Indigna Rosa Negra

27 A Rosa no Controle


Notas iniciais
Eia eita, feliz dia dos namorados atrasado! Como sempre muito feliz com a participação, interação e envolvimento de vocês nessa empreitada que é Indigna! Boa leitura!


Tara e seu cheiro de cereja fresca. Era tudo o que havia enquanto lidava com a supressa de ser beijada e a textura da boca macia encaixada na sua. A vodka a impedia de avaliar o absurdo da situação, então ao invés disso ela se concentrou na sensação geral da coisa; as mãos geladas da garota – uma em sua cintura, a outra em seu ombro – lhe puxando contra o seu corpo; os cachos fazendo cócegas na ponta do seu nariz; a pulsação do seu próprio coração pego de surpresa.

Tara Romansek está beijando você, sua consciência relutante mandou avisar através da cortina de embriaguez que se desfizera bastante com o primeiro choque. Faça alguma coisa.

Mas ela não fazia a menor ideia do modo apropriado de reagir quando sua amiga – e então antagonista – de longa data lhe tascava um beijo. Irritada? Ultrajada? Completamente vermelha parecendo um maldito Weasley debaixo do sol?

Não houve tempo para tomar a decisão, pois a ruiva se afastou provocando um estalinho entre seus lábios, e soltou um suspiro em seguida. Havia um brilho satisfeito em seus olhos verdes que era parecido com o que tinha quando ela acertava uma pergunta difícil na sala de aula.

– Hum. Isso foi bom. – lhe informou, inclinando a sua cabeça e olhando para Bervely, claramente aguardando a sua reação. – Não foi?

– Você me beijou. – lhe disse. Embasbacada aparentemente era o modus operandi escolhido pela parte dela que estava no comando.

– Eu sei. – a ruiva abriu um sorriso contente e leviano. Bem bonito também, o que Bervely considerou particularmente irritante da parte dela.

– Por que você faria uma coisa dessas? – se ouviu perguntar. Na boca ainda sentia o fantasma do beijo pulsando sobre a pele, com surpreendente clareza.

– Por que eu não faria?

Oh, aquele sorriso. Ia arrancá-lo fora com as suas unhas.

– Eu posso pensar em um milhão de razões! – arfou. Isso fez Tara sorrir ainda mais abertamente.

– Vou pagar a conta. Alguma coisa me diz que a realeza Black não carrega dinheiro trouxa quando toma decisões impulsivas como se embriagar no primeiro bar que ver pela frente.

Odiando a escassez de palavras que lhe acometera, Bervely ficou observando a garota ir até o balcão fechar a conta delas, perfeitamente ciente de que não estava mais bêbada. Então beijos roubados de suas ex-melhores amigas podiam curar a embriaguez de vodka, quem diria? Seu coração ainda estava fora do prumo quando ela voltou, pegou o próprio casaco perto da porta e lhe ofereceu o seu, a expressão de divertimento mantida no rosto.

Bervely aceitou a roupa com um muxoxo e não a encarou enquanto o vestia. Tinha bastante certeza que o rosto ainda estava vermelho pelo jeito com que as suas bochechas queimavam, e ficava difícil manter alguma dignidade quando o seu corpo lhe traia tão covardemente. Supunha que era mesmo hora de ir embora, não tinham mais o que fazer ali e precisava encarar o frio de uma caminhada até o chalé e talvez uma recepção ainda mais fria de Andromeda.

Nada disso, no entanto, ocupou seus pensamentos quando Tara se aproximou dela perto da porta e esticou seu braço para abrí-la, aproveitando a proximidade para sussurrar em seu ouvido:

– Você gostou.

– Não me provoque. – rebateu, se desviando e saindo antes dela para a tarde fria que agrediu cada parte da sua pele exposta. – Não tem graça. – acrescentou ao ver que Tara ria.

– Você leva as coisas à sério demais, sabia? Às vezes um beijo é só um beijo.

– Merlin! Você só fez isso porque está com raiva do Weasley, okay? Quer se vingar dele e achou que seria uma boa me usar pra isso!

O riso da garota diminuiu para um sorriso enigmático, e ela estreitou os olhos perspicaz.

– Talvez.

– Isso é baixo. – lhe informou, fechando a cara.

– Ou talvez não.

– Apenas tome o seu rumo, Holmes. Eu ouvi dizer que quando você bebe álcool trouxa o bastante as suas memórias às vezes se apagam, então eu vou torcer por isso.

Agora o riso dela tinha sumido completamente.

– Se prefere assim. Até Hogwarts, Black.

– Até, Holmes.

– BD –

O fim do recesso, que Bervely passou tão isolada no sótão quanto pode, foi de várias formas esclarecedor. A sensação nevoenta de incerteza e confusão sentimental que rondara seus dias desde a visita ao túmulo do primo se dispersara, e apesar da dor continuar lá, conseguia cada vez mais habilmente trancá-la no fundo da sua mente, onde ficava as coisas que não queria remoer o tempo todo.

Os pesadelos não tinham voltado a acontecer.

Culpava a sua nova e principal resolução: recuperar o controle da sua vida. Já chegava de pessoas afetando a sua sanidade, lhe deixando confusa sobre quem era; já chegava de poções lhe causando alucinações que quase lhe matavam; de se condoer por familiares que no fundo não se importavam com ela; já chegava de dramas sentimentais, e de pessoas lhe roubando beijos para seus próprios fins egoístas ou querendo roubar a sua alma.

Ela era Bervely Black e iria agir de acordo com isso.

Abrindo pela primeira vez o malão que alguém enviara de Hogwarts com parte dos seus pertences, aproveitou para reler febrilmente o Signo Negro. Revisou O Código de Conduta Black do começo ao fim, vezes o suficiente para decorá-lo. Repassou a árvore genealógica da família nome por nome, e depois suas fotos e realizações de forma cuidadosa. Eram pessoas grandes: Ministros da Magia, inventores, presidentes do Conselho Internacional dos Bruxos, magos poderosos, proprietários de Ordens de Merlin primeira classe e uma infinidade de outros prêmios de prestígio. Sua bisavó Belvina Black não ganhara três menções honrosas por Maldições Especulares ficando enfiada num quarto a lamentar seus desfortúnios, e Alphard Black I, o Diletante, certamente não se tornara membro sênior do Conselho Internacional dos Bruxos recusando-se a agir a altura do sobrenome que carregava.

Ela também procurou menção à Sirius Black, mas não havia qualquer coisa. A não ser por um Sirius nascido em 1845 e que morrera com apenas oito anos, aquele homem da carta não estava lá. Mas, como dissera o próprio à Andrômeda, o Sirius que ela procurava era um traidor e não constaria no livro da família, fora banido e execrado de qualquer direito ligado à linhagem. Que teria feito ele para desonrar a família? Teria sido expulso por engravidar Bellatrix? Achava isso improvável, pois outros casamentos haviam acontecido entre os Black e estavam ali registrados. Não, haveria de ser outra coisa…

Não se incomodou em perguntar à Andrômeda, no entanto. A bruxa voltara a dar plantões no hospital com o fim do feriado, e nos poucos momentos em que estava em casa, Bevy a evitava. Embora a mulher não parecesse estar zangada com ela ou qualquer coisa, Bervely estava, não podia evitar se sentir traída pela mentira que ela contara ao seu primo há todos aqueles anos.

