Notas iniciais
Ooooolá, Califórnia... Ok, eu sei que demorei, MELS DEUSES e vou dividir o capítulo ao meio pra eu não demorar mais. Esse ia ser o capítulo do cinema, mas pra não ficar enorme e demorado, vou dividir no meio, então acho que até sexta já deve ter o próximo capítulo, que já está quase pronto. Enfim, espero que gostem... Ah, e essa da imagem é como eu mais ou menos enxergo a Sol. Ps: Postei de novo por que tinha um erro.

Por muito tempo as pessoas iam embora da vida de Sol. Ou nunca existiram.

Seu pai, por exemplo, era uma das que nunca tinham existido, ele passava tanto tempo fora de casa que era mais um objeto sem sentido quando aparecia. Ela não o culpava, nunca culpou, trabalho era importante. Os melhores amigos de Sol, por outro lado, geralmente eram os que iam embora, ela entendia, mas, depois de um tempo, ela aprendeu a deixar as pessoas e fugir.

Ela sempre fugia. Das responsabilidades, de emoções, amizades, alegrias… Sol nem sabia como havia tanta gente que gostava dela sendo desse jeito. Mas ela não conseguia evitar, simplesmente tinha um tempo que ela precisava se afastar de tudo para se encontrar, para não pirar de vez.

E ela odiava aquele período. Era como se ela estivesse ali, e ao mesmo tempo não estivesse. Um vazio grande no peito, lhe fazia pensar que a vida não valia muito a pena. E Sol sabia que não valia mesmo, que era verdade. Mas ainda assim ela continuava. Só… Ás vezes ela precisava fugir por muito tempo e pra longe. E sumir.

E era por isso que estava morando ali. Não que tenha dado muito certo. Bem, tinha criado alguns poucos e queridos amigos ali, era verdade, mas ela os deixaria sem hesitar se fosse necessário. Sol nunca conseguia se apegar a nada tanto assim. Ela não amava loucamente, não conseguia. Nunca.

E ela pensava em tudo isso enquanto escrevia em seu… Bem, algumas pessoas encarariam aquilo como diário, mas ela chamava de “Cartas para Lua”, por que Sol só escrevia ali quando estava com muita raiva de algo. Ódio puro e límpido. Era um arquivo em seu notebook guardado com senha.

Sua mãe tinha ligado e pedido que ela voltasse para casa. Pois Esther estava com saudade da filha, teoricamente. Quando Sol disse que não abandonaria a escola no meio do ano letivo, Esther começou a jogar na cara da garota todas as frustrações que passou na vida, todas as coisas que deu a filha e como Sol era uma mal agradecida e que quando a mãe precisava dos conselhos da menina e da ajuda dela com os irmãos, ela ia embora. Disse que Sol ia se arrepender, que deus ia castigá-la por ser uma filha ruim, não era a pior coisa que Sol já havia escutado da mãe ou do pai, mas ainda assim...

Bem, Lua, acabei de brigar com minha mãe novamente.

Eu não fiquei em casa, ajudando ela com as crianças e com a vida dela, e eu tinha que ter feito isso. Só eu que odeio ter de fazer as coisas? Ela quer que eu seja como ela, mas eu não quero. Minha mãe não é o tipo de exemplo feminino que eu pretendo seguir. Pode ser ruim dizer isso, mas é a verdade. Minha mãe é exatamente o tipo de pessoa que eu não quero ser e, sinceramente, na minha cabeça tudo que ela tem a ensinar me conduzirá a acabar como ela. Eu tenho horror a isso. É como morrer, só que sem se libertar de nada, muito pelo contrário.

Ela ameaçou queimar meus livros. Se ela fizer isso eu me suicido. Não é uma ameaça, é simplesmente um fato. Meus livros são a minha vida e a minha alma, se ela tirar a minha vida eu seria apenas uma casca vazia que definharia com o tempo. Melhor seria acabar com tudo de vez. Se ela quiser meu bem espero que não faça isso.

Eu não aguento mais isso...

Acabei de rir, ao reler minha última frase. Quantos adolescentes frustrados nunca disseram isso? Será que isso é uma fase? Não sei, mas por enquanto estou sendo levado pela onda. Por enquanto.

Faz algum tempo que não brigamos de verdade, mas quando o fazemos é sempre pelos mesmos motivos... Patético. Ela quer me obrigar a sentir amor por ela, quer me obrigar a ficar por perto, quer me obrigar a ser alguém que eu não sou. Bem, bem, se eu fosse a filha que minha família quer ter, eu seria uma pessoa que eu não gostaria de ser.

