Incógnita: Sexo, Drogas e Rock N Roll
15 Suspeitos
Notas iniciais
INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL
By Amanur
Capítulo 15 — Suspeitos
Subi no palco. Pela primeira vez, em tanto tempo, me senti meio estranha ali. Aquele palco não parecia o mesmo com outra banda a minha volta, mas eu disse a mim mesma que não daria o gostinho à Vakarin de me ver amarelar ali, em público. Então, estufei o peito, empinei o nariz, e tossi. Digo, sorri. Err.
Mas continuando minhas observações à Vakarin, percebi que ela estava tagarelando demais, sabe? Normalmente, ela mujia apenas uma vez por dia, e tal, né?!, mas ali ela não parava. Alguém precisava dar um matinho para ela comer! Pois, veja bem, de repente, ela me veio com uma baboseirada de fazer o melhor show que aquele publicozinho teria na vida. Suspeitei de que ela estivesse meio chapadinha. E se ela estava chapadinha, o emo estava chapadão.
Discretamente, olhei para ele no teclado. O idiota tirava com a unha alguma coisa que estava entre os dentes, e começou a rir do negócio não identificado que tirou dali.
Retardado.
—... Foi uma ótima e agradável surpresa encontrá-la aqui, Sakura, e é claro que não perderia esta chance de te chamar para o palco comigo. — ela dizia, se achando muito importante, com aquele pingo de platéia. E quando eu ia dizer algo, ela tomava o microfone para si — Pois guardem bem na memória de vocês o dia em que eu e a Sakura dividimos o palco...
— Por que isso nunca mais vai acontecer de novo. — murmurei para mim mesma.
— Por que o que vocês estão vendo aqui, neste palco, são duas estrelas em ascensão. — ela diz assim, bem séria e SEM NOÇÃO — Pois podem gravar minhas palavras, vocês ainda nos verão muito. — e ela tosse como se, de repente, estivesse engasgada — A mim, pelo menos. — mas credo! — E por isso vocês, hoje, terão o melhor show da vida de vocês!
Aí, enquanto ela continuava a mugir sem parar, discretamente, fui até o seu guitarrista, que segurava agora um violão, e o tomei para mim. Digo, o violão. Err.
— Com licencinha. — resmunguei, dando uma bundada nele, o enxotando para o lado. E aí, voltei para o lado da Vakarin, que continuava a mugir.
—... E estamos com um projeto maravilhoso para lançar nosso primeiro Single este ano... — dizia ela, fazendo propaganda. Mas então, de repente, tomei o microfone da mão dela, sem deixa-la terminar o que dizia mesmo.
Coloquei o microfone no suporte, e comecei a tocar e cantar uma música. Uhum. Assim, sem mais nem menos. Para arrasar com a cara daquela Vaka Louca e do emo.
— Esta música se chama: The girl you lost to cocain (A garota que você perdeu para cocaína). — eu disse. E comecei a tocar e cantar. Sozinha.
Aham.
— No, I just don't wanna, so I'm walking away
(Não, eu não quero mais, então estou indo embora)
There is nothing that you can do I will not stay
(Não há nada que você possa fazer eu não vou ficar)
No, I don't need drama, so I'm walking away
(Não, não preciso de drama, então estou indo embora)
Yeah, I am a girl with a lot on her plate
(É, eu sou uma garota cheia de problemas)
No, I just don't wanna, so I'm walking away
(Não, eu não quero mais, então estou indo embora)
There is nothing that you can do I will not stay
(Não há nada que você possa fazer eu não vou ficar)
No, I'm not your mama, so I'm walking away
(Não, não sou sua mãe, então estou indo embora)
I'm just a girl that you lost to cocaine
(Sou só a garota que você perdeu pra cocaína)
Foi um acústico improvisado, com vários erros técnicos, mas, no final, todo muito aplaudiu. Menos a Vaka, que me encarava como se eu fosse o monstro mais horrível do planeta por ter tirado-a do palco. E o emo, é claro, que me olhava com aquela cara de cachorro culpado, mas sem querer dar o braço a torcer. Por que era óbvio que aquela letra tinha sido escrita para ele.
