Influence

21 Devil's Advocate Part II


Notas iniciais
Desculpem a demora x:

"Vocês duas deveriam estar molhadas de vergonha."

O último lugar que eu esperava que nos encontrássemos nas três primeiras horas depois de ter voltado para a escola era no escritório de Sue. Nós pensamos o pior, mas ficamos estoicamente lado-a-lado, enquanto ela nos olhava com um olhar de leve nojo. Alguém descobriu sobre nós, alguém sabia, alguém contou para ela. Tínhamos passado a semana antes das aulas voltarem tentando descobrir uma estratégia para lidar com isso. Uma estratégia em que mesmo com qualquer ataque, manteríamos nossas posições sociais, e fingindo que nada havia mudado.

Eu pensei em como começamos nosso dia. Ela me trouxe para a escola, tendo seu carro de volta por causa das aulas e do treino das Cheerios, com a mão segurando a minha tão intensamente que eu estremeci cada vez que ela acelerava ou freava bruscamente.

"Nós podemos fazer isso", ela murmurou, mais para si do que para mim. "É apenas mais um dia. Você é só minha melhor amiga. Isso é tudo."

Ficamos no estacionamento até o último momento possível, agarradas ao ultimo contato físico que poderíamos ter até o final da tarde. Era um silêncio desconfortável. Nenhuma de nós gostou da ideia, mas era a nossa melhor — a única — opção.

“Você sabe que eu te amo, né?”

Eu relembrei o dia em que ela correu para a minha casa — o que ela fez todos os dias que ela estava sem seu carro — e as horas que ela passou comigo depois de sua chegada.

Ela apertou o meu corpo perto do dela.

"Eu sei, San," eu tranquilizei ela, meus braços atados em torno de seu torso. "Eu também te amo." Eu não sei quantas vezes disse isso, mas nunca deixou de causar arrepios quando ela falava, e ela quis dizer isso. Ela quis tanto demonstrar, que ela estava disposta a desafiar seu pai, a fim de passar uma tarde agarrada comigo, nossas roupas descartadas a esmo por causa da pressa. Para qualquer um que olhasse de fora, isso poderia ter sido uma cena muito sexualizada. Mas quando Santana estava livre de suas roupas e me puxava – também nua- para minha cama com ela — ela não fazia nada além de envolver-se em torno de mim e ficar imóveis como tantas outras vezes.

"Eu te amo", ela repetiu. "Mas isso não muda as coisas na escola. Nós ainda podemos perder tudo."

Eu apenas assenti. Eu pensei que assim resolveríamos o problema: ignorando-a. Mas, como eu viria a compreender, ela tinha um ponto.

"Nós podemos dizer às pessoas", ela sussurrou com seus lábios contra meu ouvido e apertou seus seios contra os meus meu. "Eu vou fazer isso por você. Se você quiser. Te devo muito. Mas, você sabe que nunca conseguiremos tudo de volta. Está tudo bem, no entanto. Acho que posso lidar com isso. Se eu tiver você , o que mais eu preciso, né? "

Havia terror em sua voz, mas como todas as promessas que tinha feito para mim, eu sabia que ela estava falando sério sobre contar. Se eu pedisse, ela faria. Ela provavelmente teria insistido em um grande gesto; algum anúncio público seguido pela retirada de nossos uniformes Cheerios antes Sue pudesse arranca-los de nossos corpos. Ela seria atacada todos os dias com raspadinhas no rosto, mas mesmo assim, ainda seguraria minha mão o tempo todo.

Se eu tivesse pedido a ela.

"Não", eu disse com firmeza. "Você está certa. Tenho você. Você me tem. Isso não é da conta deles, além disso. Nós podemos pensar em outra maneira. Nós não temos de dizer a ninguém."

Ela parecia aliviada e ao mesmo tempo insegura. "Sério? Tem certeza?"

Beijei ela. Eu podia ouvir o ar entrando e saindo de seus pulmões, de forma confiável e constante. "Você me odiaria no final, se eu lhe pedisse para fazer isso. Você perderia mais que sua popularidade e seu uniforme Cheerio. E então eu perderia você. Precisamos ter cuidado. Não posso passar por isso outra vez, ter você, e então perder. Eu não vou fazer isso. " Eu relembrei o plano que havia feito quando pensei que nunca mais a veria, lembrando os detalhes vívidos. Isso nunca deixou de me surpreender, a fragilidade e a força que existe nas palavras 'Eu te amo'. Ela e eu estávamos unificadas e ao mesmo tempo escondidas. O medo de admitir a nossa união em voz alta foi suficiente para nos calar.

