Incógnita: Sexo, Drogas e Rock N Roll
14 Violão
Notas iniciais
INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL
By Amanur
Capítulo 14 — Violão
Acho que não foi só eu que sentia o vazio que o emo tinha deixado dentro daquela casa. Foi quase um golpe de estado a notícia que o miserável tinha nos dado, assim, de uma hora para outra, essa aí, de resolver deixar a banda. É!
Nós tentamos continuar com nossas rotinas, como se nada tivesse acontecido. Repito: tentamos. Por que o Naruto não parava de choramingar pelos cantos da casa.
— Ele é uma estrela que brilha, brilha, lá no alto, e nós um bando de estrelas cadentes!
— Naruto, se você repetir isso mais uma vez, eu juro que faço de você uma estrela cadente, chutando a sua bunda pra lua. — Neji ralhou — A única coisa que brilha naquele imbecil são os cabelos. — senti um pinguinho de invejinha caindo no meu ombro — Nós não precisamos daquele idiota! Nós somos muito mais do que um tecladista. Nós somos uma banda com vários instrumentistas e uma vocalista da hora. — da hora? Hora de quê? Err — Somos INCÓGNITA, porra! — e ele ainda bateu no peito, cheio de orgulho, enquanto amoreco berrava lá da cozinha um “yeah!”.
Aí, sem mais nem menos, Sai aparece e dá um tapa no peito do cabeludo também. Naturalmente, ficamos encarando ele, esperando por uma explicação.
— Eu só queria tocar o seu peito também. — ele diz assim, bem sério.
Eu entendia ele, pelo menos. Ahém.
Os dias iam se passando entre entrevistas individuais em canais de rádio que ninguém ouvia, ou pequenas aparições na televisão, em canais que ninguém assistia, ou então para revistas que ninguém lia. Err. E Itachi dizia que estávamos no augue. No auge do fundo do poço, só se fosse. Por que, né, estávamos tão fundo no poço, que já fazíamos trança na Samara.
Ahém.
Para me distrair nos dias em que não havia nada para nós, enquanto pensávamos em como contornar o problema com a gravadora, já que nosso amado e querido estúpido tecladista saiu da banda antes de o contrato encerrar, resolvi ter algumas aulinhas de violão, enquanto voltava a praticar aulas de canto. Mas o meu primeiro dia foi bem estranho. A começar pela a surpreendente companhia do Cabeludo um.
Pois veja bem, lá estava eu, bem feliz, cantando uma música enquanto ligava o motor do meu jipe, para ir para a primeira aula...
— O mamute pequenino queria voar
tentava e tentava e não podia voar
uma pombinha, sua amiga
tentou lhe ajudar e do quinto andar
fez ele pular.
(o que aconteceu)
Merdaaa, o mamute virou merda
Merdaaa, o mamute virou merda...*
Ahém.
Como eu ia dizendo, eu estava ligando o motor do meu jipe de manhã cedo quando, de repente, Neji senta ao meu lado. Até aí tudo bem, porque eu adorava ficar na companhia dele. Ainda mais quando ele usava aquele perfume maravilhoso que funcionava quase como um ímã, me fazendo querer pular em cima dele, e agarrá-lo, e arrancar suas roupas, apalpá-lo e pular em cima daquele... cavalinho de pau para lhe dá um beijinho de boa noite.
Ahém.
Mas como eu ia dizendo, lá estava ele. Vestido de mulher. Com batom, rímel, saia e blusa de alça.
Olhei para o teto do meu carro como se pudesse ver Deus ali.
— Por que, Deus, porque eu tenho de dividir oxigênio com eles?
— É perigoso lá fora, princesa. — ele explica, entre os dentes, como se estivesse incomodado com isso também. Aí, é claro, suspeitei.
— Acho que corro mais perigo aqui dentro de casa... Mas deixe-me adivinhar, isso é mais uma ideia brilhante do Carneiro, não é?
