Inerzia

23 La Notte Che Ci Siamo Incontrati


Notas iniciais
Chegamos ao último capítulo D: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH Mas calma, tenho uma novidade boa pra vocês ;) Boa leitura!

Três meses podem parecer um curto espaço de tempo para sua vida mudar, mas para Pâmela fora o suficiente para se organizar e readaptar à sua nova vida.

Com um novo coração — ironicamente tirado da pessoa que tanto lhe fez mal. — se adequara a uma nova fase que viera. Fizera exercícios, alguns testes para saber se estava tudo bem com o órgão; por sorte, a resposta foi positiva.

Enfrentara especulações da justiça, pois investigaram se não fora cúmplice do justiceiro ou do traficante. Se Rodrigo estivesse vivo, com certeza a defenderia de tamanha acusação absurda. Aliás, não pôde comparecer ao enterro do amigo, devido à recuperação da cirurgia.

A mídia também não facilitara sua vida. Frequentemente sua casa era cercada por jornalistas; fotógrafos; fofoqueiros. Seus pais já estavam cansados de terem de expulsá-los e implorarem por paz à garota. Tiveram de se mudar para longe para que tivessem sossego.

Após estar recuperada e autorizada a retomar sua rotina, a primeira coisa que fez foi pintar novamente os cabelos no tom alaranjado. Devido ao tratamento; à baixa imunidade, havia sido orientada de não o fazê-lo até que estivesse completamente bem.

Também fora liberada para trabalhar. Sem muitas delongas conseguira emprego num shopping, algo que também odiou, principalmente se dando ao fato de não ter mais os finais de semana livres.

Agora, depois de já iniciadas as aulas, teria de correr para alcançar as matérias que perdera. Seu primeiro dia de aula do último ano seria esquisito, tanto pelo ocorrido que todos deviam estar sabendo, quanto pelo fato de retornar depois de um mês em que as aulas começaram.

Como se não bastasse os olhares de pena e julgamento de seus familiares sobre si durante a Ceia de Natal (fora liberada na véspera para poder ficar com a família), agora enfrenta os mesmos vindo de seus colegas.

Ganhara uma nova chance de viver, todavia não conseguia definir se valera a pena. Está novamente trabalhando em um lugar que odeia, cursando algo que não sabe se gosta, sem amigos, nem namorado. Tivera sua vida exposta na TV da forma mais sensacionalista possível. Fora criticada; elogiada; apoiada; denegrida.

Está tentando seguir em frente, no entanto, as últimas memórias não são agradáveis. Seus pais trocaram o turno no emprego para poderem lhe dar mais atenção, contudo a sufocavam mais. Está presa na monotonia mais uma vez.

Senta-se na última fileira, na direção da lousa. Carolina se assenta do outro lado da sala, o mais distante possível. Quando seus olhares se cruzam, a morena abaixa a cabeça. Depois, seus novos amigos se acomodam perto dela.

A ruiva sente vontade de chorar. É horrível estar sozinha naquele ambiente em que todos a encaram, cochicham sobre ela. Ninguém sentara em sua redondeza, o que a incomoda mais.

[x]

A aula começa, quando uma garota que nunca vira antes bate à porta pedindo licença. Tem um visual que chama a atenção: pele alva, cabelos e olhos negros, várias tatuagens. Traja uma camisa xadrez, calças jeans escuras, um chapéu.

O professor explica a matéria, todavia, é difícil se concentrar. Suas quimeras estão tumultuadas; embaralhadas. O reflexo disso são seus pés que não param de balançar no ar, suas mãos que tamborilam a caneta sobre o caderno.

A novata se senta ao seu lado e a tira de seus devaneios quando a chama:

— Oi. Será que pode me emprestar uma caneta? Acabei esquecendo.

— Claro! — dá um sorriso amarelo. Abre o estojo, pega o objeto, a entrega.

Alguns minutos se passam, é puxada ao mundo real novamente:

— Essa aula tá chata, né?

— É... — ergue uma das sobrancelhas, estranhando a atitude.

— Tá a fim de dar uma volta?

— Com certeza!

Levantam-se, deixando os materiais lá.