Enfim, me sentindo maravilhosamente bem, até mesmo um tantinho superior, saí do palco para ir desfrutar da minha pequena popularidade com os meus fãs. Ahém. Digo, aham. Err.
Mas não sem, é claro, pagar pelos meus pecados da vida passada passando vergonha em público, tropeçando na sandália porque arrebentou a fivela que a prendia no meu tornozelo, me fazendo rolar pelo palco feito panqueca, para cair no meio do povo feito patê de Sakura. E tudo isso só porque me saí bem uma vez na vida! Só podia ser Karma. Tsc.
— De quem é essa música? — me perguntou o Sai, juntando meus pedacinhos do chão.
— É minha. Já faz um tempinho que estava compondo ela... — digo orgulhosa, me levantando do chão.
— Sério?
— Eu estou com cara de quem está para fazer piadinhas?
— Eu nunca sei quando você está falando sério.
— Você quer dizer, quando eu estou brincando?
— Eu achei que você estivesse sempre brincando.
Err.
Então, o restante dos meninos se aproximou para me encher de elogios.
Pelo menos, foi o que esperei que fizessem.
— Sakura, que shampoo você está usando? — Shikabum me pergunta — Menina, só agora reparei como o seu cabelo brilha na luz.
Err.
Aí, vejo o Neji, aquela bolota de carne gostosa. Ahém. E abri o sorriso, toda orgulhosa por mostrar a ele meus avanços no violão. Apesar de lamentar não poder mais ter o cabeludo no meu colo. Ahém.
— Princesa, princesa, você viu quem roubou a minha bandana? Eu estava ali, no bar, bebendo uma, e um filho da puta passou a mão em mim! — diz ele, indignado — Digo, literalmente, um retardado roubou minha bandana e passou a mão na minha bunda.
Aí, o Sai aparece devolvendo a bandana dele.
— Eu só queria testar como ficava em mim. Vocês já repararam que não fizemos mais “aquilo” há um bom tempo? — o japinha diz, igualmente indignado — Sabem, eu tenho necessidades para saciar. Isso não pode continuar assim!
— Sai, Sai, Sai... não seja por isso, meu amigo. — diz o Sininho passando o braço por trás do pescoço do Japa. Ele estava bêbado também. E aí, os dois desapareceram no meio da multidão.
Mas indignada estava eu. Afinal, o miserável do Neji foi quem me empurrou para o palco, e não ouviu um piu do que eu cantei e toquei? Tsc. Olhei para o Naruto, esperançosa. Mas aí, lembrei que com ele era suicídio. Então, olhei para o Amoreco, que estava entretido com um saquinho de amendoins, comendo o sal que fica no final do pacote, molhando o dedo com sua baba. Olhei para o Kiba, o mais sensato.
— Diga alguma coisa. — supliquei.
— Alguma coisa!
— Morra!
Para mim, chega. Peguei minhas coisas, e me fui para o ônibus enquanto eles recolhiam seus instrumentos, bandanas e cuecas. Mas aí, no estacionamento, de repente, alguém agarra o meu braço.
— Sabe, achei muito engraçado essa história de como eu perdi você. — o emo resmunga — Mas acho que você está se esquecendo de um pequeno grande detalhe aqui! Fui EU quem te deu o pé na bunda desta vez, ok?
— Como é que é? — até pus as mãos na cintura para ouvir aquela baboseira.
— Você dormiu com o Itachi! Você fez exatamente a mesma coisa que me fez me separar da Karin, Sakura.
Oh-oh. Ele acertou o meu nome. Isso não pode ser bom.
Revirei os olhos.
— E você, que mentiu sobre estar sóbrio e ainda ficou se engraçando para outra menina? Acho muito engraçado como você tende a esquecer as coisas que você faz.
— Mas não me deitei com ela!
— Não importa, Sasuke. Você mentiu para mim. E não foi só uma vez. Sinceramente, preferia que você tivesse se deitado com outra, do que mentido para mim sobre aquilo.
Aí, sarcasticamente, ele dá um tapa na própria testa.
