Infindável
7 Capítulo 06
Mesmo com o nada educado comprimento do Damon com meu pai, o clima não ficou tão tenso. Meu pai de alguma forma já esperava isso, mas o tio Giuseppe repreendeu o filho – que fingiu nem escutar – e pediu desculpas para meu pai, que se desfez de tudo com um pequeno aceno de mão.
O que achei estranho foi que quando foi cumprimentar minha mãe, o Damon pareceu o Damon de antigamente, mesmo que por alguns segundos. Deu um abraço apertado em minha mãe e disse que estava feliz em vê-la novamente com um lindo e verdadeiro sorriso no rosto. Tentei não sentir raiva, tentei não sentir ciúmes da minha própria mãe, mas foi impossível. Damon não me cumprimentou e nem me olhou novamente, mas com minha mãe ele foi todo sincero e feliz.
Eu não queria ter nenhum daqueles sentimentos, mas doeu, doeu muito. Minha existência parecia não ser importante para ele e eu pensei que seria melhor ele não ter aparecido ali em casa ou que já que tinha vindo que tivesse tratado minha mãe do mesmo modo que tratou todo mundo.
Dei um passo para trás, para próximo às escadas. Não tinha que suportar aquilo, era demais pra mim e preferia ficar trancada em meu quarto. Mas quando fiz o movimento para me virar e subir fui impedida pelas mãos calorosas de Stefan em meu cotovelo. Não olhei para ele, porque no momento em que fizesse ele veria todo meu sofrimento estampado em meus olhos. Podia ser fútil da minha parte, mas eu não queria que o Stefan vesse o quão fraca eu estava.
— Elena. – chamou e quando não respondi ele soou mais firme. – Elena. Olhe para mim.
Me recusei a fazer o que ele pedia com um movimento de cabeça. Ouvi um suspiro e logo senti suas mãos espalmadas em rosto, forçando-me a olha-lo. E sua expressão era tão sofrida ao me olhar, mas ao mesmo tempo eu vi tanto amor e carinho ali, que tive que segurar minhas lagrimas.
— Ei, está tudo bem – ele sussurrou com sua voz doce. – Vamos subir um pouco, certo? Ainda temos tempo até o jantar. – Apenas assenti e deixei que ele segurasse minha mão.
Quando estávamos subindo o pestinha do Jeremy abriu a boca:
— Aonde vocês dois vão, em? – e com isso todo mundo reparou em nós, mas me recusei a olha-los, não podia ver a expressão fria do Damon novamente.
— Vamos subir um pouco. Quando o jantar estiver sendo servido, nós descemos. – Stefan avisou e sem esperar protesto me puxou em direção as escadas.
Stefan era tão de casa, que não era surpresa nenhuma ele saber exatamente o que era cada cômodo daquela casa. Ele entrou no meu quarto como se fosse o dele e sentou na cama me puxando para si. Sentei-me de frente para ele e disse em sussurro baixo as únicas palavras que me vinham:
— Estava com saudades.
Ele fez um som com garganta e me puxou para seu colo, aninhando-me. Passei meus braços ao redor de sua cintura e fiquei apenas apreciando o momento, enquanto ele passava a mão em meus cabelos.
— Também senti saudades de você, Elena. Muitas! – ele disse em um sussurro depois de algum tempo, sem parar com o carinho.
— Então porque não me atendeu nenhuma vez? – eu não diria para ele, mas aquilo me machucou. Perdi as contas de quantas vezes liguei e em todas iam direto para caixa e mesmo quando eu deixava um recado ele nunca era atendido.
O senti suspirar quando seu peito se elevou e depois desceu fazendo uma lufada de ar sair por seus lábios.
— Eu sinto muito, serio. Mas, não sei, eu queria ficar por fora um tempo. Sei que seu pai disse pra você que foi por causa da impressa, mas não foi. Na verdade, eu não sei, eu queria ficar com o Damon.
