Indigna Rosa Negra

41 A Rosa e o Prisioneiro


Notas iniciais
Segura o forninho... e o coração. Boa leitura :*


Depois do raio
A estrela
ainda está lá
Depois do rastro
do raio
Na orelha ainda estala
Na lenha
A língua que o fogo fala

(Arnaldo Antunes)


Ela colocou Black no topo da lista.

Desde que achara a sua ficha, havia uma dormência gelada instalada em seu peito que ela não sabia endereçar.

– Boa tarde, Charlotte. Hoje eu estou ao seu serviço.

Ela demorou meio segundo para entender porque um Quarter de Azkaban estava lhe chamando pelo primeiro nome.

– Ah, Shadowtamer. Boa tarde.

– Theodor, eu insisto. – ele estendeu a mão para pegar a lista dos prisioneiros que seriam avaliados, e ela lhe entregou com a respiração suspensa. – Fiquei sabendo hoje pela manhã da sua promoção, parabéns. Terrível circunstancia, mas ainda assim… é verdade que o corpo do Dr. Fritz foi encontrado ontem?

– O Dr. Fritz foi encontrado. Ele está vivo.

– Oh, desculpe. – o jovem auror passou seus olhos pelos códigos na página e deu um suspiro pesado de reconhecimento. – Parece que começamos pela segurança máxima. Está… tudo bem para você? Se quiser trocar para algo menos…

– Está bom para mim.

Ele assentiu, não falando pelo resto do caminho. Bervely checou distraidamente a chama patronal em seu pescoço, conferindo se estava brilhando forte o suficiente, só por precaução. Mentalmente, repassava o protocolo que vira o Dr. Fritz realizar diversas vezes nas antes, checando em sua memória se colocara todos os instrumentos na maleta. Varinha de diagnóstico, ampolas, a pena e o pergaminho de registro… mantendo a mente ocupada. Se não pensasse nisso, seria forçada a pensar em… outra coisa.

– Eu odeio esse lugar. – comentou o quarter ao seu lado. Já estavam na torre de segurança máxima, ela percebeu, o que era estranho, pois falhara em sentir o frio e a falta de esperança característicos. Ele checou o número da cela de novo e apontou para escadas ao longo das paredes.

Bervely seguiu Theodor com um zumbido em seus ouvidos. Era a segunda vez que visitava a torre, e percebeu que jamais saberia encontrar a cela de Bellatrix, se precisasse. Eram todas iguais, distribuídas entre as paredes, com suas grades e recuos. Os verdadeiros guardas da torre sobrevoavam as celas garantindo que cada um dos criminosos ali se sentissem infelizes e miseráveis o tempo inteiro. Haviam gemidos, haviam murmúrios… mas as pedras de Azkaban absorviam os sons de agonia e desaparecia com eles.


Ela subiu as escadas atrás do Quarter, três lances inteiros, e suas pernas estavam ali, degrau após degrau, mas seu coração estava doze anos no passado.


– Você quer que eu lhe acompanhe…?

– Seguiremos o protocolo, Shadowtamer. – disse por entre os dentes.

Ele assentiu, seus lábios apertados. De acordo com o protocolo firmado entre Azkaban e o Projeto Orcus, os membros do segundo deviam contar com privacidade para realizar as avaliações com os prisioneiros. Apesar disso, os quartéis eram supostos a ficarem à uma distancia mínima da cela para que pudessem agir caso ocorressem problemas. E, durante toda a avaliação, era praxe ficar trancada dentro da cela com o prisioneiro. Por questões de segurança.

– Você sequer sabe quem é esse prisioneiro?

Ela não lhe respondeu.


“Ele tinha um sorriso enorme e o cabelo grande, e era alto de verdade.

– Você se machucou? – perguntou, agora franzindo as sobrancelhas, mas ainda com um ar de divertimento.

– Eunãopossofalarcomestranhos – ela se atrapalhou. Não estava acostumada com adultos sendo gentis. Suas bochechas queimavam, ele era muito muito bonito.

– Muito justo. – ele sorriu e se abaixou, ficando no mesmo nível dela. Esticou uma mão. – Meu nome é Sirius.”


O quarter Shadowtamer sacou a sua varinha e fez o feitiço não verbal que destrancou a cela 390. Era impossível ver qualquer coisa do lado de fora, a não ser escuridão, e Bervely sabia que aquilo era um feitiço; no momento que atravessasse o limite das grades, poderia ver seu interior perfeitamente bem.

– Vá em frente, Srta. Summers.

– Por que vocês não prendem os braços dos prisioneiros dessa ala antes de abrir as celas, como fazem nas outras?

– Não há necessidade. – sua explicação foi econômica, ao abrir magicamente um espaço entre as grades e lhe dar passagem para a escuridão da cela 390.


E a ficha de Bervely caiu. Ela ia, enfim e realmente vê-lo, cara a cara, doze anos depois. Uma dor real de ansiedade perfurou seu estômago e imaginou como seria se, ao tentar dar um passo à frente, desmaiasse.