— Se ele é brilhante, você é um gênio, princesa. — vou ignorar o que ele poderia querer deixar implícito com aquilo — A boa notícia é que eu trouxe roupas minhas para você também. — e então ele tira de dentro da mochila, que só então percebo que ele carregava nas costas, uma calça jeans, uma camiseta e um boné masculinos.
Só não entendi de onde ele tirou a ideia de que aquilo era uma boa noticia... Err. De qualquer forma, dei uma boa olhada na calça dele. Os joelhos estavam rasgados e tinha uns detalhes desbotados.
— Você comprou essa calça rasgada?
— Claro.
— Por quê? — aquilo me parecia tão absurdo!
— Por que é legal! Você não acha legal calça rasgada?
— Só não entendo porque gastar dinheiro com uma calça já rasgada e desbotada, quando você pode rasgar qualquer calça velha naturalmente desbotada.
— Tsc-tsc. Princesa, você não entende de moda. — e ele dizendo isso, vestido com aquelas roupas e maquiagem, não soavam nem um pouco estranho, né?
— Eu não entendo é a burrice alheia. — isso sim.
— O que disse?
— Eu disse que meu olho está com areia! — err.
E ele, bem prestativo, ainda se deu ao trabalho de assoprar a minha cara. Quanta fofura. Err.
— Não podemos sair na rua sem um disfarce, princesa. Você mesma já comprovou isso, quando saiu com o Lee, lembra?
— Esses disfarces não são nem um pouco suspeitos...
— Pula logo lá pra trás, enquanto eu dirijo.
E então, como se eu não passasse de um saquinho de batatas, ele me tira do meu banco e senta no meu lugar passando por cima de mim. Por mais que eu goste de ver seu bumbum, achei aquilo uma afronta, sabe? Como ele ousa passar tão rápido por mim? Ahém.
No fim das contas, me troquei no banco de trás, colocando a camiseta dele por cima da minha blusa, e tive que tirar meu short para vestir a calça dele. Mas como eu disse, não foi nada suspeito um cara alto, cabeludo, com ombros largos e braços musculosos vestido numa saia e top sair de um jipe pequeno, ao lado de uma criatura pequena de cabelos cor de rosa (por mais que eu tentasse esconder a juba dentro do boné, dava para ver meus fios coloridos) em roupas tão grandes que eu tropeçava nas barras da calça.
A sensação que eu tinha era de que um dia eu tinha sido grandalhona, e de repente encolhido ali dentro.
Mas mais impagável do que isso, era a cara da atendente da escola de música, junto com os outros alunos, quando nos viram entrar. Parecia que ela estava vendo um pônei unicórnio perneta e ciclope voando na frente dela.
— Pois não? Precisam de ajuda? — nos pergunta, assim que volta ao planeta. Err.
— Você sabe de alguma boa casa espiritual que possa limpar o meu karma dessa macumba? — perguntei.
Ela deu duas piscadinhas, enquanto Neji, em todo o seu vozeirão, me cutuca de canto.
— Nos inscrevemos para aula de canto e violão. — ele diz.
Aí, olhei para ele.
— Você quer aprender a cantar?
— Seria massa. — deu de ombros.
Achei suspeito.
Mas depois de a moça confirmar nossos nomes nas inscrições — depois de confirmar com outra atendente de que estava enxergando bem nossos nomes em nossas identidades — entramos na sala.
Enfim, com o tempo, o pessoal se acostumou com nossas aparências bizarras. Afinal, toda vez que saíamos em público assim, o carneiro nos obrigava a nos fantasiarmos. Argh. Eu ainda estava esperando por algum policial nos pararmos no meio da rua para nos prendermos por desacato aos olhos dos cidadãos. Afinal, deveríamos estar ferindo os olhos alheios com aquelas aparências medonhas mesmo. Err.
