Infância com Uma Única Letra
4 Capítulo 004 Óh Wammy's House
— L Lawliet -murmurou Roger- É um nome diferente, hein?
— S-sim -gaguejou L abaixando a cabeça- Foram...meus pais que me deram
— Se não for muito incômodo -disse Watari- o que aconteçeu com eles? Você sabe?
— Não senhor -respondeu friamente
— Ótimo...sua idade, por favor
— Oito....
— Aniversário?
— Trinta e um de Outubro
— Por enquanto é só -respondeu Roger olhando para as pilhas e pilhas de papeladas que ainda teria de ver- Pode-se dirigir a seu novo quarto, número 105 no segundo andar, esteja na sala de número 3 ás 10:30 da manhã ainda hoje, esta localiza-se no primeiro andar.
— Obrigado, senhor Roger -respondeu L levantando-se e fazendo uma reverência
Watari conduziu L até seu quarto, apesar de não ser necessário. A porta do quarto era de madeira sólida de um carvalho claro que iluminava um pouco do corredor, o número 105 era destacado em letras romanas folhadas a ouro, a maçaneta era do tipo locked room a qual só precisava de um pequeno empurrão para trancar e de um pouco de força para abrir. Ao momento em que Watari forçou a maçaneta deu-se de cara com dois outros jovens, ambos sentados sobre o tapete, um era um garoto de cabelos desalinhados e loiros, olhos esverdeados e uma pele esbranquiçada, tão esbranquiçada que parecia neve, o outro garoto era o de maior espanto, cabelos negros arrepiados, olhos escuros com um tom avermelhado.
Este segundo garoto era quase que uma cópia de L, um pouco menor relacionando a sua altura, com certeza era mais jovem, mas mesmo assim muito parecido. L ficou espantado por isso, será mesmo que era um outra pessoa e não um reflexo no espelho? Vale lembrar que o garoto também não possuia olheiras tão grossas quanto as de ele, pois se as tivesse seria mais que um backup de seus ''dados''. Watari percebeu o quanto o pequeno teria ficado surpreso, mas não fez nada em questão, apenas deu um leve empurrão a qual fez L acordar para a realidade e entrar no quarto, Watari entrou em seguida fechando a porta em seguida, aproximou dos dois e disse num tom amigável:
— Olá A. Olá B, como vão?
— Vamos muito bem, senhor Watari -respondeu o loiro
— Bom, quero lhes apresentar seu novo companheiro, este se chama L
— L? -disse o moreno com um cubo-mágico em mãos
— Sim, L acabou de chegar aqui, espero que sejam atenciosos e bons com ele
— Mas é claro -respondeu o loiro com grande animação
— Venha cá, L. Não seja tímido
L aproximou-se devagar, escondeu parte de seu rosto com seu cachecol, apesar de não demonstrar nenhum pingo de sentimento, por dentro roía seu corpo e alma desejando permanecer em uma sala escura a qual só tenha ele para conversar e conviver.
Não tinha vergonha, não sentia timidez nem nada, sua verdadeira razão de não gostar de conviver com outros era medo, sim ele sentia um imenso pavor de se aproximar e interagir. Watari é fora desta questão, pois quando tocou com seu olhar no rosto do velho sentiu-se seguro, como se fosse seu pai. ''Pai'', esta palavra ecoou sua mente, as únicas lembranças de seu pai era de puro sofrimento, lágrimas e sangue.
— L, esta tudo bem? -perguntou Watari precebendo a tremedeira
— S-sim...sim senhor, Watari
— Porque não toma um banho? -recomendou o loiro- Aquela porta ali é o banheiro, posso te emprestar uma roupa minha também
— Obrigado, farei isto, senhor
— Senhor? -riu o loiro- não precisa ser tão formal comigo, chame-me de A
— A...?
— Aniki -pronunciou o moreno brincando com o mesmo cubo-mágico de antes
O loiro riu, e acariciou a cabeça do menor. Pareciam tão intimos, é lógico que não eram irmãos, isto estava estanpado em seus rostos, mas a harmonia que os envolvia era tanta...
L não pronunciou mais nada, direcionou-se á porta onde indicava o banheiro, lado direito do quarto. Ao entrar, observou atentamente a pintura dos azulejos, um anjo calmo e claro, a pia de mármore branco e a torneira de prata, o espelho grande e baixo, o sanitário, também de mármore branco e a banheira branca. A banheira era escondida por uma cortina de plástico fino, quase transparente, nele tinha estampado flores esverdeadas, azuis e lílazes.