“– Eu acho que ela está perdida — o homem bonito disse baixo para a moça barriguda. – Entrou aqui correndo sozinha. – ele se virou bondosamente para Bevy – onde estão os seus pais?

– Eu não sei.”


Black era uma massa dobrada no canto da cama suja, um par de olhos escuros estagnados na escuridão.


Era todo roupas imundas e um emaranhado de cabelos em torno de um rosto sem cor. Completamente irreconhecível. Ela tentou dizer para si mesma, com toda firmeza, que Black era nada mais que outro prisioneiro de Azkaban. Se acreditasse nisso… seria mais fácil.

A porta da cela estalou e selou atrás de si, o som seco ecoando no cubículo e arrepiando os pêlos da sua nuca. Ela apoiou seu material de trabalho na ponta da pia de pedra e se aproximou do prisioneiro, tentando fazer contato visual, como mandava o protocolo de avaliação. Ele encarava a parede, os ossos do rosto muito evidentes. Sentou-se ao seu lado na cama; a mão da varinha tremia, a varinha delimitada de exames, aquele palito inútil. A cela fedia a cachorro molhado, umidade, limo e abandono, e como sempre, era possível cheirar a podridão dos dementadores no ar, e também sobre ele.

– Sr. Black… eu sou uma medibruxa contratada pelo Conselho Internacional dos Bruxos para um programa de avaliação das condições carcerárias de Azkaban. Estou aqui para realizar um procedimento de avaliação padrão da sua saúde. Todas as informações coletadas permanecerão em sigilo.


Se sentia uma fantasma; ele não deu sinais de que a estava ouvindo. Mantendo-se tão fria quanto podia, tirou a pena e o pergaminho de registro da sacola. Chupou a ponta da pena discretamente e equilibrou no papel, sem tirar os olhos dele. Não conseguia vê-lo. Não conseguia ver Sirius Black. E havia muito pouco oxigênio naquela cela para respirar.


– Checagem do prisioneiro número 390, dia 19 de julho. Primeira impressão: prisioneiro apático, não faz contato visual, más condições de higiene.


“– Qual o seu nome?
– B-Bervely.
– Nome legal, gosto desse! – disse sinceramente, e depois fez uma cara engraçada – Espera ai, esse é um nome de boneca. Você é uma boneca? – a fitou com desconfiança.
Ela riu, tímida. Ninguém nunca lhe perguntara aquilo, que coisa boba. Então ela percebeu que sabia algo sobre ele também.
– E o seu é nome de estrela.”


Calçou as luvas de exame e, com suavidade, moveu o rosto dele em sua direção, segurando os dois lados de suas bochechas cavadas. Os olhos fundos vagaram através da sua cabeça, sem encontrar os seus.

– Black… – ela chamou baixinho, palavras que a pena não deveria registrar. – Você pode… me ouvir?


Nada. Como Bellatrix, ele não estava lá. Sua alma estava lá?

Atenha-se ao protocolo, uma voz a despertou no fundo da sua mente, a parte dela que não queria se deixar levar pelo desespero. Sabendo o que vinha a seguir, sentiu-se subitamente inadequada.

– Eu vou precisar… – começou a avisar, desconfortável. Mas ele não estava lhe ouvindo.


Respirando fundo e firmando as mãos, ela puxou para baixo as pálpebras inferiores, iluminando seus olhos com a varinha. Puxou para baixo seu lábio inferior e analisou seus dentes. A mucosa ressecada se partiu sobre seu dedo e sangue escuro de Black manchou sua luva. Um nó apertado ameaçou trancar sua garganta, e ela pigarreou, falando para a pena.


– Indício de anemia, resposta ocular lenta.


Os dentes estavam amarelos e encardidos, mas surpreendentemente firmes. Inclinou o mais gentilmente que pode a sua cabeça e puxou o queixo para baixo, iluminando o fundo de sua garganta. Ele não oferecia resistência. Seu corpo estava ali, mas onde estava Sirius Black?


– Me deixe ver suas mãos, Sr. Black. – sem esperar, pegou a mão esquerda dele e espalmou sobre a palma da sua luva, iluminando-a com a varinha.

“– Posso ver?
Bervely tirou a coleira do seu bolso e entregou cuidadosamente para ele.
– Eu acho que quebrou o fecho. Sinto muito.
– Tudo bem, posso consertar. – ela ficou esperando ele pegar a varinha, mas Sirius começou a mexer na peça com as mãos nuas. O cabelo comprido dele caiu em seu rosto, e ele o afastou de forma elegante com a mão enorme – Então, você gosta um bocado de cães?”


Apesar de estar magra, os ossos e tendões saltados e evidentes, a pele apenas uma fina capa sobre tudo, as unhas escurecidas e mal cortadas, e a despeito de as tatuagens da contagem estarem sobre suas falanges, era muito como se lembrava.