Sinceramente? Eu não amo meus pais e aquele papo de amor incondicional? Besteira. A condição para o tal amor já é o próprio fato de ser mãe, pois, se ela não fosse minha mãe, não me amaria. E, outra, a família é uma das instituições mais comerciais que existe no mundo. E pior de todas, em minha opinião, pois ainda é disfarçada.

Deixe-me fazer entender: Quando você faz ou fala algo que seus pais não aprovem, o que é a primeira coisa que eles te dizem? “Eu te dou tudo e é assim que você retribui?”, “Se você não fizer do jeito que eu quero te tirarei o que mais gosta!”, “Você não merece que eu compre nada para você”, “Se você se comportar, compraremos o que você quer” e milhares de outras coisas que você, eu e todo adolescente desse mundo já escutou.

Eu não pedi para nascer, Lua. Eu fui um acidente, estraguei a vida dos meus pais, dois adolescentes inconsequentes. Também não pedi que eles me criassem, fizeram isso por que quiseram... Então por que tenho de dever algo por isso? Será que é uma cobrança pela liberdade deles que eu tirei? Pretendo pagar tudo que devo a eles um dia, não quero dever nada a essa casa de penhores que fez o favor de me criar. Não quero dever favores a ninguém.

Minha mãe... Sabe, às vezes acho que ela não deveria tentar me passar lições de moral. Até por que isso é algo que ela não tem. Não me julgue malvada por isso, é bem simples: A única coisa que minha mãe tem mais que eu, é idade. Sou intelectualmente muito mais inteligente que ela, até onde eu saiba tenho certas experiências de vida que ela nem sonharia em ter, fora outras coisas. E eu sei que estou soando arrogante e prepotente falando dessa forma.

Ah, acabei de lembrar que tem mais duas coisas que minha mãe tem a mais que eu: Fracassos e humilhações. Por que ela é uma verdadeira fracassada em tudo, inclusive comigo. Ela e meu pai finalmente conseguiram que eu desista de tudo. Palmas, eles merecem. E, bem, no campo das humilhações minha mãe já deve ser perita. Foi tão humilhada na vida, ouvindo tudo calada e de cabeça baixa que eu nem sei mais o que poderiam dizer pra ela.

Sol ficou calada enquanto sua mãe falava, esperou para despejar tudo em seu diário. Ela aprendeu a muito tempo que falar era muito pior, que discutir só ia piorar a situação. Então ela simplesmente aguentava calada, lembrando a si mesma que em pouco tempo ela nunca mais precisaria escutar nada daquilo, que em pouco tempo estaria livre. Livre.

Depois de escrever toda a sua raiva no computador e chorar de tanta raiva. Sol simplesmente dormiu, provavelmente esgotada depois de tanto esforço em se manter calada e não responder a sua mãe com o que sua língua coçava por dizer. Então ela dormiu profundamente.

Toc. Toc. Toc.

— Solzinha, querida, tem um garoto aí, atrás de você. É um tal de Nathan. — Rose, a empregada da casa, sacudiu a morena delicadamente.

— Que? — Sol perguntou, confusa e sonolenta.

— Tem um menino aí, Nathan, atrás de você. — Sol se levantou de um pulo, mas suas pernas não acompanharam o resto de seu corpo e ela voltou a cair na cama, sem contar na dor de cabeça que lhe deu.

— Aí, Rose do céu, eu tinha esquecido que ele vinha aqui. — A menina falou, jogando um travesseiro no rosto ainda com sono. Bem que Nathan podia ter se esquecido ou, simplesmente, não aparecido mesmo, Sol realmente não ia se sentir nenhum pouco ofendida de poder dormir mais um pouco.

— Quer que eu diga pra ele vir depois? — Por trabalhar a muito tempo com Catarina, Rose era expert em dar desculpas para as visitas. Catarina odiava ser surpreendida por visitas, principalmente quando estava dormindo ou trabalhando.

— Sim, sim… — Sol murmurou sonolenta e se virou, pronta para voltar a dormir.

Mas então lembrou do que Elena lhe disse. Pra criar um aliado. Um aliado é muito mais útil do que uma pessoa que lhe detesta, certo? Na pior das hipóteses, ela teria um amigo ou um cara bonito pra beijar e depois ignorar… Não era tão ruim assim.

