Na noite seguinte, surgi em roupas escuras e justas ao corpo, tão coladas que meus seios pareciam querer saltar do espartilho de detalhes vermelhos.

Ao passar pelo corredor, alguns olhares voltaram-se a mim, alguns emanavam inveja, alguns raiva e outros, desejo. E, ao invés de olhar reto a frente — como da última vez —, ergui o rosto e direcionei o olhar àqueles que me encaravam, lançando meu melhor sorriso. Não posso negar, eu gostei daquele momento de atenção.

Enquanto me aproximava da sala, senti um olhar seguindo-me pelo corredor. A figura apoiada na parede analisava meu corpo em cada mínimo detalhe. Seu nome era Jisung, o clássico galanteador o qual muitas mulheres desejavam, inclusive, Minah.

Eu não sei ao certo como aconteceu, mas quando notei, estava contra a parede, tendo meu corpo pressionado pelo seu enquanto sua mão passeava por minhas roupas, procurando qualquer brecha para tocar-me diretamente a pele. Seus lábios estavam grudados aos meus em um beijo nada inocente enquanto eu o ouvia suspirar baixinho.

Seu rosto afastou-se brevemente em meio a respiração ofegante para tomar um ar, e segurei seu queixo delicadamente.

— Vai estragar minha maquiagem inteira assim. — murmurei tocando seu lábio inferior com o polegar, observando a pequena mancha vermelha do batom que encontrava-se ali.

— Você não pode só arrumar depois? — perguntou e o vi mordiscar meu dedo, antes de segurar minha mão e afastá-la.

— Até posso, mas não tô afim de chegar bagunçada na aula agora. — respondi e suspirei ao ter seus lábios contra meu pescoço, me causando arrepios.

Toquei seus cabelos com uma mão em um carinho suave, enquanto meu olhar observava a movimentação no corredor atrás dele, foi quando percebi que, não muito longe, Minah nos encarava com grande desapontamento. Não pude conter meu sorriso naquele momento, vê-la puta por pegar sua paixonite com a garota que chamou de vadia pelo telefone foi sinceramente — muito — prazeroso.

— Jisung… — o chamei baixo enquanto o afastava devagar. — … eu prefiro continuar depois, tá? Me encontra no estacionamento depois da aula.

Logo que me afastei dele, fiz questão de passar próximo a Minah.

Observei seu rosto irritado enquanto me encarava com o olhar e segui meu caminho até a sala, encontrando o professor Bang apoiado a porta ao mesmo tempo que os alunos lentamente adentravam o espaço.

— Boa noite, professor. — sorri simpática para ele, assim como todas as vezes.

— Boa noite, Hyunjin. — ele cumprimentou-me, inclinando levemente a cabeça. — Hyunjin… — o ouvi me chamar e parei, virando em sua direção.

— Sim?

— Peço que fique um pouco depois da aula, quero conversar com você.

— Ah, claro. — sorri, não conseguia pensar sobre o que poderia ser exatamente aquela conversa, mas imaginei que seria algo relacionado a pesquisa que estávamos fazendo.

Engano meu.

Ao término da sua aula, continuei dentro da sala como me pediu. Levantei-me da carteira com a mochila sobre o ombro esquerdo e fui em direção a mesa do professor, onde estava Bang.

— Queria falar comigo, professor Bang? — murmurei ao aproximar-me, observando ele organizar seu material calmamente.

— Sim. Sente-se, por favor. — pediu.

Puxei então uma cadeira para próximo da mesa e sentei-me, começando a me sentir ansiosa por aquela conversa.

— Hyunjin — iniciou e o olhei com toda a atenção. —, eu estive preocupado sobre você e o que aconteceu nos últimos dias. — ele direcionou seu olhar a mim.

— Do que… está falando, professor Bang? — perguntei em um baixo tom, sem saber se realmente queria ouvir sua resposta.

— Você está diferente. — murmurou. — A forma como se expressa e age… não condiz com a Hyunjin que estou acostumado a ver.

— Ah, isso? — me esforcei para abrir um pequeno sorriso, apontando para minhas roupas justas. — Eu só estava querendo tentar um estilo novo.

— Eu ouvi alguns alunos comentando sobre você. — a fala, mesmo dita com calma e em um tom ameno, sobrepôs a minha.

