Inferno Na Terra
10 Capítulo 10
Notas iniciais
— Então... — Tentei começar alguma conversa. O silêncio em que estávamos estava me incomodando mais do que normalmente. — Para onde vamos?
— Um restaurante. — Jura? Eu não fazia ideia. — Les Ombres.
Minha boca deve ter caído apenas um pouquinho.
— Les Ombres? Perto da Torre?
Eu com certeza tinha lido sobre esse lugar e me lembro de ter pensado o quão maravilhoso seria ir até lá.
O sr. Uchiha concordou com a cabeça e voltou a olhar pela janela. Eu me encostei no banco sorrindo. Eu iria até o Les Ombres! O restaurante tinha uma vista perfeita da Torre Eiffel e jantar olhando para uma vista assim seria melhor do que qualquer um dos meus sonhos.
Paramos algum tempo depois e o motorista abriu a porta para que eu saísse. Senti o vento bagunçar levemente meu cabelo e fiquei contente por ter colocado um casaco. O sr. Uchiha tocou levemente meu braço indicando que deveríamos entrar e eu segui caminho adentro ao seu lado. Tentei ignorar os olhares. Isso era porque eu estava andando ao lado dele ou porque meu cabelo é rosa? Tá legal. Eu estava começando a agir de uma maneira paranoica.
— Haruno.— Me assustei levemente ao ouvir meu nome sendo chamado.
Estava tão absorta em pensamentos que não tinha reparado na mulher que estava a minha frente e parecia ter falado comigo.
O olhei confusa.
— Seu casaco.
— Ah sim.
Era isso o que a mulher estava esperando.
Abri o casaco e o tirei, estendi para a mulher que sumiu logo depois que o pegou. Felizmente, o ar dentro do restaurante estava em uma temperatura agradável e eu não senti frio algum por estar usando esse vestido. A mulher voltou alguns segundos mais tarde e nos conduziu até uma mesa ao lado da janela.
Podia sentir meus olhos brilhando com a visão da Torre logo mais ao fundo, com toda aquela iluminação. Tentei agir normalmente quando o sr. Uchiha segurou a cadeira para que eu me sentasse. Ele estava sendo educado, tudo bem, isso é algo bem comum para ele, ele foi criado assim. Agradeci com um sorriso ao me sentar.
Pronto, agora viria o silêncio.
— É uma bela vista, não é?
Surpreendentemente foi ele quem disse isso e aquilo foi uma pergunta? Para que eu respondesse? Ignorei da melhor maneira que pude a surpresa. Sasuke Uchiha tentando começar uma conversa não era algo que eu já tinha presenciado.
— Sim.— Respondi sorrindo. — É incrível.
— Pra mim, essa é a melhor hora pra observar a Torre. De noite.
Desviei meu olhar para seu rosto. Ele também estava fitando a Torre.
— Já veio muitas vezes à Paris?— Perguntei curiosa.
Aparentemente eu estava tentando manter a conversa.
— Sim, várias vezes.
— À trabalho?
"Pare de fazer perguntas, Sakura!"
— Na grande maioria.
É isso. Tchau, tchau conversa.
Olhei novamente para a janela e senti seus olhos sobre mim.
— Quando eu era criança... — Começou e o fitei novamente. — Meus pais gostavam de passar o natal aqui.
— Natal em Paris. Nada mal. — Estranhamente eu senti a necessidade de falar algo e o vi dar um sorriso quase imperceptível.
— Vinhamos todo o ano e agora... Eles passam o natal em um lugar, eu e meu irmão em outro.
— Por quê?
Eu me bateria se pudesse.
"Sakura, sua idiota! Idiota! Idiota! Não se faz uma pergunta dessas".
Eu já estava esperando que ele me ignorasse ou me mandasse parar de ser tão incherida, então tentei concertar meu erro.
— Quando eu era criança...— "Esqueça o que eu perguntei, esqueça o que eu perguntei". — Toda a minha família se reunia em algum lugar. Em um ano era na casa da minha vó, em outro na casa da minha tia e assim por diante.— Sorri com a lembrança. — Primeiro fazíamos um amigo secreto e era meio idiota porque colocávamos um gorro vermelho e daí só depois trocávamos os presentes.