— E foi o que você fez? Ficar com o Damon? – perguntei já imaginando a resposta. Eu o entendia, entendia de verdade, mas senti raiva e isso se transmitiu em minha voz.
— Não. – ele me apertou em seus braços como se essa pequena palavra o ferisse.
— E não me atendeu pra ficar com seu irmão, mesmo não ficando junto dele?
— Está sendo irracional, Pinguim. – senti seu corpo tremer e imediatamente minha raiva se sobrepôs. Então minha mente finalmente percebeu do que ele me chamou e senti ainda mais raiva quando sai de seu colo e o empurrei com tudo.
— Não me chama de Pinguim! – falei um tanto alto demais e percebendo que poderiam nos ouvir do andar de baixo, tentei controlar a vontade de gritar e esganar o garoto na minha frente. – Estou com raiva, Stefan. Raiva! Você preferiu ficar com o Damon ao invés de me atender uma vez, uma vezinha só! Estou com raiva por estar sofrendo pelo Damon! De me sentir machucada com cada infeliz coisa que seu irmão faz e não faz desde que voltou! Estou com raiva de chegar ao ponto de sentir da minha mãe por ter sido bem tratada por ele! Estou com raiva por me importar demais e em troca ser machucada!
Olhei para ele e vi que se arrependeu de ter rido, seu olhar era desolado e engoli em seco.
— Desculpa, Elena. Sei como se sente, realmente sei. – sua voa não era nada mais que um sussurro e ele não olhava para mim enquanto falava. – Mas eu menti, não queria deixa-la preocupada. Não foi pelo Damon, foi porque bebi.
Minha pose de durona desmoronou e meu corpo tremeu. Ele tinha bebido, novamente. Bastou um problema aparecer para ele se entregar novamente. Queria perguntar o quão longe tinha ido, mas minha garganta se fechou e minha respiração ficou pesada. Não disse nada enquanto as lagrimas saiam livremente.
— Ei – ele tocou meu rosto me fazendo olha-lo, mas a lagrimas embaçavam minha visão e não consegui ver seu rosto totalmente. – Não foi tão ruim, Pinguim. Juro!
— Qual? — ele não me respondeu, então repeti a pergunta novamente em um tom mais duro – Eu perguntei qual Stefan!
— Jack Daniels. – Gemi. Não seria tão ruim para uma pessoa controlada, mas para ele era o pior começo. – Eu tentei de verdade, Elena. Aquela casa tá um inferno, ainda mais agora que a Car. foi embora. Não sei o que o Damon quer de nós, mas ele não está facilitando a vida de ninguém. Estou ficando louco, Elena. Preciso da bebida.
— E eu preciso de você! – tentei soar firme, mas minha voz saiu tremida e abatida. Estava começando novamente e pra ele se entregar seria muito fácil.
Não sei quem se aproximou de quem e nem porque algo assim aconteceu, mas antes que eu percebesse meus lábios e os de Stefan estavam juntos. Por mais errado eu soubesse que fosse não consegui me afastar, ao invés disso estava correspondendo o beijo animadamente. A boca dele tinha um gosto adocicado e isso por si só me fez aprofundar ainda. Suas mãos foram para minha cintura e puxaram firmemente enquanto eu agarrava seus cabelos. Eu não tinha ficado com nenhum menino depois do curto namoro com Matt, então o beijo lento e gentil do Stefan só estava me fazendo ansiar ainda mais por algo mais intenso.
Quando Stefan finalmente pediu passagem com sua língua um estrondo e uma voz bastante conhecida nos fez separar.
— Oh, meu Deus! – os olhos de tia Jenna estavam quase pulando do rosto e sua boca formava um perfeito circulo.
— T-Tia... Hum... E-eu... – gaguejei enquanto tentava pensar porque diabos aquilo tinha acontecido, mas eu mesmo não sabia. Fiz o mais sensato a se fazer em situação assim: calei a boca.
