Incandescente

9 Capítulo 9 – “Natal”


Notas iniciais
Sem notas desta vez.

Foi uma noite sem sonhos, sem nada que possa me mostrar à resposta para o que vi quando estava em coma, nada. Quando acordei, antes da hora habitual, me levantei com cuidado para nenhuma das meninas acordarem com meu barulho. As meninas eram todas da minha idade, menos Rose. Ela não devia estar dormindo no mesmo quarto que nós, mas foi uma exigência de Harry para eu não me sentir “sozinha” no meio de pessoas que não conheço. Eu acho que Rose não gosta muito de dormir com meninas menores que ela, mas ela nunca falou nada, então eu relevo o fato. Particularmente, não acho necessária essa preocupação toda comigo, da parte de Harry, eu posso dormir com outras meninas que eu não conheço numa boa, mas, pra falar a verdade, com Rose do meu lado é bem melhor, pois depois do meu acidente, as meninas ficaram insuportavelmente grudadas em mim, querendo saber de detalhes da história que EU não tinha conhecimento. Desci as escadas para me arrumar, mesmo sendo muito cedo para isso, eu não voltaria para a cama mesmo.

Depois de tudo organizado (materiais para primeira aula — que por acaso era de Defesa Contra a Arte das Trevas – e meu uniforme), subi para o quarto novamente e me sentei na janela. Estava amanhecendo, e a visão era perfeita. A luz do sol vinha devagar junto com ele, e expulsava a escuridão de todos os lugares. A escuridão que devorara a floresta, o lago, e a paisagem além deles, ia indo embora, e no lugar dela a luz calma e quente do sol reinava. Os lugares ganhavam mais vida quando recebiam a luz, desde as montanhas mais altas, até a horrível Floresta Proibida, ficavam mais bonitos. Aos poucos, as meninas foram se levantando devagar, e Rose foi à última. Ela me cumprimentou e saiu para se arrumar para o café da manhã. Depois de tudo pronto, nós saímos do salão e fomos comer, e, por incrível que pareça, eu não estava com fome, eu não estava com nada. Nem com vontade de falar com ninguém. O porquê? Eu também não faço ideia.

Chegando á minha mesa, mal pude sentar, e vi mais uma pessoa correndo para mim, já estava acostumada com isso, depois da minha queda, todos corriam para mim, e eu não podia ver direito quem vinha, estava muito longe. Foi chegando mais perto, até que a reconheci, com seus cabelos pretos voando enquanto ela corria com os braços abertos para mim: Tália vinha toda feliz com um sorriso enorme no rosto. Abri meus braços também e esperei o impacto do pulo dela por cima de mim. Começamos a rodar no meio de todo mundo, e eu estava rindo também. Depois de me soltar, ela disse:

– Como está você Emilly? Eu estava tão preocupada! Você demorou muito pra acordar, me desesperei toda, a culpa foi minha. – Ela abaixou a cabeça, triste.

– Ei, calma, calma. – Falei, levantando a cabeça dela com meus dedos. – Não foi sua culpa, a culpa foi minha, por não ter te ouvido quando você gritou. Mas já passou, já passou, eu já sai daquela cama, e já estou aqui, de pé.

– Graças a Deus você está bem, senão, eu nem saberia o que fazer.

– Para de falar isso menina. – Eu falei, dando um soco leve em seu ombro. – Quer sentar comigo e com Rose?

– Quero sim. – E ela se sentou entre mim e Rose. Rose a cumprimentou, com um sorriso no rosto, e depois, começamos a comer. Quando acabamos, Rose saiu para sua aula de Runas, e eu e Tália seguimos para a Defesa Contra a Arte das Trevas. No caminho, vi Scorpius de longe, e lhe mandei um aceno como cumprimento e ele retribuiu.

– Você o perdoou? – Perguntou Tália, me “acordando”.

– Claro que o perdoei. A culpa não foi dele, foi sem querer.

– Um sem querer que quase acabou com a sua vida.

– Que exagero Tália. – Eu disse, afinal, ele não acabou com a minha vida.

– Se você acha ok, não vamos discutir por isso. – Ela só disse isso o caminho inteiro. E eu também não estava muito a fim de puxar assunto.

A aula correu bem, como todo o resto do ano letivo, até o Natal. Assisti pela primeira vez a um jogo de quadribol, tive diversas aulas diferentes, e encontros não combinados com Scorpius que sempre rendiam um “Oi”. Minha vida na escola estava ótima, e eu estava interagindo com todos muito bem, graças a Rose e a Tália. Troquei cartas com meus pais o ano todo, eles ficaram muito preocupados comigo, mas fiz questão de garantir que estava tudo bem. Quando chegou o Natal, minhas notas estavam ótimas (por incrível que pareça) e estava tudo na mais extrema paz. Tive minha última refeição em Hogwarts, pois iria passar as comemorações em casa, estava com muita saudade de casa, da comida da minha mãe, do sorriso do meu pai, até dos meus vizinhos chatos. Arrumei minha mala juntamente com Rose, e fomos para o trem. Encontramos Albus e Tália, e nos sentamos juntos. A viagem foi tranqüila, conversamos sobre nosso tempo na escola, sobre quadribol, sobre os doces que tinham no trem (que eram uma delícia, por acaso, principalmente os feijões. Claro, quando eu pegava um gostoso), e sobre nossas famílias. Não falamos sobre meu acidente, e eu nem queria, acho que eles também não. Chegamos à estação muito animados e felizes. Da janela consegui ver meus pais acenando para mim, dei um enorme sorriso, peguei minhas coisas e fui correndo para eles.

