Notas iniciais
Tem que ter paciência pelo longo capítulo, perdoem, foi necessário.

Natasha interrompeu a fala, respirou fundo e repensou calmamente, como deveria dizer o que tinha pra dizer.

S: Nat?

Natasha olhou para Steve, como se tivesse sido tirada bruscamente de seus pensamentos, tudo que ela programou para dizer desapareceu.

S: Tem algo errado e você quer me contar sobre isso?

N: Cala a boca, Steve.

Natasha fechou os olhos e suspirou em sinal de frustração. Ela ficou com raiva porque ele falou justamente no momento que ela estava se programando para discursar e agora a mente dela está em branco, então ele é o único a culpar.

Steve franziu a testa e se assustou com a agressividade gratuita de Natasha.

S: Eu fiz alguma coisa?

N: Oh Deus! Steve! Apenas se cale, ok?

Natasha respirou fundo novamente e tentou recuperar a calma. Ela fez negativo com a cabeça, lembrando que ele não sabe de nada, então ela não deve trata-lo mal, ainda mais quando está prestes a dizer que o ama, mas agora nesse momento ela está com raiva.

Natasha deu as costas para Steve e deu alguns passos para se afastar e tentar recuperar o que tinha pra dizer pra ele.

Steve apenas aguardou... quase dez minutos, olhando para Natasha de costas, já sabendo que alguma coisa a está perturbando imensamente.

Seja lá o que for, ele é paciente, ele vai dar o tempo que ela precisa.

Natasha se virou e olhou nos olhos de Steve.

S: Nat?

N: Você lembra quando eu invadi o quarto do seu hotel na Alemanha?

Steve não disse nada, concordou com a cabeça. Como ele poderia esquecer?

Natasha suspirou e fez positivo com a cabeça, entrando em um acordo consigo mesma de que era hora de dizer a verdade.

N: Antes de ir até lá, eu estava no quarto do meu hotel... Eu comecei a pensar sobre quando nos conhecemos e eu tinha um pé atrás com você. Coulson vivia falando o quanto você era um grande herói e soldado, ele e o pai queriam ser como você... Era tão irritante como todos diziam que você era bom.

S: Eu não me vejo assim.

N: Eu sei. Eu soube quando precisamos de você e você não ficava se gabando do que fizera, como o Tony. Eu tentei não ver você como um cara legal, mas você era legal, você era bom...

S: O que...

N: Apenas me escute, ok? Todas as vezes que você me salvou, você nunca viu isso como uma dívida, eu via desse jeito. Eu jurei salvar a sua vida quando precisasse. Eu achei que era apenas por querer pagar uma dívida, mas não era. Era porque...

Natasha desviou o olhar, olhando para o teto e fazendo negativo com a cabeça.

N: Porque eu sentia algo por você, eu não sabia o que era. Eu comecei a ver você como um grande amigo, eu achava que era só isso, porque eu nunca me importei tanto com ninguém assim antes. Nunca.

Natasha teve que suspirar mais uma vez e ela agora fitava o chão.

N: Eu não sei como isso aconteceu, ou quando...

Natasha riu baixinho, sozinha, achando graça do próprio fato que estava pra dizer.

N: Mas... eu me apaixonei.

A testa de Steve que antes estava franzida, relaxou e seus olhos demonstravam surpresa. Natasha finalmente olhou ele nos olhos.

S: No hotel?

Natasha fez negativo com a cabeça.

N: No hotel eu só percebi que já estava apaixonada, eu não sei quando aconteceu exatamente, mas... Você e Sharon estavam começando a ter algo mais forte e... Eu achei que devia tentar uma vez pelo menos.

S: Você veio ao meu hotel, já com essa intenção?

Natasha fez positivo com a cabeça e suspirou. A forma como Steve estava perguntando a fez se sentir culpada por isso.

N: Eu precisava saber como era estar com você, então eu diria adeus e não nos veríamos mais, só que... eu engravidei... eu não esperava ver você de novo.

S: Natasha...

N: Foi errado, eu sei.

Steve fez negativo com a cabeça e ficou em silêncio durante alguns minutos, o que deixou Natasha ainda mais angustiada.