Tia Jenna nos olhou por longos minutos enquanto eu mexia minhas mãos nervosamente no meu colo, então deu um longo suspiro.
— Não vou perguntar nada agora, depois eu converso com você Elena. Você, Stefan, dê um jeito nesse rosto e vá para a sala de jantar. – Stefan não disse nada quando saiu do quarto e nem ousei olha-lo. – Enquanto a senhorita vá passar uma água gelada nesse rosto, deve ajudar.
Não hesitei um segundo. Precisava ficar ao menos alguns minutos sozinha para saber o que diabos tinha na minha cabeça. Com certeza eu não estava pensando quando deixei as coisas chegarem a tal ponto. Stefan era meu melhor amigo e não um garoto para se dar uns amasso. Era errado. Mas então por quê? Porque deixei que isso acontecesse e pior ainda: porque desejei mais?
Sem ter qualquer resposta, me concentrei em lavar meu rosto que eu tinha certeza que estava bastante vermelho. E bastou olhar para o espelho para confirmar a verdade. Minha bochechas estavam em um tom bastante escuro de vermelho. Eu mesmo não estava me aguentando olhar, então girei a torneira e usei as mãos em concha para pegar água, jogando-a no rosto diversas vezes. Só sai do banheiro quando a cor vermelha suavizou.
Tia Jenna estava sentada na minha cama com um porta-retratos nas mãos. Era uma foto minha e dos irmãos quando pequenos. Hesitei ao me aproximar dela, estava com vergonha pelo o que ela tinha visto. Quando percebeu que eu hesitava ela veio até mim e me deu um apertado abraço.
— Está tudo bem, Elena. Está tudo bem.
Eu não disse nada, porque não sabia se isso tudo que estava acontecendo acabaria bem, então lhe dei um abraço apertado enquanto sentia o cheiro de pêssego ao qual estava tão acostumada.
— Vem querida. Vamos descer que todos estão esperando por nós. – ela me puxou para porta até o corredor, então parou e sussurrou: – Não conte para seu tio, mas ele veio dirigindo até aqui desesperadamente com saudades de você. Até preparou presentes. – ela deu uma gargalhada e com isso o clima pesado evaporou.
Eu apenas sorri com o comentário. Desde que eu me lembre tio Rick sempre me mimou. Acho que ele nunca recusou um pedido sequer meu. Ele sempre brigava comigo por fazer algo perigoso ou errado, mas era o primeiro a fazer qualquer coisa que eu quisesse. Tenho certeza que ele nunca percebeu esse detalhe, mas então, ele não saberia por mim.
Assim que chegamos ao fim da escadaria fui pega por braços firmes que apertavam de verdade. Tio Rick me abraçava tão forte como se não tivesse me visto há anos quando só tinha algumas semanas.
— Meu Deus garota, como você cresceu! – E foi ai que não aguentei, assim que ele me largou eu comecei a rir.
— Só faz duas semanas tio, eu não cresci nada.
— Alaric, você está nos envergonhado aqui amigo. Você é muito obvio. – meu pai disse com sorriso enorme nos lábios.
— Eu concordo Rick. Você é muito obvio quanto ao seu amor eterno pela Elena. Você a mima muito. – dessa vez foi tio Giuseppe movendo suas sobrancelhas enquanto falava.
Tio Rick franziu a testa e então começou a sorrir amplamente, mas diabolicamente, na verdade.
— É mesmo? Engraçado, porque ouvi historias hilárias de vocês dois quando a única garotinha nasceu. Acho que podemos fazer uma roda e conversar sobre isso. – isso fez meu pai e tio Giuseppe ficarem calados, enquanto mamãe e tia Jenna caiam na risada.
— Quando é que vocês vão crescer? – obviamente era uma pergunta retórica, porque antes mesmo de terminar de falar tia Jenna já estava na sala de jantar.
Quando cheguei à sala de jantar percebi que como sempre mamãe tinha exagerado na comida. De Macaroni and Cheese à Penne a La Vodka. De Meatloaf à Friend Chicken. E uma grande travessa de salada coleslaw.
