Inerzia

22 Quasi Involontariamente


Notas iniciais
Penúltimo capítulo dessa bagaça! Vão sentir saudade? Tenho boas notícias para quem está gostando da história: Está quase certo que virará livro com um final diferente e detalhes adicionais!!! Não se esqueçam que este capítulo aqui no Nyah e no Wattpad está diferente do Spirit. Não precisam ter conta lá para lerem e os links estarão nas notas finais. Agradecimentos especiais à Livia Dias que indicou a história em seu canal, Sintonia Nerd e à @CandyVanD que voluntariamente fez essa aesthetic MARAVILHOSA para nossa história! (Inclusive, a capa do capítulo anterior foi atualizada, vejam lá). Obrigada por me apoiarem e incentivarem ♥ Tenham todos uma boa leitura!

“Tão correto e tão bonito

O infinito é realmente um dos deuses mais lindos

Sei que às vezes uso palavras repetidas

Mas quais são as palavras que nunca são ditas?”

Ouvir a última frase fora árdua para o casal que está de refém. Embora sintam muita dor; agonia; gritam para que o amigo vá embora. O advogado acompanhado dos três policiais acha que é apenas um pedido de socorro, tendo em vista que não ouvem com clareza devido à grossura da porta de metal.

A propósito, esta se abre lentamente, revelando apenas parte da cabeça do sequestrador por uma pequena fenda, junto de sua mão com uma arma. Vê que além dos agentes da justiça, a mídia também está no local filmando, fotografando e cobrindo ao vivo o caso. Como sempre, o sensacionalismo explorando coisas que eram até então pessoais.

— Eu só solto as vítimas com algumas condições... — adverte. — Primeiro: Quero sair imune disso. Segundo: Quero que liberem meu visto e passagens aéreas para mim e minha companheira sairmos do país sem consequências da lei. Terceiro: O animal de teta aí — aponta para Rodrigo. — fica aqui para garantir que vocês vão cumprir com tudo isso!

— Você está louco! Não tem acordo! — o delegado contravém, soltando um pequeno riso ao fim.

— Beleza. — expressa de maneira trivial, abaixando um pouco a pistola. Ulteriormente a ergue, atira na cabeça de um dos policiais que estava recostado no carro. — E agora, negociamos?

O corpo cai sem vida. Todos o cercam, a fim de confirmarem sua morte. Rodrigo conversa com o delegado; pleiteiam. Os reféns continuam proclamando para que recuse, no entanto isso só o pressiona, fazendo-o pensar que estão sendo torturados. Finalmente decide. Caminha com as mãos erguidas na direção do loiro.

— Por favor, deixe meus amigos saírem... — postula.

— Só depois que eu já tiver você! — puxa-o pelo braço, forçando-o a entrar; fechando a porta novamente.

O delegado soca-a em desespero; berra. Todavia é completamente ignorado.

Elaine aparece em meio às sombras, desamarra a ruiva, contudo a mantém presa em um de seus braços, enquanto com o outro aponta um revólver em sua cabeça.

— Sabia que estava envolvida nisso! — o advogado ergue o indicador. — A troque por mim, por favor...

— Claro! — a loira responde, sorrindo. — Que não! — atira duas vezes na perna da garota que cai no chão se retorcendo, urrando de dor.

— Pam!!! — corre na direção da amiga, a fim de socorrê-la. Olha para Thiago que bate os pés no chão; se serpenteia; geme. — Isso já vai acabar, meus amigos. Vai ficar tudo bem, eu prometo! — assegura revezando o olhar entre eles.

Entretanto, assim que acaba de proferir estas palavras que passariam conforto aos corações deles, sente as costas arder de maneira inimaginável. Ao virar seu rosto para trás, enquanto ainda ampara a cabeça da ruiva, vê que Elaine exibe um sorriso vitorioso e sádico, com a pistola apontada em sua direção.

Algumas lágrimas caem involuntariamente de seus olhos. Nunca imaginara tamanha dor. Aquilo é tão forte. Mais do que pode aguentar. Portanto, se deita de lado no chão, com a visão começando a enturvar.

Daniel sai do galpão com uma metralhadora na mão. Sem medo algum atira contra todos que estão ao lado de fora. Atinge várias vezes o delegado, porém não consegue acertar no policial que entra no carro com os vidros quebrados e vai embora. Uma correria, acompanhada de gritos histéricos são como sinfonia para seus ouvidos.

Sua cúmplice vai até o fundo do galpão, se esconde atrás de alguns pallets abandonados. Sabia que o policial fugitivo voltaria com reforços e não dariam conta deles. Fechando a porta mais uma vez, o malévolo encara Rodrigo e Pâmela agonizando no chão, enquanto Thiago tenta se soltar sem sucesso. A vitória é sua!

A ex-namorada começa a respirar ofegante, de maneira descompassada. Observa-a curioso. Nunca vira alguém à beira da morte respirar daquele jeito. Depois olha para o advogado, atira mais uma vez contra seu peito e outra contra sua barriga. Aponta para Thiago. Dispararia se não fosse um grito sofrido que Pâmela dá, fechando os olhos em seguida.

