Infinito - Snamione
10 O professor de poções.
Notas iniciais
Primeiro de Setembro de 2010; 20:00 pm. – Hogwarts.
O jantar de boas vidas tinha sido iniciado para meu desgosto. Era uma perda de tempo sentar ali na companhia de todas aquelas crianças cabeças ocas. Eu estava ao lado de Dumbledore encarando meu prato vazio e torcendo pra que aquela idiotice acabasse logo. Não sei por que não largo essa maldita escola. Eu estava cansado de lecionar, mas o que eu faria da vida se não fosse mais professor ? Um burburinho foi ouvido quando McGonogall adentrou o grande salão pela porta lateral trazendo os pestinhas do primeiro ano. Era uma tortura infindável ter que ouvir o chapéu seletor designar cada aluno para a devida casa. Os alunos do primeiro ano são sempre iguais. Ficam maravilhados com o castelo e nervosos nas primeiras aulas. Eu gostava dessa parte, o nervosismo deles era particularmente divertido, os deixava... manipuláveis. Eu estava divagando sobre o que podia fazer para assusta-los na primeira aula quando um dos nomes chamou minha atenção..
–Granger, Sophie.
Meus olhos dispararam em procura da menina, senti meu coração perder um compasso quando nossos olhos se encontraram. Ela andou determinada até o banquinho de três pernas. Não era como os outros alunos, ela não parecia nervosa ou ansiosa quando Minerva colocou o chapéu em sua cabeça. Eu assisti enquanto ele virava a cabeça da pequena de um lado para o outro. Parecia estar sendo difícil decidir em qual casa ela ficaria. Por fim ele gritou “ Sonserina!”
Uma onda de aplausos ecoou pelo salão, vinda da mesa da Sonserina é claro. Eu sabia que Hermione Granger tinha se casado, mas desconhecia o fato dela ter uma filha. A menina não se parecia muito com ela, tinha cabelos lisos e negros e um par de olhos da mesma cor. Os pescoços se viravam para vê-la. Todos queriam conhecer a filha de Hermione Granger, eu também queria conhece-la. Quer dizer, foram 11 anos sem noticias de Hermione Granger. 11 anos em que a saudade era dolorida e as lembranças eram minha única companhia. E agora eu tenho perto de mim parte dela, espero que a menina tenha fragmentos de sua personalidade, que seja tão doce e pura quanto a mãe. Esse prometia ser um bom ano!
POV- Sophie.
Eu não estava gostando muito da atenção que o meu nome atraiu. Graças a Merlin Thiago foi selecionado para Sonserina também, então a maior parte da atenção foi para o filho-do-menino-que-sobreviveu. Tio Harry não ficaria muito feliz quando soubesse que nós dois estávamos na Sonserina, mas eu estava surpreendentemente satisfeita com a minha casa. O chapéu seletor falou coisas na minha cabeça, disse que eu tinha muito da minha mãe, que eu era muito inteligente e corajosa. Mas depois ele falou que eu era parecida com o meu pai também. Ele me disse que meu pai era da Sonserina! Eu sempre tentei arrancar informações sobre meu pai da minha mãe, mas ela nunca me conta quase nada. Lembrei que uma vez o tio Harry nos contou que o chapéu seletor leva em conta a nossa escolha. E então eu escolhi! Escolhi ser da Sonserina! Nem acreditei quando pedi para ir para Sonserina e ele me atendeu. Um dos professores não parava de me encarar, eu levantei uma das sobrancelhas pra ele e ele fez o mesmo. Como se me imitasse. O jantar se passou num piscar de olhos, e logo fomos lavados para as masmorras.
No dormitório feminino eu conversei um pouco com minhas colegas. Eram todas muito legais, e July Longbottom estava no mesmo quarto que o meu. Era bom porque nos conhecíamos, então não me senti um peixe fora d’água. Eu remexi no meu malão até encontrar a corrente de minha mãe, será que ela já sabia que eu tinha pegado ela outra vez? Fechei as mãos em torno da pedra e dormi sentindo seu pulsar.
POV-Snape
Eu rolava na cama sem conseguir dormir. Ela tem uma filha. Merlin, uma filha! Eu tremia só de imaginar ela com outro homem, quanto mais imagina-la gravida. O que essas mulheres tinham na cabeça? Lily fez a mesma coisa, se casou com outro e teve um filho dele. Agora foi a Granger. Hunf! Porque tudo tinha que sair do controle desse jeito? Se eu tinha alguma esperança de tê-la de volta, agora eu podia esquecê-la de vez. Ela nunca deixaria o pai da filha. Mas devo confessar que eu não estava tão decepcionado, tinha simpatizado com a menina. Ela não parecia ser uma cabeça oca, tinha algo de diferente nela. Granger vai ficar nos cascos quando descobrir que a filha foi selecionada para Sonserina. Outra coisa intrigante, Granger era mãe de uma Sonserina. Aaah Granger. Que saudade! Me levantei e abri a ultima gaveta do meu guarda-roupa, peguei a camisola verde que era dela e cheirei. Mas era inútil, o cheiro dela existia só na minha memória. Deixei que as imagens de Hermione Granger me invadissem, e me deitei com o tecido puído pelo tempo.