Mas não completamente.

Estávamos tão cuidadosas. Como, logo em nosso primeiro diafomos descobertas? Santana ficou em silêncio ao meu lado, seus olhos fixos no tapete na frente de seus pés. Ela provavelmente estava tendo os mesmos pensamentos que eu.

Sue falou, o lábio criando um sorriso de pura raiva. "O clube Glee ganhou as sectionals e vocês não fizeram nada para impedir."

Meus olhos dispararam de lado para Santana, que olhou para mim como os ombros relaxados apenas assim. Clube Glee. Esta reunião era sobre o coral e a necessidade insistente de Sue de destruir Sr. Schuester. Por que, apesar de minha lealdade ao grupo, eu estava grata. Ela não sabia sobre San e eu, isso era uma coisa a menos para se preocupar no momento.

"Se vocês fossem samurais, e meu abridor de cartas fosse afiado o bastante, eu faria vocês duas cometerem seppuku". Ela circulou em torno de nós como um predador circulando uma gazela ferida. Era enervante. "Em japonês isso significa ritual de corte da barriga."

Era um pensamento horrível, mas Santana ficou assustadoramente tranquila, próxima a mim, como se tivesse se assustado com o silêncio. Eu falei, minha voz tremendo quando tropecei uma desculpa — qualquer desculpa — para nos tirar de seu escritório, e rápido.

“Nós fomo seduzidas pelo brilho e glamour do showbiz.” Santana olhou para mim, e seus olhos poderiam estar agradecidos, se não estivessem tão apreensivos. Eu queria sair e pegar a mão dela, mas eu resisti e cerrei os punhos juntos no meu estômago.

"Deixa eu te atualizar." O rosto de Sue não amoleceu e mais uma vez ela circulou, andando atrás de nós. "Desde que Quinn Fabray ficou grávida, eu estou procurando por uma nova líder de torcida".

Depois que ela falou minha atenção se voltou para Santana, que havia voltado a olhar para o chão. Isso era o que ela queria. Tudo o que ela queria. E Sue estava oferecendo a ela em uma bandeja de prata, mas ela estava com muito medo de até mesmo para perceber o que o nossa treinadora estava falando. Nós duas estávamos.

"Se vocês querem o cargo e querem ficar em minhas boas graças, vocês vão ter que se virar."

Nós giramos, deixando de lado qualquer expressão que tenha passado por nossos rostos. Sue perguntou se conhecíamos Rachel, nos afirmamos, sim, nós conhecíamos. Sue sorriu.

"Rachel é o tipo de garota que quer tudo. E o que ela realmente quer é um Finn Hudson. E o que eu quero é que vocês vão atrás dele."

Eu parei de ouvir. Santana olhou para mim, com o rosto branco, mas a energia nervosa. Ela estava nos dando uma ordem, mais uma vez, para destruir algo que tanto amávamos. Algo que nos uniu. Glee. Só que desta vez nós não deveríamos espionar passivamente e relatar nossas descobertas. Desta vez, ela queria que começássemos uma guerra, com o objeto de atingir quem ela considerava ser o pivô do time. E ela queria que fizéssemos usando o que ela achava que fazíamos melhor: sexo.

"E, sem ela, Schuester não conseguirá as regionais." O sorriso satisfeito de Sue e o súbito aparecimento de um de seus pesos na minha mão me trouxeram do volta. Santana estava com o outro, e eu me perguntava como tínhamos conseguido-os. Ela tomou o meu de mim e me arrastou pela mão para fora do escritório de Sue, e não parou até chegar ao banheiro das meninas no final do corredor. Ela parou na minha frente com os braços cruzados e as sobrancelhas franzidas.

“San, se acalme.”

Ela parou no meio do banheiro e levantou a cabeça. "Você percebe o que ela acabou de nos pedir, certo? Ela quer que uma de nós seduza Finn. Finn Hudson porra. Como ela poderia pedir... Não. Você não vai se envolver nisso. Eu fasso. Nós vamos jantar, eu vou me esfregar nele até ele ter uma ejaculação precoce. Isso é o que ele faz, certo? Isso é o que Quinn disse que ele faz ... "

Ela estava tentando se convencer de que não havia nada de errado com a situação. Que nós duas ficaríamos bem apesar de tudo. Ela não estava me convencendo, e com base na maneira com que o lábio inferior estava preso entre os dentes, ela estava falhando em convencer a si mesma.