Abaixa-se, coloca dois dedos no canto esquerdo de seu pescoço a fim de verificar seus batimentos. Estão fracos como nunca. Logo, percebe que está tendo mais uma de suas crises, mas, desta vez está pior. Chama-a. Sacode-a. Desespera-se quando não obtém respostas. No fundo fazia tudo aquilo apenas porque a ama.

Surpreendentemente, com forças tiradas de algum lugar imensurável, Rodrigo pega o revólver que Daniel abandonara quando fora verificar o que acontecia à garota. Assesta pelo menos cinco vezes contra ele, fazendo-o tombar. Após isso, fita Thiago que chora.

— Rodrigo, você está sangrando muito. Precisa ser resistente, precisa ficar aqui! Preciso de você, meu amigo!

— Verdade... Você sempre precisou de mim... — retruca com dificuldade. — Mas eu também sempre precisei de você! Eu te amo, meu amigo! — manifesta em meio ao choro. — Mas agora é minha vez... Estou de saída... — sorri para ele, erguendo sua mão para acenar no ar. Depois a mesma despenca, o sorriso se desfaz e solta seu último suspiro.

Elaine vai até o parceiro, verificando como está. Ele cospe sangue, demonstra estar debilitado.

— O dinheiro do tráfico... — fala. — E-está embaixo do meu colchão! Guardei lá para que ninguém descobrisse, caso esse momento chegasse... Talvez se você chamar a ambulância eu ainda tenha chance...

Não tem tempo de concluir a frase. Ela atira em sua cabeça sem piedade.

— Valeu pela informação!

Um barulho de algo forte se chocando contra o metal da porta é ouvido. Então se apronta em correr para o fundo do galpão novamente, procurando as chaves que Daniel lhe dera antes, para que fugisse caso fossem descobertos. Acha-a, abrindo uma fenda que dá acesso à esquina de baixo.

Foge correndo, enquanto os homens da lei entram no local. Até a perseguiriam, contudo Thiago suplica para que salvem a vida de Pâmela. Um dos homens verifica os batimentos dela e confirma que está prestes a morrer.

[x]

É levada a um hospital particular, que o namorado se comprometera a pagar. Os corpos de Daniel e Rodrigo são recolhidos, o justiceiro é desamarrado de um lado e algemado do outro.

Rapidamente um reconhecimento é feito. O coração de Daniel é compatível com o de Pâmela, assim, podendo realizar sua tão aguardada cirurgia. É impossível não chorar num misto de alegria e tristeza. Os ex-colegas de profissão o amparam, o abraçam, o parabenizam pelos feitos; pela coragem; honra.

— Estamos fazendo isso porque somos obrigados, justiceiro. Se tiver alguma coisa que possamos fazer por você...

— Deixem-me acompanhar a cirurgia de Pâmela! Por favor, preciso ficar com ela até que acorde! — reivindica antes que o outro conclua.

Consentem.

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Driblar os jornalistas e a massa ao lado de fora não fora uma tarefa fácil. Alguns se manifestavam a favor do justiceiro, enquanto outros queriam linchá-lo. A mídia só queria alguns pontos na audiência.

Porém, mais difícil ainda fora encarar os pais da garota que ama, vê-los lamuriar e encará-lo com desgosto. Apesar de tudo, abraçara-os; confortara-os; bem como o retribuíram. Já estava no fim da tarde quando a amada deles entrara para cirurgia. Os policiais ficariam nos arredores, cercando a clínica, caso tentasse escapar.

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Foram sete angustiantes horas até que o sucesso das cirurgias fosse confirmado. Afinal, além do transplante, tiveram de tirar as balas que estavam alojadas em sua perna. Depois tiveram de aguardar praticamente mais oito horas para poderem vê-la, pois, deveriam esperá-la acordar naturalmente.

Um policial, muito fã do justiceiro, havia entregado flores para Thiago, orientando para que as desse à namorada quando acordasse. Com o buquê nas mãos, olha para os sogros, que outorgam com a cabeça.

Entra no quarto, a vê com os olhos vermelhos, o rosto um pouco amassado, os cabelos desalinhados. Todavia, ainda continua sendo a garota mais linda que já vira em toda sua vida:

Tenho andado distraído, impaciente e indeciso. E ainda estou confuso, só que agora é diferente, estou tão tranquilo e tão contente... — canta um trecho da música “Quase Sem Querer” do Legião Urbana, arrancando-lhe um sorriso.

Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém? — o acompanha.

Me fiz em mil pedaços pra você juntar e queria sempre achar explicação pro que eu sentia...

Como um anjo caído, fiz questão de esquecer que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira... — solta um longo suspiro. — O Rô dizia que era nossa música. Sabe que até que faz sentido?