Acho que me empolguei demais falando, mas eu gostava do natal e mesmo ainda faltando tempo é a época em que eu vejo todos os meus familiares, sem exceção.
— Você tem um família grande?
Ele não parecia ter se incomodado em me ouvir falar, será que eu deveria arriscar de novo?
— Sim, bem grande. Você?
— Também.— Acredito que ele fosse dizer algo mais, mas o garçom chegou para anotar os pedidos. — Você se importa se eu pedir?
— Claro que não.— Respondi um pouco rápida demais, mas ele nem precisava perguntar.
O garçom logo se retirou.
— Você gosta do natal, não é?
Ainda estávamos conversando?
— É a minha época preferida do ano.— Será que era tão esquisito conversar sobre o natal quanto eu achava que era?— Desde que me mudei para Tóquio, eu só consigo voltar pra minha casa no natal. E eu sou muito mais fã do inverno do que do verão.
— Não gosta do calor?
— Não, nenhum um pouco. Mas em Konoha não fazia tanto calor no verão, então eu não me importava muito.— Respondi sorrindo sem graça e o garçom voltou para servir o vinho.
Certo, primeiro o vinho e depois a comida. Estava me acostumando com isso.
— Por que se mudou para Tóquio?
Ainda estávamos conversando?
— Faculdade. Konoha não tem faculdades tão boas quanto Tóquio.
— Seus pais não se importaram por você se mudar?
— Minha mãe hesitou no começo, mas eu a convenci de que era o melhor a se fazer.
— E o seu pai?
Fiquei tensa na hora.
Eu não gostava de falar do meu pai.
— Ele morreu quando eu tinha 13 anos.
Sim, meu pai tinha morrido. No momento em que ele foi embora só porque não queria ter uma filha doente, ele morreu para mim. E poderia continuar morto pelo resto da minha vida.
— Sinto muito. - Dou um sorriso que não alcançou meus olhos. Meu humor já tinha mudado e ele percebeu. — Você tem irmãos?— A tensão foi deixando meu corpo a medida que meu sorriso aparecia com essa simples pergunta mágica.
— Uma irmã, mais nova. O nome dela é Sayuri.— Falar de Sayuri sempre seria algo fácil para mim. Minha irmãzinha... — Você também tem, não tem? Um irmão?
Eu deveria saber disso a essa hora pelo tempo em que tinha trabalhado para ele, mas ele nunca falava sobre a família. E claro, ele já tinha falado um pouco antes sobre o irmão. Foi uma pergunta tão estúpida.
— Sim. Mais velho, Itachi.— Assim que ele terminou de falar o garçom voltou com a comida. Ele não pareceu se importar em responder a minha pergunta idiota.
Inacreditavelmente o jantar foi bem mais agradável do que eu jamais poderia imaginar. Nós conversamos sobre tantas coisas enquanto comíamos e quando me dei conta estava tentando me decidir qual sobremesa ia escolher. Agora, a sobremesa eu não podia deixá-lo escolher, de jeito nenhum. Escolhi a única coisa que me pareceu familiar, Petit Gâteau.
— Hm, senhor?— Perguntei nitidamente tímida. Ele me olhou e eu respirei fundo. — Por que, exatamente, esse jantar?
Ele parecia pensar.
— Eu já disse o por quê.— Respondeu depois de alguns segundos em silêncio.
Tá legal.
Não era o que eu esperava ouvir, quer dizer, eu não sei o que esperava ouvir, mas isso me pareceu tão vago. Foi só por ter estragado a minha tarde? Eu não conseguia acreditar que ele pudesse sentir algum tipo de arrependimento ou muito menos que se importasse com outras pessoas, então esperava uma resposta mais convincente.
Suspirei em derrota.
Não importa qual fosse seu verdadeiro motivo, isso se ele tivesse um, não parecia ser da minha conta.
A sobremesa chegou e comemos em silêncio. Um silêncio desconfortável e que eu não via a hora de acabar. Queria voltar para o hotel, o mais rápido possível. Ele pagou o conta, claro. Como se eu pudesse ajudar em alguma coisa num lugar como aquele. A mesma mulher de antes trouxe o meu casaco e saímos.