POV-Sophie.
No dia seguinte nos tivemos nossas primeiras aulas! Eu amei cada pedaço do castelo. Hogwarts era maravilhosa!
Nós estávamos indo para a nossa primeira aula de poções, eu, July e Thiago. Nos sentamos na primeira bancada de frente para o professor. Eu adorava poções e não queria perder nada. Mas os meus amigos não sentiam o mesmo.
–Meu pai disse que as aulas do prof Snape são intragáveis! – Thiago sussurrou.
–É. Meu pai também não gosta muito dele. Minha mãe acha que é culpa dos nargules. – Acrescentou July. Eu tive que rir.
–Pois a minha mãe disse que ele é um excelente professor. E um homem muito bom...
POV-Snape.
–Silêncio! –Foi minha primeira palavra para o primeiro ano antes de meu discurso. A filha da Granger estava sentada bem na minha frente, o que me dava uma boa visão da menina, podia estuda-la sem chamar atenção dos demais. Na hora da chamada eu dei uma boa olhada no menino Potter. Merlin! Será que todos os Potter tem que ter esses olhos irritantemente verdes?! Dei uma breve explicação sobre as propriedades do acônito, e depois passei um questionário de 40 perguntas no quadro negro. É claro, faltavam uns 10 minutos pra aula acabar, eu duvidava que eles terminassem á tempo. O que me permitiria arrancar-lhe alguns pontos. Longbottom se levantou algumas vezes para espantar zonzóbulos, segundo ela. Como ela foi selecionada para a Sonserina? Por Morgana, o chapéu seletor estava ficando louco. Quando o sinal tocou , descontei uns bons pontos da Grifinória que estava de aula dupla com a Sonserina. Ouvi alguns gemidos e reclamações sobre a injustiça que era tirar pontos apenas de uma casa. Era como musica para os ouvidos.
Os dispensei exigindo que me entregassem o pergaminho pronto na próxima aula. Todos se levantaram e recolheram suas coisas o mais rápido possível, menos Sophie Granger.
Eu olhei por sobre o ombro da menina, ela respondia as duas últimas perguntas do questionário. E já teria acabado com certeza se suas respostas não fossem tão extensas.
–Eu já os dispensei srta Granger. – Confesso que fiquei ligeiramente nervoso em ficar sozinho com a filha de Hermione Granger na sala. Filha dela com outro homem.
–Um minuto professor. – Ela pediu sem me olhar, a pena deslizando freneticamente pelo pergaminho. Brava! Era inteligente como a mãe!
–Rá! Minha mãe disse que preparou essa no segundo ano. Tio Harry contou que roubaram os ingredientes bem de baixo do seu nariz. – Ela comentou em tom debochado enquanto respondia uma pergunta sobre a poção polissuco. Que audácia! Geralmente os alunos não se dirigiam desse modo á mim. Eu devia dar-lhe uma resposta á altura e até mesmo uma detenção.
–Sua mãe não tinha respeito pelas regras da escola. – Disse seco. – Devo me preocupar com você tentando roubar alguma coisa? –
–Se tivesse eu não diria! – Ela me encarou e nós dois arqueamos a sobrancelha ao mesmo tempo. É, a menina da Grager tinha um certo tempero Sonserino. Ela me lembrava muito alguém, só não me lembro quem, mas os trejeitos dela eram familiares.
–Pronto. – Ela me entregou o pergaminho satisfeita consigo mesma.
–É claro que com a mãe que tem, você é outra sabe-tudo. – Disse em tom sério. – Já leu todos os livros de sua lista escolar imagino.
–Duas vezes. – Ela confirmou orgulhosa. Faminta por livros como a mãe, que ótimo.
–É claro que leu. Agora vá, o almoço já será servido.
–Vamos então. – Ela pegou o material e se levantou.
–Vamos?-
–É. O senhor também vai para o salão principal não é? – Convenhamos, a menina era estranha. Eu era o professor mais temido de toda Hogwarts, e ela queria andar comigo até o salão ao invés de sair correndo como os outro alunos faziam. Eu devia tê-la insultado e mandado ela ir sozinha, entretanto não o fiz. Ela me intrigava cada vez mais.
–O senhor não é muito sociável, não é? Quer dizer, minha mãe me contou que o senhor faz parte da ordem, mas eu nunca o vi em nenhuma festa. – Ela disse enquanto caminhávamos. Eu a olhei incrédulo, como ela pode ser assim... Tão audaciosa?
–Você não tem medo de mim. – Conjecturei.
–Deveria?
–Com certeza! – Disse entredentes.
