Indecisões

3 Capítulo 2


Notas iniciais
Mais um!

Aos poucos tomei consciência de que havia amanhecido, mas meu cansaço não me deixava levantar. Me enrolei ainda mais no edredom, mesmo sem estar frio, e virei em direção à parede.

-Te acordei? –a voz de Jacob sussurrou em meu ouvido. Algo no meu subconsciente gritava para que eu acordasse. Forcei minhas pálpebras a se abrirem e lá estava ele, me olhando com um rosto inocente.

-Jacob? –minha voz saiu grogue. Como ele podia estar aqui? Isso só podia ser mais um dos meus sonhos. Pisquei uma vez, para ter certeza. Ele me olhava sorrindo, talvez percebendo minha confusão interna. –Jake, Jake, Jake. –o abracei forte, repetindo pra mim mesma seu nome. –Você chegou. –sussurrei. Ele continuou sem falar nada, enquanto eu estava com o rosto em seu peito. Inspirei profundamente, relembrando seu cheiro. Tal cheiro que nunca sai da minha mente. Meus olhos instantaneamente se encheram de lágrimas.

-Você está chorando? –por fim ele disse, sentindo sua camisa molhar. Neguei rapidamente. –Hey, -ele puxou meu rosto para si e me beijou –estou aqui! –ele sorriu.

-Eu sei! –retribui o sorriso e o abracei mais forte. –Senti sua falta.

-Eu também, meu amor. Muita, nem sabe o quanto. –ele me aninhou.

-Pensei que não fosse vir hoje.

-Desculpe por não ter ligado nem atendido seus telefonemas ontem. –o olhei surpresa. –Jane contou.

-Ela não perde uma oportunidade. –disse

-E então, minha bela adormecida. Não vai levantar para ir à escola, não? –ele perguntou.

-Eu não. Que tal ficarmos aqui? Eu e você. Só nós dois, matando a saudade.

-Pensei que tivesse combinado com as garotas de chegar às seis e meia na escola. –ele disse despreocupado, enquanto mexia em meu cabelo. –Por isso que Bella pediu que eu te chamasse.

-Tem razão, mas que horas são? –perguntei pensando que ainda fosse cedo, cinco e meia, talvez.

-Seis horas.

-O que? –pulei da cama –Como assim? –o olhei assustada. Eu não ia conseguir me arrumar tão rápido. Ele sorriu. –Para de rir, não tem graça. –joguei nele a primeira coisa que vi.

-Hey! –ele levantou e me envolveu em um abraço apertado. –Calma estressadinha.

-Calma? Eu só tenho trinta minutos, então deixe eu me arrumar. –tentei sair de seu abraço. Ele me deu outro beijo. Dessa vez mais intenso. Não consegui resistir e retribui. A saudade era grande demais para que eu pudesse negá-lo um beijo. –Não é justo. –falei arfando.

-Por que? –ele me soltou

-Porque você me desconcentra. –disse desnorteada. Entrei no closet em busca de uma roupa. Eu já tinha encontrado tudo o que queria, só faltava minha sapatilha. Eu a procurava por cada canto daquele closet, enquanto Jacob me observava. Ele parecia está se divertindo. Eu sabia que a qualquer momento Ever ligaria aqui para casa, fazendo o maior drama, dizendo que não cumpri com o combinado.

-O que está procurando? –ele perguntou finalmente.

-Minha sapatilha preta. Eu a usei antes de ontem, mas não lembro onde coloquei. Tem que estar aqui em algum lugar. –suspirei frustrada.

-É esta? –ele balançou um belo par de sapatilhas pretas.

-Não vou comentar sua atitude. –tomei-as de sua mão. –Agora já pode ir. – o empurrei, mas ele não se moveu. –Jacob, eu preciso banhar e você está me atrapalhando.

-Tudo bem, tudo bem. Mas antes, outro beijo. –ao invés de um beijo, dei-lhe um selinho.

