Infected
1 Capítulo 1: O Início
Notas iniciais
Meu nome é Calum Lynch, tenho dezoito anos e sou um sobrevivente. Minha mãe e meu pai foram mortos logo no inicio de toda essa crise; sacrificaram suas vidas para me proteger, deram tudo de si para que eu pudesse escapar com vida de nossa casa que foi invadida pelos zumbis, em busca de um possível futuro melhor. Eu queria poder dizer que fui corajoso, que tentei salvá-los e tudo mais, porém no primeiro sinal que eles deram eu fugi sem pensar duas vezes, deixando para trás anos de histórias, brincadeiras, sorrisos, brigas e amor compartilhados com eles. Eu era um covarde. Ainda sinto a falta deles, todos os dias. Quase posso ouvi-los.
Mas pelo menos não estou tão sozinho, ainda tenho a companhia de minhas duas primas que escaparam comigo: Shay e Aria Lynch. A Aria tem a mesma idade que eu, longos cabelos louros e olhos castanhos claros um pouco avantajados. Ela é, na maioria das vezes, um pouco lerda e paranóica, mas sua coragem serve sempre de inspiração para continuarmos em frente. A Shay é um ano mais nova que eu, tem apenas dezessete anos, longos cabelos louros também e olhos verdes vivos, mas parece demonstrar mais. Na maioria das vezes é ela que bola planos e estratégias para conseguirmos suprimentos e abrigo, eu até costumo chamar ela de Sabe Tudo, porque sempre está preparada para o que está por vir. Eu sou, basicamente o assassino do grupo, na maioria das vezes as meninas não gostam de matar os zumbis e todo o trabalho sobra para mim, gosto de garantir a segurança delas, pois foram as únicas pessoas que me restaram nesse “novo mundo”, minha única família. Vou fazer de tudo para protegê-las sempre.
Nosso novo abrigo é bem legal e seguro, escolhido a dedo por Shay: uma velha fábrica de tecidos cercada por enormes muros e uma única entrada, o que nos permite uma segurança maior em relação aos seres que vivem lá fora. Porém nossos suprimentos estão acabando, e as coisas podem começar a ficar feias com a falta de comida e água. Levo um pequeno susto quando Shay toca meu ombro, quase caindo da janela quebrada onde estava sentado. Ela me encara com um sorriso simples antes de começar a falar:
- Viajando de novo hein, cara? O que seria de nós sem sua constante e perfeita vigilância sobre o pátio dessa fábrica, onde nunca aparece nada. – A ironia em sua voz me faz abrir um pequeno sorriso.
- Alguém tem que fazer esse trabalho, não é? E eu sou o único apto para atirar em algo que se mova aqui, então, bang! Estou no comando. – Me ergo e saio da ponta da janela, esticando os braços parando ao lado de Shay – Então, o que está acontecendo? Algum problema?
A garota desvia os olhos dos meus antes de responder e chuta um pequeno trapo que está no chão sobre seu tênis, sua expressão se torna séria e serena enquanto ela fala:
- A comida tá acabando, Calum. E a água também. Acho que vamos ter que procurar outro lugar para ficar, as coisas não estão mais tão bem como estavam a duas semanas atrás.
- Droga, mas já reviramos os arredores daqui e nada de alguma loja ou supermercado abandonados... o único jeito seria então procurar outra cidade...? – Sou interrompido por uma Aria sorridente que caminha em direção a nós, ela gira entre os dedos sua faca de caça, sua nova companheira inseparável.
- Então já estamos indo? Legal, porque esse lugar tava mesmo me dando medo, parece que estávamos muito desprotegidos aqui. – Aria fala em um tom normal, ignorando o fato de que acabou de me interromper e a Shay.
- Ei, louca, eu já disse mil vezes que aqui era seguro, porque não confia em mim? – Shay estica o braço e dá um leve soco nos ombros de Aria, que responde com um sorriso constrangido.
- É, é... vamos ter que partir mesmo. Que pena, era bem legal aqui. Então, vamos logo? Ainda temos algumas horas antes de anoitecer, então talvez ainda possamos arrumar algum abrigo pela estrada para passar a noite. – Pego minha mochila que estava jogada ao lado da janela e a jogo sobre as costas, verificando se minha pistola Glock estava bem presa ao meu cinto.
- Não precisa nem repetir, minhas coisas já estão todas prontas e esperando por mim lá na entrada. Vamos? – Aria se apressa em dizer, ansiosa para sair da antiga fábrica e não consigo de soltar um breve sorriso com sua felicidade em sair daqui.
Shay e eu seguimos Aria que disparou em nossa frente rumo aos portões da fábrica. Observo o local com cuidado, relembrando nossas duas semanas de calma e tranqüilidade. Suspiro e observo minhas companheiras e nem preciso perguntar, depois de tanto tempo sobrevivendo juntos já sabemos interpretar as expressões uns dos outros. Quando elas acenam com a cabeça para mim sei que estamos prontos para partir e então abro os portões da fábrica.
Os primeiros quilômetros de caminhada são tranqüilos e calmos, com poucos zumbis que logo são eliminados sem muito esforço por nossas facas ágeis e precisas. Passamos a garrafa com água regularmente entre um e outro, sempre nos mantendo hidratados.
