InFamous: Sombras do Passado

13 Eu te amo também, Delsin Rowe


Fetch e Tess conversando e se dando bem. Delsin nunca pensou que iria ver essa cena antes de namorar Tess, mas ambos nem estavam juntos e elas pareciam velhas conhecidas. Ben e Delsin estavam na sala de estar, apenas com a porta dos fundos aberta e observando Fetch e Tess, enquanto ambas arrumavam o jardim. Os condutores bebiam uma cerveja e estavam de pé, observando as condutores trabalharem com as plantas.

— Então... Você contou tudo para a Fetch e o Eugene? — Ben perguntou após tomar mais um gole da cerveja.

— Sim e parece que a Fetch teve pena da Tess. Depois que eu falei sobre os poderes da Tess para os dois, eles disseram que queriam ajudar de qualquer jeito e a Fetch até parecia que tinha se arrependido do que havia dito. E agora... Agora eu vejo ela se dando bem com a minha garota.

— Sua garota? — perguntou Ben, em um tom sarcástico.

— Eu amo ela, Ben, não vou deixar que nenhum militar a leve. — ele bebe mais um gole na garrafa. — Agora que eu sei tudo, não tem mais porque eu não confessar tudo a ela.

— E ela gosta de você, fumaça. Ela já me contou.

— Eu quero namorar ela! Mas sinto que ainda não está na hora e quero a deixar se acalmar um pouco até a pedir em namoro. Só sinto que agora estamos mais próximos do que antes...

Enquanto ambos conversavam, Tess percebe que havia esquecido algumas ferramentas em cima do balcão da cozinha.

— Fetch, acho que deixei a tesoura na cozinha. — se levantando do chão. — Eu vou lá buscar e já volto.

— Ok, te espero.

A garota aproveita e leva um grande regador para o encher de água, até que ela se aproxima da porta e começa a ouvir a conversa de Ben e Delsin. Com Fetch ocupada, ela se escondeu perto do batente para ouvir o que ambos falavam.

— ... do que antes, porque dava para ver antes que ela era tinha uma raiva sobre mim e que me odiava como todos odeiam os condutores. Eu nunca tinha entendido e admito que tinha raiva disso, e ainda assim... Ela poderia ter me contado, assim ela não teria agido como uma chata e irritante, sendo que ela ainda é assim. Não sei como eu a aguentei durante todo esse tempo...

Ao ouvir isso, Tess sente algo dentro de si que a deixou mal. A garota se recusa a chorar, porque havia aprendido com os Campbell que isso era coisa de gente fraca e ainda acreditava, mesmo que eles fossem os inimigos agora. Após perder as forças e sentar a grama, Tess agarra o regador e o abraça, como se fosse a única coisa que poderia a ajudar a ter forças. Foi quando Fetch se virou para procurar a amiga e a viu sentada no canto da porta.

— Tess? — os condutores pararam a conversa e foram procurar Tess, a encontrando no canto da porta. — O que está fazendo ai?

Tess olha para seus amigos, se levanta e tenta manter a postura de antes, ainda tentando não derramar nenhuma lágrima e não fraquejar na frente de Delsin.

— Nada não... Eu... — ela sentiu que o olhar de Delsin a pressionava para contar. — Eu queria ficar um tempo sozinha, só isso...

— Com o regador? — perguntou Ben.

Ela olha feio para o irmão de criação, pega o regador com as duas mãos e entra para o apartamento, deixando os condutores preocupados. Enquanto enchia o regador com água, Tess pensa novamente no que havia acontecido uma semana atrás. Delsin havia descoberto seu segredo e havia prometido a proteger, desde que ela ficasse em Seattle. Sendo que ela era apaixonada pelo condutor, ela decidiu ficar em Seattle, mas não iria conseguir suportar ficar ao lado de Delsin após ouvir aquilo. Seu pensamento foi levado a que ele estava apenas fingindo ser apaixonado por ela e tudo aquilo que ele fez eram truques para que os Wright confiassem nele. E havia funcionado. Do nada, ódio veio a sua mente. Era o mesmo ódio que ela sentia antes de o conhecer, verdadeiramente. Ela e seu pai iriam sair de Seattle naquela noite e abandonar Delsin Rowe... Para sempre.