— Ah, nossa, puxa vida! Como eu fui burro. Acho que eu poderia ter aproveitado mais a minha vida fodendo outras meninas, assim como você fez!
— Eu nunca me deitei com outras meninas. — err.
Ele estreitou os olhos e rosnou.
— Bom, fazer o quê?! Algumas pessoas são mais espertas do que as outras. — dei de ombros.
— Aham.
E então, me deu as costas. Mas eu tinha que berrar algo para dar o troco:
— E boa sorte com a sua nova bunda. Digo, BANDA!
Em resposta, ele apenas ergueu o braço, me mostrando seu dedo do meio sem se virar para mim.
Mas tudo bem. Estava tudo bem, porque eu estava em paz comigo mesma. Não sentia culpa ou remorso. Eu não sentia raiva, nem mágoas por ele estar querendo me dar um lição, castigando o restante da banda também, que, à propósito, não tinha nada a ver com a briga. Aliás, eu estava num profundo estado zen. Caminhando pelo Nirvana. Eu só faltava virar monge do Tibete, mergulhando num mar de rosas, ora essa.
Entrei no ônibus chutando todos os acentos e berrando “AHHHHRGH”. Sabe como é, para liberar todo o sentimento negativo do coração.
Err.
Só sei que no dia seguinte todo mundo acordou com o Carneiro revirando nossos armários de roupas. Sem dizer um piu sequer sobre nada, ele simplesmente abria os armários e jogava tudo o que tínhamos na cama. E ele passava de quarto em quarto fazendo isso.
Uma hora, tivemos que perguntar.
— Mas o que diabos cê tá fazendo, Itachi? — Sai resmunga coçando os olhos, sonolento — Se você queria tirar minhas roupas, era só ter pedido. — e aí, bem sério, ele começa a arriar as calças.
O fiz coloca-la de volta. Err. O coitadinho devia estar surtando com a falta daquilo.
— Ontem estive falando com um produtor musical que estava lá no show de vocês. E ele me deu algumas dicas valiosas para fazer com que vocês decolassem de vez no showbiz. — o cabeludo dois nos explica.
— E que dicas foram essas? — pergunto, suspeita.
— Primeiro, temos que renovar nosso figurino. Precisamos de algo que nos dê mais destaque visualmente. Como o Axl Rose, que usava bandanas e shortinhos colados.
Olhamos para o cabeludo um.
— Não senhor! — ele retruca, indignado, dando uns passinhos para trás — Não vou usar shortinhos colados, porra nenhuma! Já me basta ter que me fantasiar de mulher pra andar em público. Eu fiquei pensando: "mas o que é um peido, para que já está todo cagado?", né? Um shortinho colado, acentuando aquela bundinha fofa, até que viria a calhar. Ahém. Mas fiquei quietinha, na minha, né.
— É para o nosso sucesso, cara. — Amoreco contesta, lhe dando um tapinha nas costas. — Você não quer fazer sucesso?
— Prefiro fazer susexo. — Neji diz, cheio de sabedoria e sem vergonhice, e eu concordei com ele. Ahém.
— Então! Use shortinho. É tiro é queda. Axl que o diga. — na verdade, acho que o ruivo estava só tirando onda com a cara do Neji.
— Tomate cru. — Neji responde.
— Mas não são só os shortinhos. Os caras do Kiss, por exemplo, se fantasiam. — Itachi nos lembra.
— Nós não vamos tocar num palco travestidos em mini saias e mini blusas, Itachi. — Kiba disse. E eu concordei também. Já era absurdo demais ter que dividir aqueles braços, pernas e tanquinhos suculentos... Digo, cheios de cumprimento! Aham, com todo mundo que nos visse nas ruas. Agora dividí-los com o país inteiro, o mundo inteiro, aí, não! Aí, meu caro, era demais!
Ahém.
— Não, não, não, tolinhos. As roupas de mulheres são apenas disfarces. Se entrássemos no palco com elas, elas deixariam de ser disfarces, não acham? — duhh — Eu estava pensando em algo mais selvagem. Mais animal. — diz o cabeludo dois, cheio de empolgação.
— Como o quê? — tive que perguntar.
— Como animal.
— Ok, animal como o quê, cabeção?
