Notas iniciais
Boa leitura!

INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL

By Amanur

Capítulo 16 — Cadeia

Enquanto eu estava sentada naquela salinha, cercada de cuecas por todos os lados, fazia uma pequena e breve recapitulação da minha vida. Eu, aos cinco anos, meiga e fofinha brincando num parquinho, com minha mãezinha querida bebendo água na garrafa de vidro com rótulo bonito da marca Vodca. Pois é. Eu aos dez anos, pequena e graciosa, cantando na frente do espelho com minha escova de cabelos ao som de uma das música tema do Rei Leão: Hakuna Matata. “Os seus problemaaaaaas, você deve esqueceeeeeeer”. Os caras eram espertos.

Depois, eu linda e cheia de estilo (e um pouco sem vergonha, eu admito), aos quinze anos, fazendo apostas com a Ino na escola, enganando todos os trouxas. Digo, coçando nossas coxas. Err. E aí, lá pelos meus dezessete ou dezoito anos, conheço o Carneiro — o vilão da nossa história. Aquele crápula, inútil, pilantra, sem vergonha, comedor de calsinhas, causador de todos os meus problemas. Ou quase todos. Ahém. E desde então, minha vida virou do avesso. Viro atriz pornô; viro uma grávida de um mini demônio; viro vocalista de uma banda; viro mulher invisível para sofrer uma invasão coletiva de privacidade (porque eles me ignoravam como se eu não existisse!); viro modelo de fotógrafos fajutos que tiram fotos nua de minha indefesa pessoa e, como se fosse pouco, viro brinquedo sexual para ser praticamente obrigada a dividir minhas pitangas maduras com todos eles. Err. Virei tanta coisa, que começo a ter crise de identidade, no meio daquelas criaturas. Destino cruel. Ahém. E para completar o quadro, pago mico na frente de uma plateia com o episódio do xixi e ainda sou presa.

— Não acredito que somos suspeitos. — resmunguei, inconformada.

— O que tem os seus peitos? — Naruto me pergunta, com aquela sua carinha inocente.

Que de inocente, a praga não tinha nada!

Revirei os olhos. Afinal, bastava olhar para a cara de bobocas que eles tinham, para saber que eles não seriam capazes de fazer mal algum (apesar de não baterem bem da cabeça), nem para uma pulga. Com excessão do Kibe. E talvez o Amoreco. Pensando bem, acho que o Neji também poderia cometer alguma loucura, tendo em vista aquele surto de fúria com seu celular. E o Naruto, pegador de melecas, nem se fala! Com aquela carinha de psicopata, merecia a solitária. E o Lee, era um ladrão nato de bolos e moranguinhos. Sem falar no Sai e sua paixão sem noção por velocidades e sua obsessão sem limites pelo Itachi.

É, pensando bem, todos eles deveriam ir para a cadeia.

Ou um hospital psiquiátrico. Err.

Eu estava me perguntando o que mais faltava para me acontecer... Por que eu era jovem demais para ser presa daquela forma tão injusta (mas o que a idade tem a ver com isso, eu não quero saber). Eu ainda tinha muitos sonhos a realizar, e muitos churros a provar. Ahém.

Enfim, ficamos confinados na salinha até que foi preciso três viaturas da polícia para nos levar até a delegacia. Policias fardados até mesmo nos algemaram. Eu diria que foi um grande exageiro da parte deles, mas alguns dos meninos gostaram.

— Não aperta muito, seu policial, que o corpinho aqui é meio frouxo. — disse o ruivo, se referindo ao Naruto e seu problemático problema com gases tóxicos à camada de ozônio.

— Cala a boca, Gaara. Seu policial, pode me algemar a vontade. Se quiser usar uma venda e chicote, também não faço objeção alguma.

Era um horror.

Lá, na delegacia, foram mais horrores. E eles ainda anotaram alguns dados pessoais nossos.