Fui para o banheiro e fiz minha higiene. Vesti uma calça jeans justa e pus uma blusa vermelha de manga longa. Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo, deixando a franja solta. Calcei a sapatilha. Coloquei a mochila por cima do ombro e parei mais uma vez em frente ao espelho. Era isso. Hoje começava, novamente, o ano letivo. Eu estava ansiosa. Para rever os amigos, os conhecidos, e saber o que espera por mim esse ano. Além de que, Jane e Alec estudariam conosco. Olhei o relógio que marcava seis e dezesseis. Fui mais rápida do que o normal.

-Bom dia família! –disse ao entrar na cozinha, onde estavam todos em volta da mesa.

-Bom dia. –responderam. Dei beijinhos em cada um e fui me sentar ao lado de Jake.

Tio Jasper e tia Alice conversavam animadamente com tio Emmett e tia Rose. Alec e Jane conversavam com meus pais e bebiam sangue em copos. Vovô lia o jornal e vovó estava preparando panquecas. Eu estava tão feliz, tão completa. Tendo uma família de dar inveja a qualquer um e um namorado maravilhoso. Me servi com chocolate quente, enquanto Jake devorava as panquecas.

-E aí queridos, preparados para o tão esperado dia de hoje? –vovô perguntou deixando o jornal de lado e voltando sua atenção à Jane e Alec.

-Nem um pouco. –Jane sorriu sem graça.

-Estou um pouco ansioso. –Alec apertou a mão dela, tentando reconfortá-la. Papai sorriu, talvez com os pensamentos deles.

-Vocês têm tudo para se darem bem na escola. Não há com o que se preocuparem, certo Edward? –vovô disse.

-É claro, Carlisle. Apenas relaxem e divirtam-se. –papai respondeu

-E você querida, tudo bem? Está tão calada hoje. –vovó perguntou, sentando-se ao lado de vovô.

-Sim, estou bem. Com um pouco de sono, talvez. –revirei a xícara em minha mão e bebi mais um pouco de chocolate.

-E aí Bells, preparada para ser, oficialmente, a mais nova médica de Washington ao lado do seu maridão? –Jacob perguntou e fiquei tensa instantaneamente. Não é um assunto no qual eu goste de falar. Mamãe sendo médica significava, não ir mais à escola comigo; não ter tanto tempo disponível para mim e isso me incomodava. Não só ela, mas papai também. No dia em que viajei para Forks, eles se formaram, juntamente com tio Emmett e tia Rose; antes trabalhavam como estagiários, mas agora é praticamente em tempo integral. Seria tão estranho sem tê-los por perto.

-Quando começarão? –tentei disfarçar meu descontentamento, mas eles perceberam.

-Hoje. –papai respondeu. Ele me observava, tentando decifrar o que se passava em minha mente.

-Legal. –abri um sorriso, querendo parecer feliz.

-Jacob, quero que tenha cuidado redobrado com Nessie. Não estarei lá para vigiá-la. –papai pediu.

-Sempre cuido, Edward. – ele disse.

-Não preciso de babá. –disse e os dois me encararam.

-Não vou ser seu babá. Sou seu namorado e vou cuidar de você como um garoto deve cuidar de sua namorada.

-Sei disso, mas só porque papai não vai à escola conosco, não significa que terá que cuidar de mim de forma redobrada. Não sou tão frágil assim. –continuei com minha voz calma, não queria iniciar uma discussão.

-Me preocupo com você e farei qualquer coisa para te manter segura. E não venha com essa história de que não é frágil e que sabe se cuidar, porque todos nós sabemos pelo que você já passou por causa das suas irresponsabilidades. –ele rebateu

-Desculpe, mas não foi irresponsabilidade. Quer dizer que tenho que adivinhar se alguém está tentando me seqüestrar ou fazer algo do tipo? Não sou papai, muito menos tia Alice. –meus pais observavam em silêncio.

-Mas se ouvisse pelo menos um de nós, você não correria tanto risco assim.

-Olha, eu estou me controlando para não discutir com você. Porque eu, sinceramente, espero ter um dia perfeito, mas você não está contribuindo nem um pouco. Se esforça pelo menos, ta legal? Me faz esse favor. –ele deu de ombros.