— Haruno?— Ele me chamou quando chegamos do lado de fora. O olhei.— Se importa de andar um pouco?
— O quê?— Estranhei a pergunta.
Que tipo de pergunta era aquela?
—Faz tempo que não ando pela cidade. Só andar. Pensei em dar uma volta antes de voltar ao hotel. Amanhã pela manhã já vamos embora.
Pensei, pensei, pensei e pensei, mas nada parecia se encaixar.
Aquilo era um convite para eu ir com ele?
"Claro que não, Sakura. Ele disse que vai andar e te falou porque se você não for com ele não vai ter como voltar ao hotel".
É, agora fazia muito mais sentido. Sim, uma explicação plausível.
— Ãn... Certo.— Murmurei meio incerta.
Começamos a caminhar e percebi que estávamos indo para o rio Sena. Será que passaríamos pela ponte? Eu sempre quis passar pela ponte, mas acho que estava um pouco longe de onde estávamos... Uma pena.
O silêncio estava presente, mas, diferente do silêncio do restaurante, esse não era desconfortável, na verdade, parecia quase... Normal.
— Senhor?— Decidi quebrar o silêncio.
— Hm?
— Obrigada.— Ele me olhou curioso. — Pelo jantar.
— Não tem de quê.
— Ao menos vou ter alguma coisa para contar quando voltarmos. — Falei brincando e... Aquilo era outro sorriso?
Mais de um imperceptível sorriso em uma noite? Isso tinha de ser um recorde.
— Fazia tempo que eu não tinha um jantar assim.— Ele comentou depois de algum tempo.
— Assim como?
— Normal.
Aí está, a palavra normal de novo.
Senti algo se remexer dentro de mim ao encarar seus olhos.
Era impressão minha ou eles pareciam ficar ainda mais pretos durante a noite? Espera, por que estávamos parados? E por que ainda estávamos nos encarando? Desviei o olhar para o chão. Aquilo estava ficando muito esquisito para o meu gosto.
Voltei a andar.
Ele ainda ficou parado alguns segundos, mas logo ouvi seus passos.
Meu coração estava acelerado.
Por que meu coração estava acelerado?
Inspira e expira.
O que diabos estava acontecendo?
A noite estava muito, muito estranha. Isso nunca tinha acontecido antes! Ok, eu nunca tinha saído a sós com ele, mas ainda assim é ridículo.
— Deveríamos voltar.
Me assustei.
Tínhamos parado na margem e eu estava observando o céu. As estrelas brilhavam acima de nós, mas o vento começava a ficar cada vez mais gelado. Concordei com a cabeça, muda. Não me sentia confiável o bastante para falar.
Voltamos lado a lado, e dessa vez o silêncio estava mais do que desconfortável. Não tinha coragem de olhar para seu rosto e fitava firmemente o chão. Isso não era normal e eu sabia que tinha a ver com o que tinha acontecido algum tempo atrás, mas continuava negando em minha cabeça. Fala sério, não tinha acontecido nada. Absolutamente nada.
O motorista nos esperava exatamente no mesmo lugar de quando saímos. A viajem de volta foi muito, muito mais demorada do que a de ida, o que não fazia o menor sentido. Entramos no hotel e eu ainda continuava ao seu lado, mas deveria ter feito alguma coisa, qualquer coisa para evitar ficar esperando ao seu lado enquanto o elevador descia. Eu não acho que é uma boa ideia ir no mesmo elevador que ele. É um espaço muito, muito pequeno e com ele dentro ficaria muito, muito pior.
As portas se abriram e ele esperou que eu entrasse primeiro.
O plano mirabolante que estava formando na minha cabeça para ir no outro elevador se evaporou. Respirei fundo e entrei. Ele entrou logo em seguida e assim que as portas se fecharam, tornou-se impossível ignorar o cheiro do seu perfume. Evitei o instinto de fechar os olhos para apreciar melhor aquele aroma. "Sakura Haruno! O que você pensa que está fazendo? Não faça papel de idiota na frente dele, especialmente em um lugar tão apertado... Apertado! Ai meu Deus".
Cambaleei para trás até conseguir me apoiar na parede.