Mas como eu ia dizendo, o meu primeiro dia de aula foi estranho. O professor era um cara legal, mas dizia umas coisas sem pé nem cabeça. Ele distribuiu violões para todos os alunos (havia cerca de cinco, pois ele só dava aulas para pequenos grupos mesmo) e foi nos ensinando a manuseá-lo. Até aí, eu estava bastante confiantes dos meus conhecimentos, pois já estava careca de ver como os meninos seguravam suas guitarras e baixos. Sem falar que também já tinha visto o Naruto e o Neji tocar violão. Então, lá estava eu convicta de que tiraria nota 10 nos primeiros ensinamentos.
Até ele dizer essas coisas estranhas, isto é.
— Antes de começarem a tocar um violão, vocês precisam aprender a posição correta em que se deve segurá-los. Então, comecem da seguinte forma: Coloquem o corpo no colo, e segurem o braço na mão direita.
— Moleza! — Neji disse, e eu concordei.
Aí, o cabeludo se deitou no meu colo e esticou o braço para eu pegá-lo. Eu achei estranho, mas foi o professor quem disse, né.
Então, vimos que todos os alunos nos olhava estranho. Digo, já era estranho estarmos lá vestidos daquele jeito, agora imagem o Neji vestido daquele jeito e no meu colo com um braço esticado para o alto.
Ou não imaginem, se preferirem. Err.
— O que estão fazendo? — o professor nos pergunta.
— O que o senhor mandou fazer, ora essa. — Neji responde, e eu balancei a cabeça concordando, é claro.
— Eu estou falando do violão!!! Vocês não sabem nem como se chama cada parte de um violão??
— Ahhhhh! — eu e o cabeludo dissemos. Duhhhhhhhh.
Tentamos disfarçar nos espreguiçando.
Err.
E dei um tapa na cabeça do cabeludo assim que o professor se virou de costas resmungando.
— Você toca guitarra há anos e não sabe o que é um corpo e um braço? — sussurrei entre os dentes pro idiota.
— Isto — e ele aponta para si — É um corpo. E isto — e passa a mão no outro braço — é um braço. Acho que esse professor é quem não sabe de nada, princesa. — ele me diz assim, bem sério.
Sei...
Sei que estou perdida nesse mundo, isso sim.
Aí, o restante da aula foi mais fluída, mais compreensível. Err. Mas assim que chegamos em casa, fui correndo até o loiro mais lindinho do planeta.
— Naruto, Naruto, me diz uma coisa... — ele estava na cozinha, comendo um hamburger com uma bola de sorvete por cima. Achei melhor apagar aquela imagem da memória — Escuta essa: estamos na aula de violão...
— Estamos? — indaga ele, olhando em volta.
Revirei os olhos.
— Hipoteticamente. — resmunguei.
— Ah, bom.
— Então, estamos numa aula de violão...
— Hipoteticamente! — repete ele, orgulhoso.
— Uhum. E o professor nos diz: coloque o corpo no colo, e segure o braço na mão direita. O que você faria? — pergunto eu, em minha genuína e inocente esperança de que haveria, pelo menos, um bom conhecedor do seu instrumento. Digo, no sentido literal, é claro. Ahém.
Quero dizer, alguém, naquela casa, deveria saber o que estava fazendo, né?!
Enfim, Naruto cerrou os olhos, contraindo o cenho, meio pensativo. Achei que estivesse se perguntando algo do tipo “será que ouvi bem mesmo?”. Mas vai ver ele estava mesmo se perguntando isso.
— Bom, isso é simples. — sorri, dizendo aleluia!Finalmente! — A única coisa que se pode fazer, numa situação dessas é dizer que aquele professor está bêbado. Sakura, pensa comigo, não tem como uma pessoa colocar o próprio corpo no colo e ainda esticar o braço esquerdo pra segurar na mão direita, ora essa! Por mais que a pessoa seja uma contorcionista, é fisicamente impossível!
Fui até um cantinho da cozinha e bati a testa contra a parede, três vezes.
Enfim, como eu ia dizendo, inevitavelmente, o Itachi tomou o lugar do maninho super querido no teclado. A ideia veio, surpreendentemente, do Kiba.
