Infected

3 Capítulo 3: Escolhas


Se eu tivesse pensado um pouco mais, provavelmente estaríamos todos mortos. Lancei meu corpo sobre as garotas e as balas passaram zunindo sobre nossas cabeças. O caos tinha acabado de começar, e teríamos que ser rápidos.

– Mexam-se! Vão! – Sussurrei para as garotas, indicando a porta do escritório. – Vão para lá e não saiam! Em hipótese alguma!

As garotas estavam apavoradas, mas a adrenalina as ajudou a superar o medo. Não gritaram e nem se opuseram à minha ideia, apenas fizeram o que eu disse. Me ergui rapidamente e rolei para o lado, para evitar que os homens vissem as garotas se arrastando para o escritório. Deve ter funcionado, porque todos os três olhavam fixamente para mim, com sorrisos maliciosos.

– Ei, ei, é só um pirralho. Isso vai ser mais fácil do que esperávamos. – Disse um homem de meia idade, corpulento e com uma barba mal feita.

Antes que qualquer um de seus comparsas pudessem responde ao seu comentário, ergui minha arma rapidamente (o que provocou surpresa entre os homens, retardando sua reação), e disparei contra o homem de meia idade, acertando-lhe em cheio na testa.

– Você fala demais, coroa! – Tentei parecer confiante e intimidador, mas minha voz soou mais apavorada do que tudo.

Eu fui burro. Contei vitória antes da hora e esse seria meu erro fatal. Os outros dois homens saltaram sobre mim antes que eu pudesse sequer mirar minha arma contra eles, quase fui esmagado pelo impacto, batendo as costas fortemente contra o chão.

– SEU CRETINO FILHO DA PUTA!! – Gritou um dos homens sobre mim, acertando-me em cheio na cara com um cruzado de direita. Senti minha cabeça girar com o soco, incapacitado de revidar. Os homens haviam me dominado e tirado minha arma.

– Droga, olha o que esse merdinha fez com o John! Droga, droga, droga! E agora? – A cada “droga” que o homem pronunciava eu recebia outro soco, ele alternava entre minhas costelas e meu estômago. Senti o gosto do sangue chegar em minha boca e então o cuspi na cara do homem, sorrindo.

– Vão para o inferno! – O outro homem puxa seu cinto e me senta sobre uma cadeira, amarrando minhas mãos enquanto seu companheiro procura as garotas, estou rezando para que elas tenham sido espertas e pulado a janela do escritório. Elas tem que estar a salvo.

– Você vai pagar caro por isso, meu jovem. Muito caro, ou eu não me chamo Bob. – Então esse grandalhão era o Bob. Ele ergueu os olhos em direção a seu amigo, pedindo notícias das garotas. – Cadê elas, Will? Já sei o que fazer para termos a nossa vingança pela alma do John! – O homem lubrifica os lábios com a língua e sei no que ele está pensando. Começo a me debater na cadeira, tentando me livrar.

– Deixe-as em paz, seu covarde! – A cadeira começa a tremer, com todo o meu esforço para me livrar dela.

– Cale a boca, seu lixo! – Bob me acerta novamente no rosto, com um tapa dessa vez. – Eu vou foder todas as suas amiguinhas aqui mesmo, na sua frente, só para você ver. Essa vai ser a minha vingança.

Bob se afasta e junta-se ao seu companheiro na procura das garotas, observando cada canto do posto até notarem a porta do escritório fechada. Bob olha de mim para Will e depois para a porta, engatilhando sua arma enquanto sorri.

– Acho que as encontrei. – Bob faz um sinal com a cabeça e Will se posiciona na frente da porta, com sua arma erguida também, pronto para atirar em qualquer um que tente acertá-los lá de dentro. – Vocês preferem sair por bem ou por mal, mocinhas? Por favor, digam que é por mal.
Nenhuma resposta e meu corpo relaxa um pouco, talvez elas tenham fugido. Elas vão sobreviver. Minha meta foi cumprida.

– São difíceis, não é mesmo? Eu gosto assim. – Bob dispara contra a maçaneta da porta e a chuta, revelando as três garotas no centro da sala, encurraladas. Viollet toma a dianteira e tenta acertar Bob com a faca, porém o homem é mais rápido e forte que ela e consegue imobilizá-la. Shay e Aria mudam suas expressões de medo para determinação em um segundo ao verem a amiga ser pega, porém Bob coloca a arma sobre a cabeça de Viollet e Will mira as garotas, sorrindo maliciosamente. – Não, não, não, não. Nada de movimentos bruscos, meus amores, sejam boas meninas hoje.

– SOLTE ELA! DEIXE-AS EM PAZ!!!! – Continuo a forçar minhas mãos, tentando me libertar do cinto que me prende a cadeira, porém está bem apertado. Sacolejo meu corpo, desesperado ao ver aquele canalha segurando Viollet.

– Hora, hora, acho que tiramos a sorte grande, Will. São a fruta mais deliciosa feita por Deus até hoje: adolescentes. – Bob sorri com malicia enquanto escorrega a mão que segura Viollet até seus seios, apalpando-os. A garota se debate, porém o homem aperta mais a arma contra seu crânio. – Vamos lá, saiam daí com as mãos para cima, deixem as mochilas e seus objetos aí dentro!

Sem muitas opções, Shay e Aria obedecem Bob e começam a caminhar lentamente até a porta, de mãos dadas. Elas estão com medo. Esse idiota está ameaçando minha família, ele não sabe o quanto está ferrado.