— Não, eu estou falando de animais mesmo.
— Ai. — doeu no meu coração. Eu deveria saber que aí viria mais uma ideia genial dele.
— Vocês bem que poderiam se apresentar com máscaras de animais. Como aquela banda, o Slipknot, que se apresenta com máscaras de monstros. Pensem comigo, seria até mais seguro para vocês! As pessoas iriam esquecer a cara de vocês, e vocês poderiam voltar a andar na rua com segurança.
— Hahahah! Me desculpe, Itachi, mas a minha cara é inesquecível. — diz o cabeludo um, assim, bem sério e cheio de si, colocando o cabelo atrás da orelha. E o Amoreco concordou, resmungando “a minha também”.
— Ah, eu gostei da ideia. Eu quero uma máscara de elefantinho. — diz Naruto, empolgado — Não, não, girafinha. Ou seria melhor um golfinho?
— Aposto que essas máscaras ficarão estraçalhadas no mesmo dia em que a Hotaru as visse. — Amoreco ponderou, e eu tinha que concordar com ele. De novo.
— Ela ainda pediria para que a gente cantasse “What does the fox say”. — Kiba resmungou, fazendo careta. Mas isso era algo que eu gostaria de ver. Hehe.
— Até já sei que máscara seria perfeita para o Sasuke. A de cobra cascavel. Traíra. — diz Shikabum. Aí, ao se dar conta de que estava tocando no assunto proibido, e que todos nós ficamos caladinhos e sérios, ele tenta se redimir — Sabe, na verdade, essa ideia seria perfeita para a banda da Karin. Por que olha só, a vocalista já tem cara de Vaka mesmo! AHAHAHAHAHAHAH.
Desta vez, ninguém riu.
— A minha, seria de bicho preguiça, né? — ainda se arriscou. Err.
— Não, cara, acho que a de jumento seria mais apropriada. — Amoreco responde. E eu concordei outra vez.
— Enfim... Vou deixar o cartão de crédito para a compra de vocês com a Sakura. — Itachi, então, me entrega o cartão, depois de dar um empurrão para longe no Shikabum — Enquanto isso, vou me livrando das velharias de vocês.
— Não senhor! Não ouse tocar nas minhas camisetas do piu-piu, nem a do Frajola, e menos ainda do Mickey! — lhe digo, apontando o dedo na cara dele — E não abra a minha gaveta de pijamas. — havia um universo inteiro de pijamas com estampas de cartoons ali.
Ahém.
— Eu gostaria de pedir que não jogasse fora a cueca samba-canção de coraçõezinhos do Amoreco. — Naruto diz — Ela tem valor sentimental para mim. — assim, bem sério.
Aí, discretamente, o ruivo tira uma nota de vinte pratas e passa para o Itachi.
— Queime aquela merda! E jogue as cinzas na privada. — sussurrou.
E o carneiro ainda piscou o olhinho pra ele.
— Como eu ia dizendo... — continuou — Comprem roupas novas para os shows. Roupas que tragam mais impacto para vocês. Mas peço para que, por gentileza, não gastem muito. Tentem ser econômicos, por que os gastos com as viagens têm sido altas e o cd ainda não está vendendo muito. Por algum motivo, a publicidade de vocês caiu um pouco...— diz ele, mordendo o polegar, pensativo.
Humm.
Enfim, fomos todos nos dirigindo até a garagem, onde estava o ônibus. Mas antes de subir, o Itachi me segurou pelo braço e se chegou até o meu ouvido.
— À proposito, você foi ótima no violão, ontem! — e piscou o olhinho para mim.
— Ooooh, você me viu? — digo, emocionada. Né, finalmente.
— Claro. Bom, poderia ter sido um pouco melhor... Ok, tantinho melhor. Tá certo, bastante melhor. Não, não, MUITO melhor... Mas eu gostei. — e ainda me mostra o polegar.
Mordi o polegar.
— AHHHHHH! O que foi que eu fiz?— indaga, confuso.
— A lista começa pela data do seu nascimento, querido. — err.