Porque uma vez traidora, sempre traidora, dizia a si mesma. E era um erro se esquecer disso.

Outra leitura que se mostrou bastante proveitosa foi o livro que ganhara de Tonks já fazia um ano: “A Incerteza do Eu”. Era nele que continuava com a cara enfiada já na segunda semana de janeiro, acomodada num banco estratégico localizado no pátio do terceiro andar do castelo de Hogwarts. As aulas tinham retornado há alguns dias e o tempo continuava terrivelmente frio, motivo pelo qual poucos alunos ficavam por ali. Naquele momento da manhã em que a maioria tinha aula estava praticamente vazio, e perfeito para se concentrar na leitura.

Um movimento captado pelo canto de olho a alarmou, e desviou o olhar das páginas para verificar quem se aproximava. Se fosse Filch já pensara na sua desculpa, mas a pessoa que a descobrira ali usava um gorro listrado de verde e rosa que o zelador não vestiria nem se ameaçado pelo monstro da câmara.

– Você está escondida ai! – a nota feliz da lufa-lufa chegou até ela, e Bervely lhe fez um aceno com as sobrancelhas que era um misto de “olá” e “sério?”. Quando Tonks estava perto o suficiente para ler o título do seu livro, sorriu ainda mais – E você está lendo!

– Era de supor que eu lesse, essa é uma instituição de aprendizagem afinal. – debochou.

– Mas você está lendo sobre metamorfomagia! Isso é fantástico, nós finalmente podemos estudar juntas e tentar umas coisas legais! Acredita que esse dias eu consegui mudar o formato do meu joelho? Quão legal é isso? Quero dizer, joelhos!

– É, não vá contando com isso. Estou perfeitamente satisfeita com os meus.

A lufa não murchou nem um pouco, limpando a neve sobre o banco para se sentar ao seu lado e dar uma espiada em que capítulo estava. Bervely suspirou longamente e fechou o livro, olhando para ela de forma condescendente.

– O que você quer, Nimphadora?

As pontas de cabelo que escapavam por baixo do gorro da garota ficaram cor de laranja elétrico.

– Nesse exato momento, quero fazer você comer essa neve cheia de cocô de coruja por me chamar assim. MAS, eu vou fingir que não aconteceu para o bem do nosso relacionamento, prima – provocou, sabendo que clamar o parentesco tinha quase o mesmo efeito em Bervely que o de usar seu nome de batismo – Você ouviu o que estão dizendo? Parece que aquela Granger da Grifinória também foi petrificada.

– Não foi, não. – rolou os olhos. Os níveis de fofoca de Hogwarts, que nunca tinham sido baixos, estavam nas alturas depois que mais alunos foram petrificados pelo monstro da câmara secreta. A somar à Colin Creevey, perto do recesso um garoto chamado Justtino Finch-Fletchey da Corvinal virara pedra no corredor próximo à biblioteca e, mais estranho ainda, o fantasma da casa dos leões fora encontrado também paralisado. Um monstro que era capaz de causar dano à quem já estava morto gerava, obviamente, uma nova gama de especulações e polêmicas.

– Como pode saber disso? Ela está na ala-hospitalar desde o Natal!

– Estive lá ontem, Mme. Pomfrey me intimou a comparecer para averiguar a minha saúde antes de voltar às aulas. E Granger estava lá, escondida por um biombo, mas eu pude ouvir a sua voz irritante e não havia nada de petrificado dela.

– Oh. – a garota lhe olhou com renovada preocupação, recordando-se que Bervely estivera seriamente doente no começo do mês anterior – E como isso foi? Sua avaliação, digo.

– Estou bem – rolou os olhos para a preocupação desnecessária – Pronta para outra.

– Nem brinque com isso, você quase matou todos de preocupação lá em casa. – repreendeu, lhe olhando feio.

– Seus pais se preocupam além do necessário.

Por um momento achou que a colega ia começar com a ladainha de “somos família e é isso que família faz”, mas aparentemente ela conseguiu morder a língua, o que deixou Bervely grata. Percebeu que Nimphadora trazia um pergaminho enrolado na mão e a interrogou com o olhar. Ao lembrar-se porque estava ali, a expressão da setimanista mudou para uma animação ansiosa.

– Ah, eh! Adivinha o que eu recebi hoje de manhã?

– Eu quebrei a minha bola de cristal na cabeça da última pessoa que me pediu uma adivinhação.

– Uma carta da Academia de Aurores! – vibrou, contente o bastante para ignorar a resposta malcriada – eles me querem para os testes práticos no fim do trimestre! Eles me querem, eles me querem, eles me quereeeem!

Agora o cabelo aparente dela estava azul elétrico e espetado, e sua cara formava uma careta de empolgação nervosa muito engraçada.

– Uau, calma ai. Esses não são os testes onde eles te pedem um monte de feitiços e transfigurações complexas, e avaliam a sua capacidade física e psicológica de enfrentar situações extremas? – elas tinham lido o edital juntas, então Bervely se lembrava direitinho dos passos.

– Siiiim – Tonks travou seus dentes quicando no banco – Eles vão querer saber da minha destreza com magia, o que significa que eu não posso tropeçar nos meus sapatos ou espetar o meu olho com a varinha e todas aquelas coisas que eu faço quando estou nervosa! Você precisa me ajudar!

– Eu não tenho certeza se há ajuda no mundo que dê jeito nisso, honestamente. – observou de forma realista.

– Não com isso, mas todo o resto! Se eu estiver bastante confiante em tudo que preciso fazer na frente deles, talvez eu consiga fingir que não sou um desastre completo.

– Você não é um desastre completo, só um meio desastre com potencial risco de destruição a qualquer coisa que não esteja apregoada firmemente ao chão, incluindo você mesma, e– oh, não, não me olhe com essa cara.

– Que cara? – a lufa-lufa se fez de desentendida, levando Bervely a dar um muxoxo.

– Essa de filhote de gato perdido na neve com a pata quebrada.

– Não sei do que você está falando. – cantarolou, continuando a fazer aquela cara. Era como se os seus olhos, que já eram grandes, dobrassem de tamanho e brilhassem mais; no fundo Bervely tinha certeza que ela usava metamorfomagia para fazer aquilo, o que era muito desonesto.

– Ok, Tonks. Eu ajudo você com a preparação para o exame prático da Academia de Aurores.

– Isso! – ela saltou no banco, escorregou um pé na camada de gelo e caiu de volta duramente com um lamento de dor. Depois lhe olhou com desconfiança – O que vai querer em troca?

Bervely lhe deu um sorriso amplo de aprovação.

– Você já está aprendendo como as coisas funcionam, não está? Já que perguntou, não é nada demais. Quero saber onde fica o arquivo de fichas dos alunos de Hogwarts.


– O o quê? Por quê? – mas Bervely lhe fez uma cara de “até parece que eu vou te dizer”, ao que ela suspirou – Não faço a menor ideia de onde fica.