O sol estava em seu caminho para se pôr quando Ben e Fetch foram em direção ao centro para seu primeiro encontro, deixando Delsin e Tess sozinhos novamente. Ao perder o condutor de metais de vista, Delsin fecha a porta e avista Tess no jardim, terminando de molhar as plantas. Ele abriu um sorriso para a garota, que não retribui e nem fez nada, parecendo estar zangada com algo. O condutor sentiu que tinha algo errado e resolveu investigar. Assim que a garota voltava para dentro com o regador, ele a seguiu até a cozinha.

— Então... O que vai querer comer? — ele arriscou a perguntar sobre o jantar, se apoiando no balcão. — Seu pai cozinhou hoje de manhã, já que ele sabia que os dois iriam vir hoje.

— Vou comer algo rápido, não quero perder tempo. — ela disse, friamente, enquanto guardava algumas coisas.

— Ótimo! Eu te acompanho! Mas porque não quer perder tempo? Vai a algum lugar e eu não estou sabendo?

— Sim, não está mesmo. Eu estou indo embora de Seattle.

O sorriso de Delsin desapareceu.

— O que você quer dizer com isso? — ele perguntou.

— Eu estou me mudando de Seattle, Delsin Rowe. Eu e meu pai vamos estar na estrada hoje a noite!

— Tess, você me prometeu que não iria fazer isso!

— Só que eu cansei!

— O que houve com você?! — ele perguntou, indignado. — Você não estava assim de manhã e nem quando eu cheguei! O que houve?! O que eu fiz para você?!

— Eu sei que eu te incomodo, sei que sou chata e irritante e realmente te admiro por ter conseguido me aguentar todo esse tempo, mas quero te libertar desse sofrimento, por isso estou indo embora!

Delsin se lembra da conversa que havia tido com Ben mais cedo e soca a bancada, se corroendo por dentro por ter falado aquilo.

— Por isso que você estava no canto aquela hora! — ele coloca as duas mãos na testa. — Você estava ouvindo nossa conversa!

— E até fiz bem!

— Tess, você não ouviu a conversa toda! Não pode tomar decisões precipitadas só por causa disso!

— Eu vou e posso! Vou estar na estrada daqui a algumas horas!

A garota começa a andar para o andar de cima, em direção ao quarto, sendo que Delsin a seguida rapidamente e antes de ela poder entrar, o condutor a segura pelo cotovelo.

— Tudo isso é por causa do que eu disse para o Ben? — o condutor olhava fixamente para os olhos de Tess. — Tess, você nem ouviu toda a conversa! Você... Você nem sabe o que eu realmente disse antes!

— E nem foi preciso, Delsin! Eu ouvi o suficiente para tomar minhas próprias conclusões! — ela se solta do condutor e pega a maçaneta da porta. Ela olha para o condutor com um olhar triste. — Eu vou arrumar minha mochila e conversamos em algumas horas, antes de eu ir.

Ao Tess fechar a porta do quarto na sua cara, Delsin suspira negativamente e esfrega o rosto, pensando no que podia fazer para impedir que a garota saísse de Seattle. Não, ele não iria conseguir ignorar isso por muito mais tempo. Era a hora de abrir o jogo. Recuperando rapidamente o fôlego, ele abre a porta do quarto, vendo Tess arrumando uma mochila em cima da cama, cheia de roupas, livros e outros objetos ao redor.

— Ok, eu sei que isso pode parecer estranho, mas você não ouviu o inicio da conversa e eu preciso que você me ouça agora... Por favor. — ele implorou.