— O cara ganhou prêmios...
— Roubados. — digo eu, como quem não quer nada.
— Ganhou concursos... — ele insistiu.
— Por que se deitava com as juradas. — disse Naruto.
— E estudou a vida inteira sobre música.
— Correção: — diz Amoreco — Estudou a vida inteira sobre o corpo feminino.
— Triste verdade. — murmura Sai, num cantinho.
— Mas que coisa séria! Vocês querem fazer o favor de deixar o meninu falar?! — o próprio carneiro interrompe — Bando de mal educados. Continue, Kiba, continue a me elogiar.
Err.
— Enfim, o que eu quero dizer é que precisamos de um tecladista, e precisamos para ontem! E o Itachi é a nossa única opção. Digo, Salvação.
— Estamos condenados. — Neji diz. E todo o resto concordou.
— Ei, eu toco muito melhor do que o Sasuke! Vocês vão ver só.
— Toca punheta? — pergunta Shikabum.
— Também, também...
Err.
É, estávamos ferrados.
Enfim, nossa primeira apresentação, com o Itachi no teclado, aconteceu uns três meses depois da saída do emo. Que, à propósito, ficamos esse tempo todo sem noticias dele...
Mas como eu estava dizendo... Havia algo estranho acontecendo com o Itachi. Apesar de ele nunca ter sido muito de se misturar conosco nas nossas bebedeiras, depois dos shows que fazíamos, ele ficou ainda mais estranho... Para não dizer suspeito, isto é. Então, lá estávamos encerrando um show numa outra casa noturna. Era um local pequeno, fechado, havia espaço para pouco público. Parecia bacana, como um show íntimo. O palco ficava bem próximo da plateia e ainda havia um barzinho aos fundos, de modo que o pessoal tinha liberdade para beber enquanto ouvia nossa música, transitando de um lado para o outro. Conseguíamos ver todos os rostinhos lá. Inclusive do nosso amado groupie, que acenavam sem parar para nós, com cartazes nas mãos. Eu sorri empolgada, por ter nossos primeiros fãs com cartazes nas mãos, feitos especialmente para nós, com suas mensagens fofas.
Isto é, até ler algumas delas.
“Sakura gostosa!Sua linda e curiosa.” — hihi. Bom, alguém tinha que dizer isso, algum dia, né?! Argh. Fiquei pensando o que ele quis dizer com aquilo.
Outro cartaz dizia:
“Gaara ruivo, sua bateria é como um uivo.” — é mesmo?
“Neji guitarrista. Você ainda vai ser um cientista” — brilhante.
“Naruto do matinho.” — em referencia ao nosso pequeno acidente no matinho — “Eu já vi o seu pintinho.”
Olhei para o loiro. Ele olhava com cara de bunda para o cabeludo dos chifres tatuado, que segurava o cartaz no meio da música animada.
Eles eram uns gênios mesmo.
Só que não.
Enfim, mais algumas músicas depois, lá estava eu, sentada num banquinho de frente para o microfone, cantando uma música acústica para encerrar. Amoreco não estava mais tocando bateria, estava no meio do povo bebendo junto com Lee , Sai, Kiba e Neji. No palco, estávamos apenas eu, o Carneiro no teclado e o loiro no violão (por que eu não queria me arriscar ainda).
Eu estava cantando I’m in Here, quando Itachi, de repente, tomou o backing vocal para si também. Mas até aí tudo bem, porque eles até que tinham a voz razoavelmente parecidas, quando cantavam. E, então, alguém atira um tomate no palco.
— CADÊ O SASUKEEE? QUEREMOS O SASUKE! — uma menina grita, nos fazendo parar no meio da música.
Então, calmamente, o Carneiro esclareceu o que houve.
— Bom, na verdade, o Sasuke morreu. É, pois é, sentimos muito também. Agora me deixe continuar a tocar, sua vaca. — e então, assim, como se não tivesse acontecido nada demais, ele volta a tocar o teclado, super compenetrado. Tinha até um sorrisinho no rosto.
