Inesperado

5 Capítulo 4


Notas iniciais
Sinto muitíssimo pela demora!! Pra vcs terem uma ideia de como aqui tá corrido, eu já estou indo pro segundo bloco de testes, n é pouca coisa não! Já estou cheia de trabalhos e n tenho tempo nem pra respirar.

Capítulo 4

Terra à vista! – Selena acordou com um grito próximo demais de si.

Selena abriu os olhos e se assustou quando viu que tudo estava claro. Quando conseguiu focar sua visão, percebeu que adormecera com a cabeça no ombro de Edmundo, dividindo com ele uma coberta quente — que ela não tinha ideia de onde surgira. Ela se espreguiçou, tomando cuidado para não acordá-lo, mas assim que as cobertas se mexeram, ele despertou também.

– Bom dia, dorminhoca. — ele disse em um tom brincalhão, mas mal podia manter os olhos abertos pelo sono e seus cabelos estavam desgrenhados.

Selena riu.

– Olha quem fala! — ela disse, revirando os olhos. E então se lembrou de que dormira enquanto conversava com ele, em seu ombro ainda por cima... — De onde surgiu essa coberta? — ela perguntou meio encabulada.

Edmundo coçou a nuca envergonhadamente. — Você dormiu e eu não ia te deixar sozinha, então eu trouxe minha coberta pra gente.

Selena sorriu e estava preste a dizer algo, quando Phollux — que possivelmente retornara ali quando viu-os dormindo — grita novamente.

– Terra à vista!

Selena indicou que Edmundo descesse primeiro. — Majestade.

– Edmundo. — ele disse e continuou quando ela o olhou confuso. — Me chama de Edmundo.

Selena sorriu. — Só se me chamar de Lena.

Edmundo fingiu pensar por um segundo e disse, antes de descer sem olhar para trás. — Acho que Sel combina mais com você.

O sorriso de Lena se alargou, enquanto o moreno descia as escadas do mastro principal em direção ao convés. Quando chegara sua vez, porém, ela viu Phollux sorrindo-lhe malicioso e brincalhão. E ela sabia bem o que o vigia queria dizer. Então deu-lhe um tapa leve no braço antes de descer atrás de Edmundo. Quando lá embaixo chegou, Caspian já mirava a praia distante com sua luneta. O sol ainda estava baixo no horizonte, era fácil ver uma linda linha fina alaranjada do nascer do sol. Selena foi com Edmundo até o deque do leme, onde Caspian e Drinian discutiam.

– As Ilhas Solitárias. — dizia Drinian. — O Porto Estreito.

– Que estranho! — comentou Caspian, preocupado, passando a luneta para Drinian e logo em seguida para Edmundo. — Nenhuma bandeira de Nárnia à vista.

– Mas as Ilhas Solitárias sempre foram de Nárnia. — observou Edmundo, encabulado.

– Parece suspeito. — disse Caspian.

– Acho melhor a gente desembarcar. — sugeriu Edmundo. — Drinian?

– Me perdoe, Majestade — respondeu o capitão -, mas a cadeia de comando começa pelo Rei Caspian neste navio.

– Tudo bem.

Edmundo ficara decepcionado. Nunca tinha sido o primeiro a decidir nada, por quê agora seria diferente? Selena, vendo a expressão que tomara o rosto de Edmundo, revolveu tentar intervir. Sabia a influência que tinha sobre as decisões de Caspian, principalmente quando muitas delas beneficiariam ao povo. E Caspian gostava de tê-la como concelheira pessoal. Selena então se colocou ao lado de Edmundo e se apoiou na balaustrada lateral do Peregrino, conseguindo uma visão perfeita dos três homens.

– Caspian, tenho certeza de que seria uma boa ideia dar uma checada. — ela disse e pode ver a expressão no rosto do primo mudar. Edmundo deu-lhe um leve sorriso, agradecido por ela estar tomando partido dele. — Não custa nada.

– Vamos usar os botes. — disse Caspian e Selena abriu um sorriso largo, feliz por ver que Edmundo também sorria. — Drinian, pegue alguns homens e vá até a praia.

– Venha, Edmundo! — ela chamou, descendo novamente até o convés para pegar sua espada e Edmundo foi atrás.

E enquanto isso, podiam ouvir o minotauro, Tavros, gritando ordens para os marujos.

– Homens aos botes, baixem à vela e preparem para largar âncora.

Todos se mexiam rapidamente, preparando os botes para que alguns fossem à praia.

