Incandescente

8 Capítulo 8 - "Vestido Branco e Flores Vermelhas"


Notas iniciais
O que será que houve com Emilly após a queda?

Capítulo 8 – “Vestido Branco e Flores Vermelhas.”

Eu estava em um jardim, deitada sobre a grama, com um lindo vestido branco, com desenhos de flores, e olhando para o céu. Eu estava absolutamente sozinha, mas não me sentia sozinha. A dor tinha acabado, ido embora rapidamente, rapidamente igual à água caindo por uma fonte. Meu grito tinha cessado, com lugar agora para a mais pura calmaria. Uma coisa dos deuses. E lá deitada, eu admirava o céu, as nuvens com vários formatos diferentes. Branquinhas como algodão. Era lindo. Parecia que eu sempre estive lá, que não havia acontecido absolutamente nada, e que eu tinha me formado dali, das flores, ou da terra, que eu fazia parte de lá. Eu estava feliz, e sorrindo. Ainda deitada na grama, comecei a sorrir. Escutar os barulhos que estavam em minha volta. Vento, água. Levantei-me e sai andando pelo jardim, como se o conhecesse há muito tempo. Um canteiro de flores vermelhas ao lado esquerdo, e ao lado direito. Na verdade, havia flores vermelhas por todos os lados, só flores vermelhas. Era completamente lindo. Eu comecei a andar no meio das flores. Eles tinham vários formatos, mas todas eram da mesma cor. Quando olhei para o céu, estava ficando nublado, mas não tinha absolutamente nenhum lugar para eu me esconder da chuva. Comecei a me desesperar. Não devido ao meu cabelo, ou ao medo de estragar o vestido, por que eu não tenho isso. E além do mais, o vestido era tão lindo, que parecia indestrutível, parecia que mesmo sobre a terra, mesmo sobre a água, ou agüentando a mais forte ventania, ele não perdia seu brilho. Comecei a andar mais e mais, mas a única coisa que eu conseguia ver eram as flores. Comecei a ficar com medo daquele lugar, medo do lugar onde parecia que eu era tão próxima, um lugar que parecia que me completava, um lugar que me fez ficar feliz, por que era lindo. Mas agora, o medo o tornou sombrio. Eu via só as flores vermelhas, e o caminho entre elas, mas agora, as via como uma passagem pro nada. E o céu que antes era lindo, só ficava mais e mais sombrio e obscuro. Agora começavam os raios, eu me sentei, e comecei a chorar, a pedir ajuda. Até que eu vi.

Um vulto, branco se aproximando de mim. Estava longe, não podia ver de quem era, mas sabia que era uma pessoa, e que era homem. Ele se aproximava, mas e mais. Eu estava tão paralisada, que eu não consegui me mexer, mas parei de chorar imediatamente. Ele foi chegando mais perto, e pude finalmente ver o corpo. Era sim um ser humano, homem, alto, mas não pude ver seu rosto. Ela irradiava muito brilho, muita luz, para ser mais exata. E ela chegava a ofuscar minha visão. Não sabia de onde a luz vinha, até por que não fazia sentido ele irradiar tanta luz, com o tempo assim, e essa luz não ser dele. Ele foi chegando mais perto, a chuva começou a cair, mas parece que não o molhava, enquanto eu, já devia estar encharcada, mas meu vestido ainda estava como era. E quanto mais ele se aproximava, mas eu pensava que aquela luz era própria, como um vaga-lume, mesmo isso sendo impossível. Ele ficou na minha frente, eu estava sentada ainda, ele olhou para mim. Eu não conseguia ver seu rosto, só suas feições. Eram feições de alguém com mais ou menos 15 ou 16. Ele tocou meu ombro.

Quando isso aconteceu, eu vi o céu obscuro indo embora, vi as flores indo embora, como se fossem sugadas para o nada. E só ficou eu e o garoto. Ele tocando em meu ombro. Eu sem conseguir o enxergar. Até que o chão começou a tremer, eu desesperei, olhando para os lados, mas ele continuou parado. Sem se importar com o que estava havendo em volta. Até que o chão começou a ser sugado para o nada também. Eu queria me levantar, e correr o máximo possível, mas não consegui. Até que o que estava embaixo de mim, que antes era grama, foi sugado também. Eu comecei a cair no meio do escuro, mas antes, o vi ainda olhando para mim, lá de cima. Com o mesmo brilho intenso em seu corpo. Eu caia, infinitamente, até que senti algo fofo em baixo de mim, resolvi abrir os olhos.

