Estávamos deitados no sofá assistindo desenho com Nikki e Lucca quando Laura se mexeu mais uma vez. Ela parecia mais inquieta que nunca e eu já estava com dúvidas se conseguiria dormir naquela noite por causa da minha garota. As dúvidas se cessaram quando senti um líquido escorrer entre minhas pernas. Minha bolsa havia estourado.

Olhei pro Kurt e ele me olhou com preocupação. Eu suspirei tentando não causar alarde.

— Minha bolsa estourou. — Eu disse baixinho, mas Nikki e Lucca logo olharam pra mim.

Kurt se levantou pra pegar o que precisávamos e Nikki o acompanhou. Eles sabiam que aquele era o momento da irmã deles chegarem e eu mais ainda após sentir a primeira contração mais forte. Fiz uma cara de dor e abri os olhos pra encontrar Lucca me observando.

— Mamãe, você quer que eu lhe ajude em algo? — Ele disse parecendo preocupado.

Ri apesar do momento, pois no parto dos gêmeos o pai dele havia me perguntado inúmeras vezes essa mesma coisa. Suspirei antes de respondê-lo

— Mamãe e papai vão deixar você e sua irmã na casa do tio Roman junto com a tia Tasha então se comportem, ok? A mamãe já vai buscar sua irmãzinha.

— Ok, mamãe. Diga a ela quando ela aparecer que nós já amamos muito ela. — Ele disse e eu sorri, beijando a testa do meu filho.

Kurt e Nikki apareceram com três bolsas. Duas dos meninos e uma da maternidade e Kurt veio até mim me ajudar a levantar por conta da barriga. Nikki e Lucca ficaram o tempo todo por perto e fomos pro elevador. Os dois estavam ao meu lado, mais protetores até que Kurt, mas estava tão feliz quanto a dor me poderia deixar ficar, pois estávamos indo aumentar nossa família e trazer ainda mais felicidade pro nosso lado.

Quando saímos do elevador, Nikki começou a rir.

— Mamãe ta nervosa. — Ela disse e apontou pro meu vestido e depois cutucou seu irmão. — Mamãe fez xixi no vestido porque ta nervosa. — Ela finalizou e ela e Lucca começaram a rir.

Não pude não rir e Kurt também. Eles saíram na nossa frente enquanto Kurt segurava a porta pra mim.

— Só seus filhos pra me fazer rir num momento desses. — Respondi.

— Nossos. — Ele disse dando um beijo em minha testa.

Entramos no carro e as crianças já tinham se ajeitado. Kurt me olhou.

— Esqueci de ligar pro seu irmão. Vou ligar e você liga pra Tasha, ok?

Pegamos os celulares e logo Roman atendeu Kurt. Ele disse que estava em casa e logo estávamos na porta. Ele e Tasha saíram e Tasha pegou nossos filhos e falou algo com Kurt, mas não sem antes me desejar sorte. Roman veio falar comigo. Ele parecia preocupado.

— Você vai ficar bem? —Ele perguntou pegando minha mão.

— Claro que sim. — Eu disse e sorri. — Vou buscar minha filha e confio em quem estou deixando meus outros filhos.

Roman beijou minha mão e sorriu.

— Só não vá abusar de mimá-los. — Eu disse e senti mais uma contração, o que me fez apertar a mão dele.

— Isso é ela avisando que quer ser mimada também. — Ele disse com humor e rimos, depois ele beijou minha cabeça e Kurt entrou no carro e fomos.

As contrações estavam cada vez mais fortes e mais líquido havia saído. Eu porém não queria pensar na dor então acabei puxando outro assunto com Kurt.

— Eu não queria assustar a criança, mas você ta bem? — Perguntou Kurt.

Eu sorri genuinamente pra ele.

— Estou. A dor é só um preparo pra multiplicação da nossa felicidade. — Eu respondi até senti Laura se mexendo dentro da minha barriga. — E essa felicidade parece ser bem grande. — Finalizei tentando rir.

Chegamos ao hospital e logo uma enfermeira trouxe uma cadeira de rodas e Kurt me levou. O médico que nos consultou no pré natal estava de plantão e alguns minutos após nos instalarmos em um quarto e Kurt me ajudar a trocar de roupas ele apareceu.

— É um prazer ver você. — Disse Kurt cumprimentando Gabriel.

— É um prazer encontrar vocês. — Ele disse e logo veio em meu sentido. — É um ótimo dia pra essa pequenina querer nascer, não? — Ele perguntou e todos sorrimos.

— Parece que ela resolveu que era um dia propício. — Eu respondi.