– Mas pode descobrir, você tem contatos. Eu por acaso sei que o nosso querido “Hugo”, a quem você levou para a Festa Proibida da Corvinal outubro passado é nada mais, nada menos, que o monitor-chefe da Grifinória.


– COMO você poderia saber disso?? – chocou-se a metamorfomagia, arregalando os olhos e novamente os fazendo parecer maiores do que eram, dessa vez sem o brilho de sedução manipulador.

Bervely sorriu maldosamente.

– Eu sei das coisas, Tonks. Então, temos um acordo?

– Você é endemoniada – disse com assombro solene – é claro que temos. Eu poderia cobrar a ele uns favores que lhe fiz aquela noite, na verdade. – pontuou, e foi a sua vez de sorrir sugestivamente.

– Isso é bom. Não demore, cada minuto que você passa sem estudar é um tropeção que você vai dar na frente dos avaliadores.

Tonks assentiu, agarrando a mochila que tinha largado no chão e a jogando nas costas. Quase tinha ido quando se apercebeu de alguma coisa e se voltou intrigada, as sobrancelhas franzidas.

– Hey, você não devia estar em poções agora?

Bervely ergueu o cenho sem olhar para ela, pois voltara a atenção ao seu livro.

– Eu suponho.

– Você está filando aula de Poções? – atestou com assombro. Bervely deu de ombros, procurando a linha em que parara. Tonks continuou ali parada totalmente confusa. – O que–

– Deixe pra lá, Tonks. O que você não sabe não lhe tira o sono à noite.

Ela arregalou os olhos, mas acabou indo embora sem insistir no assunto.

– BD –

Cara Srta. Black,


A sua ausência foi notada na aula de Poções desta manhã. Queira informar a razão da abstenção através de nota ou pessoalmente.

Atenciosamente,


Prof. Snape.

Bervely dobrou a carta cuidadosamente e a enfiou dentro do suco de limão que os elfos tinham servido para o jantar. Sabia que da mesa dos professores o referido mestre observava a sua reação, mas não olhou para ele; ao invés disso, ficou assistindo a tinta se soltar do pergaminho e manchar o suco de azul, a mistura resultando num turquesa pálido.

– Isso é tão injusto. É tão injusto que eu tenho vontade de arrancar as minhas orelhas e esmagar com o meu garfo! É tão, tão injusto que eu quero esmagar as minhas orelhas com o garfo e fazer ela comer isso!

Levantou o rosto para a colega que resmungava ao seu lado, sabendo perfeitamente do que se tratava. Desde que as aulas começaram Pacey não parava de se queixar sobre um mesmo assunto: Tara Holmes. Mais especificamente, o fato de Snape ter lhe nomeado monitora-chefe temporária.

– Olhe para ela, tão cheia de si mesma que mal se prende ao chão. E agora a Sonserina em peso a trata como se ela fosse a enviada de Slytherin para nos guiar sobre a terra! – Sia fez eco às queixas, muito mais porque amava uma intriga do que pelo fato de se importar de verdade com quem virava monitora.

Bervely segurou o riso, enquanto Pacey torcia os lábios em desagrado.

– E se ela fosse mesmo a herdeira de Slytherin? – sussurrou em tom especulativo – petrificando os mestiços por ai? Eu não me surpreenderia. Deve ser como eles lidam com os mestiços na Transilvânia, ou seja lá de onde ela veio!

– Brasovia. – disse Bervely automaticamente. As duas pararam para lhe olhar de forma estranha, ao que ela deu de ombros – O quê? Não é a mesma coisa.

Pacey bufou com impaciência, fazendo um sinal de “quem se importa” com a sua mão branca e ossuda.

– Você deveria estar mais chateada, ao invés de defender as origens dela! A maldita lhe roubou o cargo de monitora chefe, deveria ser você usando esse distintivo e esfregando na cara de todo mundo agora. Ou eu. – acrescentou, num raciocínio tardio.

Bevy deu de ombros.

– Eu não ligo. Tenho coisas mais importantes a me preocupar do que ficar correndo atrás do monstro da câmara secreta.

– A Monitoria de Poções não devia estar no topo dessa lista? – Sia lhe lembrou de forma acusadora – Snape me fez um interrogatório sobre onde você estava hoje que não foi pra a aula. Perdeu a Poção do Morto Vivo; horrível, por sinal. Quando eu a terminei, estava tão exausta que fiquei com vontade de tomar um gole da minha.

Ela se esquivou de qualquer resposta, logo sendo salva por uma gargalhada sonora e forçada de Tara que as trouxe de volta para o assunto anterior. Quando elas estavam bastante distraídas em destilar seu veneno sonserino contra a ruiva, Bervely arriscou um olhar para o mestre de poções na mesa dos professores. Como se sentisse seu olhar ele a encarou, e mesmo de tão longe ela conseguia ler naquele par de olhos encovados um bocado de aborrecimento.

– BD –

“Transfiguração Humana”, McGonnagal escreveu no quadro com um floreio de varinha.

O estômago de Bervely deu uma volta completa e permaneceu torcido e apertado dentro da sua barriga enquanto encarava as palavras.

– Esse é um dos mais importantes blocos para os seus N.I.E.M.s em Transfiguração e, devo dizer, também um dos mais difíceis. Não se espantem se demorarem algumas aulas até conseguirem gerar alguma mudança, mesmo que mínima, em sua aparência. A maioria dos bruxos precisa transpor uma enorme barreira de coesão do eu para admitir magia intracorpórea, a não ser por alguns bruxos com habilidades muito especiais. Alguém pode me dar um exemplo do tipo de bruxo ao qual eu me refiro?

Adrian Pucey ergueu a mão. Minerva fez um sinal lhe dando a palavra.

– Bruxos muito feios que estão loucos para mudar de cara? – com isso ele olhava maldosamente para Luciano Audrey, um lufa-lufa de nariz achatado e cabelo ralo que imediatamente corou sob as suas espinhas.

McGonnagal deu um suspiro de impaciência.

– Pucey, eu mediria as minhas palavras se fosse você. A próxima resposta engraçadinha lhe levará à uma detenção tão trabalhosa que no final dela você precisara transfigurar mãos novas. Mais alguém?

– Metamorfomagos – outra garota da lufa-lufa disse, sorrindo para a monitora da disciplina que estava sentada ao lado da mesa de McGonnagal com um lindo cabelo amarelo cheio de cachos em honra à sua casa – Por sua própria natureza mutacional, eles tem facilidade em assumir compleições diversas. Diz-se que possuem uma coesão mutante do eu.

– Dez ponto para a lufa-lufa, é assim que se faz uma resposta, ouviu, Pucey? Exato, Srta. Aslan, e é por isso que a Srta. Tonks está aqui hoje, para nos ajudar nos primeiros passos da transfiguração humana. Embora ela faça isso naturalmente e sem precisar de uma varinha, os princípios fundamentais são os mesmos. Agora, se olharem no quadro verão que o objetivo do dia é nada mais que modificar a cor, e talvez o formato da sua sobrancelha…

Bervely deixou as palavras de McGonnagal baterem e voltarem enquanto olhava o seu próprio reflexo; cada aluno recebera um espelho de corpo todo com o qual iria trabalhar por todo aquele trimestre. Alguns culpariam o clima úmido que começava a se instalar nos terrenos de Hogwarts, mas ela sabia que era do nervoso a culpa pelas pontas do seu cabelo estarem enrolando. Lhe parecia uma péssima ideia treinar auto-transfiguração na frente da sala inteira; e se perdesse o controle?

