— Bati. — disse Eugene.

— Como assim? — disse Fetch, parecendo indignada. — Nós começamos a jogar não faz 10 minutos!

— E eu apostei as minhas melhores cervejas! — disse Ben, indignado. — Você nem bebe, Eugene!

— Mas eu ganhei! — disse Eugene. — Mais sorte na próxima vez.

Eugene, Fetch e Ben jogavam cartas em cima da mesa no apartamento de Delsin, sendo que era a terceira vez que Eugene ganhava. Eugene puxa uma caixa de cervejas para o seu lado, enquanto Ben bebia um pouco da garrafa que havia ao seu lado e Fetch puxa o celular para fora do bolso, vendo o horário.

— São quase oito da noite. — disse Fetch. — Cadê o Delsin?

— Vai ver ele nem acabou o compromisso dele de hoje de manhã cedo. — disse Eugene, colocando a caixa de cervejas ao chão. — Eu liguei para ele várias vezes, mas ele nem atendia.

— Isso me lembrou de algo! — Fetch se virou para Ben. — Ben, aquele dia da corrida... Aquele dia que você veio aqui... Você falou algo para o Delsin que fez ele ficar estranho mais tarde. O que você falou para ele?

Ben abaixa a garrafa, vendo que Fetch o encarava e depois olha para Eugene, que embaralhava várias cartas e balançou a cabeça negativamente.

— Hã... Estranho como? — perguntou Ben, colocando a garrafa em cima da mesa.

— Estranho tipo não nos respondendo, rindo do nada, parecendo que tinha bebido e olhando fixamente para o teto. — disse Eugene, embaralhando as cartas.

— Exatamente! Eugene escreveu exatamente como ele estava! — disse Fetch. — O que você falou para ele?

— Na verdade...

Nesse momento, o barulho da porta sendo destrancada foi ouvida e Delsin entrou no lugar, olhando para os colegas. Eugene parou de mexer nas cartas, Fetch encarava o condutor de fumaça e Ben apenas pegou outra garrafa aberta ao lado de sua cadeira.

— Eu não me lembro de ter autorizado que tivesse um cassino no meu apartamento. — disse Delsin.

— Aonde você esteve? — perguntou Fetch. — Tentamos te ligar várias vezes!

— A bateria do meu celular acabou, desculpe! — disse Delsin.

— Delsin, o que deu em você nesses dias? — a condutora se levantou e encarou Delsin. — Primeiro você age como um idiota, fazendo que eu atirasse na sua perna. Depois você simplesmente cancela nosso encontro no Obelisco Espacial, dizendo que tinha algo em outro lugar e agora você se atrasa em outro encontro que você mesmo marcou!

— Olha, me desculpa se tem muitas coisas acontecendo nesses últimos dias! — disse Delsin. — Mas isso não quer dizer que vocês podem se meter!

— Bom, se estiver relacionado comigo e com o Eugene, eu posso sim! — disse Fetch.

— Ben! Me ajuda, cara! — disse Delsin.

— O que eu posso fazer, D? — perguntou Ben.

— A culpa foi toda sua! — disse Delsin. — Foi você que pediu para eu me encontrar com aquele cientista e... E ela.

— Espera... Que cientista é esse? — perguntou Fetch. — E quem é ela?

— Olha, eu te pedi um favor e você aceitou! — disse Ben. — Agora, é seu problema também, fumaça! E pelo o que eu sei, você também aceitou o que o Nick te pediu!

— Então me escute. — todos pararam e olharam para Delsin. — Você está me devendo um favor, então eu estou te cobrando e explique tudo para eles.

Ben suspirou negativamente e se levantou, parando na frente de Delsin. Ambos tinham praticamente a mesma altura, apenas com o fato de que Benjamin era um ano mais velho que Rowe. Ele não queria de jeito nenhum ficar zangado com Delsin.

— Nicholas e Tess Wright são os nomes deles, Fetch. — disse Ben.

— Um casal? — perguntou Fetch.

