer isso... De outra forma.
– O que quer dizer com... “Teremos”? – os olhos da garota arregalaram-se minimamente; talvez adivinhando aonde aquela conversa chegaria.
– Eu serei professor de outra área de estudos também, mas nas aulas onde seriam exercidos os seus poderes, eu treinarei você. – a boca de Alice escancarou-se com as palavras do Agente – Acha que se sentirá confortável, desse jeito?
– Eu... Eu não... – a garota engoliu em seco, talvez temendo concordar com suas palavras.
– Você tem até amanhã para pensar. Estarei esperando na sala de treinamento em horário de aula: às 17h30. 17h31 terei ido embora, sabendo sua resposta. – ele lhe deu as costas, aproximando-se da porta rapidamente. Mas antes que saísse, ele pausou, dizendo – Tentou ler minha mente outra vez, não?
Ele escutou a garota engolindo em seco, às suas costas.
– Já ocuparam minha mente, uma vez. – ele se virou para ela, sorrindo torto, com um toque maligno em sua voz enquanto se lembrava de Loki – Digamos que a história não teve um final feliz... Para ele.
– Eu... Eu só... – ela expirou profundamente, afastando os seus medos enquanto tentava manter sua voz firme e confiante – Queria ter certeza.
– Do que? De minhas intenções? – ele mal podia acreditar no que estava ouvindo – Eu serei seu professor em poucas horas! Em quem vai confiar, senão em seu próprio educador? – fora sua vez de expirar profundamente, fechando os olhos – Descobriu o que queria?
Os seus olhos tomaram um tom mais azulado enquanto respondia ao seu superior:
– Que não sabe.
Ele voltou para a sala, dando mais um passo em sua direção.
– Não sei... O que? – ele perguntou, em dúvida.
– Porque quer me ajudar.
Aquilo fora, definitivamente, uma surpresa. Por quais cantos misteriosos de sua mente ela havia estado? Em quais memórias; em quais lembranças ela havia colocado os olhos, seus próprios pensamentos?
Nem o próprio Clint saberia lhe dar essa resposta. Ele somente a sentira ali; futricando seus pertences, colocando sua linha de raciocínio levemente fora do lugar. Haviam motivos óbvios para ele querer ajuda-la, é claro: o fato dela ainda ser perigosa para os outros alunos; pela Mansão X lhe fazer recordar de momentos que ela gostaria de esquecer, a deixando com o humor instável e seus poderes mais instáveis ainda...
Mas por que tomar aquela responsabilidade em mãos? Lógico que ele era um dos únicos naquela mansão que sabia de seu passado, de sua história; mas outros heróis poderiam ajuda-la. Thor, Bruce, Steve... Todos capacitados para tomarem-lhe como aluna; capacitados para ver seus temores e os transformarem em força.
Mas havia algo em sua maneira de encará-lo; ou na forma resoluta e corajosa em que ela se sustentava, não ousando desviar o olhar ou demonstrar suas fraquezas... Algo no seu modo de ser, por assim dizer...
Lhe fazia ter certeza de sua escolha.
Porém, o motivo para tanto permanecia uma interrogação em sua mente.
– Não faça mais isso. – ele respondeu, voltando-se novamente para a porta – Incomoda.
– Ok. – foi tudo o que ela pôde responder enquanto o observava, mais uma vez, partir.
– Saiba de uma coisa... – Alice assustou-se ao ouvi-lo lhe dirigir a atenção pela última vez, naquele momento – É bom não saber das coisas, de vez em quando. Quem é realmente feliz é aquele que vive na ignorância. – sua voz parecia sorrir quando finalizou – Acredite, eu sei.
E, assim, ele se foi.
(...)
Ninguém sabia de onde aquele pequeno pedaço de papel havia saído. Todos estavam distraídos com seus afazeres matinais: alguns tomando café da manhã, outros escovando os dentes; haviam aqueles que se arrumavam para um novo dia e até mesmo os que tinham conversas significativas, uns com os outros.
Mas todos sabiam qual era o significado daquela tabela que eles agora viam ali, à sua frente. Uns franziam o cenho, tentando organizar aquelas palavras em sua mente; outros sentiam sentimentos contraditórios surgirem em seus interiores, ainda sem saber o que pensar sobre as novidades ali presentes.