E se ficasse verde, e se o seu rosto virasse o rosto de uma personagem de livro novamente?


E, pior ainda, se não pudesse reverter isso? Uma coisa era transfigurar a sua mão para abrir um cofre, outra totalmente diferente era querer mexer no seu rosto bem ali no ambiente extremamente exigente que era a sala de McGonnagal.

– Você não precisa se preocupar – Tonks deu batatinhas em seu braço dali há um tempo, quando passava por cada um para compartilhar a dádiva do seu conhecimento – e nem precisa disso – completou, arrancando a varinha da sua mão, mas Bervely a puxou de volta teimosamente.

– Não se tira a varinha de um bruxo, Tonks – rosnou, o nervosismo a deixando mais azeda que o normal. – Além do mais, o que acha que vai parecer quando eu ficar aqui tentando mudar a cor da minha sobrancelha de mãos vazias?


– Tem razão. – ela sorriu para o seu reflexo – É melhor contar logo para McGonnagal que é metamorfomaga também, assim ela não vai achar estranho.

– Não! – sibilou – Ficou louca? Por que eu contaria agora? Se eu não conseguir controlar, vai me fazer parecer estúpida. Se eu conseguir, contar vai me tirar uma ótima vantagem para me dar bem na matéria!

O rosto de Nimphadora se abriu numa compreensão maliciosa.

– Você e sua mente diabólica. – riu-se – Tudo bem, é um direito seu. Mas cuidado para não usar o feitiço sem querer, pode causar conflito com a sua metamorfomagia, ok?

– Ok. O que quer que isso signifique. – resmungou. – E ai, descobriu o que eu te pedi, com o monitor?

– Ah, eh! – Tonks deu um saltinho de empolgação – eu descobri! Hugo foi bem prestativo.

– O nome dele não é Hugo, porque continua lhe chamando assim?

As bochechas de Nimphadora se tingiram de rosa e ela tentou disfarçar.

– É uma coisa nossa, decidimos manter os nomes da festa…

– Ok, Dorotéia” – ela zombou – Então, onde fica?

– Primeiro andar – cochichou, de canto de olho verificando se McGonnagal não estava prestando atenção nelas – atrás daquelas duas armaduras que tem cheiro de frango. Ah, vai me dizer que nunca reparou? Meu estômago sempre ronca quando passo por elas. Enfim, a senha é “confidenciallis”, e as armaduras só vão te deixar entrar das cinco às oito. Ah, e você não vai conseguir entrar sozinha, precisa ter um distintivo de monitor.

– Ele não te emprestou o dele? Você me decepciona, agente Tonks. – estalou a língua em desapontamento.

– Ele se ofereceu para ir comigo, na verdade – ela rebateu com uma careta – Porque eu disse que era pra mim, que eu queria ver se não tem nenhuma penalidade a que eu possa recorrer antes de enviarem o meu histórico para a Academia de Aurores. O que pensando bem, até que não seria uma má ideia…

– Foco, Tonks.

– Ok! Então, se conseguir convencer um monitor a emprestar o distintivo e entrar lá, não faça nenhuma bagunça e não seja pega, pelo amor de Morgana. E se você for, não diga onde conseguiu a senha, não quero que ele seja prejudicado pelos seus planos loucos.

– Não vamos colocar Sr. Hugo em problemas – ela debochou – Por que isso comprometeria muito a chance de Sr. Hugo e Lady Dorotéia terem um segundo momento de troca de favores especiais… se é que você me entende.

– Você é terrível, não sei porque ainda te peço ou te faço qualquer coisa!

Bervely deu uma gargalhada para a irritação e falta de jeito da lufa-lufa.

– Engraçado você dizer isso – provocou-a, um sorriso no canto da boca irrefreável – não era você quem dizia, como é mesmo, que éramos família?

– BD –

Cara Srta. Black,

A sua ausência na aula de Poções foi computada pela segunda vez essa semana. Queira lembrar-se que as suas atividades de monitoria são parte de um contrato com a escola e qualquer necessidade de dispensa deve ser comunicada com antecedência ao seu tutor legal, neste caso, eu. Reitero não ter recebido qualquer memorando de justificativa até o presente momento.

Aguardo a sua retratação por meio de nota ou pessoalmente.

Prof. Snape.

Aquele bilhete foi dobrado quatro vezes e afogado no seu chá frio de lilases. Dessa vez ela não arriscou uma olhada furtiva para a mesa dos professores, tinha plena consciência do olhar mortífero do professor perfurando a sua nuca.

– Vou voltar para o dormitório mais cedo – comunicou para Sia, que a olhou com suspeita.

– Mas você nem comeu direito. Está se sentindo bem?

– Estou ótima, é só uma dor de cabeça. Aquele maldito feitiço de transfiguração deve ter mexido com meu algo aqui dentro.

– Só se for dentro, porque fora, nadinha, né? – ela zombou, valendo-se do fato que conseguira um par de sobrancelhas loiras na sua décima tentativa, enquanto Bervely passara a aula inteira (propositadamente) sem nenhum avanço.

– Tanto faz. Duvido que suas novas sobrancelhas vão ajudar na sedução do professor Lockhart – devolveu com uma piscadela.

Enquanto passava pela lateral da sua mesa rumo à saída do salão, ela casualmente esbarrou em Tara Holmes, que ainda estava sentada no meu do séquito de admiradores. Como resultando, uma jarra inteira de suco de pêssego se derramou sobre a nova monitora-chefe, que deu um grito estridente e se ergueu, pronta para jogar sua ira em quem se atrevera a macular seu impecável uniforme.

– Black, você ficou louca?

– Desculpe – disse de cara limpa – foi esse seu magnetismo de perfeição e poder que forma um vácuo em torno de você e eu acabei sendo sugada nele por acidente.

A ruiva estreitou os olhos perigosamente. Elas não tinham se falado desde o indicante do beijo em Ottery; parecia ter havido mesmo um acordo mútuo em relegar o assunto ao esquecimento. Mas a animosidade continuava ali na superfície, Bervely percebeu, e como boa sonserina decidiu que podia se aproveitar disso.

– Eu teria mais respeito se fosse você, há alguma hierarquia aqui a ser mantida. – a ruiva cuspiu nesse meio tempo.

– Tem razão – disse com suavidade mentirosa – você quer que eu faça uma reverência, Tara? Ou talvez que eu implore perdão de joelhos beijando a sua capa?

– Eu me perguntava por quanto tempo você conseguiria fingir que não está morrendo de inveja por eu ter ganho o cargo de monitora-chefe, ao invés de você. É por isso que não está aparecendo nas aulas de Poções, ficou magoada com o professor Snape porque não é a sua queridinha afinal de contas?

Aquela não era, ela pensou, a mesma Tara com quem tinha jogado dardos, se embriagado e dado risadas num bar trouxa há menos de duas semanas. A sua versão sonserina do mal era bastante odiável, mas a lembrança da textura dos lábios de Tara não deixava Bervely se enganar.