Chegando ao corredor, a colega se apresenta:

— Meu nome é Cindy. Já te conheço pelos jornais!

— Ah normal... — força um sorriso. — Você é aluna nova, certo?

— Sim, sou do Rio. Minha mãe se mudou pra cá e fiz transferência pra essa faculdade. Mas na real? Odeio esse curso!

— E por que continua nele?

— Ah, porque uma amiga da minha mãe disse que é bom, dá futuro, enriquece... Disse até que me indica pra alguns lugares quando eu me formar. — revira os olhos. — Mas e tu, curte o que faz?

— Ainda não sei.

— Não sabe??? Estamos no último ano e ainda não decidiu? — fala alto.

— Minha vida passou por muita coisa nos últimos tempos. Nem sei mais se o que gostava ontem, ainda gosto hoje.

— Sinto muito pelo que aconteceu... — exprime. — Mas aí, vamos comer uma coxinha ali na cantina? Tô morrendo de fome!

[x]

O tempo voa de maneira ligeira. Pâmela e Cindy agora são grandes amigas e confidentes. A morena sempre lhe dizia sobre seu sonho de ser atriz, morar no México. Ainda que tivesse certificado; experiência, era difícil conseguir algo nessa área no Brasil. Sem contar que não tinha apoio da família.

Em uma noite, fora dormir à casa da companheira depois de muita insistência que a mesma tivera com os pais. Falara sobre várias coisas até que uma ideia surgira:

— Aí Pam... — chama-a. — Como tá seu espanhol?

— Creo que puedo hablar algunas cosas. ¿Por qué?

— Vamos cair fora pro México? — indaga tragando seu cigarro, soltando a fumaça pela janela.

— Tá maluca amiga? O que vou fazer lá?

— Pra ser vendedora aqui tu pode ser lá também, meu amor! — explica, arrancando risadas da outra.

No entanto, daquele momento em diante, Cindy nunca mais tirara a ideia da cabeça.

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Depois de desavenças com os pais, pressão no trabalho e na faculdade, Pâmela passa a considerar a ideia cabível. Por um período juntara dinheiro em sua poupança, até que finalmente comunicou à amiga que tomara a mesma decisão.

Fizeram as malas, tiraram passaporte, embarcaram num voo só de ida com destino a Guadalajara, abandonando tudo o que tinham numa jornada de autodescobrimento e novos desafios.

Isto foi o suficiente para fazer a amizade evoluir. Agora além de amigas, dividem uma vida juntas; se encaixam; se completam. Descobriram que o amor pode estar em pessoas que menos se espera.

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Em sua cela solitária, com benefícios concedidos a ele após oferecer propina aos carcereiros, Thiago assiste à televisão. Por muito tempo, esta fora uma tarefa difícil, pois por qualquer canal que passasse, Pâmela aparecia.

Enfim haviam a esquecido um pouco e nunca se perdoaria por permiti-la ser acusada de ajudar a ele ou ao Ave da Noite.

Outra coisa que a mídia tambem adorava explorar era a morte de Rodrigo, que mesmo depois do depoimento de Pâmela ser divulgado afirmando que fora Elaine e Daniel quem o mataram, insistiam em culpá-lo por querer ajudar um fora da lei.

O torpor chega para todos. Não seria diferente para ele. O homem que agora aparenta ter mais idade do que é registrado, exibe uma barba grande, com os cabelos seguindo o mesmo ritmo. O abatimento está estampado em seu semblante, assim como a solidão o consumia.

Todavia, numa tarde mais movimentada que o normal, um dos carcereiros que sempre fora facilmente corrompido o arranca de sua cela, vendando-o. É algemado; guiado por um longo corredor.

É colocado de joelhos, quando ouve uma voz grave ecoar num ambiente aparentemente vazio:

— Aí mano, você sabe rezar? Se sabe, então começa! — sua cabeça pesa com algo batendo contra ela.

[x]

Elaine está sentada num confortável banco acolchoado de uma lanchonete na Califórnia. Pintara seus cabelos de preto, fizera cirurgias plásticas para modificar seu rosto, a fim de não ser reconhecida, o que até então, estava sendo bem sucedido.