— Não. — Ben se virou para a condutora. — Pai e filha.

Fetch parecia ter ficado surpresa e observou a reação de Delsin, que apenas esperava Ben continuar a sua história.

— Nicholas foi um fuzileiro e cientista militar que me ajudou muito quando minha mãe morreu, então além de amigo, ele é como meu segundo pai. — disse o condutor de metais. — Enquanto a Tess... Ela tem a sua idade, Fetch. Eu acho que vocês duas iam se dar muito bem, porque ela é uma garota incrível.

— Eu sei disso. — disse Delsin. — Ela pode ter sido muito grossa comigo, mas... — ele parou e se lembrou do dia que passou com ela, dando um sorriso. — Mas podemos dizer que quando começamos a conhecer uma pessoa, ela se torna incrível.

— A Tess é o tipo de garota que na primeira vista, você acha que é uma garota patricinha e até certo ponto metida, mas ela tem bom coração e defende com a vida dela os condutores. — disse Ben.

— E eu posso saber o que essa Tess tem de tão especial? — perguntou Fetch.

— Até eu quero saber dessa, Fetch. — disse Delsin.

— Olha só, esqueçam que eu estou aqui! — disse Eugene.

Enquanto Eugene se afundou na cadeira e puxou o capuz, Delsin e Fetch continuavam a encarar Ben. O condutor de metais apenas colocou as mãos no bolso da jaqueta, tentando afastar a vontade que ele tinha de contar sobre Tess. Mas ele não iria entregar sua irmã de coração... Nunca faria isso.

— Essa... Tess... É uma irmã para mim. — disse Ben. — O Nick me mataria se algo acontecesse com ela e eu estivesse envolvido. — ele tira as mãos do bolso e começa a arrumar os cabelos. — Acontece que eu não vou entregar a minha família tão cedo, Delsin.

— O que você quer dizer? — perguntou Delsin.

— Quer dizer... Que você vai precisar fazer mais se quiser que eu te fale o que a Tess tem de tão especial. — disse Ben. — Somos militares, nós cuidamos um dos outros.

Ao ouvir essa frase, Delsin avança em Ben, o puxando pela gola da jaqueta. Eugene dá um pulo da cadeira, junto com Fetch, que espantada, dá alguns passos para trás. Essa era a mesma coisa que Betty havia dito para Delsin alguns meses atrás, quando Augustine havia recém colocado os pedaços de concreto em todos os Akomish... E a motivação dele para salvar sua tribo.

— O que é, Delsin? — perguntou Ben, que parecia não ter reação nenhuma. — Só porque você protegeu o seu povo, quer dizer que eu não possa proteger o meu?

Ambos os condutores ficaram se encarando, até que Delsin percebeu que isso era inútil e rapidamente largou a jaqueta de Ben. O condutor de metais começou a se arrumar, observando as reações de Fetch e Eugene, que apenas os olhavam e com um movimento de mão, a maçaneta da porta se mexeu e ela abriu, com o vento frio de Seattle entrando no apartamento.

— Eu vou indo, acho que a Bonnie deve estar sentindo minha falta. — disse Ben.

— Mande um beijo para ela, Ben. — disse Fetch.

— Eu vou, não se preocupe. — disse Ben, sorrindo para a condutora. Ele olha para Delsin. — Só me prometa que não vai perder o controle na frente da Tess.

— Só vai, Benjamin! — gritou Delsin, totalmente irritado.

Ben balançou a cabeça positivamente e saiu correndo porta afora, para pular do prédio e sair voando de poste em poste com a ajuda de seu campo magnético. Fetch olhou para Delsin, que havia suspirado e se atirado no sofá, pensando no que havia acabado de acontecer.

— D, amanhã vão chegar alguns condutores que estavam em Curdun Cay. — disse Fetch. — Vamos nos encontrar com eles perto do Obelisco Espacial, então... Se você quiser os conhecer...

— Eu vou, pode deixar. — disse Delsin. — Você e o Eugene podem ir? Preciso ficar um tempo sozinho.