–Desculpe se o desaponto professor. Mas o senhor não é tão assustador quanto pensa.
Eu estava formulando alguma resposta que a deixaria tremendo de medo quando a Minerva apareceu. Ela estava visivelmente nervosa e ofegante.
–Graças a Merlin! – Ela puxou a menina pelo braço afastando-a de mim. – Não pode se atrasar para o almoço querida! – Eu ia protestar, dizer que estava levando a pequena para o grande salão, mas a bruxa velha saiu com ela mais rápida que um pomo de ouro. Como se ela estivesse correndo perigo por estar comigo. Velha tola! Eu nunca faria mal a filha de Hermione Granger. Não fiz mal ao Potter, por que faria mal a Sophie? Claro que o Potter sofreu um pouquinho na minha mão. Mas nada de muito grave, quem mandou ele ser tão parecido com o pai?
POV-Sophie.
No dia seguinte eu estava tomando meu suco de abóbora matinal com July e Thiago ao meu lado. Quando do nada, levei um tapa na testa! Eu quase me babei toda de suco.
–Um zonzóbulo! – Exclamou July, justificando o tapa que me dera. – De nada. – Ela sorria. Eu ia ralhar com ela, mas o correio matinal me interrompeu. Edwiges tinha pousado em frente a Thiago, ela trazia duas cartas.
–É da sua mãe. Tome. – Ele me disse entregando-me uma das cartas.
"Querida Sophie, como você esta? Como foram suas primeiras aulas? Tomou banhou? Comeu direito? estou com tanta saudade! Martino está te mandando um beijo! Sinto sua falta.
Mamãe.
PS: Porque você pegou a minha corrente de novo? Trate de manda-le de volta!"
Eu revirei os olhos para a carta antes de joga-la na mochila. Voltei minha atenção para o café da manhã não terminado. Deixando a carta para ser respondida mais tarde.
Nós tínhamos outra aula dupla com a Grifinória hoje, Herbologia. Eu cheguei dez minutos atrasada por que tinha passado na biblioteca, quando cheguei na estufa, July e Thiago já estavam sentados em dupla. A professora Sprout me direcionou para o único lugar vago, ao lado de um menino de cabelos platinados e pele alva. Scorpios Malfoy. Eu já tinha ouvido algumas coisas sobre os Malfoy, e a maioria eram ruins.
A tarefa era fácil, nós tínhamos que tirar o pó de uma ameba e coloca-lo num pequeno vidro. O pó das amebas era como o pó de mico, pro isso tínhamos que usar luvas para proteger-nos de um possível contato. Eu segurava o vidro enquanto Malfoy raspava com uma colher o pó e o depositava ali. Era meio entediante na verdade. Eu nem prestava muita atenção, olhava para os meus amigos e conversava com eles por sinal, enquanto Malfoy realizava a tarefa.
–ATCHIM!!! – Eu o ouvi espirrar. Então meu rosto começou a arder e coçar. O menino tinha espirrado com a colher na mão e o pó tinha voado para o meu rosto. Eu berrei! Todos nos olhavam enquanto eu cravava as unhas no rosto para acalmar a coceira, mas não tinha muito resultado. Eu nem raciocinei direito, ignorei o meu rosto ardendo, peguei o vidro e joguei o que sobrou do pó na cara do Malfoy. Ele gritou também, então nós dois nos engalfinhamos até que a professora Sprout nos separou.
POV-Snape
Sprout interrompeu minha aula pedindo que eu fosse para enfermaria. No caminho ela me contou sobre o que tinha acontecido, eu fiquei ligeiramente confuso.
A Granger tinha batido num Malfoy por causa de um acidente? Daria todos os meus galeões para ver a cena. Depois de pegar a poção que seria preciso para acabar com a coceira, parti em direção á ala hospitalar.
–Como estão os dois Papoula?
–Miseráveis, — Ela me respondeu. Os dois tinham sido amarrados magicamente em macas, para que não coçassem o rosto. Eles estavam mais vermelhos que toda a família Weasley e xingavam um ao outro. Ela pegou a poção e a misturou numa pomada. – Aplique a mistura na Granger enquanto eu aplico no Malfoy.- Assenti com um aceno de cabeça e me aproximei da pequena.
–Sua primeira semana e você já conseguiu um passe direto para a ala hospitalar? – Eu perguntei. Ela se contentou em jogar um olhar furioso para mim enquanto eu lhe aplicava a mistura. A vermelhidão e a coceira sumiram instantaneamente quando eu passei o medicamento. Ela me encarava em silêncio. Que olhos lindos. Eles tinham a forma dos olhos da Granger, mas a cor era negra como a noite. –Sua mãe não ficará nada feliz quando souber.
–O senhor não vai contar á ela não é?
–Não. Mas Minerva vai. – Ela não tinha medo de mim, mas tinha medo da mãe? Granger, Granger, que monstrinho você criou.
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