Infected
8 Capítulo 8: Perdas
POV: Shay Lynch
Quando chegamos do lado de fora do galpão meu coração começa a bater mais forte. Sinto minhas mãos tremendo enquanto seguro a arma entre os dedos. Ela não pode morrer. Não pode me deixar. Ela é a minha melhor amiga, minha irmã, minha companheira desde sempre. Eu não devia tê-la deixado. Ela NÃO pode morrer.
— É A ARIA! EU SEI QUE É, VAMOS! — Continuo a correr o mais rápido que posso até a área oeste, deixando Megan para trás.
— Shay, me espera!! Pode ser perigoso! Shay!!! — Megan corre o máximo que pode, porêm sou mais rápida que ela. Ainda assim, a garota fica a poucos metros de distância de mim.
— Rápido, por favor! — Não olho para trás, meus pensamentos se perdem em um turbilhão de emoção enquanto corro. Avisto Calum, Viollet e Dan saindo de sua área e gesticulo para que cheguem até Aria, erguendo os braços. Eles parecem atordoados. — É A ARIA, VAI, VAI! ÁREA OESTE, VAI!
POV: Calum Lynch
Assim que saímos da fábrica a luz do sol bate mais forte contra meu rosto e fico sem ação por alguns segundos, o resultado deve ter sido o mesmo para os outros porque também pararam. Me viro para correr até a área leste, por ter achado que o grito seja de Megan ou de Shay, mas as encontro correndo em nossa direção. Shay está agitando os braços feito louca enquanro grita algo que não consigo entender.
— Mas o que...? — Presto atenção a garota que continua a correr e gritar desesperadamente até entender. Ela e Megan estão bem. Entendi a mensagem de Shay e todas as palavras que saem de sua boca. Droga, é a Aria.
Dan e Viollet ainda estão prestando atenção em Shay e Megan quando começo a correr em direção a área oeste.
Algo aconteceu com a Aria. Não estou acreditando. Cambaleio enquanto corro e aperto a arma com mais força. Esteja viva, esteja viva, esteja viva. É o único pensamento que me ocorre.
Alcanço as portas de metais da área oeste e consido ouvir passos lá dentro, passos e gemidos. Tem mordedores lá dentro. Isso já não me interessa mais. Aria está em perigo, nada mais importa. Prometi cuidar dela, TENHO que cuidar dela.
Puxo as grandes portas e elas rangem, o metal já enferrujado se recusando a abrir. Talvez teria sido mais inteligente ter esperado os outros para abrir. No instante em que as portas se soltam das dobradiças enferrujadas e finalmente se abrem, vários zumbis se viram para minha direção.
POV: Shay Lynch
Observo Calum se afastando das portas abertas da área oeste e ele tropeça. Consigo ver quinze, vinte, talvez trinta zumbis lá dentro e todos caminham em direção a Calum.
Corro o mais rápido que consigo, Dan está a minha frente e Viollet ficou para trás, junto de Megan. Temos que chegar ao Calum, não podemos perder ele. Muito menos a Aria. Dan puxa seu facão do cinto e começa a mirar nos zumbis enquanto corremos, ele dispara algumas vezes porém ainda estamos um pouco longe e sem foco para atirar.
POV: Calum Lynch
Me assusto com o aglomerado de zumbis e recuo alguns passos para trás, porém, para minha infelicidade, acabo tropeçando em meus próprios pés e caindo no chão. Ergo a arma rápidamente e acerto o primeiro zumbi que vem para cima de mim. Porém não sou rápido o suficiente para o segundo e ele despenca sobre meu corpo. Bloqueio sua mandíbula com o cano da arma e o seguro, outro dos mordedores cai sobre o primeiro, aumentando o peso contra mim e me esforço para segura-los, evitando as mordidas. Fui burro demais.
O peso dos zumbis sobre meu corpo está exaustivo e mais deles se aproximam. De repente, o peso some e os mordedores caem de lado, ambos com a cabeça rachada ao meio. Viro-me para o lado enquanto levanto e vejo Dan, arfando e suado. Eu tenho o melhor amigo de todo esse mundo doido. Aceno com a cabeça para ele e ele me retribui com um sorriso.
— A ARIA, PESSOAL! — Shay passa correndo por nós, feito um vulto.
— Ei, espera! Sozinha não! — Dan corre atrás da garota, acertando o máximo de zumbis que consegue com seu facão.
— Dá pra limpar essa área aqui? Tragam eles para fora e os matem, por favor. Vou entrar! — Me viro para Megan e Viollet que finalmente nos alcançaram e ambas erguem suas armas, disparando contra os zumbis, que vão caindo um a um no chão.
O interior da fábrica é um caos completo: caixas espalhadas por toda parte e enormes prateleiras. Esse é o deposito da fábrica. Procuro algum sinal de meus amigos e não os encontro em parte alguma. Acerto um zumbi no crânio, com minha faca enquanto analiso melhor o local. Ergo os olhos e vejo o interior do depósito: tem uma entrada para uma nova sala. Corro em direção a entrada, erguendo a arma.
A cena com a qual me deparo faz meu coração gelar por alguns segundos. Mark está caído no chão, com dois zumbis mortos ao seu lado. A pele do rosto de Mark foi completamente devorada, so lhe restou a região da testa. Seus braços e o tórax também estão completamente mordidos, está faltando pele por todo o seu corpo.
Fico tão aturdido com a cena de Mark que demoro algum tempo para notar Shay e Dan em volta de Aria, que chora. Me aproximo do grupo, apreensivo.