Tess pára de mexer na mochila e cruza os braços, olhando para o condutor.

— Estou te ouvindo. — ela disse, ainda irritada.

Tentando não entrar em pânico, pois seria a primeira vez que varia isso, ele soca os punhos e respira fundo.

— Olha, eu sei que nós não nos relacionamos muito bem no inicio e que nossas brigas eram constantes quando nos conhecemos. — ele limpa a garganta e encara Tess. — Mas eu fiquei vindo e ficando várias vezes e aceitei te proteger, te aturando, por um só motivo.

— Chega de desperdiçar meu tempo, Delsin!

Ela volta a arrumar a mochila.

— E esse motivo é o fato que eu te amo, Tess!

A garota pára, novamente, de mexer na mochila e encara Delsin, surpresa. Ambos os condutores estavam imóveis, esperando alguma reação de algum dos dois. Algo desperta em Tess novamente, sendo que o ódio que ela sentia pelo condutor havia sumido, misteriosamente. Após certo tempo, Tess larga a mochila na cama, cruza os braços novamente, percebendo que estava inquieta.

— Isso não é uma história, Delsin. Isso não é aquele tipo de história em que você é o herói, a Fetch e o Eugene são seus assistentes, os Campbell são os vilões e eu...

— E onde você se encaixa? — ele perguntou, vendo que ela havia parado.

Ela abaixa o olhar.

— E eu... — ela volta a olhar o condutor, quase chorando e mostrando um sorriso. — E eu sou aquela garota que se apaixona pelo herói.

Se dando conta do que a garota havia acabado de falar, o rosto de Delsin se ilumina, vendo que estava finalmente admitindo tudo.

— Eu te amo também, Delsin Rowe. — ela cobre o rosto e tenta segurar as lágrimas, ainda não querendo chorar na frente do condutor. — Ah Deus, eu me sinto tão idiota falando assim!

— Ei, ei, não se preocupe com isso, você foi ótima! — ele abraçou a garota, rindo e a beijou na testa. — Quer saber o que eu disse para o Ben antes de você chegar? — ela balança a cabeça positivamente. — Eu falei que estávamos mais próximos do que antes, quando você só me odiava e agora, vejo tudo o que passamos e mesmo você me irritando toda a hora, eu te amo muito e que você nunca mais iria embora, porque eu não quero te afastar da minha vida.

Após a declaração de Delsin, Tess finalmente derrama as lágrimas, por não conseguir conter a felicidade que tinha sobre seu amor que tinha sobre o condutor. O condutor limpa as lágrimas da garota, a segura pelo queixo e a beija, vendo que ambos haviam se entregado completamente ao beijo e dessa vez, não havia nada para os interromper. Delsin a segura pela cintura, enquanto Tess o puxa pelo pescoço, até que algo ecoa pelo lugar. Era o som de alguém batendo na porta, assustando os dois. Eles se separam e se olham, tentando entender o que estava acontecendo.

— Você está esperando alguém? — ele perguntou.

— Não...

De mãos dadas, ambos descem as escadas e chegam a sala, onde as batidas na porta da frente começaram a ficar mais altas e fortes.

— Fica atrás de mim, Tess.

Fechando o punho com força e preparando a fumaça, Delsin ficou encarando a porta, sentindo o abraço que Tess lhe dava e a porta foi aberta por um forte chute, parecendo quando os militares invadiram, seguido de um silêncio no local.

— Tess? — falou alguém vindo de fora do apartamento.

— Eu... Eu conheço essa voz... — ela disse.

— Tess! — fala novamente a voz.

Com o frio vento de Seattle, entra um alto homem no apartamento, tendo cabelos azuis que possivelmente haviam sido pintados recentemente, olhos verdes profundos, placas de identificação e usando uma jaqueta militar, fazendo com que Tess se afastasse de Delsin para ver quem era.

— Jonathan? — ela perguntou.