Por que estávamos demorando tanto pra subir? Tudo bem, calma. Conte, conte até que o elevador abra ou pense em qualquer coisa, como... Como... Borboletas! As cores das asas delas são tão lindas, mas então tem o corpo. Aquela parte nojenta... Ok, não estava dando tão certo.
Fechei os olhos com força.
— Estamos quase chegando.
Abri os olhos ao ouvir sua voz e ele estava me olhando, o mesmo olhar de preocupação que pensei ter visto no avião, mas dessa vez tinha certeza que estava lá. Estampado em seu rosto, sem a menor dúvida.
Me senti envergonhada.
Era a segunda vez que ele me via prestes a ter um ataque de pânico e era uma situação pra lá de constrangedora. Balancei a cabeça concordando. Faltavam 5 andares. E então 4, 3, 2, 1 e... O elevador parou. A parada foi brusca e eu tive que me segurar para não cair. Como se isso não bastasse, para melhorar tudo, as portas não se abriram.
— O que aconteceu?— Perguntei beirando a histeria.
— O elevador parou.— A voz calma dele me irritou.
— Isso eu já percebi. Quero saber por quê as portas não estão abrindo.
— Porque vai levar algum tempo até consertarem seja lá qual tenha sido o problema.
Ele caminhou até mim.
Dei um passo para trás instintivamente, o que o fez parar.
Foi então que me dei conta de que o painel estava bem atrás de mim. Ótimo, eu estava agindo feito uma criança. Saí do caminho e notei um olhar estranho em seu rosto. Não sabia dizer o que era. Ele voltou a andar e quando levantou o braço direito, as luzes apagaram.
— Talvez um bom tempo.
Senti meu coração acelerar e dessa vez eu sabia exatamente o motivo. O pânico crescente...
Eu não podia ficar presa em um elevador.
Um elevador!
Ai, meu Deus.
Ar! Eu preciso de ar!
— Deve ter sido uma falta de energia no hotel inteiro.
Ele continuava falando, sua voz continuava calma, mas eu escutava tudo abafado. A escuridão não ajudava muito, eu podia apenas distinguir sua silhueta porque sabia onde ele estava e...
Espera, o chão estava ficando mais próximo.
Por que o chão estava ficando mais próximo?
— Haruno!
Ele me segurou antes que eu caísse.
Seus braços me apertaram contra si para que eu ficasse estável. Eu estava completamente apoiada em seu peito, sem força alguma nas pernas para ficar em pé.
Era patético.
Naquele momento, eu era mais do que patética.
Ele deve ter percebido que eu não ia conseguir ficar de pé e foi me ajudando a sentar no chão. Quando me sentei completamente, ele afrouxou os braços ao meu redor, mas não me soltou.
— Haruno? Você está bem?
Eu sabia que ele estava falando comigo, mas não conseguia falar. Eu não posso ficar presa aqui, eu preciso...
— Haruno?
Ele me chacoalhou levemente, mas as palavras não saiam.
— Sakura.
O efeito foi imediato.
Ele nunca tinha me chamado pelo meu primeiro nome. Nunca. Isso me fez voltar a mim mesma.
Respirei fundo tentando inspirar o máximo de ar que parecia mínimo naquele momento.
— Eu... Eu não posso... Ficar presa aqui.— Sussurrei pausadamente.
O ouvi soltar a respiração aliviado. Talvez por eu estar falando novamente?
— Tudo bem.— Senti sua respiração contra meu cabelo. Ele estava muito, muito perto mesmo. Nunca estivemos tão perto assim antes e ele ainda não tinha me soltado. — Tenho certeza de que não vai demorar tanto assim.
— Você não pode ter essa certeza.— Murmurei. 1, 2, 3 inspira. 1, 2, 3 expira. — Eles não sabem que estamos presos aqui.— O terror crescia cada vez mais na minha voz.
Senti-o me apertar levemente.
— Em casos assim, sempre há a possibilidade de alguém ficar preso no elevador.
— Certo.
Ele pareceu ficar tenso por um segundo e parecia estar hesitando em fazer algo, mas então o senti sentar-se ao meu lado. E ele ainda não tinha me soltado. Se a situação fosse outra eu estaria mais do que constrangida, mas nesse momento estou mais para agradecida.