— Rose, espera aí… Diz pra ele que eu vou demorar um pouquinho, mas já desço. — A mulher sorriu e desceu.

Sol respirou fundo e sentou-se na cama, esperando que a tonteira passasse e que seu cérebro despertar-se um pouco mais. Então levantou e foi tomar um banho rápido e gelado. Embaixo do jato começou a divagar sobre o que faria uma pessoa que conhecia Sol de verdade tentar manter uma amizade com ela.

Sim, era verdade que ela era inteligente, com um QI de 147. Sol podia falar sobre qualquer coisa, como adorava aprender, sempre estava informada sobre tudo, o que a fazia uma ótima pessoa para se conversar, de receitas de cozinha à música pop, de livros à moda. Ela era bonita, criativa, engraçada, não pegava no pé de ninguém, sempre disposta a ajudar, não tinha vergonha e evitava brigas. Contudo Sol era grossa, insensível, fechada, orgulhosa, prepotente, autoritária, extremista, calculista, arrogante, irresponsável, crítica, opiniosa, rígida e, algumas vezes, fútil.

Mas talvez o pior de tudo era ela não ver defeitos em si mesma. Sol admitia que certos aspectos dela eram considerados defeitos pela sociedade, mas ela achava que aquiles “defeitos” combinavam consigo mesma e, portanto, não seria um defeito e sim parte dela, apesar, obviamente, de tentar conter os excessos de certas características suas.

Sol tinha uma mente altamente prática, realista e desconfiada, uma mente que buscava sempre a lógica por trás das ações das pessoas. Então, mesmo com suas qualidades, ela não via que ganhos uma pessoa podia ter para se interessar em ser sua amiga.

Ela saiu do box, se enxugou e olhou seu reflexo no espelho. Olhos grandes, escuros e brilhantes, até pareciam um pouco inocentes. Por que uma pessoa aturaria um gênio como o de Sol? Por que alguém aturaria uma garota que pode desaparecer a qualquer momento sem explicar? Alguém praticamente sem sentimentos? Será que ninguém via o perigo que estava se expondo ao se apegar a Sol?

E, no final de tudo, não importava. Nada importava. A morena sempre avisava às pessoas para não se apegarem a ela. Lembrou do que Elena falou, “Ele ainda está apaixonado por você, Sol”. O ele em questão era Pedro, um garoto absolutamente perfeito. Divertido, paciente, inteligente, bonito, forte, independente, confiante e que conquistou todos os amigos de Sol. E, ainda assim, ela não sentia nada por ele.

Sol avisou pra ele. Avisou que não se apaixonava, que apenas se divertia. Pedro entendeu, mas, mesmo assim, se apaixonou – segundo disse – por ela. Ele começou a ficar carinhoso demais, amoroso demais, insistente demais e Sol, simplesmente, sumiu da vida dele, sem dizer mais nada. Isso, claro, foi alguns dias antes de ela decidir que estava cansada daquela escola e, quando a confusão estourou, foi o motivo perfeito para Sol sumir da vida de todos ali, sem olhar para trás um segundo, apesar de vez ou outra sentir saudades de algumas pessoas.

Ela balançou a cabeça e se pôs a escovar os dentes, ocupando sua mente com as escolhas de roupas que tinha. Como estava distraída, acabou machucando a gengiva e ignorando a dor e o gosto de sangue e pasta de dente na boca. Foi para seu quarto, jogando a toalha no cabide. Começou a revirar suas roupas.

Jogou um vestido salmão na cama, um azul, um preto, uma camiseta branca e outra rosa, uma saia preta com tachinhas e chutou uma sapatilha vermelha, que combinava com tudo ali. Vestiu primeiro o azul, que tinha um pouco de babado no decote e era de alças, mas não gostou. Vestiu a saia, tentou combinar com as blusas, mas todos acabaram jogador no chão. Depois de algum tempo se decidiu por um vestido roxo que encontrou, rodado e de corte simples, colocou um cardigã preto por cima e escolheu sapatilhas de cor rosa e com pedrarias coloridas, prendeu a franja para trás, formando um topete e passou batom rosinha e muito rímel. Estava pronta.

Desceu as escadas e encontrou o garoto, Nathan, mexendo no celular. Sol pigarreou e o garoto levantou a cabeça rapidamente.

