Incógnita: Sexo, Drogas e Rock N Roll
17 Dívidas
Notas iniciais
INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL
By Amanur
Capítulo 17 — Dívidas
Na viagem de volta para casa, ficamos todos submersos naquele silêncio mortal, sem saber o que dizer. Era como se, de repente, o emo tivesse jogado um balde de água gelada sobre as nossas cabeças. Ou melhor, um balde cheio de merda, porque, né... Eu não conseguia entender de onde tinha saído tanta baboseira. E quando descemos do táxi, todos foram direto para os seus guarda-roupas. Err. Quero dizer, menos o cabeludo um que precisava de um tempinho para se recompor, eu acho.
— Príncipe, não fique assim. O Sasuke é um idiota. A banda é ótima, vocês são ótimos, as músicas são ótimas. O Sasuke não sabe do que estava falando. Garanto que tudo aquilo foi apenas na boca pra fora.
Ele apenas balançou a cabeça de um lado para o outro, dizendo não. Parecia profundamente inconsolável.
— Olha, realmente, acho inadmissível que ele tenha dito todas aquelas bobagens sobre vocês; — continuei — quero dizer, afinal, ele sabe melhor do que eu todo o esforço que você e o restante dos meninos botaram para conseguir montar a banda, e agora que finalmente vocês conseguem algum espaço na mídia ele se escafede desse jeito? Isso só demonstra o quanto ele é um panaca. O pó deve estar afetando o cérebro dele mais do que pensávamos.
Ele não disse nada. Apenas se sentou na calçada, com aquela cara de quem estava prestes a chorar. Então, para compartilhar minha compaixão e minha solidariedade, que eram infinitas, ahém, passei a mão em suas costas musculosas. Digo, fabulosas. Digo, gloriosas. Não, não, harmoniosas. Ahém.
— Não se preocupe com o que ele disse, cabeludo. — tento de novo, animá-lo.
Aí, ele me olhou com aquela carinha de choro. Chegava a dar dó. Chegava a dar vontade de abraçar aquele cabeludo, apertá-lo bem apertadinho contra o corpo, e passar a mão nele todo. Ahém.
— Não estou preocupado com ele, princesa. É só que a minha mão está doendo muito! — e então, ele se encolhe, abraçado naquela mão idiota — Acho que quebrei um ossinho.
Eu mereço.
Enfim, o carneiro voltou a dar as caras dois dias depois. E para se proteger do que quer que estivesse aguardando por ele em casa, o diabo trouxe consigo artilharia pesada para se defender. A Hotaru.
— Não se aproximem, ou eu solto ela! — diz ele, como se a criança fosse um animal feroz.
Bom, feroz, pelo menos, a gente sabe que ela é.
De qualquer forma, ela se livrou dele antes e saiu correndo.
— Mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe, mamãe — dizia a capeta, digo a espoleta, rodopiando pela sala entre o sofá e quem estivesse na sua frente — Papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai, papai.
— Onde é que fica o botão de desligar dessa criatura? — Kibe pergunta.
Aí, de repente, Itachi a pega no colo outra vez.
— Hotaru, o que foi que eu te ensinei, menina? É para você me chamar de papai somente quando?
— Quando um mulé petuda blincar sorri pala a Hotalu no supe mecaldo.
— Boa menina. — e ele a solta no chão. Ao ver a minha cara de bunda, batendo o pé, ele explica — Elas acham sexy um cara bonito como eu ser pai.
— Aham. Sei. Deve ser o senso de responsabilidade que um pai emite, né?
— Exato. Fico muito feliz por saber que você me entende.
— É um dom.
To desconfiando de que é preciso mesmo um dom para enteder eles.
Mas pena que responsabilidade era tudo o que ele não tinha... Err.
Enfim, os meninos foram se aproximando.
— Itachi, nós temos duas perguntinhas para você. — disse Amoreco, de repente — Primeiro: você tem seguro de vida? Segundo: o que você prefere? Sufocamento, tiro na cabeça, espancamento, quatrocentas facadas, ou afogamento? E você prefere ser enterrado ou cremado?
— Não vou responder, porque foram mais de duas perguntas. — ele responde, bem sério — Mas deixem de palhaçada, temos coisas mais importantes a resolver agora. — diz ele, tentando livrar seu traseiro de uma pancadaria. Isto é, no sentido literal. Err.