– Vou precisar escutar seu coração. – disse, quietamente.

Seu semblante era impassível quando desabotoou a camisa larga do uniforme de Azkaban e a abaixou nos ombros, deixando a mostra seu peito marcado com as tatuagens da prisão. Poderia contar cada costela se quisesse. Ao invés disso, encostou a varinha ao peito do prisioneiro, na altura do coração, olhando mais uma vez para o seu rosto. Ele focava o chão, o cabelo comprido sombreando seu rosto ossudo. – Cor Versat.


A onda do feitiço fluiu da varinha e se espalhou sobre o peito dele. O som das batidas do coração de Black preencheram a cela como um tambor lento, como uma canção pagã antiga. A despeito de qualquer postura profissional que ela quisesse manter, um calafrio tomou sua espinha e todos os pelos do seu corpo se eriçaram, e ela se sentiu fraca e forte ao mesmo tempo. Se fosse possível se afogar num som, ela se afogaria.


Black se moveu bruscamente, se afastando, emitindo um algo como um rosnado, e ela olhou para ele alarmada. As batidas ficaram mais rápidas e ele ficava visivelmente inquieto, a respiração se acelerando.


– Está tudo bem, Sr. Black – ela disse rápido, esticando a mão para ele – É apenas o seu ritmo cardíaco. O senhor precisa se acalmar para que eu verifique se há alguma arritmia.


Mas ele puxou seu braço bruscamente, torcendo os dedos no processo.


– Srta. Summers – o quarter chamou, da porta da cela – Está tudo bem?


– Sim – se apressou em responder – Tudo sob controle.


Black continuava se afastando, e esfregou o peito nú com força com uma das mãos, emitindo algo entre um esgar e um rosnado.


– Sem problemas, podemos fazer isso depois. – disse, apontando a varinha para ele. – Finite Incantatem.


A cela ficou silenciosa. Black voltou a sua imobilidade. Bervely percebeu que não estava respirando e puxou ar, sofregamente.


– Reação de ansiedade diante do som de seu ritmo cardíaco. – citou para a pena, uma vez recuperado o fôlego. Ela ainda tinha mais uma coisa para fazer ali, mas não tinha certeza se conseguiria, não depois daquela reação. – Sr. Black, eu preciso de uma amostra do seu sangue.


Tirou da bolsa a ampola de vidro comprida e hermeticamente fechada, que tinha uma espécie de tubo acoplado à sua abertura, e que se afinava até virar uma fina agulha. Ela se aproximou dele com movimentos lentos, e pegou seu antebraço esquerdo, virando-o e apoiando as costas da mão de Black em sua perna. Puxou a manga para cima, era uma tarefa fácil, desde que estava muito folgada em seu braço.


Não havia Marca Negra no braço dele, e ela se deu conta de que esperara encontrar uma. Então talvez o Lord não o tivesse considerado um servo digno da sua marca, no fim das contas. Não tinha confiado nele o bastante?


Enfiou a agulha firmemente no vale interno do seu braço, encontrando a veia. "Sugatum", proferiu, e o sangue de Black começou a preencher a ampola, viscoso e escuro. Ele não reagiu. Quatro ampolas depois, ela tinha sangue o suficiente.

Antes de sair, olhou para ele mais uma vez, cada célula do seu corpo implorando para que ele olhasse de volta, dentro dos seus olhos, e lhe provasse que restava qualquer resquício do homem que conhecera no passado.

Quem era Sirius Black agora, doze anos de encarceramento depois?

Nada. – murmurou, largando a mão pesada dele, e virando as costas.

– BD –


– E então, como foi com esse?


– As avaliações são sigilosas, Shadowtamer. – ouviu sua voz dizer, em modo automático.


– Ora vamos, Black não é qualquer prisioneiro. Dizem que ele é o bruxo mais perigoso daqui. É claro que temos os piores, mas ele é completamente louco, ele explodiu uma rua inteira, sem nem querer saber quem estava ao redor. Ele matou trinta e sete pessoas no mesmo dia.


Eles se aproximavam da saída da ala de segurança máxima. Bervely dava passadas amplas, achando que seus pulmões iam explodir.


– Os jornais só contabilizaram treze. Não levaram em conta os que ficaram feridos e morreram depois. Muita gente foi envenenada pelo vazamento de gases trouxas dos tubos que estouraram, quando ele explodiu a rua.


Após o par de guardas que delimitavam a saída da segurança máxima, havia um longo e claustrofóbico corredor. Era mal iluminado e de teto baixo, e naquele momento estava certamente se fechando ao seu redor, centímetro por centímetro.

– Você foi corajosa de entrar lá sozinha. Na sua época de seguidor de Você Sabe Quem, dizem que ele nem precisava de uma varinha para fazer um estrago.


Bervely parou de andar quando pontos escuros dançaram em frente aos seus olhos. Ela apoiou a mão na parede gelada e fechou seus olhos, reconhecendo sinais de pressão baixa.