Até aí, tudo bem, porque responder nossos nomes foi fácil, moleza, sem problemas. Acho que eu poderia ter me preocupado mesmo, só se eles não soubessem responder isso. Err. Mas o problema mesmo foi na hora em que uma moça nos perguntou sobre nossas ocupações.

— Publicitário nas horas vagas — disse o Naruto — Urologista e ginecologista por paixão, e guitarrista de coração. — assim, bem sério. E sem noção.

— Ok, acho que só a primeira informação basta. — ela diz.

Em seguida, foi a vez do Amoreco.

— Sou advogado, barra baterista, barra compositor, barra jardinheiro da porra daquela casa que a gente mora, barra modelo fotográfico da minha mãe, barra cozinheiro nas horas vagas, barra trocador de lâmpadas, barra...

— Já é o suficiente, senhor. — ela o interrompe.

— Ah, tá... Eu nem tinha mais o que dizer mesmo. — err. Ele parecia ofendido, na verdade, por ela ter interrompido seu currículo.

Aí, foi a vez do cabeludo.

— Sou arquiteto, guitarrista e futuro marido da princesa. — ai.

— Que princesa? — pergunta a pobre e inocente moça — A Princesa da Dinamarca? Da Nigéria? Da Inglaterra? Da Suécia?

Ele piscou seus preciosos olhinhos claros.

— A princesa da Incógnita? — fofo.

— Nunca ouvi falar nesse país... — ela resmunga.

— E nem vai. — eu resmungo.

Ela resolveu deixar o restante do nosso perfil em branco.

E aí, depois de mais alguns minutos de espera, eles ainda resolveram nos vistoriar.

— Virem de costas para a parede, com as mãos na cabeça, e não se movam. — disse um policial. Aí, de repente ele ia apalpando de um em um.

— Toque na minha bunda, e eu mordo a sua cabeça! — Kibe disse, furioso — Isso é tudo culpa do Itachi.

— Eu achei que você gostasse de um churros aí, Kibe. — digo eu, estranhando sua reação, né.

Aí, ele pigarreia, tentando disfarçar o indisfarçável.

— Não de estranhos! — ele sussurra. Err.

— Que feio, Kiba, desacatando a autoridade. Tsc-tsc. Eu juro que não mordo, moço! — retruca o Sai — Pode checar a minha bunda a vontade.

— A minha também, a minha também! — Naruto diz, empolgado.

O cara, é claro, nos olhou como se fôssemos aberrações.

Enfim, ficamos mais um tempão mofando lá, até que já era noite quando nos chamaram para prestar depoimentos junto aos seguranças do shopping, numa outra salinha.

A salinha era medonha. Exatamente como as que aparecem em filmes americanos: de paredes escuras, mal iluminada, com um enorme espelho numa das paredes. Em fileirinha indiana, fomos nos sentando em volta de uma mesa retangular de metal, no meio daquela sala.

— Então, vocês estavam correndo pelos corredores do shopping? — nos pergunta o policial que anotava o depoimento.

Aí, de repente, todos nós começamos a falar ao mesmo tempo, criando aquele burburinho desgraçado que ninguém entende porcaria nenhuma.

— SENHORES, SENHORES, POR GENTILEZA, UM POR VEZ! — berrou o policial. Aí, todos nós nos calamos — Agora, me contem o que aconteceu.

Todos eles voltaram a falar ao mesmo tempo.

Err.

— Ok, vou perguntar para o senhor, — disse o policial, apontando para o Naruto — o que foi que aconteceu. Por que vocês estavam correndo?

— Então... — e todos nós olhamos para o loiro — Faço a menor ideia, moço. Eu vi eles correm, e eu corri também.

Err.

O policial coçou a barba e olhou para os outros. Apontou para o Lee.

— Você, me diga por que estavam correndo.