Alice chegou no momento certo, pelo que parecia. Ela se aproximou do grupo, que estava praticamente esmagado de encontro a porta do refeitório, e tentou passar pela massa agora conjunta, porém, sem sucesso.
– O que houve? – ela questionou Isa, que também tentava olhar por cima do ombro de Chris, que não havia se movido do lugar há mais ou menos cinco minutos.
– É a lista. – vendo que a amiga ainda mantinha o cenho franzido, a garota voltou a explicar – Quais aulas teremos, os professores, os horários... Está tudo aí.
Ainda mais curiosa, Waterloo, se fez ter espaço naquele mar de pessoas, com cotoveladas e trocas de xingamentos. Quando, finalmente, conseguiu chegar aonde queria, ela só pôde arregalar os olhos enquanto lia o seu conteúdo.
Gavião Arqueiro - Armas: a Extensão do Corpo
Capitão América - Trabalhando em Equipe
Homem de Ferro - Estratégias e Táticas de Guerra
Hulk - Sobre o Auto Controle
Loki - A Arte da Trapaça
Thor– Técnicas de Luta e Sobrevivência
Segunda
07h30 – 11h30: Capitão América (Quadra de Basquete)
12h30 – 16h30: Gavião Arqueiro (sala 1)
17h30 – 21h30: Homem de Ferro (sala 3)
Terça
07h30 – 11h30: Loki (Sala do Cérebro)
12h30 – 16h30: Thor (Sala do Perigo)
17h30 – 21h30: Hulk (sala 4)
Quarta
07h30 – 11h30: Gavião Arqueiro (Quadra de Basquete)
12h30 – 16h30: Thor (sala 6)
17h30 – 21h30: Capitão América (sala 2)
Quinta
07h30 – 11h30: Hulk (Sala do Cérebro)
12h30 – 16h30: Homem de Ferro (Biblioteca)
17h30 – 21h30: Gavião Arqueiro (Sala do Perigo)
Sexta
07h30 – 11h30: Thor (Quadra de Basquete)
12h30 – 16h30: Capitão América (Sala do Perigo)
17h30 – 21h30: Loki (sala 5)
Sábado
09h00 – 11h00: Reforço (Instruções serão dadas em cada caso)
12h00 – 14h00: Reforço (Instruções serão dadas em cada caso)
Domingo
Livre
Ela, claramente, precisaria pedir desculpas ao Bruce, depois.
– Isso só pode ser uma piada. – Kali resmungava, mas tinha plena consciência de que todos conseguiam escutá-la – Se não morrermos nos treinamentos, certamente o faremos de exaustão! O que eles esperam de nós? Que sejamos invencíveis ou sem vida social?
– Tenho que concordar com Kalista. – Sabine dizia, parecendo não gostar da ideia de ter algo em comum com a loira – Esses horários certamente não favorecem o nosso desenvolvimento e o de nossos poderes. O que eles estavam pensando, ao organizarem esse calendário?
– Certamente, eles têm um bom motivo para tanto. – Willy, sempre otimista, sorriu de nervoso, enquanto dirigia o seu olhar para trás – Ary?
Todos voltaram-se para observar a garota dos dreads, que arregalou os olhos cinzas ao receber tanta atenção. Pelo seu poder de voltar ao passado, seria lógico pensarem que ela sabia das respostas para sua dúvidas atuais.
– Eu não sei, mas se quiserem, posso dar uma olhada... – ela retesou os ombros, em um sinal claro de rendição à massa humana. Percebendo que a plateia continuava a encará-la, ela escancarou levemente a boca, dizendo – Vocês querem que eu faça isso agora? – ela riu nervosamente pela falta de resposta, mas tossiu, tentando concentrar-se no pedido – Tudo bem, eu...
– Não fará nada, a não ser que lhe seja pedido por seus professores. – murmúrios fracos e contraditórios surgiram no canto dos novatos enquanto o Capitão América se aproximava, de braços cruzados contra o peito – E isso vale para todos. Entendido?