– O que está errado? – ele se alarmou, parando ao seu lado.

– Eu só preciso de um minuto.

– Vamos até a enfermaria.

Seu corpo todo se rebelou à ideia de consumir qualquer grama de chocolate.

– Não há necessidade.

– Tudo bem, a segurança máxima pode ser bastante…


Ela fez um gesto sutil para que ele se calasse. Ela precisava, desesperadamente, colocar seus pensamentos em ordem. Sentia que se não retomasse o controle agora, talvez fosse impossível fazê-lo mais tarde.

– Black está em Torporis Animae. – disse para si mesma. Não esperava que ele soubesse o que significava, na verdade, estava desconsiderando que o quarter ainda estava ali.


– Dementado, você quer dizer? – para a sua surpresa, ele negou imediatamente. – Impossível.

Bervely abriu os olhos e os pousou nele, querendo entender de onde vinha toda aquela certeza de repente.

– A não ser… a não ser que isso esteja na ficha de Black. O curandeiro da prisão faz avaliações de tempos em tempos. – completou, pensativo.

– Ele está irresponsivo.

– Isso pode significar muitas coisas. Vocês… fazem coleta de sangue, certo?

Ela não fazia ideia de para onde aquela conversa estava indo. Supostamente não deveria fazer revelações sobre o protocolo do Projeto Orcus para qualquer pessoa fora dele, mas, porque se importaria? Assentiu.

– Ótimo. Venha comigo, há algo que podemos fazer para tirar a dúvida.


– BD –


Bervely não esperava que Azkaban tivesse um laboratório de Poções. Ela certamente não esperava que fosse o mais bem equipado desde o de Abraxas Malfoy na Normandia.

– Eu teoricamente não poderia lhe trazer até aqui, então, agradeço se puder ser discreta sobre isso.

Estava ocupada demais em deslumbramento, para se lembrar de ser discreta. Seus olhos bebiam cada armário de ingredientes, cada coleção de instrumentos dispostos em suportes nas paredes, e especialmente uma série de caldeirões tão grandes que poderiam abrigar alunos do primeiro ano inteiros dentro deles.

Tinha, é claro, uma certa dose de desconfiança a respeito de porque Shadowtamer estava de repente interessado em ajudar. As duas possibilidades eram igualmente alarmantes: ele poderia estar agindo por ordens de Gavril Romansek, e então, ela não podia confiar em suas intenções de verdade. Ou ele poderia não estar sob ordens de Gavril, o que o colocaria automaticamente em perigo, se alguma coisa o incidente do raio lhe ensinara.

– Me deixe ver uma das amostras do sangue do prisioneiro. – ele estendeu a mão. – Sei um jeito de descobrir o que há de errado com ele.

Como houvesse qualquer possibilidade de ela entregar o sangue de Sirius Black para um completo estranho.

– Não.

Ele franziu as sobrancelhas.

– Qualquer coisa a ser feita com o sangue, serei eu a manipulá-lo. – completou inflexivelmente.

– Sem querer ofender, Srta. Summers, mas você teria de ser uma exímia preparadora de poções para conseguir os resultados que precisamos. – havia um tom de descrédito na voz dele, que foi como um gancho afiado repuxando em seu orgulho.

– Seja lá qual for a poção que tem em mente, eu tenho bastante certeza que posso me virar, Shadowtamer.

Ele ficou – Bervely percebeu – pessoalmente desafiado com a sua resposta. Surpresa com a reviravolta inesperada em seu dia, ela o assistiu ir até um dos baús no fundo do laboratório e abrir sua tranca com outro feitiço não verbal. Theodor trouxe um livro até o balcão, de onde se aproximaram. Sua capa era vermelha descarnada, e a aparência, antiga. O título lhe deu a indicação de que talvez não estivesse escrito em sua língua materna: La Voix Du Sang.

– A Voz do Sangue. – traduziu, evocando um francês precário de sua infância de aulas com Narcissa.

– Conhece?

– Não.

– É uma relíquia de família. – ele explicou orgulhosamente. Mas o sobrenome do autor não era Shadowtamer. Quando ela leu o nome, não pode evitar arregalar os olhos de surpresa.

– Você é descendente de Agrippa?

– Por parte de mãe.

Ela não pode evitar encarar Theodor com novos olhos, realmente impressionada. O que um descendente de um dos mais famosos alquimistas de todos os tempos, Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim, estava fazendo em Azkaban?

– Eu pensei que você era um auror.


– Eu jamais poderia assumir os negócios da família do meu pai se fosse “apenas um pocionista” – disse as últimas palavras com ironia.

– Qual o seu interesse em provar que Black não está “dementado”? – exigiu, cruzando os braços. Realmente odiava o termo.

Ele exalou longamente, deixando as suas pálpebras caírem, rendido.


– Você é uma bruxa muito desconfiada.

