Infected

7 Capítulo 7: Desespero


Eu poderia dizer que essa foi a melhor noite de nossas vidas depois que esse apocalipse começou, mas estaria mentindo. A noite foi realmente boa e tranquila, mas não a melhor. Deveriam ser seis horas da manhã quando ouvimos alguns barulhos estranhos vindos da floresta que nos rodeia. Dan, Mark e eu fomos os primeiros a acordar e caminhamos para a janela da choupana para tentar ver algo de irregular.

Tudo parecia calmo e normal até que Mark indicou, com o polegar apoiado no vidro, alguns mordedores caminhando em direção a choupana.

— Impossível! Como eles passaram as barreiras que fizemos? — Mark parece preocupado enquanto observa Dan.

— Não faço ideia, mas garanto que não são apenas aqueles. Olha. — Dan está sério e indica a floresta, atrás da pequena horda que vimos, estão vindo mais mordedores do que eu possa contar.

— Temos que ir. Agora! — Mark já saiu da janela e começou a recolher as armas de seu pequeno arsenal.

Corro para acordar as garotas e resumo toda a situação para elas. Megan é a última a se levantar e não parece tão preocupada quanto o restante do grupo. Viollet, Shay e Aria demoraram pouco menos de quatro minutos para pegarem suas coisas e estão todas paradas em volta da mesa, pistolas em mãos.

— É isso aí, pessoal, desculpem ter que expulsar vocês que acabaram de chegar, mas não temos escolhas. — Dan está com sua mochila nas costas e seu facão em mãos, um pouco desanimado.

— Atirem apenas se for realmente necessário, caso contrário isso só vai atrair mais deles. — Mark parece mais sério do que de costume enquanto abre a porta da choupana.

Apanho minha faca do cinto e a giro entre os dedos, apreensivo. Viollet se aproxima de mim e sela seus lábios aos meus, com aquele sorriso encantador que me acalma. Saímos da casa logo após Mark, seguidos por Aria, Shay e Dan. Megan vem por último, indiferente em relação aos zumbis, ela carrega uma arma na mão esquerda e uma faca na direita.

— Anda logo, Meg! Não é uma brincadeira! — Dan grita enquanto apressa os passos

— Tá, tá. To indo, eu hein. — Megan começa a caminhar com mais intensidade, acompanhando o grupo.

O nosso maior erro foi ter achado que os zumbis estavam vindo apenas de um lado da floresta. Assim que tomamos uma certa distância da choupana, quatrocentos metros talvez, nos deparamos com uma horda enorme de zumbis a frente. Ficamos todos parados e sem fôlego por alguns segundos, até que um tiro corta o ar.

— Temos que continuar! Voltar não é uma opção! — Mark grita para nós após ter acertado um dos zumbis, fazendo todos os outros terem atenção especial para nosso grupo.

— Acabem com eles! — Dan puxa sua arma do cinto e começa a disparar, acertando três zumbis em cheio na testa.

Puxo minha Glock 43 do cinto e começo a disparar também, todos fazem o mesmo, menos Megan que prefere ficar apenas olhando. Caminhamos para frente até conseguirmos uma abertura entre os zumbis.

— Corram! — Grito após disparar a última bala de minha arma.

Viollet é a primeira a correr e a sigo de perto. Shay vem logo atrás de nós, com Dan em sua cola seguido de Megan. Aria está paralisada, por algum motivo e Mark corre para perto dela, cobrindo-a.

— Aria, vamos, o que você está esperando?? — Shay para ao perceber a ausência da loura e a observa a poucos metros de nós.

— Vamos, Aria, temos que ir! — Mark apunhala um zumbi que se aproxima demais deles, tenso. Os outros zumbis estão cada vez mais próximos de Aria e Mark quando a garota finalmente resolve correr.

— E-eu não sei o que aconteceu! Não consegui me mexer! — Aria corre o mais rápido que consegue, nós alcançando, Mark a segue.

— Quase morremos, sua maluca, não pire no meio de um maldito apocalipse! — Mark bufa e toma a dianteira do grupo, visivelmente irritado.

Aria desvia os olhos de todos e volta a correr, constrangida. Todos corremos atrás de Mark. Os zumbis começam a ficar para trás, pelo menos a maioria deles. Parece que a floresta está infestada de mortos-vivos, a cada árvore que deixamos para trás. Conseguimos chegar a uma autoestrada após uns vinte minutos de corrida e o número de zumbis diminui, agora conseguimos eliminá-los apenas com as facas, sem tiros, por serem poucos na estrada.