– Uau! Quem me dera ter achado essas aqui antes, não teria nem me desfeito delas. – Will avança contra Shay e puxa suas madeixas, prensando a arma contra sua cabeça. Ele puxa a garota pelos cabelos e se aproxima do corpo de seu falecido amigo John, retirando uma corda da mochila que ele carregava. Com um movimento ágil amarra os braços de Shay e a coloca em uma cadeira, um pouco afastada da minha.

– Qual vamos usar primeiro? A loura ou a morena? – Pergunta Bob se referindo a Viollet e a Aria, que está encolhida no porta do escritório, tremendo de medo.

Viollet sacoleja-se incessantemente tentando se livrar das “garras” de Bob e o homem a acerta com uma coronhada, fazendo um pequeno corte em sua testa. Viollet grunhe, sem dizer nenhuma palavra.

– Quietinha, sua vadia! – Ele arrasta Viollet para uma cadeira ao lado de Shay e joga a menina sobre ela, pedindo a Will que a amarrasse também. – Vamos usar aquela ali primeiro, é a mais calminha. – Diz, apontando para Aria.

– N-não... p-por favor... me deixe... – As lágrimas começam a escorrer do rosto de Aria e minha fúria aumenta, sinto o cinto se afrouxando porém ainda não consigo removê-lo.

– Ohhh, ela vai chorar. Adoro quando elas gritam e choram. – Diz Will, se aproximando da garota, tocando suas bochechas com delicadeza. – Prometo que não vai doer, meu amorzinho... não em mm.

– Não a toquem, SEUS MONSTROS!!! – Shay berra, as lágrimas encharcando seu rosto também enquanto vê a situação da prima. Viollet esta em choque com toda a situação e não consegue falar, apenas chora em sua cadeira, tentando se libertar.

Bob se aproxima de Aria também e começo a tremer, entrando em desespero. Eles a estão apalpando como se fosse um brinquedo, são nojentos.

– A quanto tempo não achávamos uma dessa, hein... – Bob percorre os seios de Aria enquanto Will massageia suas madeixas, ambos sorriem para a garota que está encolhida, as lágrimas não param de descer de seu rosto.

– P-por favor... me deixem... não me toque... – Ela afasta as mãos dos homens e Bob a acerta com um tapa na cara, o nariz da garota começa a sangra enquanto ela chora.

O cinto que me prende a cadeira está se afrouxando cada vez mais e consigo liberar uma das mãos, tomo cuidado para não ser notado, porém os homens estão muito ocupados tocando Aria.Solto a outra mão com cuidado e o enrolo sobre minha mão direita, como um soco inglês. Shay percebe que me liberei e olha para mim, ela nem precisa dizer nada porque já entendi: está suplicando para que eu ajude Aria.

Me ergo com cuidado da cadeira e caminho até os homens, com um pouco de dificuldade, sentindo minhas costelas doerem.

– Ei, babacas! Eu disse que iria matar vocês! – Toco o ombro de Will que está dando alguns beijos na bochecha de Aria e ele se assusta, acerto sua cara em cheio com toda a força que consigo, usando o cinto como arma e ele cai no chão, desacordado.

Bob é mais rápido que Will e joga seu corpo sobre o meu, fazendo-me cair de costas no chão. Aria grita e corre até Shay e Viollet, desesperada tentando liberar as amigas. Ela está a salvo, pelo menos isso.

Bob me prensa contra o chão usando seu corpo e começa a socar minha cara, minha visão perde o foco cada vez mais a cada soco até que ouço Viollet gritar.

– REAJA! CALUM, REAJA!!! – Aria ainda está tendo dificuldades para libertá-la, porém a garota se agita na cadeira, me incentivando.

Cerro os dentes e seguro o próximo soco de Bob, lançando-o para o lado. Consigo levantar porém estou muito tonto, tudo parece girar e sinto meu olho esquerdo inchando com os socos que levei de Bob, porém tenho que permanecer firme. Seguro Bob pela gola de sua camisa e o lanço contra uma das prateleiras. O homem caí e se ergue em um salto, dá para ver o ódio em seus olhos enquanto ele avança contra mim, rápido demais para que eu possa desviar então envolvo seu corpo com meus braços, tentando pará-lo, porém ele é mais forte que eu e continua a me empurrar, até me prensar contra uma parede. Sinto o ar em meus pulmões indo embora, estou perdendo minhas forças. Observo Aria, desesperada ainda tentando soltar Viollet gritar, acompanha das outras garotas. Não posso perder, prometi a elas. Prometi que iria protegê-las. E é isso que vou fazer.

Uso o resto de minhas energias e forças para segurar Bob ainda mais forte enquanto ele pressiona minha barriga com a cabeça: curvo meu tronco e cravo os dentes contra o pescoço do homem, sinto meus dentes penetrarem na carne de Bob e começo a puxar, arrancando uma “tira” de carne de seu pescoço. O homem cai no chão, sangrando, enquanto morre.

Aria, Viollet e Shay me observam, chocadas com toda a cena. Minha boca esta coberta de sangue, eu agi feito um deles, agi como um dos mortos. Antes que eu possa me desculpar com qualquer uma das garotas, caio no chão, completamente exausto. Vejo tudo ficar preto ao meu redor e então desmaio.

Notas finais
Yolo, pessoal! Então, espero que tenham gostado do capítulo. Foi um pouco "forte" esse final, não acham? Vou tentar trabalhar mais em algumas partes, "picantes" a partir de agora, TALVEZ, no próximo capítulo já... Então aguardem que tem coisa nova vindo por aí.