– Pode apostar que eu sou.

– E é possível que eu esteja prestes a cometer um grande erro ao confiar em você.

Ela ergueu uma sobrancelha para ele.

– Somos dois, Shadowtamer.

O quarter assentiu vagarosamente. Considerando a extensão do seu erro, talvez, e os riscos. E decidindo-se.

– Não seria… interessante se você colocasse em seu relatório que Black está dementado.

– Interessante para quem? – sondou, desconfiada.

– Para a prisão, Srta. Summers. Para os… negócios. Eu não sei se você sabe, mas esse prisioneiro em especial pertence a uma família com certo nome, na comunidade bruxa. Se é que você me entende.

Bervely inclinou sua cabeça, interessada. Aquele dia só ficava mais e mais estranho.

– …E por uma infeliz coincidência, no sábado você e o Dr. Fritz avaliaram uma bruxa desta mesma família, que não está exatamente em suas melhores condições no momento. Se certos membros do Conselho Internacional dos Bruxos compararem essas avaliações eles podem ter a ideia, hum, a ideia de que não estamos dando a devida atenção às condições básicas de saúde mental dos nosso prisioneiros.

– Essa não seria uma ideia de todo errada, seria? – perguntou com uma contração sutil de sarcasmo.


– Não é tão simples… alguns deles sucumbem aos dementadores, não importa o que se faça. Mas Black… – ele capturou seus olhos, certeza em seu rosto. – Black certamente não é um deles, Charlotte. Será que você poderia, por favor, me deixar provar isso?

Ela assentiu, apesar de guardar as suas desconfianças. Queria que ele estivesse certo. Precisava.

Cerca de uma hora depois, havia uma poção translúcida no caldeirão sobre a mesa. Apesar de ter um milhão de questões sobre o seu preparo, Bervely guardara silencio e se concentrara em observar a técnica de Theodor, acompanhando seus movimentos através dos ingredientes e instrumentos como quem acompanha uma dança. Um Agrippa em Azkaban, continuava repetindo de novo e de novo em sua mente… quais as chances? Em suas habilidades, ele honrava o nome. Como se tivesse nascido para aquilo… ela se perguntou se era assim que se parecia, quando fazia poções em Hogwarts, ou ainda no laboratório de Snape. Se havia qualquer parcela da graça com que Theodor se movia em torno do caldeirão…

Termitéria está pronta.

Ele a serviu numa taça comprida, e um cheiro ocre de ferro alcançou seu nariz. Estendeu a mão.

– Sangue?

Lhe entregou uma das ampolas, receosa.

– O que acontece agora?

– Pingamos uma gota do sangue na poção… se Black tiver se rendido aos dementadores, a liquido deverá se tornar negro. Se não tiver, ela se tornará um branco leitoso.

Ele fez como disse, e Bervely acompanhou com apreensão. A gota de sangue floreou dentro da poção, se dissipando… e a tingindo de vermelho escuro como se fosse nanquim.

– O que significa? O que vermelho quer dizer?

Theodor encarava a taça bastante surpreso com o resultado, até mesmo tinha ficado mais reto no banco para analisá-la. Pegou o recipiente e o colocou contra a luz, depois cheirou profundamente. Quanto mais demorava de responder, mais apreensiva ela ficava.

– Shadowtamer, o que significa o poção ter ficado vermelha? – exigiu, quando ele pousou a taça no balcão novamente com todo o cuidado.

– Significa… que Black está fingindo. Vermelho reflete uma surpreendente quantidade de energia contida.


Um fio de esperança ousou se desenrolar do emaranhado de suas expectativas frustradas, e ela lutou contra o impulso de abafá-lo, travando uma briga interna entre insistir e se se machucar mais, ou desistir e nunca saber.

– Eu quero voltar lá. Vou fazê-lo falar, dessa vez.


– BD –

Pela segunda vez naquele mesmo dia Bervely se viu dentro da ala de segurança máxima de Azkaban, indo em direção à cela de Sirius Black.

— Seja cuidadosa — Theodor recomendou, a deixando entrar. — Se qualquer coisa fugir do controle...


— Eu grito. — ela garantiu. — Não se preocupe, eu não estou indefesa. — indicou o bolso da capa, onde guardara a varinha de exames. Havia um único feitiço de defesa que ela realizaria em caso de emergência, e que tinha o feitiço de um pequeno choque paralisante.


Black não esboçou reação quando ela se aproximou, como antes. Ela pigarreou, enchendo-se de coragem, preparando a voz segura e eficiente que uma medibruxa seria suposta a usar:


— Olá novamente, Sr. Black. Vou precisar coletar informações adicionais para o seu exame. Também tenho algumas perguntas.