S: Eu não acho que foi errado, Nat. Se eu pensar de novo naquela noite, eu não poderia fazer nada diferente, eu faria de novo. É um pouco engraçado, porque bem antes da Guerra Civil, eu estava apaixonado por você.

Agora foi Natasha quem fez uma expressão de surpresa.

S: Não era nada muito forte, mas eu estava na sua, mas você e Bruce... você me empurrando para um monte de mulheres, você me deixou confuso, eu achei que você não sentia nada por mim.

N: Eu não sabia na época, quer dizer eu acho que sabia, mas eu bloqueava...

Steve suspirou de novo e passou a mão pela barba, fitando o chão. Steve fez negativo com a cabeça.

S: E hoje em dia, você...?

Steve a olhou e Natasha fez positivo com a cabeça.

Steve tornou a fitar o chão e coçou a testa nervosamente.

S: Eu fui um babaca.

N: O que?

S: Eu não notei. Eu... A Sharon...

Steve fez negativo com a cabeça de novo.

S: Por que não me disse?

N: Sharon era sua noiva e ela estava grávida, que direito tinha eu de intervir e dizer o que sinto?

S: Mas nós somos amigos, Natasha. Antes de mais nada, nós somos amigos. Certo?

Natasha concordou com a cabeça.

S: Amigos contam o que sentem um para o outro. E amigos não se machucam. Eu não consigo lidar com o fato de que estava te magoando durante todo esse tempo. Como se sentiu quando eu estava com a Sharon, beijando ela e falando da nossa filha...

Steve franziu a testa e fez negativo com a cabeça, se sentindo extremamente culpado por isso.

S: Se eu soubesse...

N: Para, Steve. Você não sabia. Eu não queria que você soubesse, eu apenas... Eu achei que dava pra viver aqui sem ter que sentir algo por você de novo, mas quando você me beijou quando estávamos em missão... Tudo mudou...

Steve fechou os olhos e fez negativo com a cabeça.

S: Eu não devia ter feito isso.

N: Steve, pare de se culpar, se eu não quisesse, o beijo não teria acontecido. Essa não é a questão. Você me beijou e depois me disse que estava com vontade de me beijar de novo. O que isso quer dizer?

Steve olhou para Natasha e fez negativo com a cabeça.

N: Você ainda não sabe?

Pela primeira vez a voz de Natasha fraquejou ao fim da pergunta que fez. Steve se virou de costas e apoiou a mão na parede, ele fez negativo com a cabeça.

Steve fitou os pés e mudou o tom para um mais suave e comedido.

S: Não é que eu não sinta nada por você. Você é linda e eu me sinto extremamente atraído por você, sempre me senti desse jeito.

N: Eu não quero ser apenas um objeto de desejo pra você.

S: Eu não estou dizendo isso, Nat.

N: Então o que está dizendo?

Natasha perguntou de forma mais incisiva e agressiva. Steve olhou nos olhos dela.

S: Eu estou dizendo que não sei se o que sinto é o mesmo que sente por mim. Provavelmente não.

Natasha abaixou a cabeça e pressionou um lábio contra o outro. Ela fez positivo com a cabeça várias vezes e olhou pra cima, pra evitar qualquer chance de alguma lágrima cair.

Steve a olhou e não pôde deixar de sentir seu coração apertar por ver Natasha daquele jeito. A última coisa que ele pretende nessa vida é machucar ela, ela está num lugar especial do coração dele, mas ele não sabe que lugar é esse ao certo.

N: Você ama ela... Eu entendo...

Natasha olhou para Steve e dessa vez seus olhos estavam cheios d’água.

S: Nat...

Steve se moveu na direção de Natasha, mas ela deu um passo para trás e fez negativo com a cabeça e sorriu.

N: Está tudo bem. Eu entendo.

Apenas uma lágrima conseguiu escapar e rolou pelo rosto dela. Natasha a limpou imediatamente e deu mais passos pra trás, se movendo na direção da porta.

S: Espere...

N: Não.

S: Nós podemos conversar.

N: Não há mais nada para conversar.

S: Nat, talvez nós...

Natasha fez negativo com a cabeça.

S: Me escute.

Natasha já não estava mais com os olhos marejados, ela deu um sorriso de canto de boca para Steve e saiu porta afora.

S: Nat?