Eu estava ofegante, e reparei no lugar. Tinha várias camas enfileiradas uma ao lado da outra, formando um enorme corredor. Não tinha ninguém em nenhuma das camas. E eu estava em uma delas. No final do corredor, tinha uma enorme porta, e ao lado dela, uma estante onde tinha, eu acho que alguns remédios. Aí que eu me toquei. Eu tinha caído da vassoura, alguém tinha me derrubado, e eu estava na enfermaria. E tudo foi um sonho muito estranho. Olhei para minha mão, outra mão a estava segurando. Alguém com a cabeça baixa. Olhando para o chão, sentado ao lado de minha cama. Até que reconheci. Os cabelos louros, a pele branca, estatura de adolescente de 15 anos. Scorpius. Ele ainda não tinha percebido que eu tinha acordado, ele estava mais preocupado em segurar minha mão. Perguntei-me por que logo ELE estava lá, e segurando minha mão ainda por cima. Todo preocupado. Resolvi tentar falar, mas só saiu uma voz rouca.

– S – Scorpius... – Foi a única coisa que consegui pronunciar com aquela voz de galinha morrendo que eu estava. Ele levantou a cabeça devagar, olhou bem para mim, como se não estivesse acreditando, sorriu, e me abraçou muito forte. Não consegui me soltar, então retribui o abraço. Meu Deus, como era bom! Ficamos abraçados por um tempo, eu podia sentir o rosto dele por cima do meu ombro. Até que ele me soltou devagar. E olhou para mim.

– Emilly! Meu Deus! Como você está? Eu fiquei tão preocupado. – Ele estava preocupado comigo? Que estranho. E pelo visto ele não estava brincando. Dava para ver no seu rosto.

– O que... – Tentei falar. – O que aconteceu?

– Bem... Eu estava treinando Quadribol, até que eu fui capturar o pomo. Ele estava indo para a sua direção. Eu não consegui desviar. Desculpe-me. – Ah, então era isso. Foi ele que me derrubou, e tentou me segurar. Por isso ele estava aqui. Preocupado. Não queria ter que aguentar o fardo de que matou uma trouxa. Balancei a cabeça. Ele continuou. – Eu tentei te segurar, mas não deu tempo. Você caiu no chão, e foi uma queda horrível. Você estava no chão, agonizando, eu te peguei no colo, até que você deu um grito, e apagou. Emilly você não tem noção o tanto que eu me desesperei nessa hora. Eu te trouxe imediatamente pra cá, e a Madame Pomfrey disse que você não tinha quebrado nada, mas por causa da queda, não sabia que hora você poderia acordar. Ai eu me desesperei mais ainda, por que eu fiquei com muito medo de você não acordar. – Nessa hora ele suspirou. – Você ficou dormindo por quatro dias, eu com menos esperança ainda. Acho que por que não tenho muitas esperanças em nada nessa vida. Mas você acordou, e está aqui, e está bem. Eu estou muito contente por isso. – Parecia verídico. Se fosse mentira, ele sabia mentir muito bem. Eu ainda estava rouca e por isso falei muito baixo um “Obrigado por tudo isso.” Ele sorriu. E me abraçou de novo. Mas dessa vez, foi um abraço bem rápido. Ele disse que já já voltava, por que ia avisar a todos que eu acordei. E assim fez. Ele saiu, e logo depois voltou com Madame Pomfrey (uma senhora com uma carinha muito fofa) Rose, Albus e diretora McGonagall. Todos vieram me abraçar, e perguntar como eu estava. Nós ficamos conversando um pouco, até que McGonagall precisou sair. Só ficaram Albus, Madame Pomfrey, Scorpius, Rose e eu na enfermaria. Scorpius e Rose não discutiram, acho que devido ao momento. Mas ela olhava para ele com muito mais raiva que o normal.

Percebi que já estava à noite, e Madame Pomfrey disse que eu já podia ir para os dormitórios e voltar a minha vida normal, por que eu já estava bem. Na hora de ir embora, Albus, Rose, e Scorp me acompanharam até as escadas. Albus e Scorpius precisaram tomar outro caminho, e antes de nos despedirmos, Scorpius me lançou um último olhar de “Obrigado por ter acordado”, e também um sorriso de tipo “Você acordou, e eu estou muito mais feliz e aliviado que você. Pode crer.” É incrível como eu consigo interpretar tantas coisas de uma mísera expressão facial. Eles foram embora, e Rose e eu subimos para nossos dormitórios. Rose como sempre muito falante. Eu acho que ela falou muito mais que uma pessoa normal, contando com o tamanho do caminho que estávamos percorrendo. Chegamos ao dormitório e todos já tinham dormido. Subimos bem devagar para nossas camas. Trocamos-nos, e ela me desejou um “Boa Noite”, acompanhado com um beijo na testa. Dei uma última olhada em tudo antes de dormir. Lembrei do meu “sonho” que tive quando estava na enfermaria. O que significaria?

Notas finais
Esse, sinceramente foi o que eu mais gostei. Comentem, digam o que acharam ok?