O prisioneiro permaneceu imóvel, sua cabeça baixa, a expressão fora de alcance. Resignada, pensava em como o levaria a reagir à sua presença. Sacou a varinha de exames, lembrando-se que o feitiço para tornar seu coração audível tinha lhe arrancado um rosnado mais cedo, e deu um passo à frente, pronta para lançar o feitiço... Salvo que, quando estava perto o suficiente, a mão dele voou em seu pescoço e Black jogou todo o peso do seu corpo contra ela, a pressionando na parede oposta à cama. Seu rosto era feroz, e os dedos magros e compridos fechando-se como garras de ferro em sua garganta.


Pega de surpresa, Bervely não emitiu sequer um murmúrio. O olhar no rosto dele era assassino, e ela sentiu um medo real de morrer, pela primeira vez em sua vida. "Meu pai vai me matar", delirou, encarando os olhos de Black e vendo nada mais que escuridão, "Depois de tudo, Sirius Black será o meu assassino."


Tentou erguer a mão da varinha, mas como se lesse o seu pensamento a outra mão dele voou em seu pulso e o esmagou contra a parede. Os olhos dela se encheram de lágrimas com a dor lancinante; ele não pareceu notar.


— Diga o que você realmente quer aqui — rosnou, colado ao seu rosto — Quem enviou você?


Ela não podia responder qualquer coisa com a mão dele cortando a sua respiração. À medida que o suprimento de oxigênio em seu cérebro diminuía, uma dor insuportável invadia sua cabeça e a impedia de raciocinar. Sentiu que desmaiaria em poucos segundos.


— Você é um deles? Uma maldita... — Black puxou a manga esquerda da sua roupa, abrindo um rasgo. A ausência da Marca Negra o pegou de surpresa, e com mais um olhar desconfiado, ele a soltou bruscamente.


Ela cambaleou e sugou ar, engasgando e tossindo, segurando a garganta com as mãos tremulas. Black esperou, as narinas infladas, colérico o suficiente para atacá-la de novo se precisasse.


— Responda. — exigiu friamente, a voz cavernosa.


— Eu não sou uma Comensal, se é o que está perguntando. — ofegou, se sentindo além de tudo, ultrajada. — E ninguém me enviou.


— Então o que está fazendo na minha cela?


— Meu trabalho.


Black avançou de novo, e por reflexo se encolheu, mas ele socou a parede ao lado da sua cabeça, rosnando perto do seu rosto.


— Não minta pra mim, garota. — sibilou — Eu tenho uma sentença de prisão perpétua, não perco nada em matá-la agora mesmo.


Ela ainda tremia, mas afinal conseguira o seu intento. Tinha a atenção de Black.


— O que te faz pensar que estou mentindo? — perguntou suavemente.


— Eu sinto o cheiro da sua mentira em torno de você. — ele ameaçou, parecendo realmente farejá-la enquanto estava tão perto. — Eu eu odeio mentirosos.


Ela estava anestesiada. Extasiada. O tom de ameaça na voz de Black não significava nada perto do fato de que ainda havia dentro dele tanta vigorosidade e força.


— Eu precisava saber se você estava vivo. — admitiu, pregada à escuridão dos olhos dele como uma afogada — E agora... Agora eu sei.


— Que isso importa à você?


— Tudo. Aquele dia, no Beco Diagonal, aquela memória... Salvou a minha alma.


Bervely sabia que ela não estava fazendo qualquer sentido, mas não se importava. Sequer importava o fato de que o prisioneiro em sua frente tentara lhe matar, e talvez tentasse novamente. Talvez houvesse algo de errado com ela. Talvez com todos esses dementadores em sua cabeça, há tanto tempo, ela estivesse louca...


— Não faço ideia do que está falando, garota. Tenho certeza que nunca a vi antes na vida.


Ela sorriu, fechando seus olhos. Deixando Charlotte ir, e vestindo seu próprio corpo. Se perguntando, enquanto voltava a ser ela mesma, se ele a reconheceria… se ele lembraria. Encontrou espanto no rosto de Black, ao vê-la mudar, e depois... Assombro. E ele falhou em perguntar como uma memória podia salvar uma vida.


— Black, eu...


— Se afaste de mim.


Ela o olhou sem compreender.


— Você sabe quem eu sou? — a esperança em sua voz ardia.


— Fique. Longe. De mim.


As mãos dele tremiam, os punhos firmemente fechados, bem como seus dentes amarelos.


— Aquele dia na sorveteria — recomeçou, atrevendo-se a insistir, apesar dos avisos de seu corpo, que a alertavam para fugir dali o quanto antes. — Eu sei que você desconfiou...


— VÁ EMBORA!!


Ela arfou, paralisada em choque. O quarter apareceu imediatamente e Bervely quase não teve tempo de erguer o disfarce em torno de si; se não fosse a escuridão enfeitiçada da cela, ele teria percebido seu cabelo preto e curto se tornando longo e claro.


— Já chega, Charlotte, saia da cela. — ele mandou com autoridade na voz, mas também preocupação. — Os dementadores estão ficando agitados.


Ela deu uma última olhada para o prisioneiro, mas ele se recolhera na escuridão, fora de alcance.