Steve correu até a porta da academia, mas Natasha tinha acabado de entrar no elevador. Ela não quis ouvir o que ele tinha a dizer e na verdade, ele queria fazer uma proposta.

...

Natasha subiu até a Ala A e correu até o refeitório. Ela olhou em volta e não achou quem ela queria. Natasha decidiu então ir até o setor de fabricação que ficava na Ala B.

Natasha desceu de escadas correndo e quando chegou no setor de fabricação, avistou Thor, Clint, Bucky e outros poucos operários trabalhando, já que durante fim de semana é opcional trabalhar ou não, a não ser em casos emergenciais.

Natasha correu até Bucky e segurou no pulso dele.

B: Natasha, o que aconteceu?

N: Venha comigo.

Bucky largou as ferramentas de trabalho sobre a mesa e seguiu Natasha pelos corredores, até a Ala A.

B: Por que estamos correndo?

Natasha não respondeu, correu até o dormitório dela e quando abriu a porta, Hill estava acabando de colocar James no berço.

Hill olhou para Natasha completamente vermelha e para Bucky que estava com uma camisa regata, machada de graxa e o corpo brilhando de suor.

H: Eu acabei de por ele pra dormir.

N: Me dê a chave do seu quarto.

H: O que???

N: Hill, agora.

Hill tirou a chave que é em formato de cartão e entregou para Natasha.

H: Você vai lavar os meus lençóis! Já aviso.

Natasha puxou Bucky para fora do quarto dela e se dirigiu para o quarto de Hill. Enquanto Natasha tentava abrir a porta do quarto de Hill, Bucky olhava para os lados e olhava para Natasha, confuso.

B: O que estamos fazendo aqui?

N: Você sabe exatamente o que viemos fazer aqui.

Natasha abriu a porta do quarto e jogou Bucky para dentro do cômodo. E sim, Bucky sabia, ele soube no momento que Natasha apareceu no setor de fabricação e o olhou daquela forma.

Natasha empurrou Bucky contra a cama e ele se deitou. Natasha deitou por cima de Bucky e colou os lábios nos dele. Bucky colocou o braço nas costas de Natasha e subiu a mão até segurar a nuca dela com força.

Bucky fez força para se sentar e manteve Natasha sobre o colo dele. Natasha soltou os lábios da boca de Bucky e segurou na camisa regata suja dele e ergueu para remover, Bucky a ajudou erguendo o braço e logo tornou a segurar na nuca de Natasha.

Bucky tentou beijar Natasha novamente, mas ela desviou e esticou o pescoço para Bucky. Bucky beijou e cheirou a extensão do pescoço de Natasha, distribuiu beijos até o queixo e por fim tentou pegar nos lábios dela novamente, mas Natasha o empurrou para se deitar na cama novamente e não deixou que ele a beijasse de novo.

Na verdade, durante todo o ato sexual que tiveram, Natasha permitiu apenas mais um beijo, já perto do final. Eles ficaram horas naquele quarto. Natasha estava precisando e estava com raiva e triste e ela não conhece outra forma de descarregar tensão senão através de sexo e não deixa de ser uma forma de vingança pela “rejeição” de Steve Rogers.

...

Algumas horas atrás, depois que Natasha o deixou na academia. Steve ficou cerca de meia hora refletindo sozinho sobre o que acabara de ouvir.

Por mais que Natasha tenha pedido para ele não se sentir culpado, era difícil pra ele não se sentir assim. Talvez ele tenha notado alguma coisa, mas não achou que era algo tão intenso assim.

Machucar Natasha, dói mais do que quando ele machucou Sharon com a notícia de ter um filho e de ter descoberto isso na frente de todo o bunker.

Na verdade era insuportável para Steve lidar com o fato de que ele causou dor em Natasha.

Steve não sabe por que ele não sabe o que sente por ela. Em todas as vezes que ele teve a oportunidade de pensar a respeito, alguma coisa grave acontecia e ele dirigia seus pensamentos para resolver tal situação.

Eu não penso nela como um objeto, como ela pode achar que eu a vejo assim? Eu não a vejo desse jeito, foi estúpido elogiar ela, ela sabe que é linda, eu agi como todos os homens agem com ela, fui estúpido e rude. Eu odeio pensar que ela está pensando mal de mim, que ela está pensando que eu a vejo como qualquer homem a vê, não é assim. Não é assim, definitivamente não é assim. Steve pensou enquanto dava um soco no saco de boxe pendurado no teto da academia.