— Já te disseram o que aconteceu? — ela confirma com a cabeça. — Vou sentir falta daquele desgraçado! — expressa, dando um pequeno riso. — Trouxe essas flores pra você! — cede-a.

— Obrigada! — exprime. — O que será de nós agora?

Ele inspira; expira, vagarosamente.

— Infelizmente, terá que descobrir sozinha... — abre a boca para questioná-lo, contudo, é interrompida. — Preciso pagar pelo que fiz, mas você não. Você não tem nada a ver com minhas atitudes, foi uma vítima em tudo isso. Não quero que participe da minha penitência.

— Mas eu te amo! Nós passaremos por isso juntos!

— Não, Pâmela! — pega uma de suas mãos. — Se eu for preso, ou se eu fugir, serei morto de qualquer forma. Há muitas pessoas atrás de mim, não quero que seja um alvo delas!

— Já perdi tudo o que tinha. Não posso te perder também...

— Não está me perdendo! — se levanta. — Olha, eu também te amo, mas não posso te expor a isso. Precisa seguir sem mim...

— Vou sentir saudades... — murmura em meio ao pranto.

— Eu também, amor... — abraça-a forte. — Eu também... — desvencilha-se um pouco para encarar seus orbes verdes mais uma vez. — Mas quando eu quiser lembrar de você, olharei para o céu, pode estar de dia ou de noite, lembrarei de você! Espero que também olhe para ele e se lembre que estaremos olhando na mesma direção. — ergue seu dedo mindinho. — Promete?

— Prometo! — se beijam por um longo tempo.

[x]

Depois de alguns longos minutos, Fábio e Maria o veem sair de lá com o rosto um pouco marcado devido às lágrimas.

— Já deixei a conta do hospital paga. — avisa-lhes. — Ela está liberada para vê-los. Adeus! — sai, sendo cercado por dois policiais.

Antes de chegarem na porta da clínica, estende as mãos para frente, num sinal para que o algemem.

— Desculpe justiceiro... É necessário que façamos isso... — com um semblante entristecido, o capitão coloca o objeto metálico em torno de seus pulsos. — As pessoas deveriam ser mais gratas com você!

Um policial pega seu braço esquerdo e outro pega o direito. Guiam-no para fora, onde o camburão está cercado de repórteres, fotógrafos e manifestantes, sejam pró ou contra suas ações. Uma espécie de fruta bate em sua cabeça, fazendo-o se virar na direção de onde veio o golpe. Vê uma mulher irritadiça o xingando. É o preço a se pagar por fazer justiça com as próprias mãos.

[x]

É levado à sua casa, onde pega todo seu arsenal, entrega aos policiais juntamente do uniforme, que muito defendera as ruas da metrópole. Dá também o dinheiro que lhe restara, pede que seja transferido à família de Pâmela como indenização, pois se culpa do que acontecera à ela.

Depois, já no presídio, é examinado fisicamente. Tiram seu sangue, colhem sua urina. Passaria por uma avaliação psicológica futuramente. Sabe que se Rodrigo estivesse vivo com certeza o faria alegar problemas mentais para diminuir sua pena. Contudo, também está ciente que deve pagar pelo que fez.

Tem seus cabelos encurtados; sua barba tirada; revelando um rosto mais jovial. É pesado; medido; entrevistado para saber se é portador de problemas de saúde. Então quase irreconhecível é mandado à uma cela solitária, visto que se ficasse com outros criminosos seria morto.

Deitado na solidez e frialdade da cama metálica embutida na parede, pega o celular que pagara ao carcereiro para permitir que ficasse junto dele. Abre sua playlist e põe a música “Quase Sem Querer” do Legião Urbana. Acomoda-se, ainda que desconfortavelmente, coloca os fones de ouvido. Fecha os olhos assim que o instrumental começa.

Enquanto isso no hospital, a jovem e frágil Pâmela chora abraçada aos pais sem nada conseguir dizer. Porém, em sua cabeça mil pensamentos a perturbam sobre o que faria da sua vida agora. Não tem mais nada, nem ninguém.

O médico adentra ao quarto, pedindo para que os pais se retirem, pois a mesma precisa descansar um pouco. Obedecem. Assim sendo, urge para que dê a ela seu celular, pois deseja ouvir música. Relutante, acaba por concordar após insistência dela.

Deita-se, fitando o teto, ouvindo “Quase Sem Querer” do Legião Urbana. Mantém-se em lamúrias, enquanto ouve a canção ecoar pelo ambiente:

“Me disseram que você

Estava chorando

E foi então que eu percebi

Como lhe quero tanto”

Notas finais
Eu achei que esse capítulo teve um gostinho de final. O que vocês acharam? Caso não conheçam essa música do Legião Urbana, recomendam que pelo menos leiam a letra, pois é a cara de Pâmela e Thiago hahaha Vou deixar a letra pra vocês aqui: https://www.letras.mus.br/legiao-urbana/46972/ Leiam o final alternativo do Spirit: https://www.spiritfanfiction.com/historia/inerzia-9852151/capitulo22