Inexatidão Terminológica | HyunChanSe

5 Não há nada tão ruim que não possa piorar


Fui à faculdade com o pouco de sanidade que ainda me restava. Com a chegada das provas, e milhares de trabalhos sendo passados todos os dias, eu não poderia faltar, mesmo que eu odiasse muito ter que retornar ao campus. E, surpreendentemente, o início da noite foi calmo, tive aulas normalmente e no intervalo eu pude ir comer o meu jantar em paz no restaurante do campus. Os boatos ainda estavam circundando, porém nada havia abalado meu psicológico, até aquele momento.

— Posso sentar com você?

Uma voz masculina me causou um pequeno susto — e por sorte não engasguei com a comida. Ergui o rosto, direcionando à voz, e dei de cara com Seungwoo, um rapaz alto e de sorriso estonteante — lindo pra caralho — por quem tive uma queda tempos atrás. Mal parei para pensar no porquê dele, de repente, vir conversar comigo.

— Claro. — respondi ainda com a boca meio cheia, colocando uma mão à frente para escondê-la.

— Valeu. — ele sorriu e sentou logo ao meu lado. — Hyunjin, não é? Não sei se lembra de mim, paguei uma disciplina com sua turma no semestre passado.

— Sou sim. — sorri, coitadinha mal sabia o que estava por vir. — Seungwoo, certo?

— Isso. — ele assentiu para a pergunta.

— Eu lembro de você. Está finalizando o curso, não é? Deve ser incrível a sensação. — comentei.

— Ah, nem tanto. É muita correria e a pressão aumenta a cada dia.

— Imagino. — murmurei. — Mesmo assim, não vejo a hora de chegar o meu momento. Quer dizer, eu digo isso, mas já estou choramingando no segundo semestre pela quantidade de trabalhos. — sorri. — Quando será sua formatura?

— Logo que acabar o semestre. — um pequeno sorriso apareceu nos seus lábios, enquanto seus dedos batucavam inquietos sobre a mesa.

— Oh, claro. Mas que mês será? — perguntei logo em seguida, soltando um risinho pela sua confusão.

— Agosto. — respondeu. Curto e direto.

— Agost-

E antes que eu pude-se dizer algo mais, minha fala foi desesperadamente cortada:

— Escuta, Hyunjin. Eu estava pensando… se você não estaria livre depois da aula. — Seungwoo disse.

— Depois da aula? Ah, estou. Por quê? — murmurei com um sorriso confuso no rosto.

— Perfeito. Queria que me encontrasse, podemos ir para meu apartamento.

Franzi o cenho para aquela fala. Meu olhar, antes em seu rosto, desviou-se para sua mão sobre a perna, de onde notei um movimento. O observei atenta enquanto ele tirava algumas notas dobradas do bolso da calça, as levando até o decote de meu espartilho e cuidadosamente as encaixando entre meus seios.

Alguns segundos passaram até que eu notasse o que estava querendo insinuar. Imediatamente uma expressão de choque tomou meu rosto, tive apenas o ato reflexivo de arrancar o dinheiro de onde estava e jogá-lo no rosto de Seungwoo.

— Mas que merda?! — levantei de onde estava, sentindo meu corpo esquentar à medida em que meu batimentos aumentavam e minhas mãos tremiam. — O que está pensando?! Eu não sou uma prostituta!

Ele pareceu assustar-se com minha reação, encarava-me com as sobrancelhas arqueadas, sem dizer uma palavra. E antes que pudesse ouvir alguma resposta sua, agarrei minha mochila e saí daquele lugar, sendo acompanhada por olhares daqueles que ouviram meus gritos.

Fui em passos apressados pelo corredor, tomada pelo sentimento de nervoso e a sensação terrível de inquietude na cabeça. Adentrei no primeiro banheiro feminino que encontrei, me enfiando em uma das cabines vazias e trancando a porta com minhas mãos trêmulas. Meu corpo praticamente se jogou contra o vaso de tampa fechada, meus dedos entrelaçaram-se aos meus cabelos com força, e meus lábios abriram numa tentativa de buscar mais ar e controlar o sentimento de ansiedade que me tomava.

Fechei os olhos por longos minutos, até sentir que estava tranquila o bastante para não cair no choro, respirei profundamente e relaxei minha mente.

Mas minha paz não duraria muito tempo.

O ranger suave da porta soou e pude ouvir duas novas vozes ali. Não as reconheci, mas passei a dar atenção a conversa assim que ouvi um nome conhecido.

— Felícia? A loira crente de direito? — uma das garotas perguntou, sendo imediatamente respondida.

— Aham, essa mesmo. Estão espalhando por aí que o noivo dela, aquele baixinho musculoso, tá com clamídia. — disse, essa segunda tinha uma voz um tanto mais “enjoada”.

— O Changbin?... Espera, clamídia? O que é isso? — a primeira pareceu confusa.

— Como você não sabe, Byungchan?! — soou indignada com a ignorância da amiga. — É uma infecção sexualmente transmissível. — resmungou. — E sim, é o Changbin. Mas essa não é a maior fofoca.

— Oh… — murmurou de volta. — … então qual é?

— Ele traiu a Felicia. — proferiu quase em um sussurro, mas pude ouvir com clareza.

Meus olhos arregalaram ao processar suas palavras. Naquele momento eu nem cogitei que fosse mentira, estava tão surpresa que havia até esquecido de minha crise de ansiedade de cinco minutos atrás.

— Eh?! Com quem?

— Ele disse que foi com a Hyunjin.

Porra, xinguei mentalmente.

— A prostituta?

— Uhum.

— A Felícia deve estar arrasada. — as vozes passaram a afastar-se lentamente.

— Arrasada? Acho mais provável que ela esteja com ódio. — a porta se fechou logo que a frase foi finalizada e nada mais pôde ser ouvido.

Elas saíram.

Suspirei pesado e custei mais alguns minutos antes de sair da cabine, me dirigindo até o espelho enquanto pensava como as coisas estavam ficando cada vez piores. Não conseguia entender a razão para receber tal acusação.

Afinal, o que estava acontecendo? Todos daquela universidade haviam ficado loucos só porque uma garota supostamente decidiu ter um caso de amor com um professor?!

Aqueles pensamentos rondaram minha cabeça enquanto me dirigia para um lugar qualquer, procurando um espaço onde não houvesse olhares ou fofocas sobre mim. Eu já não sentia os arrepios e tremores, mas minha cabeça estava uma bagunça e meu corpo apenas caminhava em passadas lentas pelos corredores enquanto eu encarava o chão.