Não era uma maneira fácil de sair disto. Nós não podíamos dizer não. Isso significaria ser rebaixadas para a base da piramide, na melhor das hipóteses. Na pior das hipóteses, uma série de outros problemas que viriam por não ser uma Cheerio.

Ao mesmo tempo, nós duas nos sentíamos mal com a ideia de uma sair com outra pessoa. Nós — nós duas como um casal – era tão novo. Algo assim tão cedo em um relacionamento pode acabar com tudo. Mas Santana, sendo Santana, se ofereceu para levar a carga em si mesma. E ela teria feito em silencio, se eu deixasse. Mas eu não estava disposta a fazer isso.

"San, não", eu tentei acalmá-la, tomando suas mãos nas minhas. "Nós não podemos. Eu não vou deixar você fazer isso. Só porque não podemos estar juntas na escola, isso não significa que podemos nos separar e deixar que alguém fique entre nós. Há grandes responsabilidades que se vem em um namoro. Finn poderia... ele poderia pensar que ... "

Estar em “meio termo” significava que eu estava propensa a entrar em pânico. Ainda mais depois de pensar em Santana e Finn juntos — especialmente juntos de um jeito comprometedor — foi o suficiente para deixar os meus pulmões vazios.

Ela arrastou-me para um abraço e me segurou, apertando para tentar me tranquilizar, tentando me mostrar que ela estava lá, não me deixando ir. "Shh, B, está tudo bem. Eu nunca... E eu acho que Finn não é esse tipo de cara, sabe? Eu poderia... Eu poderia sair com ele depois do treino, mas voltar para casa, para você."

Ela mordeu o lábio com raiva sobre o meu ombro. A frase 'voltar para casa, para você' me surpreendeu. Parecia monogâmico, mas ao mesmo tempo natural, que tivesse caído em tais termos familiares tão rapidamente. Se eu tivesse entendido o quão clichê isso era, então, poderia ter quebrado a tensão. Mas eu ainda era ingênua, tão ignorantes das formas de relações com pessoas do mesmo sexo, que nosso apego co-dependente parecia normal. Precisávamos uma da outra, e isso é tudo o que importava.

"E se..." Havia uma ideia se formando no fundo da minha mente nebulosa. Restos de conversas anteriores — argumentos anteriores. Certas coisas que, mesmo quando medicada, eu não esqueceria.

“E se nós duas fossemos?”

Ela se afastou bruscamente, franziu o nariz em um sorriso, balançando a cabeça vigorosamente. "Não, absolutamente não. Eu não vou deixar."

"Escuta," eu interrompi suavemente. "Não é como se nunca tivesse sido sugerido." Ela parecia visivelmente magoada, recuando um pouco com a memória de nossa briga no vestiário antes das sectionals. "Eu só estou dizendo que nós podemos fazer isso juntas. Nós duas sabemos que não teremos de fazer nada com ele, você mesma disse:.. Finn não é esse tipo de cara, mas pense nisso como uma combinação de duas experiências... Encontro com menino e menina. Sem o, você sabe ... experiência. "

Suas sobrancelhas ficaram franzidas pela confusão. "Você vai ter que ser um pouco mais específica, B, porque a referência é familiar, mas o ponto me confunde."

"Nós duas vamos", eu repeti com um sorriso, esperando que ajudasse a aliviar o desconforto dela em minha referência à sua sugestão de sair em trio com Puck. "Juntas, em um encontro com Finn. Definiremos nossas próprias regras. Ele não pode dizer não a um encontro com duas das garotas mais quentes na escola. Nós controlamos isso, San. Juntas".

Sua carranca suavizou um pouco e ela relaxou ao meu toque, mas sua expressão permaneceu incerta. "B, você não tem que-"

"Sim, tenho. Eu quero. Nós temos. Ficar juntas, nós temos que fazer isso. Vai ficar tudo bem."

A nossa instabilidade emocional era vertiginosa. A constante necessidade de tranquilizar uma a outra era cansativa, mas totalmente aceitável, desde que isso significava que se importava o suficiente para tentar.

Ela assentiu com a cabeça com isso, resignado com a ideia, mas pelo menos mais confortável. Ela me abraçou novamente, seus lábios se conectaram com os meus. "Vai ficar tudo bem", ela sussurrou quando nos separamos, e eu apertei a parte de trás do seu pescoço carinhosamente.