— Oi, demorei por que eu estava dormindo quando você chegou. — A menina falou e deu de ombros.

— Tudo bem, eu adoro esperar, por isso cheguei cedo. — Nathan sorriu e levantou, se espreguiçou preguiçosamente, a camiseta preta e lisa levantou o suficiente para ela ver os músculos da barriga e uma leve trilha de pelos negros. Sol se imaginou mordendo aquele tórax e deu um sorrisinho, sem conseguir frear sua imaginação, principalmente por que ele fazia aquilo sem segundas intenções, isso ela notou. E rapidamente voltou a posição normal, em que a barriga mordível não aparecia.

— Eu… Estou pronta. — Falou, por falta do que dizer e Nathan sorriu.

— Então vamos. — Ele indicou que ela seguisse na frente, Sol pegou seu celular que estava na mesinha perto da escada e colocou entre os seios, preso no sutiã e seguiu para fora, escutando risadinhas de Nathan. Fora estava um carro bonito, provavelmente importado, no melhor estilo dos de corrida dos anos 70, preto e com duas listras brancas no capô.

— Bonito carro. — Sol admitiu. Nathan sorriu.

— Obrigada. — Falou simplesmente, apesar do orgulho na voz e destravou o carro.

— É um Dodge Challenger... SRT8, certo? De 2007? — Sol puxou pela memória a lembrança, sabia que conhecia aquele carro e estava levando a sério o conselho de Elena de atrair aliados.

— 2008. — Nathan corrigiu, mas o queixo estava no chão. — Você se interessa por carros?

— Um pouquinho, mas prefiro motos. — Novamente deu de ombros e se aproximou do carro. — Em fibras de carbono, não são? — Disse após passar os dedos pelas listras brancas no capô, ao olhar pra cima viu um Nathan incrédulo. — Por que essa cara?

— É bem difícil encontrar garotas que se interessem por carros. Bastante difícil. E fica mais difícil se o assunto é motos. — Sol sorriu e o moreno se encostou a lateral do carro.

— Então, pode-se dizer que eu não seja uma garota comum. — A menina abriu mais o seu sorriso, mas mentalmente fez uma careta.

Sol simplesmente achava estúpido pessoas que ficavam se dizendo diferentes das outras, se achando estranhas, anormais e, no fim de tudo, se achando especiais por serem “diferentes” da maioria. “Olha só pra mim, eu sou tão diferente de todo mundo, eu sou tão louco, as pessoas não aceitam meu jeito de ser.” E blá, blá, blá.

Uma coisa que ela aprendeu conversando com todos os tipos de pessoas é que todas eram a mesma coisa e queriam a mesma coisa. A diferença estava na determinação de cada uma. A garota tímida, estudiosa e mal arrumada chamava a linda e popular de vadia, por que essa conseguia atrair mais a atenção do sexo aposto e tinha uma roda maior de amigos, a popular, por sua vez, chamava a tímida de vadia por essa ser submissa e puxa-saco. Se ambas parassem pra conversar descobririam coisas em comum. O mesmo acontecia com os garotos.

A base de todo preconceito era a ignorância. Ambos os lados não se conheciam, mas, no final, faziam parte da mesma moeda. Sol sabia disso, ela só tinha, geralmente, preguiça de conversar e tédio das pessoas e, como todo mundo, ela também tinha seus preconceitos. Raramente se encontrava alguém realmente interessante. Chuck era uma dessas pessoas interessantes.

— Talvez. — Nathan falou com um sorriso espertinho e foi até o lado do motorista, Sol franziu levemente o cenho, começando a sacar o moreno. — Vamos logo se quisermos ver um bom filme.

— Ok. — Ela falou, começando a sorrir mais sinceramente e entrando no carro.

— Então, Sofia…

— Sol, meu nome é Sol. — Ela corrigiu e o olhou, esperando para avaliar a reação dele.

— Ah, Sol? Eu pensava que seu nome era Sofia, foi o que… Me falaram. — Nathan franziu o cenho, confuso.

— É que eu menti meu nome. — A morena falou sem nenhum mísero traço de vergonha. — Vamos começar tudo de novo, então… Olá, prazer, meu nome é Sol. — Ela sorriu, sabendo que aquilo seria o mais próximo de um pedido de desculpas que chegaria, mas Nathan sorriu e balançou a cabeça, parecendo aprovar aquela atitude.

— Sou Nathan, mas o prazer é todo meu. — Brincou e deu partida no carro.