-Nessie, ficará bem sem nós. Terá Alec, Jane, Alice e Jasper, além dos seus amigos. Não será tão ruim assim. Anime-se. –mamãe disse, mas não respondi.

Terminei minha refeição em silêncio e fui para meu quarto escovar os dentes. Ao descer, Jacob me esperava no carro. Alec e Jane iriam com meus tios.

Jacob parou o carro no mesmo lugar de sempre. Eu não havia referido nenhuma palavra a ele durante todo o caminho. Fiquei magoada com o que ele disse. Irresponsável, eu. Até parece que tudo que aconteceu de ruim comigo, foi devido à minha falta de responsabilidade. Continuei em meu lugar, parada, olhando através do vidro.

-Renesmee. –ele começou –Me desculpe, ok? Não queria ter agido com grosseria, sabe disso. Só que eu me preocupo com você e parece que você não está nem aí para sua segurança. Vivemos em um mundo sobrenatural, onde qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento. –ele pegou minha mão e beijou-a. Suspirei. Como ele poderia ser tão convincente e estar, ao mesmo tempo, certo? –E a propósito, não tinha reparado no quanto está linda hoje.

Abri um sorriso. Ele sabia como ser convincente e mudar meu humor ao mesmo tempo.

-Não houve diferença alguma. –me olhei.

-Você sabe ser irônica. –ele sorriu e me puxou para um beijo. Agora estava mais intenso, as emoções se misturavam. –Mas fica linda de vermelho. –disse quando paramos para respirar –E aí, vai me desculpar?

-Só desculpo por que não consigo ficar com raiva de você por muito tempo. Mas tenha certeza que eu estava com uma vontade enorme de dar um soco em você.

-Sou irresistível, não é?

-Muito. – o beijei. Minutos depois, bateram no vidro.

-Sempre tem alguém para atrapalhar. –Jake resmungou. Eram Ever e Cinthia com Alef e Rhuan.

-Nessie! –elas gritaram assim que saí do carro e me abraçaram forte.

-Oi garotas. –Jacob foi conversar com os garotos. Eu os cumprimentei rapidamente. –Como estão?

-Ótima! –Cinthia respondeu –Você não sabe da nova...

-Qual é?

-Eu e Alef estamos namorando! –seus olhos brilharam de alegria.

-Desde quando? Por que não me avisou? –perguntei incrédula.

-Desde a virada do ano. –respondeu.

-E tentamos falar com você. Muitas vezes! –Ever disse, parecendo irritada. –Se atendesse o celular, não é? Quando ligávamos, caia sempre na caixa postal. Deixamos inúmeras mensagens.

-Como não atendeu nossos telefonemas? –Cinthia reclamou.

-E não nos ligou? Ou não somos nada para você ou há uma boa explicação para tudo isso. –Ever completou.

-Amo vocês, sabem disso. Na verdade, eu perdi meu celular. E andei muito ocupada para me preocupar com algo. – Olhei para Jake e ele me observava. Logo elas entenderam o significado de minhas palavras.

-Não! –gritaram juntas. Eu comecei a rir com a atitude delas. Os garotos nos olharam espantados.

-Não, não, não e não. Não acredito! –Cinthia sussurrou abismada e as duas me abraçaram ainda em estado de alegria.

-Quando? –Ever perguntou.

-Uma semana depois da festa. Fui para Forks com Jane e Alec, nós conversamos e ficou tudo bem.

-Tudo bem? Ficou tudo ótimo! Vocês estão namorando? –ela perguntou mais uma vez.

-Sim.

-Eu sabia que ele era loucamente apaixonado por você. –Cinthia disse. –Mas falando em Jane e Alec, onde estão? Você disse que eles iriam estudar conosco esse ano.

-Devem estar chegando.

Ficamos ali mesmo, no estacionamento, conversando em um banquinho junto com os garotos.

-Acho que está na hora de irmos, pombinhos. –tia Alice chamou ao se aproximar.