— BD —


— Você está tremendo.


Que ele prestasse atenção em suas mãos, e assim não olhasse para o seu pescoço, pensou Berverly esperançosamente. O local onde a mão de Black se fechara ainda pulsava dolorosamente, e com certeza ela teria vergões vermelhos de cada um de seus dedos na próximas horas, que se tornariam roxos nos próximos dias.


— As coisas saíram um pouco do controle. — admitiu, grata que estavam fora da ala de segurança máxima. Não sabia o quanto mais de ranço de dementador poderia respirar naquele dia.


— Ao menos agora você sabe que Black não está dementado.


— Sim. Ao menos.


Estava tão distraída que não percebeu a direção que Theodore estava lhe levando; só notou onde estavam quando se deu com as portas duplas de metal com o símbolo da medibruxaria.


— Até uma medibruxa precisa de cuidados de vez enquanto. — lhe disse com um sorriso leve, e ignorou o nascente protesto dela, abrindo a porta para que entrasse. Através de uma clarabóia alta dentro do espaço, Berverly viu um pedaço do céu noturno, enquanto Theodor procurava algo no armário de suprimentos.


— Droga. Perdi o último barco.


— Pretendia ir ao hospital visitar sua irmã hoje?


— Quê? Não. — estava surpresa que ele se lembrasse.


Theodor se aproximou e lhe ofereceu uma nova chama patronal brilhante. Ela notou só naquele momento que a sua estava quase apagando. Enquanto trocava o artefato mágico, percebeu que ele não usava uma em torno do seu pescoço. Tentou se lembrar se já o vira usando um antes.


— Você pode ir embora amanhã cedo e passar o dia com ela. — ele sugeriu em tom de conversa, indo servir o que ela sabia ser um copo de chocolate quente. — Supondo que ela ainda está lá, quero dizer. Agora você faz os seus horários, e ninguém jamais dirá que não merece um descanso, depois de um dia como hoje.


Ele lhe entregou o copo, para o qual Berverly tentou não fazer uma grande careta. Quando deixasse o Projeto Orcus, ela jamais veria chocolate com bons olhos novamente. E por melhor que fosse o doce contra os efeitos dos dementadores, nada fazia em relação à sua dor de cabeça, ou aos machucados em seu pescoço, que escondera com os cabelos e a gola do casaco.


— E você, como volta pra casa? — perguntou, querendo pensar em outra coisa senão no quanto seu dia fora "cheio".


— Já estou em casa.


Ela quase engasgou com a bebida.


— Não me diga que mora aqui em Azkaban.


— Não na fortaleza, na ilha. — ele deu de ombros — São ossos do ofício, manter os dementadores sob controle é meio que um trabalho em tempo integral.


— E ainda assim, você não parece muito afetado por eles. — observou afiadamente.


Theodor deu um sorriso vago e prontamente mudou de assunto, recolhendo o copo vazio das mãos dela.


— Você deve estar com fome.


— Não me diga que além de um laboratório de poções altamente equipado, Azkaban tem uma cozinha gourmet. — zombou, incrédula.


— Há uma cozinha de onde coisas supostamente comestíveis saem para os prisioneiros algumas vezes por dia... Mas eu não usaria gourmet, é uma palavra forte.


— BD —


Bervely tinha perguntas. Um milhão delas.


Deitada naquele muito precário quarto de descanso que Azkaban oferecia para os funcionários, ela fitava o teto de pedra e tentava lidar com uma dor de cabeça que só piorava. O quarto não tinha mais que cinco metros quadrados, uma cama dura, uma pia, uma clarabóia alta por onde só conseguia ver um pedaço do céu nevoento. Não havia grande diferença dele para uma das celas, a não ser a presença da uma porta ao invés de grades.

Ela não conseguia imaginar passar doze anos da sua vida em um lugar como aquele… mal podia lidar com a ideia de ficar uma noite. Como teria sido… doze anos… inteiros… sem ver a luz do dia? Sem escolher uma direção e andar por ela? Sem notícias do mundo do lado de fora?

A dor de cabeça torturava o fundo dos seus olhos. Não ajudava o fato de que estava repassando incessantemente as poucas palavras que Black lhe direcionara, e tentando descobrir o significado implícito através delas.


Eu sinto o cheiro da sua mentira em torno de você.
Se afaste de mim.
Vá embora.


Ele tinha lhe ouvido? Queria a sua distância por causa de quem ela era, ou sequer era capaz de lhe reconhecer, de se lembrar?

Revirou-se desconfortável na cama, que como o todo o resto, podia muito bem ser feita de pedra. Levou a mão ao pescoço… a pele estava quente, fervendo.

…não perco nada em matá-la agora mesmo.


Podia sentir a força de seus dedos como se eles ainda estivessem ali, lhe estrangulando.


Black está fingindo…
…uma surpreendente quantidade de energia contida.