— Eu juro que não estava de palhaçada. — o ruivo ainda resmunga entre os dentes.
— Acho que devemos deixar nossas diferenças de lado para resolvermos coisas mais importantes, como...
— Como, por exemplo — Naruto o interrompe — Como diabos você consegue oitenta e sete mulheres? Eu gostaria muito de saber disso. — o idiota até pegou um pedaço de papel e caneta para anotações. Err.
— Não, não era isso o que eu ia dizer... O que eu quero dizer é...
— Ou que tal — sugere Neji, o interrompendo também — Como você conseguiu fugir da polícia, hein? — e ele me olhou — Para que da próxima vez a gente não deixe ele escapar!
Era uma boa ideia.
— Também não é isso... Deixem eu falar, por gentileza!
— Eu tenho uma dúvida também — comenta Sai — Eu gostaria muito de saber quando é que você vai me dar uma chance! — ele parecia profundamente intrigado. Digo, retardado.
— Vocês vão deixar eu falar, ou não? — o carneiro resmunga entre os dentes.
— Eu também gostaria muito de saber o que você fez com o meu guarda-roupas. — interrompe Shikabum — Não consigo achar o meu Snopy.
— Ei, era o meu Snoopy! — eu resmungo.
— Fale com a minha mão. — o idiota me diz, me empurrando para o lado.
Argh.
Nisso, o carneiro já estava começando a comer os seus cabelos, nervoso e impaciente.
— Acho que o mais importante aqui é saber por que ele nunca tem dinheiro! — indaga Kibe. E essa foi uma questão que todos nós votamos como a melhor de todas.
Aí, assim, bem sem vergonha, ele pega a Hotaru.
— Hotaru, é hora da transformação da Mulher Maravilha!
— MUAHAHAHAHAH Enganei vocês! Na verdade, eu não sou a Hotalu. Mas também não sou mulé malavila!
— Hein? — resmungou o carneiro, decepcionado.
— Eu sou a vedadeila Galinha Pintadinha! — e então, ela começa a saltitar com os pés juntinhos pela sala. Só então percebi que ela estava com um vestido azul, cheio de bolinhas brancas.
Fofinha como a mãe. Err.
— Sua traidora, não foi isso o que eu combinei com você! — Itachi resmunga — Para quê ter filhos, se eles não me obedecem? Sakura, acho que a nossa filha está com defeito. Mande-a de volta para a fábrica. — err.
— Culpe o seu esperma, querido.
Ele me mostrou sua língua e eu sorri.
— JÁ CHEGA! — ele berra, dando piti — Cambada, o negócio é o seguinte... Eu fiquei sabendo do que aconteceu com o Sasuke, na frente da delegacia... Aquele almofadinha ligou para nossa mãe, choramingando. Ele se faz de durão, mas é mole na queda...
— Aposto que tem outras coisas moles nele. — diz o Amoreco, maldosamente. Quero dizer, se é que deu pra entender... Err.
— Enfim, essa situação não pode continuar. Aquele imbecil tem que voltar.
— Mas nós não queremos ele de volta! — Neji protesta.
— Então, meu caro desmiolado, sinto em lhes informar, mas vocês ficarão sem um tecladista.
— Do que está falando? E você serve para quê mais? — Kiba pergunta. E devo dizer que é uma pergunta bem pertinente, né.
Afinal, para quê mais ele servia, além de nos atazanar com suas ideias brilhantes não brilhantes?
— Me desculpem, mas eu só sirvo para ser o empresário de vocês...
— Muito mal, diga-se de passagem... — o ruivo comenta, como quem não quer nada.
— Além do mais, o meu negócio é música clássica! Ou seja, música de verdade, não essa barulheira infernal que vocês chamam de música, mas que, por algum motivo indefectível, é o que vende. — diz ele, num tom azedo, coçando o cotovelo.
Coitadinho, devia estar com dor de cotovelo, isso sim.
— Sabe, eu concordo com o Itachi. — Naruto comenta, bem sério. E desta vez, ele parecia realmente sério — O Sasuke foi um dos que organizou a banda. Talvez não estaríamos aqui, se não fosse por ele...