Fomos em direção ao prédio da secretaria. Cinthia, Ever , Alef e Rhuan foram direto para sala. Como sempre, todos nos olharam, principalmente os novatos. Os veteranos deram uma espiada básica e mantinham sua atenção em Jane e Alec. Apesar de toda essa atenção ser, infelizmente, algo rotineiro, eu ainda não tinha me acostumado totalmente com isso.

‘’Quem são eles?’’ –uma garota perguntou

‘’A baixinha, o louro, a de cabelos castanhos e o moreno alto, fazem parte da família Cullen. Os outros não conheço, o Sr. Cullen deve ter os adotado.’’ –um veterano respondeu.

‘’É lógico que os loirinhos devem ser parentes’’ –um garoto respondeu à uma pergunta.

‘’Novatos na família.’’ –outro concluiu.

‘’Eles adotam todo ano? Se for assim quero ser adotada também.’’ –uma garota sussurrou para sua amiga.

‘’Gatinha a loirinha. Aposta quanto como eu pego ela daqui para o final do ano?’’ –um garoto comentou sobre Jane. Alec fez cara feia. Sorri. Eles teriam que se acostumar com muita coisa. Assim que entramos na secretaria, suspirei aliviada. Ainda ouvíamos os comentários, mas não precisávamos fazer cara de que estava tudo bem e que não estávamos ouvindo nada. Percebi que Alec e Jane mantinham a respiração presa.

-Já podem respirar. –disse e os dois respiraram profundamente, imediatamente trincando os dentes. Tio Jasper ficou tenso. –Não era com tanta intensidade. –mordi o lábio inferior.

-Tudo bem. Vão se acostumar com o tempo, mas por enquanto, não respirem no ritmo normal de um humano, porém não deixem que ninguém perceba que não estão respirando. –tia Alice sussurrou rapidamente. – Jasper querido, acalme-se. Não vai acontecer nada. –ela lhe deu um beijo na bochecha e ele suspirou pesado.

-Desculpe, tio. -pedi

-Sem problemas. Tudo sob controle. –ele respondeu

Pegamos nossos horários que estavam praticamente idênticos. Alec e Jane teriam sempre aula com um de nós, por precaução. Nos separamos e fomos para os corredores onde ficavam nossos armários.

-Está preocupada com algo?- Jake perguntou

-Alec e Jane. –suspirei- E se eles não conseguirem? Eu estava tão confiante, mas agora veio a insegurança.

-Relaxe. Vai ocorrer tudo bem, meu anjo. Alice deve ter visto o futuro deles mais de umas mil vezes. Não há com o que se preocupar. –ele me abraçou.

-Jacob! –sussurrei engasgada. Um novo cheiro invadiu o ar. Nós percebemos no mesmo instante. Ele me apertou e olhou atento ao nosso redor.

-Não reconheço o cheiro. Acalme-se. –ele pediu ao ouvir meus batimentos cardíacos acelerarem; mas eu podia sentir seu corpo começar a tremer. A cada segundo Jacob ficava um pouco mais quente que o normal. O abracei. Nosso inimigo estava próximo. Meus olhos percorreram o vasto corredor à procura de um vampiro desconhecido.

-Vamos sair daqui. –pedi. Eu já estava ficando aflita.

-Nada disso. –ele me segurou. -Precisamos saber quem é.

-É praticamente impossível. Tem muitas pessoas... –interrompi minha fala quando um garoto alto, de cabelos castanhos, esbelto, passou por nós. Seus olhos eram cor de caramelo assim com os da nossa família. Ele vestia calça jeans, tênis preto, uma camisa branca e por cima uma jaqueta de couro preta. O garoto nos encarou, claramente percebendo nossa diferença em relação aos outros, mas logo desviou o olhar, passando direto.

-O que ele faz aqui? –perguntei.

-Não sei, mas precisamos avisar a Edward e a Jasper que temos companhia. –ele virou em direção ao prédio do meu tio. Continuei em meu lugar. –O que? –ele arqueou a sobrancelha.

-Meu pai? –engoli em seco

-É claro.

-Não!

-Por que? É o que devemos fazer.