Steve também lembrou que Natasha mencionou Sharon e ele amar Sharon. Era engraçado pensar nisso agora, já que Steve mal pensa nela agora, apesar de ainda visitar ela todos os dias. Steve socou o saco de boxe novamente. Eu amo a Sharon? Eu a amo, ela ia ser a minha esposa, a mãe da minha filha, mas eu não penso nela há tanto tempo. Desde que comecei a passar mais tempo com Natasha, minha cabeça anda muito mais voltada para ela e James. Isso não é justo com Sharon, mas eu não consigo evitar. Eu sinto algo por Natasha além da amizade?

Steve fez o saco de boxe parar de mover e encostou a testa nele, enquanto respirava fundo, tentando obter uma resposta.

É óbvio que eu sinto, eu estou aqui preocupado e me sentindo mal por saber que ela sofreu por mim e tudo que penso agora é numa forma de evitar que ela fique triste. Eu quero que ela seja feliz, isso é o que mais quero nesse mundo. Isso deve ser algum resquício da paixão que senti por ela um dia, talvez esse sentimento nunca tenha ido totalmente embora e ele voltou a dar sinais e crescer no momento que a vi dentro desse bunker. Como é que eu não notei isso antes? Eu não estava prestando atenção... Mas talvez se ela aceitasse, nós podíamos tentar. Era o que eu queria dizer a ela, nós podemos tentar... Eu devo dizer agora.

Steve concluiu e deu mais um soco no saco de boxe, tão potente que estourou o saco. Steve subiu as escadas correndo para manter a adrenalina no corpo, ele estava animado para dizer a Natasha que ele estava disposto a descobrir exatamente o que sente por ela, junto com ela.

Steve bateu na porta do quarto de Natasha.

Hill atendeu a porta.

James acordou com o som das batidas e imediatamente começou a chorar.

Steve olhou para James e depois para Hill.

S: Natasha não está aqui?

H: Não.

S: Você sabe onde ela está?

H: Sim.

Steve ficou olhando para Hill, esperando ela dizer onde Natasha estava.

S: Pode me dizer?

H: Eu acho que é melhor você ficar com o seu filho.

Steve franziu a testa, confuso.

H: Eu tenho trabalho a fazer, então...

S: É domingo.

H: Exato.

Hill saiu do quarto e Steve ainda olhava pra ela.

S: Hill? Onde Natasha está?

H: Ela está no meu quarto.

S: Eu quero conversar com ela, você pode ficar com o James só por meia hora, eu voltarei.

H: Não, eu não posso. E ela não quer falar com você agora, confia em mim... Fique com seu filho aqui... É melhor pra você.

Steve continuou sem entender o que Hill quis dizer com isso, mas ficou no quarto com o James.

Steve fechou a porta e agachou perto do berço.

S: Ei amigão, desculpe ter te acordado.

James bocejou e ainda resmungava.

S: Você ainda está com sono? Você devia dormir. Eu ficarei aqui com você.

Steve sentou no chão ao lado do berço e colocou os dedos entre as gradezinhas do berço. James segurou nos dedos de Steve e parou de resmungar, ele bocejou mais uma vez, mas demorou a voltar dormir, fechava e abria os olhos várias vezes, só para ter certeza que o pai ainda estava com ele ali.

Depois de horas, Steve acabou cochilando com a cabeça encostada no berço, mas manteve a mão no lugar para James segurar e ele não soltou um minuto sequer, enquanto esteve dormindo.

James abriu os olhos e olhou para o pai adormecido ao lado do berço, ele soltou da mão de Steve e ficou de pé. James apoiou as mãos na barra do berço e ficou na ponta dos pés para tentar sair. James tentou diversas maneiras para escapar, até conseguir apoiar os pés nas barras e escalar aos poucos, até passar a perninha para o outro lado.

James ficou deitado sobre a barra superior do berço e depois deixou as pernas caírem para o outro lado, mas ele esqueceu de manter as mãos firmes na barra, soltou e caiu no chão.

