Inesperado

6 Capítulo 5


Notas iniciais
Eu sei, eu sei, demorei demais. Na vdd, eu quase esqueci dessa fic, pq fiquei meio concentrada nas outras, mas não vai mais acontecer. Não sei quando posto de novo, pq ando meio desanimada com quase tudo, mas quem sabe os comentários não me animem! São muito poucos comentários para os vários leitores, e isso desanima.Capítulo meio sem graça, mas os próximos serão melhores.

Capítulo 5

Caspian tentava de todos modo se livrar das masmorras durante horas, mas parecia impossível. Ouviu um suspiro ao seu lado e olhou por impulso, mas era apenas Edmundo acordando.

– Tudo bem? — perguntou Caspian.

– Argh... Tudo. — Edmundo se sentou, gemendo.

E então se lembrou de Selena. Virou-se rapidamente, vendo a garota ainda desacordada ao seu lado. Ela permanecera assim desde que fora jogada ali por aquele homem nojento que a queria levar para si. Edmundo estava preocupado, estavam ali há horas e ela ainda não havia acordado. Ele a balançou e, aliviado, viu-a se mexendo, acordando finalmente.

– Graças a Aslam, você está bem. — ele a abraçou impulsivamente e, depois de um momento de surpresa, ela o abraçou de volta. Mas não por muito tempo, ele logo a ajudou a se levantar.

– Onde estamos? — Lena perguntou, sentindo sua cabeça rodar.

– Nas masmorras. — respondeu Caspian, antes de chutar as grades mais uma vez.

É inútil!– disse uma voz vinda do canto mais escuro daquela caverna, onde não entrava luz alguma. — Vocês nunca vão sair daqui.

Os três permaneceram parados.

– Quem está aí? — perguntou Caspian.

– Ninguém... Só uma voz na minha cabeça.

Caspian e Selena se aproximaram e a menina quase podia reconhecer de quem, mas suas memórias estavam difusas demais. Um senhor de meia idade apareceu à luz. Tinha uma barba cumprida e cabelos ainda mais longos e brancos. Tinha a pele enrugada e seca, com as roupas sujas e rasgadas.

– Lorde Bern? — perguntou Caspian.

O homem tomou um leve susto e cruzou as mãos. Como aquele jovem poderia tê-lo reconhecido tão rapidamente.

– É... eu... Eu já fui um lorde. Mas eu não mereço mais esse título. — o homem disse, e abaixou a cabeça envergonhadamente.

Caspian trocou um olhar com Edmundo e Selena.

– Ele é um dos sete? — perguntou Edmundo.

Caspian assentiu e se aproximou do lorde, mas este se afastou com receio.

– Seu rosto... Me faz lembrar um rei que amei muito.

– Esse rei era meu pai. — disse Caspian, orgulhoso.

–Ooh... Milorde... Me pedoe, por favor.

O homem tentou fazer uma reverência, mas seus ossos estavam muito fracos e quase caiu no chão, se não fosse por Caspian tê-lo segurado a tempo.

– Não, por favor. — disse Caspian, ajudando-o a se levantar.

Selena então arranjou coragem e se aproximou do homem.

– Lorde Bern? — ela perguntou, e o homem a olhou curioso. — Sabe por onde anda Lorde Restimar? — ela perguntou, sentindo seu coração se apertar e um nó se formando na garganta.

– Por quê quer saber, criança? — perguntou o velho.

– Ele era meu pai, senhor. — respondeu Selena, sentindo as lágrimas ameaçando descer.

– Oh, Selena. — ele disse, encantado, e Selena sorriu. Ele a conhecera? — Eu a vi nascer, criança, e está tão crescida!

Selena alargou o sorriso, sentindo algumas lágrimas transbordarem e um soluço irromper por seus lábios.

– Senhor, e meu pai? — ela voltou a perguntar, se controlando e limpando as lágrimas. — Ele ainda está vivo?

O lorde suspirou, derrotado. — Não tenha muitas esperanças, querida.

Selena quase podia sentir as lágrimas ameaçando retornarem e Edmundo sentiu um aperto no coração ao vê-la assim tão frágil, principalmente depois de ela ter tentado salvá-lo no templo. Gritos romperam o silêncio que se estabelecera ali. Edmundo subiu pela parede e se segurou nas barras de uma pequena abertura na parede, que servia de janela. E observou o que se passava do lado de fora. Uma carroça cheia de pessoas andava pela cidade e um homem com cerca de trinta anos corria atrás dela e gritava o nome de uma mulher.