A garçonete trouxera seu suco. Agradecera com um sorriso simpático. Evita falar muito, pois seu inglês é básico. Apenas pedira para que trouxesse sua conta.

Um homem negro; de alta estatura; com cabelos e barba grisalhos a cumprimenta. Crava-a mais que o normal, o que a incomoda. Passa seu cartão internacional, digita a senha, porém, o sistema demora a processar.

Suas pernas balançam nervosas, quando a máquina apita. Respira aliviada. Ao pegar seu cartão de volta, ele segura em seu braço.

— Eu sei quem você é... A brasileira mais procurada dos últimos meses! — manifesta em inglês.

— O que quer comigo? — arregala os olhos, fala num tom de voz baixo.

— Que tal um encontro casual hoje à noite? — dá uma piscadela. — Gosto de romances proibidos. — morde o lábio inferior. — Com direito a tudo! — conclui em português.

Bufa.

— Tinha que ser brasileiro pra ser tão interesseiro, né? — comenta, arrancando-lhe uma gargalhada. — A que horas nos encontramos? — interpela em inglês.

— Às 8 da noite. Em frente à Disneylândia.

Dá um sorriso sem graça; sai de lá pisando fundo, irritada.

[x]

Está uma noite calorosa e iluminada em Guadalajara. Cindy fuma na sacada do quarto, observando a vista que a casa lhe proporciona. Pâmela se aproxima, parando ao seu lado, observando o céu estrelado e a lua cheia.

Estende-lhe a mão direita, num gesto para que lhe passe o cigarro. A morena sorri; obedece, enquanto a encara dar um trago. Posteriormente vai ao banheiro, deixando-a a sós com seus pensamentos.

"Como está Thiago?"

Rapidamente, alguns flashes de lembranças vividas por eles invadem suas memórias. É impossível segurar o sorriso que escoa, cortando seu rosto.

Lembra-se da promessa que lhe fez no dia em que se entregara. Portanto, encara o céu. Aquele belo luar com aquelas estrelas que parecem estar tão perto a ponto de poder tocá-las, a fazem pensar que em algum lugar por aí ele pode estar olhando para a mesma direção.

Na noite de vento gélido, o homem continua apanhando dos outros presos por mera vingança somada à diversão que seus urros de dor os proporciona.

Seu corpo implora por socorro, sem poder reagir. Vomitara tudo o que comera, cospira sangue, perdera dentes. O que mais eles queriam?

Sentindo que seu fim se aproxima, reflete em como queria observar pela última vez o firmamento. Se pega a pensar em como estaria sua amada em sua casa, se olhava para lá também. Mal sabe que ela agora observa o infinito de outro lugar.

Gosta de ter a ideia que um dia veria a lua e os outros astros com mais clareza que os céus de São Paulo mostravam, devido à sua poluição. Um sorriso lhe escapa quando se lembra da noite em que a conheceu e a abóbada celeste estava límpida como poucas vezes vira na capital. Inércia é uma palavra tão pequena, porém, com múltiplos significados. Pode se referir à Primeira Lei de Newton; à Teoria da Relatividade; ou ao Princípio de Inércia, citado no Código de Processo Civil. Todavia, ela usara essa palavra para descrever como sua vida estava antes de conhecer o homem que lhe ensinara muitas coisas.

Diante daquela magnitude divina, em sua solidão com o universo, fecha os olhos e agradece mentalmente por tê-lo conhecido. Sem ele, sua vida nunca teria deixado de ser inerte.

Enquanto o homem de seus sonhos pressente sua morte chegar, sem nem ao menos ver o rosto de quem o entregaria à ela, pensa nas palavras que gostaria de dizer à menina de seus olhos.

"Querida Pâmela,

Sinto sua falta..."

E elas terminam em reticências, pois seus pensamentos nunca foram concluídos, devido ao golpe final que amassara seu crânio.

"I had all and then most of you

Some and now none of you

Take me back to the night we met"

(Lord Huron — The Night We Met)

Notas finais
Inerzia vai virar livro!!! AEHOOOOOOOO o/ E o final vai ser mais feliz hehehehe E não se esqueçam que o final do Spirit é mais animadinho ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!