Não foi um impacto que o machucasse, mas foi o suficiente para acordar Steve no susto.

Steve desencostou do berço e arregalou os olhos, prestando atenção no James deitado no chão, na frente dele, se levantando agora.

Steve ainda estava confuso pelo sono que estava, ele franziu a testa e bocejou.

S: James? Como você? Você não estava...?

Steve pegou James e o colocou no colo, em seguida olhou para o berço.

S: Quem tirou você do berço?

J: Jamie.

James sorriu e apontou pra ele mesmo.

S: Você? Você saiu do berço sozinho?

Steve olhou para o berço e fez negativo com a cabeça, tentando achar uma lógica pra isso.

S: É muito alto, como você conseguiria?

Steve se levantou e colocou James no berço.

S: Eu vou usar o banheiro, você fica aí. Ok?

J: Ok.

Steve sorriu por James responder e por estar entendendo claramente o que lhe é dito.

Antes de entrar no banheiro, Steve pegou o brinquedinho de James e colocou dentro do berço.

S: Fique quietinho, ok?

J: Ok.

Steve sorriu de novo e bagunçou o cabelo de James.

Steve foi ao banheiro, depois de cinco minutos, saiu e olhou para James fora do berço, de pé, perto da cama de Natasha.

S: James!

James olhou para o pai.

S: Como você faz isso?

Steve se aproximou de James.

S: Por que estou perguntando e duvidando? Você é meu filho.

Steve bagunçou o cabelo de James de novo.

James estendeu o brinquedo para Steve.

S: Pra mim?

Steve pegou o brinquedo.

J: Vrum, vrum.

S: Vrum vrum? Isso é um carro ou um boneco?

J: “Calo”

S: Ah é um carro. Ok. Você quer brincar com o papai?

Steve ajoelhou ao lado de James e empurrou o boneco pela cama e fez som de carro com a boca. James observou e depois riu.

S: Sua vez.

Steve deu o brinquedo para James, que imitou o som que Steve fez e empurrou o brinquedo pela cama e depois pelo carpete do piso.

...

Natasha suspirou, deitada nua ao lado do corpo de Bucky. Como era cama de solteiro, ela ainda estava com parte do corpo por cima do de Bucky.

Natasha fitava a porta do quarto, enquanto Bucky acariciava as costas dela.

Quando Bucky decidiu beijar a testa de Natasha, ela ergueu a parte superior do corpo e olhou pra ele. Bucky sorriu docemente para Natasha, o que a fez querer morrer na hora.

N: Eu preciso ir.

Bucky desmanchou um pouco o sorriso.

B: Está tudo bem, Nat.

Natasha fez negativo com a cabeça e se sentou de lado na cama. Bucky encostou no braço dela.

B: Eu sei que o ama, está tudo bem.

Natasha olhou para Bucky, com surpresa, mas já sabendo que Bucky sabe da verdade.

B: Eu sempre soube disso. Eu só me permiti ter um relacionamento com você, quando estávamos no Bunker Sul, porque não tinha Steve lá, não tinha competição e eu achei que nós podíamos ser felizes juntos. Você, eu e James, podíamos ser uma família. Só que o tempo passou, e eu sempre me dizia que era questão de tempo, até você esquecer ele e passar a olhar pra mim como você olha pra ele.

N: Eu nunca menti pra você.

B: Eu sei.

N: Eu gosto de você, Bucky, eu gosto. De verdade... mas não é como eu me sinto quando estou com Steve. Eu não sei porquê. Ele sequer me ama.

B: Se você pudesse assistir o que eu assisti umas horas atrás.

Natasha olhou para Bucky, aguardando uma explicação para essa frase.

B: O jeito como ele te olha, a forma como vocês estavam. Ele te...

N: Não, ele não ama. Não diga isso. Eu falei pra ele como me sinto, ele disse que não sabe.

B: Eu acredito nele, acredito que ele não saiba ainda. Mas ele sente, eu tenho certeza.

N: De qualquer jeito, eu estou cansada.

B: Então você veio me usar.

N: Não, James...

Natasha tocou o rosto de Bucky.

B: Está tudo bem.

N: Você está certo. Me desculpe.

B: Eu deixei, porque eu queria.

N: Isso não vai acontecer de novo.