"Sim, vai ficar tudo bem."

Nós não tivemos a chance de encontrar Finn sozinho e longe de olhares indiscretos. Mas depois de seu solo "Hello", quando Rachel — atacou após a traição de Quinn — estava distraído, olhamos uma para a outra.

"É agora ou nunca", disse ela, apreensiva. Eu estendi meu dedo mindinho e ela o aceitou de bom grado. Ficamos juntas e nos aproximamos de Finn. Eu joguei um olhar sobre o meu ombro, a procura de Rachel, e de mais longe avistei Quinn, olhando nossos dedos mindinhos ligados. Uma expressão misturada com preocupação e curiosidade cruzou seu rosto.

"Você é um ótimo dançarino", eu disse, puxando-me de volta para o momento e tentando ignorar o olhar de Quinn as minhas costas.

Finn, que estava conversando animadamente com o baterista da banda, virou-se para mim e Santana. Era bastante surpreendente a rapidez com que ela tinha ido de hesitante a excessivamente confiante. Apenas em andar de um lado da sala do coral para o outro mudou completamente seu comportamento. Pelo menos ela não percebeu o olhar de Quinn.

"Uh, obrigado", Finn murmurou, passando os olhos entre nós duas. "Mas meus pés não estavam realmente se movendo." Ele parecia surpreso que nós estávamos falando com ele, e eu não podia culpá-lo. Nossa interação no passado havia sido limitada a jogos de futebol e as poucas vezes que Quinn tinha colocado — seu namorado e suas "melhores amigas" — juntos.

"Essa foi a melhor parte," Eu respondi com um sorriso falso, e Santana sufocou uma risadinha. Nós não conseguiríamos convida-lo tirando sarro dele, e ela se corrigiu rapidamente. Ela endireitou as costas, abordando-o com altivez e com confiança saindo de seus lábios.

"Britts e eu estava pensando se você... quer sair." Foi um convite sutil, e eu me lembrei de parabeniza-la mais tarde por suas habilidades de atuação. Ela era tão convincente que quase me esqueci por um momento que seu dedo mindinho quase rompeu a circulação do meu.

"Em um encontro...?" Finn ficou confuso, e seus olhos se estreitaram nessa mudança, tentando cortar através da sutileza de San. "Com... qual de vocês?"

Santana olhou para mim, seu sorriso falso estampado perfeitamente no lugar. Assim como nós praticamos, estendi meu cotovelo. Ela passou o braço e segurou-me com força, de modo tranquilizador.

"Com nós duas", dissemos em uníssono, nossos sorrisos ensaiados observando a expressão dele passar de confusão para satisfação em questão de momentos.

"Legal", ele murmurou, envergonhado e nervoso. Ele olhou em volta rapidamente para Rachel, e tomamos isso como nossa sugestão para sair. Santana arqueou as sobrancelhas sugestivamente quando nos viramos e saímos de braços dados da sala do coral.

Uma vez no corredor vazio, ela se inclinou contra o painel de armários e tomou algumas respirações profundas, inclinou-se com as mãos sobre os joelhos.

"Nós fizemos isso", falei soltando o braço, não ficando mais perto, com medo de que alguém possa entrar no corredor atrás de nós. "Isso é uma coisa a menos para se preocupar. Apenas um encontro. Vai ser ótimo."

" ‘Ótimo’ não é a palavra que eu usaria para descrever esta situação, Britt", ela resmungou de pé. "Mas sim, nós fizemos isso. Agora, temos de passar por essa noite, que é uma coisa muito difícil de fazer.”

Mas eu estava “anestesiada” após a minha dose na hora do almoço, e otimista. "Não há nada que não possamos fazer, lembra? Se fizermos isso juntas."

Ela sorriu calorosamente para mim e pegou minha mão. "Você está certa. Agora vamos. Temos Cheerios em vinte minutos. E nenhuma de nós vai conseguir ser líder se começarmos a nos atrasar.”

Eu a segui, mas percebi que ela tinha sua bolsa, enquanto eu não. Falei para ela ir na frente, e voltei correndo para a sala do coral enquanto todos estavam saindo da sala. Eu olhei para o lugar onde tinha deixado minha mochila, debaixo da minha cadeira. Ela não estava lá.

“Procurando por isso?”

Eu girei e lá estava Quinn, sentada no banco do piano. Em sua mão a minha mochila, balançando precariamente em dois dedos.

Notas finais
E então?