InFamous: Sombras do Passado
12 Os gêmeos Campbell
Algo havia o acordado na manhã. Sua primeira visão foi o teto, sentindo em seguida o cheiro da comida queimada que Fetch havia deixado em seu apartamento. Delsin se vira várias vezes no sofá, tentando se acomodar no móvel desconfortável. Ele usava poucas vezes a cama e como passava a noite em claro, o sofá era a primeira coisa que ele enxergava ao entrar no apartamento. O condutor arruma a touca, se espreguiça e em seguida, procura o celular em baixo do travesseiro. Ao encontrar, percebe o que havia lhe acordado:
“ Venha aqui em casa quando você acordar. Preciso falar com você. Tess.”
Ele mal havia acordado e já era solicitado na casa da família Wright através de mensagem. O que ele havia feito antes de voltar para casa foi lembrado e Delsin ficou com um pouco de receio. Será que Tess sabia que ele havia confrontado Vincenzo Campbell? E o pior de tudo, era que Delsin sabia de tudo agora. Tess... Uma condutora? Isso ficou martelando sua cabeça durante seu trajeto a casa dos Wright, pensando como a família havia vivido durante esses oito anos e tudo o que Tess teve que passar para sobreviver. Ele nunca iria querer viver assim, fugindo de tudo e mais, Reggie estaria ao seu lado, correndo por tudo o mundo.
Usando a fumaça, Delsin atravessa a lareira em pedaços e chega a sala, vendo que não estava sozinho. Tess, Nicholas, Ben, Blake, Jessie, Zoey e Jason estavam todos juntos na sala, o olhando e pareciam esperar o condutor, sendo que os únicos de pé no local eram Ben e o doutor Nicholas.
— Hã... Bom dia? — perguntou Delsin.
Todos responderam o condutor com outro bom dia. Nicholas descruzou os braços e encarou Delsin.
— Delsin, por favor, sente-se. — disse Nicholas, mostrando o sofá.
Tess mostra uma poltrona ao seu lado da sua, indicando o lugar para o condutor. Delsin andou até o local e se sentou, enquanto foi metralhado por olhares de seus amigos, sendo que por algum motivo, aquilo o assustou. Será que pensavam bem de Delsin?
— Delsin, não queremos o assustar. — disse Nicholas.
— Já assustaram... — disse o condutor da fumaça.
— Mas achamos que essa conversa era necessária. — disse o doutor. Ele se apoia na cadeira que Zoey estava sentada. — Sabemos que a Tess te contou sobre o... O poder dela.
— Eles sabem? — perguntou Delsin, se referindo ao grupo de amigos.
— Obviamente. — disse Jessie, friamente.
— Então se eles sabiam, porque eu não podia saber? — perguntou Delsin.
— Porque conhecemos a Tess há mais tempo do que você. — disse Blake.
— E ela nos contou que ontem você disse que iria a proteger enquanto eu ou o Ben estivéssemos fora. — o doutor olhou a filha, que estava quieta até o momento. — Isso é verdade?
— Eu me disponho a proteger ela, a qualquer hora e se quiser, a acompanho também. — Delsin sentiu um pouco de confiança na sua fala. Ele não queria perder Tess. — Desde que vocês dois não fujam de Seattle como fizeram em oito anos.
Nicholas olhou para a filha, que ainda continuava com a cabeça baixa, apenas ouvindo a conversa dos condutores.
— Nick, acho que podemos lidar com isso. Seattle é a cidade com mais condutores no mundo agora e o Delsin, ou a Fetch, eu, o Eugene e qualquer um deles pode vir correndo, mas lhe digo que vocês vão viver em uma incerteza. — disse Ben, encostado a parede. O grupo todo observou Nicholas, que mexia no cabelo e suspirava. — Tem certeza de que querem continuar a viver aqui, mesmo que os Campbell saibam que vocês estão em Seattle?
O doutor, mesmo com dúvidas, encarou Delsin e pensou bem. Mesmo que ele não quisesse ficar e pensasse que isso poderia ser ruim para sua filha, Nicholas sentia que Delsin era de confiança e que amava Tess tanto quanto ele. Ele aceitaria Delsin como genro, mais do que Jonathan e tinha certeza de que Meredith também aceitaria. Após limpar os óculos com o jaleco e os colocar de volta, Nicholas coloca uma das mãos na cadeira aonde se apoiava.
— Delsin diz que pode nos proteger e eu confio nele. — o doutor sorri para Delsin, vendo que o condutor sorria de volta. — Ele já protegeu Tess uma vez, sei que pode fazer isso de novo e quando for possível, caso os Campbell ataquem.