B: Espero que aconteça.

Natasha franziu a testa e viu que Bucky estava só brincando e riu logo em seguida.

N: Idiota.

Natasha se levantou.

N: Eu vou tomar banho.

B: Eu vou junto.

Natasha olhou para Bucky e ele estava rindo de novo. Natasha riu e fez negativo com a cabeça.

Natasha tomou banho e depois deixou Bucky tomar o dele.

N: James já deve estar acordado e deixando a Hill louca, eu preciso voltar.

B: Vamos.

...

No quarto de Natasha, Steve já serviu de cavalinho, de carro e agora estava fazendo papel de foguete, deitado no chão, erguendo James no ar com as mãos.

Quando Natasha se aproximou do quarto, do lado de fora podia ouvir as risadas de James e logo franziu a testa, estranhando. Como Hill está fazendo James rir desse jeito, isso é praticamente impossível.

Steve parou de mover James no ar, mas manteve ele no alto, ao ouvir o barulho da porta sendo aberta.

Natasha abriu a porta do quarto, mas estava olhando para Bucky que estava logo atrás dela.

Steve observou os dois, mas nem desconfiou de nada. Ele se sentou e deixou James no colo dele.

Natasha congelou ao ver Steve dentro do quarto dela.

Apenas o modo como Natasha reagiu, que fez Steve lembrar do que Hill disse sobre Natasha estar no quarto dela e que ele não deveria ir até lá. Steve olhou para o amigo, Bucky e notou que ambos estavam como se tivesse acabado de sair de um banho.

O silêncio que se seguiu foi tão grande e tão tenso, que até James ficou quieto, mas foi o que quebrou o silêncio.

J: Mamãe.

Natasha olhou para James e depois para Steve, que estava se levantando do chão agora.

N: Steve, eu...

S: Natasha...

Os dois disseram ao mesmo tempo e se calaram.

N: Eu não sabia que estava aqui.

S: Eu vim falar com você.

N: Sobre o quê?

Steve olhou para Bucky e fez negativo com a cabeça.

S: Nada.

B: Eu... Vou indo. Eu posso ficar com o James se vocês tiverem que conversar...

N: Não.

S: Não.

Os dois responderam ao mesmo tempo.

Steve caminhou para a porta com James no colo.

S: Acho que vocês precisam de mais privacidade que eu. Eu fico com James e vocês...

Steve não conseguiu terminar a frase, a raiva que ele estava sentindo era muito grande para lidar agora.

Natasha não tentou impedir Steve de sair com James, mas antes que Steve desse dois passos, Tony apareceu no corredor e olhou pra ele.

T: Você está aqui, ótimo. Preciso falar com você e Romanoff.

S: Agora não, Tony.

T: Agora sim, é uma emergência.

Tony conversou com Steve, Natasha e Bucky dentro do quarto de Natasha. O que ele tinha a dizer, era um pedido. O Bunker do governo alegava estar com falta de suprimentos, devido a exigência de Tony de que eles aceitassem civis dentro do Bunker.

N: Se não fosse pelos civis lá dentro, eu diria para deixa-los apodrecer lá naquele bunker.

T: Eu sabia que diria isso e eu sei que alguém aqui vai dizer que não vai deixar ninguém morrer de fome.

S: Claro que eu não vou, mas que ideia.

T: Bem, Romanoff é a melhor para ir até o bunker do governo, já conhece a rota.

N: O problema é o carregamento que terei que carregar. Eu não vou conseguir sozinha.

T: Você está certa. Mas eu também sei que alguém aqui vai dizer que não quer que você vá sozinha...

Tony esperou Steve confirmar, mas tudo que aconteceu foi um estranho e tenso silêncio.

T: iiiii....

B: Eu vou com ela.

S: Não.

Natasha e Bucky olharam para Steve.

S: Eu irei.

N: Não.

Natasha fez negativo com a cabeça.

N: Eu não posso sair, sem deixar alguém com James.

S: Bucky fica com ele, ele está acostumado, certo? Vocês costumavam ser uma família, certo? Provavelmente voltarão a ser de novo.

Natasha semicerrou o olhar e franziu a testa, confusa com a frase de Steve.

T: Oh Deus... Isso está acontecendo? Devo gravar isso? Deixa eu ver...