– Você está certa. Estou morrendo de inveja. Por isso eu esbarrei de propósito em você, achei que suco de abóbora seria uma vingança à altura de me roubar a monitoria.

– Eu não vejo outra explicação. – rebateu, cruzando os seus braços.

Bervely tinha consciência de que o grupinho próximo prestava atenção na discussão delas, mas não poderia se importar menos com plateia quando deu um passo à frente sem tirar os olhos da garota, de fato exigindo que ela a encarasse de volta.

– Não te ocorreu que eu poderia estar tentando chamar a sua atenção? – sugeriu, com um sorriso de lábios fechados. Tara piscou, dessa vez sendo ela a ter o seu espaço pessoal invadido e recusando-se a ceder e dar um passo atrás.

– Por que você iria querer fazer isso?

Bervely afiou o seu sorriso de forma maliciosa.

– Me diga você, Tara.

No tempo que a ruiva levou para processar a insinuação seus olhos se abriram em surpresa. Bervely ficou satisfeita ao ver que suas bochechas foram tingidas de cor de rosa; era muito fácil fazer um ruivo corar, não era? Com um movimento lento e deliberado, ergueu a varinha na altura no peito dela, tocando a ponta em sua roupa com sutileza.

Aridatium. – sussurrou, sem parar de olhá-la. – Alicedum. Pronto, limpa e seca. Me perdoe qualquer inconveniente.

Tara abriu a boca, mas a fechou em seguida. Sem palavras. Bervely lhe fez uma breve reverência com a cabeça e saiu do Salão, sorrindo consigo mesma.

Não só conseguira sua vingança, como aquilo que mais precisava. Bem apertado em suas mãos, estava o distintivo de monitora-chefe da sonserina.

– BD –

A Sala de Registros dos alunos de Hogwarts era um enorme e muitíssimo empoeirado deposito de pilhas e pilhas de pastas iguais àquela que ela vira na mão de Snape um dia com o seu nome, só que mais antigas e mais cheias. Fizera uma pesquisa sobre o assunto em Hogwarts, uma História, enquanto filava a segunda aula de poções da semana. Ali era guardada cada ficha de cada aluno que já passara pela escola de magia.

Estava olhando, portanto, para torres de pilhas de fichas que perfaziam metros, colunas tortas sustentadas por feitiços mais do que por qualquer lei física, e que formavam um labirinto a perder de vista no qual Bervely esperava nunca precisar se enfiar na vida; parecia uma morte lenta, alérgica e terrível para um bruxo desafortunado. Aqui e ali haviam mesas pequenas também cobertas por camadas de poeira, deixando muito óbvio que os elfos negligenciavam o lugar com afinco.

Sabia porque; não era necessário entrar na sala para conseguir a ficha de um aluno. As corujas de Hogwarts eram treinadas para entender a lógica da organização (supondo que havia alguma) dos arquivos e buscar qualquer solicitação dos professores, e elas entravam não pela porta que Bervely acabara de usar, mas por entradas especiais com portinholas próximas ao teto. Nem podia imaginar porque o monitor chefe da Grifinória saberia a senha daquele lugar, talvez tivesse dado sorte e ele fosse um sabichão que lera o manual do monitor completo; os boatos era que tinha mais de 500 páginas e todas as senhas do castelo, e era preciso trancar-se numa sala secreta de Hogwarts para ter acesso a ele, sob juramento de nunca contar para ninguém os segredos aprendidos.

Riu da ideia. Não conseguia ver Tara Romansek se sentando para ler quinhentas páginas de regras e diretrizes chatas nem em um milhão de anos.

– Ok, vamos fazer isso. – falou consigo mesma, sacando a varinha. A sua voz foi abafada pelas toneladas de papel de uma forma um pouco medonha. Ela não tinha uma coruja treinada da escola, então supôs que a velha técnica de requerimento da biblioteca fosse funcionar ali também – Me dê Sirius Black!

Se sentiu estúpida falando aquilo, principalmente quando não funcionou. “Me dê Sirius Black”? Qual era o seu problema? Respirou fundo com impaciência, o que foi uma má ideia porque o ar viciado de poeira da sala se infiltrou em seus pulmões e lhe deu uma crise de tosse.

– Uh, porcaria. Quero a ficha de Sirius Black!

Nada aconteceu, a levando a pressionar os lábios com irritação. Ela desconfiava que a organização das fichas tinha a ver com o ano em que o sujeito entrara em Hogwarts, mas no caso de Black, não fazia a menor ideia. Talvez precisasse de um feitiço para isso? Como era mesmo aquele feitiço bem básico para conjurar as coisas que aprendera com o professor anão?

– Ahh. Vejamos. – continuava sendo estranho falar sozinha ali na sala, mas preferia isso ao silêncios abafado das pilhas gigantes de papel – Accio Black, Sirius!

Dessa vez ouviu um farfalhar distante de papel à sua esquerda; no segundo seguinte, não uma, mas duas fichas vieram voando em sua direção como pássaros de papel desengonçados em meio à uma nuvem de pó. Elas tinham saído de lugares diferentes, mas era praticamente impossível dizer de onde.

Bervely abriu a primeira delas, que datava de 1971. A foto mostrava um rapazinho moreno e enfezado, e fora provavelmente tirada na época da sua matrícula. A pasta de Black era surpreendentemente pesada, estufada de papel que ela logo percebeu serem notas de advertência e detenção.

– Um pequeno arruaceiro, você era – ela observou, ignorando a papelada e se concentrando na primeira folha, onde estavam as suas informações principais, que leu atenciosamente sob a luz da varinha.

Sirius A. Black
Nascimento: 1959


Filiação: Orion Black e Wallburga Black
Padrinhos mágicos: Alphard Black e Ozza Black


Ela forçou-se a lembrar da árvore genealógica da família, e logo percebeu que aquele homem e sua mãe não só eram primos, como o eram em primeiro grau. E Sirius era igualmente filho de dois Black aparentados, sua linhagem portanto altamente cotada dentro da família.

Casa em Hogwarts: Grifinória


Feitos notáveis: Record em número de detenções no período de um único ano letivo
(oitenta e sete ocorrências, em 1974).


Não me espanta que te expulsaram da família – acusou, com uma careta de desaprovação – Obviamente uma vergonha para a reputação dos Black. Honestamente…

Ela folheou as diversas, diversas notas de advertência e passou os olhos por seu histórico acadêmico. Se surpreendeu com os bons resultados que encontrou ali; como ele teria conseguido ser excepcional em Feitiços, DCAT e Transfiguração em todos os seus sete anos na escola estando ocupado com aquele número de detenções era inexplicável. Fizera pra o seu completo espanto sete NIEMS, Poções entre eles.

– Muito impressionante, Black. Agora vamos ver a sua cara quando deixou de ser esse pirralho mau humorado…

Ela abriu a pasta na última página, cuidando para não derrubar aquele mundo de folhas, ou morreria ali antes de juntá-las todas. Encontrou a cópia do diploma, mas nenhuma foto de Black no fim da sua adolescência, o que foi um pouco decepcionante. A esperança de descobrir se eles tinham alguma semelhança física foi frustrada, então passou para a outra pasta, mas antes que pudesse pousar seus olhos no arquivo um movimento atrás de si a assustou.