— Olha, eu não sei quanto a eles, seu policial, mas eu estava correndo por que me lembrei que havia deixado um bolo de maracujá na geladeira de casa. Comprei ele numa padaria muito boa que tem no bairro onde a gente mora, sabe? Ele estava em promoção, e vinha com pinguinhos de meregue na cobertura de doce de leite. E se não me engano, o prazo de validade dele vence hoje. Então, resolvi correr para voltar para casa e comer ele antes que apodrecesse. — uma pausa para suspirar — A essa hora, já deve estar mofado. — e ele ainda fez beicinho triste.

O Lee era mesmo um bolinho fofo, de tão meigo. Só não entendo como ele conseguia manter aqueles quadradinhos na barriga. Talvez o exercício de levantamento de garfos realmente funcionasse para ele.

Argh.

O policial, é claro, estava perdendo a paciência, e resolveu dar a vez para o Amoreco.

— Bom, eu não queria ter que fazer o papel de dedo duro da história, mas já fazendo, — e ele dizia isso com o maior sorriso sem vergonha do planeta naquela carinha cretina — mas a verdade é que a culpa é toda do nosso empresário. Aquele filho da puta nos deixou de mãos abanando no shopping, sem um tostão no cartão de créditos. É ele quem deveria estar aqui e ir para cadeia, seu policial.

— Seu traidor. — Sai murmura, indignado, com um tapinha no ombro do ruivo.

— Então, — conclui o policial — Vocês estavam sem dinheiro, assaltaram uma loja e vestiram essas perucas para se disfarçarem para poderem fugir...

— NÃAAAAO! — o ruivo retruca — Olha bem pra mim. Você acha que eu tenho cara de quê?

— De bandido sem vergonha. — o policial responde assim, bem sério.

— Seu vagabundo! — Naruto diz pro Amoreco, lhe dando um tapa no outro ombro do ruivo — Não acredito que você roubou uma loja!

— EU NÃO ROUBEI PORRA NENHUMA! E VOCÊ TAMBÉM ESTÁ SENDO ACUSADO, SEU RETARDADO.

— Mas o quêeeeeeee? Isso é um ultraje! Eu vou é dar o fora daqui e denunciar vocês para a polícia. — e aí, bem esperto, se fazendo de louco, o loiro se levanta e vai marchando até a porta. Mas outro policial o agarra pela gola de sua bonita camisa xadrez, e o faz sentar de volta no lugar — Bom, não custava nada tentar, né. — ele ainda me diz.

Viu? Só se faz de louco mesmo. Tsc.

Aí, nesse instante, Neji, que até então tinha ficado quietinho na sua, com sua perna gostosa, digo, charmosa!, balançando sem parar em nervosismo, resolve se manifestar.

— Ok, já chega dessa palhaçada aqui. Eu exijo o meu advogado! Sei que tenho o direito de falar somente na presença dele!

Aí, de repente, o ruivo se levanta.

— Ah, esse cara sou eu! — diz Amoreco, todo orgulhoso. E Neji aponta para ele, bem feliz e sem noção.

Aí, o policial começa a rir.

— Hahahahaha. Você é o advogado dele?Cara, eu adoro o meu trabalho. — e olha para o cabeludo — Mas acho que o seu advogado vai precisar do advogado dele também.

Aí, os dois murcharam, e voltaram a sentar suas bundinhas culpadas em suas respectivas cadeiras. Eu só sabia que estávamos sendo julgados por um crime que nem cometemos! Isso era absurdo!

— E você, senhorita, — me pergunta — o que faz entre estes rapazes?

Sorri diabolicamente. Eu poderia responder tantas coisas... Como “sanduiche”, por exemplo.

Ahém.

— Ah, que bom que o senhor perguntou, seu policial, porque eu sou apenas uma vítima aqui. Eu estava apenas passeando pelo shopping, quando esses brutamontes me sequestraram! Eles estavam querendo me levar para só Deus-sabe-onde! Eu juro! Sou uma alma inocente. — digo, em todo o meu bom senso de justiça.

Afinal, a culpa era toda deles por tudo o que me aconteceu, ora bolas.