-Agora não. Papai vai fazer uma confusão. Além do mais, não sabemos com quem estamos lidando. Não sabemos se ele está sozinho ou porque ele está aqui. Talvez seja melhor tio Jasper falar com ele. Precisamos conhecer o terreno em que estamos pisando. Não podemos nos precipitar. –eu disse calma. Talvez ele não fosse uma ameaça.

-Tem razão. –Jacob concordou e no mesmo instante o sinal tocou.

Fomos em direção a nossa primeira aula, que foi tranqüila. Informei à tia Alice o ocorrido por mensagem e tio Jasper achou melhor falarmos com o garoto socialmente e depois ‘’convidá-lo’’ para uma conversa amigável. Ao contrário dos outros eu estava controlada e não me sentia ameaçada. Ele parecia tão inofensivo.

-Vampiros enganam. E muito bem. –Jacob disse interpretando meus pensamentos.

-Você é melhor que papai para me desvendar. –sussurrei

-Algumas coisas são óbvias demais. –dei de ombros

Entrei em minha sala para a última aula antes do almoço. E para minha surpresa, o jovem vampiro com o qual eu tinha me deparado naquele corredor, estava sentado em um canto afastado da sala. Imaginei porque ele escolhera aquele lugar. Não tem autocontrole suficiente para interagir com humanos? Se não tem, porque veio à escola? Ao perceber minha presença, seu olhar analisou meu corpo da cabeça aos pés e me acompanhou até a carteira. Tentei parecer o mais natural possível, mas não consegui. Os alunos, ainda animados com a volta às aulas, encheram a sala em questão de minutos, mas nenhum amigo meu aparecia. Ótimo. Essa seria uma longa e torturante aula. Depois do que pareceu uma eternidade, o Sr. Barner, professor de história geral entrou.

-Sr. Brian. –ele olhou para o fundo da sala e inconscientemente segui seu olhar. Ele se referia ao garoto.

-Sim, professor? –Brian respondeu com sua voz cautelosa.

-Poderia aproximar-se de seus colegas de classe, sentando-se ao lado da Senhorita Renesmee? –congelei em meu lugar. Ao meu lado? Não, obrigada.

-Com maior prazer professor. –ele sorriu levemente e sentou-se ao meu lado. –Olá. –ele me cumprimentou.

-Oi. –sussurrei, forçando meus lábios a se mexerem para que as palavras saíssem. O professor começou a falar e voltei minha atenção a ele. Finalmente o sinal tocou e comecei a jogar minhas coisas dentro da mochila. Eu estava com pressa.

-Será que eu poderia acompanhá-la até o refeitório? –Brian perguntou.

-Até onde eu sei, pessoas como você não se alimentam com comida humana. –tentei ser indiferente. Ele sorriu.

-Parece que você sabe muito sobre mim. Não precisa ter medo.

-Não tenho.

-Bom, eu sei que você é diferente. Uma híbrida, se não estou enganado. –dei de ombros –Talvez devêssemos nos conhecer melhor.

-Talvez em outra oportunidade, quem sabe. –respondi fria.

-Temos muitas semelhanças. Há quantos de você aqui? Quem era aquele garoto? –ele começou a me questionar.

-Calma. O novato aqui é você. Tenho certeza que algumas pessoas vão gostar de conhecê-lo.

-Não quero confusão. –ele levantou os braços na defensiva.

-Não terá. –pequei a mochila, me afastando dele.

-Aonde? –ele perguntou

-Não se preocupe. Será avisado. –sai às pressas. Apesar de parecer calma, minha cabeça girava com tantos pensamentos, minha respiração agora estava irregular. Me sentei em um banco no corredor. Eu precisava me controlar, Jacob estava me esperando. Ele não podia me ver nesse estado.

-Nessie? –Jacob apareceu do nada e sentou-se ao meu lado. Me recompus rapidamente. –Está tudo bem? Você demorou, então vim procurá-la. Aconteceu algo?

-Estou bem. Não aconteceu nada, só Brian que estava na minha sala. –disse cautelosa enquanto seguíamos para o refeitório.

-Quem é Brian?