— Aquilo foi uma crise de pânico? — Megan caminha ao lado de Aria, que ainda está constrangida.

— Acho que sim, meu corpo não respondia aos impulsos enviados pelo meu cérebro. Não sei o que foi, na verdade. — Aria cruza seus braços enquanto caminha, evitando olhar para qualquer um.

— Está tudo bem, da proxima vez tente morder sua língua, a dor vai fazer você acordar. — Megan bate a mão direita nas costas de Aria, sorrindo amigavelmente.

— Obrigada. — Aria sorri.

— Acho que tiramos a sorte grande, pessoal!!! — Dan começa a correr, todo animado, em direção a um carro abandonado a alguns metros de nossa posição. — Não vamos andar mais!!

— Finalmente! — Mark segue Dan, tão animado quanto ele.

Continuo a caminhar tranquilamente, abraçado a Viollet, que não tira os olhos de Aria.

— Acho que vou falar com ela. Não sei, ela deve estar mal ainda. — A garota beija minha bochecha e caminha para perto de Aria, que já está com uma cara melhor.

— Não gostei de como aquele babaca falou com ela. — Shay passa a caminhar ao meu lado, de cara amarrada. Observo Dan e Mark comemorarem quando a porta do carro abre, sem muito esforço, a nossa frente.

— Eu vou falar com ele, não se preocupe. Porque eu também não gostei nem um pouco. — Assinto para Shay e caminho na direção de Mark e Dan, a garota se reune mais atrás com Aria, Viollet e Megan.

— Vocês nos trouxeram sorte, Cal. Veja isso, SORTE! — Dan está animado ao volante do honda civic, que ainda continua em um bom estado.

— Já não vejo a hora de pilotar essa belezinha aqui! — Mark bate a mão contra o capô do carro.

— Ei, cara. Deixa eu te falar... Pega leve com a Aria. Ela não teve culpa lá atrás, só estava com medo. Não precisava ter sido tão rude. — Toco o ombro de Mark, que assente irrelevantemente.

— Tá, tá. Tanto faz. — Mark solta enquanto abre a porta de trás do carro.

— Não liga, Calum. Ele é apenas músculos, sem cérebro. — Dan sorri para mim e volta a atenção para o carro. Aparentemente o veículo estava sem chaves, mas isso não se é um problema quando Dan está por perto. O garoto faz uma ligação direta no carro e sentimos seu motor roncar. — ISSO AÍ, BABY, É ASSIM QUE O PAPAI GOSTA!

— Você é muito estranho, cara. — Sacolejo a cabeça negativamente e caminho para o banco de trás do carro.

Após uma pequena discussão, Dan consegue convencer Mark a deixá-lo dirigir e o grandalhão se conforma em ir no banco do passageiro. Viollet se senta em meu colo no banco de trás e Aria no meio, com Megan ao seu lado que carrega Shay em seu colo.

Após algumas horas seguindo rumo ao norte, Dan acha uma antiga fábrica de bebidas na econsta da estrada. Todos concordamos em verificar se o local era seguro para passarmos a noite. Dan estaciona o Honda no pátio do local e saímos.

— Ok, acho melhor formarmos equipes para facilitar nosso trabalho. Megan você e Shay procuram zumbis na área leste. Aria você vai com o Mark para a área oeste enquanto eu, Viollet e Dan cobrimos a área norte. — Indico cada área com as mãos, para um melhor entendimento de todos e eles concordam. — Nos encontramos aqui daqui quize ou vinte minutos, combinado?

— Beleza, chefe. — Mark caminha em direção a área oeste, recarregando sua arma. Aria o segue, hesitante, com a arma em mãos.

— Não se atrase, nerd. — Shay e Megan andam lado a lado em direção a área leste. Ambas recarregaram suas armas e as empunham.

— Por que eu tinha que ser a vela? — Dan chuta algumas pedras no chão enquanto caminhamos.

— Tudo bem, Dan, eu divido ele com você também. Mas só porque são amigos de infância, beleza? E não se acostume. — Viollet me empurra para o lado de Dan e ele passa os braços em volta de minha cintura. Todos rimos.

— Poxa, Vi, ele é horrível! Não vai rolar, camarada, talvez se você fizer uma plástica ou outra. — Aponto para a face de Dan e me solto do garoto. Abraço Viollet pela cintura e a puxo para mais perto de mim, roubando-lhe um beijo.

