Inferioridade
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sentado ao longe, olhos fechados
O olhar sonhador, a música a embriagá-lo
O homem pode ser peculiar
Mas nada chama mais a atenção que o escarlate à sua frente
Que, derretendo-se, flui em uma caminhada interminável de ser,
[preguiçoso
Todo o seu aspecto flutua apoiado no chão
O vinho que o homem toma o domina pouco a pouco
Aproxima os lábios da rosa que, como em Bela E A Fera
Cobre-se no redoma de vidro
Abre-o descuidadosamente e nela um pequeno beijo deposita
Sorvendo um pouco da vida de que precisa
Mais uma pétala perfeita cai,
Deslizando do abraço protetor
Que antes lhe dava o redoma,
Esquecido
De onde eu vim ou o que eu fui não importa
Enquanto existir o que eu sou
Sou só o guarda-costas
Protejo o tesouro
Sou um cálice
Sem passado nem futuro
Não danço, não fluo
Sem nada a oferecer, em um canto eu apodreço
Sou escravo do vinho que carrego
E que em mim se abriga
Não sou crucial à cena, não sou retratado
A minoria, pobre e feia, é escondida
Jamais serei o real destinatário do beijo dos lábios queridos
Jamais serei tomado pelo êxtase que causei
Jamais deixarei de ser abandonado à louça
Quando, desprendida do meu protetor abraço
A rosa terminar de perecer
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