Tony começou a mexer no seu W.T.

Natasha respirou fundo e olhou para Steve.

N: Você precisa ficar com o James.

S: Por que você não fica? Eu vou com o Bucky.

N: E vocês morreriam lá fora.

S: Você não sabe disso.

N: Eu sei.

B: Natasha... Eu acho melhor que Steve vá. Eu não luto como antes, sem meu braço. É mais seguro que ele vá, eu tomarei conta de James.

N: Nós levaremos no mínimo dois ou três dias.

Natasha olhou para James e o pegou do colo de Steve.

N: Não posso deixa-lo.

T: Eles precisam de nós, Natasha... São 400 pessoas... Não podemos deixar mais de nós morrerem. E no final, todos nós lutaremos contra o mesmo inimigo.

Natasha olhou para Tony e suspirou, ela beijou o rosto de James.

N: Eu odeio isso.

Tony encostou a mão nas costas de Natasha, demonstrando solidariedade.

T: Eu sei, eu também.

N: Quando temos que ir?

T: Estamos separando o que podemos e amanhã de manhã, vocês estarão com tudo pronto.

Tony olhou para Steve.

T: Você vai?

Steve concordou com a cabeça.

...

Naquela mesma noite, Steve e Natasha não se falaram mais. Na manhã seguinte, a troca de palavras foi a mínima necessária para que pudessem sair em missão.

Novamente, eles só puderam sobrevoar até um certo ponto. O restante do trajeto, seria feito através de dois triciclos turbinados pelo próprio Tony Stark. Os triciclos possuem um bagageiro amplo atrás, como se fosse uma caminhonete, só que a frente era uma moto.

Depois de tirarem os triciclos de dentro do avião, os dois estavam colocando as luvas e arrumando os capacetes para montar e partir.

Natasha olhou para Steve.

N: Você sabe o que não pode fazer?

S: Não tentar me comunicar com ninguém ou socorrer alguém.

N: Fique com isso na mente.

Steve concordou com a cabeça e montou no triciclo.

Natasha montou no dela e colocou o capacete.

Os dois pilotaram pelo perímetro das cidades, porque Natasha achou mais seguro. Os dois fizeram algumas paradas e a noite chegaram no bunker do governo, onde passaram a noite no dormitório geral, com diversos civis.

Natasha comentou sobre a facilidade em chegar até o bunker sem serem interrompidos ou atacados. As cidades pareciam mais mortas que o de costume.

Na manhã seguinte, os dois se prepararam para deixar o bunker. Montaram em seus triciclos e resolveram voltar pelo mesmo caminho, já que tinha sido seguro passar por ali antes.

Os dois fizeram as paradas quase que nos mesmos lugares e quando estavam perto da última cidade, Natasha sentiu que devia olhar para cima, sua intuição era muito forte.

Natasha não viu nada de anormal no céu e nem nos prédios, que pareciam completamente vazios.

Natasha tocou no botão do capacete, que possuía um comunicador direto com o de Steve.

N: Steve, fique perto.

S: Por que? Você viu algo?

N: Não, esse é o problema.

S: Estou indo.

Steve estava um pouco mais atrás de Natasha e acelerou até ficar ao lado dela e manteve a velocidade.

N: Eu acho que devíamos...

Natasha não conseguiu terminar a frase, um homem saltou do terceiro pavimento de um prédio, direto sobre a moto de Natasha. O susto fez com que Natasha perdesse o controle do triciclo e ele se moveu de encontro ao de Steve.

Foi tudo tão rápido que Steve estava prestando atenção no homem que saltara sobre Natasha, antes que sua atenção voltasse para o triciclo, o de Natasha se chocou com o dele, fazendo Natasha e o homem voarem no chão.

O triciclo de Natasha chegou a capotar algumas vezes e acabou por esmagar o homem que tentou atacar Natasha. Steve conseguiu frear o triciclo um pouco distante, e logo o motor do triciclo começou a pegar fogo.

Steve pulou do triciclo e observou o corpo de Natasha rolando no chão até dar de encontro com o muro de uma loja em ruínas.

Steve puxou o escudo que estava preso ao triciclo e correu até Natasha.

S: Natasha? Você está ferida?