Ele colou algumas coisas na minha barriga e Kurt segurou minha mão. Íamos ouvir o coração dela.

— Parece que sim. — Disse o médico ao ouvir o coração dela batendo tão fortemente conosco.

Ficamos um tempo captando as batidas para registrar a frequência e o médico voltou a conversar conosco

— Como estão os dois primeiros?

— Estão super bem. — Kurt respondeu.

— Eles foram pra casa do tio. — Respondi depois de Kurt. — Eles estão super empolgados em ter mais uma criança conosco.

O médico sorriu para nós e parou o registro dos batimentos.

— Sua terceira filha também está muito bem. — Ele disse olhando pro bilhete de registro. — Agora precisamos checar sua dilatação pra ver que horas sua nova benção poderá nascer.

Kurt me ajudou a me posicionar e logo o médico me colocou em posição normal e nos olhou.

— Se você continuar como estar, em umas três horas você terá sua filhinha. — Ele disse e entregou a mim um painel móvel. — Se as contrações começarem a vir a cada 15 minutos, ou se precisar de mais alguma coisa, é só apertar nesse botão.

— Muito obrigada, doutor. — Disse Kurt cumprimentando-o e ele saiu da sala.

Eu estava com frio, me sentia suar por causa das contrações, mas estava tão imensamente e indescritivelmente feliz. E Kurt estava lá comigo. Ele não soltava a minha mão por nada, como ele havia prometido em nosso casamento alguns meses atrás.

Comecei a chorar por pensar nisso. Em como nossa vida havia se multiplicado em número de pessoas e consequentemente em felicidade depois de tudo. Alguns anos atrás, quando minha vida recomeçou, eu nunca pensei que poderia estar assim agora e com ele, mas agora que eu estava aqui, não tinha coisa que eu mais queria na vida.

Ele me olhou chorar e passou a mão em minha bochecha.

— Está tudo bem? — Ele perguntou preocupado

— Eu amo tanto você. — Eu respondi em meio ao choro e ele beijou minha testa.

Eu me afastei um pouco na cama, deixando um espaço ao meu lado.

— Deita aqui. — Eu disse e o olhei com manha.

— Não posso. — Ele respondeu até que eu fiz beicinho.

— É o último pedido de desejo. Eu juro.

Ele devagarinho deitou-se ao meu lado.

— Eu espero que você não ensine a essa garota a ser tão persuasiva.

Eu o olhei com deboche.

— Os pais dela são os dois maiores agentes do FBI de Nova York. Ser persuasiva estará no sangue dela

Ele começou a rir e depositou um beijo em minha bochecha. Ele ficou alisando minha barriga e logo ele estava cochilando em meu ombro. Eu agradeci mentalmente por isso, pois nas duas últimas noites ele tinha dormido mal e não o queria cansado quando nossa filha nascesse. Uma hora depois que seu pai havia começado a dormir, Laura o acordou me fazendo sentir contrações mais frequente e mais forte.

Eu havia sido treinada para sobreviver a tortura, a não senti-las tanto, mas a dor que se sentia pelo corpo todo não é algo pelo qual eu estava treinada. Kurt acordou atordoado quando eu apertei sua mão e depois que ele acordou eu já passei a gemer de dor. Logo o médico apareceu e duas enfermeiras vieram juntas para nos ajudar.

Kurt, fiel como sempre foi, não havia saído de perto de mim e mesmo parecendo preocupado ao me ver sentir tanta dor, o sorriso em nosso rosto foi o mais genuíno algumas horas depois, quando finalmente escutamos nossa menina chorar pela primeira vez. Seus dedos estavam tão entrelaçados com os meus, mas ele soltou e voltou alguns segundos depois com a menina nos braços. Ela ainda estava suja, mas seu rostinho era o mais lindo que eu já tinha visto. Ela tinha o cabelinho castanho como os de Kurt, mas ao piscar os olhos vimos que ela tinha os olhos verdes como os meus. Ele me entregou minha vida após os médicos removerem a placenta e eu finalmente voltei a me sentir completa.

Algumas horas depois eu senti ainda mais quando estava com Kurt e Laura e finalmente Nikki e Lucca chegaram com seus tios. Chegaram para completar ainda mais o que eu nem sabia um dia que estava faltando em mim.

Notas finais
Fiz esse capítulo com pressa, mas essa história deverá ter continuação dos dois lados, logo, deixem aquele comentário maroto pois assim que terminar meus trabalhos irei respondê-los e postar mais dois capítulos. Feliz dia 12 de junho para todos!