Bervely enfiou as pastas rapidamente embaixo da mesa, um minuto antes de alguém aparecer no seu campo de visão.

– Quem está ai? Apareça! Apareça para sofrer as consequências da sua perversão!

Era Filch, o maldito zelador. Sabendo que não havia justificativa no mundo que a livraria daquela detenção, ela se esquivou para trás de uma das colunas de pastas, ouvindo nitidamente o bruxo mancar na sua direção. Se concentre, ordenou a si mesma, buscando a lembrança da voz mais marcante que já ouvira na vida. Podia ouví-la nitidamente em sua cabeça mesmo agora.

Bervely pigarreou. Se aquilo não funcionasse, a detenção seria dobrada.

– Eu usaria de mais respeito para falar com o corpo discente desta escola se fosse você, zelador. – exigiu altivamente. O som que saiu da sua garganta não foi o da sua voz, mas de uma muito mais profunda, grave e cavernosa que lhe causou arrepios de estranheza.

Do lado de lá, o barulho arrastado dos passos parou.

– Prof. Snape? Eu peço perdão, eu pensei que fosse alguma peste invadindo a sala… esses diabos metem o nariz melequento em qualquer lugar desse castelo agora…

– Nenhum dano feito. – ela continuou a falar, o cérebro quase fritando com a intensidade da voz do mestre de poções vibrando em suas cortas vocais. – Pode se retirar agora, preciso de concentração no meu trabalho.

– Claro, professor, claro! Com a sua licença…

Os passos se afastaram, e ela caiu aliviada no chão segurando a própria garganta, esperando em silencio sepulcral o clique da porta ao se fechar.

– Isso foi bizarro – disse a si mesma. Ainda soava como Snape, o que a espantou e fez rir ao mesmo tempo. Rapidamente pigarreou, tendo certeza que a sua voz voltara ao normal antes de deixar a Sala de Registros. Ter conseguido reproduzir o timbre exato de Snape, no entanto, a distraiu completamente do fato de que não chegara a olhar a segunda pasta conjurada.

– BD –

– Black!

Congelou no meio do corredor, um arrepio varrendo a sua espinha. Fora pega, isso estava mais do que claro no tom de Holmes. Mesmo assim, se virou tentando não parecer culpada, e esperou placidamente a colega se aproximar pisando duro.

– Devolva!

– Não sei do que está faland–

– Devolva agora o meu distintivo que você roubou durante o jantar enquanto fazia a sua cena. – disse raivosamente. Seu rosto estava vermelho de um jeito totalmente novo, mas não menos interessante. Ruivos. – Eu devia saber que você tinha uma segunda intenção com aquilo! Você sempre tem. Devolva!

Suspirando, Bervely tirou do bolso o objeto entregou a ela resignadamente. Admitir o roubo não deixou Tara mais feliz.

– Pra que queria isso?

– Parece que nunca vamos saber. – deu de ombros, displicente.

– Ah, é? Adivinha o quê? Você acabou de ganhar uma detenção.

Ela riu, incrédula.

– Não pode me dar uma detenção por isso.

– Acontece que eu posso – afirmou, vingança brilhando nos olhos verdes de gato. – Roubar o distintivo de um monitor acontece de ser uma ofensa grave, minha cara. Desrespeito à hierarquia… mas você não me ouve, ouve?

– Ok, Holmes. Me coloque pra esfregar uns caldeirões, se isso te faz feliz. Boa noite.

– Você deveria me levar a sério, Bervely! – a menina gritou para as suas costas, já que ela acabara de se virar e tomar o seu caminho rumo às masmorras – Não vai ser uma detenção leve, aguarde a minha carta!

– BD –

Srta. Black,

Devo alertá-la que não recebi qualquer justificativa referentes à sua ausência das atividades de monitoria essa semana. Esteja ciente de que tratar a Monitoria com descaso pode resultar em suspensão dos seus privilégios e penalidades adversas, bem como a perda do fundo de apoio financeiro do colégio.

À propósito, queira comparecer nesta quinta feira após as aulas no vestiário de quadribol para cumprir a sua detenção. Note que uma observação foi adicionada ao seu histórico escolar, referente ao roubo de material de uso exclusivo da monitora chefe da sua casa.


Prof. Snape.

Na falta de qualquer copo onde afogar a carta desaforada de Snape, ela a amassou numa bolinha e a enfiou no seu tinteiro até que estivesse completamente encharcada.

– BD –

Se a detenção que Tara Holmes lhe arranjara fosse proporcional ao quanto ela estava irritada por Bervely tê-la enganado e roubado o seu precioso distintivo, conseguira deixar isso estava bastante claro. A ruiva usara todo o conhecimento adquirido sobre ela para o mal ao escolher o seu castigo, percebeu, parada ali e olhando para as o quê, centenas de vassouras que haviam dentro daquele pequeno armário?

As suas instruções, que lhe aguardavam num bilhete pregado à porta do vestiário de quadribol, eram bem precisas: Polir os cabos, aparar as cerdas, ajustar o balanceamento de todas as vassouras disponíveis a uso comum e depois guardá-las de volta no armário.

A última vez que tocara numa vassoura ela tinha sido um produto da sua imaginação, e estivera prestes a voar nela para fugir com o seu primo que também era um produto da sua imaginação. Isso era o quanto era íntima de vassouras.

– Eu vou matar você, Tara Romansek. Eu vou matar você tão lentamente que seus gritos vão ficar gravados nas paredes desse castelo e a sua alma agonizante vai se tornar em um poltergeist e você vai ter que virar a namorada do Pirraça para toda a eternidade.

Satisfeita com aquele plano de vingança, começou o seu trabalho, ou pelo menos o que achava que ele era. Haviam cerca de oito tipo de polidores de vassoura diferentes e não fazia ideia da diferença entre eles. Quando entrou no armário, um morcego se assustou e arremeteu contra ela, quase se embolando em seu cabelo na ansiedade de escapar; ela gritou um palavrão para ele.


Tinha sorte, pensou, que nenhum time estava treinando aquela noite. Se por um lado seriam menos vassouras a polir, teria de lidar com garotos lhe vendo ali naquela situação constrangedora e profundamente humilhante. Seria bastante ruim se fossem o time da sua casa, mas se calhasse de ser o da Grifinória

Agarrou a primeira da pilha. Até ela que não conhecia nada de vassouras sabia que aquela era péssima; o cabo estava cheio de farpas, as cerdas pareciam o cabelo de Filch. A cera de polir cheirava a algo muito próximo à seiva de visgo do diabo para o seu agrado, mas mesmo assim ela esfregou o cabo com aquilo. Não ia dar a Holmes a chance de falar que se acovardara diante da sua detenção.
Se distraiu pensando nos muitos jeitos de fazer a colega pagar por aquilo, pelo menos até alguém se aproximar por traz e lhe dar o maior susto da sua vida.

– O que raios você pensa que está fazendo?!