Abrindo a torneira de prata da banheira, a água quente descia pelo encanamento e preenchia os espaços em seco da pequena banheira. Havia uma cesta de porte médio, L abriu e verificou que aquela era onde deveria ser mantida a roupa suja, deixou a tampa da cesta no chão e começou a retirar suas vestes. Primeiro o sujo e rasgado sobretudo beje, em seguida o cachecol rosado, depois o suéter surrado marrom e a camisa branca, a calça de moletom rasgada marrom e a roupa íntima.
Entrando dentro da banheira sentiu-se como nunca sentiu antes. Deixou a água subir dois dedos antes de chegar a boca, esticou a coluna e deixou seu cabelos negros ficarem molhados, gotas d'água desceram sore seu rosto e tocaram sua grossas olheiras de panda. A espuma escondia seu corpo, e quase se misturava ao tom de sua pele. Fechou seu olhos e relaxou ao máximo, foi durante seu tempo boiando que sentiu todas as dores e pensamentos ruins afastarem para bem longe, o silêncio permaneceu até um pequeno tumulto, fora do banheiro, o fez abrir seus olhos e a sentar na banheira.
— L, é o A, posso entrar?
— ...Pode
L era bem pequeno e inocente, mesmo A sendo quase da mesma idade, ele não disconfiava que o mesmo podia ter más inteções, por isso respondeu como se entrar no momento em que uma pessoa usasse o banheiro fosse algo completamente normal. A empurrou a porta, ficou meio embaraçado ao ver a calmaria do mais velho, e deixou as roupas em cima da pia e saiu as pressas, fechando a porta em seguida.
O pequeno ficou mais uns instantes boiando sobre a água, em seguida puxou a pequena corrente que fez toda a água da banheira descer pelo ralo, puxou uma toalha branca e secou. Colocou as roupas que A teria deixado para ele, apesar de ser mais velho, as roupas ficaram meio largas nele, mas não se importou, sentiu-se confortável em vestir roupas limpas e quentes. Deixou a toalha sobre a cabeça e torçeu as abas para que as gotas d'água não descessem sobre sua vestimenta seca.
Quando saiu do banheiro, o vapor tomou conta do quarto, ambos os garotos abriram um pequeno sorriso no rosto, será que já teriam passado pelo mesmo sofrimento que ele?
— Aconteceu alguma coisa? -perguntou A preocupado
— Não...nada
— E as roupas? Lhe serviram bem?
— Estão um pouco largas mas...estão boas, não me preocupo muito com isto
— Já são dez horas -disse o moreno consigo mesmo- Aniki, ele não tem de comparecer na sala do primeiro andar?
— Tem sim...mas ainda falta trinta minutos, não há do que se preocupar Beyond -sorriu A- e então, L certo? Porque não conta um pouco mais sobre você?
— Sobre.... mim...?
L era do tipo de pessoa que não falava muito, só abria sua boca para dar explicações ou falar de algo que realmente gostasse, mas diante de tantas lágrimas e sofrimentos passados...nada havia chamado-lhe atenção, tinha apenas 8 anos e já havia solucionado alguns casos policiais enquanto morava junto a seus pais, mas agora que foi abandonado...tantas memórias boas que tinha de sua vida anterior foram diminuidas para 0%, desde o momento que fora jogado nas ruas como um objeto, uma caixinha de música quebrada...não tinha muito tempo em que isto havia acontecido mas também não era um tempo tão curto para que não houvesse derramamento de lágrimas de suor e a sensação de poder estar vivo a cada dia que passava sem uma migalha de pão. Era horrível a sensação de ter de compartilhar isto com outras pessoas, se pudesse prefiriria ficar quieto e ignora-los, mas se fizesse isto eles poderiam ficar chateados, e já que teria de morar com eles por um tempo não poderia haver segredos...ou será que não?
— Não lembro de nada de meu passado -disse friamente não demonstrando alterações de humor
— Como assim não se lembra?
— Não lembrando
— Sorte sua -disse Beyond com um pote de geléia vazia- se pudesse esqueceria tudo que passei
L não demonstrou interresse, não erguera sua voz para perguntar o porque, mas o nomeado Beyond exitou em relatar seu passado, coisa que o pequeno L estranho, revelar coisas pessoais a uma pessoa recem chegada a moradia...ele era uma espécie de estranho, porém o menor não pareceu se importar.