— Eu sinto muito.— Sussurrei.
— Pelo o quê?— Sua respiração no meu rosto.
— Por isso.
Envergonhada. Isso ainda era pouco para me descrever.
— Não é culpa sua.
E depois disso eu não sabia mais o que falar.
Tentei me concentrar na minha respiração. Acalmar meu coração. Ignorar sua respiração batendo ritmicamente contra a minha. Mexi minhas mãos nervosamente uma contra a outra. Quanto tempo já tínhamos ficado aqui? 10 minutos?
— Quando eu estava no colégio... — Comecei incerta sobre continuar, mas aquele silêncio estava começando a ficar constrangedor. — Fiquei presa dentro de um elevador com uma amiga. Ficamos presas por quase uma hora. Foi um pesadelo.
— Então você já teve experiências ruins com elevadores.— Disse depois de parecer considerar o que eu tinha dito.
— Sim e eu espero mesmo que não demore tanto assim.
— Quando eu estava no colégio, também já fiquei preso dentro de um elevador.
Uou, sério? Esse era mais um daqueles momentos incomuns da noite em que compartilhávamos histórias do passado?
— O que aconteceu?— O incentivei a falar.
Falar sempre ajudava.
— O elevador quebrou. Eu estava com o... Um amigo.— Sua voz se tornou fria de repente e eu sabia a quem ele estava se referindo.
— Sasori?— Perguntei.
Eu me lembrava do que Sasori falou. Eles estudaram juntos e eram amigos, até que... As coisas mudaram.
Ele enrijeceu ao meu lado.
— Sim.
Sua voz estava dura e fria. Muito diferente de como esteve durante a noite. Fazia algum tempo desde a última vez que o tinha ouvido falar comigo com essa voz.
Estremeci, mas juntei toda coragem que ainda tinha.
— Ele me contou, sabe? Sobre o que... O que aconteceu.
Era isso.
Eu tinha falado.
Estava presa em um elevador, tendo um ataque de pânico e acabei de confrontar o meu chefe que podia ser muito assustador quando estava com raiva. E para fechar com chave de ouro, eu não tinha para onde fugir.
Me surpreendi ao ouvi-lo rir.
Foi um riso curto e em completo desdém.
— Tenho certeza de que ele contou.
— Eu não sei exatamente o que aconteceu em detalhes, mas...
— Não, você definitivamente não sabe.
— Mas o que você fez...
Ele me soltou na hora.
— O que eu... — E então a mesma risada. — Deixa eu adivinhar, ele disse que foi a vítima?
Foi nesse momento que me esqueci o quão claustrofóbica eu sou e me levantei em um pulo.
Eu não ia deixá-lo falar assim. O que ele fez foi grave, muito grave e eu sabia que não houve nenhum pedido de desculpas da sua parte.
— Ele foi a vítima.— Disse com a voz firme, olhando para onde imaginava que ele estivesse.
Ele também se levantou.
— Você não sabe o que aconteceu, Haruno. Não aja como se tivesse estado lá e soubesse de tudo.— Suas palavras estavam em um tom venenoso.
Eu cambaleie para trás.
A adrenalina do momento estava passando e o ar estava ficando cada vez mais pesado.
Droga!
Não agora, não no meio de uma discussão.
— Então você não dormiu com a namorada dele?— Cuspi a pergunta sem pensar. Ar...! — Você não a engravidou?— Seus braços me encurralaram contra a parede.
— Cale a boca, Haruno.— Sua voz estava ameaçadora.
Assustadoramente ameaçadora.
— Você não o enganou?— Meu coração acelerava a medida que eu sentia sua raiva aumentando.
Sua raiva estava palpável.
— Eu mandei você calar a boca.— Ele falou por entre os dentes.
Minhas pernas tremeram.
"Patética!"
— Ou o quê?— Gritei sem pensar.
Eu não estava mais pensando. Tenho certeza de que meu cérebro está com falta de oxigênio.
Abri a boca para respirar melhor. Tomada por uma coragem inexistente, continuei.
— O quê você vai...— E então, ele me beijou.
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