Infinito - Snamione
8 Onze anos depois ...
Notas iniciais
Aproveitem a leitura! bjs.
Dia 12 de Janeiro de 2010, 5:35 am.
Meu pequeno apartamento estava frio e silencioso. Eu segurava uma xicara de café quente entre as mãos, enquanto minha mente viajava pelo futuro. Minha filha, Sophie, completa hoje 11 anos de vida! Como o tempo passou tão rápido? Hoje chegará a carta tão esperada por ela, dizendo que tinha sido aceita na escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Escondi minha filha do mundo bruxo por onze anos, mas daqui a poucos meses, todos saberiam que Hermione Granger tem uma filha. Minha menina partiria para Hogwarts. Logo ela estaria mais perto do pai do que jamais esteve. Eu sinto meu coração afundar cada vez que imagino os dois na mesma sala. Varias vezes cogitei a ideia de não permitir que ela fosse á Hogwarts, mas não podia negar isso a ela, podia?
Não. Não posso. Snape não sabe que ela é sua filha, não vai fazer mal a ela.
As vezes eu me pergunto, como seria a minha vida se ele não tivesse me deixado, se ele não tivesse me traído. Quase sempre me pego pensando nele, me odeio por isso. Mas como eu poderia esquecê-lo se todos os dias eu vejo os olhos negros de minha filha. Negros tão iguais aos do pai. Por mais que eu quisesse esquece-lo, eu acho que isso é simplesmente impossível! Droga. Levei a xicara aos lábios e tive que cuspir tudo. Meu café já estava frio.
– Caiu da cama?- A voz do meu marido me assustou. Ele entrou na cozinha meio sonolento, me deu um beijo na testa e se sentou ao meu lado. Eu fiquei em Londres até o nascimento de Sophie. Ela não tinha nem um mês de vida quando me mudei para Itália. Eu lecionava em uma universidade trouxa lá. Sozinha com um bebê recém-nascido... Não foi exatamente fácil. Quando ela tinha três anos eu conheci Martino Vignoli. Ele era meu vizinho, um fotografo muito bem sucedido. Alguns anos depois ele recebeu um convite para trabalhar em um famoso estúdio aqui em Londres. Eu achei seguro voltar, mesmo que cruzasse com um bruxo aqui e outro ali, tudo o que saberiam é que eu tinha me casado e tido uma filha. Não precisavam saber que não foi exatamente nessa ordem.
–Quais são os planos para o aniversario? – Martino despertou-me do devaneio.
–Os de sempre. – Respondi. – Vamos almoçar com meus pais, e depois vamos comemorar na casa do Harry. Você vai dessa vez?- Martino não ia a eventos bruxos, não que ele tivesse algo contra magia, mas se sentia desconfortável em um lugar em que era o único trouxa.
–Vou..- Ele tomou um gole do meu café e fez uma careta. – Eca! Tá frio. Vou á casa dos seus pais. – Ele se levantou e colocou água na chaleira. – Amor, se importa? – Ele apontou para água.
–Ah, claro. – Eu peguei minha varinha e fiz com eu a água fervesse instantaneamente. Martino preparou chá para ele e para mim. Estava bom.
–Obrigada. – Agradeci.
–O que tirou a minha mulher da cama tão cedo?
–Ela faz onze anos hoje.
–Eu sei.
–Ela vai para Hogwarts em Setembro.
–Bom.. Estamos em janeiro. Você tem sete meses e alguns dias para preparar o encontro dela com o pai.
Eu nunca escondi de Martino a trama que envolvia a paternidade de minha filha. Ele sabia tudo o que há pra saber sobre meu relacionamento com Severo Snape. Até mesmo que eu nunca consegui esquece-lo. Bem, mas isso, mesmo que eu quisesse esconder não seria possível, já que todas as vezes que eu realmente sentia prazer na cama o nome de Severus me escava dos lábios.
Me casei com Martino, na esperança de que um dia realmente me apaixonasse por ele. Sentia-me mal por ser incapaz de ama-lo. Já tentei deixa-lo mais de uma vez, mas ele sempre diz que o amor dele é suficientes por nós dois. Mas eu sei que ele tem medo do dia em que Severo Snape não for mais uma lembrança e sim a realidade.
–Ela ainda não está pronta.
–Ela não está pronta? Ou você não está pronta querida? – Ele tentou disfarçar, mas eu percebi que era mais uma acusação do que uma pergunta.
–Talvez ela esteja segura. Todos vão presumir que ela é sua filha. Ninguém nunca soube do meu relacionamento com Snape. Só a Gina e você.
–Pode ser. Mas eu me prepararia se fosse você. – Ele mal acabou de falar e uma coruja já bateu na janela. Gelei. A carta tinha chegado por fim.
–Calma. É a coruja do Harry. Pode respirar. – Graças a Merlin. Ele abriu a janela e Edwiges pousou sobre a mesa.
–É da Gina. Ela pediu para chegarmos uma hora mais cedo, e disse que se você não for de novo ela virá até aqui “ pra dar um chute no seu delicado traseiro italiano.” – Eu ri.
– Diz pra cenoura ambulante, chutar o traseiro delicado do testa rachada que é o marido dela. – Harry e Gina gostavam muito de Martino, eram bons amigos. Eu ainda estava rindo quando outra coruja passou pela janela. Ela trazia uma carta oficial de Hogwarts no bico. Pousou ao lado de Edwiges, que ficou indignada e saiu voando. Minhas mãos tremeram na hora de pegar a carta. Levou alguns minutos para que eu me acalmasse. Quando me senti mais calma fui acordar Sophie.
