Inconsciente
4 Aula de DCAT
Após aquele almoço repleto de olhares cúmplices e meios sorrisos, ambos seguiram para seus salões comunais. Antes, porém, Draco Malfoy lançou-lhe um último olhar — acompanhado de uma piscadinha e um sorriso de lado — que deixou Hermione sem saber se ficava vermelha ou sem fôlego.
As duas coisas aconteceram ao mesmo tempo, fazendo Gina gargalhar alto ao perceber a expressão da amiga, e lógico que não passou despercebido por Harry.
— Ai ai Mi, pelo visto vou assistir a uma comédia romântica a cada refeição. – falou Gin em meio a risadas.
— Fala baixo! — sussurrou Hermione, beliscando de leve o braço da amiga – não é para o castelo inteiro saber! E outra, Ginevra Weasley, não tem nada de romance! – falou já um pouco alterada.
— Tá bom, vamos fazer de conta que eu acredito, mas olha, eu acho bom você resolver logo se vai contar ao Harry e ao Rony, pois se não contar, eles podem descobrir sozinhos e não é a melhor opção. – afirmou a ruiva já com um tom mais sério.
— Eu sei Gin, eu vou contar a eles, só tenho medo deles se afastarem de mim, e principalmente da reação que eles terão. – Hermione já imaginava Rony vermelho de raiva, furioso e dizendo que ela pirou.
Ela não queria magoá-los. Amava os amigos — e a ideia de perdê-los doía mais do que admitir o que sentia por Draco. Por um tempo no ano passado, até achou que gostava de Rony de uma maneira diferente, mas viu com o tempo, que eram apenas bons amigos. A reação de Harry, ela não saberia precisar, pois o amigo é mais calmo e segundo ela, demonstra mais confiança na amizade que tem. Mesmo sabendo que há poucas chances de acontecer, ela gostaria muito que Harry compreendesse e aceitasse, afinal, ela não está pedindo para que fossem amigos de Draco, apenas aceitassem a nova escolha dela, e entendessem que ela jamais vai abandoná-los.
— Olha Mi, independente da reação deles, principalmente do “cabeça de vento” do meu irmão, eu irei estar ao seu lado, não se preocupe! – afirmou a amiga dando um abraço em Hermione, elas já estavam em seu dormitório. – e avise aquele loiro aguado, que se ele te magoar, ele sofrerá o dobro! – completou sorrindo.
— Obrigada Gin, eu amo-te demais! – afirmou para a amiga. – você é a melhor amiga que eu poderia ter!
— Tá bom, eu sei, obrigada! Você é uma amiga legal! – Brincou Gin recebendo um revirar de olhos – eu amo você também!
O restante da tarde de domingo se passou calmo. Hermione retornou ao salão comunal onde se encontrou com as outras meninas.
À noite, a Hermione deitou-se para dormir. Ela tinha em mente cabelos loiros, um sorriso de lado que a fazia suspirar, e um olhar cinza que quase a intimidava. e adormeceu lentamente, envolta em sonhos quase lúcidos
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O dia amanheceu um pouco mais frio em Hogwarts, considerando a aproximação constante do inverno. Hermione levantou cedo como sempre, fez sua higiene matinal, e desceu junto com suas amigas para tomar café. Conforme seus horários, teria aula de defesa contra as artes das trevas, com o novo professor que vinha trazendo aulas dinâmicas e muito divertidas segundo Hermione.
É claro que, considerando o horário duplo que Hermione fazia com ajuda do seu vira-tempo, ela iniciou pela aula de história da magia. Cumpriu os períodos necessários e, em seguida, escondeu-se em um armário de vassouras, girando o colar do vira-tempo com cuidado.
Assim que viu que sua viagem no tempo deu certo, dirigiu-se com rapidez à aula de Defesa Contra as Artes das Trevas (DCAT), onde acabou chegando um pouco atrasada, mas não foi percebida. Assim que tirou seus materiais da mesa escutou uma voz muito conhecida por ela, mas que não era do professor Lupin.
— Página 394! — afirmou o professor Snape.
— Lobisomem? — questionou Rony.
— Mas senhor, nós só vimos barretes vermelhos e hinkypunks! Criaturas noturnas seria depois! — disse Hermione com rapidez por instinto.
— Calada! — exclamou o professor.
— De onde ela veio? Você viu ela entrar? — perguntou Rony a Harry.
— Agora, quem pode me dizer a diferença entre um animago e um lobisomem? — perguntou o professor à turma, momento em que, Hermione prontamente levantou a mão. — ninguém? Que decepção!