Olhei para o loiro, e o loiro olhou para mim.
Vi Neji e o Amoreco rirem no outro lado do salão também. Err.
Acho que a bem da verdade é que o Itachi estava bem feliz com a saída do irmão, por poder voltar a tocar num palco.
Enfim, no fim, todos nos aplaudiram, e pareciam ter engolido a historia da suposta morte do Sasuke. Pelo menos, até verem ele vivo da silva tocando numa outra banda, né?!
Aí, depois do show, como sempre fazíamos, saímos para beber. Mas ficamos por ali mesmo, entre os fãs. Como era um local pequeno, mais fechado, as pessoas pareciam mais civilizadas e controladas.
De repente, o ruivo cheio de piercings aparece e abaixa as calças na nossa frente.
— Ok, eu confesso, preciso tatuar o seu autógrafo! — ele diz para o Amoreco — Vocêé uma inspiração para nós, cara.
— E você quer tatuar a minha assinatura na sua bunda?
— É isso aí. — diz ele, oferecendo uma caneta para o ruivo um assinar — Para você ver como é grande o meu amor por você!
Aí, Amoreco me olha.
— Não sei por que, mas isso não está me cheirando bem... — acho que ele quis dizer que o outro estava tirando onda com a cara dele.
— Acabei de ir ao banheiro, mas eu me limpei bem, ora. Pode confiar.
Amoreco fez careta, como se fosse vomitar, e deu as costas jogando a caneta no chão como se estivesse altamente contaminada.
Aí, de repente, Putakata aparece atrás de mim, colocando seu braço sobre o meu ombro.
— Fez bom uso do meu presente?
— Claro. Melhor uso, não poderia ter feito! — lhe digo, orgulhosa.
— Legal. — e sorri. E não é que ele tinha um sorrisinho bonitinho mesmo? Mas, aí, de repente, ele estava pegando na minha mão. O olhei meio torto. Achei que estava querendo me passar alguma cantada.
Mas não. Claro que não! Ele só queria me passar mais um saquinho, ora essa. Argh.
— Outro presentinho. — e pisca o olho.
— Ah, muito obrigado pela consideração, e tal. Mas pode ficar com ele. — lhe digo, empurrando aquela porcaria de volta.
— Não se acanhe, Sakura. Só estou procedendo de acordo com o protocolo.
— Que protocolo? — tive que perguntar, né.
— Ah, você sabe... Para ser um astro do rock, é preciso talento. Para conhecer um, sorte. E para sair com um, pagar drogas pra ele! — o idiota ainda sorriu como se tivesse dito a coisa mais genial do ano, me empurrando de volta a porcaria, e se afasta antes que eu pudesse enfiar aquela porcaria na goela dele. Argh!
Então, eu fiquei com aquela porcaria na mão, sem saber direito o que fazer com aquilo. Bom, enfiei para dentro do meu decote, já que estava de saia e ela não tinha bolsos onde eu pudesse escondê-lo.
Aí, uma outra banda começou a tocar. Era uma música com um instrumental legalzinho, de rock também. Mas era um rock mais pesado, e a mulher que cantava tinha um tom gutural. Parecia um monstro cantando, na verdade. E para nossa surpresa, bem, não era nada mais, nada menos que a nossa querida e mimosa Varakin, com toda a sua graça ruminante no microfone.
— O que eles estão fazendo aqui? — perguntei ao loiro, que apareceu ao meu lado, naquele momento.
— Cê acha que alguém convidou eles a tocar aqui? — ele me indaga.
Fiquei encarando ele. Tipo, a resposta era lógica. Mas acho que não havia ninguém melhor para nos esclarecer aquela dúvida que o próprio Itachi, nosso agente e empresário.