Todos acenaram com as cabeças, não ousando contrariar as palavras do professor. Quando toda a atenção se dirigiu para sua pessoa, Steve Rogers tomou a fala:
– Os horários e as aulas foram escolhidas para fortalecer sua resistência, assim como as salas de aula e os dias da semana. Nesses primeiros dias, esse calendário estará passando por uma fase de testes; para testar os nossos esforços e os resultados esperados. A partir da semana que vem, este calendário será definitivo; e nenhuma reclamação será aceita por nenhum de vocês. Fui claro, outra vez?
Novamente, apenas acenos de cabeça foram vistos na massa de alunos ali presentes.
– Ótimo. Venham. – ele se virou para trás, completando – A sua primeira aula será comigo.
Eles somente engoliram em seco.
A caminhada pelos corredores claros e espaçosos da Mansão X não durou muito tempo. Cada um em sua própria velocidade, mas não tão devagar a ponto de estarem atrasados para a aula, todos chegaram ao mesmo tempo no local escolhido por Steve Rogers...
A Quadra de Basquete.
– Não se dispersem. – o Capitão bravejou, em tom de aviso – Formem uma fileira na frente da porta. – ele comandou, e assim a turma fez, de forma eficiente e recessiva. Steve conteve um sorriso satisfeito, andando até o canto da quadra, pegando uma bola de cor avermelhada e voltando para onde estava anteriormente. Aquilo só poderia significar uma coisa:
Queimada.
– Christopher e Lylian, vocês serão os capitães dos times. – os dois se aproximaram, fuzilando-se simultaneamente. Desde que se conheceram no aeroporto, eles não haviam se visto com olhares muito amigáveis – Lily, você primeiro.
A garota sentiu o coração palpitar em seu peito, mas decidiu ignorar o efeito que seu apelido nos lábios do loiro fizera em si. Charlie espremeu os olhos, mas permaneceu em silêncio.
– Ary. – ela disse, e a garota saltitou até o seu lado.
– Jon. – o garoto disse, e os dois amigos bateram as mãos ao se encontrarem.
– Orlando. – Lily chamou, então; querendo garantir um público masculino em seu time, mesmo que pequeno.
– Charlie. – a morena sorriu, levemente perversa, enquanto andava sensualmente até o moreno, espiando Steve Rogers com o canto dos olhos.
E assim se sucedeu, até ambos os times estarem completos.
– Não será permitido nenhum tipo de poder nesse jogo, e o primeiro a abusar da sorte será desclassificado. – o professor encarou a todos, os seus olhos parecendo analisar os seus rostos enquanto o fazia.
– Boa sorte, pentelha. – Chris sorriu de lado, claramente sarcástico.
– Pra você também, pequeno marionete. – ela piscou o olho, deixando-o esfumaçando de raiva do seu lado do campo; escolhido pelo próprio, de acordo com a posição do sol, já erguendo-se no céu, e a direção do vento.
– Podem começar. – o Capitão disse, pegando o apito de seu pescoço para, enfim, soá-lo.
“Hit Me With Your Best Shot!
Why Don't You Hit Me With Your Best Shot!
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'
Hit Me With Your Best Shot!
Fire Away!
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'”
A disputa começou com uma bola apenas; mas pelo que os jogadores puderam ver, pelo canto dos olhos, o professor já planejava mudar a situação do jogo, lançando cada vez mais bolas na quadra; e o pensamento trouxe um sorriso torto nos lábios de Christopher.
“One way or another, I'm gonna find ya'
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'
One way or another, I'm gonna win ya'
I'll get ya', I'll get ya'”
A bola era lançada de maneira instanânea em ambos os lados; os times estavam muito bem balanceados, mas alguém, em algum momento, precisaria dar um passo em falso. Era tudo o que bastava.
“Well you're the real tough cookie with the long history
Of breaking little hearts, like the one in me
That's O.K., lets see how you do it
Put up your dukes, lets get down to it!”
Isabella fora a primeira. Kalista portava um sorriso quase maldoso ao jogar a bola em sua direção; causando um muchocho de desapontamento em sua pessoa ao sentir a bola dolorir-lhe o ante braço, fazendo-a, assim, sair derrotadamente do campo. Lily espremeu os olhos na direção da loira; recebendo somente um aceno e um beijo soprado, em resposta.