–Bom dia princesa. Feliz aniversário! – Eu beijei seu cabelo e ela murmurou algo sobre ainda estar com muito sono e virou para o outro lado. Me sentei na cama e a cutuquei.
–Já que a minha filhinha do coração está dormindo, acho que não se importará se eu abrir essa carta...
–Já chegou?! – Ela se sentou rapidamente esfregando os olhos. Ela esperou tanto por isso. Era um sonho se tornando realidade. Sophie se aninhou no meu colo e nós abrimos a carta juntas. Tive que deixar minhas preocupações de lado. Minha pequena estava feliz. E isso era sem duvida alguma o mais importante!
..........
Lá pelas sete da noite nós chegamos em frente ao largo Grimmauld n°12.
–Eu recebi a carta! – A pequena disse toda sorridente e orgulhosa quando Gina abriu a porta.
–É claro que recebeu! Feliz aniversário! – Ela se curvou e deu um beijo na ponta do nariz da afilhada. –Vem, vamos entrar.
–Oi Gina.
– Oi Hermione. Ela está eufórica não é?
–Nem me fale. Não aguento mais ouvir ela falar em Hogwarts.
–Sophie!- Thiago gritou quando nos viu. – Vem ver quantos presentes você ganhou! – Nem precisava chamar duas vezes. Ela quase me derrubou quando passou correndo pra se reunir aos filhos de Harry e Gina.
– Sophie! Não corra!
– Deixa as crianças Hermione.- Disse Gina rolando os olhos. – E o italianinho?
– Ele não fica á vontade Gina. Não o culpe!
–Você sabe que ... – Quase todo pessoal da ordem estava lá. Eu nunca escondi dos meus amigos que tive uma filha. Muito pelo contrario. Eles eram presença constante em nossas vidas. O ruim era ter que aguentar as perguntas sobre o pai de Sophie.
Depois de muitos abraços e conversa fiada, todos se espremeram atrás de uma mesa enorme que continha todas as guloseimas possíveis e no meio um belo bolo com as cores da Grifinória.
–Sem pressão! – Harry disse para Sophie quando ela viu o bolo.
–É. Se você não for pra Grifinória, nós vamos ficar seriamente decepcionados, mas não quero pressionar ninguém. – Thiago riu alto. – Isso vale pra você também! – Ronald falou para o sobrinho. Claro que Sophie não tinha que se preocupar, ela era um ótima menina, se daria bem em qualquer casa. Mas as vezes ela tinha um Q á mais de Sonserina. Então não era bom que essas brincadeirinhas continuassem.
–Para de assustar as crianças Rony! Qualquer casa é ótima...
–Menos a Lufa Lufa...
–Rony...
–Vamos acender as velas de uma vez? – Perguntou Gina. Ela estava estranha. Tinha ficado anormalmente séria a noite toda.
Depois que Sophie soprou as velas ela praticamente me arrastou pro quarto dela.
–Sente-se.- Ela me pediu.
–O que foi Gina? Você ficou séria a noite toda. – Ginevra não era do tipo séria. Pra ela mandar eu me sentar, é porque tinha algo sério pra contar.
–Hermione, eu fiz uma coisa. É... Morgana, como vou dizer isso?
–Fala logo Gina! Ta me assustando.
–Veja bem. Se coloque no meu lugar. Minha melhor amiga estava indo embora, com um bebê recém-nascido nos braços, para um pais que ela só conhecia por fotos. Ele era o pai, então eu pensei que ... bem, que ele não te deixaria ir. Que ele se arrependeria...
–Gina, o que você fez?- Meu coração perdeu um compasso.
–Eu contei ao Snape sobre Sophie. – Ela disse rápido. Eu fiquei em choque, me senti traída. Eu não queria que ele soubesse e ela sabia disso. Como ela pode... Mas se ele sabia, por que nunca me procurou?
–O que foi que ele te disse?
–Você tinha razão. Ele não a quer. – Eu assisti enquanto ela abria a gaveta do criado mudo e tirava um pequeno pedaço de papel surrado pelo tempo do fundo. Ela se sentou ao meu lado e me entregou a pequena carta. A caligrafia era fina e delicada, Não parecia com a letra dele que eu conhecia. Se Gina não tivesse me dito que era uma carta de Snape eu nunca saberia que era dele.
"Não me interessa se ela tem um bastardo que diz ser meu filho.
Eu não quero essa criança, e se ela dizer á alguém que o filho é meu, eu nego!
Não vou ter meu nome ligado a uma Sangue-ruim!
Severo Prince Snape."
–Oh céus Gina! Como você pôde? – Eu estava com tanta raiva! Por que ela tinha quer ter contado á ele?
–Desculpe Hermione! Eu sinto muito mesmo, mas eu pensei que...
–Pensou errado.
–Eu sei, eu sei. Me perdoe, eu só queria o melhor pra você e pra Sophie.
–E agora? Ela vai estudar em Hogwarts, o que ele vai fazer com ela??
–Acho que nada. Ele só quer distância dela, não é? Foi o que ele disse na carta.
–Gina... – Chorei. Só ai descobri que ainda nutri alguma esperança de que no dia que ele descobrisse que tinha uma filha, ele ficaria feliz. Que ele seria um bom pai. Ginevra me abraçou e eu deixei que as lagrimas rolassem livremente. Eu ainda estava furiosa com ela, mas a bronca teria que ficar pra depois, agora eu precisava do seu ombro amigo.
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