— Por favor senhor… um animago é um bruxo que escolhe de transformar em um animal e um lobisomem não tem escolha! Em toda lua cheia quando se transforma ele não se lembra mais de quem é! Mataria seu melhor amigo se cruzasse com ele, e o lobisomem só responde a uivo de sua espécie! — explicou Hermione
— Auuuu! — falou Malfoy com intuito de provocar Hermione.
— Obrigado senhor Malfoy! — agradeceu o professor enquanto dirigia um sermão a Hermione por ter se manifestado sem permissão.
Após o professor terminar, Hermione olhou para Draco revirando os olhos, e este, quando notou o olhar da castanha de chateação após sua brincadeira, piscou apenas um olho para demonstrar que não foi por mal a brincadeira.
Hermione apenas balançou a cabeça negativamente e evitou um sorriso teimoso, e se esforçou em prestar atenção na aula. Após alguns segundos, percebeu um origami em forma de pássaro pousar em seu pergaminho. Olhou para os lados e percebeu um loiro muito atento em sua reação.
Abriu o origami e leu o bilhete em que estava escrito com uma caligrafia impecável:
Desculpe, sabe-tudo. Não queria te deixar chateada. Mas é mais forte que eu, você fica linda quando fica brava.
D. M.
Hermione pensou em responder, ficou um pouco sem reação após aquele elogio. Ele achava ela linda? Como isso seria possível?
Acabou por desistir de responder, já havia perdido 5 pontos de sua casa por falar sem permissão, não poderia se arriscar novamente, então apenas deu mais uma olhada muito envergonhada a Malfoy, que retribuiu ao olhar com um sorriso nos lábios.
Esses olhares não passaram despercebidos pelo professor. Principalmente após perceber que a brincadeira feita por Draco não veio carregada de maldade como sempre, e que sim, teve um tom divertido.
Ao notar um origami voando da mesa do Sr. Malfoy até a mesa da Srta. Granger, e os olhares e sorrisos que se iniciaram a partir daí, o professor interrompeu a aula por um breve instante. Olhou para ambos, que logo continuaram a fazer as anotações sobre a aula.
— Sr. Malfoy, espero que seus talentos artísticos não o distraiam da aula. — Afirmou o professor em direção a Malfoy, que apenas assentiu com a cabeça e seguiu prestando atenção em seu trabalho, sem antes dar mais uma olhada disfarçadamente para a mesa de Granger.
Assim como o professor, Harry também viu Hermione abrir o bilhete, estava sentado ao lado da castanha, porém não conseguiu ver o que estava escrito, apenas viu que ela olhava para o lado constantemente, da mesma forma que Malfoy também olhava em direção a ela. Ele estranhou, não poderia ser possível? Poderia?
Ao final da aula, Hermione guardou seus materiais com rapidez e seguiu para a próxima sala. Estava atrasada. Não percebeu que, poucos segundos depois, alguém a observava deixar o recinto — e então a seguia. Subiu as escadas quase correndo, determinada a chegar à sala de Astronomia, em um dos andares mais altos do castelo. Foi quando sentiu um puxão em seu braço.
Não foi brusco. Apenas firme o suficiente para fazê-la parar e se virar de repente, ficando frente a frente com quem a detivera.
Hermione abriu os olhos, surpresa — e percebeu que estava perto. Muito perto. Reconheceria aquele perfume em qualquer lugar.
Seu olhar subiu lentamente, até encontrar os olhos cinzentos que, ultimamente, parecem sempre lhe roubar o fôlego.
— Hermione.
Ele a chamou pelo primeiro nome. Apenas pelo primeiro. Pela primeira vez. Apenas o nome — e algo novo na forma como ele o dizia.
— Draco? — respondeu, confusa, ainda tentando entender o que estava acontecendo. — O que faz aqui?
Ele demorou a responder. Seu olhar desceu rapidamente até a mão que ainda segurava o braço dela — e, como se só então percebesse, afrouxou os dedos. Mas não soltou completamente.
O toque permaneceu ali. Leve. Indeciso.
— Eu… — começou, mas parou. Passou a mão livre pelos cabelos, claramente nervoso. — Eu só… não queria que você fosse embora sem falar comigo.
Hermione engoliu em seco. O coração batia mais rápido do que gostaria de admitir.
— Draco… — disse, experimentando o nome como se fosse algo novo também.
Foi a vez dele prender a respiração.