-O vampiro novato. –ele engasgou, parando no meio do caminho e me segurando nos ombros.

-Ele fez algo com você? Foi por isso que demorou? –sussurrou nervoso.

-Não fez nada. Nós apenas conversamos. –respondi com o mesmo tom de voz, na tentativa de mantê-lo controlado.

-Conversaram? E você diz isso nessa calma toda?

-Ele não parece perigoso. Concordou em conversar com tio Jasper.

-Tão facilmente? –concordei. –Não quero você com ele, tudo bem?

-Mas Jacob... –tentei argumentar, mas ele me interrompeu.

-Nada disso. Não sabemos nada desse garoto. Quero distância entre vocês dois. -bufei. –Por favor Nessie, prometa que não vai deixa ele se aproximar de você.

-Jacob. –mordi o lábio inferior. Como eu podia prometer isso a ele? Era tão difícil não querer se tornar amiga do garoto. Ele parecia tão inofensivo, tão sozinho. Jake percebeu minha reflexão interna.

-Por favor. Pelo menos tente. –seus olhos eram suplicantes.

-Eu vou tentar. Prometo. –concordei levemente com a cabeça. –Agora, disfarce essa expressão preocupada. –sorri.

Ao entrarmos no refeitório, percebi que algo tinha mudado. Havia uma mesa maior no centro, onde estavam meus amigos e alguns dos meninos que jogavam no time da escola. As mesas ao redor, estavam como sempre, compostas pelos mesmos grupos.

-Hum, olha ai pessoal, o casal mais perfeito dessa escola finalmente chegou! –Cinthia agiu com teatralidade. –Quer dizer, o segundo mais perfeito, porque o primeiro é formado por mim e pelo meu amor. –todos sorriram.

-Oi pessoal. –Jacob cumprimentou. –Obrigado pelo elogio Cinthia.

-Mas então, a que devemos a honra de sentar com os garotos mais cobiçados desse colégio? –perguntei.

-Nessie, para você não é honra alguma já que nos conhece. –Damon disse e me deu um forte abraço. Cumprimentei a todos e sentei ao lado de Jake que conversava com Alef.

-Isso mesmo. Acho que a honra é nossa de sentar com vocês. –Stefan falou. –Eu já estava cansado se sentar apenas com homens. Iam pensar o que de nós? –ele sorriu.

-Pelo menos todos têm bom humor. –Ever disse.

-O que? Imaginou que éramos chatos? –Ivan perguntou.

-Não, mas não imaginei que eram piadistas. –sorrimos.

-Bom, queria apresentar a vocês Anne, Liz, Carol, John e Josh. Eles são novatos e John e Josh já estão no nosso time. –Damon os apresentou a mim e a Jake. Ao que parecia, Liz namorava com Josh e Carol namorava com John.

-Espero que gostem da escola. Sejam bem-vindos. –sorri gentilmente, eles apenas concordaram com a cabeça.

-Mas então Jacob, pelo visto as férias foram bastante proveitosas. –Ivan provocou.

-Claro, claro. –Jake colocou seu braço por cima de meu ombro.

-Qual é Jacob, seja homem! Vocês estão juntos ou é só mais uma das loucuras de Cinthia? –Stefan perguntou. –Ela já fofocou.

-Eu não sou louca. –Cinthia rebateu. Eu sorri.

-É claro que estamos juntos. Sou um homem de compromisso sério. –Jake me deu um selinho.

-Só eu que estou sobrando aqui? –Ivan reclamou indignado. –Não acredito! –sorrimos

-Não temos culpa se você não arranja ninguém. –Damon disse.

-Sem problemas. Anne está solteira também. –Josh informou.

-Josh! –Anne o repreendeu.

-Calma irmãzinha, só não quero que fique para titia. –ele sorriu e ela rolou os olhos. Eu não tinha percebido a semelhança entre os dois. Ambos eram louros, de pele clara. Os olhos de Anne eram de um verde mel e os de Josh eram azuis. Ela tinha um rosto extremamente delicado, com bochechas rosadas e lábios cheios, mas proporcionais a ela.