Suspirei e olhei para minha mãe.
— Você exagerou como sempre, dona Miranda.
— Exagerei em que? – ela pareceu ofendida e segurei a vontade de rir.
— Bom, pra que dois tipos de macarrão?
Um sorriso brincou em seus lábios e sua voz saiu suave e amorosa:
— São os preferidos do Damon.
Eu não consegui nada para responder, então fiquei calada. E foi então que reparei a presença do Damon. Ele na sala com o Jeremy e esse parecia estar lhe ensinando algo e então eu vi o PSP na mão do Damon. Ele parecia maravilhado com o jogo e senti meu peito se apertar. É claro que já tinha o PSP quando o ele sumiu, ele mesmo tinha um, mas a cada dia os gráficos e jogos eram melhores. Onde quer que ele estivesse foi privado de muitas coisas que eram comuns para nós. A banda, o jogo de videogame, o time de beisebol, os novos espaços para se divertir. Damon tinha perdido tudo isso que para nós algo sem importância. Ele sentando no sofá com Jeremy e seguindo as instruções de um menino de doze, pareceu de alguma forma inverter os papeis, em que o Damon era a criança.
Quando olhei em volta vi que o tio Rick olhava para o Damon como se estivesse o avaliando e demorou um pouco até eu perceber que na verdade era isso mesmo que ele estava fazendo.
Estava tão distraída olhando os garotos que demorei a dar falta do Stefan. Ele não estava em lugar nenhum e comecei a entrar em pavor só de pensar no que ele teria feito.
— Cadê o Stefan, mamãe?
— Ele disse que não estava se sentindo bem e que iria para casa, querida. Eu insisti que ele ficasse, mas ele não quis.
Ele tinha feito. Tinha ido embora por causa do que aconteceu no meu quarto e ainda usou uma desculpa ridícula. Estava claro que ele não queria me ver.
Eu ainda estava perdida em meus pensamentos quando minha mãe nos disse para sentar que já iria servir o jantar. Mesmo quando começamos a comer eu ainda não conseguia me concentrar naquele espaço e não prestei atenção em qualquer coisa que eles diziam. Estava no automático.
Tinha que resolver as coisas com o Stefan, mas não sabia nem por onde começar. Em primeiro lugar: porque eu o tinha beijado? Porque eu tinha gostado tanto de um beijo de um amigo? Era muito errado, mas não mudava o fato de que eu tinha gostado. Gostado muito.
Stefan era meu melhor amigo. Quando Damon sumiu foi ele que ficou ali comigo mesmo sofrendo tanto ou até mais que eu. Foi ele quem me acolheu quando tudo que eu queria era sumir. Sempre foi o Stefan que esteve comigo durante todos esses horríveis três anos infernais. E nunca, nenhuma vez, eu parei para pensar que meus sentimentos pelo Stefan poderiam ser mais que amizade. Mas essa era a única solução obvia, porque por mais que seja difícil admitir, eu gostei do que estava fazendo com ele em meu quarto. E não só isso, quando estávamos no carro para reencontrar o Damon também tivemos um momento parecido e sei com toda certeza que aconteceria alguma caso não tivéssemos sido interrompidos. Poderia ser loucura ou o que fosse, mas eu corria o grande risco de estar gostando do meu melhor amigo.
Quando finalmente decide que eu realmente sentia pelo Stefan, a voz de Damon veio como vidros em meus ouvidos.
— Então? O que você fizeram lá em cima para fazer meu irmãozinho correr com o rabo entre as pernas? – seus olhos estavam sem expressão como sempre, mas soou como se estivesse com raiva e por um momento me peguei pensando no por que.
— Damon, pare! – a voz de seu pai reverberou pela mesa, mas quando ele olhou para mim sua voz tomou um tom mais suave e carinhoso – Desculpe por isso, Elena. Não de atenção para o que ele diz.