— Tsc. Por favor... — Neji resmunga, cruzando os braços — Ele tocava em barzinhos fedorentos só para chamar atenção de mulheres... Não é como se ele realmente se importasse.
— Ah, mas ele se importa. — eu digo — Caso contrário, não teria pago a nossa fiança, não acham?
Ele me deu uma olhada como quem diz “não começa a defender ele de novo”, e tive que desviar o olhar, por que, para falar e verdade, eu também não sabia porque cargas d’água eu estava tentando defender o idiota do emo, ora bolas. Não era como se eu o quisesse de volta, ou qualquer coisa parecida. Claro não.
Unf.
— Garanto que tem outra desculpa mais cretina por trás do pagamento da fiança. — o cabeludo retruca — Vai ver ele estava só querendo pagar alguma dívida. Ele estava devendo alguma coisa para algum de vocês?
Todos disseram que não. Na verdade, ele parecia realmente inclinado a acreditar que o emo não estivesse nem aí, mas algo me dizia que no fundo, no fundo do seu coraçãozinho ele só estava magoado pelas coisas que o idiota do Sasuke havia dito. E, convenhamos, não dava para culpá-lo por estar assim.
— Aparentemente, o único que está devendo alguma coisa aqui é o Itachi. — de repente, o ruivo aparece com alguns envelopes na mão.
Eram contas a pagar. Tomei os envelopes das mãos dele e fui olhando um por um. A conta de luz estava três meses atrasada, somando uma dívida de mais de mil pratas, me deixando de boca aberta. A de água estava igualmente atrasada, me deixando que queixo caído, e aí, quando vi que a conta de telefone estava quatro meses atrasada, meus cabelos começaram a cair, e ao ver que a conta de gás TAMBÉM estava atrasada, somando no total quase cinco mil de dívida, fuzilei o carneiro com toda a minha fúria.
— Filho da...
— LALALALALALALA — Neji berra, saltando para trás da Hotaru, cobrindo os ouvidos dela — Princesa! Temos uma criança inocente aqui!
Aí, a menina tira as mãos gigantescas do cabeludo de suas minúsculas orelhinhas, e dá um soco no meio do gigantesco churros dele. Digo...ahém.
— FILHA DA... FRUUUUUUUUUUUUTAAAAA! — ele berra, caindo para trás.
— BHUAHAHAHAHAHA É mentilinha! — e ela sai correndo pela sala, e pula no sofá fazendo pose de heroína — Eu sou a mulé malavila disfalçada de galinha pintadinha! Enganei o bobo, na casca do ovo! — cantarola.
— E foi bem nos ovos. — Neji mia. Sua voz saiu tão fraquinha...
— Oh, pobrezinho. — Naruto diz — Quer que eu faça uma massagem?
— Depois. Ninguém toque em mim agora... — diz ele, se encolhendo em posição fetal. Err.
Revirei os olhos, marchando em direção àquela carneiro cretino, que tentava fugir de fininho no meio daquela bagunça. Puxei o seu rabo de cavalo.
— Itachi? — eu digo.
— Hotaruuuu! — ele chama. Err.
— Gostaria de se explicar?
— Ah, não, obrigada.
Belisquei o braço dele, deixando um belo vergão.
— EXPLIQUE-SE! Cadê todo o dinheiro que tínhamos ganhado com os shows, as entrevistas, as fotos para revistas, o vídeo clipe e não vamos esquecer da venda do cd! Não é possível que não tenha dado em nada, Itachi!
— Vocês não estão vendendo tanto assim. Quem manda não serem bonitos o suficiente?! — claro.
— Conta outra, Itachi. — Kibe diz, avançando também.
Aí, todos eles foram marchando em direção ao sem vergonha, até o encurralamos contra a parede.
— Afastem-se, afastem-se! Eu sou claustrofóbico!
— Não é não. — acusa o loiro.
— Sabe o que é? É que eu levo muito à sério aquela máxima que minha mãe sempre dizia, sabe? “Mostre que você tem caráter, e não dinheiro.” Vocês deveriam fazer o mesmo.
— Mas você não tem nenhum dos dois, Itachi. — Kibe o lembra — Acho que você não ouvia muito bem a sua mãe, né?!
