Infratora
4 Pudim
Notas iniciais
Como ele era tão popular? Ele é tão arrogante e ainda se faz de bom moço eu mal o conheço mas já o odeio.
~em casa~
Chego em casa, as luzes estão apagadas e tudo está silêncioso, como previsto estou sozinha, passo direto para o meu quarto e vou tomar um banho, a água estava quentinha e eu sou do tipo que demora bastante no chuveiro, saio do banheiro e vou colocar minha roupa, quando estou me vestindo escuto um barulho de algo sendo quebrado na sala, me assusto e pego um taco de beisebol do lado da minha cama (não que eu já tenha jogado beisebol, mas aprendi com filmes que um taco pode ser mais potente que uma arma) e vou em direção a sala, as luzes ainda estavam apagadas, amaldiçoo a mim mesma por não te-lá acendido, mas mesmo assim consigo perceber uma silhueta, espremo os olhos tentando enxergar melhor, em vão.
Então decido pular para cima da criatura desconhecida (sinceramente eu me senti bem corajosa, como um caçador tentando pegar uma onça).
— Meu Deus! O que você pensa que Está fazendo? — (não parece uma onça, é com certeza não era uma onça).
— Marina? O que você faz aqui? — pergunto voltando a realidade, e indo até o interruptor acender a luz.
— Eu vim fazer uma surpresa, meu Deus, você está ficando mais selvagem a cada dia — diz fazendo-se de vítima.
— Eu não tenho culpa se tem uma on.. estranho na minha sala — falo cruzando os braços.
— E alias desde quando você joga beisebol?
— Quem disse que eu jogo?
— E que eu pensei que...
— Pensou errado Marina, acho melhor você ir para casa, eu preciso almoçar.
— Mas eu trouxe algo para você... Em troca de uma informação.
— Você acha que eu sou uma criança que pode ser comprada? — pergunto fechando os olhos e cruzando os braços novamente.
Escuto ela mexendo em uma sacola, não resisto olho o que ela tem para me oferecer, pudim de leite!
— Droga Marina! — exclamo, e ela sorri vitoriosa — isso é golpe baixo!
— Pois é, mas como você não é uma criança e não pode ser comprada eu vou embora, tchau! — disse partindo com o pudim, com o MEU pudim.
— Marina! Espera, que tal se você ficar para almoçar e a gente conversar sobre algumas informações enquanto comemos pudim de leite — digo e ela sorri, desde quando minha amiga virou uma estorquidora?
~Depois do almoço~
Comecei a comer meu delicioso pudim enquanto a Marina me olhava séria, será que ela queria mesmo que eu dividisse meu pudim com ela?
— Que foi? -Pergunto- você quer?
— Não Anna, eu não quero!
-Então o que é?
— O pudim não é de graça...
— Ah é... O que você quer saber? — pergunto sem me interessar realmente, meu Deus como eu amo pudim! Digo mentalmente me perdendo em meus pensamentos.
-Erick Parker... -Diz, me fazendo sair de meus devaneios.
-Hum... — murmuro agora olhando para ela — o que quer saber?
— Vi vocês discutindo na frente da escola, por que?
— Não gosto dele, simples assim.
— Entendo... -Diz pensativa
— Você não vai nem perguntar por que?
— Não acho que tenha necessidade, na verdade isso é bem sua cara — diz se levantando e indo em direção a TV .
— Ei! O que você pensa que está fazendo?
-Temos um trabalho de ciências em dupla para depois de amanhã -diz
— E como é que eu entrei nisso como sua dupla? E como eu nem sabia disso?
— Lembra quando eu falei que a professora estava chamando seu numero da chamada e você disse "aqui", então na verdade ela estava perguntando quem, queria ficar com esse assunto no trabalho, e eu disse que queria o mesmo — como a marina podia manipular tudo na maior cara de pau?
-Ok — digo com os olhos semi-cerrados.
-Vamos começar? — pergunta
— Hum.... — murmuro e vou para a sala com meu pudim.
— Você vai comer tudo isso? E ainda mais agora?
Eu não a respondo, vou pegar minha mochila com meus materiais, e me sento ao seu lado (comendo o pudim).
— Sobre o que é o trabalho? — vejo o sorriso no rosto de Marina sumir- Marina?
— Câncer... — diz ela
— Marina... — eu sabia o que ela queria com isso.
— Eu pensei que.. — tenta falar, mas eu a corto.
-Você não tem que pensar marina! Esse assunto é meu!
-Não! — diz se levantando a raiva eminente em seu rosto — eu sou sua amiga, eu te suporto quando ninguém mais te atura! Eu estou aqui agora Anna e eu estarei quando você não me quiser mais aqui, porque é isso que os amigos fazem! — Eu nunca tinha visto ela assim antes, mas não deixo transparecer minha surpresa.
