Infância com Uma Única Letra

3 Capítulo 003 Meu nome é...


Notas iniciais
Desculpe-me pela demora, mas aqui vamos para o terceiro capítulo

Um passo foi mais do que suficiente para determinar seu futuro dali para frente. A neve fofa ficou ao formato de seus pés, podendo ficar com eles soterrados, o coração chegando a quase cento e vinte batimentos por minuto, pelo menos foi o que o garoto podia cronometar, mas quem esta ligando para os batimentos quando se esta em uma situação como aquela?

O garoto tinha péssimas experiências com a sosiedade, aliás, nunca tinha entrado em contato com outro alguém a não ser ele mesmo, quero dizer, Watari também contava mas ele preferiria dizer a sua idade, nunca teria brincado com outra criança se é que com seu humor poderia dizer que quisesse brincar de algo.

— Esta tudo bem? -perguntou Watari

— S-sim -disse o garoto meio fraco

— Vamos entrar, se sentira melhor -sugiriu Watari

O garoto então apertou a mão do velho, mas nem tanto a ponto do próprio sentir dor. Caminharam até a casa que centralizava o jardim branco, enquanto caminhavam até lá, podia-se perceber que as crianças que brincavam e riam o encaravam seriamente como se ele fosse um estranho, mas espera...ele é um estranho, foi isso que ele concluiu a muitos olhares maldosos que o cercavam.

Parando em frente a grande casa, pode contar três andares tirando um possível porão, oito degraus até chegarem as grandes portas da entrada, a pequena escadaria era de uma rocha da qual o garoto não pode distinguir, era tão diferente das casas que conhecia e muito mais antiga da ponte em que vivia, as rochas da parede não eram lá tão diferente, só diferenciavam pelo o tom da cor, a escadaria era de uma cor mais profunda e escura enquanto as paredes eram de cor mais neutra, mas não deixavam de ser escuras.

As portas eram de uma madeira seminova, se é que posso usar este termo, era toda detalhada com desenhos de querubins, semideuses e deuses romanos, além dos arcanjos e dos réles mortais, aparentemente era desenhos muito bonitos quase uma obra de arte, mas olhando mais de perto e atentamente podia-se perceber a escuridão de tantos fazendo-o tremer e sentir arrepios na espinha.

Watari não fez questão de fetiches ou qualquer coisa para acalmar o garoto, que somente de chegar perto do local já era notável que gostaria de sair de lá correndo e se esconder na paisagem branca, então empurrou a porta em seu ritmo, não era lá um ritmo alegre e muito menos rápido mas era o esperado de sua idade. As portas rangeram um pouco, e por frente ambos viram um extenso carpete vermelho-rubro com detalhes nas bordas de cor dourada, as paredes de cor beje deixavam o ar menos pesado, não era possível ver o fim do corredor.

— Preciso mostrá-lo ao senhor Roger antes de deixa-lo ir -disse Watari sério

— Tudo bem -disse o garoto estranhamente tranquilo- onde esta ele?

— No terceiro andar, não se importa de subir algumas escadas não é?

— Não -respondeu o garoto

O sentimento de medo não existia mais, o garoto parecia bem mais tranquilo ao ver o interior da casa, não era nada horripilante que o fizesse querer voltar para a vida medíocre de morar de baixo da ponte, não vira nenhuma criança correndo pelos corredores, aliás não vera ninguém além dele e do senhor Watari que o acompanhara. Escadas que quase nunca acabavam faziam o garoto transpirar e a soltar súplicos de cansaço, mas ele não iria parar para descansar até ter a certeza de que poderia ficar naquele local. Demonstrou de primeira grande agrado ao local e se subir tantas escadas para apenas conversar com um homem, denominado Roger, fosse um teste para permanecer ali que seja, pois não iria desistir tão fácil de um milagre que Deus o conçedeu a uma hora tão apropriada.

Enfim, o pés alcançaram o terceiro andar, faltavam somente alguns corredores, assim pensou consigo mesmo, sua conciência não estava errada, e bem no final do corredor, ali estava uma porta da mesma madeira da porta da entrada, ao lado uma placa de metal folhada a ouro com escritas negras dizendo:

''...Roger director...''

Três cadeiras estofadas de um tecido avermelhado estavam á direita, direção ao contrário de onde localizava-se a placa, ninguém estava sentado ali, não até agora.

— Sente-se aqui -disse Watari ainda sério- Preciso conversar com Roger em particular sobre um outro assunto

— Sim -disse o garoto e mais nada pronunciou

Watari bateu com os dedos na porta, a madeira parecia estar tão oca que apenas isto foi capaz de se fazer um barulho relativamente alto, uma voz rouca e grossa disse: '' Pode entrar'' e foi neste instante que Watari entrou sem ao menos se identificar. Mas o garoto compreendeu que se ele tivesse marcado este encontro antes não era preciso disto, mas também concluiu que se tivessem marcado algo não era preciso nem bater na porta apenas teria de se olhar no relógio, apesar de ser mais educado...Ah não estamos aqui para falar sobre isto!