— Tess? — perguntou Ben, olhando para a garota.
Os olhares da sala se voltaram para Tess, que parecia com medo. Seu único pensamento foi em Delsin, em como o condutor havia a deixado feliz na última semana. Mesmo com suas brigas, ambos haviam feito as pazes e acabaram se apaixonando, sendo completamente diferentes um do outro. O sentimento que Tess havia com Jonathan havia sido trocado com Delsin e ela realmente não queria abandonar Seattle.
— Esse cara é o maior idiota e chato que eu já conheci. — após a fala de Tess, Delsin e todos na sala riram. O condutor da fumaça continuava a olhar para sua amada. — Mas eu confio a minha vida a ele, sei que ele não vai me decepcionar e me deixar. Admito que tenho medo de ficar em Seattle, mas tenho certeza de que o Delsin vai nos proteger.
— Bom, nesse caso... — Ben descruzou os braços e os colocou no bolso da jaqueta. — Está decidido. Vocês vão ficar aqui em Seattle e Delsin vai proteger vocês, além de mim e o pessoal. Só não faça bobagens, fumaça.
— Vou tentar... — disse Delsin, rindo.
Após a fala do condutor, todos se levantam e conversam entre si. Delsin encontra o olhar de Tess no meio de todos e sorri para a garota, vendo que ela retribuía o sorriso.
— Ok, condutores... — disse Nicholas, olhando o relógio de pulso. — Sei que vocês precisam colocar a conversa em dia, mas eu tenho que ir trabalhar. Ganhei uma hora de folga antes do expediente mas não posso ficar mais tempo fora do que isso. — o doutor beija o topo da cabeça de Tess e pega as chaves do carro em cima do balcão da cozinha. — Vejo vocês outro dia.
— Nick, melhor eu te acompanhar até o laboratório. — disse Ben. — Com os militares por ai, tenho medo do que eles possam tentar.
— Sem problemas! — disse Nicholas. — Então vamos logo, que já estou atrasado!
Após o carro azul de Nicholas, com o doutor e Ben, sair da visão de Delsin e Tess, ambos se olham e pensam no que tinham acabado de enfrentar. Pelo menos, Delsin havia conseguido manter Tess por mais algum tempo em Seattle, até pelo menos que ele encontrasse uma solução permanente para a garota. O condutor coloca seu braço sob o pescoço da garota, tentando a acalmar.
— Bom... Eu não esperava isso quando você me mandou uma mensagem de manhã... — o condutor ri. — Porque não me ligou? Eu teria vindo mais cedo...
— Não iria te ligar para acordar você novamente. — a garota pensa no dia em que havia acordado Delsin. — Ainda mais que você não estava atrasado desta vez.
— Eu tenho horário de entrada e saída agora?
— A não ser que você queira chegar neste apartamento, com ele estando vazio e sem sinais do meu pai e eu, você vai chegar cedo.
— Nossa, Tess... — o condutor começou a rir novamente, vendo que a garota também ria. — Você não vai fazer isso, porque eu sei. Não se preocupe, eu vou estar aqui o mais cedo que puder e nenhum militar vai chegar perto de você.
— Mas vários militares chegaram quando você prometeu isso.
— Mas isso foi ontem e...
— Meu pai e Ben me abraçaram e eles são militares. — a garota interrompeu o condutor.
Delsin parou e pensou na fala da garota. Ambos acabaram caindo na risada após Delsin entender o que Tess havia falado. A garota estava de bom humor ou havia algo mudado nela, foi o que o condutor percebeu. Ele nunca tinha visto Tess tão alegre.
— Você está muito alegre para quem é perseguida por militares. — o condutor a puxa pela cintura, deixando a garota nervosa.
— Mesmo que esteja tudo isso acontecendo, não posso ficar com cara de cansada o tempo todo. Não vou me render até que tudo esteja perdido.
— Falou como um soldado e condutor. E você é ambos.
Nesse momento, a garota parou e se encostou no ombro do condutor. Delsin a beija no topo da cabeça, tirando um sorrido de Tess e pensando se ambos já estavam juntos.
— Tess?
— Sim?
— Se por algum motivo, o Jonathan, seu antigo namorado, aparecesse novamente, você voltaria com ele?
A garota levanta o olhar, encarando Delsin. Seus profundos olhos azuis o encaravam, tentando encontrar a resposta para a pergunta. Cada vez que Delsin observava aqueles olhos, ficava encantado, não se admirando porque havia se apaixonado por Tess.