Natasha franziu a testa e fez negativo com a cabeça.

N: Precisamos sair daqui agora.

Steve ajudou Natasha a se levantar.

N: Precisamos correr, eles estão nos observando de cima.

Steve concordo com a cabeça e os dois apenas correram sem parar, dando de encontro ainda com algumas daquelas terríveis criaturas em forma humana.

Enquanto corriam e lutavam contra as criaturas, Natasha observou a quantidade de corpos mortos pelas ruas da cidade.

Steve e Natasha se esconderam atrás de escombros, depois de terem conseguido dar uma boa distância das criaturas. Eles já estavam correndo há horas, e precisavam recuperar o fôlego, e como o sol já estava baixando, seria bom até achar algum abrigo em que pudessem passar a noite.

Natasha começou a procurar o prédio mais próximo para encontrarem abrigo, mas todos pareciam perigosos demais, ainda mais que foram atacados por cima.

S: Aquele.

Apesar de ter um prédio na frente, Steve indicou o prédio de trás, por estar mais destruído que os demais. Natasha concordou com a escolha de Steve, ele já entendeu o sistema. Se eles ficarem nos prédios que parecem mais seguros e acolhedores, é lá que encontrarão mais perigo.

As criaturas já entendem a natureza humana de buscar lugares com essas características.

N: Vamos.

Natasha e Steve correram na direção do prédio e ao passarem pelo primeiro prédio, Steve ouviu o que parecia ser o choro de um bebê. Por instinto, ele diminuiu o passo.

Steve olhou para dentro do prédio e viu uma jovem, aparentemente desmaiada no chão e ao lado dela tinha um bebê chorando desesperadamente.

Steve parou e Natasha parou ao notar Steve parado. Natasha voltou até onde Steve estava.

N: Steve, nós temos que ir.

S: É um bebê.

Natasha olhou para dentro do prédio e viu o bebê chorando.

S: Não pode estar dominado por uma dessas criaturas, está chorando.

N: Não podemos fazer nada, tem alguém ao lado dele e pode ser uma armadilha.

S: Se fosse, já estaria atacando o bebê.

N: Se ela não atacar o bebê, alguém vai, porque ele está chorando e vai atrair atenção e nós seremos atacados também senão sairmos daqui.

Steve caminhou até a janela do prédio.

N: Steve! O que está fazendo?

S: Eu não posso deixar ele aqui.

N: Nós já conversamos sobre isso, Steve. Diversas vezes.

S: Eu sinto muito, eu não posso.

Natasha passou a mão no rosto e suspirou, ela olhou ao redor para ver se tinha mais alguém por perto.

N: Fique aqui.

S: Eu vou.

N: Não, eu sou mais rápida. Você me dá cobertura, se aquela mulher se mover, atire na cabeça dela.

Steve concordou com a cabeça. Natasha entrou por um vão de janela dentro do prédio. Ela sacou a arma e caminhou com passos leves, até perto do bebê, ela olhou para a mulher caída no chão, e em seguida para o bebê enrolado numa manta imunda.

Natasha ainda estava desconfiada, mesmo sendo apenas um bebê. O certo seria ignorar e seguir em frente, mas ela pensou em James e sabia que Steve estava pensando na filha que perdeu.

Natasha agachou perto do bebê e o pegou no colo.

A mulher que estava caída esticou o braço e segurou no braço de Natasha, que se assustou e apontou a arma para a cabeça da mulher, assim como Steve que também apontou e só não atirou porque Natasha podia atirar ela mesma e não o fez.

A mulher estava esquelética e com o rosto pálido, ela estava chorando e foi aí que Natasha soube que ela não estava dominada por uma das criaturas.

— Salve ela. Por favor.

N: Nós vamos te ajudar.

— Eu já estou morta. Mas cuida dela. Eles estão vindo, vocês precisam ir.

A mulher dizia com a voz baixa e fraca. Steve entrou no prédio para saber o que estava acontecendo.

Antes de falecer a jovem olhou para o bebê nos braços de Natasha.

— Eu te esperarei no paraíso, Sara.

Notas finais
Pequena pimentinha na área. Eu sei que disse que Natasha não ficaria grávida de novo nessa fic, mas não disse que não teríamos pequena Sara.