A vassoura foi parar de um lado, e o polidor do outro, e ela gritou um palavrão tão feio que até os piratas do Fera dos Mares teriam ficado corados. Mas quem quer que lhe assustara não ouviu, pois estava correndo para a vassoura e a salvando do chão como se ela fosse um bebê abandonado. Bervely estreitou os olhos para o uniforme de quadribol vermelho e dourado, mas não disse nada porque a cena toda do resgate da vassoura era muito absurdo. O rapaz lhe olhou com marcante irritação.

– Você sabe o que é isso que você está violentando com essa cera de polimento completamente inapropriada?

Bervely mal conseguiu compreender a frase devido ao sotaque pesado dele, intensificado por sua revolta.

– Uma vassoura?

– Uma Vespa 52! – disse, tão ultrajado que sua voz falhou uma nota.

– Ah. – Bervely rolou os olhos; acabara de reconhecê-lo. – Eu devia ter previsto isso. Você é um desses aficcionados por vassouras, né?

O capitão da Grifinória não pareceu receber o título com a mesma conotação que ela lhe doou.

– Eu sou um aficionado por vassouras raras, sim, senhorita. E é meu dever defender uma quando a vejo em perigo.

– Olha, Wood, não enche. Eu não quis ofender sua vassoura, só estou cumprindo a pior detenção do século.

– Polir vassouras é a sua detenção? – ela assentiu, o que só o espantou mais – Que tipo de pessoa passa isso como um castigo?

– Eu vinha me perguntando a mesma coisa – ela observou – Mas provavelmente com uma interpretação diferente.

Ele deu um suspiro apologético. Olhou para a vassoura, depois para ela, e de novo para a vassoura. Então andou até o armário, pescou um frasco de polimento diferente, um conjunto de panos, escovinhas e uma tesoura grande, e se sentou no banco, apoiando a vassoura nas pernas com dura resolução.

– Você pega o polidor apropriado para o tipo de madeira que está polindo, coloca um pouco no pano e esfrega nesse sentido, sempre do cabo para as cerdas, até ficar brilhante, e cuidado com as farpas. Depois é só pegar a tesoura e cortar tudo que estiver fora do alinhamento com a cauda, mas prestando atenção no arranjo original das cerdas para não causar nenhuma deformação. Vê? É fácil. Ali, pegue aquela Cleansweep.

Ela não de moveu qualquer centímetro no lugar para pegar uma Cleansweep.

– O que você está fazendo?

– Vou te ajudar. Sem problemas – fez um aceno despreocupado com a mão – Sou eu quem sempre faz isso. Os outros capitães são incrivelmente omissos com a manutenção do material então sobra pra mim, mas eu não ligo.

– Há. – soltou uma nota incrédula – Nem pense nisso, Wood. Essa detenção é minha.

O rapaz a olhou como se ela fosse louca.

– Eu realmente não ligo.

– Eu ligo, então dá o fora daqui. Posso me virar com as vassouras.

Wood fechou a cara.

– Não vou deixar você sozinha com elas nem em um milhão de anos.

Grifinórios e sua teimosia e cabeça dura, amaldiçoou, puxando tanto ar quanto pode para acalmar os pensamentos homicidas. De cara fechada, pegou outra vassoura da pilha e se sentou ao lado dele no banco, arrebatando da sua mão o polidor que o rapaz lhe oferecia.

Ela precisava admitir que era péssima naquilo. Quando ele fazia, ficava liso e brilhante, mas ela só conseguia deixar tudo engordurado e desigual.

– Ai, mas que droga! – xingou, sacudindo a mão.

– Eu disse pra ter cuidado com as farpas. Deixa eu ver.

Bervely afastou a mão para longe dele tão rápido que seu cotovelo estalou. Em troca, recebeu um novo olhar que claramente a acusava de precisar de uma camisa de força.

– Eu me viro, Wood. Apenas me diga o que eu estou fazendo errado. – exigiu.

Ele suspirou resignadamente.

– Está colocando muito polidor no pano e espalhando errado. E esfregando com muita força, precisa ser suave, senão a madeira absorve mais do que o necessário.

Rolou os olhos; agora tinha que lidar com cabos temperamentais. Obedeceu as instruções e o resultado melhorou um pouquinho, mas aquilo era muito mais difícil do que polir madeira que nunca fora encantada.

– Por que você recebeu uma detenção? – ele perguntou depois de algum silencio. Era o tom de puxar conversa, o sotaque abrandando um pouco.

– Fui uma garota má. – lhe informou sucintamente. Provocou uma risada, o que não foi a sua intenção.

– Mas você não é sempre?

Ela lhe olhou com um misto de surpresa e desafio.

– Você não saberia, não é?

Ele ficou lhe encarando um tempo antes de responder, levemente divertido.

– Não, eu não saberia.

Deixou a vassoura de lado, mas percebeu o olhar de desaprovação dele.

– O quê?

– Ainda não está completamente bom. Por que não fazemos assim, você apara as cerdas e eu faço o polimento? Você tem cara que é boa com uma tesoura.

Ela lhe olhou muito incrédula.

– Sério, Wood, boa com uma tesoura? O que raios isso significaria? Deixa pra lá, sinto que não quero saber. E não, não posso deixar você me ajudar. – completou, indo buscar outra vassoura no armário.

– Por quê? Ninguém precisa saber.

– Não seja ridículo. Se eu deixar você me ajudar vou ficar lhe devendo um favor, e todo mundo sabe que isso é uma péssima ideia dever favor para grifinórios.

Ele estreitou seus lábios e ficou olhando ela polir o cabo de uma Nimbus 400 porcamente; sua expressão de pura dor só crescia. Enquanto isso Bervely conseguiu espetar o dedo com outra farpa, e soltou outro palavrão pouco elegante.

– Tive uma ideia.

– Não estou interessada. – informou-lhe. Por que raios ele ainda estava ali supervisionando o seu trabalho, mesmo? Ah, é, grifinórios e seus narizes intrometidos na vida alheia.

– A gente faz o seguinte: desde que sou eu quem estou pedindo para ajudar, sou eu quem vai te dever um favor por me conceder o pedido.

– Isso é a coisa mais sem sentido que eu já ouvi. Ai, mas que merda! – conseguira espetar seu dedo na terceira farpa apenas segurando o cabo da maldita vassoura. – Vassouras são estúpidas!

– Ela diria o mesmo sobre você se lhe perguntasse – Wood lhe informou, pegando a Nimbus da sua mão com cuidado e alisando as suas cerdas como se ela fosse um bichinho assustado. – Você tem que ser gentil com ela. Vê essa ponteira hexagonal? Modelo único de 1947. Nem sei porque está aqui se acabando, é uma relíquia e merecia um pedestal, aposentadoria e muitos admiradores.

– Só uma coisa pode ser pior que polir vassouras, e eu estou certa que é ouvir o pirado da vassoura a noite toda. Por que está aqui mesmo, Wood? Você não tem uma vida própria pra cuidar? Polir a sua vassoura, talvez, e deixar as do castelo em paz?

Ele riu, mas ela estava muito séria com os seus braços cruzados, parada de pé e olhando para ele no aguardo da resposta. Seus olhos se cruzaram, e as suspeitas mais preocupantes de Bervely se confirmaram. Aquilo não era bom. Um vento frio passou por eles através da porta aberta do vestiário mas ela nem pareceu notar, ainda lidando com a conclusão a que acabara de chegar.