-Com a beleza de Anne é impossível que fique para titia. –disse

-Obrigada, Nessie. –ela agradeceu.

-De nada. De onde vocês vêm? –perguntei

-Somos de Los Angeles. Josh e eu morávamos lá desde os seis anos, já Liz e Jonh, que também são irmãos, foram para lá com oito anos. Carol é uma amiga muito próxima, aí ela acabou se envolvendo com Jonh.

-Por que vieram morar aqui?

-Nossos pais. Mamãe é empresária e papai engenheiro. Estamos viajando o tempo todo. –ela suspirou.

-Por isso que você não tem um relacionamento sério? –deduzi.

-Sim. Para Liz e Josh é fácil, já que nossos pais são sócios. Carol é emancipada legalmente e foi praticamente adotada por nós. Para eles não é difícil viver viajando, vão estar sempre juntos. Eu sou um caso a parte. Josh diz para eu relaxar, que um dia vou encontrar a pessoa certa. Ele é um ótimo irmão, mas minhas esperanças estão acabando. –com ela dizendo tudo aquilo para mim, sem ao menos me conhecer direito, ficou claro que o que ela mais precisava nesse momento era de alguém para desabafar. E eu estava disposta a ajudá-la. –Meu último relacionamento foi um fracasso, ele sabia que eu ia embora e não estava disposto a continuar o namoro a distância. No dia que fui encontrá-lo para me despedir e dá um fim a tudo, eu o vi beijando outra garota. Foi horrível, mas quer saber? Isso me ensinou que todos os homens são iguais e não vai existir um que queira ficar comigo por amor, apenas pela beleza e vai ser sempre do mesmo jeito. Eles vão curtir o tempo que estivermos juntos e assim que eu me mudar, vão correr para o braço de outras.

-Não pode pensar dessa forma. Nem todos são iguais. Você diz isso porque ainda está magoada, mas um dia seu príncipe encantado vai aparecer. E enquanto ele não aparece, apenas curta vida. –sorri

-Boa idéia. –ela retribuiu o sorriso –E então, quando vai ser a próxima festa?

-Ainda temos que combinar. Quem sabe nesse final de semana?-sugeri. Ela voltou a conversar com Liz e Carol; eu fui conversar com os outros. Alec, Jane e meus tios não apareceram. Talvez estivessem resolvendo algo. Tia Alice apenas me mandou uma mensagem avisando que iriam para casa mais cedo. Achei estranho, mas não questionei.

O dia passou rápido. Não reencontrei o garoto vampiro, pareceu que ele havia sumido. No final, eu me sentia exausta e só o que desejava era chegar logo em casa.

-Pronta para chagar em casa? –Jacob perguntou enquanto íamos em direção ao estacionamento.

-É tudo o que eu mais quero nesse momento.

-Muito cansada?

-Sim. Mas foi um ótimo dia. –sorri. –Eu já estava sentindo falta de toda essa confusão.

-Tem razão. –Nos encostamos no carro. -Mas sabe do que eu mais sentia falta? –ele colocou uma mecha solta do meu cabelo atrás da orelha.

-Não. O que?

-De você. –ele me puxou para um beijo. Havia saudade nele. Coloquei meus braços ao redor do seu pescoço, enquanto ele segurava firme minha cintura. –Do seu olhar, do seu sorriso, do seu cheiro, das suas mãos, de tudo. –ele continuou.

-Você demorou pra voltar. Pareceu uma eternidade.

-E você demorou pra perceber que eu te amava. Era tão angustiante te ter por perto, mas ao mesmo tempo tão longe. –ele afagou meu rosto. –Pode ter demorado, mas quando eu sinto você perto de mim, esqueço todas as inseguranças do passado. Porque estamos juntos e isso é o que realmente importa. –ele sussurrou em meu ouvido com seu rosto colado no meu.

-Nada, nunca, vai nos separar. Não importa o que aconteça, meu coração sempre vai ser seu.

-As barreiras, venceremos todas. Porque nosso amor é forte e resiste a tudo.

-Eu te amo, Jacob Black. –o beijei.

Notas finais
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Beijos.