Fomos todos para o maior shopping center da cidade. Desta vez, pelo menos, Itachi permitiu que os meninos usassem apenas óculos de sol e bonés para se disfarçarem. Com a condição de que todos eles usassem perucas coloridas, para combinar comigo. É claro. É lógico. Tsc.
Bom, pelo menos, era melhor do que sair com eles vestidos de menininhas.
Mas se um deles, vestidos normalmente, já chamava atenção por toda sua altura, formosura e gostosura... Ahém. Imagine sete deles, todos juntos e com perucas coloridas. Éramos quase como holofotes ambulantes. Quero dizer, eles eram. Por que eu, em toda minha miniatura, quase desaparecia no meio de tantas pernas. Mas não me entenda mal, não é como se eu estivesse reclamando, ok? Ahém.
Na verdade, eu estava bem empolgada, porque aquela seria a primeira vez em que fazia compras com eles. Vocês sabem, é ótimo ajudar meninos a escolherem roupas. E melhor ainda, ajudá-los a prová-las.
Ahém.
Enfim, lá estávamos no shopping, olhando vitrines por vitrines. As pessoas realmente nos olhavam, e eu olhava para os meninos. Estavam todos fofos, todos arrumadinhos, bem vestidos. Quero dizer, não que eles se vestissem mal, mas além das roupas pretas que usavam para os shows, eu já estava acostumada a vê-los apenas de bermudas e chinelos em casa. O que era uma enorme dádiva divina, devo dizer. Quero dizer, é sempre uma benção vê-los sem camisa, é claro. Ahém. Mas era bonitinho também vê-los ali, arrumadinhos em roupas diferentes. Neji e Amoreco usavam uma camisa polo; Naruto estava de botinha, com uma camisa xadrez azul; Sai vestia uma camisa em gola “v”, de bermuda; Lee também vestia uma camisa quadriculada, com um tênis allstar; e Kiba usava um colete e sapatos. Estavam todos muito bonitinhos.
Aí, entramos numa loja. Depois de olharmos algumas roupas, os meninos resolveram experimentá-las.
— O que vocês acham que ele quis dizer com roupas de impacto? — indaga Neji, pensativo, se olhando no espelho com uma camisa regata preta sem estampas — Será que não basta a gente se apresentar com essas perucas idiotas? Elas iam causar impacto suficiente. Princesa, o que você acha dessa camisa?
— Hum? — eu estava sentada num banco, roendo unhas e fingindo que estava muito interessada no que ele dizia (quero dizer, quem liga para o que o Itachi diz?), enquanto eles se olhavam no espelho. — Eu acho que você deveria experimentá-la. — lhe digo.
— Ok.
Então, ele tirou a camisa que vestia para experimentar. E todos os outros meninos se sentaram do meu lado. Err. Mas fazer o quê? Era lindo vê-lo sem camisa. Ahém.
— O que você acha? — me perguntou, com a camisa vestida.
Aí, Sai e Naruto apareceram com uma pilha enorme de camisas nas mãos.
— Achamos que você deveria experimentar todas essas também.
— Cara, essa não é igual a todas as outras camisas que você tem? — Kiba pegunta. E, na verdade, eu também achava que era. Por que o Neji era um cara discreto. Raramente vestia alguma camisa com alguma estampa, ou com uma cor diferente do preto.
— É claro que não! Minhas camisas são todas diferentes. Ou na costura, ou no tamanho ou no botão. — err.
— Neji, só um instantinho, cara. Vira de costas, acho que tem alguma coisa na sua traseira. — Sai diz. Então, curioso e preocupado com a imagem do seu rico bumbum, o cabeludo se vira de costas. Eu e o japinha damos uma boa secada naquela traseira (que não tinha nadica de nada). — Não. Tá tudo em cima. — e o japa pisca o olho pra mim.
— Boa, japa. — bati contra a mão dele, cumprimentando-o pela iniciativa.
Ahém.
Aí, de repente, Naruto reaparece com uns braceletes de couro com spikes prateados.