– À frente, a emoção do desconhecido nos espera! — disse Ripchip, saltando do bote. Depois Selena, depois Lúcia e depois os outros.

– Não podia esperar até o café da manhã? — perguntou Eustáquio, birrento como sempre.

– Não há honra em dar as costas para a aventura rapazinho. — disse o rato sabiamente.

Eustáquio fez uma careta, mas nada disse.

– Escutem... — disse Lúcia. — Cadê todo mundo?

Selena apurou os ouvidos, enquanto avançavam Ilha a dentro. Nada, nem sequer um murmurinho comum dos vilarejos. Nem mesmo o canto de um pássaro. As Ilhas Solitárias pareciam fazer juz ao nome. Pareciam desertas. E Selena sabia bem que isso nunca queria dizer boa coisa. Ela foi com Caspian, Edmundo e Lúcia no frente, enquanto Ripchip tentava ser ao menos cordial com Eustáquio, que estava tendo dificuldades para sair do bote.

– Me dê logo essa mão, rapazinho.

– Eu consigo sair sozinho. — insistiu o garoto, mas sua tentativa foi falha. Tropeçou no próprio degrau e quase caiu na água.

Selena riu discretamente e Ripchip suspirou derrotadamente.

– E é parente de sangue de vocês? — comentou Caspian a Edmundo e Lúcia.

Lúcia olhou desapontada para Eustáquio, antes de continuar com os outros. Caspian preparou sua besta, Edmundo e Selena tinham as mãos próximas às suas espadas, prontos para qualquer surpresa. Um sino tocou não muito longe deles, e todos paralisaram — exceto Eustáquio, que voltou para mais perto do bote, querendo fugir na primeira oportunidade. Lúcia puxou seu punhal, preparando-se para o que quer que fosse. Alguns pássaros levantaram voo ao longe, mas humano algum apareceu. Caspian ia para a rampa que levava à cidade, quando virou-se para Ripchip.

– Ripchip, fique aqui com os homens de Drinian e proteja o lugar. — ordenou. — Nós vamos entrar e se não voltarmos em algumas horas, mande nos procurar.

– Sim, Majestade. — disse o rato prontamente, retornando.

Selena desembainhou a espada e Edmundo desembainhou a sua logo depois. Eles andavam calmamente, mas sempre prestando atenção a tudo à sua volta, à procura de qualquer sinal de povoamento. Em certo momento, Eustáquio olhou por uma fresta e encontrou uma família ali no canto, quieta e encolhida — pareciam ter medo de algo. Mas o menino nem ao menos se importou, queria muito sair dali. Tremeu e voltou para junto dos outros — que se encaminhavam para uma espécie de templo -, pensando em argumentos lógicos para conseguir escapar dali.

– É, parece tudo abandonado, já podemos voltar?

Selena revirou os olhos. O que ele está fazendo em Nárnia mesmo?!

Edmundo fez uma careta. — Você quer ficar aqui de guarda... Ou ajudar?

– Ah tá! — ele saiu correndo para se aproximar deles. — Boa ideia, primo, é bem... lógico.

Todos se entreolharam e Caspian tirou um punhal do cinto, entregando-a a Eustáquio. Ele ficou um pouco surpreso e assustado, como esperavam que ele soubesse manejar alguma coisa assim?!

– Deixa comigo, pode deixar, numa boa! — disse meio desequilibrado, mas tentando ser útil em alguma coisa.

– Tem certeza de que seria uma boa ideia? — perguntou Selena a Edmundo, enquanto entravam no templo, e este apenas deu de ombros.

– Melhor do que nos atrapalhar. — ele respondeu, apertando os olhos para tentar enxergar alguma coisa na escuridão ali dentro.

Selena, tendo a mesma dificuldade, lembrou-se de algo que encaixou em seu cinto antes de saírem do Peregrino da Alvorada. A lanterna que Edmundo a emprestara. Ela a retirou e a estendeu a ele.

– Aqui, Majes... Edmundo! — corrigiu-se rapidamente e Edmundo sorriu, pegando a lanterna de sua mão e a ligando.

– Obrigado, Sel. — ele disse, mas não conseguiu ver o sorriso que se abriu no rosto da menina.

E então o local foi mais iluminado. Havia sinos suspendidos acima e no centro do lugar, o telhado tinha várias faixas, onde raios solares se infiltravam para dentro do templo. Uma mesa de pedra, pequena e deformada, alta e redonda, onde tinha um caderno com vários nomes riscados.

– Quem são essas pessoas? — perguntou Lúcia.