— Eu... Eu não sei... — a garota se afasta do condutor, enquanto as vozes do grupo de condutores eram possíveis de ser ouvidas de fora do apartamento. — O Jonah se afastou de mim quando descobriram que eu era a cura dos condutores. Vi ele uma ou duas vezes depois daquilo.
— Isso ainda não é uma resposta, Tess.
— Ei! — ela ficou irritada. — Eu só posso falar não sei! Não sei se voltaria, não sei se ele seria o mesmo Jonah que eu conheci... O tempo apodrece tudo, Delsin. Até mesmo a esperança...
— Que esperança?
— De o ver... De ter uma vida... Se voltar a ser militar...
— Você fez essa frase agora?
— Uma idosa que sofreu muito me disse.
Delsin cruzou os braços e observou a garota, enquanto ela olhava para o Obelisco. O condutor vai até a garota e a abraça, podendo sentir o perfume que era mais doce que o de Fetch. Ele adorava aquele cheiro. Tess sentia o calor de Delsin, se sentindo tão bem quando o condutor estava perto dela. Ambos se amavam, mas ainda não havia chegado o momento certo para se falarem. Era a única coisa que podiam fazer nesse momento.
Vincenzo descia as escadas para o estacionamento do lugar. Na última semana, ele havia ligado para seu irmão e o chamado para Seattle, agora que havia encontrado os Wright. Seu irmão demorou uma semana e mais alguns dias para chegar na cidade. De acordo com Vincent, ele não tinha pressa, já que conseguiria acabar com o problema dos Wright mais rápido que uma pantera. Os comboios iam estacionando no local, junto com um carro esportivo que era dos Campbell, mas Vincent era o único que usava. Enquanto os guardas iam descendo dos comboios, a porta do carro se abre, revelando Vincent Campbell, o atual Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais. Os gêmeos pareciam ser o oposto do outro, Vincent não tinha barba, seu cabelo era cortado no estilo militar e seu corpo mostrava as horas de treinamento que tinha no exército, enquanto Vincenzo tinha uma barba branca, o cabelo era bem cortado e arrumado e não havia sinais de que ele havia malhado alguma vez na vida. Vincenzo suspirou e foi até o irmão, enquanto Vincent se espreguiçava após as horas de viagem.
— Eu pensava que iria chegar mais cedo. — Vincenzo observava o irmão já se alongando. — Eu chamei você semana passada!
— Vincenzo, acabei de chegar uma viagem de quase quatro dias, não tenho tempo de ficar ouvindo seus sermões. Acho que você deveria ter virado padre.
— Fale isso na frente da Debbie e ela te expulsa de casa. — Vincenzo se lembrou de sua esposa, Debrah, a quem seu irmão mantinha uma raiva constante. — Sabe que ela não gosta de você e isso piora tudo.
— Não me importo se ela é a rainha dos Estados Unidos ou do Canadá, eu ainda não vou gostar dela.
Vincenzo suspira por seu irmão e percebe o quanto o ódio de ambos haviam os afastado. Apesar de tudo, eram irmãos gêmeos.
— Você está fazendo a cara de quando a mãe descobria que havíamos discutido por causa de namoradas. — percebeu Vincent. — O que houve?
— Somos irmão, não somos?
— Se estiver com dúvida, se olhe no espelho e depois olhe para minha foto.
— Não é dúvida, Vincent. Sempre estamos discutindo sobre, praticamente, tudo.
— Não tudo. Temos algo em comum em nossas discussões: — ele pega os ombros do irmão e os sacode. — Queremos os Wright. Eu quero minha garota de volta, irmão.
— Você trouxe o garoto?
— Claro que sim, o deixei dormir mais um pouco no carro.
— Muito bem... Hoje à tarde. Hoje à tarde é quando tudo vai acontecer. E você vai ter sua garota de volta.
Vincent sacode a cabeça positivamente e coloca os braços na cintura, enquanto seu irmão continuava parado, apenas o observando.
— Mais uma coisa, irmão... — Vincent olhou para o irmão após sua fala. — Delsin Rowe está apaixonado por Tess e vai fazer qualquer coisa para a proteger.
— Rowe? O condutor que derrubou o meu D.U.P.?
— Eu apenas não o prendi por sua causa! E o garoto não vai gostar nada disso...
— É óbvio que não, mas o que eu posso fazer? Eles ficaram oito anos afastados!
— Então acorde o garoto, prepare algumas tropas e tome uma boa caneca de café no refeitório. — tinha um toque de confiança na voz de Vincenzo. — Você tem uma garota para trazer de volta.
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