Azkaban estava corroendo seus nervos. Havia tanto medo ao redor, tanto medo do no ar, no ar literalmente, medo era o que ela respirava, no entanto… por que seu coração não parava de bater descompassado, não porque estava aterrorizado, mas porque ela se sentia…


Eufórica?

Um som de batida a despertou; Bervely nem notara que tinha pego no sono, e levantou atordoada para abrir a porta. Era Theodor; ainda com o uniforme cinza chumbo, como se nem tivesse ido para cama. Havia algo errado, ela percebeu. Sua expressão dizia claramente que algo fugira do seu controle.

– É o prisioneiro 390… eu acho que a agitação das suas visitas fizeram algo com ele.

– Algo…?

– Eu chamaria a curandeira do turno, mas pra ser honesto… – Theodor estava sem jeito – Eu teria de explicar o que fizemos hoje, incluindo a poção e sua segunda visita, e eu preferia não ter que…

– Apenas diga o que está acontecendo com Black! – exclamou, nervosa.

– Venha comigo, eu te explico no caminho.

– BD –

Um dia ela tinha lido em algum lugar que os corvos podiam sentir quando um animal estava à beira da morte. Lembrava particularmente de uma ilustração em uma clareira, corvos sobrevoando em círculos um hipocampo moribundo, crocitando ansiosos… famintos pela sua carne.

Assim eram os dementadores: eles sabiam bem se uma alma estava vulnerável. Quando, pela terceira vez no dia, Bervely se aproximou da cela de Sirius Black na ala de segurança máxima de Azkaban, ela presenciou uma dezena de dementadores espreitando a cela e ficou horrorizada. Eles estalavam e rufiavam ansiosos, excitados, loucos por um pedaço da essência do prisioneiro.

Shadowtamer conjurou seu patrono; um falcão translúcido, que abriu uma passagem entre as criaturas, mal conseguindo contrapor a força de sua influência. Preocupada em chegar logo à Black, ela ignorou os ecos das piores lembranças da sua vida ao entrar na cela e correr até o prisioneiro.


Black gemia e se contorcia sobre a cama, como se estivesse sob a mira de um Cruciatus. Ela se ajoelhou ao lado dele; queimava de febre, um contraste em relação à mais cedo, quando sua pele estivera quase gelada; os olhos se moviam frenéticos sob as pálpebras fechadas.


Em Azkaban, prisioneiros ficavam presos em pesadelos o tempo todo. Qualquer momento de vulnerabilidade poderia ocasionar aquele fenômeno mágico, no qual o bruxo não conseguia acordar, mergulhado em terríveis memórias e enfraquecidos pelos efeitos dos dementadores ao seu redor. E quanto mais o pesadelo se prolongava, mais excitados ficavam os dementadores, e maior a sua influência, criando assim um ciclo de tortura sem fim. Na melhor das hipóteses, pesadelos duradouros contribuíam para deixar os prisioneiros cada vez mais loucos…

Ela sacou a varinha. Mal percebera que Theodor também entrara na cela, deixando seu patrono em frente às grades para impedir os dementadores de entrar; o feitiço lançava ao cubículo um brilho prateado.

– O que vai fazer? – ele perguntou, observando seu movimento.

Ela nem ouviu, não podia, não quando seu coração batia tão forte em seus ouvidos que estava lhe deixando surda.

Eu o deixei vulnerável, pensou, surpresa. Mas Bervely não era uma medibruxa de verdade, e em seu momento desesperado, havia uma única coisa que ela podia pensar em fazer. Encostou a varinha na têmpora dele, vendo o seu rosto se contorcer… por alguma razão, a dor dele era a dor dela. Já ficara presa em um pesadelo antes, e fora ele a resgatá-la… ela lhe devia isso, precisava…

Nautemerus Exumai – murmurou. Um feitiço sobre o qual havia lido, mas nunca realizara antes. Não devia ser complicado… como esperava, conseguiu puxar com a varinha uma linha sinuosa e escura de dentro da cabeça dele; pesadelos eram como fios de tempestade. Ela o guiou para a própria têmpora, e o fragmento entrou em sua mente, provocando mesma sensação de cérebro congelado que se tinha quando bebia algo gelado rápido demais.

O prisioneiro, por sua vez, se acalmou imediatamente; mas Bervely sabia que não bastava. Se deixasse aberto o buraco de onde retirara aquele pesadelo, outros rapidamente o preencheriam. Cuidadosamente, selecionou e retirou a lembrança de um sonho da sua própria cabeça e o persuadiu através da têmpora de Sirius Black. Aquela memória era um amuleto… os dementadores não se atreveriam a tomá-la.

(Continua…)

Vamos nos Indignar juntinhos: Indigna no Face

Notas finais
Capítulo pequeno, claustrofóbico, notável. E isso é só o começo… Que pesadelo terá Bervely retirado da mente de Sirius? Comentários, por que SIM, mas do que nunca! Go, go, go!