— Tá. Tá... Me ofendam. Podem me ofender à vontade. Mas só aceito ofensas escritas em notas de cem ou em cheques, tá? Se você não tem, fique quieto. — o carneiro diz, bem sério.
— Quantos potes de óleo de peroba você gasta por dia, para hidratar essa sua cara de pau, hein? —eu digo — Ainda estamos esperando por uma boa explicação, Itachi. — até cruzei os braços e bati o pé no chão.
Afinal, alguém, naquela casa, tinha que bancar o macho. Errr.
Enfim, só sei que ele estava começando a suar frio. Bufava toda hora, revirava os olhos, coçava o queixo, coçava a nuca, e soltava suspiros atrás de suspiros. Estava totalmente sem saída.
— Eu não entendo porque vocês dão tanta importância assim para o dinheiro se não vão poder levá-lo para o inferno quando morrerem, ora essa.
— Eu não vou para o inferno! — Neji berra do chão, ainda encolhido — Por gentileza, alguém dê um chute na canela dele por mim!
Pode deixar, chutei a canela do cretino. Adoro fazer gentilezas. Sabe como é, gentileza gera gentilezas, né? Ahém.
O carneiro saiu saltitando de dor, resmungando coisas, dizendo “ai, ai, ai, ui, ui, ui” e aí, no nosso momento de descuido, aquele filho da mãe corre até a janela, e tenta pular para a rua. Mas Kibe, Amoreco e Sai quase deram um pulo ninja até o diabo para impedir que o carneiro fugisse saltitando pela rua.
— Ok, ok, ok! Sem violência, sem violência! — o carneiro diz, erguendo as mãos para o alto como se se rendesse, com medo do abraço do Sai. Err — Vocês sabem que eu sou um homem da paz.
— Pena para você que nós não somos. — o ruivo resmunga, louquinho para meter um soco na fuça do carneiro também.
Deve ser algo no sangue dos Uchiha que inspira as pessoas a tanta violência.
Err.
— Eu tenho uma proposta. — Itachi sugere — Talvez eu tenha feito os cálculos errados. Tragam um notebook para cá, para que eu possa acessar a conta bancária conjunta de vocês, e aí vemos todos os gastos e ganhos. Vocês vão ver que eu sou um homem de bem. Estou fazendo tudo direitinho.
Bom, por mais incrível que pareça, aquela parecia realmente uma proposta decente e razoável. Então, Kibe foi até o seu quarto e trouxe o seu notebook.
Nos reunimos em volta da mesa da cozinha, e passamos quase três horas fazendo cálculos e mais cálculos. Quero dizer, eles fizeram, eu apenas dividia um pedaço de torta de limão com o sobrancelhudo. Estávamos sentadinhos no balcão, balançando nossos pesinhos, comendo a torta. Hehe.
Mas o que era realmente intrigante de se ver era o fato de que, enquanto todos quebravam a cabeça tentando lembrar de todos os gastos que tivemos, Itachi estava paradinho mais ao fundo, olhando para o teto, distraidamente. Então, só por curiosidade mesmo, não que eu estivesse querendo acusar ninguém de nada, longe da minha inocente pessoa fazer uma coisa absurda dessas, mas eu precisava abrir a boca, sabe como é, né? Pois bem, chamei sua atenção.
— Itcahi? Você poderia ajudá-los com os cálculos, querido? — eles pareciam mesmo estar com problemas. E eu sabia muito bem que o carneiro era bom em cálculos, apesar dos seus pequenos grandes e inexplicáveis relapsos com dívidas.
— Hum? Ah, ok. — e assim, bem fofinho e inocente, ele se aproxima, olhando para aquele monte de papel espalhados sobre a mesa. Descompromissadamente, ele deu uma reviradinha nos papéis, como quem não quer nada. Em seguida, ele pôs o polegar na boca, franzi o cenho, e fica pensativo por alguns... Segundos. — Ah, sabe o que é? É que eu acho que eu gastei tudinho.
— COMO É QUE É? — foi um som uníssono, produzido por todos nós.
— Então tá, então. Vejo vocês ano que vem! Ou quem sabe numa próxima vida. — e assim, como quem não quer mais nada da vida, ele sai correndo como se sua vida dependesse da fuga. E acredito que depois dessa, dependeria mesmo.