— Alma inocente? Eu diria insolente. — o ruivo resmunga, entre os dentes.

— E indecente. — me acusa o loiro. Err.

— Eu não faço a menor ideia de quem eles são! — disse eu. Uhum.

— Uhum. — o policial resmungou de volta para mim — Pena que eu já vi as câmeras de segurança do local, e a vi entrar no shopping junto com eles.

— Há-há. Ele te viu! Bem feitoooo! — o ruivo me diz. Dei um pisão no pé dele (ele estava sentado bem na minha frente), o fazendo se encolher de dor.

— Mas tem um detalhe que eu não estou entendendo. — comenta o oficial — Vocês mencionaram para os seguranças do shopping algo sobre um empresário. Poderiam esclarecer isso?

Aí, todos eles começaram a falar ao mesmo tempo.

— SILÊEEEEEEEEENCIO!!!! — berra o homem — Você! — aponta para o Sai — Me explique sobre isso.

Aí, todo orgulhoso, o japinha estufa o peito, dilata as narinas e os olhos, e abre o sorriso. E quando ia abrir a boca também, Kiba, Neji e Amoreco se metem no meio, calando o japa.

— NÃAAO! PELAMORDIEUS, ELE NÃAAAO! — dizem ao mesmo tempo.

Aí, de repente, alguém bate na porta e todos olhamos em direção a ela. E também todos nós nos perguntamos quem diabos poderia ser a uma hora daquelas! Err.

Resmungando dor nas costas, o policial se levanta e a abre. Eis que, para nossa surpresa, ou não, entra o próprio diabo.

— Falando no capeta... — o ruivo ainda diz.

Só que o demônio apareceu usando um óculos de grau sem lente, com o cabelo lambido para trás, preso num coque baixo. E para completar o visual, ele estava de terninho com gravata borboleta e uma pasta na mão. Ah, não posso esquecer de mencionar o bigodinho estilo francês (enroladinho nas pontas).

— Por que nós temos que nos vestir de mulher e ele não? — Kibe indaga, indgnado.

— Senhores, boa noite. — diz o carneiro, bem sem vergonha, jogando sua maleta sobre a mesa do policial — Eu sou o advogado deles. Me desculpem pelo atraso. Tive alguns contratempos falsificando.... digo, copiando. Digo, digo, me arrumando. — err. E ele entregou um cartão para o policial. Certamente um cartão falso — Mas vamos logo aos fatos. Vocês, senhores policiais, encontraram algum objeto roubado com os meus clientes?

Eles trocaram olhares.

— Não.

— Caso encerrado. Não há mais nada que argumentar aqui, meus caros. É óbvio que eles não são culpados pelo que estão sendo acusados! — e, todo orgulhoso, ele bate a mão na mesa, pega sua maleta (que provavelmente estava completamente vazia — ou simplesmente cheia de cuecas) e dá as costas.

Aí, todos nós sorrimos aliviados. Afinal, como diabos não pensamos nisso antes? Ou melhor, como o advogado inútil do Amoreco não pensou nisso antes?

É melhor nem perguntar.

Mas antes de atravessarmos a porta, o policial nos barra no meio do nosso caminho para a liberdade.

— Espere aí, eu conheço o senhor. — ele diz, apontando o dedo na ponta do nariz do Carneiro.

Sabiamente, o cabeludo dois desvia o olhar e vira o rosto para o lado.

— Hum? Não sei do que o senhor está falando. Acho que cê está me confundindo. Nunca o vi mais gordo... — murmura.

— Não, não... Eu tenho boa memória para gravar rostos. — insiste o oficial.

— Ahhh, mas que bom para você. Vamos, pessoal, estamos LIVRES. — ele bem que tentou passar, mas não conseguiu. Outro policial nos barrou.

— Você pode ficar bem sentadinho lá no canto, seu Itachi Uchiha, porque eu também tenho que ter uma conversinha com o senhor sobre a dívida das oitenta e sete mulheres que o senhor abandonou.