— Olha só o que eu achei. Acho que esses braceletes iam ficar bem legais em nós. — aí, de repente, ele olha para a etiqueta com o preço — Ah, pensando bem, não são tão bonitas assim... — e as larga em qualquer lugar — Essas coisas são idiotas mesmo. Parecem gritar: olhem para mim, eu sou roqueiro. Tsc. Como se ser roqueiro fosse um atestado de qualidade. — o emo, com certeza, diria que sim. Err.
— Mas também não é um defeito... — Amoreco diz, olhando outros braceletes.
Aí, de repente, uma atendente se aproxima e o meu radar de “barangas xeretas” entra em alerta.
— Olá, meninos, posso ajudá-los? — diz ela, toda sorridente e decotada — Acho que essa calça jeans ficaria muito bem em você. — ela diz, pegando uma calça de uma das araras, entregando para o cabeludo.
Então, entro em ação. Ahém.
— Ok, vamos lá, querida, vamos procurar quem pediu sua opinião. — lhe digo, puxando para longe, em toda minha sutileza. Ahém. Ela tinha cara desses atendentes que ficam colados no seu pé feito chulé até você sair da loja. E de chulé, bastava o do Naruto. Err.
Quando voltei, Sai veio para o meu lado, e sussurrou:
— É isso, aí. Sutil como um coice de cavalo. — e piscou o olhinho. Dei de ombros. Fazer o quê? Ahém.
Enfim, os meninos iam para o caixa cheio de roupas nas mãos para pagar pelas compras. Estávamos na fila, quando Amoreco me olha de cima a baixo.
— E você? Não vai levar nada, não?
— Não. Prefiro ver vocês passando vergonha.
Ele ficou me olhando meio torto, sem entender.
Aí, a fila foi andando e andando... Chegou a vez de eles largarem tudo sobre o balcão da atendente para ela passar as compras.
— Três mil quinhentos e cinquenta e sete, com oitenta e três. — ela nos diz.
— Para seis pessoas, isso não é muito caro. Você acha que é caro, princesa? — o cabeludo me pergunta.
— Querido, hoje eu só sei calcular dois mais dois. — o que era uma verdade incontestável. Apesar de que não era nem preciso saber dois mais dois para ter certeza de que aquele valor não só era alto, como MUITO alto. Tsc.
Mas até aí, tudo bem. Saquei o cartão de créditos da minha bolsa (junto com o Jack) e o entreguei a moça. Enquanto ela passava o cartão na maquininha, eu ia configurando a câmera do meu celular. Lá-lá-lá-lá...
Despreocupadamente, eles conversavam entre si, esperando pelas sacolas. Enquanto isso, a moça passava pela enésima vez o cartão e eu apontando o Jack para para a cara deles. Até que, então, ela resolveu se pronunciar.
— Me desculpem, mas o cartão está bloqueado.
Click, Click.
É sempre bom deixar registrado os melhores momentos de nossas vidas, né? Ahém.
— Como é que é? — Neji indaga.
— Sakura, tem certeza de que não entregou o seu cartão do plano de saúde, ou cartão telefônico que coleciona... — me pergunta Sai — ou quem sabe, a carteirinha de estudante que você guarda na carteira?
Nem olhei para ele.
— Moça, tente mais uma vez, por favor. — o cabeludo insiste.
A mulher fez cara feia, mas passou mais uma vez. E o cartão, é claro, não iria magicamente desbloquear só porque ele pediu, por mais mágico que fosse sua formosura. Ahém.
—Calma, calma, gente. Deve ter havido um engano. — o cabeludo nos diz, tirando seu celular do bolso da sua calça, se fazendo de diplomático e polido — Tenho certeza de que se falarmos com o Itachi, ele resolverá o problema.
Aí, bem sério, ele cola o celular no ouvido.
Eu estranhei que o Naruto não tivesse desconfiado de nada, já que conhecia o Itachi há mais tempo do que eu. Mas talvez o loiro apenas estivesse ocupado com a meleca maligna que se escondia no fundo do seu nariz, e não tenha percebido nada. Fofo.
— SE ESSE FILHO DA PUTA ATENDESSE O CARALHO DA PORRA DO CELULAR DELE! — o cabeludo, de repente, berra, perdendo a paciência e a noção. Até atirou o pobre e inocente do seu celular no chão, assustando todo mundo. Mas, aí, ao ver a cara da atendente e dos outros clientes a nossa volta, ele suspira, estufa o peito e sorri — Está tudo bem. — err. E ele nos olha — É isso aí, pessoal, estamos fodidos.