— Você não é minha amiga...- digo, eu não grito, mas o tom provocativo em minha voz está bem claro.
— É talvez eu não seja... — diz por fim antes de deixar uma lágrima solitária escorrer em seu rosto e logo em seguida sair.
Olho para os meus materiais no chão e suspiro.
~hospital do câncer~
— Oi — digo entrando no quarto da minha irmã
— Oi — diz com um sorriso, sua expressão era cansada, as olheiras incrivelmente arroxeadas e fundas, seus braços totalmente marcados por pequenos furinhos de tentativas falhas de achar uma veia e sua pele estava pálida .
— Você está bem?- Pergunto
— Eu estou com câncer — diz e da uma risadinha
— Qual é a graça? -Pergunto
— Meu Deus, você é muito preocupada! Vai fazer alguma coisa ao invés de ficar aqui atrapalhando minha soneca da tarde — diz se fazendo de vítima.
-Hum... Ok — digo simplesmente enquanto caminho em direção a saída.
— Ei! Me traz um sorvete antes de ir — diz sapeca.
-Eu mereço ... — digo antes de sair para comprar o sorvete.
~Dois dias depois da marina ter passado em casa~
Olho no relógio e são 6:30 da manhã, me levanto e vou me arrumar para ir a escola.
No café o mesmo clima mórbido de sempre.
— Você vai ver a sua irmã hoje? -perguntou meu pai antes de tomar um gole generoso do seu típico café.
— Não sei, talvez, eu acho que ela precisa de espaço — digo mesmo já sabendo que aquela conversa não acabaria ali.
— Eu estou ocupado, tenho que ir ao escritório hoje — diz olhando para o relógio importado em seu pulso.
— Você sempre está ocupado! — grito.
Ele acente com a cabeça, ele sabia que era verdade, percebo que agora a conversa havia acabado e me levanto.
~Escola~
Passo pelos malditos portões da escola, no meio do pátio da entrada a estátua do fundador me encara com um olhar firme, ele deve ter sido um grande homem, que grande forma de o homenagear, com uma estátua feia e nojenta, castigada pelo tempo e clima.
Passo pela porta e todos saem da frente, alguns me olham e começam a cochichar, pelo visto não tinha sido somente a marina que viu minha pequena discussão com Erick Parker.
Olho para o lado e o vejo, o colegial perfeito, ah se todos soubessem que isso tudo é apenas uma pose.
Ele me vê e acena novamente com um sorriso, maldito, o ignoro e vou para a minha sala com passos firmes, lá encontro Marina, ela está lendo um livro, então bufo para chamar sua atenção.
— Você fez o trabalho? — pergunto, seus olhos transmitem tristeza, provavelmente por lembrar da nossa discussão.
— Não, eu não fiz — diz com um suspiro.
— Entendo... — digo e coloco um grupo de folhas em sua mesa, antes de seguir para a minha, eu havia feito o trabalho.
Ela sorri, e o sinal bate, a aula não foi tão entediante nesse dia, e sobre o trabalho, nos tiramos dez, que foi? Eu me esforço quando quero.
A marina ficou muito magoada comigo, eu nunca a tinha visto daquela forma em toda a minha vida, ver que ela ficou feliz por eu ter feito o trabalho me fez bem.
~Recreio~
— Quer lanchar comigo? — pergunta Marina
— Não — respondo e ela ri.
— Imaginei.
— Hum... Tchau
— Tchau Anna
Retiro o que disse, as aulas foram um saco, a professora de matemática passou uma prova surpresa, e adivinha quem estava boiando, pois é, eu.
~o último sinal toca~
— Droga... -Sussurro em quanto massageio meu coro cabeludo
— Oi — ergo meus olhos do chão e adivinha quem era para completar a desgraça.
— Oi "Peter parker" — digo em tom provocativo,
— Tudo bem com você?
— Estava bem melhor a uns segundos atras — digo e continuo andando
-Espera... — diz enquanto segura meu braço — vamos fazer uma coisa legal
— O que seria capaz de se tornar legal com você? — pergunto.
— Anda, vamos — diz e sai me puxando em direção a uma moto.
— Sobe ai! — diz colocando seu capacete.
— Você não tem idade para dirigir — Digo.
— Droga, você é mais chata do que eu pensei... -Diz para si mesmo, mas eu escuto e quando ele percebe continua — me disseram que você não recusa um desafio, pois eu te desafio, Anna...
— Miller, Anna Miller — digo.
— Então Anna o que me diz? Será que aumentaram uns pontos quando me contaram a história da grande lenda Anna Miller, talvez algo sobre "coragem" — arregalou meus olhos pela maneira como ele fala ele estava claramente me desafiando.
— Pois é Erick Parker — digo me recompondo — você não escutou errado — pego o capacete que ele me estende e sento na moto — a lenda é real.
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