– Por quê riscaram os nomes? — perguntou Edmundo.

– Parece algum tipo de... tarifa. — comentou Lúcia, observando mais detalhadamente os nomes.

– Mercadores de escravos. — adivinhou Caspian.

Antes que qualquer um dissesse mais alguma coisa, ouviram barulhos altos e muitos gritos. Homens estranhos desciam pelas cordas dos sinos, prontos para batalhar. Caspian acertou um com a flecha da besta e depois a jogou longe, pegando a espada e ajudando Selena, que lutava com três ao mesmo tempo. Lutaram até ouvir um grito desesperado e olharem para a porta. Eustáquio fora pego, um homem tinha seu punhal junto ao seu pescoço e fechou a porta atrás de si.

– Se não quiserem ver esse aqui gritar como uma garotinha — disse o homem — eu sugiro que entreguem as armas.

– Garotinha? — Eustáquio perguntou, ofendido.

– Agora!

Lúcia jogou sua espada com força no chão, Caspian a colocou com cuidado e Selena também.

– Eustáquio. — disse Edmundo, decepcionado, jogando sua espada no chão.

– Algemem todos eles! — gritou o homem novamente.

E eles os algemaram à base da força bruta, deixando os pulsos bem apertados. Ela tinha um punhal e uma adaga guardados escondidos no cinto, mas seria difícil para conseguir pegá-los. Guardaria para depois, quando pudesse pegar algum daqueles homens sujos de surpresa. Ou então poderia usar o punhal agora. Só havia um homem a segurando pela manga, sem prestar muita atenção nela. Tudo que ela precisava era que os outros estivessem tão distraídos quanto o homem que a segurava. Ele possivelmente a achara inútil e desnecessária, dando-lhe vantagem para pegar o punhal com calma e começar a cortas as cordas discretamente.

– Vamos levar esses três ao mercado. — disse o homem, apontando para Lúcia e Selena e puxando Eustáquio pela orelha. — Mande os outros pra masmorra.

Caspian percebeu o que Selena fazia, mas apesar de ser perigoso, poderia ser sua única chance de sair dali. Então ele tinha que tentar distrair aqueles homens para que ela conseguisse sair.

– Escute aqui, seu tolo insolente, eu sou seu rei! — gritou Caspian, sendo arrastado.

– Você vai pagar por isso! — gritou Edmundo, furioso.

De repente, outro homem apareceu, com os cabelos até os ombros, um chapéu com uma pena levantada, vestes cumpridas e um colar pesado.

– Na verdade, outra pessoa vai pagar. Por todos vocês.

Selena finalmente conseguira soltar-se das amarras, mesmo que com certa dificuldade. Enfiou o punhal no coração do homem que a segurava e ele, surpreso, caiu no chão com um buraco no peito. Aquele já era. Ela foi correndo até Edmundo, que estava mais perto dela e sendo preso por dois homens, e tentou atacar os homens. Mas eles perceberam o ataque mais rápido do que ela esperava e um terceiro homem, um dos que arrastavam Caspian dali, correu até ela e a imobilizou, jogando-a no chão e arrancando o punhal de sua mão. Lúcia gritou surpresa e Lena tentou se soltar, chutando o abdómen do homem. Mas ele era mais alto e mais forte e rapidamente amarrou novamente seus pulsos. A levantou, deu-lhe um soco forte no rosto e puxou seu cabelo para o alto para que conseguisse ver o filete de sangue que saiu da lateral de sua boca.

– Solte ela, seu cretino imundo! — Edmundo gritou próximo dela, mas os dois homens o seguraram ainda mais forte e ele se sentiu inútil para ajudá-la.

Selena se debateu, tentando soltar seus cabelos, mas o homem a segurou mais forte e, com a outra mão, segurou seu rosto, apertando as bochechas e a aproximou mais.

– Essa daqui é das bravas. — disse o homem, abrindo um sorriso sujo e malicioso. — Posso ficar com ela, chefe? Deve ser uma delícia na cama.

Selena se debateu ainda mais, com nojo.

– Solte-a! — ordenou Caspian, furioso por ver aquele homem tocando em sua prima.

– Tire as mãos dela! — Edmundo berrou, se debatendo o máximo que conseguia, louco para arrancar Lena das mãos do homem.

– Não. — disse o homem que parecia ser o chefe. — Mudança de planos, ela vai com os dois para as masmorras.

Mas o homem não se contentou apenas com isso. Deu um chute no peito de Selena e um soco em seu rosto, fortes o suficiente para deixá-la desacordada.