— Desde pequeno...enxergo o nome das pessoas em cima de suas cabeças e também...alguns números que flutuam acima deste, meu pai tentou me matar quando o revelei isto e no final...ele morreu misteriosamente e minha mãe...morreu em um acidente de trem enquanto tentavamos escapar de meu pai...a imagem dela debaixo das rodas do trem...seus ossos e membro mutilados...o cheiro do sangue dela ainda é bem forte...e quando achei que não tinha mais esperanças, ele apareceu...o senhor Watari estendeu a mão para mim e conheci este lugar.
— Beyond...-disse A
— Lamento muito -respondeu L ainda frio
— Não lamente por mim -disse Beyond- neste momento você tem de se importar consigo mesmo, apesar do senhor Watari ser bom, este lugar não ira o suportar por muito tempo...isto é, se você for inteligente o suficiente.
— Beyond! -gritou A- N-não fale destas coisa...não agora, ele ainda é muito novo e...
— Novo? Ele é mais velho que você, e...se o senhor Watari trouxe ele aqui...afianl, que diferença faz? Ele vai saber mais cedo ou mais tarde
— Saber o que? -perguntou L com um pouco de interresse
— Este orfanato...Wammy's House...ele foi criado apenas para crianças superdotadas. O senhor Watari é na verdade um grande inventor, e como da para perceber ele está em torno de seus 55 anos...diabete, pressão alta, colesterol alto, infarto agudo do miocárdio...estas são algumas das várias doenças do senhor Watari, os médicos estão surpresos por ele ainda estar vivo e viajando o mundo inteiro além de criar novas invenções...porém tudo pode mudar em questão de segundos, por isto estamos aqui...este orfanato é para crianças que iram susceder o senhor Watari, testes de aptidão fisíca e provas sobre matérias escolares nos são dados todos os dias sem descanso, somos explorados e competimos uns com os outros para que somente um, um herde todo o dinheiro, invenções, moradias entre outros ''prêmios'' do senhor Watari...aqui não é uma colônia de férias, não é um SPA nem outro lugar a qual você pode deitar sobre o leito e pensar: ''Agora, este é meu lar''...aqui, se você não se sair bem voltara para as ruas e tratado como um animal indefeso e abandonado mais uma vez, aqui é ganhar ou ganhar! Eles não aceitam qualquer perdedor...por isso digo, estou aqui porque me esforço a cada dia para me manter em pé, a cada dia em que ganho um dez é mais um dia em que poderei comer e dormir bem, pois a sorte não esta do lado de cada um...a maré pode mudar e voltaremos todos para debaixo da ponte...
L abaixou a cabeça, Beyond parecia tão novo e inocente mas desde pequeno sabia do sofrimento, apesar de não ser tão lastimável quanto a de L, não sabia o quanto tempo ele estava naquele lugar mas sabia que poderia ser jogado na calçada e humilhado em praça pública voltando para a mesma vida de antes, rastejando entre os becos e lixos atrás de comida...Nem mesmo L sabia se era capaz das coisas que aquele orfanato estava a lhe oferecer, e se por acaso não conseguisse? Como faria para permanecer naquele lugar? Ele sabia...era bom demais para ser verdade...tera de se acostumar com isso, afinal como Beyond mencionou, é ganhar ou ganhar.
Notas finais
Prometo-lhes que a partir deste capítulo terei mais inspiração e acredito que mesmo um dele sendo pequeno seu conteúdo será melhor, acabei de ler Another Note: O Caso dos Assassinatos em Los Angeles e simplesmente, recomendo muito.
Mais uma coisa, o personagem nomeado ''A'' é sim uma criança que pertenceu a Wammy's House, porém nada se sabe de seu nome verdadeiro e muito menos aparência, por isto inventei sua aparência e o apelido ''Aniki'' a qual Beyond (também um morador de Wammy's House) o chama é para não ficar repetindo a letra.
Mudei um pouco a história verdadeira também, pois como tinha lido anteriormente, A e B teriam aparecido depois de L, por este motivo fiz ele serem mais jovens do que L (Então L teria 8 anos e A e B teriam seus 6 anos, por aí)
Obrigado mais uma vez quem acompanha a fic.
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