— Eca, trocação de saliva grátis. Que nojo. — Dan finje um vômito e para em frente as portas de metais da fabrica. Ele as empurra e as portas se abrem com um rangido.

O interior da fábrica é normal: cheio de máquinad e tanques de bebida. Caminhos alguns metros a dentro, todos atentos e com as armas erguidas, em busca de algum zumbi.

— Parece limpo. Fácil demais, dá até um medo. — Viollet abaixa sua arma e, ao terminar sua frase, ouvimos um barulho vindo da parte de cima da fábrica.

— O que você ia dizendo? — Pergunto, sorrinro maliciosamente enquanto caminho para as escadas.

— Um a zero para os meninos, uhul! — Dan lança os braços para o ar, fingindo comemorar e Viollet o fuzila com um olhar zangado, brincando. — Desculpa, Dra. Lynch.

Sorrio da cena e volto a observar a parte superior da fábrica enquanto subo as escadas. Puxo minha faca do cinto. O segundo piso da fábrica é a parte administrativa: o lugar é cheio de mesas de escritório e afins.

Há apenas duas mesas a frente da porta está um zumbi, que bate incessantemente contra a mesa na tentativa de passar. Quando percebe nossa presença ele ergue os braços e tenta nos segurar, mas estamos longe. Começo a caminhar na direção da criatura quando Viollet segura minha mão e apanha minha faca.

— Deixa comigo, por favor. — A garota sorri para mim e aceno positivamente a cabeça para ela. Com um rápido movimento ela arremessa a faca contra o crânio do zumbi e o acerta em cheio.

— Uou! Como você fez isso? É sobrenatural! — Dan começa a bater palmas e o sigo, ambos impressionados.

— Sou filha de artistas circenses, bem, eu sei alguns truques também. — A garota caminha em direção ao zumbi e retira a faca de sua cabeça.

— Uma caixinha de surpresas. — Cesso as palmas e fito a garota, surpreso. — Acho que já podemos volt....

Não consigo terminar minha frase, somos surpreendudos por um grito ao longe e sinto uma pontada no coração. O grito é feminino. Algo deu errado. Alguém se feriu ou está com problemas.

Não preciso nem voltar a falar, Dan, Viollet e eu descemos as escadas correndo, rumo ao restante do grupo.

P.O.V (Point of View): Shay Lynch.

Megan é uma garota legal, quando não está tentando te comer com os olhos. Ela parece sempre muito prestativa e amigavel.

— Você seria uma ótima médica, caso tivesse entrado na faculdade. Muito melhor que meus colegas de turma, sem dúvidas. — Megan sorri enquanto empurramos as portas de metais da área leste.

— Ah, eu não sei. Tentaria me esforçar o máximo, só isso. — Me sinto desconfortável na presença da garota e sinto minhas bochechas corarem.

Devemos ter ficado com a parte da fábrica onde as bebidas eram embaladas. Não existe nada aqui além de máquinas enormes com grandes esteiras.

— Parece tudo limpo. Nenhum sinal dos mordedores. — Megan rodeia o galpão com a arma em riste e faço o mesmo, em poucos minutos já rodeamos todo o local e não encontramos nenhum sinal de zumbis.

— Aqui parece ser um lugar bacana, né? — Sorrio amigavelmente para a garota e noto suas bochechas levemente avermelhadas. — Ei, Meg, você acha que talvez possamos ficar por aqui, por alguns dias? — Droga, eu sei que estou parecendo uma menina boba perguntando isso, porém é o único modo que encontro para puxar assunto com a morena.

— Tomara que sim. Assim teremos mais tempo para nos conhecermos melhor, você me parece uma garota interessante, Shay. — Megan sorri maliciosamente para mim e desvio os olhos de seu olhar, minhas bochechas queimam de vergonha.

Não tenho tempo para responder, o que em parte é bom. Ouvimos um grito agudo e alto o suficiente para atravessar as paredes da fábrica, reconheço o grito na hora. Como poderia me esquecer da voz de minha melhor amiga? De minha confidente mais próxima? Megan e eu disparamos para fora da área leste sem pensar duas vezes, alguém precisa de ajuda. Alguém não; Aria está desesperada e com problemas. Corremos para a área oeste.

Notas finais
Pessoal, pra quem não sabe, POV é o ponto de visão de um determinado personagem. A história sempre foi narrada, até agora, apenas pelo Calum, mas com a chegada de novos personagens pretendo aproveitá-los ao máximo então vou dar a chance para termos o seu ponto de vista também. Espero que estejam gostando. Até o próximo capítulo!