O garoto, que já estava sentado, balançava seus pequenos pés e esfregava suas mãs umas nas outras, olhou a sua frente e vira uma janela muito bonita, a sua volta teria três espécies de moldura, o carvalho negro como a terceira, talhada alguns desenhos típicos que já teria visto em outras casas antigas, a segunda era de um metal que teria visto somente em janelas de vitrines de lojas caras e de porta-retratos antigos, o metal era pintados a uma cor semelhante a do carvalho negro, e a terceira e última moldura era de um metal mais fino e aparentemente menos pesado que o outro, este era de uma cor bronze que apesar de não ser tão chamativa quanto a prata e o ouro, despertava certa curiosidade no garoto, que é óbvio não resistiu em dar uma olhadela na pela janela.

Passou suas pequenas mãozinhas nas três molduras e mais de perto vira que as ''repartições'' ( se é assim que posso me refirir ) entre uma peça de vidro e outra eram do mesmo metal da segunda moldura.

— Estes combinam mais no vidro que na moldura -disse baixinho

Passou a mão sobre o vidro, estava gelado, olhando a fundo pode ver todo o jardim branco de onde teria passado entre aquelas crianças que o encaravam, estas mesmas crianças ainda estavam brincando na neve acompanhadas por um ou dois adultos que vigiavam o local. Um tempo depois o garoto pode ouvir um ou mais bateres de sinos, logo pode perceber que tanto as crianças quanto os adultos apertaram os passos e entraram na casa, seria aquilo um aviso para algo?

Passou-se mais dez minutos quando começou a nevar, os flocos caiam vagarosamente deixando uma sensação de paz e bom agrado ao garoto que se pôs a sentar-se na cadeira novamente. Quase cochilou por causa do cansaço, mas ouviu um certo barulho de movimentação, virou-se ao lado e viu que a porta se abrira, desencostou da cadeira e enclinou a cabeça para ter a visão de algo, o que pode ver foi Watari que o esperava dentro da sala.

— Pode entrar -disse o velho

Não respondeu, se bem que não era preciso. Após entrar, o velho fechou a porta, a sala era um tanto pequena comparado a todo o resto da casa, as paredes eram de um beje mais claro que as paredes para fora do local, a metade delas era recoberta por madeira o chão era um carpete marrom, a sua frente vira duas cadeiras semelhantes a aquelas que permaneceu sentado a alguns minutos atrás, depois vinha uma escrivaninha de madeira carvalho clara, era de um estilo antigo, por cima vinha alguns livros e papeladas, peso para estas e ao lado de algumas folhas do centro, três canetas tinteiras. Aos lados algumas prateleiras com livros e variados, alguns quadros de pessoas que nunca vira na sua frente, atrás duas janelas e uma estante com mais livros, uma poltrona de estofamente negro e é claro o homem que sentava-se nela, o senhor Roger.

— Então -disse o velho- sente-se garoto

— Sim...obrigado -respondeu

O velho não era assim tão velho, apenas mais jovem que o senhor Watari, pelo menos era o que achava, uma cabeça pequena mas um queixo pontudo, pequenos olhos claros, cabelos brancos aos lados e óculos fundo-de-garrafa, um terno marrom claro com gravata-borboleta vermelha, dedos compridos e enrrugados que se entrelaçavam e faziam de apoio ao queixo pontudo e os lábios pequenos do senhor.

— Prazer, chamo-me Roger Ruvie praticamente o gerente deste lugar -ele fez uma pausa- Watari me disse que você é um garoto muito inteligente e capaz, gostaria de permanecer neste orfanato?

— Sim -disse o garoto com a voz rouca e fria

— Pois bem -disse Roger com mais uma pausa- Você...me é um pouco diferente das outras crianças, estou colocando minha fé em você, saiba que apartir do momento que estiver morando sobre este teto terá de estudar as mais variadas matérias e tirar sempre boas notas, praticar exames e se tornar uma grande pessoa, caso ao contrário sera mandado a uma outra instituição, não vou dizer que é a coisa mais fácil pois não chega nem perto disto, perdemos muitas crianças que já pensamos ser brilhantes e que poderiam seguir uma carreira de suceso, apesar de tudo...você aceita?

— Aceito -disse o garoto- não me importo se é difícil porque sei que vou conseguir, tenho certeza que minha inteligência vai me guiar a todos os momentos e que não vou ser burro suficiente para desistir até porque se eu cheguei até aqui...então porque não poderei ir para frente?! Sempre podemos ir mais quando queremos mais não é? -apesar do discuro, o garoto mencionou tudo com uma voz rouca e expressão fria

— Ótimo -disse Roger pegando uma das canetas tinteiras- Qual é seu nome, garoto?

-...meu nome...?

— Sim, preciso de seu nome

O garoto estremeceu, sua face que já era pálida quase ficara transparente, seus olhos reviravam de lá para cá e vice versa, cruzou seus pés e apertava suas mãos constantemente, engoliu seco muitas vezes, mas seu pensamento...uma voz interior ecoou em seu pensamento: ''Vamos, diga seu nome! Esse seu discurso foi para quê? Esqueça o passado, viva o presente para ser o melhor no futuro! Diga seu nome...seu nome..''

— Meu nome....meu nome é...L Lawliet