Fetch sinalizou para Eugene, que de cabeça baixa, vai saindo do apartamento. Foi a vez da condutora, que observou Delsin parado ao sofá e enfim, fechou a porta. Delsin não queria discutir com Ben, de jeito nenhum. Ambos eram bons amigos e praticamente irmãos, mas havia sido Fetch quem se intrometeu em seu assunto com o condutor de metais. Ela estava mais desconfiada de tudo depois que ele havia abandonado o encontro no Obelisco.

— Parece que tudo fica mais difícil, Reg. Eu precisava de você comigo, você saberia o que fazer.

Ao dizer isso, o condutor deita no sofá e entra em seus sonhos.

Já era manhã novamente. Delsin havia recém chegado em frente ao Obelisco Espacial, percebendo que o lugar estava calmo demais para a chegada de condutores. Enquanto isso, duas pessoas ficavam pulando de prédio em prédio, até avistarem o condutor. Sem perceber que estava sendo seguido ele olha para todos os lados, tentando evitar o encontro com algum amigo e que eles conhecessem Tess e Nicholas. Delsin pretendia usar o truque de fumaça para atravessar a lareira, mas foi quando...

— Olá, Delsin.

Dando um salto, o condutor se vira, vendo Fetch e Eugene, de braços cruzados e sorrindo, provavelmente rindo da cara dele.

— O que... O que vocês estão fazendo aqui? — perguntou Delsin.

— O condutorzinho de fumaça não queria nos mostrar quem era essa tal Tess? — perguntou Fetch. — Então viemos a ver, pessoalmente.

— Mas vocês não podem! — disse Delsin.

— Claro que podemos. — disse Fetch. — Além do mais, o encontro com os condutores é aqui na frente.

— E se eu disser...

Do nada, a porta se abre, mostrando Nicholas e Tess, que observavam quem estavam brigando em frente ao seu apartamento.

— Ei! — disse Delsin. — Doutor e... Tess.

— Ela é a tal Tess? — perguntou Fetch. Ela olha para a garota, de cima para baixo e avista as placas de identificação, penduradas em seu pescoço. — Ela é militar! Você anda se relacionando com militares?

— E o que você tem contra militares? — perguntou Tess, cruzando os braços.

— Digamos que mais de 70% do D.U.P. era formado por militares. — disse Fetch. Ela bufa e cerra os punhos, cruzando os braços também. — E mais ainda que a Augustine era militar.

— Augustine era minha amiga. — disse Tess. — E se você tem algo contra ela, então tem algo contra mim.

— Escute aqui, garota...

— Ei, ei! — disse Nicholas. — Sem brigas na frente da minha casa! E pelo amor do militar, deem um jeito nos outros lá dentro. Eu recém arrumei o apartamento!

— Outros? — perguntou Eugene.

De repente, um jato de algo azul foi visto passando por de trás de Tess e Nicholas. Será que eram os novos condutores?

— Aquilo foi tinta? — perguntou Delsin, olhando por cima do ombro de Tess.

— Os condutores estão aqui! — disse Fetch. — Você estava os escondendo, Tess?

— Pelo o contrário. — disse Tess. — Eles são meus amigos e eu chamei eles para virem aqui.

A garota abre espaço entre ela e o pai, deixando Delsin, Fetch e Eugene entrarem no apartamento, procurando algo incomum. As paredes estavam todas pintadas de azul claro, sendo que há alguns dias atrás, elas estavam cinzas.

— Ok, aconteceu algo aqui. — disse Delsin. — As paredes eram cinzas.

Foi quando Delsin foi jogado contra a parede por uma bomba de tinta azul, junto com Eugene e Fetch. Os condutores caíram de cara no chão e quando levantaram o olhar, viram quatro pessoas os encarando. Eram dois caras e duas mulheres e Delsin tinha um palpite de que eles eram os condutores que Fetch havia falado.

— Ah, legal. — disse Delsin.