— Mas está tudo bem, não é? — o ruivo resmunga, irônico.
— E pensar que agora ele está lá em casa, jogando nossas roupas fora... — Lee nos lembra.
Aí, de repente, todos nós saímos correndo pelo shopping, desesperados, esbarrando em várias pessoas. Parecíamos uma manada de cavalos galopando para lá e para cá, até que alguns seguranças nos viram. Eu engoli a seco, e pensei comigo mesma: "isso não vai prestar. E mais uma vez, eu vou me ferrar.", prevendo que aquilo não podia ser um bom sinal.
E dito e feito. Ele nos acharam suspeitos! Argh. Mas é claro, e como se não fosse pouco a cara das pessoas nos olhando como se fôssemos um bando de galinhas pintadinhas correndo pelo shopping, eles começaram a correr atrás de nós com seus walkie talkies, pedindo para que bloqueassem todas as saídas do local, de modo que não pudemos nem chegar ao estacionamento, pois quatro guardas nos barraram.
— Parados aí! Levantem as mãos, e não se mexam. — um deles nos diz, colocando a mão em sua cintura para nos mostrar que estavam armados.
— Não, não, moço, vocês não entenderam. Haha. — de repente, o japinha parecia meio nervoso — Na verdade, só estamos correndo porque nos lembramos de que há um louco gostoso em casa, jogando nossas roupas fora, moço. — diz assim, bem sério, tentando esclarecer a situação. E todos eles sacudiram suas cabecinhas angelicais, concordando.
O segurança nos olhou da cabeça aos pés, vendo que estávamos bem vestidos, e não parecíamos nem um pouquinho com um bando de pobres coitadinhos sem roupas nos armários.
Bufei. Mas era claro que aquilo parecia a desculpa mais esfarrapada do planeta, porque, sabe como é, nós nascemos para nos ferrar (e eu, principalmente). E ainda nos ferramos com os bolsos vazios e de perucas coloridas. É. Portanto, obviamente, os seguranças continuaram a nos encarar como se fossemos os criminosos mais procurados do país. Eu mereço.
— Eu ainda vou abandonar vocês... — murmurei.
— Ah, que ótimo! — o ruivo resmunga, me dando um empurrão para o lado — O Itachi é o filho da puta, e nós é que nos fodemos.
— Vocês têm o direito de permanecerem calados até que a polícia chegue. Enquanto isso, vocês ficarão nos fazendo companhia numa salinha, no andar administrativo do shopping. — diz outro segurança, se aproximando de nós.
— Sabe, a ideia de ficar numa salinha com um bando de cuecas me agrada. E se você estiver lá dentro, fica melhor ainda. — Naruto murmura, para mim — Mas a de foder a polícia, não. — Err.
— Calados, e caminhem. — disse outro segurança, nos guiando até o elevador.
Mas vejam só que coisa. O cara nos disse para ficarmos calados, mas, por algum motivo, o cabeludo começou a cantar. Acho que estava nervoso, o coitadinho. Até tinha arrancado um fio de cabelo de sua cabeça.
— Eu sou um bolinho de arroz
Minhas perninhas vieram só depois
Minhas mãozinhas ainda estão por vir
e eu não tenho boquinha pra sorrir... Porque,porque, porque
Porque eu sou um bolinho de arrooooooooooooooooz.
— PELAMOR DE DEUS, ALGUÉM FAÇA ESSE HOMEM CALAR A BOCA!! — Sai berra, sacudindo o cabeludo. E ele era outro nervoso.
Acho que eles não sabiam lidar muito bem com a pressão.
Enquanto isso, agradeci aos céus pelo emo não estar presente, pensando na vergonha alheia que ele nos faria sentir (como se os outros já não fossem suficientes, isto é). E fiquei pensando num plano maligno para descontar naquele Carneiro de uma figa, que só sabe me colocar nas piores situações possíveis e impossíveis, diga-se de passagem. Argh.
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