– Elaine! Elaine!

O homem pegou a mão de uma mulher algemada e mais atrás vinha uma garotinha.

– Mamãe! Mamãe!

Um outro homem que vinha atrás da carroça, tentou deter o homem, mas o suposto marido o empurrou para longe, mas levou um soco que o deixou no chão. E a garotinha vinha logo atrás.

– Não se preocupe! — gritou o homem, levantando-se com a ajuda da menina. — Eu vou encontrar você!

Caspian e Selena subiram depois, observando as pessoas serem colocadas em botes.

– Pra onde estão levanto eles? — perguntou Caspian.

– Vai olhando. — respondeu o lorde.

O bote navegou rapidamente, com a ajuda da correnteza. O céu ficou escuro, nuvens surgiram, uma grande sombra se formou na água. Dessa sombra surgiu uma névoa verde que foi direto para o bote, enrolando-o e o escondendo. Quando se dissipou, não havia mais nada nas águas. Selena sentiu seu estômago se revirando, e desceu dali antes que todo o nada que havia em seu estômago resolvesse sair.

– O que aconteceu? — perguntou Caspian.

– É um sacrifício. — respondeu o lorde Bern.

– Mas... Pra onde eles foram? — Caspian voltou a perguntar.

– Ninguém sabe.

Caspian desceu.

– O nevoeiro foi visto primeiro no Oriente. — Edmundo desceu, ouvindo atentamente a narrativa do lorde. — Notícias de pescadores e marinheiros, desaparecendo no mar. Nós, fidalgos, fizemos um pacto. De achar a fonte do nevoeiro para destruí-la. Todos nós partimos, mas nenhum voltou. — Caspian e Edmundo se entreolharam, e o mais novo percebeu que Selena ficara pálida, mal conseguindo permanecer em pé. — Se não venderem vocês pros mercadores de escravos, é capaz de parar no nevoeiro.

Edmundo se intrometeu.

– Temos que achar a Lúcia... Antes que seja tarde.

~*~

Em outro lugar não muito longe das masmorras, Lúcia estava sobre o sol rachante, sobre um pequeno palco, de cabeça baixa e esperando algum lance de leilão. Estava de frente para alguns homens sujos e esquisitos, que berravam lances para tê-la como escrava.

– Eu dou sessenta!

– Eu dou oitenta!

– Eu dou cem pela mocinha!

– Eu dou cento e vinte!

– Eu dou cento e cinquenta!

Lúcia sentia uma vontade louca de matar todos aqueles homens que faziam lances por ela, mas, principalmente, o chefe de todos, sentado ali atrás, com roupas confortáveis e um sorriso maldoso. E não muito longe dali, algumas mulheres olhavam o leilão, amedrontadas e rezando para não serem pegas.

– Mais algum lance? — perguntou o leiloeiro.

Lúcia sentiu uma pesada corda em seu pescoço, com uma placa de "vendido".

– Vendida! — e o leiloeiro pegava Lúcia pelos braços e a colocou no chão, enquanto o outro homem pagava pela nova escrava.

Nas masmorras, enquanto Eustáquio era colocado sobre o palanque de leilão, Caspian, Edmundo e Selena eram algemados novamente e empurrados para fora.

– Agora, por este... belo espécime... Quem vai abrir o leilão? — nenhum dos negociantes pareceu muito interessado no garoto, então o leiloeiro precisou dizer mais palavras. — Entusiasmo! Ele é magricelo, mas é... bem forte. — e apertou seu braço como comprovação.

– Ele é forte mesmo. — disse um homem entre os compradores. — E fedido como o traseiro de um minotauro!

Muitos riram, mas Eustáquio se sentiu ofendido.

– Mas isso é uma mentira absurda! Eu ganhei o prêmio de higiene escolar dois anos seguidos.

E isso apenas gerou mais risadas do pobre coitado.

– Alguém, faça um lance!

– Eu alivio você dessa carga. — disse um homem encapuzado, adentrando o espaço com alguns outros. Caspian, Selena e Edmundo subiam as escadas para fora das masmorras e reconheceram aquela voz. Caspian espiou de cima, vendo o momento se desenrolar. — Eu alivio você de toda essa carga!