— É inevitável, eu já ganhei. — Jonathan se gabou, sorrindo convencido.

— Esse jogo ainda não acabou, idiota. — Matheus riu e deu uma cotovelada no amigo.

— Vocês sempre tentam me ganhar, mas, cara, eu sou o melhor e ponto. Cê quer aumentar as apostas aqui? Por que eu me garanto nessa porra. — O corpo de Jonny sacudia de tanto que ele ria, apesar da concentração.

— Eu nem me meto mais nisso… — Carlos falou, dando de ombros.

— Veado! — Os quatro garotos do time reunidos na casa de Jonathan gritaram para Carlos.

— São vocês, seus pau no cu. — Ele gritou de volta, sem se sentir nenhum pouco ofendido e Eddie empurrou a cabeça de Carlos.

— Ah, pega porra! Ganhei de novo. —Jonathan gritou, pulando em pé e comemorando como se tivesse ganhado a Copa do mundo.

— Grandes bostas, isso é só um jogo, seu imbecil. — Matheus deu de ombros, como se não se importasse, mesmo que soubesse que, caso tivesse ganhado, faria a mesma coisa.

— Como eu dizia… Eu sou o melhor em videogame aqui, seus merdinhas, quem vai querer me enfrentar agora? Ahn? Quem vai querer me dar um dinheiro fácil, aí? — Jonny falou enquanto se enchia como um pavão.

— Eu passo. — Carlos falou e levou um tapa de brincadeira de Eddie, que apenas ria. Carlos tinha os cabelos castanhos, cacheados, brilhantes e grandes, seus olhos eram quase verdes e sorria sempre de forma quase tímida, apesar de não ser nenhum pouco.

— Então vou eu. — Eddie falou com um sorriso espertinho. Jonathan sorriu, já prevendo a vitória, e iniciou o Mortal Kombat.

— É Eduardo Lancaster, agora já começou. — Jonny falou rindo, sabendo o quanto o amigo não gostava de ser chamado pelo nome e começando os golpes no jogo.

— Sabe, pessoal, acho que o Nathan já deve ter ido buscar a Pinóquio para sair. — Jonny franziu o cenho ao escutar as palavras de Eddie, tentando se concentrar no jogo totalmente, mas sua mente se dividiu em pensamentos.

— Para onde eles vão? — Jonathan perguntou depois de tentar – e não conseguir – manter o foco apenas no jogo, Eddie já tinha conseguido tirar metade da vida do loiro.

— Parece que vão para o cinema. — Eddie disse e Jonathan pareceu querer quebrar o controle, antes de vencer a primeira luta, uma que o moreno quase venceu. Então a segunda começou e Eddie sorriu, empurrando seus cabelos negros para trás. — No escurinho do cinema… — Ele cantou.

Jonny se manteu calado, e notou que os outros meninos estavam calados, dava quase pra sentir uma certa tensão no ar. Jonny não entendo, mas não gostou nenhum pouco da sensação estranha que se instaurou nele, parecia que o ar estava mais denso e que ele tinha que fazer mais força para respirar.

— Ah, mas já era de se esperar que, em algum momento, essa menina fosse ceder. — Eddie continuou e Jonny começou a se concentrar em respirar e jogar. — Lá no fundo, todas as garotas são e querem as mesmas coisas, eu, pelo menos, nunca conheci uma que fosse diferente.

O moreno riu e Jonny jogou com uma agressividade maior que o habitual, vencendo com ainda mais facilidade do que antes. Eddie pareceu murchar e Jonathan sorriu.

— E mais uma vez o mundo prova que eu sou melhor. — Jonny comemorou, batendo nas costas do moreno. — Alguém mais vai querer me enfrentar?

Quando todos os meninos recusaram e começaram, cada um, a defender um lugar onde queriam comer, Jonathan ficou chateado, às vezes era ruim ser bom demais, às pessoas desistiam de te desafiar e a vida sem um desafio era chata.

Ainda assim ele entrou na discussão e, depois de algum tempo, se decidiram pelo McDonald's. E assim saíram.

Notas finais
Ooooooooiii, de novo. O que vocês acharam desse capítulo? Gostaram do Nathan? Do Eddie? Já tem algum personagem favorito? Eu sei que esse capítulo foi chato e que os pensamentos da Sol são um tanto... Um tanto... Ácidos ~ eufemismo mode on. Enfim, Beijos de Luz *3*