— D-desculpa, Cal. Não consegui ser tão rápida quanto você. Eles eram muitos, e o Mark usou seu corpo como barreira para me proteger.. E-eu não pude... — As lágrimas voltam a escorrer pelo rosto da garota e Shay a abraça. Abaixo os olhos pelo corpo de Aria e percebo o sangue em seu braço esquerdo. Ela foi mordida.
— Nã-não. Isso não vai acabar assim, por favor, Aria. Seja forte! — Shay aperta a garota com força contra seu peito, amparando-a.
— Nós precisamos de você, Aria. Por favor... — Me ajoelho ao lado da garota, Dan apoia suas mãos nos ombros de Aria, todos dando apoio a garota. Sinto as lágrimas percorrerem minhas bochechas e percebo que Shay também começou a chorar.
Foi culpa minha. Eu pedi para nos separarmos, foi burrice. Que tipo de pessoa se separa dos amigos em uma catastrófe dessas? Fui ingênuo. Queria apenas unir mais os grupos e agora Mark está morto e Aria foi mordida.
Estou tão perdido em meus pensamentos e na visão de Aria que me assusto ao ser empurrado para o lado. É Megan, sequer a notei chegar na sala. Viollet corre para perto de mim e me abraça, tentando me reconfortar.
— Não, você não vai morrer! Não vou deixar! — Megan está decidida e suas palavras me enchem de esperança.
Observo tudo com atenção. Megan retira seu próprio cinto e o enrola no bícipes de Aria, amarrando-o com toda a sua força. Shay se afasta junto de Dan, deixando mais espaço para a garota.
— Não, não! Nada disso! Preciso de vocês aqui. Shay, segure o tronco da Aria, abrace-a por trás, tem que ser forte! Calum, pegue um isqeiro que está dentro da minha mochila, ficou no carro, então você precisa ser rápido. Dan, você vai precisar ser forte e preciso com seu facão. Vamos amputar o braço dela. — Megan faz tudo parecer fácil e natural, e ninguém ousa discutir com a garota.
— Você vai aguentar, Ari. Tem que aguentar! — Shay abraça Aria por trás, segurando bem a garota na altura do tórax.
— O que você está esperando, Calum? Pensei que fosse rápido! Traga o isqueiro e qualquer pano ou roupa que encontrar, e algumas garrafas de água, se ainda tivermos. Vamos, para ONTEM! — As palavras de Megan me fazem acordar e me ergo. Viollet sorri para mim e disparo, usurfruindo de todas as forças que tenho, para chegar o mais rápido possível no carro.
POV: Shay Lynch
Seguro o corpo de Aria, que acabou desmaiando devido a perda constante de sangue pela ferida. Megan parece determinada e certa do que fazer. Não consigo deixar de admira-la.
— Você tem que acertar aqui, dois golpes, no máximo, se não ela não vai aguentar! — Megan desenha uma linha imaginária abaixo do cotovelo de Aria e Dan assente, um pouco tenso. Megan puxa o braço de Aria, deixando-o bem ereto.
— Ok, eu consigo. Claro que consigo. Já posso? — Dan gira o seu facão entre os dedos e suspira quando Megan faz que sim com a cabeça.
Dan é um garoto forte e, por sorte, tem uma ótima mira. Ele ergue o facão acima da cabeça e o desce com toda a força contra o braço de Aria. A garota geme e parece acordar, berrando de dor. Por sorte seguramos ela toda muito bem: seguro sua parte superior e Viollet força suas pernas, evitamos qualquer movimento da garota. Dan volta a subir o facão acima da cabeça e o desce novamente, acertando em cheio o braço de Aria que, dessa vez, se desprende de seu corpo. O sangue da garota espirra em todos nós, porém não a soltamos.
Aproximadamente dois minutos depois de termos arrancado o braço de Aria, Calum chega na sala. Ele carrega consigo um isqueiro, alguns trapos e duas garrafas de água. Calum hesita ao se aproximar de nós e uma Aria jorrando sangue.
Megan pega o isqueio e o risca, acendendo-o contra a lâmina de sua própria faca. Ela o deixa assim por alguns minutos até que a lâmina esteja quente.
— Agora vem a pior parte. Deitem ela e a segurem, não a deixem mexer um músculo sequer! — Megan está decidida.
Cada um de nós segura uma parte do corpo da garota, com força para que ela não se mova. Megan limpa o braço de Aria com um trapo molhado e depois pressiona a lâmina da faca contra a ferida de onde era seu antebraço. Aria começa a querer se movimentar e todos a seguramos com mais força. Por fim, Megan passou a lâmina por toda a extensão arrancada do braço de Aria, ajudando a cicatrizar a ferida. A morena enrola alguns trapos no braço de Aria, fazendo um curativo improvisado. Aria para de tentar se mexer e, pelo visto, desmaiou novamente.
— Isso foi incrível! — Viollet observa Megan atentamente e depois o braço de Aria, que parou de jorrar tanto sangue.
— Só espero que funcione e ela viva. Agora é ela quem precisa ser forte e lutar por sua vida. — Megan passa as mãos pelas madeixas louras de Aria, sorrindo.
— Vem, cara, precisamos ver se não teremos problemas a mais com esse lugar. Deixe que elas cuidem da Ari, está tudo bem agora. — Dan apoia uma das mãos sobre os ombros de Calum, que ainda está chorando e o leva para fora do galpão.
— Obrigada, Meg. Obrigada mesmo. — Deixo o corpo de Aria deitado e me aproximo de Megan, abraçando a garota com todas as forças que ainda me restam. — Você salvou a vida dela, muito obrigada. — Desabo sobre os ombros da garota e não tenho vergonha alguma de chorar, porque ela realmente salvou a vida da minha prima.
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