— OITENTA E SETE? — todos nós repetimos, impressionados.

— Caraca. — o ruivo resmunga — Isso é mais do que a soma de mulheres que todos nós já pegamos.

— Homens e mulheres. — resmunga o Sai, em tom azedo. Acho que ele não gostou muito da notícia que quase o país inteiro pegou o Itachi, e ele não.

— Quanta vergonha. — murmura Naruto, se fazendo de louco.

— Quanta sem-vergonhice, isso sim! — digo eu.

— Sorte a de vocês que o Sasuke não está aqui. — o carneiro mais cretino do mundo resmunga entre os dentes. E eu tapei os meus ouvidos, porque não queria saber daquela valiosa informação inútil. Err.

E lá se foi nossa preciosa liberdade voando livre, leve e solta para bem longe de nós.

Ficamos mais um tempão naquela salinha, um olhando para a cara de bunda do outro, enquanto o Itachi tinha uma “conversinha” com o policial em outra sala.

Nós estávamos cansados, com fome e com sono, e nenhuma perspectiva de poder sair daquele lugar tão cedo. E eu ainda tinha que ficar ouvindo os meninos conversarem asneiras para passar o tempo.

— Geralmente, as fabricantes colocam prazo de validade antes da real data para o vencimento, né? Diz que é! — o sobrancelhudo perguntava para o Kibe, sacudindo-o, preocupado com seu precioso bolo. Na verdade, eu estava começando a desconfiar de que ele ainda não tinha se dado conta de que estava prestes a ir para o xilindró.

— Quantas mulheres cês acham que é possível para um homem pegar numa vida? — Naruto resmunga, preocupado — O Sasuke é bonito e gostoso, mas não posso acreditar que ele consiga mais de oitenta e sete. Seria o cúmulo ele ter pego tudo isso, e não ter me cedido uma noite sequer. Nem por misericórdia!

— Com aquele mau humor todo, já me admira que ele tenha pegado a Karin. — Amoreco resmunga.

— E eu. — lhe lembro.

Ele me olhou meio torto.

— Você não conta. Você é uma menina, não uma mulher.

Mordi o braço dele.

— Aposto que o Itachi estava mentindo. — Naruto conclui — O Sasuke não tem capacidade para pegar tantas. Tem?

E aí, de repente, pela segunda vez, batem na porta. O policial que tinha ficado responsável de ficar de olho em nós abre a porta. E então, eis que para nossa surpresa, ou não, aparece o próprio diabo.

— Mas o que é isso? Macumba? — Neji resmunga — Não podemos mais falar nos Uchihas, e eles brotam assim, do nada?! Que porra loca é essa?

— Isso parece mais um portal do inferno. Fecha, seu policial, que é o Demo. Quero dizer, o emo. — diz o ruivo, para em seguida soltar uma risadinha — Hehehehe.

O Emo cruza os braços, ergue uma sobrancelha.

— Olá, meus amores. — diz, transbordando sarcasmo pelos poros.

— Sasuke, volta para o teu buraco, antes que o sol apareça. —o cabeludo um diz, também cruzando os braços.

Mas é claro que o emo não iria ficar caladinho, e ainda soltou uma risada mais barulhenta do que o necessário.

— BUAHAHAHAHAHAHAHAH! Deus, finalmente, atendeu aos meus pedidos. — diz.

— Achei que você fosse ateu. — o ruivo resmunga entre os dentes.

— Bom, mas para ter o privilégio de vê-los aqui, isso só pode significar que Deus existe, né?

— O que está fazendo aqui, Sasuke? Não me diga que você foi preso também?! Sabe, por tráfico!

O emo pigarreou, olhando de canto para o policial que ergueu uma sobrancelha para ele.

— Ele está zoando com a minha cara. — diz para o homem — É claro que não! Quero dizer, é claro que eu vim aqui só para rir da cara de panaca de vocês! Acho que o macacão laranja* ficaria muito bem em vocês, palhaços. Sabe, já que vocês gostam de chamar atenção...