Sorri para ele que ficou claramente aliviado por eu ter ficado chateada com as palavras do filho. Isso fez o garoto bufar e voltar sua atenção para a comida.
Quando terminamos o jantar sem o Damon dizer uma palavra eu fiquei satisfeita. E ainda mais quando mamãe trouxe a sobremesa.
Ela tinha preparado uma bela Cheeesecake. Uma torta típica do país, feita com biscoito, queijos e frutas. A base é feita com biscoito, o recheio de queijo e creme e a coberta com fruta da estação – que maravilhosamente era de ameixa –.
Minha mãe serviu uma porção para cada uma das pessoas da mesa e todas elas aceitaram salivando. Enquanto estávamos comendo eu percebi que o tio Rick não desgrudava os olhos do Damon, que por sinal parecia cada vez mais irritado.
Não demorou muito para ele explodir, apenas alguns minutos:
— Vai ficar me olhando por quanto tempo? Ainda não terminou sua avaliação? – ele perguntou com uma das sobrancelhas erguidas e quando viu a surpresa nos olhos do Rick e seu pai, seus lábios subiram em um sorriso cruel. – O que? Vocês acharam que eu não ia perceber? Quão ridículos vocês estão sendo? Não quero ajuda de ninguém e nem preciso. Você não vai conseguir arrancar nada de mim se eu não estiver a fim de falar, Dr. Saltzman.
— Damon, basta! – a voz do seu pai soou alta e irritada.
— Tanto faz. – sua voz descontraída só pareceu irritar ainda mais seu pai e quando se levantou só piorou ainda mais as coisas.
— Aonde você vai?
— No banheiro, posso? Ou você quer que eu leve o Doutorzinho também?
— Se você se esqueceu, é educado pedir licença ao se levantar da mesa de jantar. – seu pai disse com a mandíbula cerrada.
Ele olhou para seu pai com rosto sem expressão e sem sorriso:
— É, eu esqueci as boas maneiras há três anos.
Quando Damon sumiu de visto a mandíbula do tio Giuseppe ainda estava cerrada e ele parecia fazer um grande esforço para se acalmar.
— Desculpe por isso.
— Está tudo bem, Giu. Sabemos que vai ser difícil e ainda temos um longo caminho pela frente. Não se preocupe tanto. – meu pai disse, acalmando o amigo.
— É verdade. O Damon com certeza está querendo afastar as pessoas dele. Isso foi à única coisa que ele fez essa noite. Ele quer afastar todos. Resta sabem o que aconteceu com ele e o porquê. Vamos aos poucos meu amigo, aos poucos. – quando tio Rick terminou de falar, percebi que o assunto estava ficando sério e vi que era minha deixa.
Despedi-me de todos e fui para meu quarto. Não queria ver o Damon de novo, pelo menos não hoje. Tinha coisas de mais com meias respostas para eu arranjar ainda mais problemas.
Quando eu cheguei ao meu quarto eu podia esperar qualquer um ali, menos ele. Damon estava olhando as fotos que estavam na minha estante de quando éramos pequenos. Seu rosto não demonstrava nada, então eu não poderia saber o que ele estava pensando. Mas estava cansada demais para ter uma dose de Damon novamente.
— O que está fazendo aqui?
Ao invés de me responder, ele fez outra pergunta:
— O que você e o Stefan estavam fazendo aqui?
— Isso não é da sua conta! – tentei soar o mais fria que conseguia, mas no momento em que ele se virou para mim eu fraquejei. – Damon...
Ele se aproximou de mim o bastante para eu sentir o calor de sua pele e no minuto seguinte eu estava com ambas às mãos juntas e presas na parede. Seu corpo estava grudado no meu e seu rosto tão próximo que um movimento faria tocar seus lábios, mas eu não conseguia me mexer. Estava vidrada na imensidão e intensidade de seus olhos acinzentados.