Eles me abraçaram muito forte, e eu retribui. A saudade estava passando, eu já estava com eles, e eles estavam felizes. Virei-me, e vi atrás de mim Tália se despedindo com um aceno. Acenei também, e ela foi embora com seus pais. Ao longe, minha mãe viu Harry Potter vindo em nossa direção, em sua companhia estavam Rose, Albus, e os pais de Rose.

– Viemos nos despedir. – Disse Harry.

– Rose e Albus foram legais com você Emilly? – Disse Gina, mãe de Albus.

– Foram muito. – Eu falei, piscando para eles.

– Bom, espero que nos encontremos no Natal, talvez. – Falou Rony, pai de Rose. Eu sabia o nome dele por que ela me falou todos os detalhes, senão eu ia boiar aqui.

– Então... Até mais! – Falou meu pai corando. Ele ainda não se acostumou completamente com a história toda, de Hogwarts, bruxos, e tal.

Fomos para casa, quando cheguei, foi uma maravilha ver minhas coisas denovo. Minha mãe mandou uma carta para tia Ro, para ela vir passar a noite de Natal conosco. Até lá, como meus pais estavam de “férias”, nós saímos muito e nos divertimos. Minha mãe falou que foi um sacrifício arrumar uma história descente para os vizinhos quando eles perceberam que eu tinha “sumido”. Ela disse que eu estava muito fora de mim, e me mandou para um internato. Eu achei a ideia dela muito estranha, mas depois nós rimos muito ao lembrar. Eu até passei a me zoar, e usar isso como desculpa para algumas coisas.

Chegou dia 24, e a bagunça lá em casa estava demais. Meu pai começou a reclamar, pois eu não podia usar os feitiços fora da escola nem quando nós precisávamos. Eu ajudei minha mãe a montar a árvore, e meu pai a decoração fora da casa. Ás sete horas da noite já estava tudo pronto. Tomei banho, me arrumei, e fui para a sala esperar a chegada de tia Ro. Ela era tudo para mim, minha amiga, minha companheira, ela me fazia rir, e nós sempre nos víamos. Eu estava morrendo de saudades, nós não nos víamos há muito tempo. Sentada no sofá, ouvi um barulho de passos perto da minha casa (a sala onde eu estava ficava perto da porta, dava para ouvir tudo de lá). Levantei-me e esperei, tia Ro estava chegando, eu vou vê-la de novo, eu vou abraçá-la de novo. Abri um sorriso enorme no rosto e esperei. Os passos foram ficando mais próximos e rápidos, mais não eram de uma só pessoa. Será que tia Ro arranjou namorado e estava trazendo ele para o Natal conosco? Fiquei quietinha e vi a maçaneta da porta girando. A porta se abriu, fui correndo para abraçá-la, mas não era tia Ro.

Quem estava na porta, eram Harry e Rony, olhando muito agitados para mim, ofegando. Ficamos nos encarando por um tempo, eu realmente não entendia o que estava acontecendo. Harry falou com sua voz apreensiva.

– Vá chamar seus pais, agora. – Obedeci. Sai correndo. Meus pais estavam na cozinha, e por incrível que pareça, eles não ouviram absolutamente nada. Cheguei lá ofegante, eles me olharam preocupados e lhes contei quem estava na sala. Eles me seguiram, e quando chegamos, Harry e Rony estavam sentados cochichando um para o outro. Pigarreei e eles se assustaram, se a situação não parecesse séria, eu podia estar rindo, mas me segurei. Eles se levantaram e Rony começou a falar:

– Pais de Emilly, vocês são parentes de Romilda Addae, não são?

– Ela é minha irmã. – Minha mãe respondeu. Eles conheciam tia Ro? Como assim? E por que eles e não ELA estava naquela sala? Comecei a ficar nervosa.

– Viemos aqui, mas desconfiamos se vocês realmente eram parentes dela. – Disse Harry.

– O que vocês querem? – Eu já estava sem paciência para aquela enrolação toda. Dane – se a educação.

– Emilly, precisamos que você fique calma! – Harry exclamou. Ficando de joelho e segurando minha mão. Perdi a paciência e me soltei. Meus pais estavam com um olhar de medo.

– NÃO VOU FICAR CALMA! POR QUE VOCÊS ESTÃO COM ESSA CARA? O QUE TÁ ACONTECENDO AQUI?

– Emilly – Harry denovo tentando pegar em minha mão. Esquivei-me. – Você sabia que sua tia era Auror não sabia? – Fiz que sim com a cabeça. Descobri o que era isso quando minha mãe me disse logo depois que cheguei de Hogwarts.

– Pois é, ahn... Ela era nossa colega de trabalho. – Era?

– Por que o ERA?

– Emilly, desculpe te falar isso, eu realmente não queria, mas é necessário. Sua tia estava nos ajudando a capturar um bruxo que fugiu da prisão, quando ele lançou um feitiço em Ro, e, no desvio...- Ele hesitou, olhou para Rony, para mim e meus pais. Minha mãe já estava com os olhos cheios de lágrimas. Mas logo continuou, repetindo a última frase. – No desvio... Ela colidiu com uma árvore enorme. Nós voamos rapidamente para ajudá-la, mas, quando chegamos lá, a única coisa que encontramos, foi sua vassoura quebrada em pedaços. E ao longe, vimos seu corpo estirado no chão. Emilly me desculpe, completamente, a culpa foi minha também, eu não pude fazer nada para impedir, eu sei que o que você estava esperando que passasse pela porta, era Ro feliz e contente, mas, desculpe – me.

Notas finais
Eu sou muito legal, eu sei.