O homem tirou o capuz, e se revelou Drinian, com Ripchip em seu ombro. E outros homens encapuzados tiraram os capuzes e se revelaram marinheiros do Peregrino, prontos para lutar.

– Por Nárnia!

– Nárnia! — todos gritaram em uníssono.

Homens jogaram capuzes por cima dos outros, distraindo-os e Eustáquio, sem saber o que fazer, desceu do palanque. O homem que tirava Caspian, Edmundo e Lena das masmorras, distraiu-se com o barulho e Caspian conseguiu dar um soco no homem que estava atrás e empurrou pela beirada o que estava à sua frente. Edmundo defendia-se da espada, colocando-a entre as algemas para livrar-se delas. Ripchip pulou no leiloeiro e Selena abaixou-se para evitar que a espada de um dos homens arrancasse sua cabeça. Aproveitou a chance, chutou o homem no peito e pegou sua espada antes que caísse também pela beirada. Os moradores permaneceram quietos, assustados. Drinian socou um homem e Ripchip libertou Lúcia.

– Obrigada, Rip, sabia que ia aparecer!

– Majestade. Iáá! — o ratinho bateu na mão de um homem que tentava roubar o dinheiro no meio da confusão.

Ripchip pulou em um outro homem que ia atacar Lúcia, e esta pegou um caderno na mesa ao seu lado e bateu contra o rosto do homem.

– Sel, precisamos da chave! — não foi preciso a menina olhar para reconhecer Edmundo.

Ela enfiou a espada em todos que se aproximaram, enquanto o menino passava as algemas pelo pescoço do chefe, que tinha as chaves em seu poder.

– Pegue as chaves! — Edmundo disse ao lorde, que os havia acompanhado.

O lorde pegou as chaves. Caspian jogou um homem no chão e dois minotauros lutavam facilmente contra outros homens, jogando-os para longe.

– As chaves! — gritou Caspian e o lorde as jogou a ele.

Um homem foi jogado próximo a Eustáquio, que se escondia ao máximo ali, paralisado pelo medo. O menino pegou as chaves, livrou-se das algemas e correu. Os aldeões desciam para ajudar, jogando vasos de plantas e outros objetos pela frente, jogando-os nos mercadores. Caspian pendurou-se em uma corda e jogou um homem pela janela. Ele pulou atrás, pronto para confrontá-lo, quando viu Selena enfiando a espada no coração do homem. Ele sorriu e ela retribuiu, antes de voltarem à luta. Eustáquio já se aproximava do bote onde vieram e ali entrou, mas nada fez. Mas não percebia que o chefe dos mercadores de escravos estava por ali, aproximando-se.

– Você é um barco numa terra mágica, não podia remar sozinho?!

O chefe sorriu maldosamente, tirando um punhal de suas vestes e andando sorrateiramente até o garoto, que tentava mexer nos remos distraidamente. Eustáquio se desequilibrou e bateu o remo no rosto do homem, que acabou caindo na água.

– Ai não, será que era o cônsul britânico? — perguntou-se Eustáquio.

Na cidade, a luta foi ganha e os aldeões gritavam, aplaudiam e agradeciam. Caspian, Edmundo, Lúcia e Selena iam na frente, com Drinian um pouco atrás.

– Majestade! Majestade! — ouviram um grito e ao se virarem, depararam-se com o homem que gritara pela mulher que sumira no nevoeiro.

– Calma! — Drinian o deteu, segurando seus braços.

– Majestade — implorou o homem -, minha mulher foi levada esta manhã.

– Está tudo bem, Drinian. — disse Caspian.

– Papai! — a menininha chegou, agarrando-se ao braço do pai.

– Eu imploro que me leve, por favor. — disse o homem, aproximando-se de Caspian.

– Gael! — gritou uma mulher atrás da menina.

– Eu quero ir! — implorou a menina.

– Não. Gael, fique com sua tia. — disso o homem à filha, antes de se virar para Caspian. — Sou um bom marinheiro, passei minha vida inteira no mar.

– É claro, venha. — concedeu Caspian, e se distanciou, seguido pelos outros.

– Obrigado.

– Mas papai... — insistiu a menininha.

– Eu já deixei de voltar pra você?

Gael negou com a cabeça e lágrimas nos olhos. Seu pai a abraçou.

– Seja boazinha.