Mas e onde ele estava? Tive que ir até o lado de fora para procurar pelo diabo. E foi aí que comecei a suspeitar daquele saltitante carneiro. Por que, veja bem, quando eu estava quase desistindo, o encontro nos fundos, discutindo algo com o Putakata. Mas, antes mesmo que eu pudesse ouvir qualquer coisa, o cabeludo sai correndo à mil. E Putakata foi atrás dele, apesar de logo ter desistido. Afinal, em matéria de fuga, o Itachi era mestre na arte mesmo. Tsc.
O “x” da questão era: do que o miserável estava fugindo? Ele parecia estar fugindo muito, ultimamente. Como da outra vez em que o achamos no meio da rua, com tanta asa que poderia voar para longe. Err;
Enfim, voltei para dentro do local, onde o Sasuke e Vakarin se apresentavam. Ela se jogava em cima do Sasuke, na maior cara de pau, enquanto ele tentava manter o equilíbrio com o seu teclado, por que ela se achava mais importante do que a música. Err.
Aí, de repente, Neji me dá um tapinha no meu ombro, e me assusto. Me assustei tanto, que o saquinho de pó caiu entre as minhas pernas e, rapidamente, como o The Flash (eu juro!), me agachei e pegue-o de volta, e o coloquei dentro do decote.
Ele ficou me olhando desconfiado. Acho que não viu o que era.
— Meu Ob. caiu. — lhe digo, com o maior sorriso amarelo do mundo.
— Que nojo, Sakura. Vá ao banheiro e tire isso dos seus peitos, mulher! — me diz, me dando um baita empurrão para o lado.
Err.
De qualquer forma, fui ao banheiro mesmo e joguei o saco dentro da privada. Em seguida, dei descarga.
Quando saí do banheiro, dei de cara com o Sai, que estava de braços cruzados me encarando.
— O que foi? — perguntei.
— Estou de olho em você, dona Sakura.
— Ok. Também estou com os olhos em você. — duh!
E saí. Voltei para o salão, onde Neji balançava sua cabeleira de um lado para o outro, ao som da balada que agora a Vakarin ruminava. Baita traidor, isso, sim. Enquanto eu estava louca para pular no palco e acusa-la de estar contaminada com a doença da Vaka Louca, ele estava ali, dançando ao som dela. Tsc. Mas assim que me viu, voou em minha direção.
— Princesa, princesa, minha sobremesa! — err — Dance comigo!
E então, cheio de charme e cabelos, ele veio se chegado, assim, como quem não quer nada, mas pleneja todas as maldades do mundo, sabe? Passou suas mãos no meu quadril, enterrando seu rosto no meu pescoço, cheirando a minha pele, e soltando alguns beijinhos aqui e ali.
Ele estava bêbado. Tão bêbado que poderia me embriagar com seu hálito. Mas ele foi me embalando de um lado para o outro com jeitinho, aquele jeitinho sexy e fofucho que só ele sabia fazer. Segurando a minha cintura com uma de suas mãos enormes, e a minha cabeça com a outra. Aí, de repente, a música desafina e o teclado parecia quebrado.
Quando olhamos, Sasuke nos fuzilava socando seu teclado como se socasse a cara do Neji. Pelo menos, foi o que pareceu. E o cabeludo, ora essa, é claro que riu.
— Há, há. Otário!
Olhei desconfiada para o cabeludo. Desconfiada de que aquilo não passava de uma fajuta encenação, só para atiçar o emo.
Para disfarçar o pequeno grande deslize do seu tecladista, Vakarin teve a não genial ideia de me chamar ao palco.
—... Sou uma grande fã da Incógnita. Na verdade, eu e a Sakura somos grandes amigas — e ela tossiu como se tivesse se engasgado com as próprias palavras — e é uma grande honra para mim, poder dividir o palco com a Sakura. — e tossiu novamente — Venha, Sakura, querida. Quero dividir uma música com você.
Neji me olhou, e eu olhei para as minhas unhas. Trá-lá-lá-lá-lá.
E então, ele me deu um empurrão para frente.
— Vai lá, e arrasa, princesa!
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Então, tá, né... Subi no palco. De má vontade, obrigada e empurrada, mas subi.
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