Após algumas horas de caminhada encontramos o nosso primeiro obstáculo da nova jornada: um grito de socorro não muito longe. Alguém está desesperado e, provavelmente encurralado por zumbis. Observo Shay e Aria, confuso com os gritos e aceno para elas com a cabeça
- Fiquem aqui, escondam-se atrás de qualquer árvore e me esperem voltar, estejam preparadas para tudo, beleza?! – Sem sequer esperar alguma resposta eu deixo minha mochila no chão e pego dois cartuchos de munição extra, guardando-os no bolso. Corro em direção aos gritos que, aparentemente vem do meio da floresta que cercava nosso caminho.
Por sorte a mata não é tão densa quanto eu esperava, o que facilita e muito minha busca. Ergo os olhos e observo um seleto grupo de zumbis se reunindo em torno de uma enorme pedra, onde uma garota ainda apavorada alterna suas emoções entre gritos de socorro e xingamentos contra os seus companheiros mortos. O grupo de zumbis nem é tão grande, apenas seis para ser mais exato, então observo a cena por mais algum tempo antes de intervir. A garota é linda. Não como qualquer garota bonitinha, mas realmente linda. Suas madeixas negras pendem em um só lado em seu corpo enquanto ela chuta ferozmente a cabeça de alguns zumbis que se afastam momentaneamente e depois voltam a arranhar a pedra, sedentos pela carne da garota. Mas cá entre nós... quem não iria desejar aquele pedaço de mal caminho?
Puxo minha Glock do cinto e a ergo contra os zumbis, disparando contra o crânio de todos eles, que caem, finalmente, mortos. Me aproximo com cautela da garota, sem baixar a arma um segundo se quer, fixo meus olhos aos seus e quase não consigo me comunicar enquanto a observo, ela é realmente muito linda.
- Ei, não sabe que existem mortos-vivos perambulando pela cidade agora? Não deveria andar sozinha por aí, principalmente se estiver desarmada. – Arqueio uma das sobrancelhas enquanto falo, tentando parecer confiante, mas posso sentir minhas bochechas queimarem.
- Foi tudo planejado, eu sabia que iria achar algum bom samaritano por aí hoje, que iria me salvar. – a garota ajeita suas madeixas e salta da pedra, caindo graciosamente no chão, como se a altura não fosse nada. – Mas falando sério, cara, valeu. Ajudou bastante. Eu sou a Viollet, aliás, prazer. E você é o....? – Ela se aproxima de mim e eu hesito em tocar sua mão já erguida para me cumprimentar.
- E-eu sou o Calum. Prazer. – Por fim acabo apertando a mão da garota, com uma certa insegurança.
- Então, muito legal, Calum, mas já to indo. Preciso achar algum lugar para me abrigar, afinal a noite tá chegando e com ela vem esses carinhas chatos em grande quantidade. E como minha munição acabou hoje mais cedo... eu estaria novamente em apuros, precisando ser salva por um jovem bom samaritano de novo. – Ela sorri maliciosamente e acena com a cabeça, iniciando uma caminhada na direção oposta a minha.
- Espera aí! – Falo rápido demais, e desesperado demais, talvez ela tenha percebido porque para lentamente e me observa, curiosa, porém ainda com aquele sorriso.. – Você tá sozinha nisso tudo? Uau! Então, eu tenho mais duas garotas comigo, sabe, se quiser se juntar ao nosso grupo, podemos garantir que você tenha o mínimo de segurança possível pelo menos, somos até legais... na maioria das vezes.
- Você tá falando sério? – O sorriso dela vacila por alguns instantes, dando lugar a uma Viollet séria e macabra, atenta a qualquer movimento que eu possa fazer. – Espera, você nem me conhece direito. Eu nem te conheço direito. Como pode me convidar para o seu grupo? Você provavelmente é apenas mais um desses assassinos ou estuprados que reinam nessa “nova ordem”. Não sei se posso confiar em você...
- Eu acabei de salvar a sua vida, e, se eu fosse algum tipo desses marginais que você citou, você acha que eu já não teria te atacado? Eu sou um bom rapaz, deixe eu te provar isso. Aliás, minhas companheiras nem me permitiram ser um marginal desses. Cara, eu estaria muito ferrado. – Tento criar meu sorriso mais confiante possível enquanto encaro Viollet, ansioso.
- Ahn... Eu já não tenho nada a perder nessa vida mesmo. Vamos lá, ué. – Ela se aproxima de mim e, para minha surpresa, me abraça apertado e consigo sentir toda a sinceridade da garota. – Obrigado, essa foi a coisa mais bacana que alguém já fez por mim depois que essa bagunça toda começou.
Meu coração quase para de bater com aquele abraço, e o prolongo o máximo que consigo, até a garota se soltar de mim. Retribuo-a com um sorriso, porém devo parecer um babaca, porque agora minhas bochechas estão realmente queimando, posso senti-las ficarem vermelhas em minha pele. Nossa jornada acabou de ganhar mais um reforço e, conseqüentemente ficou mais interessante.
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