Pois, vejam vocês, é claro que o coletivo de gorilas saiu correndo atrás do miserável, chacoalhando o chão, levando a mesa e cadeiras junto. Mas como eu tinha pernas pequenas, deixei esse trabalho para eles. Fiquei ali, sentada. Peguei uma caneta e comecei a desenhar uma bonequinha de Maria Chiquinhas em cima daqueles números, num dos papéis. Foram tantos neurônios queimados em vão, que chegava a dar pena. Sabe como é, os coitados já não tinham muitos...
Err.
De repente, a Hotaru aparece na cozinha, abraçada num bichinho de pelúcia. Como quem não quer nada, ela senta na cadeira ao meu lado, e fica me encarando sem dizer nada. Eu finjo que não a percebi, e ela senta na mesa e continua a me encarar. Mas quando olho para ela, ela vira a cara para mim. Voltei a desenhar. E ela voltou a me encarar.
— O que foi? — pergunto, sem olhar para ela.
— Cadê o tio Emolóidas?
Olhei para ela, surpresa. Não pensei que ela fosse sentir a falta dele, com tantos tios pela casa para ela brincar e chutar e socar. Err.
— O tio Emorróidas viajou, querida.
— Por que ele foi embola sem dar tchau pla Hotalu?
— Anh... Por que ele estava com pressa. — improviso — E a Hotaru estava na casa da tia Ino, lembra?
— Quando ele volta?
— Não sei. Mas eu acho que ele voltará logo.
— Plomete?
— Plometo. Digo, prometo! — err.
Ela coçou a cabeça, olhando para a Serafina Macho que passava pela cozinha. Ao ver o gato, ela salta da mesa, e o gato sai correndo aos berros.
Meia hora depois, como esperado, por mim, pelo menos, hehe, eles voltam de mãos abanando.
— Filho... da... fruta... escapou. — resmungou Neji, esbaforido, sem fôlego.
— Eu sei, querido. — respondo.
À noite, estávamos reunidos na sala jantando a gororoba que o Naruto tinha preparado com almôndegas e legumes. Estávamos vendo um episódio do Hora de Aventura, que a Hotaru insistiu para ver. Eu fazia trancinhas no cabelo dela (por que já tinha comido), enquanto ela colocava pedaços de pimentão que havia em seu prato no prato do Amoreco, e o ruivo repassava para o prato do Sai, que empurrava tudo para o prato do Naruto, e o loiro, cuidadosamente, os colocava em cima da cabeça do Neji sem que o cabeludo percebesse e ainda roubava uma almôndega. Aí, quando Neji inclinou a cabeça para pegar mais uma garfada do seu prato (por que ele ficou um bom tempo entretido com o desenho animado) choveu pimentão no seu prato. Desconfiado, ele olhou para o teto. Suspeitou que fosse meio impossível que aquilo tudo tivesse vindo do céu, e olhou para o Naruto. Mas o loiro estava disfarçando, fingindo que falava com o japinha. Só que o japinha estava a brincar com o molho de tomate da almôndega, passando nos lábios como se fosse batom vermelho.
Pensando bem, talvez EU devesse ir para um hospital psiquiátrico. Quero dizer, eu só posso ser louca por ter aceitado ficar no meio dessas divindades sem noção!
E como se não fosse o suficiente para o meu interno (para não dizer infinito!) sofrimento, de repente, todas as luzes da casa se apagam e ficamos submersos naquele breu total, sem saber o que fazer, pois não tínhamos velas.
Então, assustada, Hotaru grita com medo do escuro, com aquela sua vozinha estridente infantil. E, claro, Naruto grita, também com medo do escuro, com a sua vozinha estridente, bixinha. Err.
— Que merda, pisei em algo gosmento. — o sobrancelhudo reclama.
— Que seja a merda do gato, que seja a merda do gato, que seja a merda do gato. — o ruivo reza. Err.
— Gaara, você quer cheirar o meu pé? — o sobrancelhudo pergunta, para dar o troco. Hehe.
E aí, ouvimos um estrondo, que não consigo identificar o que poderia ter acontecido. Se eram os dois se pegando no pau (sem segundas interpretações, por favor), ou os outros se pegando no pau (agora podem pensar o que quiser). Err.