Meu sorriso desmanchou-se. Seu olhar preocupado, acompanhado de seu cuidado, me fez perder o compasso dos meus batimentos cardíacos. Eu não exitaria em confiar-lhe todos os meus segredos, mas como poderia contá-lo que tudo só aconteceu porque criei uma mentira sobre ter transado com ele?!

Um silêncio estranho tomou a sala após sua última fala. O encarei por segundos — que mais pareceram horas —, até vê-lo respirar profundamente e fechar seus olhos por um breve momento, como se buscasse as palavras certas para falar.

— Não quero que me entenda mal, eu concordo que cada um deve regrar o próprio corpo como bem entender. — murmurou, mantendo seu olhar em mim. — Mas essa mudança abrupta não parece ser uma escolha espontânea sua. Isso tem me deixado receoso, pensei que talvez algo esteja acontecendo e… está tentando passar por isso sozinha. Não quer conversar?

Inspirei devagar e abri os lábios para falar, mas apenas liberei uma risada curta e desanimada.

— Desde quando os professores começaram a se importar com fofocas de universitários? — perguntei baixo, num tom quase retórico.

Ele mordeu o lábio.

— Eu não sei, apenas… me importo com você.

Os cantos de meus lábios caíram novamente, surpresa por sua resposta, meu olhar desviou-se em direção ao chão e senti minha respiração perder o ritmo. Certo, talvez eu tivesse entendido errado, toda aquela confusão estava deixando minha cabeça bagunçada. Me mantive em silêncio por alguns segundos, buscando organizar meus pensamentos, meus lábios crisparam e então eu disse:

— São mentiras… Tudo o que estão falando. Eu…

Não consegui concluir a frase. O barulho do movimento lento da porta sendo aberta chamou minha atenção e, ao erguer o rosto, vi a esposa do professor Bang surgir ali.

— Querido, está ocupado? — perguntou ao encontrar o marido com os olhos.

— Seungmin? — ele ajeitou a postura sobre a cadeira. — Não exatamente, eu estou apenas conversando com uma aluna.

Os olhos da mulher se dirigiram a mim, deixando-me desconfortável com a situação. Ela pareceu me cumprimentar com um sorriso simpático e algumas palavras — as quais nem ouvi por estar no mundo da lua —, e eu apenas acenei suavemente com a mão. Vi aquele momento como uma oportunidade de ir embora.

— Na verdade, eu já estava de saída. — levantei-me um pouco desconcertada e ajeitei minha mochila no ombro. — Obrigada pela conversa, professor Bang.

Saí apressada antes que ele me dissesse algo mais e passei por sua esposa, sorrindo brevemente. Ao passar pela porta, a fechei com um pouco de brutalidade e respirei aliviada, recostando meu corpo sobre a madeira.

— Eu nunca vi essa aluna. O que estava falando com ela? — a voz de Seungmin atravessou a porta, chegando aos meus ouvidos.

— Ela está há menos de um ano na faculdade, talvez só não tenham se esbarrado. — ouvi Bang a responder. — Ela está com alguns problemas na faculdade, queria entender o que houve para aconselhá-la.

— Não falo de esbarrar nos corredores, eu sou psicóloga, mulheres que se vestem como prostitutas para estudar deveriam ir à terapia, não acha? — Seungmin disse. — Espere, ela é a tal aluna que está trocando notas por sexo e fazendo programas com os alunos?

— Não fale assim, querida. São mentiras, não acredito que Hyunjin faria isso, é uma aluna excelente e doce demais para fazer algo tão baixo.

— Eu não acho que seja, ela não é a única que faz isso. “Doce”, Christopher? Eu só espero que você não seja um dos imbecis que transou com essa garota.

— O quê?

Ótimo, agora vou sair de “prostituta de notas” para “destruidora de lares”, pensei.

Um sorriso amargo tomou meu rosto e resolvi sair dali antes que ouvisse coisa pior. Provavelmente Jisung ficou me aguardando durante uns bons minutos no estacionamento, para continuarmos o que havíamos parado mais cedo, mas eu sequer lembrei do que havíamos marcado. Então, apenas segui para minha casa.

Uma boa noite de sono — além de algumas lágrimas derramadas — foi o suficiente para recarregar meu psicológico para a noite seguinte.