Sua boca tomou a minha sem hesitação e tão intensamente diferente de Stefan que eu gemi apenas com o roçar de lábios. Quando sua língua forçou a entrada na minha boca eu senti que poderia derreter. Eu queria toca-lo, mas minhas mãos estavam presas e isso só tornava aquilo ainda mais quente. Porque sim, meu corpo estava queimando de uma maneira como nunca antes queimou. Aquilo era novo para mim. Sua língua passeava por toda minha boca, inspecionando minuciosamente. Quando seus lábios se afastaram do meu, senti a saliva escorrer pelo meu lábio inferior e ir para o queixo. Ele olhou para o rastro de saliva antes de se inclinar novamente e bater a língua em todo o meu queixo, sugando a umidade. E, então, desceu sua língua por todo meu pescoço, parando na junção e dando uma mordida que me arrancou um gemido.
E, então, eu senti sua mão livre subindo pela minha coxa e senti meu corpo todo tremer, de medo e antecipação. Quando sua mão chegou na minha calcinha meu corpo esquentou de uma forma completamente diferente. Eu queria que ele me tocasse.
Ele me beijou novamente quando eu senti sua mão deslizar para dentro da minha calcinha e tocar os lábios lisos e molhados, seguido pelo seu polegar que me tocou de uma forma não intensa que me vez gemer um pouco alto.
— Oh, você sentiu isso, sim? Isso é o seu pequeno clitóris pulsando por atenção. Sem contar que você está encharcada. Você já esteve assim antes?
Suas palavras saiam incoerentes para mim, tudo que eu podia fazer era sentir seu polegar fazendo movimentos circulares lentamente enquanto eu me perdia em um prazer nunca sentido antes.
— Você gosta disso? – Ele perguntou com boca em meu pescoço. Ao invés de responder empurrei meus quadris para frente, querendo mais, necessitando de mais. Ele pareceu me compreender porque os movimentos de seu polegar começou a ganhar velocidade, o que me levou a fazer sons que eu nem sabia que podia.
— D-Damon... – eu gaguejei quando senti que meu corpo entraria em combustão. Quando estava perto de dizer algo mais para ele, senti minha vista nublar e meu corpo estremecer e ficar mole em seus braços, como uma sensação de formigamento quente.
Ele ficou me segurando até minha respiração se normalizar e então tirou sua mão da minha calcinha e levou até a boca, lambendo os dedos molhados. E foi então que a ficha do que eu tinha feito caiu sobre mim e pior ainda, ele tinha acabado de lamber os dedos que estavam... Que estavam em mim. Meus olhos se arregalaram e foi quando vi o sorriso vitorioso em seus lábios.
— Você não pareceu entender, Elena. Você devia ter ficado longe de mim quando teve chance. Isso é o que eu sou agora. Acabei de tocar sua pequena boceta virgem e fazê-la gozar. Sem nenhum esforço. Apenas precisei chegar em você para se entregar completamente para mim. Espero que entenda agora, fique longe mim. Se vier de acontecer uma próxima chance, eu não vou ser bonzinho para apenas fazê-la gozar, entendeu?
Senti minhas pernas tremer e não consegui responder. Minha mente ainda estava nublada. Mas assim que vi que ele estava saindo, consegui ir até a cama e pegar o álbum. Assim que cheguei perto do Damon, empurrei o álbum em seu peito e bati em porta na sua cara.
No momento em que fiquei na privacidade do meu quarto eu escorreguei até o chão, abraçando minhas pernas e deixando as lagrimas quentes saírem. Eu pensei que estava gostando do Stefan, mas o modo como me senti com seu irmão foi totalmente diferente. Eu não queria que ele parasse, queria senti-lo como nunca quis nada na vida.
Eu amava tanto o Damon, que poderia ter me entregado para ele naquele momento. Seus dedos quentes ainda estavam sobre minha pele e gemi baixinho com a necessidade deles novamente.
Estava arruinada. Não conseguiria ficar longe dele.
E com essa verdade minha lagrimas aumentaram.
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