— QUEM É QUE ESTÁ APERTANDO A MINHA BUNDA! PARE COM ISSO! — Kibe, de repente, berra.
— É a mulé malavila! AHAHAHAHAHAH. — a diaba diz.
— Ela já sabe o que é bom. — Sai comenta.
— Mulher maravilha, por favor, vá apertar outra bunda. — Kibe resmunga.
— Segurem os churros. Aí vem a Hotaru. — Sininho alerta.
Imaginei todos eles cobrindo suas regiões privadas, com medo. Hehe. Só que, de repente, ouvimos o ronco do Shikabum. Deve estar se aproveitando o escurinho. Err.
— Cacet... Cacetete. — Neji reclama — Parem de puxar o meu cabelo! Quem está aí?
— EU. — todos eles respondem.
Aí, Naruto solta um gemido que parece sair do fundo de sua garganta, mais demorado do que o necessário.
— HUMMMMMMMMMMMMMMM.
Achei melhor nem perguntar por que ele estava gemendo daquele jeito.
Ao invés disso, eu reclamo:
— Maldito Itachi que não pagou a conta de luz... — argh.
Mas aí, de repente, alguém buzina da rua.
Um deles foi atender. Ao abrir a porta, deixando a luz dos postes da rua entrar, vi que era o sobrancelhudo.
— Olha, é o Itachi... Numa van?
Aí, corremos até a rua.
— Ôh, seu filho da mãe, você tem dinheiro pra comprar uma van, mas não tem pra pagar nossas contas? — o ruivo resmunga, batendo na porta do carro.
O carneiro revira os olhos como se tivesse toda propriedade para isso, e abaixa o vidro.
— Isso não é hora de fazer perguntas! Eu não ensinei nada para vocês? — err — E a van não foi comprada.
— Você a roubou, Itachi? Por Cristo, você não tem limites, não? — Neji indaga.
— Deixe de ser idiota! É claro que não roubei! Podem me chamar do que quiser, mas...
— Gigolô. — Amoreco o interrompe.
— Mentiroso. — Kibe diz.
— Enganador. — Neji contribui.
— Gostoso. — Sai também contribui.
— Mesquinho. — Sininho diz.
— Cretino. — eu digo.
— Safado. — o loiro diz.
— Tá, tá, tá. — o carneiro interrompe — Digam o que quiser, mas eu não sou ladrão. A van é alugada. Com pagamento para daqui a três meses, em cento e cinquenta vezes, sem juros, no cartão.
— De quem? — o ruivo pergunta, desconfiado.
— Do Sasuke. Agora entrem logo, temos uma missão a cumprir!
— Legal. Adoro missões. — o japinha um diz, abrindo a porta do acompanhante para sentar ao lado do carneiro. Mas o Itachi não deixou.
— Obrigado por abrir a porta. Entre, Neném.
Naturalmente, Sai passou por mim fazendo cara feia. Err. Como se a culpa fosse minha por ele ser retardado. Digo o Itachi. Se bem que ele mesmo tbm era.
Enfim, entrei no carro, e fuzilei o cretino mais cretino do planeta.
— Você e eu! — lhe digo — Precisamos ter uma conversinha sobre a dívida.
— Neném, numa outra vida.
Tripliquei a potência do meu fuzilamento com um rosnado e outro beliscão.
— Ok, ok, quando voltarmos conversaremos! Saco. — diz.
— Pode apostar!
— Melhor não. — err.
— Então, qual é o plano? — perguntei.
— Muito simples. Nós vamos para o Canadá, sequestramos o Sasuke, colocamos ele dentro de um saco de lixo, amarrado, e o trazemos de volta! — diz ele, dando a partida no carro — Vocês trouxeram a Hotaru? — ele olha para o banco de trás, onde os meninos se acomodavam. Ela estava sentada no colo do Sai com o cinto de segurança passando por cima dos dois — Ótimo! Vamos precisar da Mulher Maravilha para a missão!
— Ok, a Mulé Malavila pode ir na missão de lesgatar o tio Emolóidas! — ela diz, bem feliz, balançando os seus pézinhos.
Ai.
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