— Engraçado vocêdizer isso — comentar Neji — Por que eu estava pensando a mesma coisa de você.

O Emo manda um beijo para o cabeludo no ar (se achando muito engraçado com o seu sarcasmo), ao mesmo tempo em que um homem aparece atrás dele, no corredor, olhando para nós.

— Bom, vocês estão liberados. Graças a um... — ele faz uma pausa para ler algo num papel — A um tal de Sasuke Uchiha que pagou pela fiança de vocês.

O emo bufa, revirando os olhos.

— Eu disse para não dizer o meu nome! — o emo resmunga, entre os dentes.

— Ah, desculpa. — retruca o moço — Eu entendi “pode dizer o meu nome”. — err.

Mas todos nós ficamos, tipo assim, chocados como um pintinho recém nascido.

— Hein? —indagamos, incrédulos.

Afinal, era difícil mesmo de acreditar que ele tivesse feito algo assim por nós.

— De nada. Eu paguei pela fiança de vocês, seus palhaços. Estão livres como as bixinhas voadoras que são! Agora SUMAM da minha frente! Mas não sem antes eu tirar uma fota da cara de troxa de vocês. — e rapidinho, o idiota tira a sua câmera da pochete que carregava na cintura e tira uma foto nossa, com flash e tudo, nos deixando cegos — pela foto da torta na cara. — resmunga entre os dentes.

Aí, quando nossa visão voltou ao normal, rapidinho, Naruto voou para os braços do emo. Ou tentou, porque o idiota desviou, deixando o loiro voar contra a parede. E em seguida, Sai se aproxima do emo também.

— Ok, Sasuke, diga logo, quantas vezes por dia você quer que a gente dê o nosso rabo para você, por ter pago a fiança? — assim, bem sério — Vou logo lhe avisando que só tenho uma hora disponível por dia.

O emo revirou os olhos.

— Ahh, agora vocês querem me dar o rabo? Tsc. É só eu sair por um dia da banda, que vocês se desesperam, e viram essa bagunça. Adimitam, vocês não conseguem viver sem mim. — ele diz, todo cheio de si. E todos nós o ignoramos.

— Só espero que o Itachi não tenha jogado fora nenhuma roupa nossa. — Kibe nos relembra. E todos nós concordamos.

— Você não poderia ter vindo antes? — Neji resmunga, dando um empurrão no emo para que ele saísse do nosso caminho — Estamos mofando aqui, nessa espelunca, desde manhã cedo! — acho que o cabeludo tinha ficado traumatizado, porque até passava suas mãos pelos braços, como se precisasse tirar a poeira do lugar de seu corpo.

— Eu paguei a fiança de vocês ao meio dia, mas pedi para soltá-los só agora. Sabe, pelo prazer de vê-los detidos. — e ele ainda sorri.

Todos nós rosnamos pra ele.

— E como você soube que estávamos aqui? — Sai pergunta.

— O tapado do Lee enviou uma mensagem de voz para o meu celular.

Ohh, Lee, aquele fofo, sempre nos salvando nos maiores momentos de sufoco! Até me coloquei nas pontas dos pés, e lhe dei um beijinho naquele rosto querido.

Aí, o emo tira seu aparelho do bolso, aperta alguns botões e coloca a mensagem no viva-voz para ouvirmos.

“Alô, alô, é da padaria? Eu só queria avisar que não vou poder buscar a minha encomenda de amanhã, porque estou indo para a cadeia, tá? Outro dia eu pego.” — err. Depois dessa, acho que a padaria não iria mais querer que ele fosse lá, isso sim.

— Ahhh, eu mandei para você? — o idiota do sobrancelhudo diz — Menos mal. Ainda posso pegá-lo amanhã.

Enfim, fomos caminhando pelo corredor, quando, de repente, Kibe se lembra de algo:

— E o seu irmão? Ele está sendo interrogado na outra sala.