“Hit Me With Your Best Shot!
Why Don't You Hit Me With Your Best Shot!
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'
Hit Me With Your Best Shot!
Fire Away!
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'”
Desde então, foi só questão de tempo para os jogadores, um por um, cometerem os seus erros. Willy, atingida por Naja; Charlotte, queimada por Orlando; Sabine, eliminada por Christopher. Braço, perna, peitos, não importava o local: o que importava para eles, naquele momento, era vencer. E nada mais.
“You come on with a "come on", you don't fight fair
But that's O.K, see if I care!
Knock me down, it's all in vain
I'll get right back on my feet again!”
O Capitão observava a cena e expirava derrotadamente, pousando a mão entre os olhos, fechando-os por meros instantes. Será que eles não iam aprender?
“Hit Me With Your Best Shot!
Why Don't You Hit Me With Your Best Shot!
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'
Hit Me With Your Best Shot!
Fire Away!
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'”
O campo esvaziava-se a cada momento que se passava; mas Lily e Christopher permaneciam ali, com pingos de suor em seus rostos, suas roupas de ginástica ensopadas pelo esforço, colando desconfortavelmente em seus corpos. Eles se miravam com o olhar; tentando se queimar, tentando atrair pelo menos um pouco da vitória prometida. Por enquanto, sem sucesso.
“And if the lights are all out
I'll follow your bus downtown
See who's hangin' out”
Alice jogou-se contra o chão, tentando desviar-se da bola jogada por Kalista. Ela raspou-se, mas sua tentativa não teve êxito; e enquanto Kali a observava partir, com outro sorriso convencido em lábios, ela mesma sentiu-se sendo atingida, desviando a atenção, agora com os olhos flamejando de raiva, em direção a Ary, que somente lhe sorria, em resposta.
“Hit Me With Your Best Shot!
Fire Away!
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'
Hit Me With Your Best Shot!
Why Don't You Hit Me With Your Best Shot!
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'
Hit Me With Your Best Shot!
Fire Away!”
Mas nem mesmo a vidente conseguiu escapar de seu destino, momentos depois. Atingida no estômago, ela saiu do campo; deixando ali, somente os últimos dois oponentes. Evidentemente, Lily e Chris.
Eles se encararam por alguns instantes, a bola deslizando pelos dedos de Christopher. Ele possuia um sorriso presunçoso; quase vitorioso, em sua face. Lylian só fazia olhá-lo; observando cada movimento, cada passo que ele daria, em seguida. Somente esperando o momento em que ele, finalmente, lançaria a bola.
Mas não teve que esperar por muito tempo.
“One way or another, I'm gonna find ya'
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'
Hit Me With Your Best Shot!
Fire Away!”
Tudo aconteceu com mais rapidez do que se esperava. Com agilidade e esperteza, Lily pegou a bola lançada com ambas as mãos, impedindo, assim, de ser queimada; e sem se dar tempo de pensar, ela mesma a jogou de volta, esperando que, assim, ela finalmente comprisse sua missão.
Ela arregalou os olhos com o resultado.
“I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'
Fire Away!
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'
Hit Me With Your Best Shot!”
Lily sorriu largamente enquanto Chris resmungava, suas mãos apoiando-se no estômago onde a bola o havia atingido, momentos antes. Palmas surgiram do seu lado; gritos de felicidade e olhares obscuros sendo dirigidos em sua direção. Alguns vieram cumprimentá-la, e a garota aceitou de bom grado, sentindo-se, por alguns momentos, inteira por dentro.
Mas seu sorriso esvaiu-se quando sentiu Steve lança-lhe um olhar de desapontamento.
– Outra vez. – ele somente disse, voltando a cruzar os braços de encontro ao peito – Kalista e Sabine, vocês serão as capitãs, desta vez.
E assim se sucedeu, por horas à fio. Cada vez que um jogo terminava, o professor ordenava outros dois alunos a assumirem a liderança, embaralhando os times de novo e de novo. Cada um havia sido líder pelo menos duas vezes, até aquele momento; mas ninguém conseguia descobrir qual era o objetivo de seu superior com tal atitude, ou se ele pretendia, algum dia, parar com tal jogo.
