Incondicionalmente
3 Capítulo 2 - Elenna Matthew
Notas iniciais
Chicago – 1994
— Elenna, vamos nos atrasar! – gritava um ansioso Brian Matthew.
— É mãe, vai rápido! – a pequena Emily suplicava.
Elenna desceu correndo e tossindo muito, não estava tão frio mas foi vestindo sua blusa de lã por cima da camisa social, era sábado e não faltavam na igreja um sábado sequer, o que atrasara tanto a jovem mãe? que não era mais tão jovem.
Todos entram desesperados no carro, Elenna entra com o peito cansado das tossidas que deu e se acomoda no banco do passageiro da frente do carro, havia tossido demais.
— Que foi! – Brian estranhou.
— A tosse!
— Sei! Tossiu muito!
— É amor!
...
Assim que o culto acabou e a igreja foi se esvaziando naquele emaranhado de pessoas, a família esperou todos saírem para poderem sair do local, ainda estava muito cheio e não queriam ficar esbarrando em todo mundo, o culto acabou meio dia em ponto, todos estavam com fome e puderam sair assim que perceberam que o lugar esvaziou um pouco, mas lá fora, a tosse de Elenna se tornou mais forte, ela tossiu tanto que desmaiou.
A família ficou assustada e foi as pressas com a mãe da família para o hospital, onde o doutor após uma série de exames, fez uma trágica descoberta, um tumor avançado nos pulmões da mulher. O médico informou o pai e até o chamou para ver o raio – x, Brian se assustou profundamente ao ver aquela mancha imensa nos pulmões do raio – x. Elenna nunca botou um cigarro sequer na boca, e agora um tumor nos seus pulmões aparece.
— E então? – Thomas, o mais velho perguntou.
— Ela tem ...
— Um câncer?
— Sim! – e o filho bufou de inconformismo – E já ta avançado!
— Droga! O que a gente faz?
— Não sei!
— Quanto tempo ela tem?
— Uns ... 9 meses!
...
O tempo foi passando, e a saúde de Elenna só foi piorando, ela ficou dias em casa deitada sem poder levantar, o marido queria desfrutar o tempo final da vida da esposa com ela mas ela mostrava que não tinha condições, estava fraca por causa da doença.
A pequena Emily tinha apenas 7 anos quando sua mãe descobriu a doença, ela via a mulher deitada na cama em que dormia e perguntava.
— Mamãe, quando você vai melhorar?
Elenna tosse com força e diz — Eu não sei filha! Mas não se preocupe, vai ficar tudo bem!
— Tá bom! Mas fica boa logo! – e ela saiu.
— Eu não sei se vou ficar boa minha filha! – sussurrou quando ela saiu.
...
POV Emily
Não sei o que tá acontecendo com a mamãe, ela tosse muito, não sai da cama e vive triste, porque será? Tomara que não seja nada grave, eu só quero que ela melhore, eu amo a minha mamãe e não quero que nada de mal aconteça com ela!
POV Brian
Meu Deus, o que foi que ela fez para merecer isso, sempre tão prestativa, tão boa, Elenna nunca fez nada pra ninguém, por que isso agora, a mulher vive de cama, só tosse, mal consegue levantar, o que foi que fez pra merecer meu Deus?
POV Thomas
Poxa, minha vai morrer? Não acredito, ela tava tão bem e agora essa merda aparece no pulmão dela, porque? Ela nunca fumou, nem bebeu, nem fez merda nenhuma, que droga!
...
Os meses passaram ainda mais, o tempo de Elenna logo chegaria e ela deixaria este mundo para sempre, mas uma data especial chegaria logo, o aniversário de Emily, ela faria 8 anos naquele mês, para o alivio de todos, Elenna finalmente conseguiu levantar da cama, mas ainda tossia, se encarregou de ajudar o pai nas despesas, queria fazer uma festa para a filhinha do meio, pois seria o ultimo aniversario da filha que Elenna passaria antes do dia de sua morte.
O dia tão sonhado pela garotinha chegou, Emily estava linda num vestidinho branco com estampa de flores na cor lilás, gostava de tudo menos rosa, lilás era sua cor favorita, era um dia de comemoração, a família inteira viria e todos botaram na cabeça de em momento algum mencionar o câncer ou a futura morte de Elenna.
— Tommy pega os balões por favor! — o pai pediu.
— Tá bom!
Quando o mais velho ia pegando os balões, a campainha imediatamente tocou, provavelmente seria a tia Lorraine e a família, pensou Brian, e tinha razão, Lorraine, irmã de Brian sempre chegava primeiro nas festas e reuniões da família, e La estava ela.
Tia Betty irmã de Elenna, e sua família também vieram, os avós da menininha Laura e Michael e a avó viúva Anna, mãe de Elenna, logo chegaram, deram os parabéns a menina, tiraram os casacos e se sentaram no sofá, enquanto as crianças brincavam no cômodo de cima da casa, que estava toda arrumada com uma bela decoração lilás e a comida era da melhor padaria de Chicago, tudo do bom e do melhor, bebidas, a comida toda, decoração, Elenna queria que fosse inesquecível.
— E então Brian, ainda pensando em montar o restaurante? – perguntou a tia Betty.
— Na verdade, pensando numa lanchonete! Depois restaurante!
— Sei! Elenna, como tá o ... – Betty achou melhor não falar o que iria falar.
— O que? – Elenna queria entender.
— Nada!
— Diz ai! – a mulher pede.
— Nada não, ia tocar naquele assunto mas ... a gente já conversou sobre isso!
— Tá, deixa pra lá!
— Mamãe! – Emily aparece – Meus amiguinhos querem comer o bolo, vamos cortar agora?
— Tá bom! E já é tarde né! Vamos lá gente!
As velas foram acesas no bolo de Emily e cantaram parabéns como sempre, Emily sopra as velas e cada um pega seu pedaço de bolo, naquele momento pelo menos estavam felizes, mas com o passar do tempo, tudo logo foi decaindo, a saúde de Elenna piorou e seu bom humor sumiu, ela tossia sem parar e já via a tão temida hora da sua morte chegando.
— Elenna, não quero perder você! Por favor, fica comigo! – Brian implorava – Deus, por favor não a leve!
— Eu sinto muito amor! Eu não posso parar isso!
— Mamãe, você tem que melhorar, não quero ficar sem você! – dizia a pequena Emily as lágrimas.
— Oh filha, me desculpe, ... mas eu não ... não vou mais melhorar! Mas eu quero que você me prometa uma coisa!
— O que?
— Que você vai sempre ajudar quem precisar da sua ajuda, mesmo que ele não queira, até mesmo os que te odeiam! – falou com a voz cansada.
— Tá!
— Eu te amo ... minha garota guerreira! – e logo em seguida Elenna fechou os olhos para a eternidade, e aquela sala foi tomada pelo som do pranto de todos.
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