— Ah, ele pode apodrecer na cadeia. — o emo querido, cheio de amor para dar, responde.

Mas nós tivemos que concordar com ele. Só desta vez.

Enfim, fomos caminhando até a rua. Lá, nos deparamos com uma Vaka mascando chiclete, encostada numa moto, olhando suas unhas.

— Bom, obrigado pela diversão, crianças, foi bom enquanto durou, mas eu tenho outras coisas a fazer agora, como me preparar para o show dessa noite, e depois zarpar. Vamos partir para o Canadá ainda nesta madrugada, enquanto vocês dormem com suas chupetas. Hehe. — e então, ele nos deu as costas, e foi atravessando a rua para subir na garupa da Vaka. Digo, da moto da Vaka.

Eu vi como os outros meninos, de repente, pareceram meio cabisbaixos, desviando olhares, revirando olhos ou suspirando, e isso me deixou muito fula. Quero dizer, era injusto com eles, realmente.

Então, quem não podia ficar calada, naquele instante, era eu.

— Por que você faz isso, Sasuke? Por que você age como se não se importasse, quando você obviamente se importa com a banda!

Sasuke se virou de frente para mim, cruzando os braços e fazendo aquela sua cara irritante de deboche, enquanto a Vakarin mostrava o seu dedo do meio para mim. Mas eu não podia continuar calada para aquilo.

— Afinal, porque você viria até aqui, se não se importasse? Acho que já está na hora de você parar com essa brincadeira, e voltar logo para a banda, Sasuke. Não desconte neles a sua raiva por mim.

— Olha, eu sei que eu sou um cara inesquecível, Sarakura dos infernos, mas sabe o que eu acho?

— Eu não quero saber.

— Não tem problema, eu digo mesmo assim. Eu acho que também está na hora de você me esquecer, por que não há cus suficientes nesse planeta que me faça voltar, ok?

— Princesa, — Neji me puxou de volta para o lado da calçada em que os meninos estavam — Não perca seu tempo com esse palhaço metido a Bozo, enquanto não passa de um Ronald MacDonald. Ele não vale tudo isso.

De repente, o clima começou a ficar mais pesado. Sasuke cerrou os olhos, e Neji os dentes.

— Diga o que quiser, Spice Girl, pode ficar com o seu precioso lixo, por que eu não me importo. — e então, se achando o vencedor, o emo idiota dá as costas, pegando o capacete reserva das mãos da Vakarin, que não parava de sorrir.

Mas Sasuke tinha ido longe de mais e o que eu mais temia, parecia estar prestes a acontecer. Pois, o cabeludo me soltou e atravessou a rua. E então, deu um belo empurrão no emo, fazendo-o derrubar o capacete da mão. A Vakarin até soltou um gritinho, assustada com a violência.

— Mas o que é que você está chamando de lixo, Sasuke? — Neji indagou.

Furioso, Sasuke o encarou.

— Hehe. Agora, você vai querer bancar o machinho comigo?

— Eu te fiz uma pergunta! O que é que você está chamando de lixo, Sasuke? — repetiu.

Sasuke soltou outra risadinha.

— É isso mesmo o que você está pensando. Você, ela — apontando para mim — e toda essa bostinha que vocês chamam de banda!

De repente, sem nem pensar duas vezes, Neji deu um belo soco no meio das fuças daquele emo, fazendo-o cair de bunda no chão. Ele soltou alguns gemidos, cobrindo o rosto com as mãos, e aí olhou para o cabeludo, vendo que saia sangue dos lábios.

— No rosto, não, filho da puta! Agora vou ficar com o beiço maior do que a minha bunda!

— Vai combinar muito bem com essa sua cara de cuzão!

E, então, Neji pega na minha mão e, junto com o restante dos meninos, vamos caminhando pela rua até dobrarmos a esquina, onde chamamos uns taxis para nos levar de volta para casa.

Notas finais
Algum comentário? PS: vocês se lembram que o Amoreco e o Lee são advogados, né? xD