A resposta veio na partida final. Estava próximo do meio dia, e os líderes, desta vez, eram Naja e Jon. O jogo estava empatado; era Isabella e Alice contra Naja e Bianca, e nenhuma delas parecia estar cansada o suficiente para desistir de seus postos. Elas pingavam de suor; seus rostos vermelhos pelo esforço e as roupas coladas em seu corpos. Suas respirações eram ofegantes, mas ninguém queria dar o braço a torcer.
Foi quando Isabella viu. A bola, lançada por Naja, avançava com rapidez em direção a Alice; mas esta não parecia perceber a aproximação perigosa do objeto. Isa, então, teve que pensar rápido. Waterloo era melhor jogadora do que ela jamais seria, e se seu time esperava ganhar aquela partida, então, seria necessário que a sorte estivesse lançada para o lado mais favorável da balança, significando que...
Seria necessário um sacrifício.
A garota dos cabelos cor de fogo arregalou os olhos quando percebeu o que a companheira fazia. Soltando um curto exclamado de surpresa, ela não pôde fazer nada enquanto a bola atingia a amiga; um tiro certeiro de encontro ao peito foi o necessário para que a loira fosse desclassificada do jogo.
E então, sem que ninguém esperasse, o apito final soou.
– Muito bom, Isabella. – o Capitão América alargou o sorriso, orgulhando-se de sua mais nova pupila. Ele logo voltou-se para o grupo, dizendo – Não há eu em um jogo de Queimada, assim como não há em uma equipe de heróis. Cada um olha pelo outro, protegendo não só a si mesmo, mas sim ao conjunto inteiro. – ele começou a andar enquanto continuava o seu discurso — Nós somos um. Todos temos fraquezas, medos; qualidades e forças. Nós nos complementamos. Enquanto um pode ser fraco, o outro pode ser forte; a lerdeza é substituída pela rapidez, e a burrice é superada pela inteligência. – Steve Rogers parou de andar, causando uma parada dramática em sua fala – Ninguém vive sozinho, e é por isso que vivemos em sociedade. Porque não conseguiríamos sobreviver por conta própria.
– Alguns duvidariam de sua linha de raciocínio. – Naja disse, de modo que ninguém pudesse escutá-la. Ela cruzou os braços, erguendo uma das sobrancelhas.
– Vocês só conseguirão cumprir missões, salvar vidas e proteger o mundo se souberem confiar e proteger os seus colegas de equipe. – ele se aproximou de Isabella, mas não desviou a atenção para sua face – Esse foi o meu objetivo com o jogo de Queimada. Fazê-los perceber que, sozinhos, nunca conseguirão salvar o mundo. – ele pousou a mão no ombro ensopado da menina – Mas sim, sacrificando-se para um bem maior... – ele balançou levemente a cabeça, completando – O grupo.
Silêncio foi tudo o que ele recebeu, em resposta ao seu longo discurso. Percebendo que os fizera pensar, pelas expressões vazias que lhe deram, Rogers se afastou, andando rapidamente em direção a entrada da quadra.
– Cópias do calendário foram deixadas em suas camas, e vocês tem quarenta e cinco minutos para se arrumarem e se dirigirem para a próxima aula. – ele abriu a porta, completando – Estão dispensados.
Enquanto murmúrios indignados e surpresos tomavam conta do grupo, fazendo alguns abandonarem o local o mais rápido possível, Christopher aproximou-se de Lylian, coçando a nuca de maneira desconfortável e sem graça.
– Jogou bem, pentelha. – ele disse, rindo sem humor enquanto lembrava-se de sua derrota no primeiro jogo.
– Você também, marionete. – ela alargou o sorriso, dando um leve tapa em seu braço musculoso e rindo logo em seguida – Quem sabe você não me derrota em uma revanche, algum dia?
Ele gargalhou com gosto diante àquela frase.
– Você bem que gostaria, não? – ele disse, erguendo a sobrancelha, esperando por uma reação por parte da garota.
Ela só soube sorrir, em resposta.
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