Por um instante, nenhum dos dois falou. O corredor parecia estreito demais para tanta proximidade.
Hermione então se lembrou do horário.
— Eu preciso ir — murmurou, quase a contragosto. — Tenho mais dois períodos de aula.
Ela fez menção de se afastar, mas sentiu os dedos dele apertarem levemente seu braço, como se pedissem mais um segundo.
— Depois? — perguntou, baixo. — A gente… conversa depois?
Ela assentiu, com um pequeno sorriso.
— Depois.
Quando Draco se inclinou um pouco mais, e seus dedos roçaram os dela por um segundo a mais do que o necessário, Hermione sentiu algo apertar em seu peito. Não era desconforto. Era exatamente o oposto.
E foi isso que a fez se afastar.
Hermione se afastou, soltando sua mão de Draco, o coração acelerado, sem olhar para trás.
E Draco ficou ali, parado no corredor, sentindo o calor do toque que ainda permanecia em seus dedos — e sabendo, com uma clareza incômoda, que nada daquilo era mais simples do que deveria ser.
A sala de Astronomia estava clara naquela manhã. A luz do sol atravessava as janelas altas, refletindo nos pergaminhos e nos instrumentos dispostos sobre as mesas.
Hermione ocupava seu lugar de sempre, pena em mãos, copiando os esquemas no quadro quase por reflexo.
O professor falava sobre ciclos, órbitas, previsibilidade dos movimentos celestes.
Previsibilidade.
Hermione quase sorriu com ironia.
Seus pensamentos estavam longe demais para acompanhar aquela lógica perfeita. Desde quando algo tão inesperado havia se infiltrado em sua rotina?
Draco Malfoy definitivamente não fazia parte de nenhum plano bem organizado.
— Senhorita Granger?
Ela piscou, voltando à realidade.
— Sim?
— Poderia repetir o que acabei de explicar?
Hermione respondeu corretamente, como sempre.
Mas, pela primeira vez, não sentiu satisfação nisso. O horário de almoço chegou rápido demais, como se a manhã tivesse passado em um piscar de olhos.
Mesmo tentando prestar atenção na conversa da mesa, Hermione sentia, com clareza incômoda, quando Draco a observava.
Não era constante. Era pior.
Um olhar rápido. Um canto de boca erguido. Um breve encontro de olhos que fazia seu estômago revirar.
Quando seus olhares se cruzavam, o restante do salão simplesmente deixava de existir.
À luz clara que entrava pelas janelas do Salão Principal, os olhares pareciam ainda mais evidentes — e, ao mesmo tempo, mais difíceis de sustentar.
Após todas as aulas da tarde finalmente chegarem ao fim, Hermione deixou o castelo sem avisar ninguém. Não voltou ao salão comunal, não passou pela biblioteca, nem esperou Gina, que certamente teria algo a comentar sobre os olhares trocados durante o almoço. Precisava de ar. Precisava de distância. Precisava, acima de tudo, organizar os próprios pensamentos.
O toque breve mais cedo ainda insistia em sua memória, como se tivesse durado muito mais do que alguns segundos. Não fora invasivo, não fora errado — e talvez fosse exatamente por isso que a deixara tão desconcertada. Draco não avançou. Não pressionou. Apenas esteve ali. Próximo demais. Natural demais.
E ela quis muito ficar.
Esse pensamento a acompanhou enquanto caminhava pelos corredores de Hogwarts até alcançar os terrenos externos. Sem perceber, seus passos a levaram em direção à quadra de quadribol — um lugar amplo, aberto, onde o vento parecia carregar para longe qualquer coisa que pesasse demais.
Hermione subiu apenas alguns degraus da arquibancada, escolhendo um lugar mais baixo, onde ainda se sentia segura. Nunca gostara muito de altura, e não era aquele tipo de vertigem que precisava enfrentar naquele momento. Sentou-se, apoiando o livro no colo, observando o campo vazio à sua frente, onde a grama parecia ainda mais verde sob a luz suave do fim de tarde.
O céu começava a mudar de tom, anunciando o início do entardecer. Hermione abriu o livro, embora soubesse — antes mesmo de tentar — que não conseguiria se concentrar em nenhuma linha.
Foi então que ouviu o som inconfundível de uma vassoura pousando no chão.
Seu coração falhou uma batida.
Ela fechou os olhos por um breve instante, como se isso pudesse evitar o inevitável. Mas a voz veio logo depois, baixa, firme, carregada de algo que fez seu estômago se contrair.
— Está me evitando, Granger?
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