– Você é imune ao frio?

Ela piscou surpresa com a mudança de rumo.

– Por quê?

– Uma brisa mais gelada que o coração de Snape acabou de congelar minha alma, mas você nem tremeu.

Bervely deu um sorriso mínimo e resistente com o canto da boca, desviando o olhar. Wood se levantou, pegou a vassoura que ela tinha dispensado antes e acertou o polimento com movimentos fluidos, amplos e suaves de alguém que sabia muito bem o que estava fazendo. Ela observou o seu trabalho com distração.

– Não é tão gelado assim, sabe. O coração de Snape.

“A não ser em relação a mim nesse exato momento”, completou com amargura. Porque afinal ele concordara com aquela detenção, isso sem falar no teor irritado de sua última carta.

– Bem, então ele deve mostrar um lado para os sonserinos que nós grifinórios não temos a honra de conhecer. – resmungou, azedo.

– Os grifinórios tendem a ver somente o que lhes apetece.


Wood franziu levemente o cenho, mas não disse nada. Ela suspirou em rendição.


– Tudo bem, eu deixo você ajudar. Mas que fique bem claro que me deve uma.

– BD –

– Você já voou numa Saphira 4? Não é especialmente rápida, mas vai mais alto do que qualquer outra. É uma experiência e tanto.

Bervely ergueu a cabeça surpresa, quase se esquecera que ele estava ali. O grifinório polia cada vassoura e lhe passava, então ela aparava as cerdas cuidadosamente, no que se provou uma atividade muito mais distrativa, que conseguia fazer sem receber um olhar atroz dele. Rapidamente perdeu o a noção do tempo, ficando surpresa ao constatar que estavam terminando.


– Não. Eu não voo, na verdade.

– Como assim, quer dizer que nunca voou antes?

– Quero dizer que não voo, nem antes, nem agora, nem nunca. Você não me ouviu antes? Vassouras são estúpidas.

Ele pareceu ter levado um balaço da cara. Foi engraçado ver como a sua expressão viajou de profundo choque para resolução aficcionada no intervalo de segundos.

– Vamos dar uma volta na minha Cleansweep 200 depois daqui.

Ela se assustou um pouco com o brilho alucinado que viu nos olhos do capitão. Claramente decidira que a alma dela estava perdida enquanto não a colocasse em cima de uma vassoura.

– Não vai acontecer, Wood. Nem se anime.

Ele teve uma espécie de convulsão agoniada diante da negativa, que foi um tanto cômica. O brilho apaixonado em seus olhos se intensificou enquanto escolhia cuidadosamente as palavras para convertê-la a sua religião e adorar ao seu deus.

– Okay, me ouça, voar é apenas a coisa mais fantástica que você pode fazer na sua vida, você entende? Não tem nada melhor no mundo que voar, você precisa saber disso!

– Como eu disse – Bervely rolou os olhos – Grifinórios só veem o que lhes apetece. Já lhe ocorreu que o resto dos não obcecados com quadribol podem, talvez, pensar diferente de você?

Ele abriu a boca e fechou, mais ou menos como um peixe de quem fora tirado o oceano. Não, obviamente não lhe ocorrera. Bervely pegou dele a Saphira 4 e deu um jeito nas cerdas rebeldes, a colocando junto com o restante das vassouras no armário e guardando o resto do material em seu devido lugar. Ela não conseguiu tirar do chão a mancha do polidor que derramara, mas não estava muito preocupada.

– Escuta, sobre esse favor que você está me devendo…

– Opa, isso foi rápido. Eu sabia que ia me arrepender, só não que era imediatamente.

– É, grande erro. – riu-se, sacudindo da blusa os pedacinhos de palha que tinham ficado presos.

– Tem uma em seu cabelo – ele avisou, esticando a mão para retirá-la. Bervely se esquivou pela segunda vez aquela noite, ganhando um arquear de sobrancelhas pela sua reação. Passou as mãos pelo cabelo, tentando entender porque as pessoas achavam que era ok invadir o seu espaço pessoal quando bem entendessem.

– Qual o favor, afinal? – ele perguntou com impaciência – envolve minha servidão eterna e um litro do meu sangue?

– Não. Mas na verdade meio que envolve a sua vassoura.

– BD –

Ela o observou voar até lá, esperando que funcionasse. Se fosse pega vagando pelos terrenos da escola após a sua detenção, assaltando a Sala de Registros e usando um grifinório como cúmplice, não só o seu registro escolar iria para o fundo do poço, como também a sua reputação.

Dali há poucos minutos ele voltou e pousou com a vassoura na sua frente, a pasta amarela com aparência de nova na mão.

– Quase fiquei entalado naquela passagem de coruja – sorriu, lhe entregando o documento – quem afinal é esse Sirius Black, algum parente seu?

– Você pode dizer isso – murmurou, distraída, abrindo a pasta – Acho que pegou a errada, isso aqui é de uma primeiranista da Corvinal, Johanne Loren.

– Eu fiz como você falou, Falei “Accio Black, Sirius" e trouxe só a pasta menor que veio até mim.

– Que estranho… deve haver algum erro de catalogação. Não me surpreende, quero dizer, você viu aquele caos? Dá pra perder um Hagrid ali dentro…

Wood deu risada, olhando curiosamente por cima do seu ombro. Bervely corria os dedos sobre as informações da garotinha. Se lembrava dela por acaso; era amiga da garota Lovegood, que quase morrera com a Poção para Adormecer no dia que estivera dando aula ao primeiro ano para substituir Snape. Um rosto esperto, ela tinha, olhos muito pretos, cabelo comprido e igualmente escuro, uma certa arrogância acadêmica que você só consegue se passar tempo demais com a cara enfiada em livros…

Soltou um murmúrio incrédulo quando seu dedo alcançou “filiação”.

Olívio se esticou para ler o que estava escrito, intrigado.

– O que significa?

– Eu posso estar errada – disse, conferindo novamente, e mais uma vez por garantia o nome escrito ali onde o seu dedo marcava a página – Mas de outro modo… parece que eu tenho uma irmã.

– BD –

Srta. Black,


Você não justificou suas ausências anteriores ou se dignou a comparecer à terceira aula de Poções esta semana. Espero que tenha uma
ótima justificativa para o descaso com a monitoria, caso contrário, esteja certa de que penalidades cabíveis serão aplicadas.

Queira se dirigir
imediatamente ao meu escritório.

Professor Snape.

– BD –

Caro professor Snape,

Queira aplicar as penalidades cabíveis à minha omissão/descaso com a monitoria. Eu acredito que para tal o senhor não careça da minha presença física, portanto, eu não estarei me dirigindo ao seu escritório num futuro próximo.

Atenciosamente,


Srta. Black.

(Continua…)

Link do grupo no face

Notas finais
Hello, hello =) Levanta a mão quem está aliviado por ter nossa Bervely proativa e irrefreável de volta o/ o/ o/
Vocês tem muito a comentar, portando não vos deterei! Ninguém tem paciência com notas finais longas mesmo :P 

 PS: Gente que não tá no grupo do face ainda, entra!! Todo mundo é puro amor lá!